Capítulo 10

Sobre meninas e lobos

- Ana, você está aí?- Jack perguntou adentrando as cavernas e ouvindo o barulho da água caindo nos chuveiros construídos por Michael.

- Estou!- ele a ouviu responder de dentro de uma das cavidades da caverna que servia como ducha individual.

Jack seguiu o som da voz dela e a encontrou despindo as calças para entrar no chuveiro. Inevitavelmente ele olhou-a com desejo. Ana notou o olhar dele, e perguntou, com uma das sobrancelhas erguidas:

- Algum problema, Jack?

- Eu estive procurando por você.- respondeu ele.

- Eu disse a você que ia tomar um banho.- disse Ana retirando a camiseta. Jack mantinha seus olhos grudados na forma curvilínea do corpo dela.

Então, ela parou e o encarou, fingindo não notar o olhar de desejo para o corpo dela.

- O quê? Não vai me dizer que veio até aqui me perguntar se eu estou bem outra vez? Porque eu juro Jack que se você...

Ele não deixou que ela terminasse de falar e a agarrou de repente, beijando-a. Ana o beijou de volta e envolveu seus braços ao redor do pescoço dele, dizendo:

- Assim está bem melhor. Prefiro quando você me beija ao invés de ficar me perguntando se eu estou bem o tempo todo.

Ele retirou a camisa e a jogou no chão, puxando Ana-Lucia para debaixo da água com ele. As mãos dele percorreram o corpo dela e Ana suspirou, porém quando ela percebeu que Jack se demorava demais tocando e observando a pele dela de forma minuciosa, Ana-Lucia o empurrou de lado e perguntou:

- O que você está fazendo, Jack?

- Eu precisava saber se você não estava machucada. Se o Sawyer não...

- O Sawyer?- ela retrucou. – De que diabos está falando, Jack?

- Ana-Lucia, me conte o que o Sawyer fez. O que aconteceu na floresta? Por favor...

Ela jogou água nele e gritou, enfurecida.

- Jack, não aconteceu nada na floresta. Tira isso da sua cabeça. O Sawyer pode ser um idiota, mas ele jamais me machucaria.- ela garantiu. – Ao contrário de mim que o machuquei muitas vezes do outro lado da ilha.

- Tem certeza disso?- Jack insistiu.

- Ah, Jack!- ela exclamou chateada e ele segurou a mão dela.

- Está bem, está bem! Não pergunto mais, juro, baby.

- Promete?

- Prometo.- respondeu ele encostando seu peito nu nos seios dela.

Ana o beijou e o puxou para debaixo do jato de água do chuveiro. Eles tomaram banho juntos e acabaram por fazer amor quase a tarde inteira nas cavernas. Só voltaram para a praia ao pôr do sol e pareciam muito bem juntos. Sawyer não gostou nada disso. Não mesmo. A alegria do doutor estava perto de acabar, pensou.

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No dia seguinte, Kate foi à tenda de Sawyer toda solícita, dizendo que ele precisava fazer fisioterapia no ombro machucado e que ela iria ajudá-lo. Ela viu as marcas de unha no braço dele e indagou:

- Onde se machucou?

- Uma gata selvagem me arranhou.- ele respondeu honestamente, mas Kate pensou que ele estava brincando.

- Quando é que você vai falar sério, Sawyer?

Hurley apareceu de repente e começou a fazer perguntas a Sawyer sobre Libby, uma das mulheres que estavam na cauda do avião. Ele parecia muito interessado nela e Sawyer não perdeu a oportunidade de fazer piada sobre as perguntas dele. Kate o criticou depois que Hurley foi embora aborrecido:

- Não faz isso com ele! Está agindo como um colegial.

Sawyer riu. Kate continuou ajudando-o com a fisioterapia, flexionando o braço dele para cima e para baixo com cuidado quando de repente, ele avistou Jack e Ana saindo da floresta de mãos dadas. Conversavam animadamente. Aquilo o deixou irritado, ele achava que Jack tinha ficado zangado com Ana-Lucia por causa do episódio sobre o falso urso polar na floresta, mas pelo jeito as coisas andavam ótimas entre eles. No entanto, Sawyer não deixou isso transparecer quando disse a Kate:

- Olha só quem vem lá, parece que a Ana-Lucia ganhou mais um passeio com o doutor.

Kate olhou para Jack e Ana, que pareciam muito à vontade um com o outro. Isso a intrigava desde que Ana viera viver no acampamento deles. Ela se lembrava do bilhete que Jack tinha escrito e colocado na garrafa que fora levada na jangada. O bilhete tinha sido escrito para uma mulher chamada Ana, não deveria ser uma coincidência. Ana, Ana-Lucia. Além do bilhete havia o fato de que já há algum tempo que Kate tinha notado que Ana usava no pescoço o colar que ela encontrara na praia e que Jack afirmara ter pertencido a uma pessoa de quem ele gostava muito. Kate já não tinha mais quase dúvidas de que eles se conheciam desde antes do acidente de avião.

- É a terceira vez que eu os vejo voltando da selva.- Sawyer continuou, com maldade nas palavras. – O que será que os dois andam fazendo por lá?

Kate fingiu não se importar com os comentários de Sawyer, mas por dentro era como se houvessem mosquitos tentando devorar-lhe as entranhas. Ela precisava descobrir mais sobre o que rolava entre Jack e Ana-Lucia. Era cada vez mais óbvio que o que havia entre eles era bem mais do que amizade.

- Continue com os exercícios, Sawyer!- Kate advertiu num tom claro de que não estava interessada em ficar discutindo o que Jack deixava ou não deixava de fazer ou com quem ele fazia. Sawyer a estava provocando como sempre e dessa vez, Kate não entraria na dele.

- Bom dia.- Jack os cumprimentou quando passou por eles com Ana.

- Bom dia, doutor.- disse Sawyer com voz de deboche antes de acrescentar: - Bom dia, Lulu? Como tem passado?

Ana deu um meio sorriso e respondeu com falsa educação:

- Nunca estive melhor.

- Bom saber disso.- disse ele e Jack franziu o cenho diante da troca de respostas polidas entre os dois.

- Oi, Jack.- disse Kate com um sorriso meigo para ele, tentando ganhar um pouco de atenção. Mas Jack apenas meneou a cabeça num gesto educado e se afastou com Ana.

Sawyer balançou a cabeça negativamente quando eles se foram e disse:

- Sinceramente, sardenta, não sei por que você se tortura tanto. Devia dar um gelo nele como ele está fazendo com você. Aí você ia ver como ele viria atrás de você rapidinho.

Kate soltou o braço dele e falou sem emoção:

- Chega de fisioterapia por hoje, Sawyer.

- Ah, não fica zangada!- disse ele abraçando-a pela cintura. – Se o doutor não está a fim, eu estou aqui, cheio de amor pra dar...

Ela o empurrou e pressionou com um pouco de força o ombro machucado dele antes de se afastar e deixá-lo sozinho.

- Au! Essa doeu!- exclamou Sawyer.

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- Por que ainda tenho essa impressão de que tem algo acontecendo entre você e o Sawyer? É tão estranho ver vocês dois se cumprimentando assim...

- Jack, você disse que não ia mais tocar nesse assunto, droga!- Ana explodiu, mas manteve o tom de voz baixo para não chamar a atenção das pessoas na praia.

- Eu disse, mas fico intrigado...o Sawyer...

- Eu não gosto de ser pressionada desse jeito.- Ana sussurrou. – Se vamos continuar juntos, é bom que isso fique bem claro. Eu estou com você, Jack, e isso é tudo o que importa. O Sawyer gosta de te provocar, e você não deveria deixar-se afetar por isso, é só o que ele quer!

Jack voltou sua atenção momentaneamente para a tenda de Sawyer. Kate já tinha ido e ele estava sentado lá em frente, observando-os com uma expressão debochada no rosto. Talvez Ana-Lucia tivesse razão. Sawyer queria provocá-lo, e o pior é que estava conseguindo. Ele era um homem tão racional, por que estava se deixando levar pelo ciúme dessa maneira? Ciúme. A palavra reverberou na mente dele. Sim, ele andava louco de ciúmes, mas Ana não gostaria nada de saber que não era apenas dela que vinha sentindo ciúmes.

- Acho que você tem razão.- ele acabou dizendo. – Tem coisa demais na minha cabeça...

- Então talvez você esteja precisando relaxar um pouco, doutor.- Ana disse fazendo um carinho no rosto dele, pela primeira vez sem se importar realmente que tivesse alguém olhando.

Ele sorriu e deu um beijinho rápido nos lábios dela. Algumas pessoas pareceram chocadas ao ver aquela demonstração de afeto. Rose arregalou os olhos e comentou com Bernard que estava ao seu lado com um rádio velho nas mãos, tentando consertá-lo:

- Caramba! E eu sempre pensei que ele gostasse da Kate.

- O quê?- retrucou Bernard sem olhar para ela.

- Estou me referindo ao que acabei de ver.

- E o que você acabou de ver?

Rose fez um muxoxo porque o marido não estava lhe dando atenção como se deve e pôs uma das mãos no queixo dele, erguendo-lhe o rosto para que ele visse o que ela estava vendo:

- Agora você vê?

- Não.- respondeu ele. – Não estou vendo nada.

- Bernard!- ela exclamou, exasperada. – Estou falando de Jack e Ana-Lucia juntos.

- Mas eu já os vi juntos muitas vezes. O que há de errado nisso?

- Mas estou falando que eles estão juntos como um casal. Acabei de vê-los se beijarem agora a pouco, e comentei que achava que o Jack estava envolvido com a Kate.

Bernard balançou a cabeça negativamente.

- E por que você está tão preocupada com isso? Os jovens são assim. Além do mais, o que mais se pode fazer nessa ilha além de dormir, comer e namorar?

- Não estou dizendo que tem alguma coisa de mais, homem! Só estou dizendo que fiquei surpresa, só isso!

- Mas eu disse que... – Bernard rebateu e uma longa discussão começou entre eles, mas isso já era de praxe.

Enquanto Bernard e Rose discutiam acerca da importância da vida amorosa de Jack na ilha, Sun e Jin também comentavam o fato, assim como outras pessoas.

- Eu nunca pensei que existisse algo entre eles.- disse Sun com certo ar de reprovação.

- Pois eu sabia disso o tempo todo. Eles andavam muito juntos.- Jin comentou em coreano. – Ouvi dizer que eles já se conheciam antes do acidente de avião.

- Sério?- disse Sun. – Onde ouviu isso? Será que Kate já sabe?

Alheios aos comentários, Jack e Ana continuaram conversando tranquilamente por mais alguns momentos, até que ele disse:

- Preciso ir até a escotilha. Você vem comigo?

- Não. Quero ficar na praia.

- Mas em algumas horas vai escurecer e eu não quero você andando sozinha pela selva à noite, baby.

- Então nos veremos de manhã.- disse ela. – Vou dormir na minha tenda esta noite.

- Mas a sua tenda está por um fio. Aquela lona pode ceder a qualquer momento. Eu preciso arranjar uma lona nova pra você ou poderíamos montar uma tenda maior e ficarmos juntos nela.

- Baby, você passa a maior parte do tempo na escotilha. Fazer uma tenda maior seria desperdício de tempo.

- Temos bastante tempo por aqui pelo que eu sei.- falou ele com um sorriso.

- Eu tenho bastante tempo.- disse Ana. – O doutor Jack Shephard que é um homem ocupado demais pelo que eu sei.

Jack suspirou.

- Garota, você só não é mais teimosa do que a Kate.

- Por que diz isso?- indagou Ana de cenho franzido.

- Ah, você viu o que aconteceu ontem. Ela quase foi morta pelos Outros por ter nos seguido.

- Pois eu acho, Jack, que a pessoa mais teimosa deste acampamento é você.

Ele riu.

- Acha mesmo?

- Acho.- Ana riu também e eles trocaram mais um beijo, mas desta vez o beijo foi mais intenso e despertou ainda mais a atenção dos presentes.

Sun correu até a tenda de Kate para contar a novidade. Ela estava lá dentro, deitada, aborrecida por Jack tê-la tratado mal outra vez. Quando será que ele iria entender que não podia tomar decisões pelas pessoas? Tudo bem que ela tinha feito uma grande besteira tendo seguido-os daquele jeito, mas já tinha pedido desculpas. O que custava ele ser um pouco mais compreensivo com ela?

- Kate!- Sun chamou à porta da tenda. – Você está aí?

- Estou sim, Sun, o que houve?- perguntou Kate levantando-se e saindo da tenda.

- Veja por si mesma.- avisou Sun saindo da frente dela para que visse Jack e Ana se beijando.

Kate soltou um suspiro de choque. Embora tivesse pensado sobre isso, ver com seus próprios olhos era demais para seu coração agüentar.

- Eu não acredito nisso... – a voz quase não saiu quando pronunciou as palavras. – Como pode ser...o Jack?

- Eu também não acreditei quando vi.- disse Sun. – Eu sempre achei o Jack tão concentrado em outras coisas. Pra mim, a única mulher que parecia realmente chamar a atenção dele era você, Kate. O Jack sempre gostou tanto de você.

- Bem, agora parece que ele arranjou um outro interesse nesta comunidade além de cuidar dos doentes.- Kate comentou, amarga.

- Mas ela?- contestou Sun. – O Jin me contou tudo sobre ela quando voltou para o acampamento. E confesso que senti pena dela no início. Ela atirou na Shannon, mas foi um acidente. Mesmo assim...

Kate a interrompeu.

- Se você não sente mais pena dela, o que pensa agora?

- É impossível não pensar nela como alguém que está se aproveitando da situação.- disse Sun. – Jack é o líder. Nós o elegemos desde o início. Sabe o que eu quero dizer? Se ela está com o líder...

Sun não completou a frase, mas Kate entendeu claramente o que ela estava querendo dizer.

"Ela está tentando tomar o seu lugar."- uma voz veio na mente de Kate.

- Eu não me importo, Sun!- exclamou Kate dando um último olhar ao casal que ainda se beijava na frente de todos. – Uma hora o Jack vai acordar e perceber o tipo de mulher que ela é.

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- Você tem certeza de que não quer mesmo vir ficar comigo na escotilha?- Jack perguntou a Ana.

Ana meneou a cabeça.

- Vou ficar aqui na praia, mas eu prometo que amanhã vou ficar na escotilha com você.

- Será que consigo passar uma noite inteira sem você?

Ela sorriu e disse:

- Você vai sobreviver.

Jack olhou em volta:

- Parece que todo mundo está olhando pra nós.

Ela se encostou ao corpo dele de forma insinuante e falou:

- Por que não damos um motivo maior para que continuem olhando?

- O que você tem em mente?- Jack perguntou já passando um dos braços ao redor da cintura dela.

Ana respondeu colocando seus braços ao redor do pescoço dele e beijando-o sensualmente.

- Nossa!- Claire exclamou sorrindo ao vê-los.

- Eita!- foi o comentário de Charlie.

- Dude!- disse Hurley parando para olhar a cena um pouco mais adiante deles. Libby que estava saindo de sua nova tenda naquele momento, arregalou os olhos, espantada com o que estava vendo.

Quando eles finalmente se afastaram depois do intenso beijo para retomar o fôlego, Jack pegou sua mochila e a deixou, se embrenhando na mata para ir à escotilha. As pessoas ainda ficaram algum tempo olhando Ana-Lucia e cochichando sobre o que tinham visto, mas ela não se importou.

Libby esperou que as pessoas se dispersassem completamente e voltassem às suas atividades para ir falar com Ana.

- Safada!- ela exclamou à porta da tenda de Ana-Lucia.

- Por quê?- retrucou Ana com um meio sorriso. Era óbvio que ela sabia do que Libby estava falando.

- Ah, fala sério! Eu sabia que havia alguma coisa entre você e o Jack. Eu notei vocês dois no avião e quando te perguntei do outro lado da ilha sobre ele você ficou estranha, disse que ele não era seu namorado. Isso sem mencionar o fato de que desde que chegamos aqui você e ele estão sempre juntos.

- Nós nos conhecemos no aeroporto antes do avião cair, como o voo atrasou nós passamos a noite juntos.- Ana revelou. Então acho que foi só questão de tempo.

- Eu fico feliz por você.- disse Libby. – Depois de tudo que nós passamos, você merecia ser feliz.

- Acha mesmo que eu mereço ser feliz, Libby?- Ana perguntou num certo tom de amargor.

- Todos nós merecemos, e pelo que pude notar, o Jack tem sido muito bom pra você. Seus olhos parecem mais brilhantes.

Ana riu.

- Ah, para com isso! É só que...

- Só que?- indagou Libby, instigando-a terminar sua sentença.

- É só que...eu estava no escuro e o Jack me salvou da escuridão.

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Sim, a despeito de qualquer coisa, Jack a tinha salvado da escuridão desde que tinham se reencontrado, adorava estar com o médico, tudo estava indo muito bem, então por que não parava de pensar no cowboy?

Quando não estava com Jack na praia, sem que percebesse, seus olhos acabavam buscando a ele: Sawyer. Ele era um caipira estúpido e um parasita que não ajudava ninguém, apenas usufruía de tudo e de todos, ela ouvira dizer.

Além disso, ele era irritante quando se dispunha a provocá-la e ultrapassar os limites de um convívio social saudável. Sawyer era nojento, pervertido, debochado. O que ele vinha fazendo com ela ultrapassava qualquer limite de respeito, então por que pensar nele?

Mas aquela maldita atração a perseguia de maneira inexplicável. Ana percebeu que sentia um estranho prazer em provocá-lo e ser provocada por ele. Era um jogo de gato e rato que não parecia ter fim. Ela se sentia quente só em lembrar-se dos beijos dele, do jeito que ele tinha olhado para o seu corpo quando estavam nus na cachoeira e de como dizia que ela seria dele.

Permitiu-se devanear fantasiando que Sawyer teria notado que Jack não estava com ela naquela noite e que ele se esgueirava por sua tenda enquanto ela dormia. Atrevido, ele levantava o cobertor que cobria seu corpo e começava a despi-la. Então, ela acordava e assustada, dizia para que ele parasse ou ela o mataria, mas Sawyer não parava, ele começava a tocá-la bem devagar, fazendo com que ela estremecesse de desejo.

Ana parou de fantasiar de repente, e aborrecida consigo mesma virou de bruços na cama feita de palha e recostou sua cabeça no travesseiro do avião tentando dormir, mas ela nem bem cochilou e ouviu um grito desesperado vindo do lado de fora:

- Socorro! Alguém levou meu filho! Meu filho sumiu!

Ela levantou de imediato da cama. Era a voz de Claire. Seu filho tinha sumido. Ana procurou pelas calças e as vestiu depressa. Iria ajudar Claire. Se algum desgraçado dos Outros tinha quebrado a trégua que eles mesmos propuseram e fizeram algo com o bebê, ela os faria pagar, nem que fosse a última coisa que faria na vida. Não ia deixar os Outros levarem mais nenhuma criança do acampamento deles.

Quando saiu de sua tenda, Ana-Lucia viu uma pequena aglomeração de pessoas à beira da praia, entre elas Claire observando Charlie que estava com os pés dentro da água, as ondas fortes batendo contra suas pernas e o bebê Aaron chorando em seus braços.

- Mas que diabos... – Ana murmurou.

- Não sei o que aconteceu...desculpe.- dizia Charlie. Claire tinha os olhos assustados e cheios de lágrimas. – Ele está bem. Eu tive um sonho... – ele tentou se explicar a respeito do que estava fazendo perto da água com o bebê no meio da noite, mas Claire não quis ouvi-lo, apenas pegou o filho de volta e estapeou-lhe o rosto. Então ela caminhou de volta para sua tenda e Kate a seguiu de perto. Ana as seguiu também já que a tenda dela ficava ao lado da tenda de Claire e ouviu quando Kate perguntou a ela:

- Você está bem?

- Não, eu não estou.- respondeu Claire, preocupada, tentando acalmar o bebê que ainda chorava. – E se ele voltar? E se fizer mal pro meu filho? Ele está louco por causa das drogas. Eu não poderia suportar se algo acontecesse ao meu filho.

- Não vai acontecer nada, Claire. Eu posso ficar aqui com você e... – Kate começou a dizer, mas Claire viu Ana observando-as e a chamou:

- Ana! Você viu o que aconteceu?

Ana se aproximou timidamente por causa da presença de Kate. Definitivamente, Kate não era sua pessoa preferida no acampamento, especialmente porque ela notava claramente o quanto e como Kate costumava olhar para Jack. Tinha percebido mesmo naquela tarde quando eles se beijaram em público pela primeira vez.

- Eu vi sim.- respondeu Ana. – O que aconteceu?

- O Charlie enlouqueceu de vez.- Claire contou. – Ele levou o meu filho pra água no meio da noite. Estou tão preocupada. Por isso eu queria pedir pra você que ficasse aqui comigo esta noite, por causa do bebê...

- Claro.- concordou Ana.

- Mas eu estava justamente indo te dizer isso, Claire.- lembrou Kate. – Que eu posso ficar aqui com você esta noite e...

- Kate, obrigada pela ajuda, mas eu não quero te incomodar. A tenda da Ana fica ao lado da minha e além disso, ela já foi policial. Eu me sentiria mais segura...

- Eu não creio que ela seja a pessoa mais indicada para proteger alguém, Claire.- disse Kate olhando com rancor para a amiga.

- Eu acho que a Kate tem razão, Claire.- falou Ana antes de acrescentar com evidente sarcasmo. – A Kate é uma pessoa muito mais sensata do que eu.

Kate olhou para Ana com desprezo, notando que a morena usava uma das camisas de Jack por cima do jeans, mas nada disse, apenas voltou-se para Claire e falou:

- Estarei na minha tenda se precisar de mim. Boa noite, Claire.

- Boa noite.- Claire respondeu. Aaron já estava mais calmo nos braços dela.

Depois que Kate se afastou, Claire disse a Ana:

- Não ligue pra ela. Ela só está se sentindo ameaçada por você. Antes de você chegar, ela e o Jack estavam sempre juntos.

- Ah, é mesmo?- Ana retrucou, muito interessada.

- Mas não como um casal.- Claire acrescentou. – Eu cheguei a achar que eles fossem se tornar um casal, mas não aconteceu. Apesar disso, eu queria te dizer que fiquei feliz em ver você e o Jack juntos. Eu não esperava, mas foi uma boa surpresa.

- Por que?- Ana perguntou.

- Porque você é uma boa pessoa, Ana, assim como o Jack.- disse Claire.

Ana nem soube o que dizer, apenas sorriu.

- Eu vou buscar um cobertor na minha tenda para ficar aqui com você.

- Obrigada mesmo.- falou Claire colocando Aaron de volta no berço. – Eu não sei o que está acontecendo com o Charlie, nem o reconheço mais...

- Por nada. Está tudo bem - disse Ana se afastando para pegar seu cobertor.

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Sawyer acordou cedo na manhã seguinte. Não conseguira dormir depois da confusão com Charlie na noite passada por causa de Claire e o bebê. As pessoas fizeram muito barulho e ele tinha o sono leve. Logicamente ele não se deu ao trabalho de ir ver o que estava acontecendo, mesmo sem conseguir dormir, ficou em sua barraca a noite toda, só soube o que tinha acontecido pelos comentários no café da manhã. Aliás, foi um dos comentários de Hurley que prendeu sua atenção enquanto degustava uma torrada Dharma.

- E aí a Claire pediu pra Ana-Lucia passar a noite com ela caso o Charlie tivesse um outro surto e tentasse levar o bebê novamente.- Hurley dizia. – Mas eu penso que se a Ana-Lucia não estivesse namorando com o Jack, a Claire não confiaria nela, porque ela atirou na Shannon, e mesmo que tenha sido um acidente...

- Então ela e o doutor juntaram as escovas de dente mesmo?- indagou Sawyer ignorando todo o resto sobre a discussão de Charlie e Claire.

- Você não viu os dois se beijando ontem, dude? Pareciam bem envolvidos pra mim.- disse Hurley. – Isso sem mencionar o fato de que eles gostam muito de fazer longos passeios pela floresta todos os dias, e o Jack nem tem olhado mais pra Kate, pelo menos foi o que eu notei.

Sawyer olhou na direção da tenda de Ana-Lucia. Ela não tinha se levantado ainda .Será que ela estaria mesmo apaixonada por Jack? Mas se estivesse apaixonada, por que ela reagiria aos carinhos dele? Ele a tivera em seus braços ainda que por poucos momentos e ele pôde sentir a entrega dela. Ela o desejava mesmo que lutasse contra isso com todas as suas forças. Quanto a ele, a desejava cada dia mais apenas por dizer não para ele. Nenhuma mulher nunca tinha lhe dito não. Não da maneira como Ana fizera, e isso o impulsionava mais a ir atrás dela.

- Quer jogar cartas?- Hurley perguntou de repente trazendo-o de volta de seus pensamentos.

- Vamos lá!- respondeu Saywer. – Não tenho nada melhor para fazer mesmo.

Eles foram se sentar diante da tenda de Sawyer e Hurley trouxe as cartas. Sawyer ainda ficou olhando para a tenda de Ana para ver se ela estava por lá, mas parecia muito quieto lá dentro. Ela não estava com Claire porque a tinha visto passeando com o bebê pela praia ainda a pouco. Devia ter retornado à tenda dela para dormir ou poderia estar com o doutor na floresta. Definitivamente ele não gostava da última opção.

- E aí, dude? Não vai jogar não?- Hurley interrompeu seus pensamentos outra vez naquela manhã. Eu acho que estou ferrado. Não preciso de um 21.- ele observou as próprias cartas. – Eu vou sair fora!

- Não, tô achando que você vai ganhar. Eu só tenho um 6. Vou dançar!

- Como é que você sabe?- retrucou Hurley.

- Eu sei lá! Dá pra sentir que eu vou dançar.

- Por que?- Hurley insistiu.

Mas Sawyer não respondeu porque nesse momento, Ana-Lucia saiu da tenda dela com uma trouxa de roupa suja nas mãos. Ela não estava usando seus jeans usuais. Ao invés disso vestia uma camiseta azul escura e uma sainha branca esvoaçante que o vento balançava e fazia com que boa parte das coxas dela ficasse à mostra. Sawyer adorou aquela visão.

- Libby!- ela chamou caminhando na direção da tenda dele.

A mulher loira apareceu ao lado da tenda de Sawyer também segurando uma trouxa de roupas. Sawyer notou que Hurley ficou um pouco nervoso quando a viu e recordando-se das perguntas dele sobre ela no dia anterior, resolveu brincar com a situação.

- Olha só quem está indo para a lavanderia.- disse ele para Hurley.

Libby parou e esperou por Ana, mas acabou derrubando suas roupas no chão.

- Se mexe, vai lá!- Sawyer deu corda em Hurley. – Eu tô sabendo que você está cheio de amor pra dar não é não, garanhão?- acrescentou, cheio de malícia.

- Eu tô esperado pelo momento certo.- justificou-se Hurley enquanto Ana ajudava Libby a recolher suas coisas. Quando ela se abaixou, o vento quase ergueu sua saia por completo e ela prendeu o tecido entre as pernas. Sawyer de repente estava desejando que o vento ficasse mais forte.

- Oh, momento, jabba, é agora- disse Sawyer se levantando porque ele também desejava trocar uma ou duas palavras com Ana-Lucia.

- Ô, Libby!- ele a chamou e se escondeu momentaneamente atrás da lona de sua tenda.

- Oi!- disse Libby vendo apenas Hurley parado no lugar. Ele acenou para ela de volta, completamente sem graça. Então Sawyer voltou carregando uma caixa de sabão Dharma e juntou-se ao pequeno grupo que se formara com Hurley.

- Estão indo lavar roupa, moças? Creio que vão precisar disto aqui.

- Obrigada.- disse Libby, pegando a caixa de sabão das mãos dele. "Sabão em pó Iniciação ao Dharma", mas o que é isso? Nunca vi essa marca antes.

- Não o agradeça, Libby.- Ana avisou olhando de modo ameaçador para Sawyer. – Ele não faz gentilezas. Mais tarde estará te cobrando o favor de volta.

- Lucy!- Sawyer exclamou, debochado. – Não devia falar assim com a Libby. Mas o que ela vai pensar de mim? É óbvio que nada nessa vida é de graça, mas como é a primeira vez que a Srta. Libby precisa de alguma coisa, hoje estou fazendo uma promoção. Ela fica com o sabão em pó e você pode me pagar mais tarde.- acrescentou ele com uma risadinha cínica.

Ele mal teve tempo de terminar o comentário malicioso e sentiu o punho de Ana contra sua cara, rápido e certeiro, quase derrubando-o na areia.

- Ana!- Libby exclamou.

- O que foi?- ela retrucou. – Ele me irritou. Você viu!

Sawyer colocou a mão no rosto, esfregando-o para conter um pouco da dor que tinha se espalhado pelo rosto inteiro, mas ainda assim ele riu e manteve a pose quando disse:

- Tudo bem, rambina. Valeu a pena levar mais um soco só pra ver as suas pernas deliciosas nessa sainha.- gritou.

Ana quase voltou lá para dar outro soco nele, mas Hurley disse:

- Ah, ignora ele, dude. Ele só está te provocando. Faz isso comigo o tempo inteiro. Se você for se importar com cada bobagem que ele diz vai ficar louca.

- Acho que ele tem razão, Ana.- disse Libby, sorrindo para Hurley que ficou com as faces avermelhadas como um enorme tomate quando a viu sorrir para ele. Ana acabou sorrindo também porque no dia anterior ela mesma tinha dito a Jack que não ligasse para as provocações de Sawyer e agora ela mesma não estava cumprindo as próprias palavras.

- Venham comigo.- disse Hurley. – Vou mostrar a vocês onde podem dar um jeito nessa roupa rapidinho.

Os três caminharam um pouco dentro da floresta e Libby não parava de perguntar a Hurley aonde estavam indo. Mas Ana-Lucia já conhecia aquele caminho muito bem.

- Meu Deus! Que lugar é esse?- Libby perguntou quando eles chegaram à escotilha.

- Bem-vinda ao Centro de Diversão dos sobreviventes do voo 815 da Oceanic.- Hurley falou bem-humorado. – Aqui você vai encontrar tudo o que precisa incluindo uma máquina de lavar.

- Tem máquina de lavar aqui?- Ana perguntou enquanto Hurley abria o despressurizador. – Eu ainda não tinha prestado atenção a isso.

Eles adentraram a escotilha e assim como Ana na primeira vez em que esteve lá, Libby ficou olhando tudo ao seu redor, prestando atenção a cada detalhe do lugar.

- Nossa!- exclamou. – Que lugar!

- A máquina de lavar fica ali.- Hurley explicou apontando na direção da cozinha. – Ah, hey, Jack!- ele saudou o médico que cochilava na cadeira de frente para o computador. Usualmente era Locke quem costumava dormir ali.

- Para que serve aquele computador?- Libby perguntou enquanto seguia Hurley para a lavanderia.

- Não ouviu falar do botão apocalíptico?- disse ele.

- Não, eu...

As vozes deles foram ficando mais distantes enquanto Ana sorria para Jack, se aproximando dele. Ele esfregou os olhos sonolentos e sorriu para ela de volta.

- Bom dia, Ana.

- Bom dia, bonitão.- respondeu ela sentando-se no colo dele e o beijando.

Jack a beijou de volta, enlaçando-lhe a cintura.

- Estava com saudades?- ele perguntou.

- Na verdade eu vim lavar roupa.- ela apontou para a trouxa que tinha trazido.

Ele olhou para o visor que ainda contava 50 minutos.

- Posso te ajudar se quiser. Você chegou bem na hora da minha folga.

- Vai ser ótimo ter a sua ajuda, mas acho que devíamos ficar um pouco aqui.

- Por que?- perguntou ele passando as mãos nas coxas dela. – Aliás, o que você está usando?

- Algo que encontrei entre as roupas que conseguiu pra mim. Acha que ficou bem? Não é o meu estilo...

- Você está linda.

Ela deu um selinho nos lábios dele.

- Ok, está ouvindo os risos vindos da lavanderia?- Ana perguntou chamando a atenção dele para as vozes animadas de Libby e Hurley.

- Estou ouvindo sim.- disse ele com expressão de dúvida como se não tivesse pegado o ponto ainda.

- Eu acho que está rolando alguma coisa legal entre eles, então não vamos atrapalhar.

- Sério?- indagou Jack, surpreso.

Ana assentiu e voltou a beijá-lo.

- Vamos ficar aqui por enquanto e dar um tempinho a eles. Assim nós também podemos aproveitar...

Jack riu relaxado e a abraçou trocando vários beijos estalados com ela. Locke que vinha entrando na sala do computador, sorriu e deu meia volta ao ouvir os dois.

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Mais tarde, quando Ana retornou à praia trazendo sua roupa limpa e enxuta, ela notou que o vento tinha arrancado parte da lona de sua barraca outra vez. Ela largou o cesto de roupas no chão e exclamou:

- Ah, son of a bitch!

De imediato ela agarrou uma das pontas da tenda e pôs-se a arrumá-la da melhor maneira que pôde. Jack a viu de longe e como seu salvador, trouxe a ela uma tenda nova.

- Hey, baby!- disse ele.

- Hey!- ela respondeu mal-humorada.

- Sua tenda está te desafiando outra vez?

- Como sempre.- disse Ana.

- Como prometi aqui está sua lona nova para quando chover.- ele mostrou para ela.

- Obrigada.- falou Ana, pegando a lona das mãos dele. – Essa outra já estava ficando muito esburacada mesmo.

- Eu ainda acho que deveríamos morar juntos.- disse ele, ajudando-a a colocar a nova lona por cima da antiga para deixar o teto mais forte.

- Sério?- retrucou ela, erguendo uma sobrancelha. – Desculpe Jack, mas eu sou uma mulher independente. Ainda prefiro continuar tendo meu próprio apartamento mesmo que seja uma droga.

Ele riu e foi até ela, abraçando-a por trás e beijando-lhe a face.

- Não precisa ser tão durona, dona policial. Eu posso cuidar de você.

- Quem te falou que eu preciso ser cuidada, Jack? Estou feliz na minha barraca horrorosa, além do mais eu já te disse que você fica a maior parte do tempo na escotilha e eu não suportaria ficar enterrada lá o tempo todo.

- Certo, minha garota teimosa!- falou ele, dando-se por vencido. – Estou vendo que ainda vou levar muito tempo pra te convencer que preciso de você o tempo todo comigo.

- Mas você pode continuar tentando.- disse Ana, virando-se e beijando-o na boca.

- Jack... – ela disse depois que eles se separaram e voltaram a ajeitar a lona da barraca dela. – Tem uma coisa que eu queria te perguntar.

- Então pergunte, baby. Eu não tenho nada para esconder, você é quem anda de segredinhos comigo.

Ana sabia que ele ainda estava se referindo ao episódio com Sawyer, mas ela preferiu fingir que não tinha entendido o que ele queria dizer ou eles acabariam brigando.

- Eu estou falando sobre a Kate.

- O que tem a Kate?

- Ora, Jack. Será que vou mesmo precisar ser mais clara com você?- Ana inferiu. – Ok, a sua reação na selva quando a viu foi mais do que raiva por ela ter desobedecido suas regras, mais do que temor pela vida de um dos seus estar sendo posta em perigo, e acredite em mim eu sei o que é sentir medo por alguém do seu grupo ser morto.

- Onde você está querendo chegar, Ana?- ele inquiriu fingindo não entender.

Ela continuou:

- Jack, o que eu vi você sentir foi desespero. Um total sentimento de impotência diante da possibilidade de alguém que você preza demais ser tirado de você. E eu também notei que você e ela ainda não estão se falando direito.

- Isso é impressão sua. Eu fiquei zangado com ela por ter sido tão teimosa, mas é claro que estamos nos falamos.

- Eu não sou estúpida, Jack. Já percebi o quanto vocês são próximos.- insistiu Ana-Lucia. - Mas eu gostaria que você me dissesse até que ponto vocês são próximos.- ela fez uma pausa e então perguntou sem rodeios: - Você já transou com ela?

- O quê?

- Sabe como é, desastre aéreo, vocês dois sobrevivem. Ela é sexy. Você também. É o que as pessoas fazem. Foi o que nós fizemos!

- Não transei com ela!- respondeu ele, balançando a cabeça em negativo, parecendo um pouco embaraçado com a pergunta objetiva de Ana. – E não foi assim que aconteceu entre nós, você sabe muito bem que as coisas começaram antes. Eu não entendo por que você vive sempre cismada com a Kate.

- Calma!- disse ela erguendo as mãos para cima. Não precisa ficar tão na defensiva. Foi só uma pergunta.

Ela foi até ele e o beijou. Um beijo lento e macio antes de dizer:

- Jack, eu não me importo com o que aconteceu antes de nos reencontrarmos nesta ilha, o que importa pra mim é estarmos juntos agora.

Jack a beijou de volta e aconchegou-a junto de si. Ficaram algum tempo assim abraçados, até que ele sussurrou ao ouvido dela:

- Vai passar a noite na escotilha comigo hoje? Você prometeu que...

- Eu adoraria, Jack. Mas não vou poder outra vez, prometi a Claire que ficaria perto dela durante a noite por causa do que aconteceu com o Charlie ontem. Ela está preocupada.

- Entendo.- disse ele. - Eu acho muito bom que queira ajudar.

- Sabe como é... falou ela. – Muita gente aqui não fala comigo e a Claire tem sido muito legal.

- Claire é uma boa menina.- concordou ele.

- Olha só, você parece um ancião falando.- Ana provocou.

- Ancião é?- Jack retrucou agarrando-a e beijando-a com ferocidade.

Kate observava os dois a uma distância segura. Seus olhos faiscavam de raiva. Balançando a cabeça negativamente, ela deu as costas à cena que não queria mais presenciar, mas acabou topando com o corpo de Sawyer que estava logo atrás dela.

- Que foi, sardenta? Ficou com inveja?

- Sai da minha frente, Sawyer!- ela gritou, irritada.

- Não fica assim não.- disse ele fazendo voz doce só para deixá-la ainda mais irritada. – Eu posso te agarrar aqui agora mesmo e você não vai mais precisar ter inveja do Casal 20.

Kate bateu no peito dele com os punhos e o empurrou, afastando-o dela. Naquela noite ela foi pra cama cedo. Não quis mais conversa com ninguém.

Continua...