"Na balança da vida"
AUTOR: LARYSAM
BETA: VICKYLOKA
FANDOM: J2, Padackles
PARES: JARED/JENSEN,
NOTA1: Os atores de Sobrenatural, ou quaisquer outros atores de quaisquer outros seriados, não nos pertencem. Somos apenas fãs que gostam de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.
ADVERTÊNCIA: O conteúdo desta história é adulto. Estão advertidos, portanto, os leitores.
RESUMO: Um sempre acreditou no melhor das pessoas, no direito de ser considerado inocente até que se prove o contrário. Para o outro não existe meio termo e segunda chance, tudo é preto no branco. Ambos têm uma característica em comum: não jogam para perder. Mas, no jogo da vida, alguém sempre perde. O que acontece quando seus destinos se cruzam, mas em lados opostos? Poderão o amor e a justiça se encontrar, mesmo sendo ambos cegos?– Padackles/AU
CAPÍTULO 10
Jared e Chad seguiram juntos ao Fórum, o qual já estava repleto de repórteres, o que surpreendeu um pouco o moreno pelo fato da audiência ter sido remarcada em pouco tempo. Mas, pensando direitinho, não devia mais se surpreender com a mídia em casos como esse.
- Aonde você está indo? – Jared perguntou quando viu que Chad tinha feito uma curva, no lugar de seguir direto para entrada principal.
- Você não quer mesmo entrar por ali, quer? – O loiro olhava para ele como se tivesse sugerido a coisa mais absurda.
- E por onde vamos entrar? – Jared tinha se virado para o loiro.
- Conheço uma entrada alternativa, esqueceu? – Chad sorriu e deu uma piscada para o amigo, enquanto estacionava o carro aos fundos do fórum. – Você vem ou vai ficar no carro?
Jared balançou a cabeça negativamente e seguiu atrás do amigo que se dirigiu a uma porta lateral com uma guarda na entrada.
- Chad, essa não é a entrada exclusiva dos juízes? – Jared perguntou meio perplexo e meio admirado.
- Fica quieto e deixa que eu resolvo isso, ok? – Chad só virou um pouco a cabeça para trás, seguindo ainda o caminho quando a guarda entrou no campo de visão - Merda!
- O que foi? – Jared não estava entendo nada.
- As coisas só se complicaram um pouquinho, mas fica tranqüilo que eu sei como contornar isso.
Jared se calou e resolveu ver como o amigo iria conduzir as coisas, pois agora eles estavam de frente para a guarda que não parecia estar com cara de bons amigos.
- Elisha, minha linda, como você está? – Chad lançou sua voz mais doce e Jared arqueou as sobrancelhas. – Cadê o Scott?
- Não me vem com essa de "minha linda", Murray. – A guarda estava de uniforme e tinha os cabelos loiros presos num coque, mas Jared podia ver que ela era bonita. – E seu amiguinho James está de folga hoje.
- Mas, o que foi que eu fiz? – E Jared teve que fazer esforço para não rir da cara de inocente que o loiro lançou.
- Não se faça de desentendido, Murray. – A jovem guarda era baixinha, mas sabia se impor. – Você ficou de me ligar, fiquei esperando e isso foi tipo... há um mês!
- Eli, desculpa, eu sei que pisei na bola com você, mas eu cheguei a ligar. – Chad tentou se aproximar da loira, mas essa lhe lançou um olhar que o fez recuar. – Se não acredita em mim, pode perguntar ao James, ele está de prova, depois foram tantos processos, casos...
- Mulheres, farras... – A guarda acrescentou.
- Gatinha, você sabe que nenhuma garota que posso arranjar em farra se compara a você. E eu me senti muito mal por não ter ligado de novo, depois eu pensei que você não iria querer me ver nem pintado de ouro. – Chad tinha se aproximado da loira e procurado contato visual e, enquanto isso, Jared observava toda a cena sem acreditar. – Prometo que isso não vai voltar a acontecer.
- Você e suas promessas, Murray. – Seu tom foi firme, mas Jared viu pelo seu olhar que ela já estava no papo. – E aposto que só veio aqui para poder escapar dos repórteres.
- Eli, você sabe como eu e jornalistas nos entendemos. – O comentário arrancou um sorriso da guarda. – E você não deixaria de fazer esse favorzinho para mim, não é mesmo?
- Era o que devia, afinal você está longe de ser um juiz. – A guarda tentava ficar séria novamente.
Chad se inclinou um pouco e segurou levemente os braços da garota.
– Vamos lá, Eli? Pelos velhos tempos? – Acrescentou sorrindo maliciosamente e dando uma piscadinha.
- Ok, Chad, mas você vai ficar me devendo essa, do contrário, não precisa voltar a falar comigo. – Ela retirou as mãos do loiro.
- Porra, Elisha, não seja tão radical, eu vou te compensar, ok? – Chad caminhou até porta que tinha sido aberta. – Obrigada, linda. Vamos, Jared.
Só então, Elisha olhou para Jared, mas antes que pudesse falar algo, Chad a interrompeu. – Outra praia, Eli, e eu vou te ligar.
Com isso, Chad fechou a porta atrás de Jared, encerrando a conversa com a guarda. Quando estava seguindo pelo corredor em direção ao átrio, o loiro arriscou um olhar em direção a Jared que o observava com uma expressão indignada.
- Não é o que você está pensando. – Falou, tentando se justificar.
- E o que é exatamente? – Jared perguntou, parando e cruzando os braços. – Porque se você pensa que eu vou deixar você enganar a Sophia desse jeito.
- Já falei que não é isso. – Chad soltou um suspiro cansado. – Elisha e eu já tivemos um rolo. – E quando Jared arqueou uma sobrancelha, Chad acrescentou rapidamente. – Ok, já tivemos UNS rolos, mas não rola mais nada entre a gente, só estou devendo um favor para ela.
- Um favor? – Jared enfatizou a última palavra, encarando Chad.
- Não esse tipo de favor, não mais de qualquer jeito. – Chad revirou os olhos. – James comentou algo da Elisha estar tentando comprar um apartamento. Eu vou ligar para uma corretora amiga minha e ver se consigo ajudar. Agora podemos seguir?
- E essa corretora é que tipo de amiga? – Jared esforçou-se, mas conseguiu ficar sério.
- Vai se fuder, Jared, eu vou ter agora que dar satisfação de todas as minhas ex? – Chad respondeu com raiva, fazendo Jared cair na gargalhada.
Chad, então, deu as costas para o moreno e continuou a seguir pelo corredor, sendo seguido pelo amigo. E apesar de Jared estar levando na brincadeira, ele esperava realmente que o loiro não aprontasse com Sophia.
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O átrio já se encontrava cheio quando Jared e Chad entraram por uma porta lateral. Dando uma olhada ao redor, Jared viu Jensen a um canto, conversando com Chris e não pode impedir um pequeno sorriso de surgir. Procurando disfarçar, passou a observar as outras pessoas e viu Higlinton do outro lado, dessa vez acompanhado por Maria e Jessica.
A loira pegou-o olhando e, sorrindo, dirigiu-se em sua direção.
- Você sempre capricha no visual quando tem audiência ou teve outro motivo para estar tão sexy? – Jessica falava brincando, mas dava para ver que tinha um pouco de curiosidade. – Querendo chamar atenção de alguém?
- Você também está bonita hoje, Jessica. – Jared respondeu sorrindo educadamente e virou-se para Chad, que agora o observava intrigado. – Esse é meu amigo Murray, estamos juntos no caso.
- Prazer. – Chad a cumprimentou, mas logo em seguida, Jessica voltou sua atenção para Jared, fazendo o loiro sorrir por um segundo. – Jared, acabei de ver alguém com quem estou precisando falar, eu volto daqui a pouco.
Jared lançou um olhar mortal para o amigo, sabendo muito bem o que o loiro estava aprontando, mas este já tinha se afastado antes que pudesse falar qualquer coisa.
- Me desculpe por ele. – Jared voltou-se com um sorriso sem graça para Jessica.
- Não se preocupe, realmente não há nada para desculpar. – Jessica começou a andar para um canto do salão. – Eu queria dizer que eu me diverti bastante ontem.
- Foi uma noite bastante interessante para mim também. – Jared comentou quando pegou Jensen olhando para ele e Jessica.
Conversaram e riram mais um pouco antes que William Higlinton se juntasse a eles, parando ao lado de Jessica.
- Padalecki. – Higlinton cumprimentou Jared e continuou. – O que posso esperar da audiência de hoje?
- Estou bastante confiante quanto à audiência de hoje, acho que vamos dar um passo significativo para provar sua inocência. – Jared comentou, observando que Higlinton segurava um dos braços da jovem.
- Fico feliz em ouvir isso. Com sua licença, preciso trocar umas palavras com minha irmã. – Higlinton respondeu sorrindo.
Jared concordou e com uma pequena menção com a cabeça se afastou. Sem encontrar Chad, encostou-se a um dos pilares e olhou para onde Higlinton e Jessica estavam, aparentemente, discutindo. Higlinton ainda segurava o braço de Jessica, mas essa não fazia esforço para se soltar, mas balançava a cabeça como se discordasse de algo e sorria.
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Jensen, por mais que tentasse, não conseguia desgrudar os olhos de Jared. Desde que tinha visto que o moreno tinha chegado, pegava-se vez ou outra, lançando olhares naquela direção. E devido a essa distração, surpreendeu-se quando ouviu uma voz ao seu lado.
- Pelo jeito, alguém conseguiu finalmente tirar sua atenção de um caso. – Jensen virou-se, dando de cara com um Misha sorridente. – Se eu tivesse certeza antes, teria acrescentado na manchete de hoje.
- Dá um tempo, Collins. – Jensen o cortou, querendo que o repórter o deixasse em paz logo.
- Presumo que você não teve tempo de ler a manchete de hoje. – E o sorriso tinha aumento no rosto do moreno. – Mas, não se preocupe, como bom vizinho, eu lhe trouxe especialmente uma cópia. Tenho certeza que você irá aproveitar muito bem.
Entregando o jornal dobrado para Jensen, Misha saiu. Jensen ainda pensou se valeria a pena ler o que estivesse ali, mas depois soube que não teria muito como escapar, o jornal para o qual Misha escrevia era o maior do estado. Assim, abrindo-o, deu de cara com uma capa, onde na primeira metade havia William Higlinton e Josh Holloway, enquanto na outra metade uma foto dele e Jared.
Jensen ficou um minuto só encarando aquela foto deles, deles no bar, na noite anterior, quando Jensen tinha ido até Jared e Jessica. Jensen levantou o olhar, procurando por Misha, mas este já não estava à vista. Engolindo em seco, diante da expectativa do que estaria na manchete, Jensen começou a ler a reportagem.
"HIGLINTON X HOLLOWAY – Promotoria dispensa o direito de recesso e pede a retomada da audiência, apesar da Defesa garantir ter uma carta sob a manga. Teria finalmente Padalecki conseguido prender o grande Tubarão branco no anzol? Enquanto o jovem advogado esbanja confiança e jogo de cintura, Ackles, embora agressivo, parece estar perdendo cada vez mais espaço no caso. Qual será o segredo do jovem Padalecki?"
À medida que ia lendo, Jensen sentia seu bom-humor se desfazendo. Se havia uma coisa pela qual o Promotor zelava, era pelo seu emprego e lhe tirava a paciência, insinuações de que ele não estaria levando a sério e deixando aspectos importantes lhe escapar. Nem o lindo traseiro de Jared Padalecki seria capaz disso. Pelo menos era o que ele dizia a si mesmo, ao mesmo tempo que procurava o jovem advogado.
Não demorou muito e Jensen o encontrou na companhia de Jessica. "O que aquela loira quer, se jogando para cima de Jared daquele jeito e, pior, ele não parece estar achando ruim. Jared Padalecki e seu maldito sorriso", Jensen pensava, sentindo o jornal amassado em suas mãos. "Até parece que eu iria perder o foco do caso por causa dele. Não seria primeira vez que eu fiz sexo com alguém, enquanto trabalho. Misha é o melhor exemplo disso. Então, Jared, é melhor você se preparar que não vou pegar leve".
Mas ao menos tempo que pensava em fazer Jared ver como ele poderia ser no tribunal, ele queria ir até Jared e fazer o moreno entender agora mesmo e de outra forma, que Jensen Ackles não é fisgado. Procurando, assim, controlar o impulso, desviou o olhar, percebendo a aproximação de outra loira.
- Hoje não é mesmo meu dia de sorte. – Jensen sussurrou, mas alto o suficiente para a mulher ouvir. – O que deseja, Cassidy?
- Que foi, Promotor Ackles? Por que tanto mau humor? – O sorriso da loira era cínico. – Se continuar rosnando desse jeito, no final do dia quando Jared terminar o caso, você vai estar choramingando.
- Sinceramente, Cassidy, eu não tenho tempo para você. – Jensen comentou, preparando-se para ir atrás de Jared que estava se afastando de Jessica e Higlinton.
- Sabe que finalmente eu entendo porque Lehne insistiu tanto em ter Jared à frente do caso. – Cassidy parecia estar falando mais para si mesma. – Precisávamos de alguém que o fizesse perder a paciência, um pouco do seu jeito frio. Afinal, você nunca deixaria passar uma evidência tão importante, como deixou. Jared realmente desempenha bem seu papel. – E voltando-se para Jensen sorrindo acrescentou. – De advogado, claro.
Jensen se afastou dali com raiva e pensamentos a mil. "Eu não teria deixado passar nada, teria? Por que Jared, então, acreditava tanto que Higlinton era inocente? E principalmente, o que ela quis insinuar com aquele papo de desempenhar papel? Jared não...". Jensen sem perceber tinha seguido até Jared e ver o moreno ainda olhando para Jessica, até com um ar preocupado, deixava-o com mais raiva ainda. Ele não era um homem que perdia ou aceitava essa possibilidade. E Jensen não era um homem que se deixava envolver, não mais.
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- Preocupado com sua namoradinha? – Uma voz falou por trás de Jared e esse sorriu.
- Sentindo-se ameaçado, Promotor? – Jared voltou-se para Jensen, que endureceu as feições com o comentário do mais novo.
- Não há nada para me sentir ameaçado. – Jensen, então, sorriu de lado, se Jared queria dançar, ele iria dançar. – Como você pode provar, o que eu quero, eu consigo.
Jared parou um instante, como se tivesse dificuldade em entender o que Jensen queria dizer. – Quer dizer que ontem só significou um ataque do grande tubarão branco? – Jared sentiu um aperto na boca do estômago.
- O que você está esperando, Jared? Que eu lhe peça em namoro? – Jensen tinha o ar impaciente. – Foi só uma transa.
- A parte da transa, eu percebi, obrigado. – Jared tinha os dentes cerrados, tentando se manter calmo. – Mas você costuma pernoitar em todas as suas "só uma transa"?
- Bem... – Jensen parou um instante. – Olhe, não me leve a mal, Jared, eu realmente gostaria de repetir a noite de ontem e queria saber se você tem alguma programação para mais tarde, mas você não está esperando mais do que isso, não é?
- Não, afinal, eu nunca iria querer algo a mais com um idiota esnobe como você. – Jared queria pular no pescoço do loiro a sua frente, mas principalmente queria dar uma surra em si mesmo por se deixar envolver.
- Ei! Eu estou sendo educado aqui, novato. – Jensen replicou, mas ainda bem-humorado. – E qual é, Jared? Somos dois adultos que tiveram uma noite interessante ontem, por que não repetir? E eu sei que você gostou.
- Tem razão. – Jared respirou fundo se acalmando e se aproximando do ouvido de Jensen, sussurrou, fazendo o outro se arrepiar. – E quanto a sua oferta... esqueça! – E, por fim, se afastou do loiro. – Não costumo cometer o mesmo erro duas vezes. Boa sorte na audiência de hoje, Promotor Ackles, algo me diz que você vai precisar.
Jared saiu de perto de Jensen antes que perdesse o temperamento e acertasse o focinho do canalha. Tudo bem que ele não tinha a ilusão de que seria como nos contos de fadas, mas ele realmente não esperava essa atitude do loiro.
"Jared, seu idiota, o cara sempre foi um imbecil, como você pode esperar algo diferente?", Jared tinha ido até o banheiro e passava uma água no rosto. "Bom, agora não adianta chorar sobre o leite derramado, concentre-se no caso e faça ele baixar a bola dele".
- Algum problema, Padalecki? – A pergunta fez Jared se sobressaltar.
- Desculpe, não lhe vi. – Jared falou se recompondo. – Já fomos apresentados?
- Não, apesar de conhecê-lo. – O moreno de olhos azuis estendeu uma mão para Jared. – Misha Collins, repórter do Source Tribune.
- Jared Padalecki. – Jared respondeu e depois riu. – Bem, isso você já sabe.
- Faz parte da minha profissão. – Misha passou uma mão pelos cabelos, ajeitando-os e seguiu até a porta, acompanhando Jared. – Pela sua reação de agora pouco, acho que o caso não está saindo como você espera.
Jared riu. – Boa tentativa, amigo, mas não vai ser tão fácil você arrancar uma informação de mim. – Misha fez biquinho, arrancando uma risada de Jared, que começava a se sentir mais leve. – Se vale alguma coisa, lhe garanto que não era sobre o caso.
- Eu vi você conversando com o Promotor Ackles antes, por isso presumi... – Misha falou por acaso, mas percebeu como Jared ficou tenso por um segundo antes de disfarçar.
- Você não deixa escapar nada, não é? – Jared comentou em tom leve. – Bem, os encontros com o Promotor Ackles costumam ser um pouco intensos, difícil manter-se sereno.
- Entendo, ele sabe transformar admiração em raiva. – Misha observava bem Jared.
- No momento, não sei quanto à admiração, mas quanto à raiva. – Jared sorriu sem graça.
- Se quer um conselho, Padalecki, cuidado com o Ackles. – Misha falava sério. – Ele está acostumado a ter tudo o que quer, mesmo que para isso tenha que usar alguém. Não se engane, ele só ama a si mesmo.
Dito isso, Misha saiu sem dar chance a Jared de ter qualquer reação, só observar suas costas se afastarem.
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Jensen sentiu o hálito quente de Jared perto do seu ouvido e um arrepio subiu pela sua espinha, fazendo-o redobrar a força de não tomar aqueles lábios nos seus ali na frente de todo mundo. Por isso, demorou um pouco para captar o que Jared tinha lhe dito, não lhe dando tempo de reagir antes que o moreno tivesse se afastado. E essa não era a reação que ele esperava.
Uma vontade de correr atrás de Jared e o impedir de se afastar desse jeito abateu Jensen, mas ele não se moveu, ficando só a observar, mordendo os lábios, o moreno seguir até o banheiro.
- O que você está fazendo? – Chris estava ao seu lado e parecia aborrecido.
- Do que você está falando? – Jensen fez-se de desentendido.
- Você está maluco em ficar dando bandeira desse jeito? – Chris falava impaciente. – Tudo bem que os pombinhos estejam se curtindo, mas não será nada bom para o caso se todos ficarem sabendo.
- Chris, não venha tentar me dizer como fazer meu trabalho. Eu não preciso de você nem de ninguém para isso. – Jensen respondeu, sentindo-se com os nervos a flor da pele. – Não há nada entre eu e o Padalecki, nem vai haver nada.
Chris parou, pego de surpresa pela repentina raiva do amigo e principalmente pelo último comentário. – Você é um idiota, Jensen, mas não me tome por um. – Chris estava nitidamente com raiva. – Eu sei muito bem que o garoto lhe balançou, tanto que você está dando bandeira sim, mas sabe do que mais? Dane-se, eu não quero saber.
Chris se afastou, murmurando um idiota sob sua respiração. No mesmo instante, Jared saia o banheiro e, por um breve segundo, Jensen pensou em ir até o moreno, mas viu que esse estava acompanhado por ninguém menos que Collins. E não só isso, Collins estava fazendo Jared rir, além de ter uma mão no ombro do mais novo. Jensen sentiu os pulsos fecharem
Resolvendo que tinha visto o suficiente e tentando raciocinar que não havia motivo nenhum para ficar com raiva, Jensen se virou e seguiu para o outro lado do salão.
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Jensen estava sentado na mesa da promotoria com um Chris chateado ao seu lado e um Jared sentado na mesa do lado sem lhe lançar um olhar. Na verdade, Jared parecia bastante pensativo e, por mais que quisesse, Jensen não conseguia evitar olhar para o moreno uma vez ou outra.
Ele estava observando o jovem advogado quando o oficial anunciou a entrada da juíza Ferris que, sem perder tempo, estava em seu lugar, reabrindo a sessão.
- Encontra-se reaberto o julgamento do Estado contra Higlinton. Devido à renúncia da Promotoria pelo prazo a mais, retornamos antes do previsto, mas tendo sido todos os interessados intimados a tempo, presumo. – Sem objeção de nenhuma das partes, a juíza continuou em seu tom autoritário. – Bem, continuando, Promotor Ackles, dê inicio à inquirição de suas testemunhas.
Jensen se levantou e arrumou o paletó como de costume.
– Obrigado, Meritíssima. A Promotoria gostaria de chamar sua primeira testemunha, senhorita Patrícia Smith.
Enquanto pairava o silêncio na sala, a jovem secretária saía de uma porta lateral, sendo conduzida até a tribuna.
- Diga seu nome completo e sua ligação com o senhor William Higlinton. – Ferris falou.
- Patrícia Smith, secretária do senhor Higlinton há 5 anos. – A jovem respondeu timidamente.
- Está ciente que não se encontra obrigada a responder as perguntas e que prestar depoimento falso é crime? – Ferris enfatizou a última parte.
- Sim, Merítissima.
- Promotor Ackles, pode realizar suas perguntas. – Jensen, então, se aproximou do centro.
- A senhorita falou que trabalha há 5 anos para o senhor Higlinton, correto? – Jensen parou bem em frente à jovem.
- Sim, senhor.
- Então, saberia dizer a rotina dele. – A jovem concordou com a cabeça. – Poderia nos informar?
- O senhor Higlinton sempre chega ao escritório às 08h, sai para almoçar às 12h30 e retorna às 14h, ficando até 18h. – Patrícia se remexia inquieta na tribuna. – A única exceção nessa rotina é quando ele tinha alguma reunião de negócio ou precisava viajar.
- E as pessoas que geralmente o visitavam? Alguém em particular ou regular? – Jensen deixou bem claro sua insinuação.
- Protesto, Meritíssima! – Jared havia se levantado e olhava diretamente para Jensen. – O Promotor Ackles está insinuando uma falta de caráter, mesmo que meu cliente tivesse alguém que o visitasse regularmente, isso poderia não significar nada, devido à sua vida profissional que exige muitas negociações.
- Meritíssima, eu só estou tentando criar um quadro das pessoas com quem o réu se relacionava. – Jensen respondeu inocentemente.
- Promotor Ackles, pode continuar com sua pergunta. – E Ferris levantou a mão, proibindo Jared de reclamar, enquanto continuava. – Mas se o senhor vier com insinuações, eu vou ter que ignorar todo esse depoimento.
- Sim, Meritíssima. – Jensen sorriu de lado para Jared, mas estranhou um pouco o olhar duro que recebia. – Pode responder, por favor?
- Sim, claro. – Patrícia encontrava-se meio perdida nisso tudo. – Ele recebia muitas pessoas, regularmente representantes de seus maiores clientes. Fora essas pessoas, a única pessoa que o visitava em horário de trabalho era sua irmã, a senhorita Jessica.
- E com que freqüência?
- Protesto, Meritíssima. – Jared gritou antes que a jovem secretária pudesse responder. – A pessoa, em questão, é a irmã do meu cliente. O que há de errado em alguém visitar regulamente o irmão?
- Protesto deferido. – Ferris voltou-se para Jensen. – Promotor, reformule sua pergunta sem insinuações dessa vez ou faça outra.
- Tudo bem. – Jensen forçou um sorriso. – O senhor Higlinton recebia mais visitas da irmã do que da própria esposa?
- Eu não me lembro da senhora Higlinton ter alguma vez visitado o marido na empresa, por isso, sim, as poucas vezes que a irmã o visitou, acabaram sendo mais vezes que a própria esposa. – Jared não evitou o sorriso e lançou um olhar de agradecimento à secretária, por sua resposta irônica.
Ignorando a ironia da secretária, Jensen continuou seu interrogatório.
– Como costuma ser o humor e comportamento do senhor Higlinton?
- Ele é um ótimo chefe, sempre atencioso, paciente e perfeccionista.
- Ele vinha agindo estranho ultimamente? – Jensen tinha dado as costas para a secretária e olhou para Higlinton e depois para Jared, que, diferente da primeira vez, quando se matinha escrevendo algo, agora olhava diretamente para Jensen, o que, para surpresa do promotor, o estava incomodando.
- Nesse último mês, ele vinha andando inquieto e nervoso. – Patrícia contorcia as mãos. – Os negócios não andam muito bem.
- Mas eu pensei que a família Higlinton estivesse bem financeiramente. – Jensen voltou-se para jovem novamente.
- Até onde eu sei, a situação da empresa é que está complicada. A senhora Higlinton era de uma família rica também, mas sempre manteve sua parte separada.
- Interessante... – Jensen parou um segundo pensando. – E fora isso alguma outra coisa fora do comum?
- Só no dia do crime. – A jovem secretária evitava olhar para seu chefe. – Depois que eu entreguei a correspondência do dia. Ele estava bastante nervoso e foi embora antes do normal.
- Foi você quem recebeu a correspondência?
- Sim, mas ela já tinha sido repassada para mim pela portaria. – E continuou baixinho. – Não temos um controle de quem entrega, mas só das correspondências em si.
- Sem mais perguntas, Meritíssima. – Jensen dirigiu-se a sua mesa.
- A defesa gostaria de fazer alguma pergunta? – Ferris dirigiu-se a Jared, que se levantou.
- Obrigado, Meritíssima. – E virando-se para a secretária. – A senhorita falou que a situação econômica anda complicada, mas é muito grave? Digo, houve alguma contensão de despesa?
- Protesto, Meritíssima, a administração da empresa não vem ao caso. – Jensen argumentou.
- Meritíssima, a acusação quis trazer para o caso o fator econômico e essa pergunta pode esclarecer o real quadro. – Jared não perdeu tempo em rebater.
- Protesto indeferido. – Ferris respondeu, lançando um olhar para Jensen ficar quieto. – Pode responder, senhorita Smith.
- Houve algumas medidas tomadas, mas ninguém foi demitido ou alguma medida drástica foi tomada. – Patrícia parecia mais segura, respondendo a Jared. – Tudo estava sendo controlado administrativamente, mas perdemos alguns dos principais negócios para a rede de Holloway.
Jared sorriu mais uma vez, a secretária gostava de Higlinton e estava lhe dando respostas antes mesmo dele perguntar.
– Para as empresas Holloway? – E vendo Jensen abrir a boca, Jared acrescentou. – Meritíssima, Holloway é uma das testemunhas listadas, portanto a pergunta é importante para começar a enquadrá-lo em todo o caso. – Ferris simplesmente concordou com a cabeça, fazendo Jensen trincar os dentes com raiva.
- Sim, senhor. A rede de Holloway sempre foi nossa principal concorrente, mas sempre estivemos a frente. – Smith lançou um olhar para a multidão que assistia ao julgamento. – Ocorre que há uns 2 meses, ele vêm interceptando algumas de nossas negociações e as ganhando para si. Alguns funcionários suspeitavam até de espionagem empresarial, mas nunca se teve provas de nada.
- Você falou das qualidades de Higlinton como chefe e como pessoa?
Patrícia deu um leve sorriso. – O senhor Higlinton é educado e gentil, sempre falando carinhosamente dos filhos. Eu acredito que ele é inocente.
- Senhorita Smith, atente-se somente em responder as perguntas feitas. – Ferris dirigiu-se a secretária.
- E quanto à senhora Higlinton? – Jared mantinha o contato visual com a jovem.
- Como disse, ela nunca visitou o marido na empresa, mas tive chance de encontrá-la em alguns eventos. – Abaixando a cabeça continuou. – Mas não era como ela se dirigisse a mim.
- Obrigado. – Jared sorriu levemente para jovem e dirigiu-se a Ferris. – Sem mais perguntas.
Esperando Jared retomar seu lugar, a juíza mandou a Promotoria chamar sua segunda testemunha, encontrando-se, em poucos segundos, Clif Kosterman, sentado à tribuna.
Ferris, novamente, explicou sobre falso testemunho ser crime e pediu para o chefe de segurança se apresentar, antes que Jensen pudesse iniciar seu interrogatório.
- Senhor Kosterman, poderia nos dizer como é o sistema de segurança do senhor Higlinton? – Jensen encontrava-se mais uma vez em frente da testemunha e do tribunal do júri, só que dessa vez era ele quem evitava o olhar de Jared.
- Bem, nem o senhor nem a senhora Higlinton usavam seguranças particulares, como guarda-costas, era só uma equipe na empresa e outra na casa. – A grande figura que era o chefe de segurança respondeu em seu tom imparcial e seguro.
- Quantos seguranças fazem ronda na casa? E quantos faziam a ronda no dia do assassinato?
- São, geralmente, quatro. Cinco comigo, ficando dois na entrada, um fazendo a ronda pelo perímetro e o último na sala de vídeo. Eu não tenho posto certo. - Clif parou um pouco e continuou normalmente. – No dia do assassinato, só havia os quatros, era meu dia de inspecionar a segurança da empresa.
- E não foi estranha a forma como o sistema saiu do ar? – Jensen tinha se apoiado na bancada que separava o júri. – Digo, não seria mais provável alguém de dentro da casa tê-lo desligado?
Jensen olhou para Jared esperando que esse protestasse, mas estranhamente o jovem advogado só lhe sorriu e não fez objeção nenhuma.
- Eu diria que seria muito improvável, mas não impossível. – Clif respondia diretamente para Jensen. – Improvável porque essa pessoa precisaria saber o código de segurança e nem senhor Higlinton tem acesso a ele. Na verdade, eu sou único que tem acesso ao código e, mesmo assim, esse muda a cada semana.
- Nenhuma chance de outra pessoa ter descoberto essa senha? – Jensen insistiu na pergunta.
- Como eu disse, as chances são poucas, mas não impossíveis. – Clif terminou a frase hesitante, mas resolveu por continuar. – Mas acho que o senhor gostaria de saber que não se tratou de falha, e sim de uma invasão. O sistema foi vítima de um vírus. – A essa resposta, Jared olhou para o segurança surpreso e depois voltou-se para Higlinton que também parecia perdido. E como se percebendo a surpresa de todos, Clif acrescentou. – O resultado da inspeção nos aparelhos saiu hoje de manhã.
- Deixe-me ver se entendi corretamente. – Jensen caminhou um pouco a pensar. – O sistema de segurança foi vítima de uma sabotagem, um vírus. Eu presumo, então, que para isso a pessoa deva ter entrado na sala de vídeo, certo?
- Correto.
- Quem foram as pessoas que estiveram na sala de vídeo naquele dia?
- Bem. – Clif pareceu pensar um pouco. – Segundo o relatório que recebi, as únicas pessoas que entraram na sala de segurança foram Maria para levar o café da manhã e o almoço e Carlos, levando o jantar. Fora essas pessoas, os seguranças da ronda.
- Uma última pergunta, haveria outra possibilidade de atingir o sistema sem entrar na central da mansão?
- Seria mais complicado, mas uma vez que se tenha entrado na rede, creio que sim.
- Obrigado. – Jensen dirigiu-se a juíza Ferris. – Sem mais perguntas.
Jared, então, assumiu sua posição em frente à bancada quando foi dada sua vez. – Senhor Kosterman, segundo as análises feitas, e para ter o resultado de atingir toda a rede de vigilância sob a mansão, a sabotagem provavelmente foi feita na central ou na rede exterior?
- Pelo resultado que teve, é praticamente certo que foi na central. – Jared gostou da personalidade do segurança quando percebeu que esse buscava sempre falar com as pessoas mantendo contato visual.
- Certo, então, já podemos descartar o senhor Higlinton dessa sabotagem. – Jared concluiu.
- Protesto, Meritíssima, o sistema de segurança já se mostrou bastante falho para descartarmos a possibilidade de Higlinton ter estado na sala.
- Senhor Kosterman, em algum momento, a sala foi deixada vazia? – Jared ignorou o olhar que Jensen lhe lançava.
- Não senhor, há câmaras na entrada da sala e só podem entrar na sala com cartão eletrônico, os quais só os seguranças e eu tenho. – Clif respondeu sem hesitar.
- Meritíssima, com todo respeito, como muitas das coisas que o senhor Promotor falou hoje, essa argumentação não tem nenhum fundamento fático e racional. – Jared mantinha suas costas à Jensen.
- Escute aqui, seu filho da mãe... – Jensen começou, sentindo-se a ponto de estourar.
- Escute aqui, senhor Ackles. – Ferris o interrompeu. – Eu não permitirei que a ordem seja quebrada num julgamento sob a minha supervisão, por isso trate de se lembrar onde o senhor encontra-se e qual atitude é permitida. Isso serve também para o senhor também, Padalecki, pois não deixarei que vocês resolvam seus mal-entendidos no meu tribunal. – Observando ambos, advogado e promotor, para ter certeza que tinha sido entendida, Ferris continuou. – Pode continuar seu interrogatório, Padalecki, mas cuidado ao se expressar.
- Sim, Meritíssima. – Jared caminhou até sua mesa pegando o DVD da segurança e caminhando até o sistema de vídeo localizado ao canto. – Como todos podem ver, este é o vídeo de segurança e temos meu cliente no jardim dos fundos até o sistema sair do ar às 21h40. Senhor Kosterman, quanto tempo levaria para Higlinton sair do local onde se encontra até a o quarto do casal?
- Eu diria uns 15 minutos. O senhor Higlinton encontra-se no final do jardim e teria que voltar contornando a piscina, e seguir pela casa até a escada perto da entrada principal, para então subir ao primeiro andar e seguir até o final do corredor, onde se encontra o quarto. – Jared teve que suprimir um sorriso ao olhar para Jensen. – Mesmo considerando que o senhor Higlinton fosse um ótimo corredor, acho difícil ter levado menos de 5 minutos, até porque, logo após a falha no sistema, dois seguranças já estavam se dirigindo a casa.
- A sala de vídeo fica mais próxima de onde Higlinton se encontrava, correto?
- Sim, apesar de ser uma extensão da parte da casa principal, ela fica ao lado da piscina e um dos seguranças saiu de lá imediatamente para cobrir a entrada dos fundos, enquanto um cobria a entrada principal. – Clif ajeitou-se na cadeira. – Imaginava-se uma tentativa de entrada, mas, muito provavelmente, o assassino já se encontrava no interior da casa.
- Obrigado, senhor Kosterman. Sem mais perguntas, Meritíssima. – Jared voltou para sua mesa, sendo recebido por um sorridente Chad, mas sem deixar de perceber que Jensen discutia algo com Chris.
- Bem, senhores e senhoras, eu declaro um pequeno intervalo de 5 minutos. – Ferris anunciou, levantando-se imediatamente e sendo seguida pelas pessoas.
Jared voltou-se, então, sorridente para seu cliente.
- Estou cada vez mais confiante, senhor Higlinton. Estamos fazendo um ótimo trabalho até agora. – Jared comentou confiante.
- Bom trabalho?! Cara, você está acabando com o Ackles. – Chad falou empolgado. – Eu nunca vi o cara incomodado num julgamento antes. Ele está parecendo um peixe fora d'água.
- Chad, vamos com calma. – Jared repreendeu, mas sorria. – Desculpe meu companheiro, senhor Higlinton.
- Nada a desculpar, eu mesmo estou empolgado.
- Com sua licença, então, eu preciso ir ao banheiro. – Jared se desculpou e saiu ainda sorrindo.
Jensen levantou-se de imediato às palavras da juíza e saiu, sendo seguido por Chris, que o segurando pelo braço o impediu de continuar andando.
- Jensen, pare!
- Chris, porra, me solta! – E com um movimento brusco ele liberou seu braço. – Eu preciso pensar, eu não vou deixar ele me fazer de tolo.
- Jensen, você está escutando o que você está falando?! – Chris balançou a cabeça. – Pare um pouco, ninguém está lhe fazendo de tolo, Jared só está fazendo o trabalho dele, assim como estamos fazendo o nosso.
- Grande trabalho o nosso, como vamos reverter isso? – Jensen levantou o olhar para Chris. – Você tinha ficado responsável pelo vídeo, como não viu isso?
- Não, não. Você não vai colocar a culpa em mim, pois até onde eu sei nós somos uma dupla. Você que não aceitou considerarmos outro suspeito.
- Higlinton É culpado! – Jensen alterou um pouco a voz. – Eu ainda vou conseguir provar que ele matou sua esposa.
- Nem todo caso é como do Steve, Jen. – Chris olhava o amigo com tristeza.
- Não me amole e vá fazer seu trabalho para variar e vê se faz direito. – As feições de Chris endureceram.
- Sabe, Jensen, eu estou cansando. É difícil ser seu amigo. – Jensen olhou surpreso para Chris, mas esse simplesmente balançou a cabeça e se afastou.
Chris caminhou nitidamente chateado e esbarrou em Jared que ia saindo.
- Ei, desculpa. – O sorriso de Jared diminui quando viu em quem tinha esbarrado. – Humm... Christian Kane, certo?
- Certo. – Chris concordou e o silêncio caiu entre os dois, então, o mais velho olhou na direção de Jensen e dirigiu-se a Jared. – Jared, por favor, não desista do Jensen, você realmente faz bem a ele. Ele precisa que alguém o resgate de si mesmo, já passou do tempo de ficar em luto por Steve.
Jared foi pego totalmente despreparado e na confusão que estava sua mente, tentando entender o que tinha lhe sido dito, ele só conseguiu expressar uma dúvida. – Quem é Steve?
Como se tomando conta do que tinha dito, Chris lançou um sorriso triste. – Não sou eu quem deve lhe falar sobre ele, mas ele era um grande amigo e morreu já faz um tempo.
Chris, então, deu um tapinha no ombro do moreno e deixou ele lá, perdido em pensamento, tanto que a próxima coisa que Jared tomou consciência foi que tinha voltado a mesa, onde Higlinton e Chad estavam.
- Ei, Jay, algum problema? – Veio o tom preocupado de Chad.
- Não, nada. – Jared sorriu, tentando disfarçar, mas sem muito sucesso, por isso, ficou agradecido quando o oficial informou que a audiência seria retomada.
Com a sala novamente cheia, Ferris retomou a audiência, dando à Defesa a palavra para chamar suas testemunhas, o que Jared fez, convocando Holloway.
- O senhor costumava se encontrar com freqüência com a senhora Sarah Higlinton? – Jared perguntou para Holloway, que mantinha um sorriso debochado no rosto.
- Diria que há uns 3 três meses. – Veio a resposta direta. – Sarah sempre soube bem o que queria, ela nunca foi uma mulher de rodeios.
Os murmúrios na audiência fizeram com que Ferris pedisse duas vezes por ordem, antes que Jared pudesse continuar.
- Não seria uma grande coincidência que o senhor tenha começado a ter um caso extraconjugal e logo depois as empresas do senhor Higlinton perderam negócios para o senhor? – Jared queria aproveitar o máximo da confiança que Holloway demonstrava, respondendo sem enrolação.
- Protesto, Meritíssima, não estamos investigando espionagem empresarial. Não vejo qual a relação do interesse para o caso. – Jensen estava mais calmo.
- Seja específico, senhor Padalecki, o que o senhor pretende com essa pergunta? – Ferris olhava diretamente para Jared.
- Eu gostaria de esclarecer alguns pontos, pois acredito que a senhora Higlinton estava fazendo esse papel de informante. – Jared voltou-se para o sorridente Holloway. – Não estou certo?
- É, você está certo. – Os murmúrios voltaram e quando finalmente se acalmaram, Holloway continuou, olhando para Higlinton. – Não é crime o que ela fazia, ela só olhava na agenda do marido quais reuniões ele teria e eu chegava primeiro nos clientes.
- E no dia do crime? – Jared chamou atenção da testemunha. – Você, por acaso, se encontrou com Sarah?
- Sim, naquela tarde. E eu terminei com ela. – Holloway falava como se não fosse nada. – Ela não queria mais trazer informações para mim.
- Foi você que mandou as fotos?
- Não, mas seja quem foi, foi uma boa idéia. – Holloway aumentou o sorriso. – Já era hora do corno saber.
- Senhor Holloway, tome cuidado com o seu linguajar nesse tribunal. – Ferris o cortou.
- E você a encontrou ou a procurou outra vez naquela noite? – Jared ficou satisfeito ao ver que o sorriso tinha diminuído.
- Não.
- Tem certeza? – Jared insistiu.
- Sim, eu tenho certeza. – Holloway respondeu, pela primeira vez sério e apontou para Rosenbaum. – Pode perguntar para as minhas babás.
- Sem mais perguntas, Meritíssima.
Ferris passou a palavra para Jensen que confirmou os passos de Holloway com os dados que Rosenbaum tinha lhe entregue, sempre recebendo uma resposta debochada, como se Holloway estivesse achando tudo monótono.
- Só mais uma pergunta. – Jensen voltou-se quando já estava dirigindo-se a sua mesa. – Sarah Higlinton alguma vez reclamou sobre o comportamento do marido?
- Ela era uma mulher casada tendo um caso extraconjugal, o que você esperava? – Holloway sorria abertamente.
Algumas pessoas da audiência riram, fazendo Jensen fechar a cara e anunciar que não tinha mais nada a perguntar.
Assim, Jared tomou novamente seu lugar. Estando, no lugar onde antes estava Holloway, Carlos, visivelmente nervoso.
- Senhor Torres, você era motorista da senhora Higlinton, correto?
- Sim, a senhora Higlinton não dirigia, então, toda vez que ela queria sair ela me chamava. – Carlos torcia constantemente as mãos.
- Você sabia que a senhora Higlinton estava tendo um caso?
- Não, não. Senhor Higlinton, eu não sabia. – Carlos tinha ficado um pouco pálido.
- Então, seria certo dizer que você não conhecia o senhor Holloway? – Jared apontou para Josh Holloway que, agora, encontrava-se sentando na audiência.
- Não, senhor. – Carlos respondeu sem olhar diretamente para homem que Jared apontava.
- Certo. – Jared trocou um olhar com Chad e sorriu. – Você me falou que estava de folga naquela noite, certo? – Jared observou Carlos confirmar com uma balançar de cabeça. – Mas você saiu ou ficou na mansão?
- Eu saí para comprar um cigarro, mas voltei ainda cedo e fui para a área dos empregados.
- Engraçado, lembro de você ter dito que tinha passado a noite fora, acho que estou me confundindo, não é mesmo? – Jared sorriu para Carlos, que forçou um sorriso de volta. – Só revisando. O senhor não conhece Holloway e voltou para mansão muito antes do assassinato, indo para área dos empregados.
Carlos balançou a cabeça confirmando. – Sim, senhor.
- Bem, é estranho. – Jared voltou-se para Holloway. – Porque o que vocês dois me disseram não bate. – Caminhando até um retroprojetor, Jared colocou uma foto e o silêncio que caiu foi total. – Primeiro porque, como todos podem ver, temos uma foto do senhor Holloway num carro na esquina da casa de Higlinton às 21h15.
Jared começou a colocar outra foto, mas depois se voltou a Jensen. – E antes que a Promotoria proteste, o procedimento é completamente válido como as fotos que, se quiserem, podem submeter a perícia. Pelo jeito, vocês da Promotoria não sabem manter os olhos bem abertos, não é mesmo?
- Senhor Padalecki, por favor, sem comentários subjetivos. – Ferris analisava com cuidado as fotos. – Qual a procedência das fotos?
- Elas são da câmara externa de segurança da casa vizinha aos Higlintons. – Jared colocou a segunda foto e voltou-se a Carlos. – Parece que você está bem intimo de Holloway nessa foto, não é mesmo, senhor Torres? E acho que deve comprar outro relógio, pois as câmaras de segurança mostram o senhor entrando pela porta principal da casa às 21h30, será que precisaremos de um perito para provar que o senhor seria completamente capaz de entrar no escritório de Higlinton e depois ir até o quarto da senhora Sarah em tempo?
- Eu não matei, Sarah! – Carlos tinha se levantado e gritava para todos. – Eu a amava e a protegia! Não a matei! Eu cuidava dela...
O barulho tinha explodido diante da reviravolta do caso. Jared, ao que tudo indicava, não só tinha mostrado que Higlinton era inocente como apontado o verdadeiro assassino.
- Ordem! Ordem! – Ferris gritava, chamando atenção de todos para manter a ordem. – Guardas, levem o senhor Torres em vigilância enquanto as devidas investigações são feitas e – Voltou-se para Jensen e Rosenbaum. – espero que a vigilância sobre Holloway seja reforçada e, para ajudar, o mesmo está temporariamente proibido de sair de casa sem acompanhamento policial.
Jared continuava em pé, observando a confusão tomar forma e escutando as decisões da juíza Ferris. – No demais, a audiência está suspensa até amanhã à tarde. – E saiu da sala.
Jared voltou-se sorridente para Chad que também ria abertamente e percebeu que Jensen sentava como se tivesse perdido. Jared, então, foi até o loiro e se inclinou a altura de seu ouvido.
- Qual o problema, tubarão branco?! Você está com uma cara de peixe fora d'água. – Jared sorriu tristemente. – Sabe, apesar de sua atitude mais cedo, eu não fico feliz em vê-lo quebrando a cara, mesmo merecendo. Pena que você é um imbecil.
Jensen não sabia como responder a Jared, ele esperava que o outro viesse se gabando, jogando-lhe na cara como tinha tirado sua atenção do caso, mas a atitude de Jared só o deixava confuso. Jared não parecia feliz em vê-lo perder. E sem saber o que fazer em relação ao caso e a Jared, Jensen ficou observando enquanto o outro ia embora.
- E agora? – A voz de Chris o trouxe de seus pensamentos.
- E agora, ou nós encontramos provas em menos de 24h que Higlinton é culpado ou perdemos o caso. – E dito isso, saiu, deixando Chris para trás.
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Nota¹: Primeiramente, desculpas se o capítulo ficou cansativo (um capzilla lol), mas não conseguir fazê-lo menor, apesar de ainda achá-lo corrido. Confesso que ele saiu até mais rápido do que eu esperava e, como eu realmente estou sem tempo ultimamente, vejam o capítulo grande como uma compensação. Vou tentar pegar na continuação sempre que possível.
Nota²: Obrigada a todos pela review e espero que a fic continue a altura de suas expectativas, por isso, me deixem saber. Reviews?
