Goku enfim toma uma decisão frente a situação que se torna insustentável.

Enquanto isso, Videl se recorda da conversa que tivera um dia com Kuririn e testemunha, assim como os amigos de infância de Goku, a diferença entre o que vivia com Yuri e o que tivera que suportar de Chichi.

Capítulo 10 - Conforto

- Preciso que você e Gohan estejam em casa à noite. Preciso conversar com vocês e a sua mãe.

- Posso saber sobre o quê?

Pergunta, mas, olhando com o máximo de asco que consegue para a in-ookami, que vê e fica cabisbaixa, pois eram os mesmos olhos que vira quando era uma escrava, sabendo interpretar muito bem esse tipo de olhar.

Nisso, um rosnado absurdamente alto é escutado e Goten tem a impressão de ver uma fera se movendo por trás dos olhos de seu genitor, além de ver uma feição, quase feral, que dificilmente vira, tendo sérias dúvidas se um dia já a vira, que beirava o ódio, fitando-o com uma raiva extrema ao ponto de ser aterradora.

O jovem Son fica apavorado e ao sentir o cheiro de medo do seu filho, Goku sacode a cabeça para os lados, cerrando os olhos e lutando para se acalmar, conseguindo após alguns segundos, empurrando a sua fera interior para as profundezas do seu corpo.

Percebera com isso, que precisava ficar constantemente naquela forma, visando aprender a controlar melhor o oozaru que vivia dentro dele.

Afinal, não passava de um imenso macaco feroz com forma humanoide, tanto, que a transformação em super saiya-jin 4 precisava obrigatoriamente da cauda, ao contrário das demais, que podia se transformar sem a mesma, além de que, conseguia se transformar em um Oozaru sempre que quisesse, sem precisar da lua, desde que estivesse na forma super saiya-jin 4.

Então, abre os olhos, olhando com um semblante sério para Goten, sentindo então que a sua fera estava bem domada, embora seus pêlos que se eriçaram frente ao nervoso, ainda se encontravam abaixando-se.

- Sim... Avisarei ao nii-san, tou-san. Estaremos em casa à noite. Comunicarei a kaa-chan também para espera-lo.

Goten fala, já tendo se recuperado da visão apavorante do pai, entendendo bem o quanto aquela transformação o influenciava, decidindo tomar mais cuidado, ou ao menos tentar, pois, não desejava ver novamente a face aterrorizante do seu genitor.

Porém, dentro dele, culpava Yuri, pois desde que ela chegara, "mexera" com a mente do seu pai, o "confundindo" e inclusive "seduzindo-o", segundo a sua óptica, passado a culpa-la por tudo o que estava acontecendo e inclusive, considerando que a existência dela destruíra o casamento de seus pais, pensando que a mesma deveria ter morrido junto com a sua matilha.

Ele não queria considerar que o casamento dos seus pais nunca dera certo, sendo fardado a terminar, no momento que o pai desejasse ser realmente feliz, ou quando conhecesse e experimentasse a verdadeira felicidade ao se apaixonar, conhecendo e vivenciando o amor verdadeiro e puro, sendo com Yuri, assim como aprendendo e conhecendo pela primeira vez o amor puro e autêntico, e consequentemente, possuindo uma ligação verdadeira, tida como rara dentre os saiya-jins.

Então, o jovem se despede e parte dali juntamente com Trunks.

Então, ao perceber a face triste de Yuri, desconfiando que fora por causa de seu filho, caminha até ela, ficando de frente e erguendo a sua mão, passando a acariciar a face delicada desta com o dorso dos dedos em movimentos lentos e extremamente gentis, fazendo-a olhar para ele com os orbes ainda úmidos e suas mãos juntas em frente ao tórax.

Delicadamente, coloca uma mexa do cabelo alvo dela como a neve mais pura, macio e sedoso, depositando atrás do ombro desta, falando, enquanto sorria gentilmente, encostando a testa na dela, que o olha, sentindo-se perder naqueles orbes dourados como o próprio sol.

- Não fique assim... Por favor, Yuri. - fala com uma voz amável, sem deixar de olhar os orbes azuis como o céu que refletiam a imensa tristeza que a mesma sentia e que igualmente o feria, de uma forma que nunca sentira antes.

- Mas...

A surpreende, ao depositar, gentilmente um dedo na frente dos lábios pequenos e delicados, falando com seu rosto próximo do dela, fazendo o ar quente se chocar contra a pele acetinada, fazendo-a sentir um leve tremor, igualmente prazeroso, embora não entendesse o porquê, além desta sentir os seus batimentos cardíacos começarem a ficar acelerados e uma sensação estranha em seu estômago e que se propagava para todo o seu corpo.

- Não quero que se culpe... Promete que não vai se culpar? Eu adoro ver o brilho nos seus olhos e a sua felicidade. Se ficar triste, eu também ficarei. Nada me provoca mais sofrimento do que vê-la entristecida, acredite. Você promete a esse Goku?

Nisso, a abraça com seu outro braço, ao mesmo tempo que entrelaça a sua cauda possessivamente na cintura dela, enquanto continuava afagando a face desta com a outra mão, delicadamente, para depois encostar sua testa na da in-ookami, com ambos compartilhando a respiração um do outro.

- Prometo... Não quero vê-lo triste. Ver você triste, também me deixa igualmente triste, fazendo com que esta Yuri sofra. Eu amo ver o seu sorriso. – fala timidamente, sorrindo, enquanto sentia que ele secava o vestígio de suas lágrimas de forma delicada e amável, sem deixa-la de fita-la, nem por um instante.

Nisso, sentindo como se a sua tristeza tivesse desaparecido em um passe de mágica, frente o abraço acolhedor, com esta suspirando feliz, fecha os olhos com ambos compartilhando um da presença do outro, por algum tempo, até que se separam, mas, sem interromper o contato visual em nenhum momento, sentindo-se perder no olhar um do outro.

Então, Goku interrompe, mas, não sem antes beijar a testa de Yuri.

Todos sorriem para a cena, inclusive Videl, percebendo a diferença absurda entre esse relacionamento, reconhecendo como sendo um amor puro e verdadeiro, do que ele tinha com Chichi, que consistia de agressões verbais e humilhações constantes que a chikyuu-jin fazia questão de praticar contra o saiya-jin, de forma diária, se pudesse.

De fato, era o oposto extremo em relação à de humilhação e agressão verbal que sempre presenciara Chichi fazer contra o seu esposo, que sempre se calava, podendo ver certa tristeza nos orbes dele, reconhecendo que aquilo não era um casamento e sim, uma relação em que Chichi despejava toda a sua amargura, frustração e revolta por ter vivido uma infância obcecada por Goku, idealizando-o em suas concepções sonhadoras e não reais, para depois se amargurar e se revoltar ao ver que tudo que imaginara não passava de meras ilusões pueris e surreais.

Seu descaso e amargura chegava ao ponto, pelo que soube e que ficou igualmente horrorizada, isso através de Kuririn, que contou sobre Vegeta, a primeira vez que ele chegou na Terra e o fato, de que, com Goku extremamente ferido, tendo, praticamente todos os seus ossos quebrados, tendo salvado a Terra e consequentemente todos, inclusive a esposa, ela ignorou o marido gravemente ferido, como se ele não existisse e quando Yajirobe a questionou, frente ao estado de Goku, ela praticamente disse, friamente, enquanto demonstrava toda a sua raiva e ira, odiando o seu esposo: "Bem feito", algo que revoltou Videl, após ela se recuperar do choque pelo descaso e frieza com o estado de Goku e pela perversidade em considerar que ele merecera o que aconteceu a ele.

Sua amargura, revolta e decepção chegou a tal ponto, que descontou em Gohan e o usou como uma "ferramenta de vingança" contra Goku, pois, ela se lembrara de seu esposo, em um jantar, contando sobre a sua infância, sempre estudando, dia e noite, até quando dormia, graças a uma cama que o ensinava em seus sonhos, sem parecer se incomodar, com Videl considerando que fora graças a uma lavagem cerebral incutida nele desde bebê, inclusive para se tornar um estudioso, fazendo-a questionar se Chichi era alguém normal, pois, impor o regime que fez ao seu filho mais velho, fazendo-o estudar, inclusive desde a tenra idade dos seus três anos de forma pesada e exigente, fora algo anormal e doentio, no mínimo e inclusive assustando-a.

Ela nunca desejou e nem desejava impor tal sofrimento a sua filha Pan, decidindo desde que ela era um bebê, que a mesma brincaria e estudaria, porém, também treinaria com o avô paterno, conciliando ambos os mundos para ser uma excelente guerreira e uma aluna estudiosa, assim como a permitindo viver como uma menina comum, sem os atos neuróticos e obsessivos, assim como extremamente insanos, de tão anormais, da mãe de Gohan para com o mesmo, quando este era apenas uma criança, tornando- meramente uma vítima de sua frustração e revolta.

Resolveu punir Goku através de Gohan, fazendo-o virar um estudioso por completo, sem uma única gota de sangue guerreiro. Ou seja, o extremo oposto do pai dele, sendo meramente, a seu ver, uma vingança infantil, segundo os seus olhos, pois, nada impedia de ser um guerreiro e um estudioso, podendo conciliar, saudavelmente, ambos os dois "mundos", como ela procurava que Pan fizesse, tendo sempre o direito de decidir o que desejava para si, desde que possuísse consciência das consequências de sua escolha e não impor algo forçado a mesma, ao contrário do que Chichi fez com Gohan, aliado a uma eficiente lavagem cerebral potente.

Além disso, procurava agredir sempre que podia, assim como humilhar, o seu esposo, inclusive em público, sempre que tinha uma oportunidade, descontando nele sua frustação, amargura e ira por ter se tornado uma megera frustrada, sendo que para Videl a única culpada disso fora Chichi.

Pois, se ela tivesse procurado conhecer Goku, passando mais tempo com ele, antes do casamento, além de não prendê-lo a uma promessa, sem este saber o que era, assim como procurar ficar com os "pés no chão", vivendo uma infância e juventude realista, teria evitado que ela se tornasse a mulher que era hoje. Uma megera frustrada, revoltada e amargurada, além de não desenvolver uma obsessão ao nível doentio, aliado as fantasias infantis e irreais, idealizando Goku como um marido ideal a mesma, segundo as suas concepções infantis, longe da realidade.

Em suma, analisando objetivamente, a verdade em tudo isso era que Chichi nunca o amou e nem chegou perto disso. Fora apenas uma obsessão doentia alimentada com o marido idealizado e ilusões infantis, além de concepções não realistas.

Com isso, não culpava o seu sogro por evitar ficar na companhia da esposa, compreendendo inclusive o fato dele sempre procurar ficar longe dela, evitando ao máximo a convivência com a mesma.

Afinal, que aguentaria tamanho descaso e maus tratos com direito a agressões verbais quase que diárias?

Então, sai de seus pensamentos, vendo que Goku perguntava para Yuri, olhando-a com um olhar extremamente gentil e amável:

- Gostaria de conhecer e visitar, Emma Daioh-sama, assim como a primeira DaiKaiohShin-sama?

- Sim... Ela foi muito gentil e boa ao mostrar como era o meu planeta natal e a vida em matilha. Não conseguia me lembrar, pois era muito nova... E quero agradecer, por você ter pedido isso por mim... Muito obrigada. Significou o mundo para esta Yuri.

Agradece emocionada, acabando por brotar em seus orbes azuis, lágrimas de felicidade, enquanto entrelaçava seus braços na nunca do saiya-jin, tocando os lábios dele, com este sentindo o gosto de lágrimas, sabendo serem estas de felicidade, fazendo-o retribuir e abraça-la ainda mais, enquanto sua cauda se mantinha firmemente enrolada em sua cintura.