Entre contas coloridas, papéis retalhados, tintas chamativas, pincéis de tamanhos variados, tesouras sem ponta, adesivos fofinhos e o básico, lápis e borracha, a pequenina herdeira Weasley se perdia, em seu próprio mundo de faz-de-conta, por horas e mais horas.

Sua mãe sempre dizia que ela era uma pequena artista que possuía a mágica nas pontas dos dedos, e Rose gostava de escutar aquilo. Ainda mais em seu aniversário.

Recortando dois corações enormes e idênticos, a pequenina esparramou purpurina nas bordas e colou pregas cor-de-rosa choque na borda de ambos, com todo o cuidado que uma garotinha de nove anos poderia ter. E, por fim, colocou amor em cada palavra escrita, em cada carinha feliz desenhada. Ao terminar, ficou em pé, organizando tudo rapidamente e passando as mãos já limpas no vestido, para desamassá-lo. Por fim, caminhou a passos ansiosos até a varanda, onde o sei pai prendia bexigas coloridas no teto e sua mãe organizava a mesa de aperitivos... E Rose sorriu, comprimindo os dois corações de papel entre os dedos e sussurrando um singelo "olá".

— Está tudo bem, Rosie? — foi seu pai quem perguntou, olhando para baixo e sorrindo ao encontrá-la tão perto.

Eu tenho presente para vocês.

— Mas hoje é seu aniversário, querida. — Hermione falou meigamente, largando os copos e pratos de plástico em algum canto e se aproximando. — Não somos nós que deveríamos ganhar presentes.

— Mas eu estou aqui por causa de vocês. — a menina concluiu de uma forma inteligente, distribuindo aquele sorriso tão quente quanto o da mãe e tão salpicado de sardas quanto o do pai. — E vocês merecem presente por conta disso, não é mesmo?

Rindo, Ron desceu da escada, balançando a cabeça, incrédulo, e abaixando para ficar da altura da filha. Beijou-a nos cabelos e aceitou o coração de papel que lhe era estendido. Hermione também ganhou o dela. E enquanto os três se sentavam no chão, próximos um do outro, a garotinha não pode deixar de se emocionar quando viu as lágrimas brotarem nos olhos da mãe e um sorriso bobo nascer nos lábios do pai.

Desde cedo Rose Granger Weasley havia aprendido a dizer a verdade. E aquele seria um princípio que ela levaria para ela, com nove, dez, onze anos... Até ficar velhinha.

E tudo o que ela havia feito, naqueles cartões, fora dizer, nada mais, nada menos do que a verdade.

"Vocês são os meus melhores presentes. Eu amo vocês! Rose (que agora já tem nove anos!)"