Capítulo 10: T. P. G – Tensão Pré-Guerra
As semanas se passaram rapidamente e mais o caos se instalava na Sociedade Bruxa. A Ordem da Fênix tinha os seus informantes do lado de fora da Mansão, e sinceramente a situação não era uma das melhores. Havia muitas baixas, era uma chacina em série. Não satisfeitos em tomarem conta do Ministério da Magia, Voldemort e seus comparsas invadiram também a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e derrubaram sem piedade metade do castelo. A Toca já não existia mais, fora tombada por gigantes. Para a lamentação da família de ruivos.
A Mansão dos Black estava praticamente lotada, estavam abrigando mais e mais desabrigados e os recrutando para a Ordem da Fênix. O que eram pouco mais de vinte integrantes, agora passava dos sessenta. Dentre eles encontravam-se alguns conhecidos, como a própria Cho Chang – presença um tanto desagradável para Hermione, uma vez que aquela japonesa era ex-namorada de Harry. -, Fleur e o seu marido Gui Weasley entre outros. A sede da Ordem já não havia mais espaço para mais ninguém, os mais recentes dormiam amontoados na cozinha e na sala. Os casais, sendo Gina e Draco, Rony e Luna, e Harry e Hermione se juntaram em um único quarto para acomodarem mais alguns. Havia um cômodo apenas para as mulheres e um para os homens.
No último andar da Mansão estava destinado para apenas um único objetivo: treinamento. Era um andar com apenas dois cômodos bastantes amplos. Por decisão do próprio Sirius Black, ali todos seriam treinados para a Guerra que se aproximava. Os membros oficiais da Ordem da Fênix acataram sem protestos essa decisão. Em um dos cômodos estava estendido um enorme tatame, uma espécie de tapete onde seriam treinadas as lutas corpo-a-corpo. No cômodo restante seria o local onde todos testariam os ensinamentos das DCAT.
Enquanto a Senhora Weasley tentava se concentrar em sua receita diante de um enorme panelão que estava na sua frente, mas ter concentração numa cozinha onde se ouvia aos plenos pulmões o choro de Susan Weasley Malfoy no colo do pai, uma discussão aos berros entre Luna e Rony e com um grupo de refugiados sentados na mesa gargalhando de alguma coisa seria algo bastante difícil. Ela exasperou num longo suspiro tentando manter a própria paciência.
Enquanto isso na sala, Lupin acompanhado de sua esposa discutia algo que parecia de bastante importância com Sirius, que prestava atenção em todas as palavras do seu amigo. Snape também estava envolvido na conversa, mas raramente opinava. O carrancudo de sempre. Em frente a eles, estavam Fleur, com uma barriga enorme de quase sete meses, e Cho que conversavam animadas em francês sobre o bebê da loira. Arthur Weasley estava ao lado delas e lia pacificamente com os seus óculos de armação oval um livro de trouxas. Gina e a Diretora de Hogwarts conversavam sobre os mais diversos assuntos no outro extremo da sala.
A residência que era conhecida por ser "A Mui Antiga e Nobre Casa dos Black" era constantemente iluminada com os lampejos do lado de fora. Há dias em que não se fazia um dia se Sol e as tempestades eram diretos, não tinha nenhum intervalo de tempo. A chuva não dava uma trégua. Mas estavam tão acostumados com o tempo sombrio que havia se instalado nas últimas semanas que nem mais ligavam ou se assustavam com os raios e trovões.
No patamar superior, em seu quarto e com o olhar perdido para uma das janelas ela se encontrava. Demorou, mas a depressão finalmente havia lhe tomado por inteiro. Ela nunca tinha parado para pensar direito na morte de seus pais. Sua cabeça voltou naquele dia em que fora acusada de assassina e viu os seus pais naquele estado, com aquela atrocidade. Uma lágrima solitária escorreu por uma de suas maçãs e ela cruzou os braços fungando rapidamente. Sentia falta deles. E como sentia. "Morreram com desgosto", ela pensou sentindo uma forte dor em seu peito. Não teve a chance de explicar-lhes toda a história e eles foram assassinados pensando que a única filha deles era uma assassina e seguidora das Trevas sem escrúpulos. Uma segunda lágrima desceu de seus olhos de mel.
Sentado no topo da escada, o que lhe parecia o único lugar que tinha um pouco de privacidade e silêncio. Talvez nem tanto silêncio assim, pois as vozes dos outros ecoavam naquelas paredes. Enfim, lá estava Harry escorado no corrimão com a mente ocupada em várias preocupações. Não estava com medo ou coisa do gênero, já tinha passado por ele uma vez e porque não passaria de novo? Voldemort nunca lhe causou um fiapo de pavor, o que lhe assustava era a incerteza do futuro. Seus amigos iriam para Guerra junto com ele, enfrentariam o poderoso exercito do Lorde das Trevas, enfrentariam lobisomens, gigantes, dementadores e Comensais da Morte. Isso era o que o deixava temeroso, a incerteza se os seus amigos voltariam. Cerrou as pálpebras cansadas e deu um longo suspiro.
O almoço estava sendo servido, um delicioso cheiro de sopa embriagavam todos os presentes naquela cozinha. Com a ajuda de Tonks e de sua filha, a matriarca da família Weasley foi servindo todos. Os mais famintos já atacavam com ferocidade os seus pratos, dentre eles estava Rony Weasley. Novidade... Continuando a minha narração. A pequena ruiva voltou para o seu lugar ao lado do marido e se pôs a almoçar.
- Cadê Hermione? – perguntou Harry ao perceber a ausência dela no recinto.
- Ela mandou avisar que está com um mal-estar e que não irá almoçar. – informou Luna de repente.
- Aquela menina vai desaparecer se não comer nada! – exclamou a Senhora Weasley indignada.
Todos riram. Molly continuava a mesma, sete anos se passaram e ela continuava com a mesma mania de entupir todos de comida.
Mesmo preocupado, Harry continuou a almoçar. Rapidamente um falatório tinha se instalado naquela mesa, e o que era hora sagrada dos Weasley deixou de ser, para a mais pura irritação da mamãe mor Weasley. Todos começaram a conversar ao mesmo tempo em que comiam. Susan, que até então estava com os olhinhos inchados de tanto chorar, agora ria com toda a alegria com aquela boca babada de sopa e desdentada e ainda batia palmas. Aquela criança fez com que humor da vovó mudasse radicalmente, afinal de contas quem é que agüenta ficar de mau humor quando se tem um bebê lindo e fofo que nem Susan gargalhando?
Havia uma fila formada. Todos prestavam atenção em cada palavra que Draco dizia. Ele e Rony ficariam encarregados de ensinarem a luta corpo-a-corpo. Do lado deles estava Gina, que ficaria responsável pelas mulheres. Dadas às instruções básicas, cada um pegou a sua dupla e deram-se início as lutas. Um começo bem desastroso, já que a maioria não tinha a mínima noção de defesa pessoal. Com muita paciência, os tutores foram ensinando.
Hermione apareceu na sala de fininho, sua cara ainda estava amassada por conta da soneca que havia tirado. Por sorte ninguém a viu. Ela estava bastante atrasada para o seu treinamento. Rapidamente trocou de roupa e se juntou ao final da turma das mulheres, para sua infelicidade ela tinha que ficar revezando dupla nada mais e nada menos do que Cho Chang.
-... Quando forem agarradas pelo pescoço por trás o correto é fazer isso. Prestem atenção. – explicou a ruiva usando Harry como cobaia.
Num movimento rápido, ela deu dois passos para o lado, encaixou lateralmente o seu quadril no dele e o ergueu com muita facilidade do chão, jogando-o em seguida por cima de suas costas, numa espécie de ippon e deixando o moreno de olhos verdes estatelado no tatame.
- Viram? E ele é mais pesado do que eu! – exclamou Gina. – O segredo está no encaixe do quadril, se não encaixarem direito nunca conseguirão levantar seus oponentes. – ela informou.
Ela deu a ordem e as suas discípulas começaram a treinar. Sorriu orgulhosa por confirmar uma única coisa: que as mulheres são mais disciplinadas que os homens. Fato. Não demorou muito e todas já estavam fazendo o movimento perfeito. Ela continuou a dar sua aula e deixou que o seu cobaia fosse fazer dupla com Hermione.
- Você está melhor? – ele perguntou antes de ser jogado ao chão de novo.
Ela assentiu e o ajudou a se levantar.
Após algumas horas de lutas árduas, todos foram dispensados para a aula de feitiços e de Defesa Contra as Artes das Trevas. Obviamente que todos estavam terrivelmente cansados, mas Lupin e os outros instrutores fizeram questão de que não dariam moleza.
Novamente uma fila se formou, agora não havia divisão de sexos. Os Aurors mais Harry seriam os instrutores desta fase do treinamento. Começaram relembrando feitiços básicos e aos poucos foram passando uns de magia mais elevada. Ao final todos já estavam bastante avançados, a maioria executando os seus Patronos impecavelmente e feitiços estuporantes fortes o suficiente para derrubar um ou dois lobisomens de uma vez, assim como gigantes. Fora um dia produtivo. Por fim, Lupin encerrou a aula, para o alívio de todos.
A fila dos banheiros era enorme. O estresse era total. Todos estavam bastante suados e famintos. Desgastados por conta do treinamento. Como havia poucas mulheres na casa, Hermione logo apareceu de banho tomado na sala e encontrou a maioria dos seus amigos já limpos e cheirosos, exceto por Rony.
- Cansada? – Harry perguntou puxando a namorada para o seu colo e lhe dando um beijo em sua nuca.
- Sim. – ela o respondeu tentando secar os seus cabelos. – A luta acabou comigo. Estou cheia de dores no corpo. – ela reclamou sentindo uma pontada no alto de sua coluna.
- Estamos na mesma situação que você. – respondeu Draco divertido.
Nesse exato momento, alegre e com uma maçã nas mãos Ronald Weasley aparece sem camisa e com a sua toalha pendurada em seu pescoço e vai até os seus amigos. O cheiro de seu perfume toma conta da sala, ocasionando reclamações de todos. Sempre encrenqueiro, o ruivo quis partir para cima de todos que implicaram com o seu perfume.
-... Antes cheiroso do que fedido! – exclamou irritado e sendo contido por seu cunhado.
- Controle-se! – ordenou Gina. – E pelo amor de Deus que perfume é esse?! Nunca te ensinaram que perfume se passa pouco e não se toma banho dele?!? – ela indagou tampando o nariz.
- Vai à merda Gina! – ele retorquiu e ganhou um tapa de Draco na cabeça.
- Minha filha está aqui do lado seu mané! Olha a boca! – falou o loiro.
Todos riram.
Nesse exato momento, sem nenhum aviso prévio Hermione joga a sua cabeça para o lado liberando a sua náusea. Por pouco ela não acerta o pé do ruivo que logo adotou uma feição de nojo. Preocupados todos se prostraram ao lado dela:
- Mi, o que você tem? – perguntou Gina segurando os cabelos úmidos dela.
- Esse perfume maldito do Rony me deixou profundamente enjoada. – ela respondeu limpando a sua boca.
A seção de tapas foi geral. Um por um todos deram um jeito de acertar aquela cabeleira ruiva.
A morena fora levada para a cozinha com cuidado por Harry e Gina, que a deixaram sentada na mesa enquanto a Senhora Weasley se desesperava com a palidez da doutora. De fato, Hermione não estava nem um pouco bem. Tonks, que tinha uma pequena noção de como cuidar das pessoas se apresentou na cozinha imediatamente e a examinou.
- É o seguinte galera... – a mulher de cabelos roxos falou receosa. – Eu, Gina e Hermione vamos lá para cima, nós precisamos conversar, okay? – ela perguntou.
Mesmo relutante Harry concordou e as viu tomando o rumo das escadas.
Ainda se sentindo meio tonta, Hermione se sentou em sua cama que dividia com o moreno de olhos verdes. Gina olhava para Tonks bastante curiosa com o possível diagnóstico dela. Esta, por sua vez caminhava de um lado para o outro. Parecia querer achar as palavras certas para iniciar o assunto.
- Assunto delicado. – Tonks deixou escapar.
- Fale logo de uma vez! – pediu Hermione que estava deitada por conta de sua tontura.
- Gina, vem aqui. – a senhora Lupin pediu e a ruiva atendeu.
As duas se distanciaram da morena e foram para perto da janela.
- Você que é mais íntima dela, eu preciso que você pergunte umas coisinhas... – pediu a de cabelos roxos.
Ela concordou em silêncio. E a outra se aproximou de seu ouvido e desatou a falar, enquanto Hermione permanecia deitada.
- Mione, se a minha memória não me deixa falhar a sua última relação sexual foi daquela vez em que encontramos você e o Harry deitados no chão da sala, não é? – perguntou Gina receosa.
Ela se limitou em apenas resmungar um "sim" quase inaudível.
- Ou seja, a cerca de um mês atrás, de acordo com as minhas contas. – a ruiva prosseguiu. – Tio Chico já marcou presença esse mês? – indagou novamente.
- Quem Gina? Eu não tenho nenhum Tio Chico! – Hermione respondeu sem se ligar no assunto que falavam.
A ruiva exasperou e soltou uma pequena risada.
- Amiga eu estou falando se já desceu? – ela esclareceu.
No instante seguinte Hermione se levanta em pânico finalmente se dando conta do que se tratava o assunto e encarou as duas mulheres apavorada.
- Meu Merlin! Isso não é possível! – ela exclamou em pânico. – Não posso ficar grávida no meio desse caos! – completou.
- Pois eu tenho quase cem por cento de certeza de que está Hermione. – informou Tonks.
- Não, eu não posso! Ai meu Deus! – ela falou cobrindo seu rosto com as mãos. – Tô ferrada. – concluiu.
