Capítulo Dez

Ginny fechou a porta da casa de banho e encostou-se à porta. Estava petrificada com o que Draco lhe ia dizer. Molhou a cara com um pano húmido que encontrou no ármario, na tentativa de fazer descer a temperatura e dominar as emoções. Consentir que Draco ficasse uma semana revelou-se um grande engano, uma estupidez de todo o tamanho. Para eles a falta de paixão nunca tinha constituído um problema. Só de respirar o mesmo ar, entre eles saltavam faíscas. Os anos de separação, aparentemente, só tinham servido para aumentar a intensidade do fenómeno.

A química continuava viva, definitivamente. Sempre tinha estado presente. Eram as outras coisas que constituíam o problema. Uma verdadeira lástima, não poder combinar o melhor de Harry e de Draco.

Harry era consciencioso, carinhoso e estável como uma rocha, mas com ele não existia aquele elemento especial, aquele...fogo. Ginny tinha tentado convencer-se de que o casamento deles funcionaria, mas sabia que não seria assim. Ela já não amava Harry, nem tinha certeza se realmente o tinha amado. Bill tinha-se apercebido disso, e tentou fazer com que ela esquecesse a idéia de casar com Harry, mas os seus pais, Ron e todos os seus amigos opinavam que o Rapaz-Que-Sobreviveu era perfeito.

Ao contrário de Draco.

Mas se ele sentisse o impulso de partir, Ginny sabia, sem sombra de dúvidas, que o faria sem olhar para trás. Apesar dele protestar afirmando o contrário, se o tinha feito anteriormente, era capaz de tornar a fazê-lo. Podia Ginny viver com aquela incerteza? E, o mais importante, podia permitir que os seus filhos vivessem assim?

Desejava para os gémeos um lar estável, com um ambiente saudável onde pudessem crescer felizes e seguros. Um apartamento em Roma não era nada do que tinha em mente.

Por outro lado...

Apoiando-se no lavatório, Ginny contemplou a sua imagem no espelho.

-Querida, meteste-te numa boa confusão.

Ajeitou o cabelo, alisando-o com as mãos e desceu para enfrentar o inevitável. A cada degrau que descia, sentia uma vontade enorme de fugir, mas não o faria.

A lenha crepitava na lareira. A iluminação era ténue. Dois copos de firewhisky esperavam na mesa do café. Do sofá, Draco estendeu a mão para ela.

-Vem sentar-te ao meu lado.

Ginny optou por uma cadeira bem longe dele.

-Aqui fico mais confortável.

-Mas daí não vês o que tenho para te mostrar.

Ela olhou para as mãos dele e viu um livro.

-Vais me contar uma história de embalar? Julguei que vinha ouvir explicações!

-E vais tê-las. Vem cá que eu explico-te – disse Draco, dando uma palmadinha no sofá.

Contrariada, Ginny levantou-se e sentou-se no sofá, num lugar longe do que o louro lhe tinha assinalado com a mão. Ele parecia divertir-se muito e limitou-se a oferecer o firewhisky.

-Obrigada – disse a ruiva, bebendo um gole por educação. Estaria ele querendo embebedá-la para...? Não, ele não faria isso!- O que é esse livro?

-Wars after War! "Guerras após Guerra". Saiu há dois anos. Já o leste?

-Não, mas já ouvi falar. De que se trata?

-É sobre as dificuldades e as complicações que o Ministério enfrentou depois da guerra com Voldemort.

-Acho que ouvi falar dele, mas não é o género de livros que costumo ler. É um daqueles livros que quer mostrar o lado sujo do Ministério, não é? Um Quibbler, mas em vez de ter uma caracter jornalístico, é uma versão literária.

Draco deu uma gargalhada.

-É uma descrição engraçada. Mas, ao contrário do Quibbler, estes factos são reais!

-Ora, por favor. O meu pai e o meu irmão Ron trabalham no Ministério, eu sei perfeitamente que isso é tudo...

-O teu irmão Ron!- Draco rosnou.

-Sim, o meu irmão. Mas não percebo, onde está essa explicação que me querias dar?

-Aqui está parte dela.- Draco estendeu-lhe o livro. Ginny conseguiu ver escrito na capa, embaixo do título, dois nomes: autores eram Owen Cauldwell e Draco Malfoy. Ela não conseguiu esconder a surpresa. Perplexa, ficou com o olhar fixo no livro. Levou alguns segundos a se recompor. Voltou-se para Draco.

-És...tu.

Draco sorriu.

-Sou.

Sentia-se confusa. Mas depois a sua raiva começou a crescer.

-Tu abandonaste-me no altar para escreveres um livro?- ela nem conseguia acreditar naquilo. A sua fúria cresceu ainda mais quando Draco riu.

-Não. Eu saí para procurar Devoradores da Morte que ainda andavam fugidos. Nem depois de dois anos os procurando o Ministério conseguiu capturá-los...

-E tu deixaste-me plantada para fazeres de bom samaritano?

-Eu disse que te explicava não disse? Tens que me deixar falar.

-Até agora só andaste em circulo à volta do assunto. Quero saber porque transformaste o dia do nosso casamento no pior dia da minha vida. Quero saber porque passei os dias seguintes desejando que a dor me matasse para não ter que me torturar esperando que voltasses!

-Depois de saíres da minha casa, na véspera do casamento, recebi uma carta do Ministério dizendo que precisavam de mim para tentar me infiltrar e descobrir o paradeiro dos antigos seguidores de Voldemort. Se conseguisse descobri-los e ajudar o Ministério a prendê-los, voltaria a ter tudo o que uma vez pertenceu aos Malfoy, iam me devolver tudo, e foi o que fizeram...- Draco interrompeu o que estava dizendo quando viu os olhos de Ginny se humedecerem de raiva.- Deixa-me acabar! Se não fizesse o que me estavam pedindo, eu ia para Azkaban, desta vez não como guarda, mas sim como prisioneiro. Ia pagar por todos os crimes que eu havia cometido. Tinha menos de uma hora para enviar a resposta, pois os que aceitassem a missão partiam no dia seguinte. Como deves imaginar, ninguém recusou. Todos aqueles que foram Devoradores da Morte e que ainda estavam esperando sentença, apesar de terem sido "perdoados" pelo Ministério, foram chantageados. Eu não podia fazer outra coisa. Ou fazia o que eles queriam, ou seria preso.

-Por que não me disseste nada?

-Eu saí à pressa, mas deixei-te um bilhete, junto com o smoking.

-Não estava lá nada. Eu procurei o apartamento todo... E por que não escreveste? Eu esperei tanto tempo por uma carta tua!

-Eu escrevi-te. A sério. Muitas vezes.

-Mas não recebi carta nenhuma...

-E depois soube que tinhas casado.

Uma corrente de lágrimas brotou dos olhos de Ginny.

-Oh, Draco. Se me tivesses dito a verdade! Eu pensei que não me amavas, que nem querias casar comigo. Julguei que te tivesses cansado de mim. Senti-me a mulher mais desprezável do mundo. Eu morri por dentro quando foste embora. Devias ter falado comigo, o meu pai ou o Ron talvez pudessem te ajudar...

-Eles? Eles jamais me ajudariam, eu estava condenado.

-Mas por que não me procuraste antes de ires embora?

-Não sei... Quero dizer, sei que deveria o ter feito, mas julguei que fosse menos doloroso do que ter que me despedir. Não aguentaria ver as tuas lágrimas... Achei que te deixando um bilhete seria mais fácil...

-Mas eu não recebi nem uma ponta desse bilhete... Não havia lá nada a não ser aquele maldito smoking abandonado me dizendo que não querias ter nada que te ligasse ao nosso casamento...- as palavras saíram num fio de voz, entre soluços.

-Shh- sussurrou Draco, colocando o dedo indicador sobre os lábios dela, e depois abraçou-a, limpando-lhe as lágrimas.- Amava-te. Sempre te amei.

Com imensa doçura, beijou-a nos cantos dos olhos. Na ponta do nariz. E no queixo. Quando a beijou nos lábios, Ginny pensou que ia derreter-se. Draco tinha uns lábios incrivelmente ternos e sensuais, e uma mão grande e viril que deslizou ao longo de uma das suas pernas, subindo até à cintura, e dali alcançou um dos seus seios numa viagem lenta e enlouquecedora. Pôs a mão sob a roupa e cobriu um seio, estendendo os dedos.

Ginny suspirou contra os lábios de Draco, num arrebato de paixão, levou a língua em busca do beijo dele. Ela mergulhou os dedos no cabelo louro e sedoso dele, procurando a sua boca com idêntico ardor.

Draco gemeu. Ginny gemeu.

Uns dedinhos deram uns golpezinhos no ombro de Ginny.

-Mamã, mamã.

Ginny afastou-se bruscamente dos lábios de Draco e pestanejou ao ver o seu filho, que parecia muito enojado.

-Estavam a beijar-se outra vez – disse Brian, engelhando o nariz. - E na boca.

-Tenho que reconhecê-lo em honra da verdade – afirmou Draco- o miúdo tem boa vista.

-Brian, o que estás fazendo fora da cama?

-Não tenho sono. Não consigo para de pensar no cão. Depois ouvi vozes e vim cá ver se eram vocês. Estão lendo um livro? Posso ver as imagens?

Brian arranjou um sítio entre Ginny e Draco, ajeitando-se até dar com a postura cómoda. Depois agarrou no livro e abriu-o. Nessa página estava a imagem de um homem sendo mutilado.

-Uau!- exclamou o menino com os olhos muito abertos – Olha só aquele sangue. Pena não dar para ouvir ele gritando. Mas é genial!

Ginny abanou a cabeça.

-Não posso acreditar que esta criatura macabra seja meu filho.

Draco lançou uma gargalhada.

-Por muito que eu gostasse de te mostrar as maravilhas das Artes Negras, acho que a tua mãe não iria gostar muito da idéia. O que achas de te ler a história de Alfred, O Gnomo Que Não Sabia Correr?

-Ainda não ouvi essa. É gira?

-É engraçada. Eu gostava quando era miúdo.

-Então quero.

Draco levantou-se, tirou um livro da estante e voltou a sentar-se ao lado de Brian. Abriu o livro e começou a contar a história de Alfred.

Apesar de Brian ter declarado que não tinha sono, em questão de cinco minutos tinha os olhos a fecharem-se. Aninhou-se contra a sua mãe, suspirou e adormeceu como um anjo.

Draco roçou o seio onde Brian tinha apoiado a cabeça.

-É para ter raiva – disse piscando o olho a Ginny e esboçando um sorriso travesso - alguns tipos têm muita sorte.

(¯·.(¯·.(¯·..·¯).·¯).·¯)

Ginny calçou umas sandálias de salto alto e olhou-se ao espelho. Draco tinha lhe dito que se vestisse com elegância naquela noite, e assim fez. O vestido de seda preta e o casaco comprido a condizer faziam parte da roupa que comprou para a Lua-De-Mel. Deslizou as mãos sobre a curva das ancas, saboreando o tacto sensual do tecido. Fechando os olhos, quase podia sentir as mãos de Draco seguindo o mesmo caminho.

Sim. Reconhecia-o. Desejava Draco. Em pouco tempo tinha quase esquecido aqueles cinco anos. A semana de prazo para o louro tinha-se alargado a dez dias, e ele tinha passado praticamente o tempo todo a entreter os gémeos e ela própria. Tinham andado de cavalo, passeado pelos terrenos, visitado a aldeia, explorado as montanhas circundantes. Também tinham ido a uma queda de água.

Mas não tinham dormido juntos. Não tinham feito amor.

Tinham dado alguns beijos. Bom... Mais do que alguns. Mas Draco continha-se sempre. Ginny imaginava que fazia parte do jogo... Mantê-la excitada e ansiosa até acabar com todas as defesas. Ele brincava com ela, atormentava-a com beijos sensuais no pescoço, com carícias leves, mas ficava sempre por aí e lançava-lhe um sorriso malicioso.

Ginny esboçou um sorriso enigmático enquanto punha um toque final de perfume entre os seios. Pois ela também sabia jogar àquele jogo. Há muito tempo que as suas defesas se tinham desmoronado, e quando regressassem a casa naquela noite, Draco estaria quase subindo as paredes e se despindo às pressas antes de chegar ao quarto.

Aquela era a noite.

Pôs os brincos de diamante que ele lhe oferecera e observou-se ao espelho pela última vez. Sentiu-se preocupada com uma idéia repentina. Não se teria arranjado excessivamente? Mordendo o lábio, considerou a possibilidade de mudar de roupa.

Não, não tinha tempo.

No instante que desceu e viu Draco À espera dela ao fundo das escadas, alegrou-se por não ter trocado de roupa. Era um Draco aristocrático. Quando ele lhe dirigiu um sorriso, quase ficou sem respiração.

Usava um smoking preto de corte italiano. Saltava à vista que tinha sido feito à medida. A camisa era branca e a gravata vermelha e amarela. Cor estranha para um Slytherin. Ele pareceu notar e disse:

-Era para combinar contigo, Ruiva!

Os sapatos pareciam também ser italianos. Levava o cabelo puxado para trás, mas estava livre, e não como ele usava em Hogwarts.Irradiava segurança e estilo, e a sexualidade emanava dele como lava de um vulcão em erupção.

Ginny sentiu os joelhos a dobrarem-se só de olhar para ele. E, quando os olhos de Draco a acariciaram dos dedos dos pés ao cabelo solto sobre os ombros dela, sentiu a sua pele a ganhar vida própria, arrepiando-se. Assaltada por mil sensações, agarrou-se ao corrimão para não cair enquanto descia.

Quando parou à frente de Draco, este beijou-lhe a mão.

-Maravilhosamente elegante. Serei a inveja de todos os homens no restaurante.

-Obrigada – respondeu Ginny a sorrir. - E eu acho que as senhoras se poriam de boa vontade no meu lugar. Estás... Perfeito.

Draco piscou-lhe o olho.

-Vamos?

-Deixa-me despedir das crianças primeiro.

Os gémeos estavam distraídos a fazer um puzzle, mas quando viram Draco e Ginny, ambos sorriram e olharam-se com expressão cúmplice.

-O que vocês os dois estão tramando?- perguntou Ginny.

-Estás muito bonita, mamã. Pareces uma princesa.- disse Phoebe, escapando á pergunta.

-Sim, linda- concordou Brian. - Draco e tu vão sair?

-Vamos jantar juntos. Quero que se portem bem com a Alma. Está bem?

-Sim!- responderam em uníssono.

-Vocês depois vão em Lua-De-Mel?

Phoebe deu uma cotovelada ao irmão.

-Disse-te para não perguntares isso. É... É... Aí! Como é que o tio Ron diz? É... Falta de "ecudação"!- a pequena disse.

Salva pela sua filha, pensou Ginny. Depois de uma distribuição geral de abraços de despedida, Draco acompanhou Ginny à porta principal. Lá fora estava um impressionante Porsche preto. Ginny arqueou as sobrancelhas.

-Vamos a um restaurante Muggle fora da aldeia. E o carro não é meu, é de um amigo. E, sim, eu sei conduzir um carro Muggle, até mesmo um carro como este.

-Estou impressionada!- ela disse enquanto Draco a ajudava a acomodar-se. Acariciou o assento de couro preto.-É lindo.

-Se gostas, posso comprar-te um igual.

-Draco, não estava a falar com segundas intenções. Simplesmente admirava uma coisa bonita. Isto não é algo necessário a uma feiticeira, muito menos a uma feiticeira com dois filhos de cinco anos.

-Tens razão. Talvez mais para a frente, quando eles tiverem crescido. Até talvez o dê a Brian. Tenho a certeza que ele iria adorar.

Ginny começou a repreendê-lo de novo, e pouco depois parou. Durante os últimos dias, Draco tinha-a surpreendido várias vezes com presentes sobre os quais ela fizera algum comentário casual, como uma pulseira de prata, um quadro que vira na aldeia... Um dia até lhe apareceu com um livro raríssimo do século XVI que ela mencionara por acaso!

Evidentemente, não queria um carro Muggle que custava os olhos da cara, mas também não desejava começar a noite a criticar a conduta de Draco. Durante a viagem, desviou a conversa para temas menos arriscados. Por exemplo, pôs Draco a par das notícias relacionadas com pessoas que andaram com eles em Hogwarts. Pouco depois estavam a rir às gargalhadas das graças das personagens mais pitorescas do mundo mágico.

Quando chegaram, Draco parou o carro sob o toldo do que parecia ser um restaurante extremamente caro.

-Vamos jantar aqui?

-Apesar da comida não ser tão boa como a da tua mãe, é muito agradável.- Draco beijou-a na bochecha, saiu e abriu-lhe a porta do carro. Ajudou-a a sair e entregou a chave ao porteiro. Quando o jovem viu Draco, um sorriso atravessou a sua cara sardenta.

-Como está, Mister M? Não o tinha reconhecido com esta máquina. É nova?

-É do Marcellus, Pete. Por isso não comeces a...

Pete soltou uma gargalhada e levantou as mãos.

-Entendido. Eu conheço o doutor.

Draco abriu a porta do restaurante a Ginny e deixou-a entrar, roçando-lhe as costas enquanto a conduzia pelo vestíbulo. Por um momento, Ginny teve a sensação de que tinha entrado num cenário de um conto de fadas. O salão de refeições era magnífico. Opulento. Ao estilo Luís XIV.

Quando o maître, de aspecto perfeito para o seu cargo, os viu, apressou-se a chegar até eles e fez-lhes uma reverência. Ginny mordeu o lábio para não se rir. Nunca se imaginara numa situação assim. Sempre se habituara a coisas comuns, não a vida de ricos.

-Ah, Senhor Malfoy, é um prazer tê-lo conosco esta noite. Reservei uma mesa excelente para si e mademoiselle.

-Obrigada, Bernard.

-Por aqui, por favor.

Enquanto o maître se voltava para conduzi-los à mesa, Ginny dirigiu um olhar a Draco com as sobrancelhas arqueadas, que dizia claramente: "Surpreende-me que Bernard e tu mantenham uma relação tão cordial."

Draco replicou encolhendo os ombros.

Bernard parou ante uma mesa de impecável toalha branca, copos brilhantes de cristal e delicada baixela de porcelana. Afastou uma cadeira revestida por ouro para Ginny, ofereceu-lhes os menus que um empregado levou e murmurou a Draco que o especialista de vinhos iria atendê-los de seguida.

-Parece-me que conheces bem o porteiro e o maître, e eles obviamente conhecem-te bem a ti. Vens cá com frequência?

Antes de Draco poder responder, o encarregado dos vinhos e um empregado aproximaram-se da mesa. Enquanto o empregado colocava sobre a mesa um balde de prata que continha uma garrafa de champanhe entre um mar de gelo, o encarregado deixou os copos de champanhe sobre a mesa.

Draco arqueou uma sobrancelha.

-Mas eu não pedi...

O encarregado sorriu e aproximou-se do louro, entregando-lhe um bilhete que dizia: «Vim vigiar o meu carro e essa ruiva estonteantemente bela. Estou preparado para seduzi-la ao mínimo deslize teu.»

Draco olhou por cima das mesas e viu Christophes Marcellus piscar-lhe o olho. Draco soltou uma gargalhada.

O serão foi calmo. A comida era deliciosa.

Enquanto lhe serviam o crème brulé, Ginny ajeitou o vestido e o seu decote acentuou-se. O olhar descarado de Draco focou-se imediatamente nesse ponto. Ela ergueu-se levemente, sabendo perfeitamente bem o impacto que teria nele o movimento dos seus seios contra a seda.

Não se enganou. Draco quase se engasgou com o café.

-Tens alguma coisa por baixo desse vestido extremamente justo?- ele perguntou, erguendo a sobrancelha.

Ginny acariciou a mão de Draco e sorriu provocadoramente.

-Tenho! A minha pele.

A chávena de Draco bateu ruidosamente contra o pires.

-Vamos sair daqui.

Draco levantou-se e estendeu a mão.

-Mas não vamos comer sobremesa?- perguntou ela com os olhos muito abertos de fingida inocência.

-Se fizeres questão de comer, peço para colocarem num saco. Mas eu não aguento estar tão perto de ti, quando estás usando esse vestido provocante e eu só posso sorrir e te acariciar a mão. Quero mais, muito mais.