Capítulo 9

Parte I – A Festa

O Sol entrava por entre as frestas das cortinas iluminando parte do luxuoso quarto. Sasuke não estava nada satisfeito pois sabia que aquele era o dia em que toda cidade estaria o esperando para uma comemoração que ele não fazia questão que houvesse. Como fazia todos os dias, levantou-se, lavou o rosto, trocou-se... Ao abrir a porta, os criados que passavam se curvaram o parabenizando. O Imperador suspirou. Aquele seria um longo dia...

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A carruagem balançava como um navio em alto mar num dia monótono sem ondas grandes, porém, o mar em que estavam navegando era de areia. Nada se via além de areia e mais areia. O calor dentro da cabine do Imperador chinês fazia o nobre senhor passar mal, obrigando seus servos a pararem diversas vezes para acudi-lo. Aquilo era ridículo! – pensava – O que estaria alguém como ele enfrentando toda aquela tortura escaldante? Poderia muito bem dar meia volta naquele instante e ir embora. Para ele, que se explodisse o aniversariante e todo seu povo. Que mal teria? Não devia explicações a ninguém... Mesmo assim, ele sentia que algo o forçava a ir até lá. Consolava-se ao lembrar que era apenas uma noite, nada além de uma noite. Poderia ser proveitosa também. Um homem ocupado e em tal posto como o Uchiha deveria ter um harém particular ou algo parecido. Sorriu satisfeito com a hipótese. Quem sabe não se divertiria?

Pensamentos logo afastados quando sentiu um perfume forte. Os olhos, antes fechados, agora estavam arregalados de surpresa. Novamente aquele cheiro! O cheiro dela! Numa ordem, a carruagem parou e ele desceu a toda do veículo. Pode ver uma silhueta feminina sumir no horizonte e correu em sua direção. O calor estava pregando uma peça, mas ele pouco se importava. Fosse ilusão ou não, precisava alcançá-la de qualquer maneira. Os outros servos o seguiram, temerosos de sua segurança, não por respeito ou devoção, mas por medo de serem castigados.

Kiba sentia seu cheiro cada vez mais forte. Aquele aroma de rosas só podia pertencer a ela. Sua rosa, somente sua. Via-à frente aos olhos. Ela parecia zombar de sua situação. Sua voz surgia de todos os lados e Kiba chegou até mesmo a cair na areia fina, de tanto torcer o pescoço tentando encontrar sua dama. De joelhos, suando frio e sentindo o chão faltar sob si, via a areia fina escapar entre os dedos. Ergueu os olhos e visualizou novamente o motivo de seus delírios: Hinata. Ela o olhou com temor e compaixão. Ele hesitou em piscar. Não queria perder mais uma vez a jovem, que, sem mais nem menos, voltou-lhe as costas e seguiu andando em frente até desaparecer novamente.

Os servos, antes longe, se aproximaram para acudir. Kiba, já recuperado, olhou para o mais franzino apontando-lhe o indicador:

- Você – o pequeno lhe olhou apavorado. Em seguida, apontou para a direção em que vira a moça – O que fica para aquele lado?

- O Japão, senhor – gaguejou ao dizer – É para onde estamos indo... – este sorriu satisfeito

- Vamos prosseguir viagem. E rápido! – mais do que depressa eles obedeceram. Kiba não via a hora de chegar ao seu destino.

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Hinata andava em seu quarto de um lado para outro. Ainda não tinha conseguido encontrar forças para ver o anfitrião da casa e, além de parabenizá-lo, lamentar não poder comparecer na festa. Planejou durante uma semana a melhor desculpa e encontrou esta. Quando reuniu forças para sair do quarto, bem a sua frente surge Sasuke. Sentiu as forças sumirem de repente. Não conseguiria falar com ele:

- Que bom que está acordada – ele disse – posso entrar?

- Claro... – murmurou de cabeça baixa – por favor... – Assim que entrou, a jovem voltou novamente sua atenção, não párea ela, mas para o senhor daquela casa – Meus parabéns, Imperador – e sorriu

- Obrigado – tornou sem emoção alguma – Vamos direto ao assunto: vim aqui saber se você está bem – a Hyuuga espantou-se – Pareceu-me mais pálida que o normal essa semana e não adianta alegar estar bem, pois sei que não está

Agora a jovem se sentia realmente num labirinto. O que dizer? Como se explicar? Revelaria ou não que o homem responsável por seus pesadelos estaria na festa? Insegura, contudo ainda decidida, começou a falar:

- Não queria revelar, mas não tenho me sentido bem nos últimos dias. Acredito não poder comparecer em sua festa esta noite. Lamento... – disse numa voz quase muda

- E temia me contar a verdade por quê? – indagou – Se não se sente bem, não é obrigada a ir aos festejos. Eu próprio adoraria estar em seu lugar, porém, sou o anfitrião e ainda tenho um assunto pendente – ela sabia de quem se tratava – Agora descanse. E não se preocupe: aqui você é minha hóspede, pode fazer o que quiser.

Dando-lhe as costas ele se retirou do quarto. Hinata ao invés de se alegrar, sentiu seu coração se contraindo de medo. Alguma coisa não estava certa...

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Seis da tarde. Uma carruagem dourada e vermelha é avistada nas proximidades do vilarejo. Era o Imperador chinês quem chegava. Os habitantes se aprontaram e, sabendo da hostilidade do nobre, o receberam com muitas fitas coloridas e fogos que não despertaram em nada o interesse do homem frio e calculista que ali estava. Observava todos os cantos. Caso fosse "necessário" um ataque, seria difícil pegá-los de surpresa já que a guarda era reforçada em todos os lados.

Ao chegarem frente à escadaria branca, lá estava Sasuke esperando juntamente com a irmã. Kiba desceu em toda sua pose majestosa, deixando evidente só pelo olhar, que se sentia em meio a seres inferiores.

- Seja bem-vindo, Imperador Inuzuka Kiba – disse Sasuke tentando parecer cortês – É uma honra recebê-lo em minha casa

- Obrigado – agradeceu com igual desprezo. Depois, voltou os olhos para Ino e perguntou – Como se chama essa linda concubina? – Sasuke cerrou os punhos

- Creio que já sabe que ela é Yamanaka Ino, minha irmã e princesa dessa província – o sorriso do Inuzuka sumiu – Quer conhecer seus aposentos?

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- Uma concubina? – pensava Sai, que, em meio à sua indignação, retomou sua pintura do início – Se pudesse, acabaria eu mesmo com sua vida!

Seu interesse não era em ouvir a conversa entre os dois imperadores, apenas em ver a pompa com que estaria vestido o nobre homem. Sasuke lhe pedira uma pintura para poder presentear o convidado de honra. "Pinte-o como o vê", disse Sasuke. Pois sim, depois de ver e ouvir a majestade chinesa sabia muito bem como o via.

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Paredes beges mas com decorações aconchegantes e de cores mais vivas, predominando o vermelho. Era assim o quarto de Kiba. Discreto e impecável. Não gostou muito. Talvez ficasse mais interessante com duas ou três criadas muito bonitas lhe servindo. Seria justo.

Entrou na banheira de água quente e tentou relaxar. Não seria nada demais, era uma festa como todas as outras. Ele iria cumprimentar alguns convidados de importância, cortejaria algumas damas presentes, daria um presente para o Imperador e voltaria logo pela manhã á sua terra. Lugares como aquele em que estava lhe dava nojo. Não por não serem exageradamente decorados como seu palácio, mas sim por ele não ser o centro das atenções.

Depois de meia hora, quando a água perdia sua temperatura agradável, saiu da banheira, apanhou a toalha macia e começou a se secar. Para sua surpresa, a porta abriu às suas costas. Voltou-se rápido com apenas metade do corpo coberto e vislumbrou uma mulher de exóticos cabelos róseos nem um pouco desapontada com a visão.

Sasuke pediu à Sakura que fosse levar ao convidado algumas roupas de cama de seu gosto. Ela, rancorosa de ter sido deixada de lado nas últimas semanas, se negou a prestar tal ato, sendo que Hinata também poderia fazê-lo. Porém, a frase que o Uchiha dera foi o suficiente para que ela mudasse de idéia:

"- Ela não faria esta tarefa tão bem quanto você"

- E também não estaria sendo tão bem recompensada – sorriu ao ver o corpo trabalhado do jovem Imperador. Caminhou em sua direção e, quando parecia que ia se jogar em seus braços, deu dois passos ao lado e depositou as toalhas sobre a cama – Ainda me surpreendo... Como podem ser Imperadores se são tão novos e ainda precisam aproveitar a vida? – disse num tom de malícia

- Eu aproveito minha situação para ser um pouco mais feliz – sorriu analisando o corpo esbelto da gueixa – Não é mais uma irmã do Uchiha, é?

- Eu? Ora, não me compare com aquela criança... – aproximou-se dele e disse em seu ouvido – Eu com toda certeza, não tenho nada de inocente

Quando ia se virar para sair do quarto, ele a apanhou pelo pulso e puxou-a de volta. Com o choque entre os dois corpos, a toalha cedeu deixando à mostra todo o esplendor do corpo masculino. Ela sorriu, mas soltou-se dele, deixando o cômodo. Para Kiba, a viagem já não era mais uma perda de tempo.

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- Que comecem os festejos! – anunciou Lee, numa roupa de gala ainda mais verde que de costume.

As pessoas começaram a apresentar danças típicas, cantaram, aplaudiram. Os fogos coloridos encheram o céu anunciando que logo, o povo viria seu líder.

Sasuke encontrava-se à mesa sem ânimo algum para comer ou iniciar uma conversa com qualquer pessoas. Não se sentia bem ao lado do homem que ameaçava seu povo. Deveria diminuir a barreira que existiam entre os dois. O que o deixava ainda mais irado ao lembrar-se da palavra "barreira", era a muralha que seu convidado tinha mandado construir. Respirou fundo e mandou que trouxessem Sai com a pintura pronta, de preferência.

Sai, vestido normalmente, nem se preocupou se a pessoa que recebiam era ou não importante: não pertencia àquele meio e não se portaria com tanta hipocrisia. Entrou na sala se curvando para o Imperador japonês e sua irmã, mas para o inimigo do povo, nem sequer olhou nos olhos.

- Pedi para que o melhor pintor do Japão retratasse vossa majestade. – olhou para o pintor – Sai...

Este se aproximou com o quadro na mão, coberto por um pedaço de tecido. Ergueu a pintura numa altura que todos pudessem ver e descobriu a tela. Sasuke quase engasgou quando visualizou a imagem que Sai fizera de Kiba. Ino ficou surpresa não pela imagem, mas sim pelos traços fortes que ele usara.

- Poderia nos dizer o que é isso? – perguntou Sasuke num tom de voz quase auterado

Kiba , na pintura anterior, aparecia majestoso descendo de uma carruagem, mas, devido sua fúria despertada naquela manhã, mudou o quadro completamente. Kiba agora descia uma escadaria de corpos mutilados, o corrimão de fogo. Seus olhos contornados fortemente de preto, deixavam-no com um aspecto quase feroz. O fim de sua capa queimava junto com o resto do quadro.

- A imagem que tenho de sua majestade – disse. Sasuke sabia que era um demônio

- Qual sua interpretação para isso, Sai? – foi a vez de Kiba perguntar.

- Vejo o senhor onipotente – mentiu – Os corpos mutilados são as pessoas que lhe invejam sendo destruídas e queimadas. Você pisa sobre elas. – sorriu satisfeito

- Agradeço o presente. É exatamente o que eu preciso para minha sala de estar – levantou-se da cadeira – Se me dão licença, guardarei o quadro antes de prosseguir com o jantar – e se retirou

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Hinata ainda estava preocupada. Sabia que ele estava ali, sob o mesmo teto que ela. Ouviu sua voz, seu passos firmes. Ele estava apenas há algumas paredes de distância. Ela ajoelhou no chão e pôs-se a rezar. Deus tinha que atender suas preces.

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Kiba, após guardar o quadro que, mesmo ele sabendo que não era aquela definição que o pintor tinha de si, o agradou muito. Voltando para a sala de jantar, percorria o longo corredor quando ouviu murmúrios rápidos, quase imploradores. Mas o que realmente chamou sua atenção foi o cheiro... Rosas! E vinham forte daquela porta de marfim trabalhada. Não pensou duas vezes e abriu a porta.

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A Hyuuga estava tão entretida em suas preces desesperadas que os passos que sentiu vibrarem no chão não lhe chamaram muito atenção. Mas os passos pararam na frente de seu quarto. Parou de orar. Quem seria? Foi quando a imagem do poderoso Inuzuka surgiu em sua mente, fazendo com que ela voltasse bruscamente para a porta. Alguém estava a abrindo...

~O~

Awe, depois de não sei quantas décadas eu postei! \o/ *pedradas*

Gente, é muito provável que eu pare de postar mais pra frente, devido a problemas escolares. Malditos professores fazendo caveiras de minha pessoa para a dona Fabíola (lê-se Fabiula. Ah é, essa ser minha mãe ^^) que conta tudo para o senhor meu pai que me deserda e ameaçava tirar minha vida virtual D=

Portanto, caso ano que vem eu post de vez em nunca, saibam que foi por causa da minha reprovação... :'(

PORÉM... Eu amo muito escrever, receber comentários e ser criticada e xingada (você pensa: ela é louca!) por isso me esforçarei para ano que vem estarmos novamente aqui, eu, você, meu computador para mais um ano de Fic's atrasadas *canivetes*

Bom, como perceberam, esse capítulo terá duas partes. Viva! \o/

Então, espero comentários, críticas, flores, prêmios, machadadas (momento O Iluminado) de vocês, para o capítulo do mês que vem ^^

Beijinhos e até!