Capítulo X

A prisão era fétida e tinha um cheiro pútrido que a fazia querer desmaiar, mas Kate, a endiabrada, se mantinha de pé com o olhar determinado apesar de estar algemada há horas na parede imunda de uma masmorra. Tentava focar sua mente num único objetivo: permanecer viva e sã até que seu irmão e os demais clãs rebeldes pudessem tirá-la dali.

Pensava também nas intensas emoções que tinha vivenciado com o Capitão Jack Shephard. Seria possível estar mesmo apaixonada por um homem que fora capaz de prendê-la em uma masmorra terrível como aquela? Tudo o que Kate queria era o sonho de todos os escoceses, destronar o rei Jacob e coroar um rei escocês para que a Escócia pudesse voltar a prosperar como nos áureos tempos.

Seus braços algemados doíam demais por ter que permanecer na mesma posição por horas a fio, mas Lady Katherine esqueceu-se da dor e ficou apreensiva quando viu o General Mikail Bakunin entrar em seu cárcere segurando um chicote. Tremeu por dentro, mas não demonstrou seu medo.

- Então tu és a famosa Lady Endiabrada! Quem diria que fosses de carne e osso. Uma bruxa com toda a certeza. Sabes o que fazemos com as bruxas na Inglaterra?

Kate nada disse, apenas encarou o rosto frio e medonho do homem. O General Bakunin era velho e desgastado, com um sotaque carregado e sem um olho, que ele perdera em uma batalha. Era um homem grosseiro e ameaçador. Mas Kate não tinha medo dele, conseguira fazê-lo de bobo e roubar informações do acampamento dele em sua primeira missão como rebelde, era um homem sem nenhuma instrução, com uma mente atrasada e idiota.

- Não sabe?- ele insistiu na pergunta. – Pois vou lhe dizer, senhorita. Nós as queimamos em uma fogueira até que todos os seus órgãos se dilacerem e o mal seja expurgado de seus corpos purificando-as.

- Vocês são loucos, isso sim!- Kate comentou e levou uma bofetada do General, que fez seu rosto arder.

- E tu és uma bruxa que se entregou para o demônio, por isso mereces morrer! Anda, diga-me o nome do teu clã.

- Jamais!- ela gritou.

- Então cuspirás teu sangue impuro até dizer-me, vadia!- Mikail bradou estendendo o chicote na direção dela.

- Não faças isso, General Bakunin.- a voz do Capitão Jack Shephard ecoou grave e firme dentro do calabouço. Mikail baixou o chicote, mas continuou prendendo-o firmemente na mão, pronto a chicotear Kate.

- Capitão Shephard, já fez sua parte, prendeu a endiabrada. Agora deixe-me cuidar do resto, essa vadia vai dizer para mim o nome do clã o qual ela pertence.

- Tenho certeza que ela não dirá desta forma, os escoceses são muito leais à sua pátria, general.

- Não importa, eu a chicotearei e farei o que quiser com ela até que me diga o que preciso sazer.

- Não fará nada disso! È uma ordem, general!

O homem fitou Jack com raiva.

- E quem tu pensas que és para me dar ordens, hã?

- Sou a autoridade máxima a serviço do General Locke na Escócia e se tu não me obedeceres enviarei um mensageiro à França para que o avise imediatamente de que não estás cumprindo as ordens dele.

Mikail finalmente guardou o chicote, e disse:

- Certo, mas temos que descobrir qual o clã a que pertence essa criminosa. Como tu pretendes fazer isso sem torturá-la?

- General, garanto-lhe que meus métodos são menos ortodoxos, mais persuasivos e eficientes que os seus. Agora deixe-me interrogar a prisioneira.

O General Bakunin deixou o cárcere de Kate muito zangado, mas não ousaria desobedecer às ordens do homem enviado pelo General Locke, caso contrário poderia ser destituído de seu cargo. Entretanto arranjaria um jeito de fazer o General Locke perder a confiança no Capitão Shephard e promovê-lo a enviado da Coroa na Escócia.

Quando o General os deixou a sós, Jack se aproximou de Kate com o olhar muito sério, e disse passando as mãos pela cabeça, bagunçando sua cabeleira escura.

- Eu passei as últimas horas tentando entender o que tinha acontecido e cheguei há muitas conclusões.- ele baixou bastante o tom de voz e falou bem perto dela. – E a conclusão mais difícil a que cheguei foi a certeza de que tu eras Lady Austen, a dama que conheci no baile dos Rosseau em Paris. Por Deus, não quis acreditar nisso e me refugiei no pensamento de que eras uma transgressora da lei, uma rebelde qualquer tentando depor o rei Jacob. Tu querias as informações secretas sobre os prisioneiros escoceses em Newgate e para isto se passou por Luanne que é criada no acampamento e drogou-me para pegar o que precisava. Mas creio que a dose foi forte demais e conseguistes outros efeitos.

Kate virou o rosto, não queria olhar para ele. Continuou em silêncio, sem dizer nenhuma palavra.

- Cheguei até a pensar que eras uma prostituta acostumada a fazer esse tipo de serviço.

- Como ousas?- foram as primeiras palavras que ela proferiu, porém estas saíram trêmulas, Kate sentia muita vontade de chorar agora.

- Eu ainda não terminei.- ele completou. – Fiquei pensando isso até que uma coisa me chamou a atenção enquanto eu examinava minha tenda procurando por mais informações que tu poderias ter roubado e encontrei uma mancha de sangue visível no meu lençol. Sei que não me feristes, e eu também não te feri, concluí rapidamente que todo o devaneio que tive enquanto estive drogado foi real, e que eu a deflorei em meu estado de loucura. Por que fizestes isso, Lady Austen? Por que entregastes tua virgindade a mim?

- Isso não importa agora.- ela respondeu. – O que importa é que estou presa em uma masmorra e em breve serei queimada em uma fogueira como o General Bakunin disse. Sou considerada uma bruxa!

- Não acredito em bruxaria milady, acredito muito mais na inteligência feminina, por vezes subjugada pelo homem. Tenho uma irmã ardilosa, por isso sei do que estou falando. A senhorita não será queimada porque eu não permitirei, mas vou ajudá-la a ter um julgamento justo, posso usar de minha influência com o General Locke e livrá-la dessa situação. Enquanto isso não responda nada sobre o seu clã, isso pode destruir sua família, eu não direi nada a ninguém e quando conseguirmos sua absolvição, eu me casarei contigo. Conheço as leis escocesas, a partir do momento em que uma mulher se deita com um homem, ela pertence a ele, não vou deixá-la desonrada.

- Agradeço seu empenho em querer me ajudar Capitão, embora tenha sido o senhor que tenha me prendido, mas eu não casarei contigo, nem me conheces. Não deves casar-se comigo por causa de uma fatalidade.

- È claro que tenho de casar-me contigo. Posso ter gerado um filho em teu ventre esta noite, não pensas nisso?

- Se isso tiver acontecido criarei meu filho sozinha, não preciso de ajuda.

Jack balançou a cabeça negativamente e chamou o carcereiro. Um homem corpulento com ar ameaçador apareceu no mesmo momento.

- Quero que soltem a moça das algemas e lhe tragam um balde para se lavar, um cobertor para dormir, água e comida, e não quero mais vê-la presa dessa forma. A prisioneira será transferida em no máximo dois dias para a França sob minha tutela e eu não a quero doente.

- Sim, Capitão.- o homem se aproximou de Kate e soltou as algemas. Ela sentiu alívio imediato nos pulsos quando os sentiu livres.

Mesmo muito fraca, correu até a grade e gritou:

- Capitão Shephard, não importa o que faça, não me casarei com o senhor.

Mas ele já tinha ido. O Carcereiro logo a deixou a sós também para providenciar as coisas que o Capitão ordenara. Sozinha ela prostrou-se no chão e chorou convulsivamente, as lágrimas caindo sobre a tez suja.

- Senhorita, senhorita.- chamou baixinho uma voz masculina, vinda de uma pequena fresta na parede de tijolos barrentos da masmorra.

Kate se aproximou da fresta, e enxugou as lágrimas, dizendo:

- Sim?

- Meu nome é Hugo Reys, a senhorita é escocesa?

- Sim, eu sou Katherine.- ela respondeu, evitando dizer seu sobrenome, o que denunciaria o clã a qual pertencia.

- Oh, como é bom falar com um escocês depois de tanto tempo trancado nessa cela. Ès uma rebelde? Pois sou teu companheiro de revolução.

Kate sorriu, feliz em poder falar com um escocês. Mas o carcereiro logo voltou e ela teve que fingir não saber que havia um buraco na parede ao lado. Encolheu-se e ficou quieta, assim que tivesse oportunidade conversaria com o prisioneiro ao lado.

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- Maldição!- gritou Lorde Paulo Austen, desesperado, andando de um lado para o outro na cozinha do Cisne.

Lorde Sawyer também estava visivelmente preocupado. Haviam pego a endiabrada e eles tinham que agir rápido e libertá-la antes que fosse transferida para a prisão de Newgate na Inglaterra.

- E o que nós vamos fazer, Paulo?- indagou Libby, exasperada, se abanando com seu leque de rendas.

- Temos que tentar invadir a prisão.

- Mas é muito perigoso.- observou Charlie. – Se fizermos isso jamais sairemos de lá!

- Mas precisamos tentar.- bradou Sawyer. – Ou vamos deixar Kate morrer na masmorra? Odeio aquele demônio daquele Capitão Shephard.

- Se iremos até lá, teremos que agir agora.- falou Paulo, com determinação.

Nikki segurou com força um terço em suas mãos ao ouvir Lorde Austen dizer que invadiria a prisão para tentar libertar Kate, ela temia pela vida dele.

- Eu concordo com Paulo, devemos agir rápido.- disse Bernard. – Vocês devem ir na frente, eu irei chamar o Jin e iremos armados com as espadas e os mosquetes, e traremos Lady Austen de volta.

Todos assentiram, inclusive outros rebeldes que estavam presentes. Paulo pediu que todos deixassem a cozinha antes que eles partissem porque ele queria falar a sós com Lorde Sawyer.

- Diga homem, não temos muito tempo.- falou Sawyer preparando seu mosquete.

- Sawyer, se lembra da promessa que fez pra mim semanas atrás?

- Sobre casar com sua irmã mais velha?

- Isso mesmo.

- Esqueça isso Austen, não posso cumprir essa promessa. Creio que me enamorei de Lady Katherine.

- Não diga bobagens!- repreendeu Paulo. – Não combinas com Katherine, ela ainda há de conhecer o homem a quem entregará seu coração se conseguir sair viva da masmorra. Tens que te casar com Ana-Lucia.

- Mas te fiz esta promessa caso acontecesse algo contigo, e estás bem, portanto...

- Estou com um pressentimento ruim, meu amigo.- Paulo pegou um pedaço de papel de uma gaveta, pena e tinteiro. Sentou-se à mesa e escreveu rapidamente, assinando embaixo.

- O que é isso?- Sawyer perguntou quando ele terminou de escrever e estendeu-lhe o papel.

- È uma carta de próprio punho autorizando que te cases com Ana-Lucia caso aconteça algo comigo. Se eu morrer Sawyer, Benjamin Linus se apoderará de tudo o que pertence ao clã dos Austen, além das dívidas que tenho com ele. Por isso, ele não deve se casar em hipótese alguma com minha irmã, entendestes?

- Entendi.- falou Sawyer. – Mas agora guardes essa carta porque não precisaremos disso agora.

- È sério Sawyer, se algo acontecer comigo seqüestre Ana-Lucia, case-se com ela, consume o casamento segundo as leis escocesas e então o Conde Linus não porá os pés no castelo de Isenwood.

Sawyer assentiu e eles ganharam a noite rumo à masmorra de Darkfalls onde Kate estava presa. Como era arriscado ir um grupo muito grande, apenas Sawyer, Paulo e Charlie foram. Lorde Paulo ainda se lembrava das lágrimas de angústia no rosto de Nikki quando partiu, mas nada podia fazer, precisava salvar a irmã.

Armado com seu arco e flecha, Charlie não hesitou em dar flechadas venenosas em dois guardas que vigiavam o portão principal. Eles logo conseguiram entrar, mas não chegaram muito longe. Uma emboscada montada pelo General Bakunin que há muito queria se vingar dos constantes ataques rebeldes ao seu acampamento os pegou de surpresa. Charlie conseguiu fugir escalando o muro de pedras e se jogando no rio. Sawyer e Paulo, porém, foram encurralados. Uma pistola acertou seriamente o ombro de Lorde Austen, Sawyer revidou com seu mosquete e acertou três soldados, colocou Paulo nas costas e conseguiu fugir da masmorra se esgueirando entre os escombros. Mas Paulo sangrava muito e eles estavam sendo perseguidos.

Um dos soldados reconheceu Lorde Austen e bradou aos quatro ventos que o nobre era um traidor. A notícia se espalhou e um dos soldados que era subornado pelo Conde Linus tomou seu cavalo e foi até o Castelo de Butterfly contar ao nobre o que estava acontecendo na prisão.

- Tu tens certeza, Richard?

- Certeza absoluta, milorde. Paulo Austen participou de um ataque à prisão de Darkfalls para libertar a endiabrada que foi presa esta noite pelo Capitão Jack Shephard, e um dos soldados do nosso batalhão conseguiu atirar no ombro dele. Do jeito que o ferimento ficou, mesmo que ele fuja vai sangrar até morrer.

Um sorriso maldoso formou-se nos lábios do Conde e ele disse:

- Hora de tomar posse do que é meu! Tome aqui.- ele tirou um saco de moedas de ouro de uma gaveta. – Suborne um padre e diga-lhe que precisará fazer um casamento ainda esta madrugada.

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Ana-Lucia acordou de seu sono inquieto com batidas profundas na porta. Seu pensamento foi logo se algo teria acontecido a Kate, levantou-se e vestiu o robe sob a camisola de algodão cru. Abriu a porta e se deparou com sua mãe, Nahí e Libby. Esta estava com os olhos inchados de tanto chorar.

- Analulu, aconteceu uma tragédia!- Lady Diana gritou.

- O que houve, mamã?

- Tua irmã foi capturada pelos ingleses, não sei bem como aconteceu, mas Libby acaba de contar-me que ela estava envolvida com atividades rebeldes. Sabias disso?

Ana-Lucia baixou a cabeça, com lágrimas nos olhos. Diana deu-lhe um tapa que ecoou no quarto. Ana ergueu a cabeça, chorando.

- Me perdoe mamã, mas não consegui convencê-la a não participar disso, Paulo sabia...

- Sim, Paulo sabia, Libby sabia, tu sabias, todos vocês são uns traidores e agora pagarão por seus pecados. Meu filho...- a velha senhora soluçou. – Levou um tiro e não sabemos se está vivo, está sendo perseguido por soldados nesse momento. E o Conde Linus já sabe de tudo, quer tomar conta de nosso clã e disse que se casará contigo ainda esta noite.

- Não!- Ana-Lucia gritou e deu um passo para trás.

- Nada posso fazer.- disse Diana com pesar. – A culpa é de vocês por terem envolvido minha bonequinha nisto, sou uma mãe arruinada, Ana-Lucia. Agora vestes o teu vestido de noiva e vai embora com teu noivo que a espera na sala, não tens nada a fazeres aqui mais.

- Mamã, por favor, não faças isso, me ajude!- Ana choramingou.

- Amo-te filha.- falou Diana a abraçando. – Mas não posso fazer nada, não sem um homem para proteger nosso clã. Oh Deus, meu filho está morto e vão enforcar minha garotinha.

- Mas eu ainda estou aqui mamã, por favor...

Diana tocou-lhe o rosto com os olhos vidrados: - Sim, ainda estás aqui, portanto ajude sua pobre mãe e se case com esse homem para que a ira dos ingleses não recaia sobre o que sobrou do clã Austen.

Nahí levou Ana-Lucia para o quarto de vestir e ajudou-a colocar o vestido de noiva. Ana-Lucia chorava que fazia dó, parecia que estava sendo levada para o matadouro. Libby saiu escondida pelos fundos do castelo e embrenhou-se nas colinas em busca de notícas sobre Sawyer, Paulo e os outros. Conseguiu um cavalo na casa de uns conhecidos e galopou o resto do caminho. Chegou à casa de Bernard. Ele, Charlie e os outros já haviam voltado, mas Sawyer e Paulo não. Ela contou a todos sobre os planos do Conde Linus e partiu com Bernard, Jin e Charlie para tentar encontrar Sawyer e Paulo.

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Na floresta, Sawyer havia conseguido despistar os soldados, mas Paulo estava muito fraco sob seus ombros. Sawyer estava desesperado, com medo de perder o amigo.

- Paulo, vamos reaja, não me deixe agora, amigo!

Respirando pesadamente, ele retirou um papel amassado do bolso de sua calça e acabou sujando-o de sangue.

- Não se esqueça de sua promessa, a essa altura o Conde Linus deve estar planejando casar-se o mais rápido possível com Analulu. Vá buscá-la e proteja meu clã.

- Não será necessário, tu irás viver para proteger teu clã.

- Não sei se irei viver. Ande, vá logo. Deixe-me aqui para que eu distraia os malditos ingleses e case-se com minha irmã, ainda esta noite. Se eu sobreviver, ficarei muito feliz em saber que Analulu está em boas mãos e que a linhagem de meu clã será continuada. Ela é uma mulher especial, tenho certeza que te fará feliz, meu amigo. Agora deixe-me!

- Não, Paulo!- Sawyer tinha lágrimas nos olhos. Paulo acabou desmaiando em seus braços devido à dor do ferimento no ombro. A camisa de Lorde Sawyer estava encharcada de sangue, ele não queria deixar o amigo, mas os soldados se aproximavam. Com um esforço sobre-humano, Sawyer deixou Paulo jogado na relva para que os soldados o encontrassem e correu para bem longe, subiria as colinas.

No caminho, encontrou Bernard, Jin, Charlie e Libby. Ela contou-lhe sobre o casamento de Lorde Linus e Sawyer disse que precisavam agir rápido.

- E o que iremos fazer?- perguntou Libby.

- Consigam um padre e preparem a antiga capela do Clã Austen perto do Cisne, eu vou para a estrada raptar Lady Ana-Lucia. Depois a levarei a capela e nos casaremos, é o desejo de Paulo que seu clã não seja tomado por um inglês.

- Acha que ele irá conseguir?- questionou Libby.

- Só se os soldados tiverem pena dele.

O plano foi rapidamente engendrado. Bernard foi encarregado de arranjar o padre. Rose e Libby dirigiram-se para a capela para preparar tudo para o casamento. Sawyer foi para a estrada com Charlie e Jin. Eles iriam emboscar a carruagem da noiva a caminho da igreja. Distrairiam os guardas do Conde Linus enquanto ele raptava a donzela.

Por volta de uma hora da manhã, a carruagem trotava vagarosamente na estrada de terra envolta pela neblina noturna. Mais parecia um cortejo do que um casamento. Ana-Lucia estava encolhida dentro da carruagem, um véu branco cobrindo seu rosto, apenas Nahí a acompanhava rumo ao seu destino cruel, sua mãe permanecera no castelo chorando por Paulo e Kate.

Mr. Eko, sempre fiel à família acompanhava a carruagem em seu cavalo. Três guardas de Lorde Linus conduziam a noiva. Entretanto, quando iam atravessar a ponte rumo à igreja algo assustou os cavalos que penderam para o lado e a carruagem quase virou, mas acabou permanecendo de pé. Os guardas foram parar no fundo do rio, se debatendo junto com seus animais, aparentemente as cordas que prendiam a ponte tinham sido cortadas.

Nahí segurou a mão de Ana-Lucia.

- O que está acontecendo?

- Salteadores, milady.

A porta da carruagem se abriu de súbito e um homem alto e forte, encapuzado arrancou Ana-Lucia lá de dentro. Ela começou a gritar e se debateu, batendo no homem com os punhos cerrados. Mr. Eko que estava distraído ajudando os guardas de Lorde Linus a saírem da água só escutou os gritos de Ana-Lucia quando o raptor já a colocava em seu cavalo. Nahí gritou para que ele fosse atrás deles, mas não deu tempo, pois o homem galopou para longe com destreza e se escondeu nas sombras da noite.

Ana-Lucia não parava de gritar e batia as pernas com força entre as pernas musculosas de seu raptor que prendiam fortemente as suas.

- Pare de gritar milady, por favor! Assim vai estourar os meus tímpanos, mulher!

Ele ergueu o véu que lhe cobria o rosto e seu coração bateu forte ao vislumbrar a bela face da mulher que acabara de raptar.

Continua...