Capítulo 10 - Reencontro

- Estive pensando em fazer uma busca pelas fitas de segurança do campus.

-Claro! Porque não tive essa idéia!

- Enquanto estávamos no seu quarto- disse Jasper- tentamos reconhecer alguma coisa que nos levasse ao rapaz, mas como você mesma disse ele simplesmente evaporou.

-E quando vamos ver as fitas de segurança? – falei tentando manter o foco

- Agora. Vamos até a secretaria para ver se achamos alguma coisa.

Caminhei com eles até a secretaria e entramos rapidamente. Tinha uma porta nos fundos onde provavelmente estavam as fitas. Forcei a porta e ela se abriu. Jasper passou por mim tão rapidamente que somente senti uma brisa. Ele ficou olhando para todos os lados da sala enquanto eu ficava na porta e Alice estava do lado de fora da secretaria. De repente ele voltou com uns DVDs em suas mãos. Agora teríamos que ir para a sala de áudio visual. Os corredores estavam escuros e quase não dava para ver nada, porém o casal andava livremente. A escuridão não fazia a menor diferença para os dois, já que vampiros enxergam perfeitamente nela. Na minha forma humana, eu simplesmente tive que acompanhá-los. Quando estávamos chegando ao áudio visual demos de cara com um faxineiro. Devagar voltamos para o corredor adjacente e esperamos que ele terminasse e não viesse em nossa direção. Aqueles 20 minutos pareciam intermináveis. Ficamos olhando atentamente a hora em que ele foi para o final do corredor, percebi que ele trancou a porta. Alice como é a mais leve passou facilmente pelo basculante que fica em cima da porta e abriu-a por dentro. Jasper colocou o primeiro DVD para assistirmos. Foi acelerando a imagem para irmos mais rápido. Eles colocaram a imagem para ir 8 vezes mais rápida e não pareciam perder nada.

-Pare! - Gritou Jasper – Ali. No canto esquerdo da tela.

Quando atentei a dois vultos de mulher, uma carregando uma coisa, que aprecia ser somente um par de pernas.

- Parece que encontramos. – disse Alice – Agora vamos acompanhar para ver se conseguimos ver seu rosto.

Pegamos outro DVD que mostrava outros lugares do campus. Eu fiquei num aparelho Jasper em outro e Alice em outro. Todos atentos ao menor detalhe que pudesse levar-nos a identificar as mulheres.

Quando eu já estava distraída, a imagem dos três ficou nítida na tela. Eram realmente duas mulheres usando uma roupa de época e Alex. Ele estava desmaiado, sendo arrastado feito a um boneco de pano.

Em um dado momento percebemos que Jasper paralisou. Ele ficou ali parado, estático. Não percebemos o exato instante que ele ficou ali parado, mas com a cena em pause no aparelho não demoramos muito para perceber.

- Quem você viu amor? – perguntou Alice

- Uma pessoa que pensei que jamais veria novamente...

-Quem?

-Maria!

- Não acredito!

-Quem é Maria? – perguntei

- Foi a vampira que transformou Jasper...

-O que ela faz aqui na Filadélfia? E porque ela raptou o rapaz?

- Não tem como saber, mas ela devolverá o Alex de qualquer forma! – disse irritada

- Ela estava em Calgary. Tão longe daqui...

- Como vamos encontrá-la?- Questionei

- Parece que ela entrará em contato conosco. Maria é uma vampira de um pensamento ardiloso. Com certeza ela tem um plano...

- Mas tinha certeza que não vi nada. Nada... – disse Alice cabisbaixa

- E o bilhete que deixei lá. Vocês pegaram alguma coisa pelo bilhete deixado na porta?

- Não reconheci a letra. Tem muitos anos que não vi e nem gostaria de vê-la.

- Vamos embora. Podemos resolver as coisas em outro lugar.

Saímos da faculdade e nos dirigimos para o hotel.

- O que vamos fazer então? - Perguntei aflitivamente

- O que eu vou dizer pode não te agradar. Devemos esperar

- Esperar! Mais!

- Exatamente, Leah. Infelizmente não temos como localizá-la. Na hora que ela achar melhor entrará em contato. Temos uma pequena vantagem, sabemos que foi ela quem fez isso.

- Humpf. - Bufei - Vantagem. Grande coisa. Vantagem seria saber onde ela escondeu Alex, isso sim!

- Te pedir calma seria inútil. Até eu agora estou nervoso. Confesso. Temos que esperar.

- Então vou embora! Já que tenho que esperar, prefiro estar perto de Chelsea. Vai que essa vampira aí resolve pegá-la também.

- Tudo bem Leah, se tiver notícias te aviso.

- Tudo bem.

Fui embora sem me despedir direito. Esperar! Fala sério! Não vou esperar mesmo. Quando caminhava pela rua, prestava atenção a qualquer coisa que poderia me alertar onde poderia ser o covil de Maria. Se bem que pelo que disse Jasper, ela é muito esperta. Deve estar em um lugar perfeito. Que raiva! Que raiva! O sentimento foi tão intenso que não tive tempo de manter a calma e me transformei. A sorte é que era de madrugada e não tinha ninguém na rua, corri para um lugar mais isolado. Aproveitando a forma de loba, tentei farejar para achar algo pelo ar. De repente senti um cheiro diferente. Encontrei a direção e segui seu rumo.

Consegui subir num telhado de um prédio baixo. Do alto conseguia uma visão bem melhor. O cheiro estava vindo do norte. Fui saltando de prédio em prédio até que o cheiro foi ficando cada vez mais forte. Estava bem próximo do museu de antropologia da universidade. Mas é claro! Nada melhor estar em um museu! Nunca ninguém prestaria atenção em duas mulheres vestidas com roupa de época em um museu que fala da evolução da humanidade. Mas onde elas colocariam o Alex? Assim que cheguei a um prédio paralelo ao museu, dei de cara um a Maria. Uma mulher de cabelos castanhos escuros, olhos vermelhos como o fogo de aparência latina, com a pele desbotada devido ao vampirismo. Meu sangue fervia. Ficamos nos encarando. Andando em círculos encarando uma a outra. Dei uma investida para cima dela, mas com rapidez ela saiu correndo em direção Blanche P. Levy Park. Segui em seu encalço até a entrada do parque. O dia estava quase amanhecendo e eu não tinha como continuar a perseguição. As pessoas começariam a transitar pelas ruas. Optei por voltar para o alojamento. Assim que parei e dei uma última encarada nela ela chegou mais perto de mim e falou:

- O seu brinquedinho está bem. Não é ele que me interessa. Assim que eu conseguir o que eu quero eu o deixo ir.

Dei um rosnado cheio de fúria. Ela deu uma risada sarcástica e foi-se. Não pude prestar atenção se ela retornou para o museu porque eu fui em direção oposta. Tive que pensar como voltaria a forma humana sem chamar atenção. Fui para o telhado do alojamento e me torne bípede novamente. Calculei mais ou menos onde estava a janela do meu quarto e contei com a sorte. Saltei para a janela e entrei com confiança. Por sorte realmente era meu quarto e Chelsea estava dormindo um sono profundo. Rapidamente coloquei a roupa e pequei meu celular. Ainda bem que resolvi deixar o telefone carregando antes de encontrar com Jasper e Alice. Com as mãos trêmulas disquei para o primeiro número que vi.

- Alô? Leah. Tudo bem?

- Seth é você?

- Sou eu sim. Sua voz está tensa, o que tá acontecendo?

- Um monte de coisa. - Fui para fora do quarto para falar melhor – Tem alguém perto de você ai?

- Não. Tô no quarto de hospedes sozinho. Dá pra me contar o que tá acontecendo? Você está me deixando nervoso.

- Chama o Jake. Rápido!

- Tá bom mas eu não vou sair de perto, viu!

- Tá, tá bom! Mas anda logo!

Esperei por uns instantes e logo Jake atendeu.

- Fala Leah.

- Eu achei quem raptou Alex. Jasper a conhece. Uma tal de Maria. Foi ela que o transformou. Persegui até onde podia, mas o dia tava amanhecendo e ela foi embora! Eu quero matar ela Jake. Matar!

- Cadê o Jasper e Alice?

- Estão no hotel. Ele falou que eu tinha q esperar, mas eu não agüentei. Não gosto de esperar. Eu perdi o controle e me transformei depois disso eu senti um cheiro doce no ar, cheiro de vampiro. Não tive dúvidas fui atrás. Dei de cara com a peça! Ela me encarou e ainda por cima deu uma risada. Falou que depois de fazer o que ela queria me devolveria o Alex.

- Você está muito nervosa. Vai acabar se transformando. Tente manter a calma. Por hora você tem que seguir a rotina do seu dia. Deixe que eu falo com Jasper. Tente se distrair. Isso é uma ordem.

Ele desligou o telefone e eu sentei-me no chão. Respirava fortemente. Meu corpo tremia. A mão suava. O celular caiu no chão e eu tentando manter a respiração na normalidade. Fiquei assim por uns minutos. Quando estava quase estável senti a vibração do telefone novamente. Era Jasper dessa vez.

- Não acredito que você fez o que fez. Pedi para você aguardar.

- Não tenho sangue frio como vocês.

-E agora o que você acha que ela fará?

- Sinceramente não sei, mas ela quer algo que não tenho sei. Você não desconfia? –falei isso porque estava na cara que ela queria vingança do Jasper e eu caí de gaiata nessa história.

- Leah, assim que você tiver melhor conversaremos.

- Eu encontro vocês assim que der. Agora só queria um pouco de paz.

Desliguei o telefone e me levantei. Entrei novamente no quarto e Chelsea estava acordada.

- Você madrugou hoje.

-Pois é. Quero aproveitar o dia!

- Que animação! Vamos ao zoológico?

- Ótimo! Já volto! – fui para o banheiro. Não queria deixar o menor furo com Chelsea. Me afastei para finalizar meu disfarce de um calmo cordeirinho.

Resolvemos tomar nosso café numa cafeteria que estava na frente a entrada do Zôo. Como era domingo era de se esperar que estivesse lotado. Um grupo de crianças uniformizadas, um grupo de velhinhos carregando câmeras nas mãos, vários casais de namorados outros grupos que variavam entre casais, duplas e trios. Ficamos o dia todo vendo os animais e curtindo o dia. Quando estava quase escurecendo resolvemos ir embora. Estava do lado de fora do banheiro esperando Chelsea tive uma visão desagradável. As duas estavam paradas em frente a uma gaiola. Enquanto as pessoas passavam, elas estavam me observando de longe. Agora o que eu faço? Vou atrás das duas ou espero para deixar Chelsea em segurança?