Abriu o bilhete da maneira mais discreta que pôde. Dizia"Oeste, 15 min daqui". Olhou para ver onde ele estava, mas já havia partido, como prometido. Cautelosa, caminhou até a saída oeste observando a cada passo se algum cavaleiro parecia interessado em vigiá-la. Entre as árvores e longe da música da festa, era possível ouvir grilos e gemidos suspeitos. Apressou-se para não dar de cara com algum casal que a conhecia e finalmente sentiu uma mão na sua e pôde ver a lanterna de Aioria iluminando o matagal:

- Por aqui – Aioria murmurou.

Seguiram falando apenas sobre qual direção tomar até que chegaram ao muro e ele iluminou suas pernas nuas:

- Talvez seja melhor usarmos nossas habilidades dessa vez. Não quero arruinar seu vestido.

Gostou de sua proposta, subir o tronco no escuro, apenas com uma lanterna iluminando, não seria muito bom. Ele não aguardou sua resposta, enlaçou sua cintura possessivamente e sussurrou:

- Você se importa se eu te levar até a casa da árvore, amazona?

- Pulando, você diz? Não quer subir devagar hoje?

- Não... - ele deu um beijo leve em seu pescoço e a abraçou – já perdemos muito tempo naquela festa.

- Um brinde a isso! – ela ousou brincar e ele riu:

- Não cite esse babaca...

- Ok, ok, - ela o deixou erguê-la, e enlaçou sua cintura com as pernas. Viu que ele mordeu o lábio com o roçar de seus corpos. - Você sabe que eu posso subir sozinha, mesmo de vestido, certo?

Ele cheirou seu pescoço até chegar em seu ouvido:

- É só uma gentileza... e uma desculpa para te sentir mais perto – sussurrou – Sei que você provavelmente chegaria lá antes de mim...

Aquele sussurro, seu cheiro, o volume da calça contra sua virilha... Eles nem se beijaram e seu corpo já ansiava por senti-lo mais. Essa posição não era uma boa ideia por agora:

- Acho que vai ficar mais confortável, e seguro, se eu ficar nas suas costas - sussurrou e girou o corpo apoiando-se em seus ombros.

- Mais seguro... de fato – Aioria riu e lhe entregou a lanterna para segurar.

Abraçou seus joelhos e pulou o muro. Ela iluminou o caminho enquanto corriam pela vegetação. Quando chegaram a árvore, ele tomou o objeto e mirou em alguns pontos no tronco. Deu dois pulos certeiros e alcançaram a plataforma de madeira.

Marin escorregou pelas costas musculosas e colocou-se de pé. Ele não precisou usar nem um porcento de seu cosmo naquela subida, porém a amazona podia sentir seu corpo eletrificado com a energia calorosa. Mirou a lanterna em sua figura altiva e observou-o se afastar. A medida que iluminava o local, Marin notou que algumas coisas foram modificadas na casa suspensa. O cheiro era de limpeza misturado com defumador. Haviam algumas redes penduras entre as colunas. A pequena mesa quadrada estava melhor posicionada, próxima a vista de frente ao mar, e havia um tapete cheio de ornamentos abaixo dela. Algumas almofadas foram colocadas ao seu redor e, quando Aioria acendeu uma lamparina, a ruiva visualizou que havia frutas e bebida para os dois:

- Gallan te ajudou a preparar essas coisas?

- Gallan sempre sugere algumas modificações, mas nunca deixo arrumar o lugar. - Ele acendeu outra lamparina e colocou sobre a mesa. Aioria a puxou pela mão e entregou-lhe uma taça – Eu ia arrumar sozinho hoje, para comermos algo, mas quando ele me viu pegando um vinho no estoque, comentei que talvez viesse aqui depois da festa e não consegui contê-lo.

Marin olhou para os talheres, pratos e os guardanapos de pano sobre a mesa baixa. Tudo havia sido calculado para duas pessoas. Não duvidava que Gallan confabulava com Lithos para arranjar uma companhia para o mestre:

- E ele adivinhou que você teria companhia?

- Eu que servi a mesa, acha que nem isso posso fazer? - ele sorriu e derramou vinho em sua taça.

Observou o líquido refletindo a luz tremeluzente da lamparina. Sentiu-se pesarosa pensando em como beberia ou comeria qualquer uma dessas coisas na frente dele:

- Você percebeu que uma daquelas garotas da roda bebeu da sua taça?

Aioria servia vinho para si e ela notou que a pergunta o fizera derramar algumas gotas da bebida. Sabia que seu tom foi acusador. Não era justo cobrar qualquer tipo de monogamia se nenhum limite foi estipulado dessa amizade colorida. Contudo não conseguia ignorar seu asco por imaginar aquela menina trocando salivas com ele. Percebeu que ele respirou fundo antes de deixar a garrafa sobre a mesa e voltar a se aproximar. Não conseguia ler sua expressão e por um momento se arrependeu de seu questionamento:

- Percebi sim... Eu deixei a taça com ela e peguei outra. - revirou os olhos - Detesto quando comem da minha comida, ou querem dividir talheres, copos etc.

- E você sempre ofereceu sua garrafa de água para mim nos treinos... - ela brincou e o viu sorrir

- Você pode. Mesmo – Aioria tocou em sua mão - Odiei como você saiu hoje... Eu posso fechar os olhos ou me virar, o que você preferir, mas beba comigo está bem?

Ela fez um sim com a cabeça:

- Eu só quero dar um gole agora, não precisa se ... - antes que pudesse completar a sentença Aioria tocou nos lábios metálicos como se buscasse silenciá-la:

- Por favor... tenho certeza que você não comeu nada essa noite, sente aqui, coma algo. Eu.. - ele olhou para trás, em direção ao mar e deixou seus lábios. - Eu não me lembro da última vez que vi uma Lua cheia daqui - o cavaleiro se afastou.

Marin observou-o passar pela mesa e seguir até os limites escuros do tablado. Pôde ver sua silhueta acomodando-se em um dos troncos que serviam de coluna para o lugar. Conhecia sua teimosia e sabia que nada que falasse o faria voltar. A ruiva tirou a máscara e se ajoelhou perante a mesa. Pelo tempo, realmente deveria estar com fome, mas seu estômago pesado expressava bem o nervosismo que sentia com esse encontro. Eles teriam horas para ficar juntos e poderiam finalmente completar o que queriam na outra noite. Mordiscou um salgado e provou o vinho tentando pensar em qualquer coisa para conversarem. Nenhuma palavra lhe vinha a mente para puxar alguma conversa e Aioria não ousou falar nada por um tempo. Haveria esse estranho silêncio se eles estivesses compartilhando a refeição como um casal normal?

Ela observou o círculo de luz que a lamparina formava no chão e reduziu a saída de óleo e consequentemente a iluminação. Levantou-se deixando máscara e vinho sobre a mesa e caminhou na penumbra até achar o tronco que Aioria estava encostado. Por mais que Marin fosse silenciosa, sabia que ele a ouvira se aproximar, contudo, ainda assim, o cavaleiro não esboçou nenhuma fala. A amazona soube então que ele estava tão nervoso quanto ela pelo momento de rara privacidade que compartilhavam. Passou pelo leonino e parou no limite máximo da casa. Olhou para a escuridão do terreno aos seus pés e contemplou a Lua cheia iluminando o mar. O som das ondas lembrava-a da primeira noite que se beijaram e sentiu sua ansiedade crescer:

- Você escolheu bem esse lugar – sussurrou sem tirar os olhos do horizonte:

- Pelo visto, não escolhi bem a comida... não está com fome?

- Você está aqui e a comida está lá e eu...

- Desculpa, eu só... - tocou seu ombro - Eu quero que você fique à vontade.

- Eu sei – ela encostou o queixo na mão que a tocava e então se virou. Naquela luz podia ver levemente o contorno do corpo e tateou seu braço até chegar no rosto do amigo. Roçou os dedos em seus lábios e encurtou a distância dando um passo para frente. Seu hálito, quente e cheirando a vinho, a convidava para aproximar mais seus lábios dos seus. – Eu não estou com fome, eu só quero...

O beijou com volúpia. Queria esquecer aquelas garotas da festa que podiam corresponder seu sorriso e tê-lo sem nenhuma consequência. Queria esquecer suas inseguranças e se dedicar exclusivamente a senti-lo. O gosto doce da bebida a incentivava a manter o ritmo intenso dos lábios e ele a acompanhou por um bom tempo até que o ouviu murmurando:

- A taça... - o loiro se inclinou e deixou o objeto no chão e não demorou a puxá-la para mais perto e voltar a beijá-la.

O atrito dos corpos nitidamente o excitava tanto quanto ela e uma onda de prazer a atingiu quando Aioria apoiou-se no tronco para aproximarem suas alturas. Nessa posição sua virilha atritava contra o volume de sua calça, aumentando mais seu desejo. As mãos dele começaram a explorar seu corpo, os lábios beijavam seu pescoço até chegarem a curva dos seios. Antes que pudesse puxar seu decote, Marin levou seu rosto próximo ao seu e disse hesitante:

- Você trouxe preservativo? - desde a outra noite, havia pensado seriamente em entrar em uma farmácia das vilas e comprar uma camisinha, mas era impossível que fizesse isso sem levantar algum tipo de fofoca entre os habitantes. Independente do quanto as mulheres conquistaram liberdade sexual na última década*, uma mascarada chamaria a atenção procurando esse item. Poderia usar outras alternativas que sua mestra a ensinara, mas não era apenas a gravidez que a preocupava na troca de intimidades com Aioria.

- Sim – respondeu beijando-a delicadamente – Mas se você n... - não o deixou terminar, calou-o continuando o beijo vagaroso.

Tirou sua blusa e escorregou os dedos para a calça, não estava com tanta pressa, mas imaginou que o aperto do jeans deveria estar incômodo com a crescente excitação e queria deixá-lo confortável. O leonino gemeu quando ela abriu o botão e a trouxe para mais perto. Era bom senti-lo sem aquele tecido grosso, seu órgão pulsava contra sua barriga e virilha provocando seus próprios gemidos com o atrito. A umidade entre suas pernas aumentava a cada carícia e Marin passou a se perguntar por que deveria enrolar mais? Esperara tanto tempo para voltar a senti-lo assim e todo seu corpo parecia eletrificado com o desejo latente. Queria-o por completo.

Tocou a ponta do membro rígido que escapava da cueca e o ouviu murmurar seu nome. Mantiveram o rosto colado, apenas analisando a respiração um do outro conforme ela descobria sua virilidade e ele abria o zíper de seu vestido. A vontade de ver seus olhos verdes no seu, de observar as reações de sua face a frustava um pouco, mas mantê-lo próximo assim lhe permitia sentir na pele a mínima variação de suas expressões contra seu rosto:

- Eu adorei esse vestido em você – Aioria sussurrou enquanto escorregava vagarosamente o tecido pelo seu quadril. O vestido cedeu ao peso e caiu no chão. O cavaleiro, então, tateou seu quadril e roçou os dedos na renda de sua calcinha – De que cor é?

- Branca – respondeu segurando o gemido de prazer que seu toque lhe provocava.

Sentia-o quente, com o coração e respiração acelerados, mas parecia determinado a conduzir cada etapa vagarosamente. Beijou-o e apertou os dedos em seu membro volumoso. Queria estimulá-lo a continuar a despi-la, a enlouquecer de desejo e penetrá-la, contudo demorou para que o cavaleiro cedesse. Foi ela que enlouquecia conforme sua língua explorava sua orelha, pescoço e seios. Parecia querer memorizar seu corpo com cada carícia.

Marin forçou os seios contra seu tórax musculoso e arqueou o joelho para senti-lo mais. Foi quando ele cedeu a excitação. Ouviu o som de plástico entre os gemidos e percebeu que ele pegara a camisinha. Se livraram do restante das roupas sem desgrudar os lábios. Ela acompanhou os sons do preservativo sendo colocado e tocou seu membro para se certificar do que ouvira. A posição de Aioria quase sentado no tronco facilitou para que, sem pensar muito, ela arqueasse os joelhos e deixasse seus corpos finalmente se encaixarem.

A sensação de prazer foi muito maior do que ela esperava. Nada próximo do que se lembrava. A química deles a assustava, mas não conseguia se preocupar com as consequências que essa atração lhe traria. Entregou-se ao deleite de senti-lo. Eles movimentaram os quadris juntos, os rostos colados entre cada gemido.

Ele a girou, posicionando seus quadris mais acima e encostando-a na árvore. Todos os seus pontos sensíveis eram perfeitamente atiçados na nova posição e ea ruiva se viu gemendo o nome de Aioria entre seus respiros ofegantes. Demorou para que percebesse que o atrito do tronco em suas costas começara a aranhar sua pele e, antes que falasse algo, o leonino a afastou um pouco da árvore:

- Está te machucando, não é?

- Tudo bem ... - a ruiva mordiscou seu lábio inferior e desenlaçou seu quadril. Beijando-o e levando-o a se ajoelhar junto com ela. - Eu não sei quanto as outras garotas, mas eu acho que falta um colchão aqui.

Marin sentiu-o apertar sua cintura possessivamente:

- Não há nenhuma outra garota, Marin. - seu sussurro cálido foi muito mais sério do que esperava e fez seu coração acelerar. A declaração esboçou uma leve pontada de mágoa e a amazona se preocupou que seu comentário irônico geraria uma conversa desnecessária nesse momento.

- Eu só.. estava brincando. Está tudo perfeito, com ou seu cama. - apressou-se em beijá-lo para que voltassem a intimidade que seus corpos almejavam. Por alguns segundos achou que ele protestaria, que voltaria a falar mais, contudo ele cedeu conforme Marin o guiou até o chão. - Você é perfeito.

Ela encaixou-o entre suas pernas sentindo-a preenchê-la novamente. Entre um longo beijo mantiveram seus corpos sincronizados até que a amazona afastou-se de seu rosto e se dedicou a apenas acelerar o movimento de seu quadril. Sentiu as mãos dele apertando seus seios e abriu as pálpebras encarando os dois brilhos esverdeados que reluziam a sua frente.

Oh, não. Não, não, não.

Podia ver suas expressões de deleite naquela penumbra. Podia ver que ele a fitava intensamente com seus olhos esmeralda. Naquele local que se deitaram a luminosidade da lamparina os alcançara e Aioria conseguia ver seu rosto descoberto.


*Estou considerando que a história se passa no fim da década de 70, seguindo a ideia do Kurumuda mesmo.

Não revisei esse capítulo e mudei várias coisas de última hora, mas depois devo edito aqui os erros grotescos que aparecerem. E o de sempre: não desisti da história, mas fiquei esperando mais reviews para escrever mais … mentira! Hahaha não estou conseguindo escrever mesmo com a correria =/, mas espero postar outro em 15 dias! Obrigada a todos que ainda estão lendo! =*

EDIT: Alterei os parágrafos finais, na hora de colar o texto vi que acabei cortando umas coisas que não queria haha. Ah, a Sofistinha fez um comentário sobre Amazonas e outros métodos anticonceptivos e resolvi já introduzir isso aqui. Ia deixar mais para frente, mas como ela sugeriu, achei que faltou mesmo mostrar que o problema da Marin é mesmo a insegurança geral da relação com o Aioria... Enfim! Que venha o próximo capítulo "Vela" =*