Capítulo Nove.

"Não é tão simples seguir em frente. Quando temos um problema, resolvemos enfrentá-lo, as pessoas batem no seu ombro e dizem "é hora de seguir em frente". Passamos a maior parte do tempo nos questionando como fazer isso e então vivemos, sobrevivemos e quando vamos perceber, seguimos adiante. O tempo se encarrega de simplificar o que é necessário. Deixa de doer. Deixamos de nos importar. O tempo equilibra a balança, seja a favor ou não, mas li em algum lugar que o vento não ajuda quem navega sem rumo. Não sei quem disse isso, mas é verdade. Não importa o tempo ou o vento se não existe um foco. Mesmo com meus sentimentos confusos, eu sei que a minha prioridade é meu bebê, que cresce forte e saudável todos os dias. Realmente, não é tão simples seguir em frente, perdoar, entender meus sentimentos, controlar meus hormônios e envolver minha cabeça que em breve estarei formada, mas sem uma faculdade a vista. Não é tão simples seguir em frente sem sonhos. Chega de tapinhas nas costas".

- Espera aí! – Jane pulou na minha cama e sorriu agradavelmente. – Ele disse que está pensando em outra mulher?

- Sim. Gente, por favor, ele me confessou isso e não quero que ninguém saiba. – murmurei sentindo culpa por ter falado o segredo de Edward sem querer.

- Eu acho que você ouviu certo e não foi sonho. – Lauren comentou enquanto dava um biscoitinho pequeno para Connor, que parecia distraído com seus dedos no colo de Victória.

As meninas tinham decido fazer uma tarde de garotas na minha casa. Era fim de ano, estava muito frio e poderia nevar a qualquer momento. Eu estava livre das provas finais da escola, graças a Deus estudei e tirei notas boas e bem perto de completar sete meses de gestação. Todas elas iriam ao baile de Inverno e eu não. Não foi por falta de convite, pelo contrário, depois de ter processado o jornal da escola, Jéssica Stanley ainda espalhava fofocas, mas deixei de ser novidade. Ninguém mais queria saber sobre quem era o pai do meu bebê ou eu passei a ignorá-los completamente.

Eu sabia que as pessoas sempre iriam falar. Meu caso era comum, muitas meninas engravidaram adolescente pelo mundo, mas eu estava sozinha nessa. Também deixei de procurar Riley e Renée. Era como se eles não existissem mais. Sentia saudades e os amava ainda. No fundo, sabia que ainda sentia algo por ele, mas não entendia exatamente o quê. Talvez fosse o bebê que nos ligasse. Era uma parte dele crescendo dentro de mim. Fizemos essa pequena criatura perfeita que amo tanto, juntos. E era problema e infelicidade dele abrir mão disso.

Os meninos da escola estavam achando que era divertido me enviar convites, provavelmente para provocar algum trote. Edward estava fora de si que iria perder o meu último baile de inverno na escola e que provavelmente iria me arrepender depois, porém, não tinha ânimo e principalmente uma roupa que ficasse realmente bonita com minha barriga gigante. Estava na fase que ficar deitada com menos roupa me apertando era a melhor possível. Comprei diversas peças fofas e confortáveis. Jamais sairia desarrumada ou fora de moda. Só não precisava me expor ao ridículo. Era difícil convencer meu melhor amigo do contrário.

Lembrar do baile me fazia pensar na minha mãe. Ela estava mais ansiosa que eu porque perdeu seu baile por me ter em seus braços ainda muito pequena para sair. A ironia nunca passava despercebida na minha vida. Esme estava certa em dizer que Renée estava sendo vaidosa e dando espaço para um orgulho que nunca deveria existir no coração de uma mãe.

Ela ainda ligava para meu pai quase todos os dias e não falava comigo. Não me doía mais da mesma forma que antes. Edward e eu chegamos a conclusão de que a pior parte estava passando e agora Andrew e eu tínhamos um caminho juntos porque finalmente aceitei que o pai do bebê não fará parte da vida dele e minha mãe muito menos. São escolhas.

E com essa conversa toda chegamos ao dia que Edward me carregou para o quarto e eu contei as meninas que o que sentia por ele me deixava confusa. Podia estar apenas entendendo errado a sua amizade. E pelo fato de estar sozinha também ajudava. Gosto muito da Tanya. Ela me tratava muito bem e chegamos a sair juntas para fazer compras. Eu sabia que eles brigavam por minha causa, porém, não entendia exatamente até que ponto estava causando desconforto nela.

Rosalie acreditava que era infantilidade pura e simples. Não tinha argumentos o suficiente para fazer minha amiga gostar da sua cunhada e elas apenas se toleravam. Eu tinha a minha opinião. Acreditava que Tanya devia apoiar e incentivar mais Edward na sua carreira. Ele ficava completamente sozinho em algumas decisões e ela poderia ajudar, porém, eu não me metia mais no namoro deles e ele nunca mais falou sobre a mulher misteriosa. Nós continuávamos tão unidos quanto sempre.

Ou mais que sempre. Entre nós dois não existia ninguém. Tanya era raramente mencionada porque no fim o que importava era ele.

Minhas amigas acreditavam que eu poderia ser essa mulher, mas elas estavam loucas e por isso contei em detalhes aquela noite.

- Talvez você tenha razão em não se focar nisso, em nenhum romance, sabe? Acho a amizade de vocês muito bonita, mas... Tem Riley, Renée e Andrew... São muitas coisas para embolar e vai dar problema. – Victória comentou balançando Connor.

- Eu não quero pensar em nada além do meu filho. Edward é padrinho dele e sempre estará em nossas vidas e eu acredito que é só amizade. Li em algum lugar que uma mulher grávida fica ainda mais carente de atenção e precisa de um homem. Talvez sejam meus hormônios, algo psicológico.

- Acho que isso é verdade. Durante a gravidez fiquei muito emocional e dependente do Ben. Ele estava constantemente me ligando e eu ficava desesperada longe dele. – Lauren comentou casualmente. – Nunca se sabe o que virá do futuro.

- Edward é um homem bonito, né? – Jane disse do nada e nós começamos a rir e de repente, estávamos gargalhando do tomate que ela se tornou de vergonha.

Nesse momento ouvimos uma batida na porta. Ao mandar entrar, Edward apareceu meio inseguro, tão bonito quanto sempre, ficando tímido com a presença das meninas. Nós nos entreolhamos e voltamos a rir. Andrew me chutou muito furioso e segurei minha barriga para acalmá-lo.

- Vou esperar lá embaixo. – Edward disse fechando a porta rapidamente.

- Essa é a nossa deixa! – Lauren levantou catando as coisas de Connor que estavam espalhadas.

Em pouco tempo as meninas partiram e eu desci para encontrar Edward jogado no sofá, conversando com Charlie. Emmett estava na cozinha e então ouvi uma voz familiar que me fez gritar. Alice estava parada no meio do meu corredor com um sorriso bobo.

- Surpresa! – cantou docemente me abraçando. – Senti tanto a sua falta! Falar por telefone nunca é o suficiente.

- É a melhor surpresa do mundo. – sorri agarrando-a ainda mais apertado. – Veio para ficar?

- Apenas nas festas de fim de ano. Jasper chegará na semana do natal. – respondeu ainda sorridente. – Agora, devemos todos sair para jantar.

- Alice, está terrivelmente frio lá fora. – Edward reclamou e deu um beijinho na minha barriga. Sorri. Sentia muita falta dele e fazia umas semanas que não nos víamos pessoalmente, apenas pela webcam. – Sou a favor de jantarmos em casa.

- Eu também! Além do mais, hoje tem jogo. – Emmett disse carregando duas cervejas e uma entregou ao meu pai.

Alice revirou os olhos e a puxei para cozinha. Eu tinha um bom pedaço de carne para assar. Não custava nada agradar o gosto dos homens e passei a trabalhar nos temperos, deixando a carne marinando na geladeira enquanto cortava pedaços de bacon e separava os tubos de mostarda.

- Sua barriga está imensa. Vá fazer isso sentada.

- Ela pesa um pouquinho, mas não incomoda. Passei a tarde inteira no quarto com as meninas, preciso andar um pouco e ficar de pé. Andrew está com fome. Está me chutando. – disse e Alice grudou as mãos na minha barriga, soltando risadinhas com os movimentos dele. – Edward fica louco de ciúmes. Ele só permite Rosalie e meu pai encostar-se em mim.

- Ele vai sequestrar esse bebê quando nascer. Sempre foi assim... Segundo minha mãe, ele sempre adorou as crianças da igreja e ficou louco quando nossos primos nasceram. Ele tem uma paciência incrível com crianças... Será um excelente médico. – respondeu me ajudando a cortar os itens da receita. – E então, dei uma passadinha por Phoenix essa semana.

- É mesmo?

- Sim e eu fui visitar sua mãe. Ela é bem jovem e bonita, não é mesmo?

Abri minha boca em choque e surpresa.

- Alice...

- Enfim, ela não me conhecia e ficou surpresa em me ver. Me apresentei e entreguei a ela um pacote.

- O que tinha nesse pacote?

- Fotos que Edward tirou. Todas as fotos da sua gravidez. Eu apenas dei a ela um choque de realidade.

- Ela me tem no facebook... Já deve ter me visto grávida.

- Nada garante. Posso ter dito umas coisas também e depois entrei no meu carro. – murmurou com um sorriso maldoso. – Quero que ela lembre bem o que está perdendo.

Ao mesmo tempo em que me sentia surpresa, sorri. Alice era tão feroz e protetora quanto Rosalie. Não falamos mais sobre isso e não me permiti nutrir esperanças de que minha mãe me ligaria. Renée pode ser muito doce e muito difícil. A atitude de Alice pode tê-la empurrado a quilômetros de distância de mim. Cheguei a conclusão de que infelizmente quem perde o amor de Andrew é apenas ela. Meu bebê não teria uma avó materna, mas Esme está mais que satisfeita em pegar esse lugar. Olívia não abre mão do seu lugar na vida dele e me envia presentes, está sempre perguntando se pode me ajudar de alguma forma e se interessa em saber cada detalhe da vida da minha criança independente da atitude idiota do seu filho.

Dez minutos mais tarde Rosalie entrou com Sue e eu sorri ao ver meu pai dando um beijo doce em sua namorada. Era incrível vê-lo tão feliz com alguém que eu também adorava.

Ficamos na cozinha enquanto os homens permaneceram na sala apenas bebendo e assistindo ao jogo. Eu já estava mais que acostumada em tê-las ao meu redor e rever Alice me deixou muito feliz. Preparamos o jantar sem muita demora falando exclusivamente do casamento de Rosalie que se aproximava como uma bala, porém, Andrew já terá nascido, será um bebezinho de um mês na data. Edward e eu seremos um dos casais de padrinhos e posso nos imaginar dentro da roupa, no altar.

Tanya realmente me disse que não se sentia bem sendo madrinha de Rosalie. Não que ela tivesse sido convidada, mas eu senti que ela quis dizer que ele era meu par porque ela não queria fazer parte do casamento como nada além que uma convidada. Eu ri por dentro e balancei a cabeça de acordo com seu pensamento. Ela era como aquelas crianças irritantes que você dá tapinhas no ombro para que continuem se sentindo o máximo. Era tudo que podia fazer por ela.

- Tanya não virá para o jantar de natal? – perguntei quando fiquei sozinha com Edward na sala de jantar. Estava muito frio para comer na varanda. Ela passou o jantar de ação de graças conosco e foi tudo tranquilo.

- Ela vai viajar para Aspen com os pais e eu vou ficar por aqui aproveitando que o hospital estará vazio e poderei dar umas olhadas em algumas coisas. – respondeu-me virando sua cerveja. Ele estava distante e pensativo. E por algum motivo não queria realmente falar o que tinha acontecido.

- Por que não aproveitar e ir para Aspen também?

- Terei outras oportunidades, Bella. Em breve vou começar a trabalhar meio período no Medical Center e lá é completamente diferente daqui. Preciso focar nos meus estudos.

- Ela ficou chateada? – insisti sabendo que estava irritando-o.

- Não que tenha dito pra mim.

- E o que você não está dizendo pra mim? – questionei curiosamente, ganhando um suspiro e um sorriso relutante.

Fiquei dividida entre incentivar mais o relacionamento deles e ficar realmente feliz que não tenha ido para Aspen. Mordi meus lábios para segurar minha língua e meus pensamentos. Não queria pensar em Edward de outra forma, apesar de ser muito bonito, era também muito importante pra mim. Um amigo que não teria outro igual. Padrinho do meu filho. A pessoa que me escutava o dia inteiro e compartilhava o seu dia comigo. E além do mais, seria muito idiota da minha parte nutrir sentimentos por alguém que possui um relacionamento com outra pessoa. Era a mesma coisa que implorar por problemas.

- Nós estamos discutindo muito e por isso um tempo longe nos fará bem. – disse com um tom pensativo. – Tanya saiu daqui com uns pensamentos na cabeça e fez a minha vida um inferno. Não sei até que ponto ela realmente está certa. Não quero que esteja. Não é minha intenção, de coração, magoá-la, em compensação, existem coisas que não posso controlar. É involuntário. – confessou mais baixo e aproveitei para abrir outra cerveja. Ele ficava muito falador com álcool no seu sistema.

- Discutiram por causa da mulher misteriosa?

- Sim e não. Eu não sei realmente o que se passa na minha cabeça agora.

- Eu sei o que se passa na minha. – brinquei querendo aliviar sua tensão. – Sei que não quero estar romanticamente ligada ao Riley. Sinto muita mágoa ainda. Bastante raiva, mas não o aceitaria de volta em minha vida. Parece cedo dizer, mas tudo que quero agora é meu bebê e ninguém mais. Estou decidida a não me envolver com qualquer pessoa por tempo indeterminado.

- E se você conhecer alguém? Um cara que te respeite e te assuma com Andrew e tudo?

- Ei cara, acorda pra vida. Não é um conto de fadas... E além do mais, só tenho 17 anos e tenho um bebê a caminho. Mesmo se esse cara aparecer, vou chutá-lo fora.

- Por quê?

- Quem vai querer ter um relacionamento com uma mulher que está grávida de outro homem? Sinto que devo poupar todos nós de algo constrangedor. – murmurei colocando os copos em seus lugares. – Além do mais, olha o meu tamanho. Eu vestia P. Com essa barriga só entra o G. E vai aumentar. Meus seios estão explodindo e tenho uma bunda que não cabe nas minhas calças favoritas. Sem contar que estarei desajeitada e esquisita nos próximos meses. Não preciso disso.

- Eu acho que você está linda. E estará ainda mais. Não diga bobagens. – retrucou me abraçando. Deitei minha cabeça no seu peito. Edward colocou a mão exatamente aonde Andrew chutava. – Um cara seria muito idiota em não reparar em você.

- Não é o momento, Edward. Apenas me recuso pensar em alguém assim.

- Não sei se está certa, só acho que não deveria negar as chances que aparecerem.

- Isso é desespero.

- Não. Não digo por desespero, mas sim de que a gente nunca sabe quando algo realmente vai acontecer conosco. Basta aceitar e viver.

Parei por um momento e olhei para o rosto dele tentando entender que diabos queria realmente dizer com sua insistência. Edward parecia confuso e ao mesmo tempo determinado. Ficamos em silêncio apenas olhando um para o outro e fomos interrompidos por uma Rosalie limpando a garganta, colocando uma travessa na mesa. Me afastei de Edward ainda pensativa. Por um lado ele poderia ter razão, não adiantava nada negar minhas chances de ser feliz, por outro, meu bebê era tudo que realmente gostaria de ter nos braços.

Percebi que durante nossa refeição Rosalie não parava de olhar entre nós dois. Edward estava sentado do meu lado, agindo como sempre, me tocando, rindo e fazendo brincadeiras rudes com os outros homens da mesa. Me senti um pouco tensa porque sabia que cada movimento meu estava sendo milimetricamente observado. Não sou idiota. Sei que minha amizade com Edward é muito íntima. Sinto que ele era o que faltava na minha vida. Nós tínhamos liberdade um com o outro e isso ninguém poderia mudar. Nem mesmo a presença de Tanya nos intimidava. A questão principal era: O que sentíamos pelo outro era apenas amizade?

Assim que terminamos de arrumar nossa bagunça, todos extremamente cheios, percebi que os homens desapareceram da minha vista e sem coragem de andar pela casa atrás deles, sentei na cadeira de balanço da varanda fechada dos fundos e fiquei observando o tempo. Alice estava se intrometendo na pintura do quarto do bebê enquanto Rosalie mostrava todo projeto. Ela e meu pai estavam tão empolgados que não precisava me preocupar muito. A decoração de marinheiro estava cada dia ganhando um novo item que sequer imaginei que encontraria. Era divertido. O bebê dormiria nesse quarto por um bom tempo e entendo a necessidade de ter algo tão bonito para ele. Quero que se sinta bem vindo não importa o quê.

Sorri para mensagem de Olivia, lamentando a minha decisão de ter procurado um advogado para pedir que Riley abrisse mão dos seus direitos como pai. Um teste de DNA seria feito assim que o bebê nascesse e com a comprovação, bastava meu ex-namorado assinar aquilo que ele realmente decidiu. Essa medida me dava oportunidade de nunca me preocupar com ele aparecendo do nada na vida de Andrew. Eu sei que ele vai se arrepender um dia, mas não quero que meu bebê sofra. As chances dele estão se esgotando a cada mês que passa.

- Está tudo bem? – Rosalie perguntou baixinho e preocupada. Sequei meu rosto percebendo que novamente, derramei lágrimas pensando na minha vida. – O que foi minha florzinha?

- Apenas pensando. Não me dei conta que estava chorando. – respondi com um sorriso doce. – E então? Alice te enlouqueceu?

- Sim. Edward foi levá-la em casa e estou indo com Emmett. Seu pai e Sue vão sair, fazer alguma coisa que eu realmente não prestei atenção. Vai ficar bem sozinha? – perguntou e bufei impaciente. Eles nunca me deixavam muito tempo sozinha. Não era como se estivesse na reta final da gravidez ou algo do tipo. – Se bem que eu acredito que Edward irá voltar... Ele deu a entender isso. Estou perdendo algo entre vocês dois?

- Eu sabia que você perguntaria. – sorri encolhendo minhas pernas.

- Eu nunca parei para prestar atenção na maneira que vocês agem juntos. – Rosalie disse sentando-se à minha frente. – Edward é apaixonado pelo Andrew. Eu entendo, porque também sou. Esse bebê nem nasceu e o amo muito. E também me pergunto se é só pelo bebê que ele está apaixonado.

- Nós nos amamos, Rose. Como amigos. Edward é apaixonado por Tanya e nunca existirá algo entre nós dois.

- Ele se sente muito protetor e pai deste bebê. Isso é preocupante.

- Edward sabe que é só padrinho. Não se preocupe com isso, ok?

- Não quero que se machuquem... As coisas andam tão confusas na sua cabeça e no seu coração que se meu irmão estiver bagunçando ainda mais sua vida, irei chutá-lo.

- Eu preciso dele também. Estou feliz pela nossa amizade. – sussurrei sorrindo. – E eu amo que ele também ame meu bebê. Isso é importante pra mim.

Rosalie ficou parada me olhando e eu sabia que ela não estava nenhum pouco convencida. Por sorte decidiu que não iria me pressionar e me deu um beijo no rosto, levantando-se e gritando Emmett para irem embora. Pouco tempo depois Charlie apareceu arrumado, com uma caneca de chocolate quente pra mim e avisou que estava saindo com Sue e que não voltaria cedo. Fiz uma careta com a informação e ele riu. Me despedi dos dois e subi para meu quarto, pronta para me enrolar nas cobertas e hibernar.

Minha cabeça cheia de coisas me impediu de descansar e por isso abri um arquivo e comecei a escrever tudo que realmente estava sentindo por quase uma hora. Meus dedos fluíam sobre o teclado do meu pequeno computador sem pena. Chorei em algumas partes e permitir que a sinceridade tomasse conta de todo meu texto.

Abri meu facebook e ri das fotos que a louca da Jane postou sobre nossa tarde de meninas. Já tinha diversos comentários e curtidas. Observei com indiferença que Riley voltou a usar o facebook normalmente, usando suas usuais frases para chamar atenção das meninas da escola, publicando fotos sem camisa e agindo como se eu não estivesse carregando seu filho.

Cliquei para atualizar meu status. Depois de uma semana lendo Tess Of The D'Ubervilles e chorando copiosamente na cama todas as noites, decidi por uma das minhas citações favoritas "Meus olhos estavam ofuscados por você por um pouco e isso era tudo". A primeira pessoa que curtiu foi Tanya e por impulsividade, cliquei em seu perfil olhando suas últimas fotos. A maioria era em festas, baladas, grande parte sozinha. Eu sabia que Edward não tinha muito tempo disponível e que ela não trabalhava e muito menos estudava. Também havia fotos com Edward. Muitas por sinal. Sozinhos, sorrindo, em casa, na cama com algum livro e uma frase engraçadinha. Senti uma pontada no coração e rapidamente fechei a tela.

Nunca tinha parado para olhar as fotos dos dois. Edward quase não postava fotos. Ele tinha fotos com ela, é obvio. Saída em bares, com amigos em comum, em viagens, mas nunca tinha olhado uma foto da intimidade deles e sentido o gosto amargo do ciúme na boca.

Às vezes eu me sentia como a mulher misteriosa. Outras vezes sentia como se quisesse ser a mulher misteriosa. Edward estava me deixando confusa e meus sentimentos estranhos mais ainda.

- Posso entrar? – Edward bateu na porta do meu quarto. – Charlie deixou a chave reserva comigo. Não quis tocar a campainha com medo de estar dormindo.

Meu rosto esquentou um pouco porque estava só de top de ginástica e uma calça larga de dormir. Às vezes a barriga coçava bastante e gostava de ficar sem nada tocando-a. Principalmente depois de passar o óleo para evitar as estrias. Edward era de casa por isso só cheguei para o lado na cama.

- Claro que não tem problema, mas você precisa fazer uma pipoca bem caprichada e trazer suco bem gelado e doce.

Edward sorriu e me deu um beijo na bochecha. Deixou o celular e as chaves em cima da minha mesinha assim como a carteira. Pensei se seria melhor nos mudarmos para sala, assim não ficaria estranho estar no mesmo quarto que ele, porém, eu estava grávida e a última coisa que ele sentiria vontade era de tentar algo mais. Não era sobre isso e não havia motivos para clima estranho ou ficar nervosa.

O celular dele acendeu assim que saiu pela porta do quarto. Curiosamente olhei e era Tanya. Arrastei a tela e encontrei uma mensagem dela informando que as malas estavam prontas e se ele tinha certeza absoluta que não queria ir para Aspen. Logo que terminei de ler surgiu outra pedindo desculpas – provavelmente eles tiveram uma briga – e que tentaria ser mais participativa na vida dele. Marquei como não lidas me sentindo muito mal por ter lido algo que não era da minha conta. Peguei meu celular e vi que tinha mensagens não lidas de Rosalie, falando aleatoriamente sobre a decoração da sua cozinha, me perguntando se ela devia decorar antes ou depois do casamento. Respondi que seria melhor antes. Logo em seguida abri o facebook e vi que minha mãe havia curtido uma foto minha, mas que Edward tinha me marcado, no jantar de Ação de Graças ao lado dele e da Tanya.

Provavelmente foi uma das fotos mais desconfortáveis da minha vida. Não me sentia estranha ao lado dela, mas não podia deixar de pensar que olhava um pouco para o namorado dela de forma... Diferente. Era tão confuso. E voltando ao fato que Renée havia curtido uma foto minha que não estava no meu facebook decidi que era hora de encerrar contatos com o mundo externo e escolher um bom filme. Liguei a televisão do meu quarto colocando os dois aparelhos longe do nosso alcance. Tanya que esperasse Edward ficar livre. Essa noite ele era meu. Agora eu o queria só pra mim e estava disposta a ser egoísta o suficiente para monopolizar a atenção dele.

Eu estava além de confusa.

Eu era a confusão em pessoa.

- Pipoca quentinha para você. – Edward entrou no quarto sorridente segurando uma grande vasilha. – Refrigerante pra mim e suco de laranja para você. Também trouxe um saco de chocolates que encontrei na geladeira. Escolheu algum filme?

- Romance ou ação?

- Ação, pelo amor de Deus. Não me faça assistir filme de mulherzinha. – brincou e coloquei em 007 Um Novo Dia para Morrer. Mentiroso o suficiente para manter nossas mentes fora do que realmente não devíamos pensar.

Ou no que eu devia pensar em primeiro lugar: O que será que realmente sinto por Edward?