Título: O Destino de Isabella
Postado por: Gabriela Swan
Adaptação de: Kate Silver
Personagens: Edward/Bella
Rated: T/M – Cenas de Sexo (NC)
Advertências: Universo Alternativo.
Disclaimer: Edward, Bella e Cia pertencem à Stephenie Meyer. E "O Destino de Isabella" é uma adaptação de Kate Silver. Ou seja:
Não ganharei dinheiro algum com isso!
Sinopse:Depois de perder toda a família numa epidemia que assolou o país, Isabella assume a identidade de seu irmão gêmeo e ocupa o lugar dele na Guarda Real. O disfarce lhe possibilitará observar de perto o conde Edward Cullen, oficial dos mosqueteiros e o amigo que seu irmão confiara que a protegeria, mas que nunca apareceu para cumprir a promessa. Edward fica feliz ao ver seu companheiro voltar ileso da região devastada pela praga, porém o comportamento estranho do amigo o deixa intrigado... Até ele descobrir que sob o uniforme de mosqueteiro esconde-se a graciosa irmã de Emmett Swan. Será difícil explicar a Isabella por que ele não foi resgatá-la, e mais ainda convencê-la de que está disposto a honrar sua palavra. Mas Edward lutará com todas as armas para alcançar um sonho quase impossível: conquistar o coração de Isabella e fazê-la acreditar na sinceridade do seu amor!
Capítulo IX
Isabella estava no meio de um sonho inquietante quando o som de cascos no pátio da hospedaria a despertou. Sobressaltada, ela sentou na cama. Alice resmungou alguma coisa, e Rosalie se virou sem acordar.
O sol já estava alto. Era hora de partirem. A consciência afirmava que estava seguindo o caminho da honra, mas queria afastar-se de Paris e do rei que traíra o mais depressa possível.
Uma voz gutural acompanhou as estrondosas batidas na porta da hospedaria.
— Abra em nome do rei!
Isabella deduziu que o rei descobrira sobre seu propósito e não estava nada satisfeito com a notícia. Se procuravam por ela ou não, não fazia diferença. Não ficaria no quarto esperando para ser pega como um rato em uma ratoeira.
Ela acordou as duas companheiras.
— Acordem! Temos visitantes.
As batidas se repetiram, e as duas se sentaram na cama em estado de alerta, completamente despertas.
Isabella correu até a janela pulando sobre um pé, calçando a bota no outro. Conhecia um dos cavalos que via no pátio. Pertencia a seu marido. Ele a traíra? Contara ao rei sobre sua missão e fora enviado para levá-la de volta? Não queria acreditar que Cullen fosse capaz de tão baixa traição.
— São três — sussurrou. — Um deles deve ser Cullen. Os outros dois eu não conheço.
Rosalie praguejou enquanto vestia a jaqueta.
— Nós três contra três oponentes seria uma conta justa, se um deles não fosse o conde, o melhor espadachim do reino. O que vamos fazer?
Alice olhou pela janela e recuou assustada, o rosto repentinamente pálido.
— Seu marido anda em má companhia. — Isabella estranhou o tom da companheira.
— Como assim?
— Conheço um daqueles homens. No passado, ele era um ladrão e um encrenqueiro violento, mas transformou-se em informante e assassino. Ele mata em nome de cavalheiros covardes dispostos a pagar por seus serviços. Não sei quem o mandou, mas é evidente que quem o contratou não deseja nos ver novamente.
— Eu me ofereço para envolver os três numa boa luta — Rosalie sugeriu. — Enquanto isso, vocês escapam e seguem viagem para a Inglaterra.
Isabella não gostava da idéia de deixar uma amiga correndo perigo, mas a missão não devia ser posta em risco. E se ficasse trancada no quarto até os três visitantes desistirem de bater, Rosalie não correria nenhum risco.
— Mas como sairemos daqui sem sermos vistas?
— O homem que reconheci não é do tipo que luta com justiça ou honestidade. Ele está aqui para nos matar. Além do mais, tenho uma velha conta para acertar com o bastardo. Eu cuido dele. Rato de esgoto contra rato de esgoto. E que vença o mais esperto.
— Mas...
— Essa luta é minha, Rosalie. Não vou permitir que interfira em meus assuntos. Você e Isabella, saiam pela janela. Eu os manterei ocupados enquanto for possível. Temos cavalos descansados, enquanto os deles estão exaustos. Não poderão alcançá-las.
Isabella olhou pela janela e foi tomada pelo pânico. A altura era grande. Poderia quebrar um tornozelo no salto, o que poria em risco a missão. Havia uma calha contornando todo o perímetro do telhado. Se caminhasse por ela até o outro lado da hospedaria, poderia saltar de lá para o telhado do estábulo, e assim suas chances de escapar aumentariam muito.
— Siga-me — ela disse para Rosalie. — Se eu for ferida ou capturada, monte no cavalo mais próximo e siga para a Inglaterra. Cullen cuidará para que nada de mais grave aconteça comigo. — Gostaria de ter mais certeza do que demonstrava com seu discurso otimista.
Rosalie assentiu.
— Cuide-se, Alice. Mantenha a porta trancada e não abra para ninguém, sob nenhum pretexto. Assim, eles não poderão atacá-la. E se tiver de lutar, não fira o conde. Eu já o feri mais vezes do que deveria ter feito.
— Certo. Vou tentar retardá-los, mas, se for necessário lutar, tentarei não ferir seu marido. Além do mais, vou estar mais interessada em ferir um velho conhecido das ruas.
— Então... até breve, Alice. Em Paris.
Rosalie correu para a janela enquanto punha o chapéu.
— Au revoir, madame ladra. Até Paris. — Alice riu.
— Não se preocupem comigo. Enquanto estiver pensando em todas aquelas moedas de ouro esperando por mim, não permitirei que nenhuma má sorte me atinja.
Isabella respirou fundo, reunindo a coragem para o salto. Batidas na porta do quarto, atrás dela, forneceram o ímpeto que lhe faltava, e ela saltou para fora e para a calha pela qual faria a árdua jornada até o estábulo. O metal rangia e estalava sob seu peso, mas não cedia. Lá dentro, mais batidas na porta e alguns impropérios, mas ela não olhava para a janela, temendo perder o equilíbrio e cair.
A calha parecia interminável, mas, finalmente, com um último salto corajoso, ela aterrissou sobre o telhado inclinado do estábulo. Tentou se segurar em uma alça que fixava uma canaleta de escoamento, mas a mão agarrou o ar e, girando os braços freneticamente, Isabella despencou do telhado, aterrissando como um saco de batatas no lodo. Pelo menos era lodo macio. Ela se levantou, aliviada por não estar ferida, limpou as roupas com alguns tapinhas rápidos, e constatou que Rosalie tinha melhor sorte. Ela saltou para o chão com leveza invejável, correu e abriu a porta do estábulo antes que Isabella pudesse recuperar-se da queda.
Não havia tempo para selar montarias. Isabella agarrou o arreio e a sela e os jogou sobre o pescoço de Seafoam antes de montar em pêlo, levando os alforjes na frente do corpo. Pálida e ofegante, Rosalie fez o mesmo.
Com um estrondo de cascos sobre as pedras do pátio, as duas partiram pela estrada para Calais... e para a Inglaterra.
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Cullen deteve o cavalo diante da hospedaria de beira de estrada. Era a primeira que via em muitos quilômetros. Podia apostar que Isabella havia parado ali para descansar. Ela não era diferente de outras mulheres nesse aspecto: preferia uma cama macia a um pedaço de chão ao relento.
Ele acenou para um cavalariço que limpava a porta do estábulo com movimentos preguiçosos.
— Menino, viu algum estranho por aqui?
— Bem, temos três bons cavalos no estábulo. Um dos soldados me deu uma moeda para que eu os escovasse e alimentasse bem.
— São três soldados, então?
— Sim, e estão vestidos como você.
Um dos bandidos reagiu contrariado ao ouvir a informação.
— Ninguém me disse que seriam três. Pensei que tivéssemos apenas de matar o soldadinho traidor. Esperava estar em casa novamente para o jantar, sabe?
— Está com medo? — provocou o outro, com voz fria.
— Não tenho medo de nada. Só não gosto de ser enganado. Não fui pago para lidar com três homens.
— Então, cale a boca e cuide do garoto, como foi pago para fazer. Deixe os outros para quem é mais competente no assunto. Eu.
Cullen acompanhava a discussão sem muita atenção. Era evidente que sua esposa conseguira reforços entre os companheiros mosqueteiros. Mais uma razão para impedi-la de prosseguir com a missão tresloucada. Ela não podia esperar manter seu segredo em um grupo tão pequeno, e numa jornada tão longa. Se descobrissem que ela era mulher, não queria nem pensar em qual seria seu destino.
Além do mais, agora Isabella era sua esposa, e devia a ele obediência e fidelidade. Não permitiria que ela saísse percorrendo as estradas do país na companhia de outros homens.
Quando a levasse de volta a Paris, renegociaria os termos do acordo e insistiria para que ela fosse realmente sua esposa. Não poderia viver com uma mulher arredia como ela mostrava ser.
Um dos assassinos esmurrava a porta e gritava:
— Abra em nome do rei!
O proprietário os recebeu com ar assustado.
— Agora não vamos mais pegar o idiota de surpresa! — Cullen entrou, empurrando os dois sem grande cerimônia.
— Procuramos por um mosqueteiro chamado Emmett Swan. Você o viu?
O homem assentiu, aliviado por não ser ele o procurado. — Sim, senhor. Três deles pararam aqui hoje de manhã para comer e repousar. Tenho certeza de que ouvi um deles chamando outro de Emmett. Servi uma boa refeição aos três. Gostariam de comer também?
O matador de voz fria adiantou-se.
— Onde está o mosqueteiro?
— Lá em cima. No quarto.
— Leve-me até lá.
O proprietário os conduziu escada acima e apontou para uma porta.
— É aquele quarto, senhor.
O homem empurrou o dono da hospedaria e bateu com o punho cerrado na porta.
— Abra!
— Quem é você? — respondeu uma voz do outro lado. — Por que devo abrir a porta?
Não era a voz de Isabella. Era uma voz masculina. Cullen ficou furioso por pensar na esposa trancada em um quarto de hospedaria com outro homem.
— Não importa quem sou — ele rosnou. — Abra, ou arrombarei a porta!
O homem do outro lado riu.
— Acalme-se, senhor! Estou certo de que não vão se incomodar por esperarem até eu calçar minhas botas.
Cullen esperou impaciente, até decidir que o sujeito já tivera tempo para calçar as botas cinco vezes, pelo menos.
— Ah, assim é melhor — disse a voz do outro lado. — Agora, só preciso vestir a jaqueta...
Um dos assassinos bateu na porta com fúria assustadora.
— Abra em nome do rei, homem!
— Tenho a impressão de que gosta de dizer isso, senhor. Acha que falar em nome do rei o torna grande e importante? Suponho que um rato de esgoto como você precisa de artimanhas para tornar a própria vida mais significativa, mas isso já é demais! De qualquer maneira, receio que tenha de esperar mais um pouco, até eu me pentear e poder recebê-lo. Um cavalheiro nunca deve ser visto sem estar apresentável, mesmo que seja só por um rato de esgoto.
O homem sacou a faca, reagindo de forma impulsiva ao se sentir ofendido.
— Vou matá-lo por isso, imprestável!
— Só vai precisar esperar por mais um momento, e então poderá dar início à matança. Deixe-me só abotoar a calça, e estarei pronto para abrir a porta.
O último comentário foi demais para Cullen. Ele se atirou contra a porta, disposto a derrubá-la e enterrar o punho no rosto do homem que estava com sua esposa.
A chave girou na fechadura, e um jovem de rosto bonito e caracóis escuros presos à nuca por uma fita de couro surgiu na soleira. Uma faca cintilava em sua mão, e havia em seus olhos uma expressão selvagem, ameaçadora. Impelido pela força de sua ira, Cullen caiu no interior do modesto aposento. O homem de voz fria tropeçou em Cullen, e os dois ficaram caídos e atordoados.
Um baque surdo marcou a chegada do terceiro membro do grupo enviado pelo rei.
Cullen levantou-se a tempo de ver a porta sendo fechada. O som da chave na fechadura marcou o final do breve encontro. Conhecia a identidade do homem que os pegara como ratos em uma armadilha. Poderia jurar ter visto aquele rosto em algum lugar antes.
De qualquer maneira, não tinha tempo para se ocupar da identidade do estranho. No instante em que a porta foi trancada pelo lado de fora, sua atenção foi atraída para a morte violenta e sangrenta que o esperava.
No chão, no meio de uma poça de sangue que se alastrava rapidamente, o matador de voz fria jazia com o olhar vazio fixo no teto, o pescoço cortado de orelha a orelha.
Haviam sido pegos na mais óbvia das armadilhas. Se não houvesse perdido a calma, teria antecipado o movimento. Deixara-se envolver pelo jovem mosqueteiro e esquecera a cautela, e agora um de seus companheiros estava morto. Não lamentava pela morte, mas pela maneira como ela havia acontecido. Nenhum homem merecia morrer assim. Ele esmurrou a porta com ira assustadora.
— Deixe-me sair.
— Não pode tomar uma decisão? — soou uma voz debochada do outro lado. — Quando está do lado de fora, você quer entrar. Agora que entrou, quer sair? Não tenho tempo para essas brincadeiras tolas.
O outro matador tremia olhando para o corpo imóvel do companheiro.
— Deixe-me sair ou cortarei seu pescoço como você cortou o de André — Cullen ameaçou.
— Prefiro pensar que eu vou cortar todas os pescoços que tiverem de ser cortados por aqui. Espero que não tenha grande afeto por seu amigo, porque ele só recebeu o que merecia. O que fez por merecer por muitos anos. Au revoir, monsieur te Comte. Ah, sim, e saiba que sua esposa é uma mulher excepcional. Uma companheira de quarto muito agradável. Pena ter chegado tarde demais para nos ver juntos na cama. Os três.
Cullen rugiu novamente e sacudiu a porta com a força de seus punhos.
— Vou matar você por isso.
— Vai ter de me encontrar primeiro — o jovem riu enquanto se dirigia à escada. — Duvido que seja fácil.
A porta de carvalho era mais forte do que parecia, e a tranca de ferro a mantinha firme no lugar. Foi necessário muito esforço e muito tempo para que, juntos, eles conseguissem abri-la.
— Ah — o proprietário os recebeu com ar jovial ao vê-los no salão. — Vejo que ganhou a aposta.
O conde o encarou confuso.
— Aposta?
— A aposta que fez com o jovem soldado sobre ser capaz de sair do quarto, mesmo com a porta trancada, em mais ou menos uma hora. A ampulheta que preparei ainda não determinou o final do prazo. Você o encontrará no estábulo cuidando da montaria, se quiser cobrar seu dinheiro.
Cullen cerrou os punhos. Seria inútil gritar com o homem por não ter ido abrir a porta. Havia sido vencido pela astúcia do jovem soldado. Ele se encaminhou para o estábulo. Primeiro encontraria Isabella e a arrastaria de volta para casa, e depois cuidaria do rapaz que tanto abusara de sua paciência.
O dono da hospedaria o interceptou a caminho da saída.
— Não vai pagar pela porta?
— Pagar?
— Seu jovem amigo prometeu que o vencedor pagaria o dobro do valor de uma porta nova, uma vez que a vitória resultaria na ruína daquela que havia lá em cima.
Completamente irado, Cullen tirou do bolso algumas moedas de ouro e as atirou na direção do proprietário do estabelecimento.
— Está me dando mais do que o dobro do valor da porta.
— Não tem importância. Fique com o dinheiro. Graças àquele jovem patife e sua faca afiada, há agora um cadáver no quarto. Vai ter de enterrá-lo. Use o excedente para subornar um médico e convencê-lo a atestar que o homem morreu dormindo.
A lentidão de Rosalie e sua dificuldade para manter-se sobre o cavalo começavam a irritar Isabella. Ela olhava para trás com freqüência, lamentando não poder aumentar a vantagem que tinha sobre seus perseguidores.
Mas, pela terceira vez nos últimos minutos, Rosalie escorregou de cima do animal e caiu na margem da estrada.
— Não consigo me manter em cima desse cavalo sem sela!
— Segure-se com as pernas, não com as mãos.
— Vou tentar.
Elas seguiram em frente por horas, até que a luz começou a se tornar mais fraca. Isabella olhou preocupada para o céu. Não haviam percorrido toda a distância que planejara cobrir.
— Não podemos parar. Ainda não. Vamos prosseguir até podermos trocar nossos cavalos por outros descansados.
Como esperava que Cullen não as estivesse perseguindo!
Mas, ao mesmo tempo, gostaria de tê-lo por perto.
Alice não podia tê-lo ferido. Não depois de ela ter pedido pela integridade do marido. Como desejaria ter ficado e se assegurado de que nada de mal aconteceria com ele! Sua missão era importante, mas não tanto quanto as vidas do marido e de sua amiga. Fora capaz de desacatar suas ordens e fugir dele para cumprir essa missão, mas nem mesmo sua consciência a levaria a causar qualquer tipo de mal ao conde.
O ar começava a ficar mais frio. A noite caía quando elas ouviram o som de cascos se aproximando. Em poucos momentos, já podiam ver aqueles que as perseguiam cavalgando vigorosamente em sua direção. Agora eram só dois.
— Não vamos tentar escapar? — Rosalie perguntou preocupada.
Isabella tentou calcular a distância que as separava dos dois homens. Ainda era uma distância segura, mas diminuía inexoravelmente.
— Não vamos conseguir fugir deles até a Inglaterra. — Além do mais, não podia fugir sem saber se Cullen era um dos dois. E se Rosalie caísse novamente, perderiam toda a vantagem que pudessem ter obtido. — De que adianta correr, se não temos chance de escapar?
Isabella olhou para trás mais uma vez. Tinha certeza de que o cavaleiro da frente era Cullen. Ele cavalgava relaxado, sem nenhum sinal de estar ferido. Um forte alívio invadiu sua alma. Alice cumprira a promessa e lutara apenas pelo propósito que havia declarado.
Aproximavam-se de uma parte mais estreita da estrada, onde o caminho seguia por entre árvores frondosas. Os perseguidores agora estavam tão próximos, que Isabella podia ver claramente o rosto de Cullen. Sua expressão era tão determinada que ela estremeceu. Nunca vira o marido com aquela disposição tão... ameaçadora.
Rosalie deteve o cavalo antes de a estrada mergulhar no bosque.
— Siga em frente, depressa! Vou ficar aqui e retardar aqueles dois até você desaparecer.
— De jeito nenhum. Não vou deixar você sozinha.
— Não seja teimosa. Não vou conseguir chegar em Calais. Se tiver de esperar por mim, certamente será pega. Sem mim, ainda terá uma chance de chegar em algum lugar. O mínimo que posso fazer por você é retê-los por tempo suficiente para você escapar em segurança.
Cullen viu o cavaleiro se virar com a espada na mão. Enquanto isso, Isabella partia num galope frenético, mergulhando na escuridão da floresta. Teria de lutar contra mais um dos cúmplices da esposa antes de poder alcançá-la.
Ele cravou os calcanhares nos flancos do animal. Com sorte, derrotaria o defensor anônimo em pouco tempo e conseguiria pegar a esposa antes que ela se metesse em outras confusões.
Empunhando a espada, Cullen emitiu um grito de guerra e empinou o cavalo, sinalizando a intenção de atacar. Assustado, o cavalo do oponente também ergueu as patas dianteiras, derrubando-o. O mosqueteiro caiu com uma expressão de total consternação.
O matador de aluguel desmontou, impelido pela intenção de dar cabo rapidamente do mosqueteiro caído. Cullen não podia permitir um assassinato. Se o mosqueteiro merecesse morrer por ter desonrado sua esposa, perderia a vida em uma luta justa, sabendo por que havia morrido.
Cullen deteve o assassino com um grito determinado. Depois desmontou e o seguiu, e ainda se aproximava quando ouviu a exclamação espantada.
— Por Deus, é uma mulher! Não é um soldado! — O bandido rasgou a camisa da vítima com a ponta da espada e olhou para o peito desnudo com evidente avidez. — Eu sabia! — ele exclamou com prazer e crueldade. — Que sorte! Podemos nos divertir com ela antes de eu lhe cortar o pescoço com minha faca!
Com a mão livre, o assassino tentava desamarrar a calça, mas o nó era apertado, e ele não conseguia desfazê-lo.
Cullen ficou cego de raiva. Sua esposa também era um soldado. Podia ser ela quem estava ali, exposta à luxúria de um rato impiedoso disposto a estuprar e matar.
— Solte-a.
O homem o encarou surpreso.
— O quê? Você ficou maluco? Vou me divertir com ela. Só um pouquinho. Não vai demorar, e depois você também vai poder ter sua vez. Então, depois de matá-la, iremos atrás do outro soldado.
Cullen empunhava a adaga, tremendo sob a força do ímpeto, de atacar.
— Já mandei soltar a mulher, ou eu...
Ele não teve tempo de concluir a ameaça. Com um zunido letal, um raio leve e luminoso surgiu do meio da floresta, passando a poucos centímetros de seu peito e cravando-se no pescoço do assassino.
O homem nem teve tempo de gritar antes de cair. Agarrando-se desesperadamente à lança, ele morreu sufocado com o próprio sangue.
Cullen olhou na direção de onde partira o ataque. Nada se movia entre as árvores, mas sabia que a autora do lançamento fora Isabella. Ela já havia mencionado sua habilidade com o arco.
A mulher no chão empurrou o corpo sem vida para longe dela, levantando-se apressada. Pálida e trêmula, ela tinha o braço esquerdo pendendo inútil na lateral do corpo. A faca na mão de Cullen chamou sua atenção.
— Ah, não! Não me obrigue a lutar com você também! Passei a tarde toda caindo do maldito cavalo, tenho dores no corpo todo, e nesse momento prefiro um bom banho a uma luta. Além do mais, não teria graça. Isabella me fez prometer que não machucaria você.
Cullen baixou a arma. Aparentemente, Isabella não era a única amazona na França. Estava diante de outra, uma elegante beldade loura.
— Você é uma mulher. Não preciso atentar contra sua vida.
Um ruído entre as árvores chamou a atenção dos dois. Eles se viraram e viram Isabella surgindo da floresta, ainda empunhando o arco, tendo no rosto contorcido uma expressão de horror e alívio.
.
Isabella espiou por entre as folhas e mirou com cuidado. Precisava parar de tremer, ou não atingiria o alvo. Os únicos sons que ouvia eram as batidas do próprio coração e sua respiração ofegante. E esse era um momento no qual não podia errar.
— Não se mova — ela sussurrou com os olhos fixos na vítima, tentando mantê-la imóvel com a força do pensamento.
Ela puxou o arco com firmeza e acompanhou o movimento da lança. Era quase mais rápido do que o olhar podia seguir. A arma letal encontrou o alvo com precisão indiscutível.
Era mais difícil acertar pessoas do que caçar patos, ela pensou aliviada. Um desvio de poucos centímetros, e teria cravado a flecha no peito de Cullen. Ela baixou a cabeça por um instante, dando graças a Deus por não ter errado.
Com o coração ainda disparado, Isabella correu ao encontro do marido e atirou-se em seus braços.
— Eu não errei! Não errei! — ela repetia agarrada ao conde.
O cadáver ensangüentado chamou sua atenção, e só então ela se deu conta de que matara um homem.
A visão de todo aquele sangue a deixou nauseada. Ela se afastou do abraço do marido, tentando conter o mal-estar.
— Eu o matei.
— Poupou-me desse trabalho — Rosalie e Cullen responderam ao mesmo tempo, como se houvessem ensaiado antes.
Rosalie continuou falando:
— Eu não derramaria lágrimas por esse animal. Ele era um verme, como todos de sua laia. Merecia morrer.
— Tem razão — concordou Isabella. Felizmente havia desmontado e retornado pela floresta para ajudar a amiga. — Você está bem?
— Sim, mas não pretendo montar em pêlo nunca mais. Não enquanto eu viver.
— Seu braço...?
— É o pulso. Não sei onde sinto mais dor. No pulso, obviamente quebrado, ou no traseiro castigado por tantos tombos. Mas você... Por que voltou? Eles nunca a teriam alcançado!
— Não tive coragem de deixá-la sozinha para enfrentar dois homens. Somos irmãs, lembra?
Cullen passou um braço em torno de sua cintura.
— Você é minha esposa. Nunca mais lutaremos, por mais que me provoque.
— Será que pode parar um pouco com essa conversa sobre o casamento? Rosalie precisa de um médico. Ela sofreu uma fratura.
O trio retornou em silêncio pela estrada que haviam percorrido até ali. Rosalie ia acomodada na frente da sela de Cullen, incapaz de segurar as rédeas sozinha com o pulso quebrado. Cullen controlava a montaria com uma das mãos, enquanto a sustentava com a outra.
Isabella não pôde negar o ciúme provocado pela visão. Sabia que o marido só queria ajudar Rosalie, mas, mesmo assim, lamentava não ser ela em seus braços.
Agora que desfrutava de alguns momentos de tranqüilidade, ela voltou a pensar na própria situação. O marido a alcançara e tentaria levá-la de volta à Paris, como ameaçara. Assim que Rosalie estivesse amparada e bem-cuidada, teria de encontrar um meio de escapar e continuar em sua missão para salvar Henrietta das garras frias da Bastilha.
Ela olhou para o conde e sorriu. Cullen a observava, e reagiu assustado diante do gesto de inesperada ternura. Mas ele retribuiu, e foi como se seu sorriso iluminasse toda a paisagem.
A voz de Rosalie rompeu o silêncio e o encanto.
— Por que estava cavalgando na companhia daquele patife? Tem idéia do tipo de homem que ele era?
Cullen ficou sério, quase carrancudo.
— Eu não estava cavalgando com ele. Ele me seguia. Estávamos ambos atrás de minha encantadora esposa, seguindo ordens do rei. Meu dever era impedi-la de chegar à Inglaterra e cumprir sua missão, e o dele e de outro companheiro igualmente sórdido era matá-la assim que eu a alcançasse.
Isabella estava chocada.
— O rei quer minha morte?
De repente, a missão na Inglaterra assumia uma nova e desesperada gravidade. Não estava mais numa tola aventura para cobrir de honra o nome do irmão. Não disputava mais com o marido a supremacia na área de treino. Agora, chegar à Inglaterra tornara-se uma questão de vida ou morte. Sua vida e a de Henrietta estavam em perigo.
— É o que parece, ou ele não teria enviado dois bandidos da pior qualidade em seu encalço. Aparentemente, o rei temia que eu não tivesse coragem para matá-la.
O rei da França, a fonte de toda honra, enviara uma dupla de assassinos de aluguel para matá-la? Jamais teria imaginado tal coisa! Philippe de Orleans estava certo: seu irmão era um monstro que devia ser detido.
O rei teria sido capaz de assassiná-la, e ela pretendera apenas salvar uma mulher que ousara rejeitá-lo. O que poderia ele fazer contra a própria Henrietta? Tremia só em pensar.
— Uma dupla de bandidos? E onde está o outro? O que aconteceu com ele?
— Está morto — Cullen revelou. — Seu companheiro cortou-lhe o pescoço de orelha a orelha.
Alice. Com toda essa confusão, esquecera-se dela!
— E ele está... ferido?
O rosto de Cullen tornou-se sombrio, ameaçador.
— Por que se incomoda tanto em saber? Ele é um patife que merece a forca.
Isabella não se curvaria diante da ira caprichosa do conde. Ele era seu marido, não seu soberano. Não sabia o que Alice havia feito para enfurecê-lo, nem queria saber. Suas desavenças não eram problema dela.
— Porque me preocupo com um companheiro. Muito.
— Eu também — Rosalie a apoiou.
— Ele não está ferido... ainda. Até eu pôr as mãos nele.
— A propósito, o que fará conosco? — Rosalie perguntou com voz fraca. — Duvido que possa contar com sua honra para proteger-nos. Se vai nos eliminar, como é vontade de seu rei, por que não o faz aqui mesmo e poupa-me do esforço da cavalgada de volta? Não vejo sentido em cuidar de meu braço se vou morrer nas próximas horas.
— O rei pode ordenar tudo que quiser, mas tenho honra suficiente para seguir minha consciência e não causar nenhum dano a vocês. Sou um mosqueteiro. Não entro em guerra contra mulheres. Mesmo que mereçam...
Isabella se sentiu pessoalmente provocada e reagiu:
— Não fiz nada além de seguir minha consciência. Viverei de maneira honrada, ou desistirei da vida.
Ele balançou a cabeça e não respondeu, e os três seguiram viagem em silêncio.
Cullen respirou aliviado ao ver o vilarejo. Ali devia haver algumas mulheres com conhecimentos sobre ervas, ou até um boticário. Ele pediu informações sobre onde poderia encontrar ajuda, e foi orientado a procurar a curandeira do lugar. Ela vivia na periferia do povoado, num bangalô isolado.
Teria preferido um boticário ou um médico, mas estava escurecendo, e seu cavalo dava sinais de cansaço. A mulher em seus braços era um peso morto. Tinha de tirá-la dali antes que desmaiasse.
O conde e Isabella esperaram enquanto a curandeira examinava o braço de Rosalie, diagnosticava uma fratura e o imobilizava usando uma tala de madeira.
Rosalie nada dizia. Não gritava nem chorava, mas mordia o lábio a ponto de fazê-lo sangrar.
— Vai ter de ficar aqui e repousar um pouco, meu bem — disse a mulher ao concluir seu trabalho. — Seu braço precisa de todo descanso que puder dar a ele. Em algumas semanas, quando removermos as ataduras, ele estará fraco e com pouca mobilidade, mas, com a ajuda de Deus, a fratura será curada e você poderá recuperar todos os movimentos. — Rosalie fez uma careta.
— Quanto tempo devo passar aqui?
— Um mês, pelo menos.
— Um mês nesse vilarejo, sem nada além de calça para vestir? Por Deus, devia ter quebrado o pescoço, não o pulso! Ou melhor, devia ter trazido alguns dos meus vestidos de Paris.
A curandeira riu.
— Serão só alguns dias, meu bem, e logo vai estar boa como antes. Mas terá de passar mais de um mês sem cavalgar.
Cullen nem ouvia as palavras da mulher. Estava pensando no que Rosalie acabara de dizer. Vestidos em Paris. Sim, havia sido lá que a vira anteriormente! Usando um vestido amarelo em seu casamento.
E o rapaz de traços harmoniosos que vira na taverna... Sim, vira aquele rosto em seu casamento, também. Sobre um vestido vermelho! Outra mulher!
Agora entendia a natureza diabólica e a rapidez de raciocínio, a maneira como ela o enganara com suas artimanhas. Um homem jamais poderia superar uma mulher em truques e artimanhas.
— Por Deus, são três, então...
Isabella não dividira um quarto na hospedaria com um homem. A desconhecida só o provocara para divertir-se, para desviar sua atenção do que realmente importava naquele momento. Ficara cego de raiva e se deixara enganar. Devia ter confiado na honra de Isabella sem questioná-la. Sabia quanto essa confiança era importante para ela.
— Três o quê? — Sua esposa parecia preocupada.
— Do que está falando? — quis saber Rosalie. Ele riu.
— O companheiro de vocês é uma mulher! Uma encrenqueira de maneiras lamentáveis, mas estou feliz por não ter sido obrigada a matá-la, afinal.
A curandeira improvisou uma cama no chão para acomodar sua paciente, mas não havia espaço para Isabella e Cullen em seu bangalô. Também não havia nenhum abrigo perto dali. Teriam de dormir sob as estrelas.
Levando o colchão que transportava no alforje, ele se retirou seguido pela esposa, e os dois buscaram abrigo sob um pinheiro cujos galhos se estendiam em todas as direções, oferecendo proteção contra o orvalho.
Isabella se deitou sem reclamar, mesmo tendo apenas as roupas do corpo como coberta.
Cullen estendeu o colchão sobre a relva e deitou-se a seu lado.
— Venha aqui e divida comigo o cobertor, ou vai morrer congelada.
— Já passei por coisas piores.
Ele a puxou contra o peito, protegendo-a com os braços. Assim juntos, sob o mesmo cobertor, estariam mais aquecidos. Isabella estava tensa, mas não protestava.
Aos poucos ela foi relaxando.
— Agora que a capturei, minha doce esposa fugitiva, o que acha que devo fazer?
— Partirei para a Inglaterra ao amanhecer.
— Esqueceu minha promessa. Quer ser arrastada de volta pela orelha?
— Não irei espontaneamente.
— Não esperava mesmo que fosse — ele riu. — Além do mais, duvido que deva voltar a Paris agora. O rei estava furioso com sua desobediência. Não sobreviveria por muito tempo, se voltasse.
— Aqueles homens iam mesmo me matar?
— Eles pretendiam, mas eu os teria impedido. Você é minha esposa. Estarei sempre pronto para protegê-la.
— E teria salvado a vida de Rosalie, também, se eu não houvesse sido mais rápida?
— É claro que sim. Não permitiria que nenhuma mulher fosse brutalizada por um bandido na minha frente. Não se eu pudesse impedir.
— Tive medo de errar... De acertar em você, em vez de tirar a vida do bastardo assassino.
Ele a abraçou com mais força, tentando transmitir calor e conforto.
— Não errou — disse. Sabia que estava vivo. Podia sentir a vida pulsando intensamente em certas partes de seu corpo. — Teve medo de ficar viúva, minha querida esposa, mesmo tendo se casado apenas para poder continuar lutando impunemente?
— Bem, admito que a viuvez teria sido uma excelente maneira de me livrar de um homem que só se casou comigo para atender a seu senso de dever, mas não é esse o caminho que eu teria escolhido.
— Tenho até medo de perguntar qual teria sido sua escolha.
Ela não respondeu, e Cullen só pôde esperar que o silêncio fosse favorável a sua longevidade.
— O rei pode ter enviado outros homens em seu encalço, Isabella. Não posso levá-la para Paris.
— Não. Não pode, porque irei para a Inglaterra assim que o dia nascer.
— Estaria segura em Burgundy. Duvido que o rei ouse invadir o território do duque de Burgundy. Ele não ia querer correr o risco de divulgar seus propósitos tão vis e mesquinhos.
— Já disse que vou para a Inglaterra. Pedirei ao rei Charles pela vida de sua irmã Henrietta, como Philippe de Orleans me implorou para fazer. Não vou para Burgundy.
— Posso amarrá-la sobre o cavalo e levá-la à força.
— Mas não pode me manter amarrada para sempre. Um dia estarei livre, e você vai se arrepender...
Havia apenas dois caminhos para o conde: passar o resto de seus dias perseguindo a esposa pelos continentes, ou unir-se a ela definitivamente.
— Não posso permitir que vá sozinha.
— Não há nada que possamos fazer quanto a isso. Alice ficou para trás naquela primeira hospedaria, e Rosalie não vai poder viajar por um bom tempo. Minha mensagem não pode esperar tanto assim.
A terceira mosqueteira se chamava Alice. Um nome estranho, mas apropriado para sua natureza traquina.
— Então, não tenho escolha. Eu vou com você.
— Mas o rei o enviou para me deter!
O rei não conhecia Isabella. Teria sido o mesmo se ele o enviasse para deter o vento.
— Não, ele ordenou que você fosse morta, e bem pode ter mandado outros homens além daqueles dois que foram eliminados. Não vou pôr em risco sua vida. Não posso permitir que siga desprotegida nessa jornada.
— Por que está tão preocupado? Casou-se comigo apenas para cumprir a promessa feita a meu irmão. Por que se importa com o que acontece comigo?
Desde o casamento, passara a respeitá-la e gostar dela por quem era, uma criatura leal e honrada ao extremo. E a desejava, também. Muito.
Ele deslizou uma das mãos para baixo de sua jaqueta, tocando um seio arredondado e macio. Um dia a teria inteiramente. Em breve.
— Você é minha esposa. Devo protegê-la sempre. — Ela suspirou e se acomodou melhor em seus braços.
— Pode ser meu marido, mas não me deve nada. Quando vai aprender que não tem deveres comigo.?
Ele a beijou no rosto.
— Boa noite, Isabella. Durma bem.
Os galhos do pinheiro foram sacudidos por uma brisa leve, entoando uma canção de ninar.
— Boa noite, monsieur lê Comte.
A manhã chegou cedo demais, e com ela vieram o vento e a chuva. Isabella protegeu-se com o manto e montou, tentando não se incomodar com os pingos gelados que escorriam por sua nuca e molhavam-lhe as costas.
Agora que Rosalie não podia cavalgar, e com o bandido morto no limite da floresta, havia para ela e Cullen quatro cavalos e duas selas. Com o dobro de montarias, chegariam muito mais depressa ao destino. Estava exausta, apesar de ter se levantado há pouco, porque mal conseguira dormir nos braços do marido. Havia sido uma tortura sentir o calor de seu corpo sem poder desfrutar dele plenamente. Certamente Cullen ficaria horrorizado se o beijasse, como havia desejado, porque só se casara com ela para cumprir o que prometera ao amigo, seu irmão. Ele não a desejava como um homem deseja uma mulher.
Sim, ele ameaçara seduzi-la depois do casamento. Oh, como ansiara pelo cumprimento dessa promessa! Nesse caso, não estaria começando mais um dia com aquele terrível vazio no peito, como um vácuo que só ele poderia preencher.
Agora, restavam apenas a dor de cabeça, o mau humor e a total ausência de controle sobre suas emoções, um conjunto de respostas à falta de sono.
Cullen também parecia distraído. Cavalgava em silêncio, sério, como se estivesse arrependido da decisão de acompanhá-la na viagem à Inglaterra, ou, pior ainda, como se planejasse levá-la para sua propriedade em Burgundy tão cedo quanto fosse possível.
Não. Devia envergonhar-se dos próprios pensamentos, confiava no marido e em sua promessa de ajudá-la. Devia estar mais satisfeita com o progresso rápido alcançado nessa jornada, mas tudo que conseguia pensar era em como Cullen se mantinha distante, ignorando-a, tratando-a como um fardo indesejado do qual não podia se lembrar.
Tola! Havia sido ela quem insistira em um casamento platônico, uma condição que o conde aceitara contrariado. Fiel à palavra empenhada, ele não tentara seduzi-la. Oh, como lamentava ter feito tal imposição!
Por volta do meio-dia, eles se detiveram brevemente sob uma árvore para comer pão e queijo que levavam nos alforjes. O ar úmido e frio fazia Isabella tremer. Ela abreviou a pausa tanto quanto pôde, desejando apenas encontrar um lugar quente e seco onde pudesse se acomodar e dormir.
A tarde chegava ao fim quando eles se aproximaram do primeiro de uma série de vilarejos. Isabella olhava com ar sonhador para as tavernas pelas quais passavam, mas nada dizia, embora começasse a sentir realmente o peso das roupas molhadas e do cansaço. Afinal, Henrietta estava em piores condições e precisava de sua ajuda. Não se deixaria deter por tolices como frio e chuva, quando Henrietta apodrecia e enlouquecia lentamente nas masmorras úmidas da Bastilha, atormentada constantemente pelo medo e pela privação.
Quando os últimos raios de sol desapareciam atrás do horizonte, eles passaram por uma hospedaria. Dessa vez, Isabella não se conteve.
— Podemos parar aqui?
Sem dizer nada, Cullen deteve o cavalo e desmontou, dirigindo-se à porta iluminada.
Ela sentia que devia se explicar.
— Logo vai estar escuro demais para seguir viagem, e não podemos dormir no chão com essa chuva.
— Não precisa me convencer de nada. Confesso que estava desapontado por você não ter sugerido essa pausa antes, nos dois últimos lugares por onde passamos.
— Se está tão cansado assim, por que não me avisou?
— Para quê? Para ser acusado de tentar sabotar sua missão? Não, obrigado.
Isabella também desmontou, satisfeita por vê-lo estender os braços para ajudá-la.
— Acha que sou fria e cruel a ponto de negar a chance de repouso a um homem exausto?
Ele a depositou no chão e recuou.
— Acho apenas que é uma mulher muito determinada. — A proprietária da hospedaria os recebeu com alegria.
— Como posso ajudá-los, pobres soldados? Querem comida? Água quente? — Ela os livrou dos mantos ensopados, pendurando-os diante de uma enorme lareira para secarem.
― Vinho? Uma cama macia e quente?
― De minha parte, vou aceitar a água quente dentro de uma tina — Isabella respondeu, colocando uma moeda de ouro na mão da comerciante. — E uma cama quente, também.
Isabella e Cullen foram acomodados no mesmo quarto, e ele se estendeu sobre a cama enquanto um criado da hospedaria enchia a tina com água quente.
Isabella não hesitou. Exausta, dolorida e gelada, tirou as botas e as jogou em um canto.
— Feche os olhos — disse, despindo a camisa e jogando-a sobre as botas. Nem mesmo a presença de um homem a impediria de mergulhar naquela água fumegante. — Vou tomar um banho.
Ele resmungou alguma coisa incompreensível.
Isabella interpretou o som como uma resposta afirmativa e continuou se despindo, sempre de costas para a cama e para o conde.
Ah, como era delicioso sentir na pele a água quente e relaxante, deixar-se envolver por ela e fechar os olhos para...
— Chega mais para lá, minha querida.
Ao ouvir a voz de Cullen, ela abriu os olhos e, assustada, flexionou os joelhos, tentando cobrir-se.
O que via a deixou ainda mais chocada e apavorada. Seu marido estava em pé diante dela, sem nenhuma peça de roupa cobrindo o corpo másculo e glorioso.
Isabella gaguejou, incoerente por conta do choque.
— Você está... nu!
Nota da Autora:
Hum, essa Bella tá saindo melhor que a encomenda! Rsrs
Bem por hoje é só, antes, gostaria de agradecer as inúmeras reviews e aos que favoritaram a fic... vcs são demais!
Até breve,
~Gabi
