Disclaimer: Não me pertencem. É tudo da Naoko Takeuchi, Toei e Bandai.

Notas iniciais: Esta ficlet faz parte do desafio Mês VK. O tema é "abandono" e é o tema do dia 10.


Abandono

Minako estava tendo um sono agitado mais uma vez. Saitou abriu os olhos a tempo de vê-la se contorcendo na cama e dando as costas para ele soltando um gemido. Ele suspirou alto e se apoiou sobre os cotovelos e se aproximou dela. Com um cuidado desnecessário ele a puxou para ele.

"Querida..." – ela a chamou baixinho, tentando acordá-la.

Ela murmurou algo incompreensível, mas que para ele era cheio de significado. Ela estava tendo um pesadelo sobre alguma das antigas batalhas. Aquelas todas batalhas que ele não participou, algumas por estar morto, outras por não ter condições. Ele tinha voltado a vida. Tinha recuperado todas as suas memórias e com isto toda uma onda de culpa e remorso. Mas nada disto era tão terrível quanto o fato de que ele ser incapaz de proteger Endymion, ser incapaz de acompanhar Venus em qualquer coisa que fosse. Este era o ponto alto da punição imposta a ele: estar ali, presente, e não ter poder nenhum para ajudar.

Ele sentiu uma movimentação brusca e descobriu que Minako estava tentando desvencilhar das mãos dele. Ela ainda estava adormecida, então aquilo era apenas um reflexo do que ela estava sonhando. Ela estava particularmente mais agressiva do que o normal. Por alguns segundos ele ponderou sobre o que exatamente ela estava sonhando. No fim, aquele exercício era inútil. Ele colou os lábios na testa nela e começou a sussurrar:

"Shhh... É só um sonho ruim, Minako..." – ele diminuiu a pressão sobre os ombros dela, observando o rosto ainda adormecido dela.

Quando ele pensou que isto estava funcionando, Minako gritou como se estivesse sendo ferida e aquilo fez o estomago revirar. Não havia nada que ele pudesse fazer por ela naqueles momentos, nenhum tipo de conforto era possível e acordá-la só faria tudo ser pior. E não poder fazer nada por ela em momentos como àquele era o que mais o abatia. Ele achava que aquilo era uma forma de abandono. Era nessas horas que ele conseguia ter noção da amplitude da incompetência a qual ele estava se afogando. Ele estava deixando-a sozinha em todos aqueles pesadelos sem poder fazer nada. A cada vez que ele fazia isto e a deixava sem apoio, ele estava abandonando-a.

Por mais que ele estivesse ali, embalando-a em seus braços e dizendo palavras de conforto, ela estava por conta própria. Por mais que ele se esforçasse ao máximo, um dia ela ia perceber aquilo e aconteceria o que ele mais temia desde o dia que tinha visto qual era a real situação deles, ela ia abandoná-lo também. Abandonar de todas as formas. E, no caso dele, isto seria muito pior. Ela não precisava dele em sua vida, já ele dependia dela quase como a força vital que o mantinha vivo.

De repente Minako se acalmou e a única coisa audível no quarto era a respiração ainda acelerada dela. Saitou acariciou os cabelos dela, observando o rosto dela ficando mais suave. Ele deslizou os dedos para baixo e segurou o rosto dela com a palma da mão. Não pôde evitar o sorriso que surgiu nos seus lábios quando viu ela se inclinando em direção a mão dele, aumentando o contato entre eles. Era inevitável que em algum momento Minako tivesse noção do quanto era autossuficiente e o deixasse. Ele não poderia fazer nada sobre isto... Só restava aproveitar enquanto durasse.