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Capítulo IX

Sentado no escritório do primo Kohaku, Sesshoumaru entregou-lhe uma folha de papel com a descrição e o número da placa do veículo de Kagome.

Era a única conexão real que ele tinha com ela e sua iden tidade. Agora, o processo de chegar aos detalhes da vida de Kagome estava sendo colocado nas mãos capacitadas do primo.

Kohaku prendeu o papel numa pasta e, reclinando-se na pol trona, encarou Sesshoumaru com expressão profissional e inquiridora.

— Você está interessado apenas nas investigações rotineiras sobre essa mulher, ou quer que eu vá fundo, muito além dos fatos básicos?

Sesshoumaru viu-se tentado a pedir que Kohaku vasculhasse a vida de Kagome, desde o trivial até qualquer coisa substancial, do passado ao presente. Porém uma investigação mais profunda seria in vadir sua privacidade. Sesshoumaru não queria que a vida de Kagome fosse vasculhada. Tudo o que desejava era o tipo de informação pes soal que ela mesma poderia ter-lhe dado. Nome, endereço, lo cal de trabalho, coisas assim.

— Eu gostaria de saber o sobrenome dela, o endereço e onde trabalha — ele disse a Kohaku. — Se houver alguma coisa inte ressante além das informações rotineiras, então você poderá ir adiante e incluir no relatório.

— Deixe comigo. — Kohaku fez algumas anotações numa folha de papel e guardou-a na pasta. Depois, olhou para Sesshoumaru sem disfarçar a curiosidade. — Importa-se se eu lhe perguntar como conheceu essa mulher e por que a curiosidade sobre a sua identidade?

Sesshoumaru cocou o queixo e suspirou. Shiori fizera a mesma per gunta, com palavras diferentes, mas ele se esquivara de co mentar com a esposa do primo seu relacionamento com Kagome. Agora, por conta da camaradagem que partilhava com Kohaku, sentia-se mais à vontade para revelar detalhes do caso.

— Conheci Kagome no Nick' s Sports Bar há uns quinze dias, e o que começou como um encontro inconseqüente acabou se tornando mais sério do que eu imaginava.

Apesar dos esforços de Kagome de manter as coisas entre ambos no terreno da superficialidade, Sesshoumaru acreditava sinceramente que os sentimentos dela por ele eram mais fortes do que se permitia revelar. No auge da raiva, Sesshoumaru a acusara de o estar usando apenas para fazer sexo, mas ele notara o brilho de emo ção nos olhos de Kagome, uma ansiedade profunda que contava outra história: que sentia medo de confiar nele ou nela mesma. Era aí que entrava a interrogação para a qual Sesshoumaru não tinha resposta.

Esperava que Kohaku preenchesse aquele espaços em branco para ele.

Sesshoumaru explicou ao primo a respeito do comportamento eva sivo de Kagome, de sua intransigência em não revelar seu sobre nome desde o primeiro momento e, finalmente, sobre o ulti mato que acabara com o relacionamento de ambos. Ele nunca imaginara que a veria de novo em circunstâncias tão inespera das, ou que sentisse aquela necessidade premente de compreen der sua conduta tão misteriosa. Agora, com os meios de saber mais sobre Apenas Kagome, ele não resistia à sufocante urgência de descobrir tudo.

— Nunca mais tive uma noite decente de sono sem pensar nela, Kohaku. É uma espécie de obsessão. Eu só quero saber quem ela é e entender o motivo de não querer, ou não poder, revelar mais do que seu primeiro nome.

— Não o culpo. Provavelmente, eu também me sentiria as sim. — Kohaku bateu a extremidade do lápis na superfície da mesa. — Você desconfia que ela seja casada?

Sesshoumaru remexeu-se na cadeira com um certo desconforto, pen sando na recente experiência com Kagura. Kagome afirmara não ter compromisso com ninguém. Naquele momento, ele acredi tara. Ainda acreditava no fundo do coração. Mas sempre ha veria uma possibilidade de Kagome ter mentido, e Sesshoumaru seria um grande tolo se descartasse completamente essa hipótese.

— A suspeita passou pela minha cabeça. Eu perguntei di retamente, sem rodeios, se ela estava envolvida com alguém. Indignada, Kagome garantiu que não.

Kohaku não se preocupou em esconder sua desconfiança. Sesshoumaru compreendia. Afinal, uma das características de um detetive particular era justamente pensar sempre o pior até descobrir evidências convincentes do contrário.

— Esse é um dos pontos que você quer que eu apure? Sesshoumaru respondeu sem hesitar:

— Sim. Eu preciso de certezas, e não de dúvidas.

— Tudo bem. — Kohaku escreveu algumas palavras na pasta de Sesshoumaru, depois fitou-o. — Com o número da placa do carro dessa mulher, será muito fácil chegarmos ao nome e ao ende reço. Como o restante do caso consiste apenas numa investi gação básica sobre o passado dela, acredito que em um ou dois dias o relatório estará completo e encerrado. — Ele fechou a pasta. — Importa-se se eu colocar Cameron na jogada? Estou no meio de um caso complicado de divórcio que me obriga, inclusive, a ficar de vigilância fora do escritório. Cameron está com a agenda mais folgada e tem tempo para um trabalho como este.

Cameron, velho amigo e sócio de Kohaku, era como um mem bro da família Taisho, em quem Sesshoumaru confiava plenamente.

— Por mim, tudo bem — ele assegurou ao primo.

—Ótimo. Cameron não se encontra no escritório no mo mento, mas assim que voltar, passarei o caso para ele com todos os detalhes e com a recomendação de começar imedia tamente. Assim que ele tiver alguma coisa concreta, você será informado. Fique tranqüilo.

— Perfeito. — Sesshoumaru levantou-se e apertou a mão do primo. .—Obrigado por tudo, Kohaku.

— Por nada. — Kohaku acompanhou-o até a porta e a conversa girou sobre Shiori. Kohaku preocupava-se com as condições físicas da esposa, e também estava ansioso pelo nascimento do bebê.

Depois das despedidas, Sesshoumaru entrou na caminhonete e pegou o caminho de volta para a Nolan & Filhos.

Sentia-se um pouco mais aliviado. Com as informações que receberia sobre Kagome, os mistérios e segredos que a envolviam finalmente se dissipariam, e ele poderia continuar levando sua vidinha, deixando as lembranças dela para trás.

Por mais que tentasse convencer-se disso, uma parte dele perguntava com insistência se seria capaz de esquecê-la algum dia.

Cameron Sinclair entrou no escritório da Nolan & Filhos e parou abruptamente. A missão investigativa que Sesshoumaru Taisho encomendara transformava-se num momento de raro prazer, uma diversão ilusória que duraria apenas alguns segundos, até ela abrir a boca, falar e despedaçar suas fantasias. Então, ele planejava aproveitar a imagem provocante enquanto durasse.

Sua grande tentação e seu maior castigo estava na recepção, em pé, de costas para ele, manuseando as pastas de um arquivo. Carol Taisho, considerada por todos uma garota rebelde. Única mulher numa família de três irmãos mais velhos e três primos, desde cedo Carol aprendera a exercer seus poderes femininos e manipulava o sexo oposto com excepcional mestria.

Apesar de conhecer as artimanhas de Carol, Cameron não estava imune a sua sensualidade, embora nunca tivesse admi tido sua atração por ela. Nunca admitiria. Jamais. Se Carol descobrisse esse pequeno segredo, sem dúvida se prevaleceria da situação e o atormentaria mais do que já atormentava.

Carol fechou a gaveta do alto do arquivo e abriu a terceira, de baixo para cima. Debruçando-se, começou a pesquisar seu conteúdo, os dedos finos folheando rapidamente as pastas, com muita graça e habilidade. Cameron não pôde evitar de imaginar como seria sentir aquelas mãos macias e competentes acariciando-lhe o corpo já ardente.

Ela levantou um pé calçado com sapato de salto altíssimo, e os quadris curvilíneos balançaram para um lado, atraindo o olhar de Cameron para a saia curta que ela vestia e que realçava as nádegas firmes. A bainha da saia chegava na metade das coxas, deixando à mostra uma boa parte da pele sedosa e macia. Carol era do tipo mignon, mas voluptuosa em todos os sentidos. Uma mulher de corpo delicado e, ao mesmo tempo, atraente que faria um homem passar horas e horas adorando-o.

Isso se Carol permitisse que um homem tivesse o domínio sobre ela.

Ao longo dos anos que conhecia Carol, e por estudar as pessoas e seus hábitos por força da profissão, Cameron con cluíra que ela gostava de estar sempre no controle, não só da própria vida como também do enxame de homens que não resistiam aos seus encantos e gravitavam ao se redor. Carol brincava abertamente com sua sensualidade, e Cameron come çava a suspeitar que exibir seu aspecto físico era uma espécie de disfarce para ela. Um jeito inteligente de manter os homens distantes de um envolvimento sentimental.

Sobretudo ele.

Por respeito aos irmãos dela, Cameron evitava maiores intimidades com Carol, e sempre conseguira defender-se de suas investidas, dos comentários sarcásticos e maliciosos e outras demonstrações sugestivas com o único intuito de chamar a atenção dele. O que geralmente ela conseguia.

Cameron repetia a si mesmo que Carol era rebelde e inde pendente demais para ele, eloqüente demais e sensual demais, e ele gostava de mulheres dóceis e submissas. Entretanto, era Carol Taisho quem apimentava alguns dos seus sonhos mais eróticos!

Terminada a tarefa, Carol endireitou o corpo e voltou-se. Arregalou os olhos ao vê-lo ali parado. O olhar dele contem plou abertamente o colo e a curva dos seios que o decote re dondo não escondia. Uma faísca elétrica percorreu as veias de Cameron, parando nas virilhas. Uma reação totalmente previ sível sempre que estava perto de Carol.

Ela pôs as mãos na cintura, e o gesto fez com que sua blusa esticasse. Os mamilos apontaram sob o tecido, e Cameron ex perimentou uma espécie de satisfação diabólica ao perceber a reação instantânea de Carol à presença dele.

— Apreciando a vista, querido? — ela perguntou naquele tom grave e sedutor que parecia estar sempre desafiando-o.

Era evidente que Carol o estava desafiando mesmo. Com uma lentidão premeditada, Cameron, que ainda se de liciava com a visão dos seios dela, ergueu os olhos e "fitou-a.

— A vista não é tão ruim assim — ele respondeu, não de monstrando seu desejo e, sobretudo, a facilidade com que ela o excitava.

Carol balançou levemente a cabeça, e os cabelos negros e compridos ondularam ao redor de seu rosto como uma nuvem de seda. Os cílios escuros bateram sobre os olhos verde-acinzentados, e um sorriso malicioso curvou os lábios sensuais.

— A vista é muito melhor do que "não tão ruim", e você sabe disso, por mais que se recuse a admitir em voz alta.

Céus, Carol era demais! Sensual, ardente e extremamente atrevida, e Cameron temia que, qualquer dia, ela o pressionasse demais e ele acabasse perdendo o controle.

Quando isso acontecesse, o mundo ficaria em chamas.

Ele ergueu os ombros num gesto de indiferença e respondeu com palavras provocadoras:

— Admito que a vista é realmente interessante, mas um tanto inchada e artificial.

Carol ergueu uma sobrancelha e deu a volta na escrivaninha, os quadris ondulando e os seios balançando levemente a cada passo que ela dava na direção dele. Parou a alguns centíme tros e ergueu os ombros, os mamilos quase tocando o peito de Cameron.

Por conta da altura dele, Carol teve que inclinar a cabeça para trás a fim de encará-lo, e os olhos de Cameron pousaram diretamente no "V" formado pelos seios arredondados, naturais e autênticos, sem dúvida.

Carol roçou a ponta dos dedos na protuberância dos seios, num gesto casual que incendiou o corpo de Cameron, exata mente como ela pretendia.

— São cem por cento meus — Carol garantiu com voz rou ca. — E se você quiser a oportunidade de verificar pessoal mente, é só pedir com muita classe e gentileza, e eu permitirei.

Com esforço, Cameron manteve a expressão de indiferen ça. Recusar o convite tentador foi uma façanha incrivelmente difícil.

— Deixe-me passar.

Rindo, Carol encostou o dedo no peito dele e começou a traças desenhos imaginários no tecido da camisa.

— Você não sabe o que está perdendo.

Cameron respirou fundo. Um grande e imperdoável erro. As narinas dilataram-se com o perfume quente e feminino que seduziram seus sentidos.

— Eu não posso perder o que não tenho, meu bem.

Que grande mentiroso ele era! Cobiçando o que não tinha... louco para provar o que ela estava oferecendo... ansiando para tocar todos os pontos daquele corpo que a fariam suspirar e gemer por mais.

Ainda rindo, Carol lançou-lhe um olhar insinuante.

— Oh, mas que você quer, quer. Ah, e como quer! Cameron conteve-se para não mandar tudo pelos ares e ren der-se à química incendiaria que havia entre ambos, sem pensar nas conseqüências. Precisava acabar com aquele jogo antes que cometesse uma loucura ali mesmo.

Segurando-a pelo pulso, Cameron deteve a mão espalmada que ia descendo vagarosamente pelo corpo dele.

—O que eu quero... — Cameron começou surpreendendo-se com o tom frio de sua voz, apesar do calor que quase o sufocava. — ...é falar com seu irmão Sesshoumaru. Estou aqui estrita mente a trabalho. — Ele mostrou a pasta que continha o rela tório que Sesshoumaru encomendara.

— Oh, você é daqueles tipos enfadonhos que não misturam negócios com prazer?

Carol o estava provocando, mas ele se recusava a cair na armadilha.

— Meu bem, eu me recuso a me envolver com você, seja a negócios, prazer ou coisa parecida.

— Acho que sou demais para você dar conta.

— Talvez tenha razão quanto a isso, Carol. Além do mais, às vezes eu gosto de tomar a iniciativa, só para variar, certo?

Carol engoliu em seco e o sorriso triunfante desapareceu. Não passou despercebido a Cameron a expressão de perplexi dade nos olhos dela. Pela primeira vez em sua memória recente, Cameron viu Carol sem saber o que dizer ou sem um comen tário sarcástico.

Ponto para mim, ele pensou, exultante. Não era sempre que conseguia abalar a inabalável Carol Taisho, e isso era bom, muito bom.

Ela retornou à escrivaninha. Fitando-o com os olhos aper tados, como se ainda estivesse pensando numa resposta espirituosa, pressionou o botão do interfone e avisou:

— Sesshoumaru, Cameron está aqui e quer falar com você.

— Faça-o entrar — respondeu Sesshoumaru.

Ela fez menção de acompanhar Cameron até a sala do irmão.

— Eu conheço o caminho — ele disse antes que Carol dis sesse alguma coisa que pudesse estragar aquele momento de vitória. Contemplando-a com um sorriso encantador, passou por ela em direção ao corredor que levava à sala de Sesshoumaru.

Em pé, ao lado da mesa de trabalho, Sesshoumaru esperava por Cameron, ansioso demais para saber os resultados das inves tigações sobre Sakura. Ansioso, sim, mas com medo daquela sen sação de desconhecimento que estava quase se transformando em fatos frios, implacáveis e incontestáveis, detalhes bons, maus e até mesmo inconseqüentes.

Entretanto, não havia nada que Sesshoumaru considerasse insigni ficante a respeito de Apenas Kagome, a mulher que causara tama nho impacto em sua vida e em suas emoções em tão pouco tempo.

Dois dias de espera haviam sido um verdadeiro inferno e afetaram todo seu sistema: atitudes, estômago, concentração. E tudo estava prestes a terminar.

Ele apertou a mão de Cameron.

— Ei, Cam, tudo bem?

O detetive forçou um sorriso.

— Sobrevivi a Carol. Só por isso, meu dia passou de bom a ótimo.

Sesshoumaru riu, já acostumado com o relacionamento conturbado entre a irmã e o amigo.

— Sente-se, Cam.

Ele indicou uma das cadeiras de couro na frente de sua mesa. Sesshoumaru continuou em pé. Havia excesso de energia queimando dentro dele que o impedia de ficar sentando, quieto.

— O que você descobriu para mim? — Ele foi direto ao motivo da visita de Cameron.

O detetive bateu a beirada da pasta nos joelhos.

— Você quer as boas ou as más notícias primeiro? Sesshoumaru suspirou. Pelo menos havia alguma coisa de positivo no relatório.

— Vamos começar logo com as boas notícias.

— Ela não é casada.

—Graças a Deus! — Sesshoumaru murmurou, sentindo um peso descomunal sair de seus ombros.

—Kohaku mencionou que essa era a sua grande preocupação.

—Realmente — Sesshoumaru confirmou. — Por ter passado por uma experiência dessas, uma confirmação irrefutável é um grande alívio.

— Imagino que seja. — O sorriso de Cameron murchou um pouco. — Quero que esteja preparado para o que vai ouvir em seguida. Não quer se sentar?

Sesshoumaru sentiu um frio no estômago, tamanha a apreensão.

— É tão ruim assim, hein? De qualquer modo, prefiro ficar em pé.

— Bem... tenho certeza de que o que vou lhe contar terá o efeito de uma bomba.

Sesshoumaru riu, incrédulo.

— Acredite em mim, Cam, nestes dois últimos dias, o que há de pior para uma pessoa imaginar passou pela minha cabeça. E agora, você vem falar em bomba? Do que se trata, afinal?

Cameron hesitou por alguns instantes. Não parecia comple tamente convencido de que Sesshoumaru estava preparado para lidar com a verdade.

— Ande logo com isso, Cam. — A impaciência de Sesshoumaru era visível, e cada minuto de silêncio do amigo deixava-o mais nervoso ainda. — Juro que saberei enfrentar seja lá o que você chama de bomba.

— Tudo bem. — Com expressão séria e profissional, Ca meron sustentou o olhar de Sesshoumaru. — Essa mulher que você conheceu no Nick's Sports Bar é uma socialite, de família rica e tradicional. Na verdade, é uma das herdeiras mais ricas do país.

Apesar de surpreendido por descobrir que Kagome era herdeira de alguma fabulosa fortuna, Sesshoumaru não considerava essa infor mação tão bombástica assim. Ele já chegara à conclusão de Que ela não era nenhuma pobretona.

— Certo. E o que mais?

Cameron soltou um suspiro longo e sonoro.

— O sobrenome dela... Bem, o sobrenome dela é Takahashi. Sesshoumaru balançou a cabeça, certo de não ter ouvido direito o que o amigo dissera.

— Desculpe? Você pode repetir?

Um brilho de pena passou pelos olhos de Cameron, sabendo que iria comunicar uma má notícia.

— O nome completo dela é Kagome Elizabeth Takahashi. Sesshoumaru cambaleou e apoiou-se na beirada da mesa. Sua cabeça girava e os pulmões pareciam comprimir-lhe o peito.

— Takahashi? — ele repetiu como um idiota. — Ela é parente da família proprietária do Takahashi Hotel aqui de Chicago?

Um riso seco escapou da garganta de Cameron, mas o som abafado não tinha o menor senso de humor.

— Oh, sim, ela é parente de primeiro grau. Seu pai, Kakashi Takahashi, é dono de uma cadeia de hotéis. Um aqui em Chi cago, outro em Nova York e o terceiro em San Francisco. Kagome é a mais velha de duas filhas, e trabalha nos hotéis, gerenciando as butiques nas três cidades. — A medida que falava, Cameron ia observando as reações de Sesshoumaru. — A filha mais nova, Sango, é casada com um banqueiro do ramo de investimentos, eles têm uma filha de seis meses, e ela nunca trabalhou no hotel. Parece que Kagome é mais ligada aos negócios da família.

Sesshoumaru lembrou-se do telefonema de San Francisco, do co mentário de Kagome sobre suas viagens a trabalho e de sua vontade de mudar-se para a cidade no norte da Califórnia. Agora a conversa fazia sentido de um modo novo e diferente, um modo que embaralhava toda a sua cabeça e que o deixava inseguro quanto à verdade a respeito da identidade de Kagome.

— Onde ela mora?

— Na suíte de cobertura do hotel. — Finalmente, Cameron abriu a pasta que colocara sobre a mesa e correu os olhos pelo conteúdo do relatório.

Foi quando o detetive comunicou os detalhes da vida de Kagome. Eram sem graça em comparação ao fato de ser ela urna herdeira, uma Takahashi, uma mulher que aparecera num bar de periferia, escolhera-o por uma noite de sexo ardente, com a intenção de não tornar a vê-lo novamente.

Sesshoumaru tentava registrar o que estava ouvindo de Cameron, procurando entender as implicações de haver tido um caso com Kagome Takahashi.

E ainda havia a fortuna da família.

O sentimento desagradável de ter sido usado pela garota rica consumia-o, mas não podia esquecer do contrato que sua em presa, Nolan & Filhos, assinara com o Takahashi Hotel, e que geraria um conflito direto de interesses.

Inacreditável!

— Seu encontro sentimental mais recente dela foi com o presidente da rede de hotéis, Kouga Monterra, que assumiu o cargo depois que Kakashi Takahashi se aposentou. — A voz de Cameron trouxe-o de novo ao presente. — Isso foi há cerca de um ano, e de acordo com as minhas fontes, eles não estão mais saindo juntos, embora na época tudo indicasse que o compro misso era sério.

Ótimo. Maravilha. Sesshoumaru não tinha dúvidas de que o tal Kouga era rico e educado, exatamente o tipo de sangue azul que se encaixava perfeitamente na vida de Kagome. Além disso, o outro tinha a vantagem de estar envolvido com os negócios da famí lia, ao contrário dele, que era um empresário de médio porte que passava a maior parte do tempo trabalhando ao ar livre, usando jeans em vez de ternos bem talhados. Tinha as mãos ásperas e calejadas, e não dedos macios com unhas bem cui dadas. E, principalmente, ele jamais corresponderia às expec tativas ambiciosas da família dela.

Por isso, Kagome procurara-o para um encontro clandestino, secreto. Um encontro fugaz sem compromisso. E ele fora o brinquedo escolhido para a noite de sexo e loucura para cele brar seu aniversário, um rapaz comum, simples, que jamais descobriria quem ela era.

Cameron observava Sesshoumaru com visível preocupação.

— Quer que eu continue com a história da vida sentimental de Kagome?

— Não. Creio já ter ouvido mais do que o suficiente. — Pelo menos, ouvira o bastante para compreender a insistência de Kagome em não revelar sua identidade. O bastante para saber que ele fora uma diversão temporária para ela, assim como havia sido para Kagura.

Praguejou em voz alta, maldizendo-se por ser tão crédulo, tão incrivelmente estúpido, um otário no sentido mais puro da palavra. Agora tinha de lidar com o fato de que seu caso clan destino com Kagome poderia estragar aquilo pelo qual ele lutara e trabalhara tanto para conseguir: o projeto de reforma do Takahashi Hotel.

A situação apresentava os elementos de um cenário burles co. O dono da Nolan & Filhos dormira com a filha do dono da cadeia de hotéis. Naquele caso, Sesshoumaru tinha muita coisa em jogo, considerando que o pai de Kagome, ou seu ex-namorado Kouga, assinariam os cheques de pagamento pelo trabalho de reforma.

A julgar pelas ações de Kagome, Sesshoumaru suspeitava de que, tanto quanto ele, ela preferiria manter segredo sobre a breve ligação amorosa de ambos. Ainda com ele supervisionando pessoal mente os trabalhos no hotel, com certeza estariam sempre em contato e, naquele caso, deveriam fingir não se conhecer e tra tar-se de modo civilizado, como empresários que eram.

— Eu realmente sinto muito por tudo isso... — Cameron disse com sinceridade.

Sesshoumaru respirou fundo.

— Eu também. Passaram-se alguns minutos de silêncio antes de Cameron perguntar:

— O que você pretende fazer agora?

— Visitar a Srta. Kagome Takahashi e esclarecer certas coisas entre nós.

Logo Kagome Elizabeth Takahashi iria saber como o envolvi mento deles estava a ponto de tornar-se pessoal e profissional.