Em primeiro lugar, uma boa noticia: estou com NET em casa. Vocês lembram da historia dramática de sua amada autora que não tinha NET para postar as fics? Pois bem, agora não tenho mais desculpa. Este Capítulo foi feito com todo amor e carinho para compensar a espera que cá entre nós foi muito longa. Eu sei que devo ter perdido muitos leitores de quem eu gostava muito (se estiver enganada eu fico feliz, se não fico conformada, pois sei que a culpa foi toda minha - Nikka cadê você?)
Peço mil desculpas de todo o coração e deixando as brincadeiras de lado. Sou uma leitora também e detesto não poder ler as continuações. Este começo de ano foi um pouco atribulado para mim. Comecei a trabalhar em um lugar e sofri muito lá. Mas graças a Kami, que me enviou algo muito melhor, estou a passos da felicidade. É claro que nós, seres humanos, nunca estamos suficientemente contente apenas com o que temos. Sempre queremos mais. Essa é a nossa natureza. Espero que vocês me compreendam e saibam que amo todas! Estão no meu coração SEMPRE E PARA SEMPRE!
ESPERO QUE GOSTEM DO CAPÍTULO!!!!!!!!
FERIDAS DO CORAÇÃO
Capítulo X
Possessividade
O youkai continuou seguindo em direção à Rin. Ele tinha plena consciência da loucura que estava prestes a fazer indo contra os valores que construíra durante séculos. Sua mente estava paralisada com a imagem da menina que vira crescer. Lembrava-se de cada ano, cada mudança que ocorrera com ela. Os cabelos crescendo, o rosto tornando-se mais fino e delicado e o corpo cada vez com mais curvas e mais desejável. Era impossível não notar e principalmente não desejar aquele corpo.
Seu autocontrole falhara no momento que tivera a visão do corpo semi-nu. As partes visíveis eram capazes de enlouquecer o mais santo da espécie masculina. O homem arrogante estava sendo enlaçado por uma criança humana, proeza que ele jamais imaginou que aconteceria. Ele não sabia o que seria capaz de fazer e nem até onde ir. Perguntava-se o que Rin pensaria ao vê-lo ali. Mas ele não conseguia parar. Era tudo ou nada. Precisava livrar-se do tormento que sua vida estava se transformando. Talvez se possuísse logo o que seu corpo tanto desejava, pudesse novamente ter paz. Apenas não sabia se conseguiria conviver com os laços quebrados entre eles. Mas sua tranqüilidade se perdeu no momento em que percebeu que estava desejando a menina que ele criara. Mesmo que por fora mostrasse um semblante frio e indiferente, em seu interior estava acontecendo uma guerra onde sua racionalidade estava lutando contra o desejo explosivo que estava dominando-o. Em tantos séculos de vida, nunca nenhuma fêmea fora capaz de mexer tanto com ele como aquela simples humana fazia. Talvez, fosse apenas o desejo por algo que não podia ter.
Sesshoumaru reparou no machucado que ela possuía em seu braço. Era dali que vinha o sangue. O corte não era muito profundo, mas precisava de cuidados. Ela pelo menos parecia não estar sentindo-se incomodada pelo machucado.
Esquecendo-se do ferimento, ele voltou á sua realidade e á situação que estava. Sesshoumaru estava disposto á ir até o fim. Não queria pensar nas conseqüências de atos impensados, naquelas alturas seu corpo deixou de ser comandado e passou a comandar...
Mas ele parou!
Algo, ou melhor, alguém o impediu de continuar. Alguém que definitivamente não deveria estar ali e ele iria querer uma bela explicação. Sesshoumaru escondeu-se atrás da árvore mais próxima antes que Rin o visse. Ele ocultou sua presença para que o youkai não soubesse que estava ali.
- Rin-chan!
Rin sobressaltou-se ao ouvir a voz de Hiro. Deu-se conta que havia demorado mais do que previsto e que os youkais deveriam estar preocupados. Ela distraíra-se com a conversa que tivera mais cedo com Ryuuku. As palavras sábias da arvore martelavam em sua mente. Teria que tomar uma decisão. Não poderia continuar naquele impasse. Descobrira o que sentia por Sesshoumaru. Nunca fora covarde. Foi essa mesma coragem que a fez aproximar-se de um youkai ferido e conquistar tudo o que tinha hoje. O grande impasse agora era: ter Sesshoumaru para si ou ir embora das Terras do Oeste. Sabia que teria um lugar onde Inuyasha vivia.
- Um minuto, Hiro.
Levantou-se da pedra e retirou a toalha, colocando o kimono fino. Logo após vestiu o outro e deu o nó final no obi. Penteou os cabelos molhados e prendeu os pentes que havia levado.
Em nenhum momento, nem ela e nem Hiro perceberam a presença de Sesshoumaru. Como um youkai extremamente poderoso e evoluído, Sesshoumaru tinha o dom de esconder sua presença e seu cheiro deixando mesmo os youkais de sua espécie incapacitados de senti-los.
Aquela aproximidade dos dois o irritava. Por mais que parecesse ilógico, não gostava quando Rin sorria ou era carinhosa com alguém. Queria os sorrisos, as gentilezas e seus pensamentos apenas para ele. Não queria dividir o carinho dela com ninguém. Mesmo sabendo que a natureza dela era preocupar-se e amar aos outros ele não aceitava isso. Não queria que ela perdesse a admiração que sempre habitou em seus olhos. Sua possessividade youkai exigia tudo para si, como era quando ela não passava de uma criança. Agora, ela distribuía seus sorrisos e todos se encantavam com eles. Principalmente Hiro.
A mesma possessividade lhe dizia que a vida dela lhe pertencia. O corpo, a alma e o coração eram apenas dele. Não poderiam haver outros.
Rin saiu encontrando Hiro esperando por ela. Ela estranhou a ausência dos youkais que a protegiam.
- Onde está a guarda, Rin?
- Não sei, Hiro-kun... Quando entrei, eles estavam aqui.
Hiro ergueu uma sobrancelha, divertindo.
- Você veio com eles, não é mesmo?
A expressão de Rin fechou-se no mesmo instante em que lembrou-se da discussão com Hiono. Não queria admitir, mas aquela briga doeu demais nela, afinal, a mulher a criara como se fosse sua filha. Não gostou de ouvi-la chamando de egoísta, isso ela amais fora. Sempre tentara ser o mais gentil possível e dar as pessoas o carinho que tanto lhe faltou quando era criança. Poderia ser um pouco explosiva às vezes, mas nunca tivera uma mente e um coração obscuros. Sempre deixou a luz clarear seus pensamentos.
- Mas é claro que sim. Principalmente depois do sermão que eu escutei hoje de manha.
- Eh... Hiono-obaa-chan me contou. – tentando amenizar a situação, ele argumentou: - Mas Rin... Ela ficou desesperada. – tentou argumentar.
- Isso não lhe dava o direito de ter falado comigo daquele jeito. Chamou-me de egoísta e mimada. – após um minuto em silencio, Rin olhou-o desconfiada e perguntou: - Você não lhe contou, não é mesmo?
Sesshoumaru se perguntava sobre o que eles estavam falando. Como havia previsto havia um segredo a qual ele não sabia e isso estava fazendo o sangue inflamar. Não gostava que lhe escondessem nada e Rin sabia perfeitamente disso.
- Não! – exclamou.
- Quer me mata do coração Hiro?
- Você acha que eu diria á ela? – perguntou indignado. Aquele era o segredo deles e ele jamais contaria á ninguém. Rin já deveria saber disso. Estavam unidos até o fim. – Você me pediu que não contasse a ninguém e eu prometi que faria isso.
- Bom menino. Sei que jamais quebraria a promessa. – disse com um doce sorriso. - Vamos embora....
Rin ia passando por ele, quando o youkai segurou-lhe o braço.
- Não vai conversar com ela?
- Não enquanto eu ainda estiver chateada. Não quero acabar dizendo alguma coisa que eu vá me arrepender depois.
- Ela está sofrendo muito.
- Eu também estou.
- Pelo o que eu soube foi serio.
- Foi... – após um suspiro cansado, ela pediu: - Não vamos mais falar sobre isso. Quando nós duas estivermos calma, nós conversaremos.
- É bom que isso aconteça rápido.... Baa-chan está chateada com a briga que tiveram.
- Não sabe o quanto doeu brigar com ela. – ela olhou-o com um brilho incrédulo e exclamou: - Mimada eu?!
Com um sorriso, o youkai acariciou os cabelos negros que ainda estava um pouco úmidos.
- Às vezes você é!
- Hiro!
- É a verdade. Mas isso não oculta o grande coração que você tem. E eu acho que tenho sorte que habitar em um pedacinho dele. Você ainda é jovem.... Quando amadurecer sua personalidade também mudará um pouco.
- Mas você gosta de mim do jeito que eu sou, não é mesmo?
Rin fez uma carinha que enterneceu o youkai. Não podia aceitar que aquele ser angelical amasse alguém como Sesshoumaru. O anjo e o demônio. Alguém frio e insensível não daria o amor com o qual Rin estava acostumada. Ela iria sofrer. Ele sabia disso. Mas aquele não era o momento de pedi-la em casamento. Ainda não.
Ela acabara de descobrir que amava o Senhor do Oeste e não aceitaria o pedido. Precisava fazer algo para mostrar a humana que apenas estava confundindo seus sentimentos. Que apenas por que agora era uma mulher pensava estar com sentimentos mais maduros. E quem melhor para ser para com Sesshoumaru-sama, alguém que ela sempre admirou?
- Hai. Se você mudasse, não seria você.
- Vamos embora antes que Hiono mande todo o exercito atrás de mim. – comentou brincando.
A raiva aos poucos estava passando e começava a entender á velha youkai. Sesshoumaru era implacável quando o assunto era a sua segurança dela. Talvez ela também devesse pedir desculpas para ela. Exaltara-se e dissera coisas que não queria. Esse era o ruim de ter um gênio forte. Precisava aprender a controlá-lo. Quando iria amadurecer e ser mais calma? É claro que tinha seus momentos de serenidade, mas quando se irritava, as marcas roxas em Jaken era uma prova viva de como ficava.
- Quando chegarmos, aqueles irresponsáveis receberão um castigo.
- Por quê?
- Te deixarem sozinha aqui é um bom motivo. – eles começaram ma andar de volta ao castelo.
- Deixe que eu converse com eles. Tenho certeza que tem uma boa explicação.
- Rin... Sobre o que aquele youkai disse ontem...
- Não quero falar sobre Takumi-san. – interrompeu-o. – Não me afetei com o que ele disse. É apenas um inconseqüente que poderia ter sido morto.
- Eu faria questão de matá-lo.
- Pára com isso! Sabe que eu não gosto.
- Está bem. – suspirou resignado.
Às vezes a bondade de Rin era inconveniente. Hiro poderia não ser um sanguinário e assassino, mas mesmo assim tinha sangue youkai correndo em suas veias. Não admitia que ninguém ofendesse á Rin e isso fazia com que esse mesmo sangue se revoltasse.
Chegaram às escadarias não encontrando a guarda que costumava ficar ali. Rin despediu-se de Hiro e subiu em direção ao imponente castelo.
- Konnichiwa Kenji. – cumprimentou o guarda que lhe abria a porta.
- Konnichiwa hime-sama.
Após a entrada de Rin, Kenji aproximou-se do general, lançando-lhe um olhar indagador.
- Não Kenji.
- Hiro! Está perdendo tempo. Vai perder essa mulher!
- O que você quer que eu faça? - perguntou irritado mesmo o amigo não sabendo por quê. Ele não poderia contar porque o atraso em seu pedido.
- Apenas peça-a! Ela é apegada á você desde criança. Não irá recusá-lo.
- O que o faz ter tanta certeza?
- E o que o faz duvidar tanto? Porque tanto receio? – kenji tentou desvendar-lhe os segredos que habitavam nos olhos violetas quando enfim indagou: - Não me diga que você e Minno...
- Não! – exclamou. – Há muito tempo não me deito com ela.
Kenji suspirou aliviado. Como melhor amigo do general, conhecia a maioria de seus segredos. A relação com Minno era um deles. Apenas ele soubera do que acontecera entre eles e nunca gostara desse envolvimento.
Achava a mulher ardilosa demais. Demasiadamente perigosa. Usava mais sua inteligência para seus propósitos. Atrás dos belos olhos estava escondida a maldade e a ambição de um ser que não se contentava com o que tinha.
Ela, quando criança, fora abrigada nas Terras do Oeste sendo criada como alguém do clã. Fora também criada por pais adotivos que procuraram lhe dar todo o carinho. Mas não fora o suficiente. Ela queria mais. Achava que merecia isso e muito mais. Sua ambição queria tudo aquilo. Ansiava por todo o luxo que aquele lugar poderia lhe proporcionar. Diferente de sua antiga casa, as Terras do Oeste eram prosperas e cheias de vida. Não havia sinais de guerra e a devastação não chegara lá.
O lugar onde nascera era um desastre. Pessoas pobres morrendo de fome, as terras não davam mais nada, eram secas e inférteis, os rios poluídos e as árvores mortas. Fora no meio daquela pobreza que ela crescera e o pior fora que nunca se acostumara com ela. Muitas e muitas vezes tentara convencer aos pais de saírem de lá, mas eles eram conformados demais, simples demais. Achavam que só porque tinham nascido pobres, deveriam morrer assim. Ela não. Queria tudo a que a vida poderia lhe dar. Queria riqueza, ser considerada por todos e invejada também.
Então, após a guerra ter destroçado o vilarejo, fora levada como escrava. Mas com sua esperteza conseguira fugir e chegara ás terras de Inutaisho. Aquele lugar era totalmente diferente de sua casa. Até os vilarejos eram prósperos. Um casal de youkais que não puderam ter filhos a adotou. Quando começara a trabalhar no castelo, Inutaisho ainda vivia. Fazia de tudo para ser querida e agradável e procurava conquistar á todos. Então, seus olhos voltaram-se para o herdeiro do líder do clã dos Inu.
Teve a prepotência de achar que poderia se tornar a Senhora do Oeste. Sesshoumaru logo tratou de despachá-la dizendo-lhe que alguém que se insinuava, fazia joguetes e corria atrás de machos não era digna nem de se deitar na cama de um senhor feudal. Isso é claro, depois de aproveitar-se do que ela havia oferecido com tanta generosidade. Ela queria tornar-se a Senhora daquele lugar, queria usufruir de toda a riqueza daquelas terras, mas ela não conseguiu passar nem da porta da cozinha..
Sua raiva aumentou quando meio século depois, Sesshoumaru trouxe para o castelo a menina humana. A pirralha estava tendo tudo o que ela sempre desejou. Kimonos feitos da mais pura seda, jóias a cada aniversário, um quarto imenso onde não havia mais lugar para colocar os tantos e tantos brinquedos que ela ganhava. E principalmente: a educação que ela jamais pôde ter. Sesshoumaru queria que a criança humana fosse uma verdadeira nobre. E isso a irritava profundamente.
Não agüentava quando alguém se referia a ela como 'Hime-sama.' Achava ridículo vários dos youkais mais poderosos que existiam na Terra curvarem-se perante a uma simples humana insossa. Mas então... Sua ambição fora dominada pelo afeto que começou a sentir por Hiro. Afeto que fora muito mais longe do que esperava. Sabia que ser a companheira de Hiro também lhe traria benefícios. Ele era considerado um grande general de Sesshoumaru, se não o melhor. Vivia em uma bela casa com criados. Ela não seria a Senhora daquelas terras, mas pelo menos teria um lugar só seu. Porem, mais uma vez a menininha tola se metera em seu caminho.
Quando era uma criança monopolizara a atenção do general. Ele queria sempre estar perto dela, sempre cuidando-lhe. Quando aquela criatura inútil se machucava com uma simples queda, era ele quem cuidava dos machucados. Era daí a origem o ódio que tinha por Rin. Era porque a humana tinha tudo o ela sempre quis.
- Cuidado com essa mulher. – aconselhou sombrio. - Ela é perigosa.
- Sei disso. Porque acha que eu redobrei a proteção de Rin?
Kenji havia achado estranho o fato de Hiro ter colocado mais quatro youkai na guarda que era composta por quatro desde que Rin tinha oito anos. O comum era diminuir a medida que ela fosse crescendo, mas recentemente ele aumentara a vigilância tanto na guarda quanto ele próprio. Rin não gostara como previsto, mas ela tinha que aceitar.
Não entendia porque tanta proteção em um ambiente que todos a conheciam. É claro que como em lugar havia ladrões, assassinos e todo o tipo de criminosos que poderia existir. Achava essa proteção excessiva. Mas Hiro tornou-se ainda mais protetor depois daquele dia fatídico em que chamara a youkai de Rin. Ele viu claramente o ódio exalar dela.
O guarda olhou ao seu redor para certificar-se de que ninguém o ouviria, mesmo assim por precaução, perguntou em um tom baixo:
- Sesshoumaru-sama perguntou alguma coisa sobre ontem?
- Não. E espero que nem pergunte.
Mesmo sabendo ser perigoso, Hiro sentia certa raiva de Sesshoumaru, não por ele ser poderoso, ou por ser dono de tudo aquilo, mas sim por possuir a única coisa que ele sempre desejou. Ele queria Rin. Não queria perdê-la para ninguém. Nem para o seu senhor.
- Sesshoumaru-sama também é muito perigoso. Se ele descobrir o quão você é próximo da Princesa vai matá-lo.
- Por mais absurdo que pareça... eu não temo a morte. Meu medo não é perder a vida e sim outras coisas. Além disso, alguma coisa me diz que ele não irá facilitar.
- O que quer dizer?
- Que eu não sou o único a desejá-la.
- Está dizendo que Sesshoumaru-sama...?
O general apenas confirmou com um leve balançar da cabeça. Aquela era uma verdade que não podia ser ignorada. Ryuuku disse que o senhor daquelas terras não era imune á Rin. Kenji estava abismado. Nunca poderia imaginar que o todo o poderoso e imbatível Sesshoumaru fosse... Não era melhor nem pensar naquilo. Hiro deveria estar enganado.
- É brincadeira, não é mesmo?
- Tenho cara de quem está brincando? Acha mesmo que eu brincaria com isso?
- Vamos nos acalmar... Não adianta nada fazermos especulações. Não temos nada definido. – Kenji coçou a cabeça e comentou: - Ele jamais demonstrou nada.
- E ele por acaso demonstra alguma coisa?- perguntou sarcástico. – Droga! Porque ele tinha que voltar?
- É... Seria tudo muito mais fácil. Mas você sabe perfeitamente que ela não faz nada sem a permissão dele. Se ele não quiser, diga adeus.
- E você acha que eu posso romper esse elo?
- Não. Nem que você passe cinco séculos tentando. Para mim, essa ligação dos dois é estranha. Somos testemunhas de como ele sempre tratou os humanos. Quando ele apareceu aqui com a menina surpreendeu á todos. Quanto á ela, parece mais corajosa do que todos nós juntos. Ela, apesar de nunca perder o respeito, nunca o temeu. Eu quase tenho um infarto simplesmente quando ele passa. E ela o encara de uma maneira tão natural. É simplesmente intrigante.
- Intrigante até demais. – resmungou. Suspirando cansado, perguntou: - Tem escutado mais alguma coisa?
- Não... Depois daquela surra que você deu naqueles youkais, acho que ninguém mais se atreverá a abrir a boca. Hiro, eu fiquei até com pena do estado que você os deixou.
- Isso é para aprenderem a não ficar dizendo idiotices.
- Mas agora, segundo você me contou, não é tão idiotice assim, não é mesmo?
Os falatórios sobre a relação de Rin e Sesshoumaru tornaram-se maliciosos a medida que a menina estava crescendo. Uns a viam apenas como uma menina órfã que encontrava no senhor feudal a imagem de um pai. Outros acreditavam haver uma relação mais profunda entre os dois no momento em que perceberam que ela não era mais uma menina. Chegou-se até mesmo a acreditar-se que Sesshoumaru a criou e a moldou ao seu modo para que essa viesse a ser sua companheira. Uns youkais que não temiam a morte começaram a espalhar boatos maliciosos sobre quem realmente era Rin na vida de Sesshoumaru.
Hiro fez o possível para que essas especulações não chegassem até Rin e muito menos ao senhor daquelas terras. Uma semana atrás, Hiro estava com Kenji bebendo no vilarejo, quando youkais que já haviam passado da conta mencionaram Rin. Na primeira palavra Hiro já mencionara se levantar, mas fora impedido pelo amigo. Mas no decorrer da conversa, Kenji não pôde mais segura-lo. Hiro partira para cima, sem ao menos precisar usar os poderes youkai. Bateu até que pedissem misericórdia e apenas afastou-se por que Kenji o segurara junto com mais quatro homens.
Os youkais ficaram estirados no chão, sangrando. Ele tinha certeza que os tolos que disseram algo tão ilógico, nunca mais abririam a boca, caso isso não acontecesse Hiro seria capaz de matar o próximo que insinuasse algo que manchasse a honra de Rin.
Ele não se seguraria mais. Não conseguiria. A maioria dos habitantes das Terras do Oeste amavam Rin e admiravam sua beleza, mas como tudo, havia o lado que também a odiava. Youkais rígidos que não toleravam uma humana estar no controle de vários youkais superiores detestavam a presença da menina. Não abriam uma porta para ela. Não lhe deram a oportunidade.
Hiro apenas não queria que alguém a magoasse com suas palavras duras ou a ofendessem com algum comentário.
Kenji colocou a mão sobre o ombro do amigo, dando-lhe apoio. A luta pela princesa das Terras do Oeste poderia ser devastadora.
Rin entrou no castelo e estranhou o silencio. Geralmente quando Sesshoumaru estava no castelo, ouvia-se os gritos de Jaken para com os empregados, fato que fazia o senhor perder a calma com o youkai verde.
Viu o lindo ramalhete que fora deixado perto de seu vaso preferido. Hino havia lhe contado que aquele era o vaso que a mãe de Sesshoumaru mais amava. Ela sorriu e subiu para guardar as coisas. Ao abrir a porta de seu quarto, encontrou uma das novas youkais arrumando seu quarto.
- Konnichiwa. – cumprimentou a princesa ao entrar.
- Konnichiwa Hime-sama. – respondeu fazendo uma reverencia. A garota aparentava ser jovem e segundo os conhecimentos de Rin sobre youkais ela deveria ter um pouco mais de sessenta anos. Ela ficou ruborizada com a menina que era considerada princesa dirigir-se a ela de uma forma tão gentil.
Já ouvira falar dela, mas imaginara ser arrogante e ríspida para com os criados. Ela tinha um olhar tão meigo e um sorriso verdadeiro.
- Hiono-san pediu-me para que arrumasse os seus aposentos.
- Muito obrigada... Mas poderia me ajudar em algo? – ela começou a retirar o kimono decorado e perguntou: - Sabe fazer curativo?
- Hai. – respondeu alegre. – A youkai que cuida dos feridos me ensinou muitas coisas. Alguns youkais se feriam tanto durante as guerras que era necessário serem cuidados do contrario morreriam.
- Ótimo. Poderia fazer um em mim?
- Claro, senhorita.
Rin tirou o kimono e sentou-se em uma poltrona, enquanto a youkai cuidava de seu braço. Ela era sutil e tinha o toque delicado. A humana quase não sentia dor. Assim que terminou, a youkai levantou-se, chamando a atenção de Rin. Ela distraíra-se por completo.
O braço fora enfaixado e a youkai a ajudava a colocar o kimono novamente.
- Obrigada. – Rin agradeceu ao terminar de colocar o kimono bordado. – Eu nem perguntei o seu nome.
- Mayune, senhorita.
Rin gostou da jovem youkai. Ela era delicada, ruborizava. Estava mesmo precisando de alguém que tivesse mais ou menos a mesma idade.
- Sabe se Sesshoumaru-sama está em casa?
- Hai. Chegou um pouco antes da senhorita.
- Tudo bem. Irei arrumar as flores que Keiko-san trouxe e depois irei falar com ele. – antes de sair do quarto, virou-se para a criada com o conhecido sorriso. – Muito obrigada mesmo.
Assim que fechou a porta, deparou-se com um olhar que ela há muito tempo evitava.
Minhas lindas, muitos bjos e espero que todas tenham gostado, ok
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