Disclaimer: Saint Seiya, obviamente não me pertence.

Fanfic feita no intuito de comemorar os seis anos de amizade verdadeira existente entre seis amigas. Que Deus continue nos abençoando e nos iluminando nesse mundão ai afora. Amo vocês!


"Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre".

_ Autor Desconhecido.


Todos os dias pessoas desaparecem sem deixar rastros. As vezes, algumas dessas pessoas conseguem se despedir ou deixar mensagens para os seus familiares e amigos antes de sumirem. Recentemente o caso que mais chocou o mundo foi o do jogador Emiliano Sala que desapareceu no Canal do Mancha. Entretanto a pergunta que fica no ar é: Onde essas pessoas estão? Estão vivas ou mortas? Esse é um mistério que muitos tentam desvendar, mas ainda sem sucesso.


Capítulo IX.

Cozinha do templo de Athena.

A cozinha era enorme. Áries tinha razão ao dizer que as pessoas eram humildes e boas ali. Marcela ficou impressionada quando viu vários fornos a lenha e uma grande mesa de madeira maciça no centro. Legumes, verduras, grãos de todos os tipos estavam armazenados do lado esquerdo de forma que o cheiro daquele lugar desse água na boca. Em cima da mesa, frutas, pães, geleias, sucos e tortas variadas. Do lado direito da cozinha, um grande depósito com todos os tipos de carnes. O lugar era bastante frio, o que fez ela e Anna imaginarem que Kamus, ou melhor, o cavaleiro de Aquário mantinha aquele local desse jeito.

– Estou impressionada. - Falou Anna.

– Também. - Concordou a amiga.

– Isso aqui parece cozinha de Chef. - Anna olhava para a mesa com água a boca. Ela tinha acabado de tomar café, mas isso não a impediu de ficar babando pelas tortas suculentas e cheirosas que repousavam ali. - Isso é tortura.

– Vou ter que concordar com você. - Marcela olhava para os vários tipos de pães. - Eles parecem quentinhos.

– Olá. - Falou uma serva. - Vocês duas são as novas ajudantes? - Perguntou.

– Somos sim. - Respondeu Anna.

– O que sabem fazer? - A serva foi direta ao ponto.

– Eu sei fazer omelete. - Marcela falou com sinceridade.

– Eu sei fazer miojo. - Anna parecia envergonhada.

– Mio – quê? - Perguntou a serva sem entender o significado daquela palavra.

– É um tipo de macarrão, só que instantâneo. - Esclareceu Anna.

– Ela ainda não entendeu. - Marcela olhou de Anna para a serva. - É melhor esquecer. A gente não sabe fazer nada, na realidade.

– Hum… - A serva parecia desapontada. - Então vocês podem ajudar a descascar alguns legumes.

– Por mim tudo bem. - Declarou Anna. - Onde estão esses legumes a serem descascados?

– Podem se acomodar ali do lado. - A serva apontou para um lugar meio isolado da cozinha. - Ali dentro estão todos os legumes que precisam ser descascados para o almoço.

– Tudo bem. Deixa com a gente. - Marcela puxou a amiga pelo braço e seguiram em direção ao local aonde a serva havia lhes mostrado. A sala era pequena e não tinha nenhuma ventilação, nem a porta aberta fazia com que a brisa entrasse. O calor e o fedor de legumes começou a incomodar as duas amigas. Elas tinham sacos e mais sacos de batata, cebola, cenoura entre tantos outros para descascar. - Ela só pode estar de sacanagem.

– Não vamos terminar isso nunca. - Anna olhava dentro dos sacos intermináveis estocados naquele lugar. - Vamos morrer aqui dentro.

– Talvez esse tenha sido o plano de Athena desde o início. - Marcela sentou-se em um banquinho feito de madeira e começou a descascar batatas. - Só espero não arrancar um dedo fora.

– Já estou com dor na coluna só de olhar você descascar isso. - Anna sentou-se ao lado da amiga e começou a descascar as cenouras.

– Quero só vê quando a gente começar com as cebolas… - Marcela falou enojada.

– Vamos rezar para alguém vir aqui e nos ajudar.


Biblioteca do Templo de Athena.

Áries tinha deixado Thamires na entrada da biblioteca e teve que sair apresado, pois Athena convocará uma reunião com todos os cavaleiros. Ela queria segui-lo, mas não ousaria ficar cara a cara com Athena. Não quando a expressão do cavaleiro antes tão descontraída tinha se transformado em uma expressão séria e rígida. A carioca ficou com pena do cavaleiro, mas ela sabia que cada ali carregaria uma cruz diferente.

Nesse momento ela estava carregando a dela. Entrou na grande biblioteca e ficou impressionada com o que viu. Enormes prateleiras de madeira carregadas de livros grandes, pequenos, médios, pergaminhos, até blocos de pedra. Ela não tinha noção de onde começar a olhar a mexer e procurar. Com certeza ela acharia algo por ali. Entretanto, ela demoraria uma eternidade para achar respostas sozinha. Ela teria que pedir ajuda as meninas para conseguir dar conta.

O chão era de mármore, assim como o resto e um grande tapete verde interligava todos os corredores do local. Cortinas pesadas e grandes em tom de dourado, vermelho e laranja estavam do lado esquerdo, fazendo com que a claridade ficasse do lado de fora. Várias lamparinas estavam espalhadas pelo recinto. Elas deixavam o lugar mais acolhedor.

– Você é a nova funcionária? - Perguntou.

Thamires tomou um susto. Virou-se na direção da voz e se deparou com um homem tão lindo quanto Áries. Ela sabia quem ele era só de olhar para a sua testa. Diferente de Áries ele deixava as pintas lemurianas a mostra. Ela queria muito falar o nome dele, mas lembrou que talvez Shion não fosse o seu nome. Talvez ele nem tivesse um nome.

– Sim. - Limitou-se a dizer.

– Venha comigo. - Ele a encarou antes de seguir por entre os corredores.

Thamires fez exatamente o que ele falou. Deixou ele ir na frente e foi analisando todos os detalhes de seu belo corpo. Ele era alto, seus cabelos eram curtos, completamente diferente do que ela imaginava. A cor também era diferente. Era um dourado, quase castanho médio. Ele tinha a mania de ficar passando a mão por entre os fios, para que os mesmos não caíssem em seus olhos, mas Thami já conseguiu distinguir que aquilo era um TOC¹ dele. Usava uma roupa simples. Calças de algodão na cor verde e blusa branca de mangas até a altura dos cotovelos. Usava sandálias de couro marrom bem clara o que contrastava com a cor verde da calça.

Thamires se aproximou, ficando ao lado dele. Ela queria poder analisar seu rosto. Suas pintas eram castanhas bem claras, sua pele branca e seus olhos verdes. Tinha os braços e pernas bem musculosos e torneados. A calça ficava bem justa em algumas partes, assim como a blusa.

– Você é parente de Áries? - Resolveu quebrar o silêncio entre eles.

– Você o conheceu? - Perguntou.

– Sim. - Thamires continuava a encará-lo. - Ele fez a gentileza de me trazer até aqui.

– Ele já foi o meu discípulo.

– Posso perguntar o seu nome? - Thami não queria ficar sem saber como chamá-lo. A curiosidade era gigantesca. - Quero dizer, caso eu venha precisar de algum auxílio do senhor… A não ser que você não se incomode que eu o chame de senhor.

– Eu já fui conhecido como Áries, hoje sou conhecido como Mestre. Pode me chamar de Mestre, assim como todos os outros.

– Tudo bem.

Thami sentiu uma dor tão profunda no peito quando escutou ele dizendo aquelas palavras. Como Athena podia ser tão ruim assim? Não dar nomes aos seus cavaleiros era um ato horrendo. Triste demais. Parecia que a deusa não queria se apegar a nenhum deles. O que seria dos outros quando a guerra acabasse e outros entrassem em seu lugar? Como seriam conhecidos? Ex cavaleiro de Áries? Esse seria o seu novo nome? Pela primeira vez a empolgação de conhecê-lo havia sumido deixando apenas a tristeza em seu lugar.


Hospital.

Câncer havia deixado Juliana no hospital e seguido para a batalha com Heluane e Paula. A oriental ficou meio perdida no meio de tanta gente entrando e saindo daquele lugar, mas rapidamente uma das enfermeiras chegou e lhe direcionou até o laboratório onde ela trabalharia. Quando ela entrou na pequena sala ficou assustada com o que viu. Não havia nenhum tipo de tecnologia recente, e sim materiais antigos e que ela mal sabia manipular.

Já tinha estudado sobre alguns no curso, mas somente estudado, nunca aprendeu de fato a usar. Eles eram maiores que os habituais e mais difíceis de se manusear. A seringa era pesada, grande e ela não fazia ideia se existia exame de sangue naquele lugar. Talvez nem a penicilina existisse ali. Juliana sabia que a função dos hospitais no mundo greco-romano tinha um papel amplo, englobando tanto ações terapêuticas para a recuperação da saúde como o simples repouso de viajantes.

A clientela abarcava tanto pessoas doentes quanto sadias. O lugar do médico era pouco significativo, pois a cura não estava essencialmente ligada à sua atuação. O entendimento da cura, visto como a ação divina intermediada pelos sacerdotes, influenciava, por sua vez, a organização do trabalho hospitalar. Nesta, o sacerdote tinha uma posição de destaque, sendo creditado ao médico um papel secundário. E, finalmente, a técnica estava ligada mais a procedimentos religiosos do que médicos.

Entretanto, ela não sabia como as coisas funcionavam no mundo dos deuses. Ela esperava que Heluane e Paula tivessem mais sorte do que ela. Resolveu sair da sala e andar pelo lugar analisando o que de fato eles faziam ali. Além de curar feridas simples como uma queimadura leve, eles também faziam curativos mais elaborados para uma ferida mais profunda. Ela escutava gritos pelos corredores. Sempre que dava enfiava a cabeça para dentro de uma sala e via um ou outro paciente amputado. Era bastante normal aquilo por ali, o que a fazia pensar que não existia uma droga que sedasse as pessoas, ou seja, era tudo feito a sangue frio. Voltou a pensar nas meninas e sentiu pena delas por estarem no meio de uma guerra podendo serem mortas a qualquer momento e tendo que lidar com situações difíceis como aquelas.

Juliana voltou a pensar e suas aulas de história. Conforme passava pelos corredores lotados de gente, lembrava de seus professores falando que a tarefa do médico, na época, era observar o doente e os primeiros sinais da doença e prever quando a crise apareceria. O hospital, nesse sentido, em nada contribuía para a prática médica, pois não havia nenhum tipo de sistematização dos dados e procedimentos, ou mesmo uma clientela definida. Assim, pode-se concluir que a função do hospital medieval europeu era prestar assistência, principalmente espiritual, aos pobres e separar os indivíduos tidos como perigosos (loucos, prostitutas e doentes) da população considerada sadia.

Ela sabia que naquela época o médico não era figura central da instituição, uma vez que a própria prática médica não permitia o desenvolvimento de um saber hospitalar. A organização do trabalho, assim como no mundo greco-romano, incluía a ação sacerdotal, influenciando a ação do médico. A técnica utilizada no hospital consistia, principalmente, no isolamento do doente ou na simples espera de sua morte. E, finalmente, no que se refere à clientela, esta englobava uma enorme categoria de pessoas consideradas desviantes, ou seja, todas aquelas que de alguma maneira fugiam da ordem física e moral do período.

Por alguns segundos ela ficou procurando algum padre, ou qualquer entidade religiosa aparecer, mas não foi isso o que aconteceu. Muito pelo contrário, ela deu de cara nas costas de um homem de cabelos vermelhos e longos presos em uma trança. Seus olhos eram azuis e sua pele era tão branca que dava para ver suas veias em seus braços perfeitamente torneados.

– Me desculpe. - falou timidamente. - Eu não te vi.

– Percebe-se. - Ele falou de forma fria. - Mas creio que a culpa é um pouco minha também.

Ele a encarou de cima a baixo. Juliana sentia uma brisa gélida emanar dele. Seu coração sabia quem ele era, mas queria ouvir da boca dele.

– Você é o cavaleiro de Aquário? - Perguntou.

Ela nem sabia de onde tinha tirado tanta coragem, talvez o encontrão que dera nele tivesse afetado o seu cérebro.

– Pelo jeito você deve ser uma das mulheres que chegou recentemente no reino dos deuses. - Ele reparou em suas vestimentas. - Se vai trabalhar aqui não deveria usar esse tipo de traje, deveria se prevenir e se tapar toda. Pode encontrar algum leproso pelos corredores ou em alguma sala isolado.

– Me desculpe. - Tornou a se desculpar. Aquilo já estava se tornando algo corriqueiro. - É o meu primeiro dia e eu não sabia como me vestir apropriadamente para trabalhar aqui, não irá se repetir.

– Eu tenho uma reunião agora, quando acabar levarei roupas adequadas para você.

– Obrigada. - Ela agradeceu vendo ele sumir no meio de tanta gente ferida.


Campo de Batalha – Tenda improvisada para primeiro socorros.

O Cheiro de podre estava sendo difícil de suportar naquele lugar. Para todos os lados que Paula e Heluane olhava tinha um ferido, ou algum soldado morto. Eles não tinham separado os feridos dos mortos o que aumentavam muito o risco de infecção. A primeira coisa que elas fizeram foi vomitar, a segunda foi cobrir a boca com pedaços de panos. Não existia EPI² ali, então nada de luvas e afins.

– Temos que improvisar luvas. - Paula falou olhando com nojo ao redor. - Precisamos de muitas coisas.

– Eu sei. - Heluane não sabia por onde começar. - Se Florence estivesse aqui ela teria uma síncope.

– Tá ai algo difícil de lidar. Viver sem energia elétrica, tudo bem. Agora viver sem a porra da tecnologia é foda. - Paula estava irritada. Ela sabia que se eles utilizassem a tecnologia muitas vidas seriam salvas. - Não dá para as coisas ficarem assim.

– Acho que teremos uma tarefa bem difícil pela frente. - Heluane concordava com a amiga em tudo. O que significava que elas teriam que partir para cima da deusa. - Vamos ter que falar com ela.

– Ela vai matar a gente. - Paula tinha certeza do que aconteceria.

– Eu sei, mas já estamos mortas no nosso mundo mesmo, e se continuarmos desse jeito, morremos aqui dentro dessa tenda contraindo alguma doença. Então que se foda!

– Vamos começar resolvendo o problema desse lugar primeiro. - Paula estava determinada a fazer a diferença. - Vamos salvar vidas.

– Vamos!

Primeiro elas procuraram o encarregado daquele lugar e não acharam ninguém. Simplesmente as pessoas faziam o que elas queriam ali. Os soldados eram largados e os cuidadores colocavam os mesmos em alguma cama vazia e começava o processo de cura. Muitos dali tinham que operar, outros fazer raspagem por causa das queimaduras e outros tinham membros quebrados ou apenas escoriações leves.

Paula resolveu se separar da carioca e começar a organizar por prioridades. Quem estava muito ferido ficava no fundo da tenda, quem estava mais ou menos no meio e quem precisava de cuidados rápidos no começo. Já Heluane pediu para os soldados retirarem os mortos daquele lugar e colocarem em outro, para evitar o risco de contaminação. Logo depois começaram a pegar água quente, panos e distribuíram os cuidadores da seguinte forma. Três fariam a triagem do lado de fora da tenda, dois ficariam com os curativos mais superficiais, cinco com os feridos que precisavam de mais atenção, pois o quadro poderia evoluir para risco de vida e elas duas e mais cinco ficaram responsáveis pelos que estavam em estado de emergência.

– Amiga, como você entende tudo relacionado a cabeça e pescoço, vou deixar essa parte para você. - Heluane pegou um avental com uma das enfermeiras e o colocou. - Eu vou ficar com o resto.

– Ainda bem, porque eu não sei cuidar de gente queimada. - Paula admitiu.

– Eu fiz um curso ha muito tempo na época da faculdade. Fiz um desbridamento no pé de porco e depois disso nunca mais fiz nada relacionado a essa área específica, mas seja o que Deus quiser, ou melhor, o que os deuses quiserem.

– A única coisa que eu tenho certeza é que pior eles não vão ficar. - Paula pegou um avental também e partiu junto de mais três cuidadores deixando a carioca com duas pessoas para lhe auxiliar.

– Vamos começar pelo que está em pior estado. - Heluane respirou fundo e pediu forças para dar o seu melhor para aquelas pessoas necessitadas.


¹ – TOC – Perturbação obsessiva compulsiva (POC) ou transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma perturbação mental caracterizada por obsessões e compulsões. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes que provocam na pessoa ansiedade ou mal-estar.

² – EPI – Equipamentos de Proteção Individual ou EPI's são quaisquer meios ou dispositivos destinados a serem utilizados por uma pessoa contra possíveis riscos ameaçadores da sua saúde ou segurança durante o exercício de uma determinada atividade.