Capítulo 10 - Grande erro.
Kagome saiu do banheiro após se arrumar e abriu a grande janela do seu quarto, deixando a brisa matinal balançar seus cabelos, sentiu um leve arrepio correr-lhe o corpo, ainda fazia frio. Caminhou até o armário separando o uniforme e um par de meias 7/8 branca, tirou a camisola lilás e vestiu um short preto e logo depois a saia verde e o moletom branco estilo marinheiro. Olhou para o relógio, ainda tinha 20 minutos para chegar até a escola sem se atrasar.
Vestiu as meias, embora não ficasse doente ela não gostava de passar frio, e calçou um sapato marrom, pegou a mochila branca que estava na cadeira e desceu, indo até a cozinha, colocou na mochila um embrulho que estava separado e comeu algumas bolachas.
Fechou a porta da sala com chave antes de começar a andar em direção à escola. A escola não ficava muito longe da casa de Kagome, ela levava em média 10 minutos andando para chegar. Quando chegou em frente aos grandes portões bronze da escola, suspirou, ela não conseguia imaginar qual seria a reação de Sango depois da conversa na noite anterior. Procurou a morena com os olhos, apenas por curiosidade, afinal de contas ela havia feito um acordo com Inuyasha e se afastar de Sango era um dos pontos principais naquele acordo.
Não a encontrando concluiu que estaria com Miroku no pátio traseiro, onde eles sempre ficavam antes das aulas começarem, suspirou novamente, porque sentiu vontade de ir até lá e fazer companhia para os dois, mas sabia que Inuyasha estaria lá e sabia que não poderia.
- Arashi?
Kagome virou seu rosto para trás, piscando levemente seus olhos azuis e sorriu.
- Bom dia, Houjo. – disse educadamente.
- Tinha certeza de que era você! – disse o rapaz sorrindo. – Você já está melhor da febre que teve semana passada?
- Ahn? – disse Kagome arqueando a sobrancelha.
- Semana passada você faltou, o professor Myouga nos disse que você estava com febre. – disse Houjo.
- Ah, isso! – disse Kagome. – Sim, sim, estou melhor, obrigada por perguntar.
Era mentira. Kagome não estava com febre, na verdade ela havia ido atrás de um yokai guaxinim que andava roubando as lojas da cidade, por sinal, Myouga mesmo é quem tinha falado sobre ele e sobre como ele enganava os lojistas há um bom tempo.
Houjo sorriu encabulado. Ele era um rapaz simpático e popular com as garotas da sala, mas quando se tratava de Kagome ele sempre parecia inquieto ou tímido com alguma coisa, insistia em chamá-la de Arashi, coisa que ela odiava.
- Ah, Houjo, aproveitando que você está aqui. Você sabe onde o professor Myouga está? Preciso falar com ele. – disse Kagome.
- Sei sim, ele está na sala de música, sabe onde fica? – disse o rapaz sorrindo.
- Hm, na verdade não. – disse Kagome mordendo de leve o lábio inferior.
- Se quiser eu posso te mostrar onde fica. – disse Houjo.
- Mesmo? Obrigada! – disse Kagome sorrindo. – Eu adoraria.
O rapaz soltou outro sorriso encabulado e começou a andar, pedindo para que Kagome o seguisse. Os dois andaram pelo prédio passando por alguns corredores, mas antes de acharem a tal sala de música o sinal tocou, a garota olhou para Houjo e sorriu.
- Pode me explicar onde fica? Eu realmente preciso falar com ele agora e não quero que você se atrase para aula, você teria problemas.
- É só seguir o corredor e virar a direita. – disse Houjo. – Tem certeza que não quer que eu te acompanhe?
- Tenho sim, não se preocupe comigo e obrigada pela ajuda, Houjo. – disse Kagome.
Houjo olhou para a garota antes de se virar e sair correndo pelos corredores, indo para a sala. Kagome ficou olhando o rapaz se afastar, até se lembrar do motivo de estar ali, seguiu as ordens de Houjo andando até o fim do corredor e virando a direta, havia uma única porta, ela bateu e logo Myouga abriu.
- Você não deveria estar na sala? – disse.
- O que está fazendo na sala de música? – disse Kagome arqueando a sobrancelha.
- Ainda sou seu professor, - retrucou o velho yokai. – então responda minha pergunta, por favor.
- Estava atrás de você. – explicou Kagome. – Se importa em falar comigo agora?
- Você deveria estar na sala! – afirmou dessa vez Myouga. – O que pode ser tão importante assim?
- Você é um yokai, deve imaginar qual é o meu problema! – disse Kagome.
- A meu ver existem vários problemas com você. – retrucou Myouga.
- Eu podia ficar sem essa. – disse Kagome.
- Você já está aqui, não é mesmo? – disse Myouga. – No que precisa de mim?
Kagome sorriu, fazendo Myouga desviar o olhar.
- Meu lugar na sala, eu realmente não posso continuar lá! – disse Kagome.
- O problema é o Inuyasha? – disse Myouga.
- Exatamente. Não é só por mim, é por ele também, não sei se você sabe, mas o Inuyasha nunca viu um anjo antes, então ele realmente não sabe como agir. É muito problemático! – explicou Kagome.
- Isso é um pedido ou uma ordem? – disse Myouga.
- Depende da sua resposta. – disse Kagome em tom divertido. – Estou pedindo como qualquer outra aluna, aquele lugar realmente não serve para mim, você poderia dar um jeito nisso? Você deve entender como é difícil para o Inuyasha ficar perto de mim e como eu tenho me agüentado para não ter um ataque de nervos.
- Ah, esses jovens, cheios de hormônios! – disse o velho. – Certo, eu vou ver o que posso fazer por você, agora volte para a sala!
- Não posso ficar aqui até a próxima aula? – perguntou Kagome olhando distraidamente para seus pés. – A próxima aula é com você mesmo e o professor Yaji não vai me deixar entrar.
- Você ainda vai me trazer problemas!
E dizendo isso Myouga dando um passo para o lado e abrindo passagem para Kagome, que sorriu antes de entrar na sala. Ela caminhou um pouco, olhando os instrumentos, até sentar em uma cadeira almofadada vermelha. Os dois ficaram em silêncio, até Myouga começar a falar.
- Pode me dizer o motivo de estar aqui?
- Acabei de explicar. – disse Kagome sorrindo.
- Você sabe que não é sobre isso que estou falando. – respondeu o velho yokai.
- Sei. – disse Kagome. – E você sabe que não posso responder o que você me perguntou.
- Sei. – disse Myouga.
- Está preocupado com alguma coisa? – disse Kagome.
- Tenho minhas teorias para os motivos de você ter vindo para essa cidade. – disse Myouga agora olhando pela janela. – Nós nunca fomos atacados seriamente, os yokais daqui são pacíficos e até mesmo o Sesshoumaru não trás problemas para os outros, logo não é como se você fosse necessária aqui.
- Uma teoria? – disse Kagome de forma interessada. – E qual seria?
- Você veio atrás de gente inocente, – disse Myouga. – eu já vi isso antes, não sei qual o problema com vocês, mas eu não vou participar disso.
- Gente inocente? – repetiu Kagome. – Você está tentando me dizer que existem yokais inocentes andando por ai? Que você é inocente?
Myouga virou o rosto para Kagome, seu rosto gorducho estava vermelho e ele parecia estar irritado com algo.
- Isso é o que mais odeio em vocês. – disse balançando impacientemente os braços. – Essa maneira como acham estar acima do bem e do mal! Você é uma assassina, suas mãos estão tão sujas quanto as minhas. A diferença entre nós é que eu tive uma escolha e parei. Você não. Então, por favor, não apareça aqui com essa cara de criancinha se dizendo inocente, porque você não é!
- Não me compare com você! – disse Kagome. – Eu nunca, nunca matei um inocente. Quantos humanos você já matou? Acha que não sabemos sobre os yokais que você bajulava, sobre os vilarejos inteiros que você destruiu? Você diz ter tido uma escolha, mas se esquece que só pôde ter essa escolha porque nós deixamos!
- Então, para você, só um humano é inocente? Se eu matar outros yokais ainda serei inocente? E o que você me diria se eu saísse por ai matando estupradores, seqüestrados? Eu estaria errado? – disse Myouga.
- Eles são humanos! – respondeu Kagome de forma histérica. – Eu não estou aqui para julgá-los, eu não nasci para isso! Estou fazendo o que me foi mandado fazer!
- Vocês sofrem algum tipo de lavagem cerebral onde são criadas? – disse Myouga. – É a única explicação para tamanha ignorância! E se eu te perguntar quem é que disse que essa é a sua missão? De onde vocês tiraram isso? Está escrito em algum lugar, algum manuscrito sagrado que só vocês têm acesso?
- Nós não precisamos disso! – retrucou Kagome. – Nós simplesmente sabemos, se nós não fizermos ninguém mais irá fazer!
- Eu me pergunto se você realmente acredita nisso ou se tem preguiça de pensar por conta própria. – disse Myouga. – Porque é realmente uma pena ver alguém da sua idade se afundar em ideais tão utópicos quanto esses, você deveria pensar por você mesma e não sair repetindo o que lhe falam.
Kagome levantou-se da cadeira e começou a falar histericamente:
- De novo essa história? O que vocês acham que eu sou? Um fantoche na mão da Kikyou? Eu posso fazer o que bem entender da minha vida, eu quem escolhi esse caminho então parem de me julgar, de achar que não sei o que estou fazendo ou falando, porque eu sei!
Myouga olhou para Kagome, a garota é quem estava vermelha agora. Seus olhos azuis brilhavam porque grandes poças de água se formavam nele, mas nenhuma lágrima escorria por seu rosto.
- Por que ficou tão alterada? – disse o yokai.
- Porque eu odeio essa cidade! – gritou Kagome. – E odeio vocês yokais com suas teorias estúpidas sobre mim. Estou cansada de todos vocês.
- Nós yokais também estamos cansados de vocês. – disse Myouga.
- Só que eu não fiz nada para vocês! – retrucou Kagome. – Se vocês têm problemas com as minhas irmãs ou com as minhas antepassadas, não descontem em mim! É irritante isso.
- É engraçado ouvi-la dizendo isso, senhorita Arashi, - disse Myouga em tom irônico. – porque é exatamente o que você faz conosco. É agradável ter alguém apontando o dedo na sua cara e te culpando por erros que não são seus, não é?
- Você é um yokai! – retrucou Kagome.
- Sim e você? O que você é? – disse Myouga. – Entenda, Kagome, eu não estou aqui para julgá-la como você mesma disse, nem para questionar seus motivos. O que eu acredito é que algum yokai tenha feito algo terrível e inaceitável contra você ou contra alguém de quem você goste e é por isso que você ficou com tanto ódio, mas você não pode continuar assim, não percebe quão cega se tornou?
- Porque eu deveria ouvir o que um yokai tem a me dizer? – retrucou Kagome.
- Tente ouvir o que seu professor está falando. – disse Myouga. – Você é inteligente, sei que vai tomar a decisão certa.
- E agora? Do que é que você está falando? – disse Kagome.
- Se minhas teorias me mostrarem que estou certo sobre a sua vinda creio que você entenderá mais cedo ou mais tarde o que estou falando. – disse Myouga.
Kagome apenas revirou os olhos em uma tentativa frustrada de tornar sua visão mais nítida, o velho yokai que já voltara a tonalidade normal olhou-a e suspirou.
- Vamos agir como se nunca tivéssemos tidos essa conversa, por pior que nossas relações tendam a ser, sou seu professor e não quero de maneira alguma tomar uma posição contra você.
- Faça o que quiser. – resmungou Kagome.
O silêncio entre os dois reinou até o sinal tocar, Kagome pegou seu material e se arrastou para fora da sala sem olhar para trás, sabia que Myouga estava por perto, ouvia os passos do professor seguindo o mesmo caminho que ela estava fazendo. Abriu a porta da sala fazendo o mínimo de barulho que conseguia, mas isso fora inútil, ao ver a porta se abrindo todos desviaram o olhar dos cadernos e olharam para ver quem entrava.
- Chegou cedo. – disse o professor que ainda não saíra da sala – Qual a explicação para a falta na minha aula?
Antes que pudesse responder, Myouga entrou na sala, sorrindo e disse:
- Desculpe, Yaji, mas eu precisei da senhorita Arashi. Era um assunto inadiável.
Yaji lançou um olhar significativo para o yokai antes de começar a pegar seus livros em cima da mesa.
- Está certo, mas espero que você possa resolver seus problemas fora do horário de aula ou pelo menos, use suas próprias aulas para isso. E quanto a você, Arashi, - disse Yaji virando-se para a garota – quero que faça um seminário sobre a matéria que apresentei hoje, não sou um yokai, logo não me importam os seus assuntos pessoais. Ele valerá 50% da nota da sua prova.
Kagome arregalou os olhos e pegou fôlego para retrucar, mas antes que isso fosse possível o professor sorriu graciosamente se despedindo da turma e saiu pela porta. Myouga olhou para a garota e depois para a sala, correu os olhos por todas as mesas e soltou um leve suspiro.
- Nayame, preciso que troque de lugar com a Arashi. – disse olhando bondosamente para uma garota loira que sentava na primeira carteira, na frente da mesa do professor. – Ela está tendo alguns problemas para se adaptar ao método de ensino dessa escola e acho que ficar perto do professor irá ajudá-la, seria muita bondade da sua parte se nos ajudasse com isso.
A garota abriu um enorme sorriso e concordou na mesma hora, era óbvio que detestava aquele lugar e a possibilidade de sair dali e ainda por cima sentar-se no fundo fez com que ela rapidamente pegasse seu material e sentasse no lugar que antes pertencia à Kagome. Com os olhos Kagome acompanhou todo o percurso de Nayame e no meio do caminhou, trombou com os olhares de Inuyasha, Sango e Miroku, deu um meio sorriso, mas não obteve nada em troca. Virou-se para Myouga e dessa vez, alargou os lábios em um verdadeiro sorriso.
- Obrigada. – disse antes de se sentar.
- Se precisar de ajuda em alguma coisa, pode perguntar para mim.
Kagome olhou para trás procurando o dono daquela voz e para sua surpresa encontrou Houjo, ela sequer notara que o garoto sentava ali. De certa forma, era um alivio, já que ele sempre fora muito simpático e ela teria com quem conversar.
- Houjo! – exclamou – Mas que ótimo, eu vou precisar mesmo de você, eu não faço idéia do que fazer para esse seminário, poderia me ajudar? Qual foi a matéria?
O rapaz sorriu, demonstrando que ser útil para Kagome era algo que lhe agradava, e começou a pacientemente explicar toda a aula e como eram apresentados os seminários. Myouga lançou um olhar de reprovação para os dois e finalmente começou a dar sua aula.
- Ela levou mesmo a sério a história de se afastar, heim? – comentou Miroku olhando distraído para Kagome que agora se sentava do outro lado da sala.
- É claro que levou, - retrucou Sango – ela não tem escolhas e mesmo que tivesse, não faria diferença, ela não liga para nada disso. Ela só se importa com a missão que tem que cumprir.
- Sinto certa revolta no seu tom de voz. – disse Miroku.
- Não quero falar sobre ela, ok? – retrucou a garota voltando a prestar atenção na aula.
- E você, Inuyasha, o que acha disso? – disse Miroku.
- Quem é aquele babaca? – disse Inuyasha encarando Kagome e Houjo.
- Quê?
- Quero saber quem é aquele ali, - retrucou Inuyasha impaciente – o babaca que está precisando de um babador. Quem é ele?
Miroku não pôde evitar soltar uma risada alta e ser repreendido por Myouga por causa disso.
- Como você não sabe quem é ele? Ele estuda com a gente há anos!
- Eu não me lembro de já ter visto essa cara de babão antes na minha vida.
- Inuyasha, é o Houjo, você não se lembra mesmo? O número 1 da escola, o cdf certinho, é impossível não se lembrar dele!
- Ele não está reconhecendo o Houjo porque ele não está mais usando óculos, nem aparelho, lavou e deu um jeito naquele cabelo e parou de usar a calça no umbigo. – disse Sango que agora parecia interessada na conversa dos dois – Já faz alguns meses que ele se tornou apresentável e até mesmo popular entre as garotas da escola.
- Você parece bem informada sobre ele. – disse Miroku.
- Ah, é, você está certo. – disse Sango distraidamente. – Ele nunca levou muito jeito com garotas e nem pareceu se interessar muito por elas, mas pouco depois que a Kagome entrou na escola ele me pediu ajuda, parece que finalmente percebeu que aquela cortininha ensebada na cara não poderia ser considerada um corte de cabelo e que as calças definitivamente não foram feitas para ficar em cima do umbigo, um grande avanço se quer saber.
- Eu tenho um pouco de dó dele, afinal ele só está sofrendo os efeitos da atração que ela exerce em pobres criaturas desprevenidas. – comentou Inuyasha em falso tom de descaso.
- O Houjo é humano, - disse Sango – o interesse dele é completamente diferente do seu, ele tem sentimentos e você só tem um punhado de sem vergonhice.
- O que está tentando dizer?
- O óbvio. Ele está apaixonado e pelo o que eu entendi, isso não é um sentimento que possa existir entre você e a Kagome, então o que ela exerce sobre você é completamente diferente do que acontece com o Houjo. Apesar de estar fula da vida com ela, seria interessante ver a Kagome se apaixonando por alguém legal, é a minha esperança de que ela mude aquela mentalidade dela.
- Vocês garotas são complicadas demais. – disse Miroku
- A Kagome se apaixonar? – retrucou Inuyasha ironicamente – Impossível, ela já está explodindo de tanto amor por sua missão que não resta espaço para amar mais alguém.
- Você ser incapaz de amar alguém além de você mesmo não significa que os outros também sejam assim. – disse Sango.
Miroku balançou a cabeça negativamente, impedindo Inuyasha de retrucar e virou-se para frente para acompanhar a aula, sendo imitando por Sango. Inuyasha, porém, continuou a encarar o outro lado da sala, na esperança que Kagome lançasse algum olhar perdido em sua direção, mas pelo o resto do dia ele esperou em vão, ela parecia sempre concentrada em Houjo ou no professor. Na última aula seu humor já estava insuportável, resmungava toda vez que alguém atrapalhava seu campo de visão ou falava com ele.
- Qual o problema com ele? – disse Miroku.
- Bom, a Kagome avisou que ele teria mudanças de humor assim do nada. – explicou Sango – Digamos que ele não sabe controlar os instintos tão bem quanto achou que sabia, mas pense pelo lado positivo, não há maneira de piorar o mau humor...
Antes de terminar a frase Sango foi interrompida pelo som de um caderno caindo no chão, ela olhou para trás e deparou-se com Inuyasha atacando seu material no chão, ignorando completamente a presença do professor e de outras pessoas na sala.
- Ah, era só o que me faltava! Ele! Sem dúvida alguma, tudo o que eu mais precisava era de uma visita amigável, claro, como eu não imaginei isso, ela está fazendo para me provocar! Aqueles dois se merecem! – ele resmungava em um tom alto.
- Como é que você ia dizendo, Sango? O humor dele não pode piorar, era isso? – disse Miroku.
Sango apenas suspirou em resposta.
- Algum problema com o seu material, Inuyasha? – perguntou o professor.
- Quê? – resmungou o hanyou em resposta sem pensar.
- O seu material. – insistiu o professor em falso tom amigável. – Ou será que o problema é com a minha aula?
Inuyasha arqueou a sobrancelha e olhou para o homem parado em pé a poucos metros dele mesmo e pôde ouvir o som que ele reconheceu como insistentes risadinhas.
- Desculpe. – disse enquanto pegava o material no chão.
- Não é a mim que você deve pedir desculpas e sim a Kagome, afinal, seu repentino ataque fez com que eu interrompesse a explicação de um exercício que ela havia pedido ajuda. – respondeu o homem.
Ele revirou os olhos e depois lançou um olhar de ódio em direção a garota, que sequer parecia saber da existência do fundo da sala. Kagome continuava a olhar para o professor como se ele estivesse explicando algo muito interessante, mesmo que ele estivesse em silêncio e olhando para outra direção, era como se ele esperasse alguma coisa.
- E então, Inuyasha, estou esperando.
- Pelo o que?
- Seu pedido de desculpas!
- Já me desculpei. - retrucou o hanyou emburrado.
Um sorriso vitorioso brotou no rosto do homem.
- Não com a pessoa certa.
Os dois se encararam e ódio mútuo que sentiam um pelo outro se tornou nítido.
- Professor, não se preocupe, está tudo bem, o Houjo já me ajudou! – disse Kagome.
Os olhos de Inuyasha desviaram os do homem e voaram em direção a Kagome e para sua surpresa, ela o encarava. O sorriso sumiu dos lábios do professor e ele voltou-se para a garota que ao perceber o gesto do homem, virou-se para frente e continuou a falar calmamente:
- É óbvio que aquela pessoa queria chamar a atenção. E como podemos ver, conseguiu. Acho que o melhor a fazer é voltarmos à aula, não que ela vá durar muito ainda, mas podemos usar esses últimos minutos em algo melhor...
- Você tem toda a razão! – retrucou o professor voltando a sorrir. – Parece que alguém além de mim consegue enxergar as coisas como elas são!
- Hm, obrigada professor Jaken. – respondeu Kagome sem entender muito bem a afirmação do professor.
- Você estava tentando chamar a atenção da Kagome, Inuyasha? – sussurrou Sango.
- É claro que não! – respondeu Inuyasha irritado. – Adivinha quem está na porta!
Antes que ela pudesse responder, o sinal tocou e como de costume a primeira a sair da sala foi Kagome, que ao passar pela porta saiu correndo pelos corredores com a mochila batendo nas costas. Inuyasha jogou no material na mala.
- Ah! Eu vou ver o que esses dois estão tramando!
E dizendo isso imitou Kagome e saiu correndo pelos corredores.
- Ele não saiu da montanha de novo, não é mesmo? – disse Sango.
- É, parece que não é só o Inuyasha que tem uma curiosidade particularmente grande em relação à Kagome. – disse Miroku.
Sango balançou a cabeça negativamente e suspirou.
- Acho que é melhor irmos atrás dele. – disse.
Miroku apenas concordou, enquanto arrumava seu material. Ao contrário de Inuyasha e Kagome os dois andaram sem pressa alguma pelos corredores da escola, isso até chegarem ao primeiro andar onde já era possível ouvir a voz do hanyou ecoando.
- Então essa é a sua maravilhosa missão? Você não deveria nos odiar? – berrava Inuyasha apontando para a garota.
- Você veio mesmo? – disse Kagome caminhando em direção ao yokai que estava parado no portão. – Achei que não viria.
- Eu não poderia perder isso por nada. – retrucou o yokai dando um meio sorriso irônico e balançando a cabeça na direção de Inuyasha.
- Não é tão divertido quanto parece, sabe? – disse Kagome.
- Estou falando com você e você sabe disso! – berrou Inuyasha. – Qual é o problema, está com medo de me encarar?
- Podemos subir logo? – disse Kagome.
- Você vai mesmo me privar desse espetáculo?
- Sesshoumaru, você acordou de bom humor?
- É, podemos dizer que foi isso.
Inuyasha ouviu os passos de Sango e Miroku se aproximando, mas antes que os dois pudessem alcançá-lo ele saiu batendo os pés em direção ao portão da escola.
- Ele parece especialmente irritado hoje, você não acha? – perguntou Sesshoumaru. – Alguma suspeita para esse comportamento?
- Não sei sobre quem você está falando. – retrucou Kagome. – Se você não faz questão de subir, então eu indo na frente, tenho um longo caminho a encarar.
- Por que não está me respondendo? – gritou Inuyasha ainda andando.
Sesshoumaru fez um barulho com o nariz e Kagome jurou que aquilo era uma risada, fez menção de perguntar se ele realmente estava rindo daquela situação, mas ouviu os berros de Inuyasha a poucos centímetros da sua nuca.
- A senhora perfeição agora também se acha boa demais para responder minhas perguntas? E você, – e apontou para Sesshoumaru. – que é que você está fazendo aqui?
- Estou indo na frente. – repetiu Kagome ignorando Inuyasha.
O rosto de Inuyasha adquiriu um leve tom vermelho.
- Você está indo na casa dele?
- Sim, ela está indo na minha casa. – disse Sesshoumaru.
- Ah, que ótimo isso, quanto avanço, é realmente incrível ver como vocês dois se tornaram amigos! Agora me diz quem vai matar quem? – disse Inuyasha.
- Não se preocupe, irmãozinho, eu não pretendo matar a sua queridinha.
- É claro que não! – disse Inuyasha ainda vermelho. – Pelo o que eu andei vendo dessa garota ai ela não cumpre a tal missão dela, qual era a história mesmo? "Ah, eu devo matar yokais", pura besteira! Eu sei bem o que ela está indo fazer lá em cima!
- Inuyasha, já chega, vamos embora. Isso não tem nada a ver com você. – disse Miroku que finalmente aparecera atrás do hanyou.
- Eu perguntei para a Kagome, mas ela não pareceu querer me responder, então é mais fácil ir direto a fonte, não acha? – disse Sesshoumaru. – Eu estava querendo saber o motivo de você estar tão irritado hoje, Inuyasha, é a minha presença?
- Não estou irritado. – retrucou Inuyasha cerrando os olhos.
- Está certo, está certo, falha minha. É que às vezes eu me esqueço quão irritante você pode ser e acabo me surpreendendo com tanta delicadeza vinda de você! – respondeu Sesshoumaru balançando distraidamente uma mão no ar.
- E você parece muito bem humorado hoje, não é? Pelo visto ela já conseguiu usar do instinto para fazer a linda amizade de vocês nascer. – disse Inuyasha rispidamente.
- Inuyasha! – gritou Sango.
Kagome que já estava a uns bons dois metros de distância da entrada da escola se virou ao ouvir a voz de Sango e cerrou os olhos, olhando em direção ao hanyou e começou a andar rapidamente até eles.
- Está com ciúmes, irmãozinho, é isso? – alfinetou Sesshoumaru.
- Vamos logo embora daqui, Inuyasha. – insistiu Miroku.
- Gente como ela não é digna de ciúmes! – retrucou Inuyasha.
- O que você está tentando dizer com isso?
O vermelho vivo que dominava o rosto do hanyou sumiu, dando espaço ao branco. O rosto de Inuyasha se tornara pálido ao ouvir a voz de Kagome, que o encarava a poucos centímetros. Ele não respondeu.
- Anda! Responda! – insistiu a garota. – Você não estava berrando para quem quisesse ouvir que eu estava fugindo de você? Então agora diga na minha cara o que você está enrolando para dizer!
- Parece que ela te pegou. – disse Sesshoumaru em um tom divertido.
- Fique fora disso! – disseram Inuyasha e Kagome juntos.
Sesshoumaru fez novamente o barulho com o nariz, mas Kagome ignorou-o dessa vez.
- Aprendeu a falar, foi? – disse Inuyasha.
A garota cerrou os olhos.
- Você não estava se gabando de controlar os seus instintos? O que é esse show todo?
- Você quer falar de instintos comigo, é isso? – a cor começava a voltar para o rosto de Inuyasha. – Não é com ele que você deveria falar? Você está indo lá para cima, tenho certeza que vai saber aproveitar bem o isolamento!
Os olhos de Kagome estavam agora tão cerrados que era possível ver apenas uma sombra azulada por entre as pálpebras e cílios.
- Vou perguntar mais uma vez... O que está tentando dizer com isso?
- Não é óbvio? – retrucou Inuyasha que continuava a falar apesar dos pedidos de Sango para que ele se calasse. – Você vai se aproveitar dessa história de instinto para sair se agarrando com qualquer yokai que aparecer pelo caminho!
Um silêncio imediato tomou conta de todos. Inuyasha voltou a empalidecer e abriu a boca para falar, mas antes que qualquer som saísse de sua boca e quebrasse aquele silêncio, mas foi o barulho vindo da mão de Kagome. Ela acabara de dar um tapa na cara de Inuyasha.
- Nunca... – disse Kagome agora com os olhos arregalados. – Eu disse nunca mais ouse falar comigo ou olhar na minha direção!
Miroku pegou no braço de Inuyasha e começou a arrastá-lo para fora da escola, porém Sesshoumaru impediu a passagem e arrancou o hanyou de Miroku, puxando-o pela gola da camisa da escola.
- Você nunca foi a pessoa mais educada do mundo, mas agora passou dos limites! – disse entre dentes. – Não fale sobre o que não sabe seu moleque mimado e arrogante.
Inuyasha enfiou as unhas nos braços de Sesshoumaru em uma tentativa de se soltar e mesmo com o sangue escorrendo o yokai sequer se moveu.
- Quem diria que o grande Sesshoumaru se apaixonaria por uma simples garotinha! – disse Inuyasha.
Kagome olhava a cena completamente perplexa, ela sabia que aquilo não tinha nada a ver com instinto, pelo menos não em relação à Sesshoumaru. Ele parecia estar agindo por conta própria e era isso que a assustava.
Sesshoumaru ergueu Inuyasha no ar e lançou-o com força para longe, o hanyou voou alguns metros até bater as costas em uma máquina de refrigerantes, entortando-a. Ele olhou para Miroku e falou:
- Eu esperava mais de vocês!
O garoto não respondeu, apenas saiu correndo indo em direção ao amigo.
- Você está bem? – perguntou Sango.
- Eu? – disse Kagome. – Estou.
- Mesmo?
- Mesmo.
- Eu sinto muito por isso, eu não acho que ele pense dessa maneira de verdade! – disse Sango. – Você mesma disse que ele teria mudanças de humor terríveis...
- Por favor, não tente amenizar os estragos.
Kagome olhou para Sesshoumaru, que já estava a alguns metros na frente. Pelo jeito, ele resolvera ir para casa.
- Eu preciso ir.
E antes de ouvir uma resposta correu até o yokai, sem olhar para trás. Kagome e Sesshoumaru andaram em silêncio por alguns minutos.
- Me permite perguntar o que foi aquilo? – perguntou timidamente a garota.
- Ele é um completo imbecil. – respondeu Sesshoumaru.
Kagome sorriu.
- Isso não é novidade! Na verdade, eu quero saber por que você o atacou. Quero dizer, eu sei que não foi instinto e você não me parece do tipo que defende a honra de uma donzela.
- Mais uma vez julgando sem conhecer. – recriminou Sesshoumaru.
- Hm, então estou certa? Você estava me defendendo?
- Agora que você falou, provavelmente deve ter parecido isso, mas não, eu não estava te defendendo. Ele só fez com que eu me lembrasse de algo que havia esquecido há muito tempo.
- Pelo visto não foi uma memória muito agradável.
Ele não respondeu.
Olá pessoas! Não, eu não morri, mas meu pc está quase lá! Antes de tudo quero pedir desculpas por sumir, sei que algumas meninas gostam de verdade da minha fic e não queria deixá-las na mão, mas aconteceu um monte de coisa e realmente não consegui postar! Nesse meio tempo, eu operei finalmente e tive o tempo de recuperação, não consegui usar o pc como achei que conseguiria e isso atrasou TODA a minha vida! :\ Quando consegui vir pro pc descobri que enquanto eu não usava minha família fez a festa e lotou meu pc de vírus (mais do que já tinha!), o word não está funcionando direito, vive travando e perdi muita coisa que eu tinha escrito, por isso o capítulo está tão pequeno!
Amanhã eu vou pro hospital de novo operar, mas volto pra casa no mesmo dia. Então, é provável que semana que vem eu já tenha um capítulo grande e bonito para vocês, isso claro se ainda quiserem acompanhar essa fic ;_; Só postei esse capítulo para mostrar que ainda estou viva e que ainda vou escrever a fic! Então, eu ficaria feliz se vocês me aceitassem de volta ;_;
Agradeço à H. Quinzel, Bia Yang, Hatara.L e Maah Sakura Chinchila pelas reviews, juro que na próxima atualização respondo vocês direitinho! i.i E Maah! PARABÉNS! E desculpe, me sinto culpada i.i Me diga um estilo de fic e um anime e faço uma fic oneshot para você para me redimir! ;_;~
Então é isso, prometo, juro, dou minha palavra que voltarei logo! Um beijo para vocês :*
