Mestre dos Ladrões
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 10 – O Hacker
Casa de Froid
Milo sentiu algo gelado ser colocado em seu rosto. Era gostoso e, de alguma forma, aliviava a dor que ele sentia. E Milo segurou o sorriso. Por algum motivo ele se sentia melhor... Ele estava em uma cama macia, com um travesseiro fofo e sentia um cheiro agradável. E alguém o tratava com muito carinho. E mais... ele sabia exatamente quem era! E Milo se virou com cuidado e olhou diretamente para Froid que se encontrava recostado na cama, segurando em seu rosto uma bolsa de gelo. Caramba! Aquele francês era lindo! Por que ele se metera nesta vida? Ele podia facilmente ganhar a vida como modelo, sem precisar ser um criminoso e sem seqüestrar ninguém! Mas o pior era saber que Froid tinha um estranho efeito sobre si. Por que diabos ele se sentia tão feliz quando Froid estava por perto? O cativeiro nem parecia tão pesado assim, sabendo que Froid seria seu carcereiro... O que ele tinha?
- Milo? A dor... ela... melhora com o gelo?
- ... – Ah, não! Você não vai me atingir assim, Froid!, pensou Milo.
- Milo? Eu só não quero que você sinta dor...
- ... – Ele parece com tanto remorso..., pensou Milo.
- Aidez-moi, s´il vous plaî1t, Milo!
- Eu já te disse para não falar em francês! QUE DROGA! – Froid o olhou magoado, como se tivesse levado um tapa na cara.
- Eu páro, Milo. Desculpa! – Cara! Fui muito grosso. Ele só está tentando ser legal comigo, pensou Milo, arrependido.
- Foi mal, Froid. Me desculpa! Eu estou nervoso. Você me seqüestra, eu sei que alguém bateu no Saga e que ele não está nada bem. E... e aquela aberração tenta me agarrar... Tudo dói...
E Milo parou de falar. Do jeito que as coisas iam, ele seria capaz de começar a chorar na frente de Froid. Mas, também, ele bem que tinha motivos, oras! Por que tudo aquilo acontecera com ele? E, para piorar, ele parecia estar se apaixonando pelo seu seqüestrador. Ele tinha certeza disso. E aquela seria a pior besteira de sua vida. Com que moral ele podia criticar o Kanon depois dessa? O mau caráter do caso do Kanon não devia seqüestrar ninguém. Já o francês ruivo logo à sua frente era um bandido, sem dúvida. Kamus vendo a tristeza no rosto de Milo não se conteve, deitou-se na borda da cama e o abraçou, puxando-o para mais perto de si.
- Vai acabar logo, Milo! E o Juiz nunca mais vai chegar perto de você! Eu prometo!
Milo foi pego de surpresa pelo gesto de Froid. Mas era bom senti-lo tão perto! Muito bom! Ele teve, então, a certeza de que ele pensara em Froid todos os dias desde que eles se encontraram. Sem exceção! Não! Aquilo não podia ficar daquele jeito. Ele não era mulher de bandido, afinal. Ele não queria sentir nada por Froid. Maldito fosse ele. O cara era um bandido. E Milo empurrou Froid para o chão e saiu em disparada para a porta, ignorando a dor que sentia. Ele iria fugir, isso, sim! Mas sua fuga foi impedida por Froid que – sabe-se lá como – levantou-se e o alcançou quando ele já estava na sala, tentando abrir a porta de saída. Froid puxou-o pelo braço e lhe apontou uma arma. Mas nem foi isso que mais o incomodou. O que incomodava realmente era a voz de Froid. A voz dele soava gélida, despida de toda e qualquer emoção.
- Non, Milo! C´est pas possible2. Você não vai fugir. Nós precisamos de você para o sucesso do plano!
Então, Froid o conduziu de volta ao quarto e algemou com perícia uma de suas mãos à cabeceira da cama. Milo nem mesmo reagiu. Droga! Pior do que antes. E que plano seria esse que eles sempre mencionavam?
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Casa das montanhas
Shion também precisava de alívio. E olhar Saga à sua disposição fazia com que seu corpo clamasse por mais. Ele precisava de Saga. E, sem se controlar, ele começou a acariciar o corpo de Saga, cada vez mais próximo do que o interessava. Ele iria ser carinhoso. Ele iria preparar Saga. Saga não iria sentir mais dor do que a inevitável. Ele iria se controlar e tratar Saga com carinho. Controle! Ele precisava ter controle. Ah, mas ele estava muito excitado. E sentir a pele de Saga se arrepiar aos seus toques o fazia perder a cabeça. Ouvir palavras desconexas suspiradas por Saga o fazia arder de desejo. Quando ele começou o preparo e Saga jogou a cabeça para trás, gemendo, Shion quase se esqueceu que queria ser carinhoso. Saga finalmente estava entregue e faria o que ele quisesse. Saga o queria, afinal. Como ele mesmo queria Saga. Finalmente! Saga seria dele em muito pouco tempo e Shion enfiou dois dedos, ouvindo Saga gemer novamente. Lindo! E foi então que Shion ouviu um barulho conhecido. Alguém da quadrilha o chamava. E ele pedira para ser chamado somente em caso de emergência. Logo, algo emergencial surgira. E, irritado, Shion levantou-se sob o olhar nublado de desejo de Saga. Ao ver a mensagem, Shion falou algo em uma língua desconhecida e saiu da sala, deixando Saga amarrado no tatame.
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Sede da quadrilha
O Hacker finalmente se decidira. Ele chamara o Mestre. Tudo dera errado naquele final de semana. O Juiz atacara Milo e Milo tivera que ser removido para a casa de Il Froid. Kanon conhecia Radamanthys. Sim, o Hacker sabia o nome pelo qual ELE se registrara no hotel em que o Top trabalhava. O Técnico, responsável pela vigilância de Radamanthys, não os avisara que Kanon o conhecia. Claro que a falha do Técnico devia ter a ver com o ataque a Milo. Afinal, fora o Técnico que salvara Milo. E eles tiveram que tirar Kanon do hotel com a primeira idéia que aparecera, por bizarra que fosse. Mas era para a segurança dele. E agora ele, o Hacker, estava prestes a se envolver na confusão para tentar salvar o que fosse possível.
Enfim, tanta coisa dera errado que ele resolvera avisar o Mestre, mesmo contra as ordens dele. Raios! Ele odiava ter que desobedecer ao Mestre. A ligação entre eles era muito antiga e mais profunda do que qualquer um da quadrilha poderia imaginar. Não era só uma questão de ser do mesmo país. Não era só uma questão de falar a mesma língua. Não! O Mestre praticamente o criara. O Mestre era o mais próximo que ele tivera de um pai. E os membros da quadrilha eram o mais próximo que ele já tivera de uma família. E, em poucos segundos, seu telefone tocou.
- O que aconteceu de tão errado, Hacker? O refém fugiu? – era tão bom ouvir aquela voz falar na sua própria língua!
- Não, Mestre! Mas o Juiz o atacou...
- ATACOU? ATACOU COMO?
- Ele.. ele queria violentar o ... o refém. Mas o Técnico o salvou e nós o transferimos para a casa de Froid.
- Ele.. ele está bem? – Maldição! Eu prometi ao Saga que nós trataríamos o Milo bem!, pensou Shion, com remorso.
- Sim. E... o senhor sabe... Froid vai cuidar bem dele.
- Eu sei – disse o Mestre, baixinho. O amor que Froid sentia por Milo era impossível de ser escondido. - E o Juiz? - perguntou o Mestre.
- Nós o prendemos. Mas... mas não foi só isso que aconteceu!
- O que mais? – perguntou o Mestre preocupado.
- Ele... dessa vez o nome é Radamanthys... ele conhece o Kanon e... parece que eles têm um caso...
- COMO?
- É, eu sei, Mestre. Ninguém previa isso. Mas o Kanon logo que saiu da boite foi para o hotel dele e subiu no quarto e... enfim, o Top me contou... Ele... os viu... bem, o senhor sabe...
- Os viu? – a voz do Mestre soava ameaçadora.
- Sim, sem saber o que fazer nós resolvemos tirar o Kanon de lá e agora ele está na delegacia. O Kanon disse que iria ligar para o Saga... e eu... resolvi te avisar.
- Fez bem, Hacker. Eu vou voltar e levar o Saga, então.
- Acho melhor, Mestre. Mas o senhor deve demorar umas 3 horas, certo?
- Sim.
- Antes disso eu e o Shaka já estaremos lá, para dar uma mão. O Kanon ficou muito nervoso com a história toda. Ele... quase bateu ... em todos. – Shion sorriu. Sim, Kanon era mesmo imprevisível, pensou divertido.
- E Radamanthys? Onde ele está?
- Ficou no hotel. Ele disse que chamaria um advogado para ajudar o Kanon.
- Pede para o Maschera ficar atrás dele. E o Top.
- Os dois juntos? - A voz do Hacker soava incerta. Eles nunca colocavam os dois na mesma missão, afinal.
- Sim. O Radamanthys não pode deixar o país. Não agora!
- Combinado, Mestre.
- E... Hacker? Cuidado com o Shaka. Ele é inteligente e pode desconfiar de você.
- Eu sei, Mestre. Mas eu acho que ele já desconfia de mim, como eu já te disse.
- Por isso mesmo, Mú. Toma cuidado. – ah, a voz paternalista de novo, pensou o Hacker, divertido.
- Vou tomar, Mestre. Eu espero o senhor na delegacia.
- Perfeito. Até mais, Mú!
E eles desligaram o telefone. Tomar cuidado com o Shaka! Como se isso fosse possível. Se ele pudesse fazer o que ele realmente queria jamais seria tomar cuidado com o Shaka. Dar em cima dele, ficar por perto, criar chances de tocar nele... Isso, sim, ele faria de bom grado. Mas tomar cuidado com Shaka? Oras, Shaka já não tomava cuidado pelos dois? Sempre se preservando, nunca sendo direto, sempre analisando, nunca se envolvendo, sempre cuidadoso. Fora por isso que eles resolveram que o Top seria mais indicado para atrair Shaka. Seu jeito infantil e despreocupado parecia se encaixar melhor no perfil de Shaka. Já ele, Mú, falhara totalmente em atrair Shaka. Ao contrário. Fora Shaka quem o atraíra e não o contrário. E foi com tristeza que ele observara o aparente sucesso do Top. E o pior era saber que o Top nem ligava para Shaka. Há muitos e muitos anos ele só queria o complicado Maschera, mas eles nunca conseguiram se entender.
Enfim, ele teria que inventar algo para falar com Shaka! Enganá-lo não vinha se provando a mais fácil das tarefas. Mas agora Shaka o chamaria à delegacia, sem dúvida, de forma a que ele pudesse acompanhar de perto a situação de Kanon.
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Uma estrada
Enquanto dirigia o carro com Saga drogado e dormindo no banco de passageiro, o Mestre se maldizia internamente. Saga o odiava mais do que antes, sem dúvida. Claro! Ele voltara à sala de treinamento, soltara Saga e, sem explicar nada, o colocara novamente sob a mira do revólver e o mandara ao banheiro se trocar com urgência. Sem explicações! O que ele poderia dizer? Que eles voltariam para ajudar Kanon que fora preso? Que Milo fora atacado, a despeito de todas as suas promessas? Raios! Saga o olhara com um ódio frio e se trocara sem perguntar nada. Como se fosse possível piorar a situação entre eles, Shion agora rejeitara Saga. E quando o Mestre lhe estendera a jaqueta que ele comprara e o frasco com o líquido azul. Saga tomara o líquido, mas não pegara a jaqueta. Agora ele evitava olhá-lo e falar com ele. Claro! Saga o odiava mais do que antes! E, já sob os efeitos da droga, o Mestre o colocara no carro e o fizera tomar o remédio para febre, já que Saga estava quente novamente. Saga não resistiu, é claro. Em questão de poucos minutos, Saga dormira. Tão lindo e distante. E ele quase fora seu... Sabe-se lá quando Saga se entregaria a ele novamente. Talvez, nunca!, pensou entristecido. Mas era a missão. Ele tinha que pensar na missão e tentar se esquecer de Saga. Aliás, aquilo nunca poderia ter acontecido. Ele nunca deveria ter-se interessado por Saga. Ele só fizera mal a Saga. E o Mestre o olhou dormindo e o cobriu com a jaqueta. Na pressa, Saga não prendera os cabelos e eles escorriam lisos por sobre o seu rosto. Shion afastou alguns fios e sentiu o desejo acender novamente. Mas, então, ele viu a mancha roxa deixada pela coronhada que ele dera em Saga. De que adiantava? Saga nunca mais seria seu. Nunca mais. E, então, Shion atendeu ao telefone de Saga que ele acabara de ligar. Kanon!
- Kan? É o Shion. Não! O Saga está tomando banho. O que aconteceu? O QUE? Estamos voltando, Kan. Claro! O mais rápido possível. Você não pode chamar mais alguém para te ajudar? Aquele cara que trabalha com o Saga. Shaka, não é isso? É, faz isso, Kan. Chama ele. Nós vamos para aí imediatamente. Em duas horas, nós vamos estar aí. Fica calmo! Eu já vou estar aí com você! Até já, Kan!
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Casa de Shaka
Caramba! O que estava acontecendo com a família de Saga? Que confusão! Kanon fora detido para esclarecimentos enquanto Saga estava sumido com o namorado de Kanon. Pelos deuses, o mundo estava do avesso!, pensou Shaka. Mas ele tinha que ajudar Kanon, é claro. E, decidido, Shaka sentou-se no computador para tentar desmarcar o almoço com Mú.
Shaka: Mú, você está aí?
Mú: Oi, Shaka! Tá de pé o nosso almoço?
Shaka: Acho que não, Mú. Vou ter que desmarcar...
Mú: O que aconteceu, Shaka?
Shaka: O Kanon, o irmão do Saga. Lembra dele?
Mú: Claro! O que tem ele?
Shaka: O Shura, de entorpecentes, o levou para prestar esclarecimentos. O Kanon não achou o Saga e eu vou dar uma passada lá para dar uma mão.
Mú: Eu vou com você, Shaka!
Shaka: Tem certeza?
Mú: Claro! Eu... eu preciso mesmo falar com você.
Shaka: OK, Mú. A gente se encontra na delegacia, então. Se der a gente vai almoçar depois.
Mú: Combinado, Shaka. Estou saindo agora!
Shaka: Ok
Bom, até agora tudo estava correndo bem. Vamos ver como vai ser o encontro com o Shaka, pensou Mú, preocupado. E como o Kanon vai reagir a tudo isso! E Mú pegou seu casaco e saiu de casa.
Shaka desconectou-se do msm animado. Aquela realmente estava sendo uma manhã das mais incomuns. Ele acordara na casa do seu novo vizinho. Ikki lhe escrevera. Afrodite lhe ligara para marcar um jantar. Saga lhe ligara para dizer que estava apaixonado pelo namorado de Kanon. Mú lhe escrevera para convidá-lo para almoçar. Kanon lhe ligara para ajudá-lo num depoimento... E agora Mú se oferecera para acompanhá-lo. Não! Sua vida não era assim tão animada todos os finais de semana. Foram finais e finais de semana em que ele passara sozinho, trabalhando. Foram finais e finais de semana que ele se forçara a sair de casa ou a ligar para alguém. E agora, repentinamente, todo mundo o procurava. Estranho aquilo. Algo estava a acontecer. NÃO! Ele tinha que parar de desconfiar de tudo e de todos.
Ele tinha que se entregar e parar de se achar superior. Ele teria que aprender a ajudar Saga mesmo sem concordar com o que ele estava fazendo. Mas... o que ele devia fazer quanto a Mú? Que droga! O que será que Mú queria com ele? Quem sabe Mú não diria que gostava dele? Ah, e o que ele faria se fosse isso? Ele ainda não se esquecera da desconfiança que ele sentia por Mú, vez por outra. Mas os seus olhos verdes, a voz suave, o cabelo lilás... Seria bobagem dizer que ele deixara de desconfiar de Mú. Na verdade ele queria deixar de desconfiar de Mú... Mas será que já não seria tempo dele resolver a própria vida sem pensar tanto no que fazer e no que os outros fariam primeiro? Que droga! Por que ele precisava ser assim, tão encanado com tudo?
Ele tinha que aprender a deixar rolar. Afrodite fazia isso parecer ser tão fácil. Simplesmente deixar rolar, sem encanar com o que viria e com o que ele devia fazer. Sim! Era isso. Mas agora, o problema imediato! O que dera em Shura para deter Kanon? Que loucura! Ele tinha que correr para a delegacia e tentar resolver isso, já que Saga estava ocupado transando com o namorado de Kanon. Saga! Se havia algo mais estranho do que ele estar tão popular, sem dúvida, era Saga traindo o próprio irmão.
Mas – metodicamente – Shaka arquivou todos os pensamentos conflitantes em sua cabeça e preocupou-se com o problema imediato. Ajudar Kanon! E dar um esporro em Shura! Era evidente que Kanon não facilitava o tráfico de drogas em sua boite. Shaka passara muitas noites na Gemini e nunca vira nada. E se ele não vira nada era porque não havia nada para ver.
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Delegacia
Em menos de 30 minutos, Shaka parou na porta da sala de Shura atônito com os berros que de lá saíam. Caramba! O que acontecia naquela sala? E, sem pensar ou bater, Shaka abriu a porta para encontrar Shura e Kanon aos berros um com o outro. Isso não era um depoimento. Era um desacato à autoridade. Kanon iria acabar sendo preso realmente. E Shaka tentou interromper os dois que não o viram entrar:
- Idiota!
- Eres tu!
- E pára de falar em espanhol.
- Yo hablo como quero!
- Nem falar direito você sabe. Como vai saber quem prender?
- Eso es muy fácil. Yo prendo você.
- E com que provas?
- Com as provas que eu inventar. Te deixar solto é falta de responsabilidad para com a sociedade.
- SHURA – disse Shaka, sem ser ouvido, é claro!
- Isso... isso tem que ser um pesadelo. Eu ainda estou no hotel. – disse Kanon colocando a mão na cabeça.
- Com aquele inglês aguado? – disse Shura interessado.
- Aguado é você, espanhol imbecil. – disse Kanon ao se levantar de súbito.
- KANON – mais uma vez ninguém ouviu a voz de Shaka.
- É isso. Yo te prendo pelo mau gosto.
- KANON! SHURA! Acho melhor vocês pararem agora. – disse Shaka incisivo.
Finalmente os dois o olharam. Finalmente. Se as coisas continuassem daquele jeito, com certeza os dois acabariam rolando no chão aos murros. Shura nunca teve um gênio fácil. Mas Kanon era campeão! As coisas que Shaka já o vira fazer... as brigas com Milo... as discussões com Saga. Kanon tinha o pavio curto. Ou melhor, nem pavio ele tinha. Ele estourava logo. Quantas vezes Shaka se metera nas brigas dos irmãos? Por isso Saga ficara tão feliz quando Kanon finalmente abrira a boite e se dedicara ao negócio. A verdade é que ninguém nunca esperara que Kanon se acertasse. Afinal, criar problemas sempre fora a especialidade do irmão gêmeo de Saga. Uma vez Saga jurara a Shaka que se tivesse coragem ele prenderia Kanon em uma cela e o abandonaria. Mas claro que Saga não fizera isso. Ele sempre tentava arrumar as confusões de Kanon. E de Milo. Enfim, não fazia o mínimo sentido pensar que quando Kanon finalmente se acertara, Saga faria qualquer coisa para atrapalhar a calmaria. Mas... Saga lhe contara que tinha se apaixonado pelo namorado de Kanon. Será que Saga viria? Ah, claro que sim, pensou Shaka. Mas enquanto isso ele tinha que acalmar aqueles dois.
- Kan? Você não pode falar assim com o Shura! Responde o que ele te perguntar. Assim acaba logo.
- Responder o que ele me pergunta? Deixa eu pensar... O que você estava fazendo no hotel? Você tem um caso com aquele cara há quanto tempo? Você gosta dele? Isso lá é pergunta que tenha a ver com a tal da investigação?
Shaka olhou para Shura, desconfiado, e notou que ele parecera desconfortável.
- Buenos dias, Shaka. Yo preciso saber se o caso do Kanon aí tem algo a ver com a história! Ou se é mais uma aventurazinha! - disse Shura, contrito.
- Shura... eu... claro, eu não quero me meter no seu setor, mas talvez seja melhor você explicar o caso ao Kanon e por que você achou que seria necessário que ele prestasse esclarecimentos. – disse Shaka hesitante. Realmente a linha de investigação de Shura era estranha, pensou.
- Yo penso que você não tem nada a ver com isso, Shaka! – agora Shura estava irritado.
- Eu estou aqui para ajudar o Kanon. Você deve se lembrar que ele é irmão do Saga, certo, Shura? – Shura pareceu não gostar do tom frio de Shaka. E Kanon o olhou com raiva. Já Shaka olhou para Kanon e perguntou: - Você conseguiu falar com o Saga, Kanon?
- Eu... não! Mas eu falei com o Shion e ele me disse que vai trazer o Saga o mais rápido possível.
- E quem é o Shion? - perguntou Shaka interessado. Seria esse o tal namorado pelo qual Saga tinha se apaixonado? Kanon sabia que Saga estava com ele? E Kanon estava traindo o tal namorado com outro cara?, perguntou-se Shaka.
- O Shion... ele é o meu ... bom, ... namorado! – BINGO!, pensou Shaka.
- Ah, tú tienes namorado e estava no hotel com o rubio guapo, não é isso? – Caramba! E qual era a do Shura?, pensou Shaka temendo pelo que viria.
- E VOCÊ TEM O QUE A VER COM ISSO, ESPANHOL IDIOTA? – berrou Kanon para Shura.
Ah, não seria nada fácil, pensou Shaka, forçando Shura para fora da sala antes que ele respondesse a Kanon. Nada fácil realmente!, pensou ao ver Mú entrar pela porta pensativo e sorrir para ele. Tão lindo! E ele lá mediando aquela... aquela... gaiola das loucas! Em que espécie de mundo alternativo ele entrara?
- Shura? O que deu em você? Isso não se parece em nada com um depoimento! – disse Shaka, tão logo Mú se aproximara para cumprimentar os dois.
- Yo quiero desestruturar o depoente.
- Acho que o Kanon já está bastante desestruturado, Shura – disse Shaka contido.
- Por quê? – perguntou Mú saindo do seu usual estado de avoamento.
- É que quando eu cheguei os dois só faltavam pular um em cima do outro, Mú. O Shura está... está... provocando o Kanon.
- No! – disse Shura irritado.
- Claro que está, Shura.
- Por supuesto que no, Shaka – disse Shura mais irritado ainda.
- Não é melhor voltar à sala, Shura? O Kanon está lá sozinho? – disse Mú divertido.
- Verdad, Mú – disse Shura ainda irritado voltando à própria sala.
Shaka segurou Mú pelo braço antes que ele fosse atrás.
- Mú... eu... bom, obrigado por vir. Você vai notar que este depoimento está... um pouco... diferente.
- Diferente, como?
- Sei lá! Parece briga de namorado! – disse Shaka finalmente.
- O Kanon? E o Shura? – disse Mú abrindo os olhos verdes.
- É... bom, acho que não! Vamos entrar? – disse Shaka ao ouvir mais gritos da parte de Kanon.
Enfim, a próxima hora fora, no mínimo, divertida. Mú mal conseguia conter o sorriso. Até mesmo Shaka parecia se divertir com o estranho depoimento de Kanon. Duas vezes Shaka teve que segurar Kanon. Uma vez, Mú segurara Shura. Aquilo devia ser alguma piada, sem dúvida. Mas, que fosse, pensou Shaka feliz e divertido. Ele nunca antes se sentira tão próximo a Mú. Infelizmente, porém, perto da hora do almoço, o advogado Valentine chegara. E, a partir daí, o depoimento finalmente entrou na normalidade. A animosidade de Kanon e Shura, porém, era visível para qualquer pessoa.
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Uma estrada
Saga acordou muito próximo à entrada de Toronto. Agora seriam só mais alguns minutos à delegacia. Era visível que ele ainda estava drogado, mas mesmo assim ele precisava levar Saga para ajudar Kanon. Shion checou se Saga ainda estava febril, mas a febre cedera. Enfim, ele precisava explicar para Saga porque ele o trouxera para lá...
- Saga? Eu vou te levar para a sede da polícia, ok? O Kanon... Ele foi detido para esclarecimentos e você precisa falar com o policial responsável... O Shura! Saga?
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- Saga, você me ouviu?
- O Kan foi... detido?
Não! Saga não parecia nada bem. Shaka notaria de imediato que Saga estava estranho. E, parando o carro, Shion mandou que Saga colocasse o casaco e o levou para tomar um café. Saga não estava em condições de retrucar e parecia ter-se esquecido de onde estava. Por que ele não podia ser sempre assim?
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Oi, pessoal! Está aí o capítulo deste mês... outubro. Eu odeio outubro! E FINALMENTE eu disse que o Hacker é o Mú. Claro que muita gente já desconfiava do meu carneirinho lilás! Ele fica lindo assim, maligno! E quanto ao Shaka... eu não posso evitar! Ele é virginiano e tem que ser encanado e analítico.
Agradeço às madrinhas Makie e Mussha! Agradeço especialmente à Valkiriah que leu tudo de uma vez! E, é claro, agradeço a todas as pessoas que me incentivam com reviews. Obrigada Mussha, Allkieds, Sirrah, Dionisiah, Lukinha, Washu M, Annie, Condessa Oluha, Saga de Pijama, Virgo no Áries, Boromira, Valkiriah, Cristal e Sarah-chan.
Beijos da
Virgo-chan
Out/07
1 Me ajuda, por favor.
2 Não é possível.
