Pátio do Armazém de Lisa Stevens Organization, Rua Guaranópolis, Maresia, 08 de outubro de 2016, 11:00
No capítulo anterior, Eddie testava as peças novas para o motor do Opala para a sequência do torneio. Lindinez pediu desistência do torneio com medo de confrontar o Eddie devido ao seu passado passional. Jeycianne enfrentou Elina Battaglia na sequência da primeira fase do torneio, perdeu a primeira corrida, porém, na segunda corrida, seu carro sofre uma implosão no motor graças ao vazamento de óleo no início da corrida, resultando sua desclassificação da corrida. Já a sua irmã Joanna, depois de sofrer ao ver a sua irmã tendo problemas no carro, quer vencer a corrida já determinada.
- Mano, tu viu o que aconteceu? – disse Freddy, ligando pelo seu celular. E o contato era o Eddie, seu irmão.
- (Cara, é muito surreal – disse Eddie, via celular – como pode acontecer uma implosão dentro do motor do carro da Jeyci?)
- O carro dela estava bem regular! Não havia nenhum defeito, na primeira corrida, o carro da Jeyci estava normal mesmo perdendo aquela etapa!
- (E qual foi a causa da implosão, já sabem, você, a Joanna?)
- A Lisa me informou que foi vazamento de óleo.
- (Vazamento de óleo?)
- A Bebe avisou pra ela após a largada que havia uma poça de óleo no ponto de onde a Jeyci largou na segunda corrida, e era indício de vazamento de óleo – explica – e a Lisa disse que a falta de óleo causaria problemas no motor, como implosão. Pra nós, mano, achamos que foi sabotagem.
- (Cara, eu já vi esse filme... só que no videogame).
- Alguém sabotou o carro da Jeyci antes da largada da segunda corrida que causou o vazamento de óleo, essa é a nossa suspeita.
- (E a Joanna, cadê ela?)
- Ela está se preparando para a próxima corrida, ela vai enfrentar o nosso velho amigo Victor Hugo Battaglia para a sequência do torneio. Você sabe quem vai lhe enfrentar na próxima fase.
- (Eu sei... Elina Battaglia...)
- Eu a conheço um certo tempo... mas nunca mais a vi nesses últimos anos, até ela nos encontrar lá no final da corrida pré-classificatória junto com a Joanna.
- (E como está a Jeyci depois desse problema ela teve com o carro?)
- Mano... você nem sabe o que ela está fazendo... tá rolando um papo pesado com a Lisa sobre isso... e eu estou ouvindo aqui de perto exatamente de onde está saindo as conversas.
Enquanto isso, dentro do armazém de onde fica o escritório da organização...
- Um vazamento de óleo?
- Sim senhora – confirma Lisa Berger – esse foi o problema que causou a implosão do motor do seu Renault Clio Authentique, aliás, seu carro já estava sem óleo pouco depois de largar na segunda corrida. A Bebe me informou sobre a presença de uma poça de óleo no ponto de onde a senhorita largou.
- Mas o meu carro largou sem problemas! – contesta Jeycianne – Aquele fiscal de prova foi conferir o meu carro por debaixo e...
- Nós não temos um fiscal desse tipo, senhorita. Nenhum fiscal nosso faz checagem debaixo do carro.
- Então aquele fiscal...
- Calma... Os nossos 'verdadeiros' – gesticula as aspas – fiscais de prova examinaram o seu carro e encontraram um furo no cárter de óleo no seu motor, enquanto a tampa estava intacta. Isso deve ser indício de sabotagem.
Fora do armazém, só que no outro lado da parede...
- Mana... – disse Freddy, ouvindo toda a conversa através de um copo – agora imagino a cara dela...
- (CALMA... AHH!) – Freddy ouve gritos e pauladas por dentro e era a Lisa Berger sendo atacada num momento de fúria da sua amiga Jeycianne. Ao mesmo ouvindo os gritos, berros e tapas, seu semblante muda-se a cada tapa e gritaria de Lisa por dentro do escritório – (PARA, SENHORITA! SEGURANÇAS... AHH!)
- (QUAL É O NOME DESSE FISCAL QUE ME PERGUNTOU PARA VERIFICAR O ASSOALHO DO MEU CARRO ANTES DA LARGADA?)
"Alguém traz um chá de camomila pra Jeyci?" – pensa o loiro.
- Merda, agora preciso ver a Joanna disputando a corrida contra o Victor – termina Freddy, saindo do local.
Bairro Senador José Esteves
Em uma das ruas do bairro recém-criado, estão perfilados os dois carros em lados opostos. De um lado, está o Chevrolet Celta 2001 de cor preta, tendo como piloto Victor Hugo Battaglia. De outro lado, está o Ford Escort XR3 1987 de cor preta, tendo como piloto... ou melhor, pilota Joanna Ferruccio.
A largada fica exatamente nos arredores do conjunto habitacional, e exatamente os moradores das casas do conjunto estão olhando ao vivo pelas janelas os dois carros sendo perfilados de lado a lado e com a ansiedade de assistir a largada dessa corrida.
No meio entre os dois carros, está a loira de cabelos cacheados Bebe Stevens, que está conversando com ambos os pilotos, dando as regras do duelo que irá começar em instantes.
- Lembrem-se – disse a loira, para os dois pilotos – este duelo é uma série de três corridas. Se o vencedor da primeira corrida vence a segunda, está classificado. Caso o perdedor da primeira corrida vence a segunda, teremos uma corrida de desempate, chamada de "morte súbita".
Em seguida, a loira caminha um pouco distante para poder sinalizar o início de corrida ao abrir os braços em frente aos dois carros.
- Atenção – os motores dos carros roncam pelos seus respectivos pilotos – preparados – fecha os braços – já!
Como sempre, após a largada dos carros, a poeira acaba batendo na Bebe.
Quem largou melhor na corrida foi Victor, deixando Joanna por uns décimos atrás. Logo depois, os dois carros viram para a esquerda, entrando pela estrada. Metros depois, viram para a direita, entrando numa ligação até a estrada Miri-Moraes. Aí que ambos os pilotos pisam fundo na tábua.
No meio dessa correria, Joanna começa a se aproximar do Celta do Victor por trás e fica no lado a lado ao tentar cruzar pela direita. Ao chegar pela curva que vai para a estrada Miri-Moraes no lado esquerdo, Victor Hugo ganha a sorte de ainda se manter na ponta.
- Caralho, téleso... – reclama Joanna, ainda atrás do Victor – gastei uma fortuna de dinheiro que peguei da mana pra que este carro ficasse atrás dele? Hoje não, maninho!
Então, Joanna pisa fundo em seu Escort e novamente aproxima-se do Celta do Victor, aproveitando a extensão do trajeto da corrida na estrada até a esquina com a Rua dos Cuiabanos e Rua Braz Faraco. Durante esse trajeto, novamente ambos os pilotos ficam no lado a lado.
- Hoje tu não vai sair líder da corrida não, maninho – disse Joanna.
Ao virarem para a direita, entrando na Rua dos Cuiabanos, finalmente Joanna consegue ultrapassar Victor e fica na liderança da corrida.
De volta para o pátio, Freddy, assim como a multidão, está acompanhando a corrida pelo telão e celebrou a ultrapassagem da amiga contra o seu amigo. De repente, aparece uma velha conhecida dele ao seu lado.
- E aí, Freddy? – disse a irmã primogênita de Lindinez e Joanna, Jeycianne, que está com algumas manchas roxas em seu rosto e na mão direita, além de uma ferida no lábio inferior. Resultado de uma briga entre ela e a organizadora Lisa Berger por causa da discussão sobre a sabotagem causada por um falso fiscal de prova que causou o vazamento de óleo e, consequentemente, estouro do motor.
- Credo, Jeyci – se assusta Freddy, vendo exatamente as marcas no rosto da amiga – andou brigando de novo, mana?
- Eu fui acertar umas contas com a Lisa, mano. Tu quer saber? Teve briga sim, e no final, eu fui tirada pelos seguranças.
- Mas isso pode resultar em banimento de disputar as competições, como aconteceu com o Gael?
- Maninho, eu fui verificar e saber a causa do vazamento de óleo, leso! Fui sabotada sim porque tem um fiscal falso que pode prejudicar a Joanna também ainda nesse duelo com o Victor, como aconteceu comigo!
- Pegue aqui o meu celular, Jeyci – a própria Jeycianne pega o celular do Freddy, um modelo iPhone 6.
- Por quê, mano?
- Abre a minha agenda, procure 'Twingarage' na lista e ligue.
- É a oficina em que você e o Eddie são sócios? – Freddy acena a cabeça dizendo que sim. Em seguida, Jeycianne faz a ligação para a oficina Twingarage.
- (Oficina Twingarage, aqui fala é o Yuri, bom dia!)
- Bom dia, eu tenho um carro que vocês precisam consertar... mas só depois do torneio...
Voltando para a corrida, Joanna continua liderando a corrida quando os dois carros viram para a esquerda, entrando pela rua Ramal Adolfo Carneiro, seguindo a trajetória da prova. Metros depois, os dois carros viram para a esquerda novamente, entrando pela Rua São João.
Joanna, ao observar pelo seu retrovisor esquerdo, nota ainda a presença do Celta do Victor, que começa a aproximar do seu Escort.
- Agora que o maninho quer brincar com o perigo – disse Joanna, sarcástica – eu gosto de brincar... no volante – termina, aumentando mais a aceleração do seu carro para se distanciar mais do seu oponente.
No meio do percurso da rua, há uma descida e subida da ladeira. Para os dois pilotos, descer da ladeira da rua ganhará mais velocidade que irá auxiliar na subida, pois exige esforço na aceleração e ambos não querem gastar as suas garrafas de óxido nitroso.
Depois da subida, a distância entre os dois pilotos diminuiu bastante, e Joanna, completamente nervosa, não quer perder a corrida de jeito nenhum. Já o Victor, quer aproveitar a pequena distância para fazer a ultrapassagem na bola da esquina das ruas São João, Raimundo Albuquerque, Maués e Miri-Moraes.
Os dois pilotos, ao fazerem o contorno da bola, acabam entrando pela estrada Miri-Moraes, metros depois, viram para a Rua Boa Vista, que enxergam de longe duas fumaças de sinalizadores, sinalizando a linha de chegada da corrida. Era a reta final da corrida, e os dois pilotos começam a acelerar ainda mais os seus carros para brigar pela vitória da primeira etapa da série.
"Ainda bem que vai acabar o meu sofrimento inicial!" – pensa Joanna, quando de repente, observa o Celta preto surgindo ao seu lado – "agora deu merda!" – pensa de novo.
Joanna agora se sente pressionada novamente pelo Victor, agora ambos estão lado a lado e em alta velocidade. Como estão em alta velocidade, praticamente estão no limite das marchas e somente uma diferença de décimos determinará o vencedor ou a vencedora da primeira etapa.
Lá na linha de chegada, os fiscais de prova colocam duas câmeras de cada lado que irão filmar de forma lenta para poder fazer o tira-teima para determinar o ganhador da etapa. Em seguida, os dois carros já cruzam rapidamente como se fosse um avião supersônico. A partir daí, começa a ser gerada as imagens das câmeras, mostrando os dois carros cruzando a linha de chegada, porém, quem alcançou em primeiro por décimos de distância foi o Celta preto de Victor, assim, definido como o vencedor da primeira etapa.
"Será que eu ganhei?" – pensa Joanna, sem saber que ela havia perdido a corrida por décimos.
- O vencedor é o piloto do Celta preto! – avisa um dos fiscais que estavam de guarda na linha de chegada.
- Merda! – reclama Joanna, ao saber do resultado.
De volta ao pátio...
- O vencedor da primeira corrida da série é o Victor Hugo Battaglia e seu Chevrolet Celta, em numa corrida com uma final emocionante que foi decidida por décimos de distância na linha de chegada! – anuncia o alto falante.
Enquanto isso, Freddy e Jeycianne, irmã primogênita da Joanna, agora conferem as imagens do tira-teima que decidiu a primeira corrida pelo telão, mostrando que Victor Hugo venceu por décimos de distância na frente da Joanna.
- Mano, o cara teve sorte de ganhar – disse a primogênita das irmãs Ferruccio – a mana relaxou no finalzinho só porque ela acreditou que a corrida estava ganha. Eu avisei pra ela, "não pense que você, liderando com folga, já ganhou essa corrida, maninha! Os caras vão passar por cima de tu, maninha".
- Joanna não teve intenção de se relaxar pra perder, Jeyci – discorda Freddy.
- Freddy, Freddy, Frederico... você que adora assistir corridas assim como o teu mano, se lembra que o Barrichello deu a vitória pro Schumacher no finalzinho da corrida?
- Me lembro sim, mana... mas foi por um jogo de equipe, uma espécie de acordo de cavalheiros.
- Ela poderia ter usado o nitro para ficar mais distante... eu poderia ter usado também...
- Usar nitro, pra ela, traz péssimas memórias, Jeyci. Naquela corrida que nos classificamos para o torneio, ela apareceu do nada lá na estrada, mandou um beijinho pro mano e pisou na tábua, até que o mano pisou fundo no nitro e passou um forte vulto perto dela.
- Essa eu já sabia, mano, porque ela mesma me contou. Agora eu imagino ela e os demais corredores estão poupando o nitro nessas corridas porque se alguns deles chegam à final, irá precisar e muito do nitro como auxílio de velocidade na série de três.
- Pra mim, essa série de três na final deveria ser série de cinco, para dar mais emoção pelo título. Três corridas é pouco, cinco corridas já é demais.
- Ah, se eu tivesse avançado para a próxima fase...
- E a Lindinez? – pergunta Freddy, sobre a paixão do irmão – Como ela está?
- Bem, ela está muito bem, apesar da desistência – responde Jeycianne, tentando esconder a verdadeira situação da irmã, mesmo citando a desistência.
De repente, Freddy sente-se uma mão segurando no seu ombro por trás. Para o loiro, não é uma mão familiar.
- Freddy Peugeot! – disse uma voz masculina.
O loiro e a primogênita das irmãs Ferruccio viram para trás e acabam de se deparar com um casal, no qual o primeiro, que citou o Freddy, de cabelos castanhos, um bigode e uma barbicha e com piercing na testa, está vestindo uma camisa vermelha com jaqueta preta, calça jeans e tênis vermelho. Ao lado dele, está uma moça de cabelos azuis, camiseta preta com decote, saias vermelhas e botas pretas, tendo um piercing no nariz entre as narinas e batom vermelho nos lábios.
- Detetives Renan e Kerol! – disse o loiro, surpreso com a presença do casal. Porém, Jeycianne já olha com desconfiança entre ela e a Kerol – eu não sabia que eram vocês.
- Nós estávamos passeando pelo pátio e acompanhamos a corrida também pelo telão – disse o detetive.
- A gente ouviu a conversa de vocês... e a gente não sabia que ela era a irmã de vocês – disse a detetive de cabelos azuis.
- Na verdade, Joanna é irmã dela – aponta o loiro à Jeycianne – não minha e sim uma amiga que eu conheço há um tempo.
- Essa aqui que é a irmã dela? – pergunta Kerol, apontando à Jeycianne.
- É – confirma Freddy – ela teve um problema no motor do carro durante a corrida em que ela estava disputando e liderando para vencer.
A detetive olha para a primogênita das irmãs Ferruccio, e em seguida, expôs a sua mão aberta para ela para apertar as mãos como recepção. Jeycianne aperta as mãos da Kerol, recepcionando-a.
- Lamento muito pelo problema que aconteceu contigo durante a corrida – disse a detetive à Jeycianne.
- Obrigada – responde, mesmo com um olhar diferente à ela. Freddy observa também a atitude das duas.
De repente, o celular da Jeycianne toca e ela atende.
- Alô? Freddy, eu vou sair rapidinho para atender aqui a ligação, tá?
- Ok – disse o loiro, no qual a moça sai do lugar para atender a ligação do seu celular. O loiro vira para os detetives – o que vocês querem afinal... conseguiram alguma informação do suspeito da corrida?
- Calma... você e seu irmão precisa de paciência, porque essa investigação é muito cautelosa – disse o detetive Renan.
- Ok – disse o loiro, dessa vez se acalmando da ansiedade de querer saber da investigação pedida pelo irmão – e vocês podem investigar também o caso de quem sabotou o carro da Jeyci?
- A gente vai fazer esse serviço, mas só depois do torneio – responde a detetive de cabelos azuis.
- Escutem – disse o loiro – ela estava completamente nervosa quando ela soube de que o carro dela foi sabotado que culminou aquele problema e ela quer tentar descobrir o responsável, o sabotador do carro dela, que foi um falso fiscal de prova. O problema é que ela não conseguiu tirar o nome, apenas ela lembra das características dele naquela ocasião.
- Conte-nos quais eram as características dele – disse a detetive de cabelos azuis, pegando o seu bloco de notas para as anotações.
- Ela me disse que era um homem de cabelos longos, tinha uma barbicha, estava vestindo as mesmas vestimentas dos fiscais de prova...
- Ok – disse a detetive, depois de anotar as características do suspeito no seu bloco de notas.
- Ele deve estar à solta por todo o pátio, mas espero que vocês consigam identificar o nome dele e pudessem encontrá-lo e levá-lo para a justiça, porque ele sabotou o carro da Jeyci.
- A gente vai fazer por você – disse o detetive – lembre-se que você e seu irmão precisam de ter paciência porque o nosso trabalho não é fácil.
- Ok – disse o loiro, no qual os dois se recepcionam de soco por soco e o casal de detetives se despede do loiro.
Enquanto isso, Jeycianne retorna depois de atender a sua ligação.
- Mano, era a Lindi que estava me ligando.
- E o que ela falou?
- Ela estava me falando que tive problema na corrida... um blá-blá-blá que você já sabe, Freddy.
- Ah... mas ela falou sobre o mano?
- O Eddie? Sim, só que eu falei que ele não está presente no pátio e que está folgando.
- Ainda bem... – suspira Freddy.
- Eu achei estranho aqueles dois detetives.
- Quem, o Renan e a Kerol?
- Aham, eu estou desconfiada desses dois detetives, parecia que eles estão mais para passear do que investigar e pesquisar lá em casa.
- Eu acho que não, mana, porque esses dois detetives são de confiança nossa e que eles estão tentando descobrir o responsável pelo acidente do mano há um tempo.
- Posso falar uma coisa, Freddy Frederico?
- O que é, Jeyci Jeycianne?
- Se a Joanna vence a próxima corrida e vira na "morte súbita"... prometo que irei ser a futura madrinha de casamento entre tu e ela, assim que irei ser madrinha de casamento do teu irmão com a Lindi um dia.
- É melhor ofertar na campanha do mano, Jeyci. É muito cedo dizer que é hora de ofertar o casamento em caso de vitória dela... afinal... – começa a baixar a cabeça.
- O que você tem, Freddy?
- Eu tenho... uns tremeliques quando ela pensa em... amar...
- Conta pra mim.
- A Joanna também te contou, não sabe?
- Essa eu não sabia, ela nem me contou.
- Eu tenho medo de amar alguém, como a Joanna...
- Malaxofobia.
- Você conhece esse medo?
- Lógico, leso, eu sei de tudo, malaxofobia é o medo de amar, de se apaixonar. Graças a sua leseira que você teve com a ex do seu irmão, que teve um filho com ele, acabou adquirindo esse seu medo de amar. Tu tá tendo um pouco de dificuldades de tentar se declarar com a Joanna, diferentemente quando você esteve com a gente há quase 20 anos.
- Ela me fez lembrar daquele primeiro beijo... – Freddy passa a mão na cabeça – e você estava lá quando me viu... peraí, você achou que ela não tinha te contado dessa história que contei pra ela.
- Fingi que não conhecia dessa história pra te sacanear, seu bobo – disse Jeycianne com sarcasmo, deixando Freddy absolutamente enganado.
- Porra, Jeyci.
- Então pare de ser macho mole e declare para a mana, leso! Se ela perder, conforte-a, assim como o teu irmão confortou a mana Lindi quando ele a conheceu pela primeira vez.
Estrada Guaranatuba, Mário Fonseca
"É a minha primeira vez que eu vou largar numa estrada de piçarra!" – pensa Joanna, que está perfilada em seu carro ao lado do Victor.
Joanna e Victor irão disputar a segunda corrida da série. Quem tem a vantagem é o piloto do Celta preto, por ter vencido a primeira corrida e pode-se classificar para a próxima fase do torneio se vencer. Se a pilota do Escort preto vencer esta corrida, força a terceira e decisiva etapa da série, chamada de "morte súbita".
Os dois pilotos estão perfilados na largada localizada na estrada de terra, porém, no sentido interior-centro. No meio entre os dois carros, está a Bebe Stevens, presente para sinalizar a contagem do início da corrida.
- Lembrem-se, esta segunda corrida é decisiva ou para se classificar para a próxima fase, ou para forçar a "morte súbita". Joanna – disse a loira à pilota do Escort preto – ele tem a vantagem de se classificar em caso de vitória. Se você vencer, vai haver a morte súbita. Já você – aponta a loira ao piloto do Celta preto – só depende de si para poder levar a classificação se vencer. Entenderam? – disse aos ambos pilotos.
Joanna, atenta as explicações da loira, acena a cabeça para concordar, enquanto o seu oponente apenas a observa e depois retorna a sua concentração.
- Estão preparados? – a loira abre os braços – atenção – começa o ronco dos motores – já! – fecha os braços, no qual os dois carros já largam instantaneamente, porém, a loira fica com rosto e parte do corpo frontal sujos de saibro (ou piçarra, como é chamado popularmente).
O Celta preto do Victor largou muito bem e fica com décimos de distância em relação à sua oponente, Joanna, de Escort preto. Após a largada, Joanna começa se preocupar justamente com a sua situação na corrida e acompanha o desempenho do Victor.
Porém, os dois acabam encontrando ainda na estrada uma divisória entre Estrada Maués e Rua Ramal Adolfo Carneiro e o Victor já observa a oponente, no qual a própria Joanna também o observa, com a cara de desconfiada e, justamente ele, toca uma certa música através do seu carro e é sonorizado na caixa de som do porta-malas.
"It's been a long day without you, my friend..."
- Ah, não... Tu não vai me fazer de bobo com essa musiquinha comovente, Victor! – reclama Joanna, que começa a perseguir o Celta preto do Victor e vira justamente para a direita, seguindo a trajetória da corrida.
Os dois carros ficam de lado a lado em alta velocidade na Rua Ramal Adolfo Carneiro, tendo curvas, descidas e subidas na sequência, porém ambos ainda ficam colados. Foi na esquina entre a Rua Ramal Adolfo Carneiro com a Rua São João que a Joanna arriscou na ultrapassagem com derrape e consegue passar o Victor na virada para a esquerda ao entrar na Rua São João.
Em seguida, os dois carros descem da ladeira da Rua São João e na sequência, sobem, já que a descida garante uma boa velocidade para tentar subir o mais rápido possível. Quem se aproveitou foi a Joanna, que se manteve na liderança após a subida da ladeira.
Metros depois, os dois carros viram para a direita na bola entre as ruas São João e Raimundo Albuquerque, quando a diferença entre Victor e Joanna já diminui com a aproximação do piloto do Celta preto. Isso faz que a pilota do Escort preto já começa a se preocupar novamente com a recuperação do seu concorrente.
Logo depois, os dois carros viram para a esquerda, entrando na rua Ramalho Júnior, a parte comercial da cidade, e a Joanna já começa a ver o seu concorrente tentando ultrapassá-la. Observando no retrovisor, na hora, Joanna faz o bloqueio, impedindo a tentativa de ultrapassagem do Victor, assim, segurando a sua liderança.
Enquanto isso, no pátio...
- Isso, mana! – comemora Jeycianne, assistindo a corrida ao lado do amigo Freddy Peugeot no telão – deixa ele comendo poeira!
- Bloquear o concorrente é fácil, difícil é segurar essa liderança, mana – disse o loiro – olha a pressão que ela está levando do Victor!
- Calma, Frederico – disse Jeycianne – ela vai chegar rapidinho pra forçar a "morte súbita".
- Eu espero – disse o loiro – olha o que aconteceu contigo momentos antes!
- O que aconteceu comigo foi uma sabotagem que fizeram com o meu carro – exclama Jeycianne – furaram o cárter de óleo do motor para que ele pife a qualquer momento! Pifei lá na avenida e parei na frente do colégio. Agora eu me preocupo que alguém possam encontrar esse leso que furou o cárter do meu carro e levem pra justiça!
"O que me preocupa e muito é o meu mano, Jeyci. Até agora nada de informações sobre o responsável pelo duelo que envolveu o acidente do Eddie" – pensa Freddy, que observou a sua amiga após a fala, e depois volta à olhar para o telão para assistir a sequência da corrida.
De volta para a corrida...
Na Rua Adolfo Cavalcante, os dois carros continuam acelerando em alta velocidade, ainda brigando pela primeira posição da corrida. Quando os dois carros viram para a esquerda, entrando no Largo Marechal Deodoro, Victor tenta ultrapassar Joanna, mas ela novamente bloqueia a tentativa do piloto do Celta preto e mantém-se ainda na liderança.
- Hoje não, maninho – disse Joanna, observando seu oponente pelo retrovisor central, com um sorriso irônico.
- Merda, como ela é esperta! – reclama Victor.
Mas ainda não parou por aí, porque o Victor ainda persiste em pressionar a Joanna em tentativa de ultrapassá-la. Isso quase ocorre quando os dois pilotos viram para a direita, entrando na Avenida Getúlio Vargas, mais uma vez Joanna persiste de ficar na frente, impedindo outra vez a tentativa de ultrapassagem do piloto do Celta preto.
Logo depois, os dois carros viram para a esquerda, entrando na Estrada dos Moraes, porém, dessa vez, Victor pegou o sentido contrário enquanto a Joanna pegou o sentido direto. Vendo seu concorrente no outro lado, ela já sente a pressão de ser ultrapassada novamente.
- Merda, agora eu perco a liderança pra ele! Eu sabia que essa parte do trajeto não iria me favorecer – reclama Joanna.
Com muitas dúvidas, Joanna decide partir pra cima, acionando a quinta marcha do seu Escort preto e pisando fundo no acelerador. Já o Victor, também faz o mesmo, acelerando o seu Celta preto até o limite das marchas e da velocidade máxima.
Depois de acelerar nos sentidos opostos devido à divisória da estrada, os dois voltam a se enfrentar cara a cara, quando os dois ficam de lado a lado e muitas oscilações de distância, mudando de décimos por décimos a liderança entre Joanna e Victor. Nisso já na reta final da corrida, podendo mudar o destino de um dos dois: ou Victor se classifica ou Joanna forçará a "morte súbita", a terceira e decisiva etapa da série.
Passando em alta velocidade próximo à área da horta comunitária, do restaurante e das secretarias de meio ambiente e agropecuária, ainda na estrada, os dois pilotos observam de longe a presença das fumaças de sinalizadores, dando a impressão que ambos estão chegando ao final da corrida e ainda estão de lado a lado. Por lá, no qual a linha de chegada é próxima ao Campus, os fiscais de prova já instalam câmeras que poderão captar o tira-teima decisivo para determinar o vencedor da etapa.
No limite da velocidade máxima, das marchas de câmbio e de seus esforços, completamente suados, Joanna e Victor estão duelando bastante nessa segunda corrida, bem diferente do último duelo entre Jeycianne e Elina, no qual acabou terminando com a implosão do motor do carro da Jeycianne e a classificação de Elina para a próxima fase na segunda corrida.
A emoção desse duelo é tão grande que, lá no pátio, toda a multidão, inclusive Freddy e Jeycianne, está atenta ao telão. Enquanto isso, na residência da família Ferruccio no bairro Ramalho Júnior, Lindinez, deitada em sua cama no quarto, está atenta ao seu tablet assistindo a corrida da sua irmã caçula. Na residência da família Peugeot no bairro de Santa Luzia, Eddie, sentado em seu escritório, também está atento ao seu computador assistindo a corrida da Joanna e Victor.
Quando Joanna observa o volante do seu carro, notando a presença do botão do óxido nitroso (N2O), ela fica em momento de indecisão: ou aperta o botão do óxido nitroso para aumentar a velocidade, ou perca a vaga para a próxima fase se deixar o Victor ganhar, ou vence a corrida na raça para forçar a etapa de desempate chamada de "morte súbita".
"Eu não quero gastar o meu nitro! Eu quero usar o nitro na terceira corrida! O que eu vou fazer?" – pensa Joanna, desesperada.
Em seguida, os dois carros, praticamente simultâneos, cruzam a linha de chegada. As câmeras instaladas próximas aos sinalizadores captaram o momento de chegada dos dois carros, no qual, por décimos à frente, venceu o carro Celta preto de Victor Hugo Battaglia.
- O vencedor é o piloto do Celta preto, Victor Hugo Battaglia! – avisa um dos fiscais, ao analisar a captura.
Obviamente, o piloto do Celta preto comemora bastante a sua classificação para a próxima fase, com muito êxito. Enquanto isso, a pilota do Escort preto lamenta profundamente a sua derrota, chorando com a testa no volante.
Lá no pátio...
- Porra, o Victor venceu – disse a Jeycianne, ao ver a derrota da sua irmã caçula pela segunda vez seguida.
- Os dois brigaram bastante nessa corrida pela vitória – comenta Freddy – só que o Victor conseguiu ter um esforço a mais de vencer novamente no tira-teima. Não porque o carro dele é um pouco bicudo, mas foi porque ele acelerou e muito do que a Joanna.
- Mano, a mana deve estar chorando lá dentro do carro, pelo que eu tô vendo no telão – disse Jeycianne, notando a presença da irmã caçula aos prantos dentro do carro.
- Caramba... – disse Freddy, completamente surpreso e coçando a cabeça – pior que não dá para consolá-la agora porque nós estamos aqui muito longe de onde eles estão, Jeyci.
- Victor Hugo Battaglia vence o duelo contra Joanna Ferruccio e avança para a próxima fase da competição! – anuncia o alto-falante no fundo.
- Mana... – disse Freddy, olhando para Jeycianne – se o mano passar da Elina e pega o Victor...
- Será um duelo de titãs – completa Jeycianne – Eddie e Victor são muito amigos desde o primeiro ano no segundo grau, de famílias distintas, filosofias e paixões diferentes, mas o que junta os dois é a paixão pelo time deles – Freddy sorri, entendendo a referência ao Corinthians, seu time de coração – assim como a minha irmã que preferiu torcer por esse time do que eu e a Lindinez.
- Aham – concorda o loiro – e será um duelo equilibrado, mas muito equilibrado como foi esse. O nosso carro está sendo melhorado justamente para o decorrer da competição, ajustando a potência, performance, porque o duelo contra o Victor e, provavelmente, do Geovanni requer ótima performance no carro à nível deles.
- Ô Freddy – disse Jeycianne – tenho um recado para que tu dá para o seu irmão – Freddy se aproxima – cuidado com a Elina, ela é ótima no volante e o carro dela é boa de corrida, mesmo que eu não tenha conseguido me classificar – Freddy se afasta e acena a cabeça, aceitando o recado que dará ao Eddie.
Ainda no pátio, Freddy e Jeycianne esperam a chegada do Victor e da Joanna, quando os carros dos referidos pilotos chegam ao local, porém, vão aos seus lugares distintos. No caso do Victor, ele é recebido pela multidão pela vitória no duelo contra a Joanna. Já a Joanna, completamente decepcionada, chega sem recepção. Porém, lá dentro do carro, um fiscal de prova está guiando o carro, enquanto a própria pilota está no banco de passageiro, chorando pela sua derrota.
E justamente a Joanna, que para próxima ao Freddy e Jeycianne, é recepcionada com abraços pela irmã primogênita e pelo amigo, ainda em prantos.
- Desculpa, mana, eu não consegui... – disse Joanna, ainda em prantos.
- Tudo bem, mana – responde a primogênita – na próxima vez você consegue.
- Eu queria ganhar, mana, eu queria ganhar... – disse Joanna, ainda em prantos e agora agitada.
- Calma, calma – disse a primogênita, tentando tranquilizar a sua irmã caçula – agora não dá mais, acabou, mana. Agora só restou apenas o Eddie na competição para a gente torcer.
- Mana...
- Joanna, ouça a sua irmã – disse Freddy, consolando a amiga – só tem o mano para a gente torcer por ele.
- Frederico, me desculpa... eu não queria te decepcionar também...
- Você não nos decepcionou, Joanna – disse o loiro – você foi aguerrida na corrida, quase levou a disputa para a "morte súbita" e não desistiu.
- Eu quase acionei o botão do nitro, mano... eu poderia ter ganho essa corrida...
- Joanna... – disse o loiro, enquanto a moça começa a olhar ao seu amigo, ainda com os olhos lacrimejados.
- Frederico... – o loiro consegue ter coragem e beija a testa da amiga, que a acalma.
"Agora ele vai beijar a mana no meio desse sofrimento? Agora que vai ter casamento sim!" – pensa Jeycianne ao observar os dois, relembrando o fato de ter flagrado Freddy e Joanna se beijando em casa anos atrás – "Graças à Deus que ela não foi sabotada nesta corrida!".
Enquanto isso, em outro lugar do pátio...
- Você viu o que houve com ela, Victor? – disse uma voz feminina.
- Primeiramente, querida, eu não vi a Joanna chorando. Segundo, eu só estava celebrando a minha vitória – responde.
Victor Hugo e sua amada estão passeando logo depois da chegada do piloto da vitória e classificação para a próxima fase. Estão justamente discutindo sobre a repercussão da vitória do mesmo.
- Ela quis vencer – disse a moça – Cê não fez isso uma vez com o Eddie quando vocês apostaram uma corrida no kart lá no quintal da casa dele, e você na frente deixou o Eddie vencer?
- Eu só me interessava é na corrida, querida, claro que ela quis vencer, mesmo porque ela me bloqueava durante a corrida evitando as minhas ultrapassagens. Só não venceu porque ela não me bloqueou na reta final – justifica Victor.
- Victor – disse a moça – eu tô falando daquela corrida que não sai da minha cabeça entre você e o Eddie no kart!
- Do que você está falando?
- Ah – berra – porque você poderá pegar o Eddie no decorrer da competição! Se a disputa for empatada e ir para a "morte súbita", não entregue a vitória como você fez naquela corrida de kart para ele!
Victor sequer fala e apenas observa a sua amada.
- Quer saber, querida... eu tenho os meus pensamentos – disse Victor, caminhando e deixa a amada ainda indignada.
- Como assim "seus pensamentos"? – pergunta, mas sem receber a resposta do Victor – Victor! Volta aqui! Me diga que são esses "seus pensamentos"! – segue atrás do Victor.
Ainda no sábado, à tarde, acontece outra corrida válida pela primeira fase que foi o duelo entre Kerolaine Ferreira e Steffane Flora Dortmund, no qual, num duelo apertado e decidido na terceira etapa da "morte súbita", quem ganhou o duelo foi Steffane Flora Dortmund, dirigindo o seu Renault Mégane Sedan de cor preta. Steffane enfrentará Victor Hugo Battaglia na segunda fase.
Já no domingo, de manhã, acontece duas corridas ainda válidas pela primeira fase. Porém, a corrida mais esperada desse período foi de Geovanni Dortmund, grande favorito do torneio, contra Yago Kury Correia. Geovanni Dortmund acabou se classificando quando Yago Kury Correia teve seu Honda Civic com sérios problemas no motor já pela decisiva etapa chamada de "morte súbita". O carro de Yago acabou sendo incinerado pelo superaquecimento no motor, pouco depois do seu piloto sair.
Ainda pela manhã, houve mais um duelo, dessa vez entre Donaldo Gomes e Tenório Basso e, novamente, foi decidido na "morte súbita", quando Donaldo superou Tenório pelo tira-teima na chegada, pois esse duelo foi considerado como mais equilibrado devido que as performances dos carros serem semelhantes.
De tarde, acontece o último duelo de domingo e da primeira fase, entre Corey Lanskin e Alfredo Piochi. Ao contrário dos demais duelos da primeira fase, Alfredo Piochi superou o "quase desistente" Corey nas duas primeiras etapas. Sua vitória foi muito contestada pela multidão, que sequer recepcionou o piloto na chegada ao pátio. Dos que contestaram a sua classificação, Freddy, Joanna e Jeycianne estavam presentes nesta ocasião.
- Mano – disse Joanna – eu achei estranho o comportamento do Corey de ter deixado o Alfredo vencer essas duas corridas.
- Eu também achei – disse o loiro – Corey Lanskin era um bom piloto de correr nas ruas e não faria esse tipo de comportamento de entregar a vitória para ele.
- Quando vi a Joanna correr com o Corey – explica Jeycianne – ele corria mais que ela devido a performance que o carro dele tinha. Agora, ao assistir essas duas corridas, ele nem pisou fundo no acelerador – a irmã caçula olha à sua irmã primogênita com semblante fechado, não gostando da lembrança da referida corrida.
Enquanto o trio se discutia sobre o duelo, o próprio Corey Lanskin acaba de encontrar a Lisa Berger nos bastidores dentro do armazém.
- Lisa Berger.
A moça fofinha de cabelos castanhos ondulados e de óculos, com feridas nos lábios e manchas roxas no rosto além de uma das lentes dos seus óculos trincados – resultado da briga que teve com Jeycianne devido a discussão sobre a sabotagem do carro da referida pessoa – estava conferindo a tabela de duelos da segunda fase já definidos, olha para trás ao se deparar com o rapaz de cabelos loiros escuros. Ela já possui lembranças do próprio rapaz quando os dois se conheceram quando ele a instruía de como jogar Minecraft, quando os dois se apaixonaram e como foi o término do namoro.
- Corey Lanskin... eu entendi a sua atitude de querer perder o duelo pelo Alfredo...
- E o que você pensou, Lisa Berger?
- Você quer o seu carro de volta.
- O meu carro? – o rapaz observa o Dodge Challenger 1970 lilás, que pertenceu à ele, com a placa IMP-0210 mantida desde quando ele possuía o carro, exceto a cor – eu não só vim buscar o meu carro, Lisa – o rapaz se aproxima da moça.
- Não? O que você quer? – Lisa nota a aproximação do rapaz, no qual a própria começa a recuar lentamente. Ela está sozinha, já que a Bebe saiu para algum lugar do pátio ou fora. Quando o rapaz coloca as mãos na parede entre a cabeça da moça, Lisa começa-se a sentir amedrontada, pois não esperava que o seu ex-namorado viesse com uma postura tão diferente.
Os dois trocam de olhares, no qual Corey apresenta-se seu semblante de sarcástico e perversão enquanto a moça fica com o semblante de assustada, sem entender o que ele quer com ela.
- Eu só vim aqui só para te encontrar novamente – disse Corey, sem justificativa, deixando a moça com dúvidas.
- Mas o que você quer de mim? Eu perguntei se você quer o seu carro de volta...
- Eu ainda não quero o carro... – responde o rapaz – eu quero que você pague uma dívida que você tem de mim.
Lisa não entende a tal "dívida" de que o Corey está falando, por isso, ela fica sem palavras e completamente corada.
- Você sabe qual é essa dívida? – pergunta Corey, no qual Lisa apenas balança a cabeça, ainda corada, negando essa tal "dívida" do Corey. Em seguida, o rapaz começa a aproximar o seu rosto com a dela, mas Lisa tenta afastá-lo, tentando empurrá-lo, porém, Corey consegue segurar as mãos e "prende-as" na parede.
- Eu não tô entendendo essa dívida... – Lisa não conclui sua fala quando Corey consegue beijá-la, porém, a moça fecha os lábios para evitar a entrada da língua do rapaz, evitando-se um beijo voraz. A resistência não dá certo e ela acaba, sem querer, abrindo a boca, permitindo a entrada da língua do rapaz, assim, ocorrendo um beijo voraz e violento. No fim, os dois perdem o fôlego, mas foi só a moça se recuperar para empurrar o rapaz para trás, quando ele solta as suas mãos.
- Suma daqui! – exclama Lisa ao empurrar Corey para trás. O próprio rapaz não perde o humor quando ele sorri por ter beijado a sua ex.
- Essa é a dívida que você tinha que me pagar – disse o rapaz, se levantando.
- Eu não paguei essa sua dívida, você me fez pagar a sua dívida! – reclama, passando a mão na boca para limpar a saliva do rapaz.
- Essa não é a sua primeira dívida que você me paga, Lisa – disse Corey – você tem outras dívidas para serem pagas em breve – o próprio rapaz caminha até a saída do armazém – um dia, uma noite, a gente vai ser ver de novo...
Lisa, ainda inconformada com o beijo voraz do rapaz, fica mais em dúvida e intrigada com as tais "dívidas" que o Corey citou que ainda "devem serem pagas a ele". Inicialmente, Lisa achou que Corey queria o carro dele de volta, pois o seu carro pertenceu ao próprio Corey quando os dois estavam juntos, porém, após o término do namoro, Lisa conseguiu roubar o carro e transformou em sua propriedade, mesmo ter mantido a placa que era quando o Corey era proprietário do Dodge Challenger. Mas o que ela acabou de ter era o tal "pagamento de dívida" que foi um beijo do próprio Corey.
Logo depois, Lisa Berger liga para a amiga Bebe ao pegar o seu celular.
- Bebe, sou eu, Lisa... – disse a moça, amedrontada.
- (O que foi, Lisa?)
- O Corey... ele veio aqui... e disse que eu tenho dívidas para pagar a ele!
- (Que dívidas, amiga? Avisei para ti que aquele carro ainda pertencia a ele!)
- Não era o carro que ele queria de volta, Bebe... ele me quer...
- (Te amar? Óbvio que ele te ama, mesmo depois de você ter roubado o carro dele!)
- Ele me beijou...
- (Te beijou? Ótimo, então dá um espaço para ele no próximo encontro, você sabe o que eu estou falando.)
- Bebe! Não era disso o que você complementou!
- (Lisa, é melhor que você precisa se preparar nesses próximos encontros inesperados que ele pode fazer. Aceite o pagamento, Lisa, essa é a única maneira de pagar pelo roubo passional.)
- Mas Bebe...
- (Desculpe, Lisa, preciso ir, tchau!) – desliga.
- Agora eu estou perdida! – grita a moça, desesperada após a ligação de Bebe.
Lá fora, Corey começa a ligar para alguém.
- Alô, detetive Renan?
- (Diga, Corey, como foi o seu serviço?)
- Chefe, eu perdi a corrida, mas não perdi de realizar o meu desejo.
- (A corrida que você perdeu a gente já sabemos, mas que desejo você teve de realizar?)
- Eu fui conversar com Lisa Berger... e o papo foi mais além de uma conversa.
- (Que isso? Deixe esse papo com Lisa Berger para o Eddie porque ele deve tirar algumas informações sobre os segredos da organização dela e da amiga dela!)
- Tá ok, chefe, mas isso foi a minha vontade de ter um breve papo com ela, desculpe.
- (Nós iremos te chamar quando for o necessário para ajudar nesta operação, certo?)
- Certo, obrigado, chefe – desliga o celular.
A primeira fase do Maués Rumble Rally já está encerrada. Agora, a próxima fase será na outra semana visando-se a classificação para as semifinais do torneio em busca de ganhar o personalizado clássico Chevrolet Camaro SS 1967 laranja, além de uma premiação em dinheiro.
Os duelos da segunda fase são:
Eddie Peugeot x Elina Battaglia
Victor Hugo Battaglia x Steffane Flora Dortmund
Geovanni Dortmund x Donaldo Gomes e
Kenneth McCormick x Alfredo Piochi.
Quarto do Eddie, Residência Família Peugeot, Rua Agrepino Aleluia, Santa Luzia, 09 de outubro de 2016, 22:03
Eddie está conferindo a sua linha do tempo no seu perfil do Facebook em seu celular, quando de repente, surge uma notificação de mensagem via Whatsapp.
"Eddie Peugeot" – disse a primeira mensagem.
"Aqui quem fala é Elina Battaglia, você já conhece quem eu sou" – disse a segunda mensagem, em seguida.
"Quero te conversar pessoalmente na lanchonete na praça do Largo Marechal Deodoro amanhã à noite às 19:30"
"Claro que não é um encontro, mas é um convite para uma conversa de adversário para adversário sobre a corrida do próximo fim de semana, e é importante"
"Agradeço por ter lido esta breve mensagem. Espero que aceite este convite"
"Elina" – termina.
"Cara, o que ela quer de mim? Como ela conseguiu o meu número?" – pensa Eddie, muito intrigado por conta desta pessoa, de que irá confrontá-lo na segunda fase do Maués Rumble Rally, ter enviado as mensagens via WhatsApp no seu celular, justamente convidando-o para essa tal conversa que ela agendou – "Se ela quer uma breve conversa, então eu vou".
"Obrigado pela mensagem, eu aceito sim o seu convite e estarei aí na lanchonete de onde você marcou para essa conversa amanhã" – responde Eddie, digitando a sua resposta.
"Amanhã, o que será que ela vai falar para mim? A última vez que eu a vi foi lá naquela corrida classificatória para o torneio..." – pensa Eddie, ao deitar na sua cama.
(CONTINUA)
