Capítulo 9
Harry não queria acordar. Ele estava tão quente e confortável. Deus, ele estava duro. Embora isso não fosse assim tão incomum ultimamente.
Ele devia ter tido um sonho mesmo muito bom a noite passada. Sentia-se ridiculamente descansado esta manhã, uma vez que ele frequentemente acordava completamente exausto de ter estado acordado durante metade da noite.
Harry ronronou e enterrou a sua cabeça na almofada. A sua cama estava mesmo confortável esta manhã. O que quer que os elfos domésticos tinham feito de diferente, era muito apreciado.
Mm, até os lençóis quase emitiam calor. Empurrou as ancas para a frente um bocadinho, tentando aliviar o seu membro dolorido. Oh, isso era bom. Fê-lo outra vez. Muito bom mesmo.
Alguém resmungou.
Harry petrificou.
"Já estava a perguntar-me quando é que ias acordar." disse uma voz seca.
Memórias da noite passada assaltaram-no num ataque súbito. Draco amarrado e a choramingar, Harry a beijá-lo, a tocá-lo, a chupar o pénis dele, oh deus. As sensações de total poder e pura luxúria e o impulso de proteger a correr pelo sangue dele. A sensação de entrar num buraco quente e apertado...
"Oh, merda."
"Foi bom para ti?" murmurou Draco. Harry abriu os olhos.
Estavam na mesma posição em que tinham adormecido; o braço de Harry à volta de Draco e o seu – oh, merda – o seu pénis encaixado perfeitamente entre as nádegas de Draco.
"Nós... nós fizemos sexo ontem à noite, não foi?"
Harry sentiu Draco estremecer. "Sim," disse Draco roucamente. "Sim, tivemos."
O cérebro de Harry estava a ter dificuldade em processar esta informação. Limpou a garganta. "Eu… Quer dizer, hum. Estás bem?"
Draco virou a cabeça para o fixar em descrença. "É só isso que tens a dizer?"
Harry estava perdido. O que é que Draco queria que ele dissesse? Que tinha sido bom? Que ele iria provavelmente masturbar-se cinco vezes por dia até ao fim da sua vida só com as suas memórias? Que até agora ele estava a pensar nisso porque eles estavam nus e Draco estava tão perto e Harry podia apenas empurrar e estaria dentro dele outra vez?
"Er," disse ele em vez disso.
Draco bufou e voltou a deitar-se. "És inacreditável, Harry Potter. Eu drogo-te e praticamente obrigo-te a ter sexo comigo e tu queres saber se eu me magoei com a experiência."
Oh. Bem visto. Claro que o Harry estava zangado por causa disso. Era uma coisa horrível, não ética e filha da mãe de se fazer. Sem dizer perigosa. Draco nem sequer sabia nada sobre a maldita poção a não ser que os efeitos iriam desaparecer de manhã.
"Não te magoaste, certo?" perguntou Harry, só para ter a certeza.
"Merlin, não!" respondeu Draco imediatamente. "Senti-me melhor que nunca. És fantástico." A cara de Harry ardia. Ele queria que a sua erecção desaparecesse.
"Tu também não estiveste nada mal" ele sentiu-se obrigado a murmurar em resposta, lembrando-se da maneira deliciosa como Draco tinha estremecido debaixo dele e gemido o seu nome. Deus ele estava tão duro. Resistiu ao impulso de empurrar as ancas para a frente. Se calhar devia mover-se. Ron e Hermione deviam estar malucos por esta altura. Esperava que se tivesse lembrado de pôr o Mapa dos Salteadores no seu saco para que eles não soubessem onde estava. Ou com quem ele estava.
Estava a preparar-se para sair da cama quente quando Draco entrelaçou os seus dedos com os dele. "Não vás" disse suavemente, sem olhar para Harry.
Harry hesitou. Ficar seria uma má ideia. Seria uma ideia péssima e Draco era um filho da mãe e ele tinha sido drogado a noite passada e não o devia fazer. "Mas," disse ele. "Os Gryffindor… Eles vão-se preocupar comigo."
A mão de Draco apertou. "Eles vão pensar que ficaste com a tua namorada, tens pelo menos até ao almoço."
"Que horas são agora?" perguntou Harry. Uma ideia mesmo, mesmo péssima.
"Não sei."
Harry hesitou por mais alguns segundos antes de desistir e relaxar contra a almofada. O cabelo de Draco fazia cócegas na sua cara e ele encostou o nariz na nuca de Draco antes que percebesse exactamente o que estava a fazer.
Deus, ele estava tão confuso. Ele podia beijar o Draco agora? Certamente beijá-lo enquanto estavam nus e na mesma cama era okay. Mas e quando eles se levantassem? Eles tinham feito sexo. Agora já não podiam voltar atrás; Harry tinha perdido a sua virgindade com Draco a noite passada.
E, por alguma razão, ele não estava assim tão perturbado com isso. Porque é que ele não se sentia perturbado?
Talvez um pouco da poção da noite passada ainda estava no seu sistema. Isso explicaria muito, na verdade. O facto de que ele queria muito mover a mão para baixo para ver se Draco estava tão duro como ele. E como ele estava a lutar contra o impulso de morder o adorável ombro pálido de Draco até que se tornasse vermelho e servisse para lembrar Draco durante dias do que eles tinham feito a noite passada.
Um gemido grave interrompeu os pensamentos de Harry. "Merlin, Harry, estás a matar-me." resmungou Draco, e harry percebeu que tinha estado a mover as ancas distraidamente contra as costas de Draco. Mas ele não parou. Obviamente, os efeitos da poção obrigavam-no a fazer aquilo, portanto nem sequer valia a pena tentar parar.
Em vez disso, Harry satisfez-se movendo os seus dedos para baixo e descobrindo que, sim, Draco estava tão excitado como ele. Então – perdido por cem, perdido por mil – ele enrolou os dedos à volta do pénis de Draco e apertou.
"Sim, foda-se." sibilou Draco, empurrando-se contra a palma de Harry. Ele apertou ainda mais.
O afluxo de poder que sentia com isto era surpreendente. Harry estava agora convencido de que estava ainda sob a influência da poção, porque certamente não era normal sentir-se assim.
Draco choramingava, investindo descuidadamente e Harry exalava respirações quentes contra o ombro de Draco, tendo dificuldade em controlar-se, mas sem parar uma única vez o movimento da sua mão. Se alguém lhe tivesse dito há um mês atrás que em breve estaria a masturbar Draco Malfoy e quase a vir-se da experiência, ele tê-lo-ia levado directamente a São Mungo. Mas ali estava ele, fazendo isso, sentindo o apertar dos testículos que significava a chegada do orgasmo…
Draco libertou um grito sem palavras e enrijeceu nos braços de Harry, espalhando a sua semente pela mão de Harry. Harry praguejou e impulsionou as ancas para a frente, vindo-se com força e enterrando os dentes na pele do ombro de Draco.
Que se fodesse a moral; isto valia a condenação eterna qualquer dia.
Draco virou-se de costas e puxou Harry com ele, arrastando-o para um beijo lento. Deus, mas Harry não conseguia importar-se com o facto de que era o Malfoy e que os dois estavam drogados e fora de si. Desde que as suas línguas continuassem a entrelaçar-se prazerosamente, nada mais importava.
Eventualmente Draco afastou-se, um sorriso a curvar os seus lábios e os olhos meios-fechados. "O melhor acordar de sempre," disse ele, ensonado. "Apesar de agora querer dormir outra vez."
Harry não sabia como reagir. A sua cabeça estava a girar e mal conseguia acompanhar os seus pensamentos.
"Nós devíamos, uh, levantar-nos em breve."
Draco fez um vago ruído de concordância e brincou distraidamente com uma madeixa de cabelo de Harry. "Aquilo que disseste ontem era verdade?" perguntou ele subitamente. "Sobre a poção?"
Harry obrigou-se a prestar atenção. "Huh?"
"Disseste que eras poderoso o suficiente para enfrentar o Senhor das Trevas e o seu exército."
"Oh, certo." Harry relembrou a sensação de absoluto controlo, de perfeita confiança no facto de que podia fazer qualquer coisa. "Sim, definitivamente parecia que era," disse ele. "Mas, quer dizer, eu duvido. Era provavelmente só uma coisa mental, certo?"
"Não sei. Tu ou Materializaste-te, ou paraste o tempo, ou moveste-te impossivelmente rápido quando nos levaste para a cama. É uma possibilidade."
"Mas mesmo que seja esse o caso, não te parece que o facto de eu ignorar o Voldemort e ficar na marmelada contigo seja um problema?"
Os olhos de Draco arregalaram-se e os seus olhos deslizaram para os lábios de Harry. Ele limpou a garganta. "Tenho mais dois frascos." disse ele, sem olhar para cima. "Podíamos pedir ao Snape para olhar para eles."
Harry bufou. "Consigo imaginar a conversa. 'Hey, professor, aqui o Draco drogou-me a noite passada para que eu o beijasse, e resultou, e ele é fantástico já agora, mas a poção fez-me super poderoso, portanto talvez pudesse tentar tirar o pedaço que me faz querer fodê-lo até à inconsciência? Obrigado, senhor."
A mão de Draco apertou o cabelo de Harry e ele exalou vivamente. "Precisas de deixar de dizer coisas como essa ou eu nunca te vou deixar sair desta cama."
Harry sorriu e virou-se de lado. Nunca deixar a cama não seria um castigo; era mesmo confortável. O Slytherin nu não tinha nenhuma influência na sua opinião.
Passou pelo menos mais uma hora antes que os dois finalmente deixassem a Sala das Necessidades. Não porque estivessem a fazer sexo. Eles não estavam. Nem sequer se beijaram. E quaisquer toques que tivessem acontecido tinham sido – tinham sido puramente acidentais. E platónicos. Pelo menos da parte do Harry.
Eventualmente eles saíram da cama e dirigiram-se às masmorras. As coisas iam bastante bem, pensou Harry. Para além do facto de que ele obviamente ainda se encontrava sob a influência da poção da noite passada. Mas ao menos depois de terem falado com o Snape ele poderia voltar à torre dos Gryffindor. Se ele fosse sortudo, o Ron e a Hermione nem sequer sabiam que ele tinha—
"Harry? Onde é que tens estado, amigo?" E – o que é que estás a fazer com o Malfoy?"
—desaparecido.
Harry voltou-se para ver o Ron e a Hermione apressarem-se na sua direcção. "Eu, er…"disse ele inteligentemente.
"Assumimos que estavas com a tua namorada." disse Hermione, olhando-o de cima a baixo e contraindo os lábios.
"Eu estava, sim!" confirmou Harry. "E agora, uh, o Malfoy e eu íamos… hum…"
"Foda-se, Potter, despacha-te, não tenho o dia todo. Vais levar isto ao Snape ou não?"
Harry começou a ouvir o desprezo de Draco e voltou-se. Era estranho quão rapidamente se tinha habituado à voz dele sem aquilo, a sua cara sem o sorriso desdenhoso que distorcia agora as suas feições.
"Oh, olá Weasley," Draco – deus, não, isto era o Malfoy – disse na maneira de cumprimentar uma lesma. "Granger."
"Malfoy," replicou Hermione, os seus olhos a semicerrarem-se. Ron apenas franziu o sobrolho.
"Bem, vamos lá então, Potter," disse Malfoy preguiçosamente, caminhando para longe deles. "Quero ver a tua cara quando o Snape te disser que lá porque tu és capitão, não és dono do campo de Quidditch. Imagino que seja um choque para ti…"
Harry encolheu os ombros para os seus amigos e apressou-se para acompanhar Malfoy. "Pergunto-me se alguém te vai dizer, Malfoy, que lá porque tens dinheiro, não és melhor que os outros." desembuchou ele, fazendo o seu melhor para parecer zangado. Malfoy sorriu afectadamente e retrucou com um insulto mordaz. Como nos velhos tempos.
Enfiaram-se numa sala vazia assim que estavam fora do alcance de Ron e Hermione.
Harry recostou-se contra a porta e deixou sair um suspiro de alívio. "Merda, foi por pouco." disse ele.
Draco riu-se. "És inútil numa crise, Potter. Que salvador."
"Hey, eu concordo contigo. O mundo mágico ia à merda se tudo dependesse de mim, sou inútil."
Draco colocou uma mão no ombro de Harry. "Não és assim tão mau." disse suavemente, e inclinou-se para a frente.
Harry fechou os olhos, disse para si mesmo mais uma vez que a poção ainda estava na sua corrente sanguínea, e beijou-o de volta.
Draco andava pelas masmorras como se vivesse lá (o que, lembrou-se Harry, era verdade) e chegaram à porta do gabinete do professor de Poções em pouco tempo. Houve uma breve e silenciosa discussão sobre quem devia bater à porta, que Harry ganhou por exclamar surdamente, 'Tu drogaste-me!' – algo que, inesperadamente, fez com que Draco estremecesse.
"Entre." disse uma voz arrastada, após Draco ter batido à porta. Abriram-na juntos.
Snape pareceu surpreendido por vê-los. "Há algum problema?"
"Não exactamente." disse Draco, fechando a porta por trás deles. Harry mais uma vez contemplou como conseguira ficar trancado numa sala com dois Slytherins.
"É assim, Professor," começou Draco; Harry enfiou as mãos nos bolsos, terrivelmente feliz por não ser ele a explicar a situação. "Eu meio que encomendei uma, uh, poção de luxúria e dei-a ao Potter. Mas parece que não era como a minha, fez com que ele ficasse mesmo poderoso. Tipo, mesmo muito poderoso. Não precisava de varinha ou feitiços ou nada. E eu pensei que, com o Senhor das Trevas e tudo, se conseguissemos tirar o – o que provoca a luxúria, podia... ser útil."
Snape estendeu uma mão, mudo, e Draco tirou um frasco pequeno e rosa do bolso do manto, entregando-lho de seguida.
Snape segurou o frasco contra a luz e olhou para ele. "Isto era mesmo necessário?" perguntou ele arrastadamente.
Draco corou. "Ele não me beijava de volta."
Snape levantou uma sobrancelha e fixou Draco, que levantou o queixo e fixou-o de volta desafiadoramente, uma sombra rosa a tingir as suas bochechas. Harry olhava para os dois, completamente confundido pela comunicação silenciosa. Devia ser uma coisa de Slytherins.
Snape foi o primeiro a quebrar o contacto. Olhando friamente para Harry, ele disse, "Potter, faz o favor de descrever, em detalhe, que sensações experimentaste durante o tempo que estiveste sob a influência desta poção."
"Uh, quantos detalhes?" Harry não gostaria mesmo nada de contar a Snape o quanto ele quisera segurar Draco e beijá-lo e lambê-lo e fodê-lo e possuí-lo, muito obrigado.
Snape olhou para ele. "Tantos quantos puderes dar. Qualquer detalhe pode ajudar com o isolamento de uma propriedade em particular."
"Certo," afirmou Harry fracamente, claramente desconfortável. "Hum. Bem, demorou alguns minutos a actuar depois de eu a tomar—"
"Quanto é que ingeriste?"
"Só uma golada. Ele disse-me que era água."
Snape e Draco trocaram um olhar, provavelmente a rirem-se para si mesmos de quão estúpido era ele por confiar num Slytherin. Harry por acaso concordava. "Continua," disse Snape secamente.
"Certo. Uh, parecia por um bocado que não conseguia respirar, e depois fiquei muito tonto e meio que – caí." Ele continuou, ignorando o sorriso de Snape. "E depois tudo ficou muito claro de repente. Tipo, eu não precisava de óculos para ver, mas era mais do que isso. Conseguia sentir tudo. Cada uma das pessoas no castelo e, parece estúpido, eu sei, mas até o castelo em si.
"E era como... não conseguia ler mentes, não era Legilimência ou algo do género, mas eu sabia exactamente o que o Draco estava a pensar e o que ele queria. E..." Ele empurrou as mãos mais fundo nos bolsos e mexeu os pés desconfortavelmente. "Tudo o que eu conseguia pensar era que queria fazer com que o Draco se sentisse bem. Tipo, sabe. Mesmo bem. Era como se… embora estivesse consciente de todas as outras pessoas, elas não importavam. A coisa mais importante no mundo era – era o Draco."
Snape não pareceu ter ficado afectado pela informação de que o seu aluno favorito tinha-se sentido "mesmo bem" por causa de Harry. "O Draco disse que mostraste grande poder…" incitou ele.
"Sim," disse Harry. "Nós, uh. Nós estávamos meio que, um, nomeiodochão e depois eu só me lembro de pensar que seria uma boa ideia ir para – para a cama, e depois dei por mim lá."
"Não foi só Materialização, senhor." interrompeu Draco. "Ele conseguiu conjurar uma fita e atar-me à cabeceira da cama em menos de um segundo."
As narinas de Snape dilataram-se. "Deveras."
Deus, a cara de Harry parecia que estava a arder. Era mesmo sorte; assim que conseguia ter uma vida sexual, ele tinha de a relatar a Snape em grande detalhe. Um dia, pensou Harry, algo na sua vida ia correr bem. O choque iria provavelmente matá-lo.
"Mais algum acontecimento?"
Sim, Harry tinha conseguido fazer alguma espécie de anel peniano do nada a não ser magia que tinha impedido Draco de se vir enquanto Harry tinha chupado o pénis dele até à base por mais de vinte minutos. "Não." disse ele.
O olhar frio e negro de Snape passou por ele e Harry moveu os pés, desconfortável, tentando manter a sua mente em branco.
"Muito bem," disse Snape passado um pouco. "Vou investigar as possibilidades. Não esperem muito; este tipo de trabalho é extremamente complicado e vai exigir semanas de estudo intenso."
"Nós compreendemos, senhor." disse Draco. "Era só uma ideia."
"Uma ideia inteligente, por sinal." comentou Snape. "Presumo que foste tu e não o Potter a pensar nesta ideia brilhante, Mr. Malfoy?"
A sombra do velho sorriso afectado do Malfoy surgiu na sua cara. "Por acaso, fui, senhor."
Snape sorriu de volta. "Dez pontos para os Slytherin por mostrar iniciativa, Malfoy." Harry revirou os olhos.
Draco decidiu que ambos precisavam de passar mais tempo com os colegas das respectivas casas para evitar suspeitas, e então foi assim que Harry passou a primeira tarde em semanas com os outros Gryffindor. Não tinha compreendido até ali o quão tinha sentido a falta deles; até ouviu as discussões de Ron e Hermione com um pequeno sorriso na cara, sentindo-se maravilhosamente em casa.
Também aproveitou para pôr o seu trabalho de casa em dia e ao fim do dia estava a apenas duas composições de ter tudo em ordem. Não tinha sido tão organizado em semanas. Era tão libertador.
Foi para a cama tarde, ficando acordado para rir e brincar com os outros Gryffindor, e dormiu até ao almoço. À tarde, ele e Draco estiveram na Sala das Necessidades, juntos num abraço quente. A poção provavelmente ainda persistia, pensou Harry, a sua mão a subir pela camisa de Draco. Substâncias mágicas raramente faziam o que era suposto fazerem.
Nessa tarde Harry terminou uma das redacções e adiantou um pouco a outra, indo para a cama à hora semi-respeitável de onze e meia. Poções de luxúria à parte, pensou Harry alegremente enquanto deslizava para o sono, não tinha sido um mau fim-de-semana.
Harry e Draco acabaram por dormir na Sala das Necessidades de novo várias vezes naquela semana, e subquentemente acabaram por não dormir muito de todo. Não fizeram sexo, mas fizeram – coisas. A poção de Harry era mesmo... resistente. Era só isso. Iria passar em alguns dias.
A meio da semana, contudo, os níveis de cansaço de Harry tinham subido outra vez, e ele prestava muito pouca atenção durante as suas aulas.
De facto, em Poções, ele estava tão distraído que mal notou o Neville a mandar abaixo um caldeirão no canto da sala a meio da aula, e os subquentes cinquenta pontos dos Gryffindor retirados por Snape. Nem sequer confortou Neville quando Snape lhe deu três meses de castigo.
Era um bocado de exagero da parte do Snape, afinal, especialmente sendo um lugar tão estúpido para pôr um caldeirão. Obviamente que Snape estava só a ser o habitual ser desprezível que era; que poção podia valer... três... oh deus.
O estômago de Harry desapareceu. A sua cabeça levantou-se bruscamente de onde repousava nos seus braços, e ele olhou loucamente para o caldeirão entornado. Harry tinha um horrível presentimento de que sabia que poção era aquela.
Voltou a cabeça para trás. Snape inclinava-se para Draco e murmurava algo. A cara de Draco perdera a cor. Merda, merda, merda.
"Eu vou matá-lo," grunhiu Draco e levantou-se, o seu banco a arranhar o chão. Harry estava no outro lado da sala num segundo.
"Malfoy, acalma-te." disse ele entredentes, posicionando-se em frente de Draco.
"Sai do maldito caminho, Potter," resmungou Draco, pegando na sua varinha. "Vamos ver o maldito idiota chapado que ele é quando a cabeça já não estiver agarrado ao seu corpo de filho da mãe traidor de sangue."
O burburinho na sala diminuiu à medida que o resto da turma prestava atenção ao confronto. Harry não se importava.
"Malfoy, pensa no sítio onde estás." avisou Harry. "Tu não queres fazer espectáculo." Mais do que já fizeste, de qualquer das maneiras. Vamos lá, Draco, põe a cabeça a funcionar!
"Eu quero arrancar membro a membro dele e não me interessa quem vê." insistiu Malfoy, tentando empurrá-lo para fora do caminho.
Harry manteve-se firme. "O que é que te interessa um estúpido caldeirão?" perguntou maldosamente. "Deixa o Neville em paz, sim?"
"Esse caldeirão estúpido—" começou Draco em tom zangado. "Era… era… não era nada para mim. O Longbottom é só um pedaço de merda irritante."
Alívio inundou o corpo de Harry. "Sai do teu próprio cu, sim, Malfoy?" disse ele levemente. Draco olhou furiosamente para um Neville aterrorizado por longos momentos, depois cuspiu no chão e saiu da sala. Harry exalou lentamente e voltou para a sua secretária.
"O que é que foi aquilo?" murmurou Ron, os olhos grandes como pires.
"Só o Malfoy a ser um idiota." disse Harry descontraidamente, deitando um ingrediente ao acaso na sua poção viscosa e observando-a tornar-se de um amarelo cor-de-vómito. "No entanto, Neville, eu teria cuidado se fosse a ti. Ele parece estar chateado contigo por alguma razão."
Neville, que estava a ser confortado por Hermione, guinchou.
N.B.: Hallo! Epá, eu cá achei normal o Draco ficar assim com o Neville… eu reagiria da mesmíssima maneira xD O despiste do pobre rapaz é capaz de fazer atrasar e muito o processo de que o loiro se lembrou… enfim! Bjo a toda a gente!
N.A.: Então o que é que acharam? Deixem reviews!
