Capítulo 10 – Agonia
Hayden estava impaciente, o telefone chamando e o outro não atendia. Será que tinha ficado chateado com alguma coisa? O loiro sempre atendia logo de cara, alguma coisa estava errada. Quando pensou em desistir, Ewan atendeu ao celular.
-Alô?... Loiraça, você tá ai? –esperou alguns segundos. -Responde...
-Calma, abaixa essa arma e me diz o que você quer... –ele respondeu, a voz parecia distante.
-O que está acontecendo? –o detetive perguntou, o coração disparando. –Ewan?
-Me dá logo a porra do celular e sem perguntas! –outro homem disse, parecendo irritado. -Entra no carro.
Hayden tinha deixado o IML e estava na delegacia no momento e saiu correndo pelos corredores como um louco, atrás do pessoal que trabalhava com os rastreadores. Entrou na sala ofegante, fazendo um sinal para que tentassem descobrir de onde estava vindo a ligação.
Rapidamente, dois técnicos se puseram a digitar rapidamente nos computadores, usando softwares para localizar o número do celular de Ewan. Demorou alguns segundos, até um ponto vermelho começou a piscar no mapa.
Hayden observou atentamente onde estava e saiu da delegacia, entrando seu carro. Ainda podia ouvir a tentativa de Ewan em manter o bandido calmo, ganhando tempo para que o detetive pudesse chegar.
-Vocês querem levar minha carteira?
-Já disse pra não fazer perguntas! –o bandido se exaltou e Hayden pôde ouvir Ewan gemendo de dor. –Entra logo na porra do carro.
O detetive praguejou e acelerou ainda mais o carro, cortando os outros veículos, tentando chegar ao local rapidamente. Só pensar que seu amigo poderia estar correndo algum risco, sentiu o corpo arrepiar.
Logo depois disso, a ligação caiu. Alternando a visão entre a estrada e os botões do celular, ligou para os técnicos da delegacia.
-Eu perdi contato. –disse, fazendo a curva com uma mão só no volante. –Vocês ainda estão com o sinal?
-Sim senhor, está se dirigindo para as docas, para o hangar 06.
-Não percam de vista e me avisem de qualquer mudança no percurso. –desligou, colocando o celular no bolso da calça social.
Hayden agradeceu mentalmente por ter feito aulas de direção defensiva, se não ficaria preso no trânsito por muito tempo e iria perder o rastro. Com pericia no volante, ele fez um cavalinho-de-pau, os pneus cantaram, deixando marcas no asfalto.
Em poucos minutos, chegou às docas, de onde o sinal vinha. Sem perder tempo, estacionou o veiculo de qualquer maneira e pediu reforços pelo rádio. Destravou sua 9mm e saiu rapidamente, chegando à porta do hangar 06.
Da última em que esteve ali, foi para apreender a droga contrabandeada pelo Steve. Hayden sabia que aqueles galpões tinham uma entrada lateral, que era menor do que a principal.
Resolveu entrar por ali, porque chamaria menos a atenção, até porque não sabia quantos homens estariam dentro do hangar. Abriu a porta cuidadosamente, procurando não fazer barulho.
Mas teve uma surpresa inesperada, o lugar estava completamente vazio, a não ser por uma cadeira. Hayden abaixou a arma e andou até a cadeira, percebendo que celular de Ewan estava em cima dela.
Soltou o ar dos pulmões, irritado. As coisas estavam ficando cada vez mais complicadas. Passou a mão pelos cabelos, tentando se acalmar, quando o celular tocou. Antes de tocar no aparelho, o detetive cobriu a mão com um lenço e depois atendeu a ligação.
-Hayden falando. –sua voz saiu imponente e séria.
-Olá detetive... –o homem do outro lado disse, cheio de sarcasmo. –Que bom falar com você.
-Escuta aqui seu merda, se você ousar machucar o Ewan, eu te mato! –estava furioso, o sangue fervia nas veias.
-Nossa, calma! –ele soltou uma risada pelo nariz. –Não vou fazer nada com ele, pelo menos por enquanto.
-O que você quer? Diz logo. –Hayden pôde ouvir gemidos abafados ao fundo da ligação.
-Eu quero que você pare de se meter nos meus negócios. –o estranho mudou o tom da voz, estava sério. –Se continuar com essas investigações, seu amigo aqui vai morrer.
-Solte o Ewan, ele não tem nada haver com isso. –o detetive tentava uma mediação. –Se quiser, podemos fazer um acordo.
-Ora, ora... Um policial tão renomado quanto você, querendo um acordo com um cara sujo que nem eu? –outra risada sarcástica. –O que o desespero não faz com as pessoas...
-E ai, podemos conversar? –Hayden sentiu um frio no estômago, enquanto esperava a resposta. –Tenho certeza de que vamos achar uma saída que beneficie a nós dois.
-Gosto do seu jeito... –ele pareceu ficar mais tranqüilo. –Fique com o celular do seu amigo por perto, vou pensar no seu caso e entro em contato.
-Mas como vou saber se posso confiar em você?
-É fácil, se até as seis horas de hoje, eu não te ligar, é porque o refém morreu. –os gemidos aumentaram ainda mais ao fundo.
Antes que Hayden pudesse falar mais alguma coisa, a ligação foi encerrada. Segundos depois, a porta principal do hangar foi aberta rapidamente e cerca de dez policias armados e com coletes à prova de bala entraram.
Rapidamente, ele escondeu o celular de Ewan no bolso, antes que os outros percebessem.
-Você está bem? –um deles perguntou, se aproximando, enquanto os outros faziam uma varredura pelo galpão.
-Sim, mas parece que chegamos tarde demais. –o detetive comentou, deixando o local. –Não tem ninguém aqui, vamos embora.
Hayden voltou para a delegacia e preencheu uns relatórios, sem prestar a mínima atenção ao que fazia. Por que Ewan foi seqüestrado? Quem está por trás de tudo isso? O que querem com ele?
Entregou a papelada para a secretária e saiu da delegacia, pensando em um plano para tentar descobrir onde era o cativeiro. O celular tocou no bolso fez com que voltasse para a realidade.
Era Laura, dizendo que os testes deram negativo. A única digital que encontraram na carta foi de Matt. Provavelmente a pessoa que fez os recortes das revistas usou uma pinça e luvas de látex, porque não deixou nenhum rastro.
O detetive agradeceu e bufou, depois de desligar. Estava tudo dando errado! Entrou no seu carro e dirigiu até em casa, precisava tomar um banho e relaxar. Caso contrário, sua mente iria explodir a qualquer minuto.
Conforme ia caminhando para o banheiro da suíte, foi largando as peças de roupas pelo chão. Já estava completamente nu, quando abriu a torneira e deixou que a banheira enchesse d'água quente.
O vapor embaçou o espelho e o vidro da janela. Quando achou que estava cheia o suficiente, ele fechou a torneira e entrou lentamente. A água estava bem quente, mas isso não parecia incomodá-lo.
Encostou a cabeça na borda e fechou os olhos, deixando os músculos relaxarem. Era normal estar preocupado com o amigo que foi seqüestrado, mas a inquietação que existia em seu peito era anormal.
Sempre conseguia manter o foco e pensar racionalmente, mesmo diante das situações mais adversas. Porém, dessa vez era diferente. Seu coração estava apertado, agoniado. Como se a qualquer momento fosse capaz de parar de bater.
Ficou alguns minutos ali, conforme a água ia esfriando, terminou de tomar o seu banho e jogou-se na cama. No momento em que finalmente estava pegando no sono, seu celular tocou lá do corredor. Ele arrastou-se até onde a calça estava jogada e atendeu.
Dessa vez, Laura estava ligando para convidá-lo a um jantar que ela faria em casa, especialmente para ele. Hayden agradeceu e disse que em poucos minutos estaria no apartamento da perita.
Como ainda estava frio, vestiu uma camisa de gola rolê, blazer, calça jeans e sapato social. E como prometido, lá estava ele, depois de quinze minutos. O lugar era realmente encantador e a comida estava uma delicia.
Depois do jantar, estavam na sala tomando vinho e conversando sobre várias coisas, que não tinham nada haver com seus trabalhos.
-Então, pelo visto você deve sair com muitas mulheres... Não é mesmo? –ela perguntou, com um sorriso malicioso nos lábios.
-É, você tem razão. –retribuiu o sorriso, antes de beber um pouco mais.
-Quero que me mostre porque elas adoram você...
Laura largou a taça de vinho em cima da mesa de centro e engatinhou lentamente sobre o sofá de couro, projetando seu corpo em cima dele. Em poucos minutos, estava sentada em cima no colo de Hayden, com as pernas cruzadas nas costas dele, distribuindo selinhos pelo pescoço do detetive.
Ele levantou-se, segurando Laura pelo quadril e caminhou até o quarto. Deitou a mulher na cama, enquanto tirava sua roupa. Ela também o ajudou com as roupas e alguns segundos depois, rolavam nus pela cama.
Hayden tinha que admitir, Laura era uma mulher fogosa. Não se contentava com pouco e ficou surpreso com que a perita podia fazer. Realmente, ela era diferente das outras com quem já havia transado.
O que mais lhe deixou boquiaberto, foi o fato dela deixar que houvesse penetração anal. Trocou a camisinha e colocou mais lubrificante, enquanto ela abria as pernas e ficava numa posição mais favorável para ambos.
Ele primeiro se certificou que a entrada estava pronta e só depois penetrou. Laura gemeu um pouco de dor no começo, mas parecia estar gostando da experiência. Hayden aos poucos foi aumentando seu ritmo, sentindo os músculos apertarem seu pênis e o prazer aumentar gradativamente.
Instintivamente, ele fechou os olhos e continuou com seus movimentos, abraçando o corpo dela. Na sua mente, Laura não era a pessoa com quem transava naquele fim de tarde.
Era o seu escocês. O seu Ewan. Cujos olhos eram de uma cor indefinida entre o azul e o verde, mas que se assemelhavam ao mar e conseguiam aos poucos fazer com que mergulhasse em águas profundas.
A voz feminina no seu ouvido, que gemia de prazer, era substituída pelo timbre rouco e o sotaque dele. O corpo que estava sob o seu, quase chegando ao clímax, era dele. O quadril que se movimentava contra o seu, num ritmo delirante, era dele.
Simplesmente, Laura deixou de existir naqueles minutos que antecederam o gozo. Sabia que era apenas um truque de sua mente, mas deixou-se levar. Parecia que ficava mais excitado em pensar que na verdade, estava transando com Ewan.
Quando finalmente gozou, saiu de dentro da parceira e tombou ao lado exausto e tirou o preservativo. Eles se beijaram e em poucos minutos, ela acabou caindo no sono. Hayden esperou até ter certeza de que Laura não acordaria, levantou-se, vestiu sua roupa e deixou o apartamento.
Antes de sair, escreveu um bilhete, dizendo que teve uma emergência no trabalho e que precisava ir. Mas que havia se divertido muito e que deveriam repetir mais vezes.
Dez minutos depois, estava na sua casa, andando de um lado a outro na sala, sentindo-se o homem mais desprezível sobre a Terra. Como pôde fazer isso com a Laura? Fazer sexo sem compromisso era uma coisa, mas imaginar estar com outra pessoa era deplorável.
O celular de Ewan tocou pela segunda vez naquele dia. O sangue congelou nas veias de Hayden, que atendeu rapidamente.
-Pensei no que você me disse... –o seqüestrador falou calmamente. –E aceito sua oferta para conversarmos...
-Ótimo, onde podemos nos encontrar? –seu coração batia aceleradamente dentro do peito.
-Amanhã vá até o parque de Las Vegas e fique no portão principal, sentado no banco perto do orelhão. Um dos meus homens vai até você. –ele impôs sua condição. –Aproveite e traga o seu amigo jornalista também.
-Sem problemas... –uma pequena pausa. –Mas eu quero uma garantia de que Ewan está vivo e passa bem.
-Só vou quebrar seu galho porque você pode me ser muito útil... –o telefone chiou um pouco e a voz dele pareceu distante, como se estivesse falando com outra pessoa. –Tirem a mordaça dele... Você só pode falar oi, isso basta.
Os segundos que Hayden ficou esperando, pareciam ser os mais longos de toda a sua vida. Mesmo estando longe e abafada, conseguiria reconhecer a voz de Ewan de qualquer maneira.
-Hay! Eu estou bem, não se preocupe.
-Ewan! –ele berrou, mesmo sabendo que não ia ser ouvido.
-Então é isso, esteja lá amanhã, ou ele morre. –o seqüestrador disse, antes de desligar.
O detetive ficou paralisado, durante alguns segundos. Escutar a voz dele tinha sido um alivio, pelo menos estava vivo. Faria o que fosse preciso para tirá-lo de lá, nem que para isso tivesse que contar com a ajuda da SWAT.
Trocou de roupa e deitou mais uma vez, para tentar dormir. Mas o sono não veio naquela noite.
(...)
Matt revisou pela última vez sua matéria sobre o tráfico de drogas na cidade, corrigindo os erros de ortografia. Mas sua mente estava muito longe do jornal. Não conseguia parar de pensar na carta anônima que recebeu.
Quem seria capaz de querer vê-lo morto? Tinha certeza de que ninguém do trabalho sabia que estava ajudando Hayden. Devia ser alguém de fora, talvez estivesse sendo espionado e nem percebesse.
Aos poucos, esses pensamentos foram se tornando uma verdade, dentro da mente de Matt. Afinal, sempre publicava os fatos como eles realmente eram. E isso acabava atraindo alguns problemas, porque não tinha medo de falar a verdade.
Mas precisava terminar de supervisionar o trabalho dos outros jornalistas, pra ver se podia mandar a sessão para a gráfica. Depois de vistoriar as colunas e matérias, mandou o material para o revisor chefe.
Seu dia havia terminado e agora poderia ir para casa finalmente. Não via a hora de conseguir descansar, toda aquela história de ameaça acabou com suas energias. Pegou a mochila e deixou o jornal.
Andou por dois quarteirões, até chegar ao apartamento onde vivia. Antes de entrar na portaria, notou que tinha um carro estacionado do outro lado da rua. Mas não tinha ninguém dentro.
Mesmo achando aquilo muito esquisito, entrou e subiu de elevador. Trancou a porta com a chave e passou o trinco. Sabia que aquilo não iria adiantar muito, mas pelo menos lhe passava a sensação de segurança.
Antes de dormir, resolveu ligar para Ewan, mas o telefone de casa ninguém atendeu e o celular estava desligado. Talvez ele pudesse ter saído com a esposa... Esperava que o amigo estivesse bem, afinal vinha enfrentando tantos problemas ultimamente...
Na manhã seguinte, antes que saísse de casa, recebeu uma ligação de Hayden.
-Bom dia, e ai alguma novidade? –perguntou, enquanto amarrava o tênis.
-Ligaram do IML e disseram que não encontraram nenhuma outra digital na carta, além das suas... –o outro parecia agitado. –Olha só, preciso da sua ajuda.
-Para o que? –levantou-se, pegou a mochila e trancou a porta de casa.
-É o seguinte, Ewan foi seqüestrado e vou me encontrar com o bandido. –ele foi direto, sem esconder os fatos.
-O que? Mas ele está bem? –o jornalista não acreditou no que ouviu.
-Espero que sim... Por isso, queria que você fosse comigo até lá. –parecia sério.
-Claro, onde eu te encontro?
-Estou na portaria do seu prédio.
-Já estou indo...
Sem mais delongas, ele desceu pelo elevador, chegando à portaria em alguns segundos. Percebeu que seu amigo tinha olheiras e estava abatido.
Nenhuma pergunta foi feita naquele momento, Matt sabia o quanto Hayden devia estar sofrendo com tudo aquilo. Por isso, abraçou o amigo, como se com este gesto, pudesse mostrar que estava ali para ajudar.
Antes que as lágrimas descessem e molhassem seu rosto, o detetive retribuiu o abraço e fez um sinal para que o amigo o seguisse. Eles entraram no carro esportivo preto que pertencia à Hayden e deixaram o prédio.
-Não consigo pregar o olho desde ontem... –ele confessou, enquanto dirigia. –O que será que podem estar fazendo com Ewan?
-O seqüestrador por acaso deu alguma pista de que ele está bem? –Matt perguntou, olhando para o amigo.
-Ewan falou comigo, dizendo que estava tudo bem. –Hayden fez uma curva e entrou na auto-estrada. –Só não tenho muita certeza...
-Ele é uma pessoa forte, não vai se entregar tão facilmente sem lutar pela vida. –o jornalista esboçou um sorriso confiante. –Para onde estamos indo?
-O seqüestrador mandou que eu fosse para o parque de Las Vegas. –acelerou o carro, trocando a marcha. –Disse que queria me encontrar lá, até meio-dia.
-Então é melhor correr, porque são dez da manhã.
O carro parecia voar pela estrada que cruzava o deserto da Califórnia. O coração de Hayden agonizava de preocupação com o amigo, precisava saber se estava tudo bem. Nunca se perdoaria caso acontecesse alguma coisa com Ewan. Independente de quem fosse o seqüestrador, ia pagar com a própria vida.
Por isso, tratou de ir o mais rápido que pôde, para não se atrasar. Depois de encurtar a viajem em vinte minutos, chegaram ao parque às onze e meia. Hayden e Matt ficaram esperando no ponto combinado, um banco perto do orelhão ao lado do portão principal.
Após um tempo esperando sob o sol forte, um homem truculento usando terno apareceu, pedindo que o seguisse até o carro. Os dois obedeceram sem mais perguntas e entraram na limusine que estava parada a alguns metros de distância.
Depois de rodarem alguns minutos pela cidade, foram parar na parte mais abandonada de Las Vegas, aonde os turistas nunca iam. O lugar era cheio de cortiços, tinham prostitutas, mendigos, drogados... Toda a sorte de pessoas más intencionadas.
Eles deixaram a limusine e entraram em um prédio abandonado, que parecia ser um antigo teatro. O interior estava bastante destruído, com escombros por vários lugares e exalava um cheiro estranho.
Sob a mira das armas dos capangas, Hayden e Matt abriram a porta principal. No meio do palco iluminado pelos holofotes, estava Ewan amarrado e amordaçado, sentado numa cadeira.
-Ewan! –o detetive berrou, chamando sua atenção. –Calma, eu vou tirar você daí!
O loiro só conseguiu gemer em resposta, tentando se movimentar, apesar do corpo estar mobilizado pelas grossas cordas. No momento em que Hayden tentou sair correndo para o palco, um dos capangas segurou seu braço.
-Meu chefe quer falar com você primeiro.
-E onde ele está? –perguntou em voz alta, o som ecoando pelo teatro.
-Bem aqui.
Todos viraram os rostos para o outro lado do palco, encontrando o dono da voz grossa e rouca. Pertencia a um homem de aparentemente quarenta anos, o cabelo negro ondulado foi penteado para trás, apesar de alguns fios caírem sobre os olhos castanhos. A barba feita e o porte do corpo atlético, além da roupa social, lhe conferiam uma aparência de poder.
Ele sorriu e fez um movimento com a mão, pedindo para que os convidados se aproximassem. Eles foram obrigados a sentar em outras cadeiras que foram colocadas pelos capangas, que se posicionaram atrás deles.
-Wayne Norton? –Matt não conseguiu esconder sua surpresa.
-Eu mesmo... Algum problema? Espero que não. –exibiu um sorriso falso. –Vamos aos negócios, certo?
-O que você quer? –Hayden perguntou, encarando-o sem medo.
-Existe uma pessoa que está me dando muitas dores de cabeça... Quero que você destrua-o.
-Não faço parte do esquadrão da morte, desculpa. –o detetive foi irônico, levantando os ombros.
-Tem certeza de que essa é a sua resposta?
Hayden respirou fundo e olhou para Matt. O jornalista parecia assustado com tudo aquilo e fez um sinal para o amigo se acalmar.
-Quem é essa pessoa? –perguntou, sentindo o suor escorrendo pela camisa social que vestia.
-O secretário do governador... Jude Law. –Wayne respondeu, o ódio em cada palavra. –Eu quero vê-lo acabado.
