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*Por Enquanto – Cássia Eller
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Ter 25 anos não era fácil, pois era nessa época da vida de um jovem adulto que ele estava se adaptando a profissão que escolhera e eu seria mais uma mulher de 25 anos passando por esses tipos de problemas se também não tivesse um bebê em casa e fosse casada. Tudo em minha vida tinha que ser um pouco diferente e complicado em comparação as outras pessoas e eu estava começando a achar de verdade que eu era a personificação na terra da Lei de Murphy.
O estilo de trabalho que eu comecei antes de me casar era totalmente diferente do trabalho pós-licença maternidade. Eu fui bastante poupada por estar grávida e ainda estar começando no jornal, mas agora a exigência de meu editor era maior, as requisições de assuntos a serem tratados eram diárias e a pilha de artigos para revisar só crescia sobre minha mesa, me obrigando facilmente a passar de dois cigarros no almoço para meio maço durante o dia todo.
Uma jornalista jovem recém-formada poderia passar o dia todo estressada com a redação de um jornal que ao chegar em casa poderia terminar seu trabalho em paz e curtir um pouco o companheiro, mas eu tinha um bebê cada dia mais hiperativo para cuidar. Thomas estava na fase de engatinhar graças ao esforço que Edward fez para ele se virar sozinho no chão da sala em busca de seus brinquedos e tentava manter uma comunicação com nós dois mesmo que suas palavras fossem uma espécie de dialeto particular de bebês de sua idade. Essa vontade de explorar o mundo precisava ser acompanhada de perto e eu tinha a ajuda de Abby durante o dia, mas a noite eu me transformava naquele feirante que precisava ficar com um olho no peixe e outro no gato, trabalhando com o computador na sala para estar de olho nele ao brincar no carpete.
Edward me ajudava bastante quando podia, mas seus cincos dias úteis da semana eram ocupados com plantões até a meia-noite e o final de semana era dedicado a estudar para os testes práticos e os casos clínicos que lhe eram dados. Mas o tipo de ajuda que ele me dava na verdade atrapalhava bastante, pois ele considerava cuidar de Thomas as brincadeiras que o deixava mais acordado ainda e tornava o momento em que ele deveria ir dormir em um inferno para mim. Diversas vezes eu desistia de colocá-lo para dormir no berço e ia dormir ao mesmo tempo em que Edward assistia às fitas com cirurgias neurológicas que o Dr. Stuart o dava e apoiava Thomas em um travesseiro em suas pernas dobradas para ele dormir quando sentisse sono.
Eu vivia tão ocupada com tudo que nem percebia que os meses iam passando e logo eu completaria um ano de casada com Edward, que também faria um ano que eu me formei e um ano que eu descobrir que estava grávida de Tom. Não estava sendo exatamente como eu imaginei nosso primeiro ano de casados, pois eu sempre imaginei que iria dormir cansada por ter transado a noite inteira com Edward e não por ter corrido contra o tempo para terminar meu trabalho em casa e cuidar de um bebê qu exigia atenção dobrada, mas de certa forma ele tentava sempre manter o clima igual à época de namoro. Em uma noite de Agosto ele conseguiu de verdade trazer esse clima de volta.
Foi na noite que eu precisei ficar até mais tarde na redação por causa de artigo especial sobre a morte de Michael Jackson e seus 51 anos, mas Edward havia me garantido que não tinha plantão naquele dia e que iria cuidar de Tom quando Abby fosse para casa. Cheguei bastante cansada em casa e estacionei o carro de qualquer forma na porta da garagem, mas ao abrir a porta da frente meu cansaço foi obrigado a ir embora.
A sala estava com as luzes apagadas assim como o restante da casa, mas centenas de velas espalhadas pelo chão e móveis iluminavam o local de modo aconchegante. Olhei ao redor boquiaberta enquanto deixava minha bolsa no chão e Edward apareceu na sala com duas taças de vinho tinto na mão, lindo como sempre com o cabelo bagunçado e um suéter azul escuro que eu adorava, pois deixava seus braços mais definidos e suas costas mais largas.
- Qual a ocasião especial? – questionei quando ele me entregou uma taça.
- Você passou 365 dias casada comigo e não se lembra disso? – ele retrucou espantado de modo dramático.
- Mas nosso aniversário de casamento foi na semana passada.
- E foi por isso que eu mudei a data de comemoração para ser uma surpresa.
Ele parou muito próximo de mim quando eu tomei um gole do vinho e soltou a presilha no meu coque mal feito fazendo meu cabelo cair em cascata sobre meus ombros. Seu sorriso era perfeito como nos outros anos de relacionamento e seu perfume marcante já começava a me trazer lembranças maravilhosas ao seu lado.
- Quais são seus planos para hoje? – perguntei dando um passo para colar meu corpo ao dele.
- Thomas irá passar a noite na casa de meus pais e será bastante mimado por todos até o meio-dia de amanhã. – ele respondeu adentrando meu cabelo na nuca e puxando meu rosto para colar no seu. – Isso nos dá umas 12h para aproveitar...
O modo que ele possuiu minha boca foi tão desesperado que nossas taças de vinho quebraram no chão quando ele me carregou pelas coxas e me levantou em seu colo. Nossa pressa e nosso tesão eram tamanhos que ninguém cogitou a possibilidade de subir as escadas para utilizar nossa cama e logo minhas costas somente de sutiã encontraram o carpete da sala. Arranquei seu suéter na mesma pressa que ele arrancou minha blusa e estava pronta para arrancar sua calça quando Edward parou de me beijar e se afastou para ficar em pé.
- Não posso esquecer... – ele disse indo até o som.
Aproveitei para tirar meu sapato e minha calça, mas parei com ela no meio das pernas quando escutei os gemidos particulares de uma música ecoar alto por toda a sala.
Sex(I'm) – Lovage
- Eu não acredito... – murmurei o observando tirar a calça. – Você ainda lembra isso?
- Como eu poderia esquecer a música que tocava quando nós transamos pela primeira vez? – ele retrucou se ajoelhando entre minhas pernas e terminando de tirar minha calça. – Desde aquele dia, quando eu te escutei gemer meu nome enquanto eu sentia pela primeira vez como era maravilhoso estar dentro de você, - ele continuou colocando uma mão em minhas costas para abrir meu sutiã. - Eu sabia que você seria minha para sempre, Prince.
- Deveria ser proibido você dizer esse tipo de coisa com essa voz tão sexy. – comentei o assistindo tirar meu sutiã e levar sua língua experiente para meu mamilo direito. – Eu já estou encharcada demais...
- E eu já estou duro demais de tesão por seu corpo mais perfeito a cada ano. – Edward retrucou com os lábios agora em minha garganta e levando apenas um dedo para o interior de minha calcinha para ser molhado por meu tesão escorrendo por ele. – Por você ser tão perfeita para mim...
- Baby... – gemi apertando meus olhos quando ele deslizou para meu interior e depois trouxe o dedo para meus lábios, o delineando enquanto eu provava de mim mesma e ficava mais excitada ainda.
Como há quase seis anos, eu não abri meus olhos quando ele tirou minha calcinha e começou a tirar sua cueca, mas não foi por vergonha como havia sido naquela tarde em seu antigo quarto. Foi porque o meu desejo por ele era tão grande que eu precisava me concentrar muito para não me perder rapidamente no prazer.
- Eu te amo, Bella. – ele disse olhando bem dentro em meus olhos e quando meu nome saiu de seus lábios ele me penetrou de vez em um único movimento preciso.
Ser preenchia pela peça ideal para nosso encaixe perfeito era tão bom que me causava uma sufocação de prazer e me obrigou a afastar meus lábios de sua boca buscando a minha para retrucar aquela declaração.
- Sim, Edward... – gemi com a voz engasgada pela movimentação dele dentro de meu corpo. – Eu te amo tanto, baby.
Sua mão ficou o tempo todo agarrada a lateral de meu rosto em busca de apoio e eu sentia minhas costas roçando contra o carpete pelo movimento de ir e vir que Edward executava ao realmente meter em mim. A maneira sem delicadeza que ele atingia fundo em meu sexo – o choque entre nossos corpos causando aquele barulho particular que foi abafado pela música alta no repet – só poderia ser traduzida daquela forma e eu tinha certeza de que aquela seria uma das noites que eu teria múltiplos momento de prazer com ele me amando e me deixando louca.
- Por favor, Bella... – ele murmurou em um gemido ao colar a testa suada na minha e me olhando fundo nos olhos. – Eu quero ver seu corpo perfeito se movimentando enquanto você rebola sobre mim...
Eu senti que todo o líquido do meu corpo se concentrou em meu sexo quando ele disse aquilo e invadiu minha boca na mesma intensidade com que me penetrava. Mas é claro que eu faria aquilo! Eu faria qualquer coisa que aquele homem me pedisse com aquela voz rouca capaz de fazer meu coração parar e que causava vibrações contra meus lábios. Me apoiei em meus cotovelos para que Edward girasse nossos corpos e me colocasse na posição ideal sobre seu quadril.
Meus joelhos arranhavam contra o carpete enquanto eu me movimentava com pressa sobre ele, o observando cada vez mais ofegante enquanto apertava minhas coxas suadas com tanta força que era quase capaz de perfurar meus músculos se contraindo com os espasmos chegando e indo embora. Nossos gemidos eram confundidos com os da música de Lovage e eu senti uma necessidade urgente de ver seus olhos verdes queimando de prazer.
- Olhe para mim, baby. – pedi sentindo meu sexo arder com a fricção. – Eu quero gozar olhando nos seus olhos.
Edward se apoiou nos antebraços para obedecer meu pedido e eu senti os músculos de seu abdômen contraírem sob minhas mãos apoiadas nele, mas não ficamos naquela posição por muito tempo, pois logo ele agarrou minhas pernas para laçar sua cintura e sentou no carpete enquanto abocanhava meu queixo em uma mordida prazerosa e me obrigava a esfregar meu quadril contra o dele com mais força.
Não havia mais nada iluminando a sala ao nosso redor e a música repetia pela a oitava vez talvez. Eu estava sentindo que meu sexo iria derreter de tão quente e molhado que estava quando Edward pediu que eu gemesse seu nome mais uma vez e nossos corpos se renderam ao prazer que nós buscamos naqueles minutos sagrados. Em sincronia, nós compartilhamos mais uma vez de um momento onde ninguém poderia me roubar daquele homem abraçado ao meu corpo ao me dar um último beijo caloroso antes de sair de meu interior.
Ninguém tinha coragem de levantar do chão da sala e Edward utilizou meu sapato para jogar contra o som e desligá-lo, me fazendo gargalhar contra seu peito suado e salgado. Eu me sentia bem como há muito tempo não conseguia e tudo isso graças ao marido perfeito que fazia uma surpresa perfeita para nossa data especial.
- Feliz aniversário de casamento. – murmurei sendo embalada por sua respiração.
- Um ano com esse anel no dedo e você ao meu lado. – ele retrucou no mesmo tom de cansaço. – Mas você sempre foi minha senhora Cullen.
- Não acredito que nós estamos juntos há quase seis anos. Parece que foi ontem que você me salvou de mais um acidente naquela festa de boas vindas da faculdade.
- Eu nunca imaginei que aquela garota cheirando a cerveja e morango que tinha a testa sangrando fosse ser minha namorada, minha esposa, a mãe de meu filho.
- Quase uma década com uma mesma pessoa. – analisei mais uma vez nossa situação.
- Cara, quase uma década transando com a mesma pessoa. – Edward disse um pouco espantado.
- Edward! – o repreendi mal acreditando no que ele disse. – Isso é coisa que se diga?
- Mas é sério. Você pode tecnicamente só ter transado comigo sua vida toda, mas eu tive experiências anteriores que me faziam duvidar que apenas uma mulher pudesse me satisfazer.
- Você sabe que está acabando com todo o clima com essa declaração, não é?
- Eu só estou tentando lhe explicar como você foi capaz de me transformar em um homem de uma mulher só.
- Você está querendo dizer em outras palavras que já comeu melhores, mas se contenta com o que tem agora. – murmurei sentando com uma expressão de tristeza, mas ele me puxou novamente para deitar sobre seu corpo e acariciou meu rosto com delicadeza.
- Sua insegurança é um charme, sabia? – ele comentou passando o dedão na minha olheira esquerda.
- Mas...
- Bella, eu te pedi em casamento há um ano mesmo sem saber que você estava grávida porque só a idéia de outro homem poder te ter para sempre me deixava louco. Eu precisava te fazer minha oficialmente, saber que daqui a vinte anos nós ainda estaríamos assim.
- Sem roupa no chão da sala? – questionei o fazendo rir e meu corpo tremer com a vibração de sua risada.
- Também, mas juntos, sem que os problemas pudessem afetar nossa relação. Eu trabalho demais, você chega cansada do trabalho e ainda precisa cuidar de Tom e um momento nosso como esse é muito raro, mas...
- Mas eu sou feliz por saber que sou sua. – completei a frase com as palavras que pareciam certas. – Eu sei que mesmo quando tudo está dando errado e minha vontade é de fugir sozinha para o Himalaia, você estará ao meu lado e conseguirá me acalmar ao me chamar de Prince.
- Prince. – ele sussurrou contra meus lábios. – É o apelido mais idiota do mundo.
- É melhor que amorzinho ou chucuzinha. Além do mais, é original e único.
- Geralmente as mulheres querem um apelido que signifique algo fofo, não um cantor de orientação sexual duvidosa.
- Mas desde o primeiro dia você sabia que eu não era uma mulher normal.
- Verdade. Uma mulher normal não iria quase ser atropelada porque estava contando quantas vezes foi parar no hospital em seis meses.
- E é por isso que você me ama, não é? – perguntei fazendo um biquinho discreto e com um olhar de cãozinho abandonado.
- Por isso e por todos os outros motivos que te torna tão única. – Edward respondeu antes de me imprensar contra o tapete e me beijar novamente, um único movimento suficiente para que eu o recebesse outra vez no chão daquela sala.
Se eu soubesse que aquela seria a nossa última noite de verdade juntos teria aproveitar mais cada segundo que Edward me amou e me disse coisas que eu jamais repetirei por puro egoísmo, pois essas palavras só diziam respeito a mim. Mas na manhã seguinte – quando Abby nos encontrou dormindo no chão da sala enrolados apenas com a manta do sofá -, a nossa rotina estava de voltar e eu precisei ter energia de sobra para trabalhar, ser mãe e dona de casa. Aquela definitivamente foi a última noite que Prince pôde ser de Baby em paz.
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