CAPÍTULO X
As duas semanas de Chiyo na Vila de Mibu estavam a chegar ao fim.
Na manhã seguinte, a bela jovem teria de regressar ao Inn.
Mas o tempo não foi desperdiçado pelos amantes. Na última noite de Chiyo, todas as outras noites foram resumidas. Todas as fantasias concretizadas. Não houve local algum no corpo de Chiyo que Okita não descobrisse, não tocasse, não beijasse. O mesmo com o corpo de Okita, que se deleitou com os prazeres oferecidos por Chiyo.
Os lábios de Okita percorriam o interior das coxas da amante, enquanto a fitava com gozo e um brilho de luxúria. Chiyo soltava uma pequena gargalhada. Okita ergueu seu tronco e deitou-se sobre o peito dela. Beijou-lhe os lábios enquanto entrava dentro dela. Chiyo soltou um prolongado gemido de prazer. Depois uniu sua boca á dele.
- Ama-me…! – implorou num gemido desesperado – Ama-me como nunca me amaste antes!
E assim ele fez.
A manhã chegou. Indesejada.
Nos seus aposentos, Chiyo arrumava seus quimonos e pertences na sua trouxa. A shoji abriu-se, atrás de si. Olhou o intruso. Era Okita Souji. Vinha com uma expressão soturna. Fechou a shoji. Caminhou, decidido, para ela e tomou os lábios carnudos como seus. Suas mãos na cintura dela começaram a descer para as coxas, engelhando o tecido do quimono. Mas Chiyo afastou-se.
- Agora não. – pediu, olhando-o.
Okita assentiu positivamente.
- Peço desculpa. – pediu o capitão. – Desculpa o meu comportamento, não consegui controlar.
Chiyo olhou-o.
- Não peças desculpa. – sorriu ela, tocando-lhe no rosto – Apenas não é momento indicado. Tenho de acabar de arrumar as minhas coisas.
A bela jovem ajoelhou-se e continuou a colocar suas coisas na trouxa. O semblante de Okita estava perdido nas paredes do quarto, com um brilho melancólico e distante.
- Vais… sentir falta dos nossos momentos? – questionou-a.
Chiyo ergueu-se, de rosto pasmado.
- Que pergunta essa! – exclamou, indignada – Claro que irei! Eu amo-te, sabes disso.
As mãos de Chiyo tocaram-lhe nos braços e subiram-lhe para o rosto.
- Não gosto de te ver com uma expressão tão séria. – disse-lhe com um sorriso.
- Com que expressão é que posso estar, - parou -, quando te vais embora para os braços do teu noivo?
- Ele não significa nada para mim. – vincou Chiyo. – Nada.
Okita franziu o sobrolho.
- Ele vai amar-te, vai tocar o teu corpo. – continuou – E eu ficarei aqui, sozinho, sem ti. E "nós" não passará de uma recordação perdida no passado. O teu futuro é o teu noivo, o teu futuro marido e pai dos teus filhos.
- E eu recordarei o passado vezes e vezes sem conta! – disse, com convicção, Chiyo – Pois ele pode ter o meu corpo, mas nunca irá ter o meu coração nem a minha alma. Pois essas te pertencem. E irão pertencer até á minha morte. E depois dela! E nas vidas que se seguirão!
- Eu acredito em ti. – suspirou Okita – Mas não posso deixar de sentir somente dor. A dor de te perder, a dor de ficar sem ti. É insuportável.
- Nunca me irás perder. – disse Chiyo, pegando na mão do samurai e pousando-a sobre seu peito – Este coração é teu. E sempre será. Não importando as distâncias que se colocaram entre nós. Eu estarei sempre contigo.
Os olhos de Okita fitaram-na, com um frio distante.
- Nunca pensei sentir esta dor… - confessou – É como se uma parte de mim se fosse separar do meu corpo. A tua saída vai deixar um vazio em mim.
- E a tua a mim. – concordou Chiyo, numa triste voz chorosa – Amo-te tanto. Mais do que a minha própria vida!
Chiyo estendeu seus lábios para os deles e estes uniram-se num beijo. As mãos de Okita agarraram-lhe a cintura. O beijo de Okita deslizou-lhe pelo pescoço, enquanto suas mãos agarram-lhe as coxas magras e colocaram-nas em torno da sua cintura.
- Souji, não… - implorou num gemido – Por favor, não… está quase na hora de eu ir.
Mas Okita não parou. As mãos de Chiyo agarram-lhe os pulsos, enquanto estes se movimentavam na sua cintura, abrindo-lhe o quimono. A cintura do samurai impulsionou-se para entre as pernas finas da jovem.
Chiyo conseguiu libertar seus pulsos das mãos fortes do capitão e agarrou-lhe o rosto, fazendo-o olhar nos seus olhos. Os movimentos de luxúria de Okita cessaram. E os lábios de Chiyo pousaram na sua testa.
- Amo-te, nunca te esqueças disso. – sorriu ela – Agora, deixa-me partir.
Goro esperava Chiyo ao portão da Vila de Mibu.
Quando o olhar da bela jovem chocou com o da rapariga que a esperava, sentiu-se corar por instantes. Era a primeira pessoa a vê-la depois de tudo o que se passou nos quartos do Dojo. Nas noites em que Okita a fez sua.
- Olá, Chiyo-chan. – sorriu ela.
Chiyo sorriu, embaraçada.
- Olá.
Goro olhou-a, curiosa, e depois riu-se.
- Porquê tanta vergonha?
Os olhos azuis de Chiyo olharam-na surpresa e tentou disfarçar com um sorriso, que se soltou nervoso.
- Vergonha!? Ora essa!
- Vergonha, sim! – insistiu Goro – Ficaste toda corada mal me viste, Chiyo-chan! Que sucedeu?
- Nada sucedeu. – mentiu Chiyo com um falso sorriso confortante.
Goro olhou-a desconfiada e sua expressão logo se transformou num sorriso cordial de cumprimento, olhando a pessoa que surgira atrás de Chiyo, fechando o portão.
- Okita-san!
Chiyo sentiu-se tomada por uma onda de surpresa, choque e vergonha. Sentiu as mãos de Okita poisarem sobre seus ombros finos e rodou-se seu rosto e encarou o capitão.
- Vim despedir-me de si, Chiyo-san.
A bela jovem esboçou um sorriso. Seu olhar baixo e acenou positivamente com a cabeça.
- Obrigado pela estadia, Okita-san. – seu olhar subiu ao dele – Foi muito construtiva.
Esta palavra ficou suspensa no ar, enquanto o olhar de Okita se derretia no dela. Controlou-se ao máximo para não a tomar em seus braços e beijá-la ali mesmo. Limitou-se a sorrir e a soltar suas mãos dos ombros dela.
- Ainda bem que assim foi. – sorriu – Espero que venha mais vezes. Teremos muitas saudades vossa.
- Sim, virei. – sorriu, baixando o olhar e encarando Goro. – Vamos?
- Sim, claro. – sorriu Goro – Adeus, Okita-san. Obrigado por tomar conta da Chiyo-chan!
- Sempre que necessitarem. – sorriu Okita, acenando em despedida.
Goro começou a caminhar em direcção á cidade. Chiyo seguiu atrás dela, mas parou por uns momentos e sua face rodou a encarar seu capitão amante e em seus lábios articulou:
- "A-M-O-T-E."
CONTINUA...
