Wilson abriu a porta rapidamente, batendo-a na parede. O celular de Cuddy estava desligado em uma de suas mesas, próximo a muitos remédios, ela estava deitada em sua cama, agitada, como se estivesse em um pesadelo.
Ele se aproximou dela e a acordou delicadamente.
Ela abriu os olhos nervosa e segurou com força na blusa dele.
"Cuddy, ta tudo bem?"
Ela soltou sua bulsa e foi se acalmando aos poucos enquanto se levantava. Estava um pouco tonta e desorientada.
"Parece que a minha cabeça vai explodir."
Cuddy segurou em suas têmporas e respirou fundo. Wilson não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas estava com medo de falar alguma coisa errada, esperou ela se acalmar o máximo que pôde e tentou descobrir o que estava acontecendo.
"Você teve um pesadelo."
"Não, foram... os remédios."
"Que remédios?"
Wilson quase se desesperou quando percebeu que ela tinha realmente se submetido àquele procedimento.
"Os que os médicos me deram pra esquecer.."
Wilson respirou fundo e tentou entender o que estava acontecendo ali. Ela não deveria se lembrar de ter participado do procedimento, alguma coisa tinha dado errado.
"Esquecer... Exatamente o que?"
Ele tentava ser o mais cuidadoso possível quando falava com ela, tinha medo que ela tivesse o mesmo choque de realidade de House.
"Eles vieram aqui, eu tomei alguns remédios e eles colocaram um aparelho na minha cabeça pra começar a achar as lembranças, mas... Eu não sei o que aconteceu, eu ainda me lembro."
"Se lembra... do que?"
Ela respirou fundo e passou a mão e sua testa.
"Do House, Wilson. Eu não consegui esquecer ele."
Wilson deu um grande suspiro para se acalmar. Pelo menos ela não tinha feito nenhuma besteira, ou, por sorte, isso tinha dado errado.
"Mas os médicos não falaram nada? Você não sabe o que aconteceu?"
"Eu estava naquele aparelho procurando as lembranças e acho que adormeci em algum momento. Eu só acordei agora e eles não estão aqui."
"Será que eles não deixaram nenhuma mensagem antes de ir?"
Wilson começou a procurar por algum recado, iria ligar para o hospital se não encontrasse nada, os remédios que ela tinha tomado poderiam dar alguma reação, eles não poderiam correr nenhum risco com isso.
Remexeu na mesa onde estavam os remédios e encontrou um bilhete.
Doutora Cuddy,
Pedimos desculpas por deixá-la acordar sozinha. Achamos que seria menos traumático a senhora acordar longe de todas aquelas máquinas e a confusão que estava em sua casa. Ligaremos mais tarde para saber se ficou tudo bem.
Sobre o procedimento, gostaríamos de informar que, infelizmente, não deu certo. Não conseguimos mapear as lembranças do doutor House porque seu cérebro reagiu contra isso e misturou as memórias, colocando-o em lembranças onde ele não estava e fazendo com que não pudéssemos apagá-lo.
Mais uma vez, pedimos desculpas pelo transtorno e pela falha no procedimento. Isso nunca ocorreu.
Atenciosamente,
Doutor Mark Wikison e equipe.
Wilson levou o bilhete até ela, aliviado por não ter dado certo, seria uma tragédia ela esquecê-lo logo agora que ele precisaria tanto dela.
Cuddy ainda não sabia sobre House, mas Wilson decidiu esperar um pouco para contar, se ele dissesse que House não estava morto, ela iria atrás dele imediatamente e isso poderia fazer mal, já que ela estava sob efeitos de calmantes e outros remédios bem mais fortes.
"É uma pena que não tenha dado certo."
Ela disse com uma expressão de tristeza enquanto deixava o bilhete na cômoda.
"Talvez seja melhor assim."
Wilson se aproximou dela e tentou reconfortá-la.
"A Rachel está bem? Eu só a vi hoje de manhã."
"Está sim, a Marina está com ela lá em casa. Vou ligar e pedir pra alguém cuidar dela essa noite. Você precisa descansar, amanhã tudo volta ao normal e você precisa estar boa pra cuidar dela."
Cuddy sorriu pra ele e deu um beijo carinhoso em sua bochecha.
"Obrigada."
"Não precisa agradecer. Eu vou estar aqui sempre que você precisar. Agora deite e dencanse um pouco. Tudo vai ficar bem, confia em mim."
Ela estava fraca demais para argumentar com ele. Talvez dormir a ajudasse a acalmar a dor que sentia por tê-lo perdido. Seus olhos estavam pesados e ela estava bem cansada, não conseguiria ficar acordada por muito tempo de qualquer forma.
Wilson esperou que ela adormecesse e foi para a sala telefonar para saber notícias de House.
Foreman e Chase estavam com ele quando Wilson ligou. Eles haviam passado algumas horas fazendo testes mas tudo estava na mesma.
"Os sinais vitais continuam estáveis, mas ele ainda não reagiu."
Foreman havia pedido ao médico encarregado de House para tomar conta dele durante a madrugada. Ele e Chase estavam preocupados demais com os danos que poderiam surgir e não confiavam em mais ninguém para cuidar dele.
Wilson ficou triste em saber que nada havia mudado e um medo inundou seu coração. Talvez ele nunca mais voltasse a ser o que era, Cuddy iria sofrer muito mais com isso do que com qualquer outra coisa.
Wilson iria visitá-lo no dia seguinte e estava pensando em como contar tudo isso à ela.
Ele pediu para Chase passar em sua casa e cuidar de Rachel aquela noite, o horário de Marina já tinha acabado e ela precisava descansar para voltar no dia seguinte.
Chase avisou que não teria problema nenhum e deixou Foreman cuidando de House sozinho.
Cuddy estava em uma praia linda, o sol era forte, a água cristalina e a areia branquinha, mas não havia mais ninguém ali, a praia estava deserta.
Ela se levantou e decidiu caminhar próximo ao mar até que avistou alguém que vinha de longe em sua direção.
Ele vestia uma calça jeans, camiseta branca e tinha um sorriso encantador, seus olhos brilhavam para ela. Cuddy nunca o tinha visto tão calmo, ele caminhava tranquilamente, direita e esquerda, sem apoio nenhum, sem sentir nenhuma dor.
Quando se encontraram, ele passou as mãos pelo rosto dela e depois a abraçou, fazendo com que seu corpo todo se arrepiasse. Ele segurou em sua mão e a levou para uma pedra, onde se sentaram.
Não disseram nenhuma palavra, apenas se olharam profundamente e ficaram abraçados vendo o pôr-do-sol.
Ela se sentia incrivelmente bem quando estava em seus braços, mas seu coração doía só de imaginar que nunca mais ficaria com ele.
Cuddy estava com suas costas apoiada em seu peito e fechou seus olhos para sentir ao máximo o quanto ficava segura em seus braços. Suas mãos estavam entrelaçadas quando ela se virou para ele e perguntou se ele estava bem.
Ele sussurrou em seu ouvido que estava melhor agora que estava com ela.
Cuddy sorriu, segurou em seu rosto e depositou um beijo delicado em seus lábios.
"Eu não queria que você tivesse ido embora."
Ele sorriu para ela e disse com o olhar mais lindo com mundo.
"Quem disse que eu fui embora?"
