Edward's POV
É engraçado como domingos costumam ser dias monótonos e deprimentes.
Na verdade, depois de algum tempo, constatei que o domingo era o dia da semana necessário para os trabalhadores que precisavam repor suas energias de uma longa semana exaustiva.
No meu caso, não era assim. Eu simplesmente não fazia muita coisa. Não tinha um tipo de trabalho braçal, e tudo na minha vida profissional resumia-se a assinar toneladas de papéis.
Por isso, domingos eram chatos. Ao final de uma semana, eu me encontrava bastante disposto e sem um pingo de vontade de descansar. Então meus domingos sempre começavam às 6:00 da manhã, quando o sol ainda decidia se sairia para brincar ou não.
Depois de um café-da-manhã preguiçoso, o que normalmente de resumia a algum cereal ou um copo de suco de laranja, eu saía para correr. Corria pelas ruas ainda quase desertas, não fosse por alguns idosos que jogavam cartas em praças, jornaleiros e padeiros (que normalmente acordavam cedo para atenderem aos idosos).
Quando retornava para casa, já perto das 9h, não havia muito mais a fazer senão assistir à TV, e ficar nisso até o resto do maldito domingo. Eu não tinha amigos. Me esquivei de quase todas as relações que pude, depois de sofrer uma grande decepção.
Obviamente, muitas pessoas me achavam anti-social e desconfiado, o que eu realmente era. Ainda assim, não eram incomuns casos de festas luxuosas onde eu era algum tipo de convidado de honra, o que me colocava obrigatoriamente em uma posição na qual eu precisava comparecer.
Digo obrigatoriamente porque quase sempre minha vontade de curtir festas de ricos esnobes eram quase tão grandes quanto me matar, mas em muitas delas, alguns assuntos importantes relacionados a negócios eram tratados, e eu precisava ir.
Claro que eu nunca, jamais ia sozinho sem a presença de Victoria. Normalmente era ela que tomava toda e qualquer decisão sobre a empresa, dentro ou fora dela. Obviamente ninguém sabia disso, mas esse era nosso segredinho. E eu sabia que se fosse aderir à alguma religião, formaria minha própria, onde Victoria seria endeusada e objeto de meus agradecimentos e minha adoração. Era o mínimo que eu podia fazer pela mulher que salvara meu pescoço tantas e tantas vezes, e me conhecia talvez melhor do que minha própria mãe.
- Alôôôô...
- Bom dia, Victoria. Te acordei?
- Sr... Cullen? Não, bom dia senhor.
- Prometo que vou recompensar você por ficar alugando seu tempo quase todos os domingos. Sinta-se livre pra desligar na minha cara, sei que sou chato.
- O senhor pode me dizer primeiro por que ligou.
- Bom, primeiramente, estou entediado, o que explica o fato de ter ligado pra sua casa à essa hora com o objetivo de perguntá-la se é realmente necessário que eu vá trabalhar amanhã.
Silêncio do outro lado da linha. Aquele tipo de silêncio que se faz quando uma criança pergunta à mãe se pode viajar sozinha para a Disney, e ficar morando lá por um mês comendo só chocolate.
- Obviamente, senhor. - Ela respondeu, com toda a paciência que minha imaturidade exigia dela.
- Hm. Certo. Também tenho que ir à festa de amanhã?
- Sim, creio que sim.
- Mas é só uma festa! Com as mesmas pessoas, as mesmas bebidas... - Comecei.
- Sim, e o senhor sabe que o evento será importante para que consigamos fechar o negócio com os Hilton.
- Você poderia...
- Senhor, creio que eu não tenha esse poder.
- Mas eu...
- Senhor, eles só fechariam o contrato com o senhor. E temo não ser nada parecida com a sua pessoa e poder enganá-los.
- Merda.
- Era só isso, senhor?
- Pare de me chamar de senhor em pleno domingo.
- Perfeitamente. Posso voltar a dormir ou você ainda tem mais alguma inutilidade a debater?
Ri de sua sinceridade. Eu gostava de Victoria quando ela não estava desempenhando o papel de secretária e me tratava como o verdadeiro idiota que eu era.
- Tudo bem. Mas quero lembrá-la que se eu beber além da conta, você será a responsável por mim. Mesmo se eu vomitar na piscina e socar algum garçom.
- Ok...
- E você terá que me trazer até em casa e me colocar na cama. Não precisa me dar banho, eu poupo você disso. - Brinquei.
- Ok. Meu marido ficará feliz em saber que eu não preciso vê-lo nu.
Ri novamente.
- Victoria, socorro. Minha vida é um tédio.
- Mate-se. Um bom dia, Sr. Cullen. - E, enfim, desligou.
Vida de merda.
Deslizei as portas de vidro e caminhei para a varanda da sala, que tomava toda a largura do cômodo. Debrucei-me sobre o parapeito e pude ver alguns carros passando pelas ruas muito abaixo de mim, agora bem mais movimentadas.
Mirei o horizonte e vi o grande parque, distante dois quarteirões de mim.
Bella.
Lembrei dela imediatamente, fitando as copas das árvores que cobriam quase completamente o parque lá embaixo.
Lembrei da chuva de ontem, e de como meu sábado havia começado. Eu tinha acordado em uma casa de prostituição. Me permiti rir disso por algum tempo. Não só isso, como também tomei café da manhã em companhia a várias garotas de programa.
Presenciei um ataque de nervos particularmente interessante de Bella, enquanto uma de suas amigas parecia querer pular no meu colo no meio da cozinha. Achei graça no fato de que talvez aquilo fosse fruto de algum tipo de sentimento de posse dela por mim.
Ela realmente ficava uma graça nervosa.
Voltei para casa, embora Vanessa insistisse para que eu ficasse mais um pouco em sua companhia.
Sem nada para fazer, fiquei zapeando a tv por algum tempo. Descobri que programas de culinária são até interessantes, e que alguns desenhos não deveriam desafiar tão descaradamente as leis da física. Crianças poderiam aprender coisas erradas assim.
Usei meus recém adquiridos conhecimentos culinários para fazer um belo risoto, mas descobri que a quantia dada pela mocinha na tv era para um batalhão, o que fez com que um caldeirão de arroz e várias outras coisas misturadas repousassem em meu fogão.
Lembrei que, após o almoço, não havia nada a ser feito senão dormir.
Após um cochilo, caminhei despreocupadamente pela rua, rumo ao jornaleiro. Comprei a última edição da Playboy - ok, são mulheres nuas, mas eu também gosto das piadas - e um dilúvio me pegou de surpresa. Talvez porque tenha caído de repente, ou talvez porque eu estivesse distraído mesmo.
Corri para o único abrigo que vi a frente, dentro do parque do outro lado da rua. Assim que cheguei, já completamente ensopado, vi alguém lendo embaico de outro abrigo igual, do outro lado. Parecia ser Bella, mas eu não podia dizer com certeza, então fui verificar.
Lá estava ela, seca e agasalhada, com dois livros abertos à sua frente, a caneta em uma mão e o celular em outra, e parecendo imperturbável, alheia a qualquer coisa que estivesse à sua volta.
Vermelho ficava realmente adorável nela.
Lembro que ela ficou um pouco surpresa em me ver ali, mas logo começamos a falar de uma coisa ou outra, enquanto eu tentava esconder a revista em minhas mãos antes que ela me achasse um maníaco sexual, já que todas as ocasiões que eu me encontrava com ela tinham sexo no meio, de alguma forma.
Lembro dela me contando sobre sua vida, e lembro de me sentir parcialmente culpado por toda a sua infelicidade, o que era irônico, porque eu estava realmente começando a gostar ainda mais daquela garota.
Lembro de tomar a decisão de não me aproveitar mais dela, mesmo que isso fosse contra a minha vontade.
Mas o que mais gostei de lembrar foi a forma como ela me pediu para não fazer isso. Ela parecia sincera ao falar que eu a fazia menos infeliz, e eu me senti tanto espantado como animado por isso.
O motivo, eu ainda não sabia dizer.
Do céu, gotas grossas começavam a cair, me trazendo de volta de meus devaneios. Olhei novamente para baixo, vendo crianças correndo agora da chuva, e pude imaginar a decepção em cada uma delas com a mudança do tempo.
Eu, por outro lado, sorri.
...
A manhã e a tarde de segunda-feira foram tranqüilas.
Reuniões de rotina aconteceram, algumas exigindo minha presença, outras não. Quando eu era obrigado a participar, arrastava pelo pulso Victoria, que se sentava ao meu lado e explicava, resumidamente, o que aquelas pessoas queriam de mim. Normalmente, uma assinatura resolvia, e então eu poderia voltar à minha sala e brincar com o pêndulo de Newton que repousava sobre minha mesa.
- Por que quase nada de diferente acontece nessa empresa?
Victoria me olhou como quem olha uma lesma derretendo.
- Tudo está às mil maravilhas, o senhor não deveria reclamar. Quer que os negócios vão à falência?
- Bom, pelo menos alguma coisa aconteceria.
Victoria olhou para a agenda em suas mãos.
- O senhor tem menos de dois meses para decidir o que fazer com a campanha das lingeries.
- Nós temos uma campanha de lingeries?
- Sim, nós temos.
- E eu devo saber o que fazer com ela? Eu não entendo merda nenhuma de lingeries!
- Sr. Cullen, se me permite a audácia, o senhor não entende merda nenhuma de nada aqui dentro, mas mesmo assim toma as decisões. Suspirei.
- Ok, Victoria. Só me diga... o que tenho que fazer.
Dizendo isso, me levantei e olhei para o relógio.
- Vou embora. Me arrumar para a grande festa! Mal posso esperar!
- Mais um pouco e o senhor me convence. Está melhorando. Temos agora que trabalhar na sua cara de defunto enquanto fala coisas animadas assim.
- Bem, é mais ou menos como me sinto. Vou esperar por você na entrada, às 19h. Pelo amor de Deus, não se atrase. Eles podem me comer vivo.
- Duvido muito que eles façam isso. Só querem fechar um contrato e embebedá-lo, se isso for necessário para ganharem um "sim".
- No final das contas, é você que vai decidir isso.
E fui embora.
Menos de 2 horas depois, já estávamos na festa, com o que eu achava que fossem milhares de empresários parecendo urubus rondando a carniça. Victoria permanecia ao meu lado, e eu tive que me controlar para não sumir com a desculpa de ir pegar um drink e fugir pela janela do banheiro.
Aquilo tudo era tão incrível e absurdamente chato. Todas aquelas pessoas, cujo objetivo de vida parecia ser puxar o saco uma das outras e se cumprimentarem com sorrisinhos falsos, estavam me dando nos nervos. Isso já acontecia há algum tempo, mas conforme o tempo passava eu tinha a certeza que um dia explodiria e mandaria todos irem a merda, em alto e bom som.
Pedi licença para ir ao bar pedir algo alcoólico.
- Senhor... Edward...
- Não se preocupe. Não vou exagerar.
Victoria era praticamente minha mãe em eventos desse tipo. Ela tomava conta da quantidade de álcool que eu ingeria por saber que eu poderia passar dos limites facilmente.
Quando entrei em depressão há pouco tempo atrás, busquei algum conforto no álcool, o que fez com que eu me viciasse rapidamente. Não era um caso extremo, mas não foi exatamente fácil fazer com que eu voltasse a conseguir dizer "chega" para mim mesmo.
Victoria esteve muito presente nessa época. Ousava dizer que, além de minha mãe, ela tinha sido a mulher mais presente na minha vida. Caminhei para o bar, desviando de garçons e convidados, todos muito bem vestidos. O porquê eu não sabia. Todos comiam e bebiam o que aguentavam, enquanto riam de piadas sem graça e falavam mal da vida alheia.
Mulheres semi-nuas em biquinis desnecessariamente pequenos dançavam perto da piscina. Algumas nadavam, embora a noite não estivesse muito quente. Imaginei que elas não eram convidadas, mas sim contratadas.
Sentei no bar, pedindo por um whisky. Quase imediatamente, fui abraçado pelas costas por braços finos, mas fortes.
- Olá, senhor Edward Cullen. - A garota dise, se insinuando.
- Olá, mulher misteriosa.
- Caroline, muito prazer.
Se não fosse a ênfase no "muito" e a cara de "quero-você-entre-minhas-pernas", eu diria que ela estava apenas tentando puxar assunto. Mas a menina era direta.
- Sabe que é um disperdício um homem como você sozinho?
- Como sabe que estou sozinho? - Retruquei, bebendo minha dose de whisky.
- Se não estivesse, ela estaria agarrada ao seu pescoço, se certificando de que ninguém viria até aqui para tentá-lo.
- Como você está fazendo?
Ela sorriu.
A menina, Caroline ou Cristiane (não me lembrava muito bem) tinha um sorriso largo e bonito. Tinha cabelos lisos pretos com franjinha, olhos negros como jabuticaba e pele morena. E um corpo fenomenal. Vestia um vestido muito justo azul, que delineava todas as gloriosas curvas que Deus lhe dera.
Conversamos por algum tempo, e conforme o tempo passava, me esqueci do motivo de estar naquela palhaçada. As várias doses de whisky ajudaram, e Cristiane também me acompanhava, bebendo margueritas e todas aquelas coisas feitas para mulheres.
A conversa dela não era muito interessante, mas nada naquele lugar era. Felizmente, o álcool tirou esse pensamento da minha cabeça, e agora a tal menina já se jogava sem pudores para cima de mim.
- Aqui é muito chato... Que tal um lugar mais reservado? - Ela disse, já envolvendo os braços em meu pescoço.
Eu estava leve e, a essa altura, depois de tantas investidas daquela morena escultural, levemente excitado.
- Lugar reservado, aqui? Não acho que exista essa possibilidade.
- Então acho que podemos procurar um outro lugar. Sabe, longe daqui. - E piscou para mim, lambendo de uma forma bastante promíscua o canudo da bebida em suas mãos.
- Me dê um segundinho, querida. - Disse, levantando e indo à busca de Victoria.
Ela bebia água mineral, conversando com um rapaz bem mais novo que ela, e eu a chamei rapidamente. Ela se desculpou com o rapaz e veio ao meu encontro.
- Por onde andou?
- Pelo bar. Escuta, preciso ir.
Ela entortou o nariz.
- Quantas doses você bebeu?
- Não muitas. Então, posso ir?
- Claro que não! Você tem que dar uma resposta àqueles cavalheiros.
Ela apontou para um canto, onde seis ou sete homens, todos de terno e gravata, conversavam e davam olhadelas em nossa direção.
- Ok. O que você achou? Vale a pena ou não?
- Eu... Bem, eu acho que seria bom para a empresa...
Não esperei ela terminar, já indo ao encontro do grupo de executivos. Senti Victoria correndo logo atrás de mim em seus saltos altos.
- Senhores, foi um prazer conversar com os senhores essa noite. Sinto-me muito feliz em dizer-lhes que nosso acordo está fechado. Foi também um prazer fazer negócio com os senhores.
Eles começaram a falar alguma coisa, mas eu estava com pressa.
- Infelizmente, preciso ir embora. Uma emergência, mas nada do que se preocupar. Minha secretária aqui - e dizendo isso, puxei Victoria para minha frente - tratará dos detalhes com os senhores. Uma boa noite, cavalheiros.
Sorri e saí andando. Victoria puxou meu braço, falando agora em meu ouvido.
- Ok, espertinho. Eu vou ser muito legal e fazer o seu trabalho. Mas me diga aonde vai!
- Vou pra casa. Tem uma morena fenomenal ali louquinha pra me dar, e eu não vou ficar conversando com esses pingüins velhos feios a noite toda. Não se preocupe, eu pego um táxi.
Victoria me encarou, sem dizer nada, e pude ver em seu olhar um traço inconfundível de pena. Era uma pena genuína, vinda de uma mulher feliz e realizada, com família e filhos, e mesmo em meu estado alcoolizado eu pude ver toda a pena que aquela mulher, com uma vida muito melhor que a minha, sentia de mim. Era um olhar que alguém que tinha felicidade dava a alguém que era miserável em sua essência, e não me restou nada a não ser sentir pena de mim mesmo também.
Ainda assim, virei de costas e caminhei. Eu queria sair daquele lugar, queria ir para longe daquele olhar que me fazia sentir vergonha de mim. Eu era infeliz, e isso era bastante claro. Mas não queria pensar no momento, porque pensar exigia muito da minha força de vontade. O caminho mais fácil era para a saída da festa, onde a tal morena e um táxi já me esperavam.
Entrei no carro um pouco cambaleante, e a única coisa que falei durante toda a viagem foi meu endereço para o homem que nos guiava pelas ruas escuras.
...
Assim que entrei em meu apartamento logo atrás de Cristiane e fechei a porta, meu pescoço sofreu um ataque quase mortal de sua boca, que sugava cada pedaço de pele que eu tinha ali. Sem muito rodeio, ela alcançou meu zíper, abrindo-o enquanto me jogava contra a parede.
Lutei para manter o equilíbrio, dado meu estado deplorável em que algumas doses de whisky haviam me deixado.
- Oooow, calma aí, querida...
Não sei se eu estava lento demais ou se a garota era extremamente rápida, mas o fato era que, a essa altura, ela já abaixava minhas calças, junto com a box, deixando-as à altura dos meus tornozelos. Como se fosse a coisa mais banal do mundo, ela segurou meu pau com a mão direita e, olhando para mim com cara de depravada, começou a chupá-lo.
E então, eu não queria mais pensar. Ia deixar a coisa toda nas mãos daquela mulherzinha promíscua, enquanto eu aproveitava. Não queria retribuir o prazer que recebia, e esperava que ela não exigisse isso de mim. Me permitia, naquele momento, ser completamente egoísta.
Estava com os olhos fechados, a cabeça apoiada na parede atrás de mim. Senti a garota levantar e sussurrar ao meu ouvido.
- Quando é que você vai me mostrar o seu quarto?
Como eu não queria cair e dar de cara no chão, pensei que talvez fosse melhor tirar a armadilha que minhas calças armavam enroladas em meus tornozelos. Fiz menção em puxá-las novamente para cima, abaixando-me para alcançá-las, mas isso fez com que meu apartamento todo rodasse. Logo desisti da idéia, tirando todo aquele emaranhado de panos por baixo mesmo, junto com meus sapatos.
Não queria sequer pensar no quão ridículo eu estaria só de camisa e meias. Mas não importava muito, porque no momento, estava focado em basicamente três coisas, exatamente nessa ordem: Primeiro, chegar ao meu quarto sem cair. Segundo, comer a tal da Cecília. E terceiro, me enrolar no edredon fofo que cobria minha cama e dormir, esperando que a ressaca me atingisse como um soco na cara amanhã.
Puxei-a pela mão, levando-a através do corredor escuro que dava para meu quarto. Graças a Deus eu conhecia a disposição das paredes de minha própria casa, o que facilitou muito as coisas.
Cheguei no quarto e instantaneamente caí de costas na cama, quicando umas três ou quatro vezes sobre o colchão macio.
- Querida, vou deixar com você, porque se eu fizer algum esforço, acho que posso vomitar.
Ela sorriu e, me fitando, puxou para cima o vestido azul, jogando-o no chão ao seu lado.
Não era possível, a garota já estava completamente nua. Isso não devia ser normal, garotas que saíam por aí com um vestido absurdamente justo e curto, sem usar absolutamente nada por baixo.
De qualquer forma, aquilo não importava. Cecília subiu em cima de mim, uma perna em cada lado, já puxando minha camisa para cima.
- Você podia ter usado uma camisa de botão hoje, amor. Facilitaria todo o meu trabalho aqui.
Não respondi, apenas continuei olhando para ela, com olhos leitosos. Analisei rapidamente seu corpo, enquanto ela lutava contra meu peso para puxar a roupa para cima, e imediatamente pude constatar três coisas.
1. Eu preferia pele clara.
2. Eu preferia olhos castanhos.
3. Eu preferia seios menores.
Talvez conseguisse notar mais coisas se a garota, agora, não estivesse devorando meus lábios. Então, perdi o fio de pensamento, e me peguei retribuindo aquele beijo com mais entusiasmo que o normal.
Virei nossos corpos, agora ambos nus, e me posicionei em cima dela, aprofundando o beijo e demorando mais do que o normal nele.
Ela forçou meu rosto para trás com uma das mãos, e a tristeza da rejeição poderia até me abalar - principalmente pelo fato de estar completamente bêbado, quando TUDO me abala emocionalmente - se não tivesse notado que ela só fazia aquilo para poder puxar o oxigênio que eu a estava privando. Ok, eu confesso, exagerei na língua e tudo o mais.
- Edward, qual é? Há quanto tempo você não beija uma mulher?
Eu não sabia responder. Porra, há quanto tempo eu não beijava uma mulher? Eu sabia que fazia muito tempo, mas quanto exatamente eu não poderia dizer.
E que merda, aquilo estava me fazendo bastante falta. Mesmo com os pensamentos atordoados, podia agora lembrar que todas as últimas vezes que estive, de fato, com uma mulher, em nenhuma delas havia acontecido nada além de sexo. Sexo puro, sem o mínimo de carinho, ou qualquer intimidade com algum sentimento.
Fiquei feito um imbecil olhando para a linha do horizonte, o que não ia muito além da mesa cor de marfim ao lado da cabeceira. Soltei um suspiro triste e puxei a gaveta, tateando por algum preservativo ali.
- Ora, querido, não se preocupe. Eu tomo pílulas.
Eu estava bêbado, mas não era burro. Essa mistura normalmente fazia com que, em meu estado alcoolizado, eu adotasse uma postura bastante emotiva, mas ao mesmo tempo, irremediavelmente sincera.
- Ah, até parece que vou te comer sem camisinha. Pra depois você vir com um guri me exigindo pensão.
- Edward! Assim você me ofende! - Ela disse, com uma cara nada ofendida.
- Ofendo coisa nenhuma. - Retruquei, ainda procurando às cegas por um preservativo.
Ela bufou, embaixo de mim. Enfim, meus dedos alcançaram a embalagem quadrada. Fechei a gaveta e trouxe-a em meus dedos.
Saí de cima dela, rolando de barriga para cima ao seu lado.
- Oi. Me dá uma mão aqui?
- Posso dar a boca, se você quiser.
E sem esperar pela minha resposta, começou a me chupar outra vez.
- Você quem sabe... - Suspirei, deixando-a trabalhar ali.
Minha mente não se focava em nada, e eu apenas fiquei ali, esperando para que meu membro estivesse tão duro que enfim eu pudesse rolar a camisinha por ele.
Alguns minutos depois, ela arrancou a embalagem da minha mão, abrindo-a e fazendo o trabalho ela mesma. Quando terminou, se curvou para frente em cima de mim, deixando seus seios na altura exata de minha boca.
Tomei um deles com a língua, mas sem tirar a cabeça do colchão, deixando claro para ela que eu não faria muito esforço. Cecília se abaixou mais, agora enfiando completamente seu seio dentro da minha boca. Então, como estava muito confortável ali, eu o chupei.
A verdade era que eu não estava morrendo de excitação. É claro que ela era absurdamente gostosa, mas não era ninguém tão importante que me fizesse ter uma ereção tão forte a ponto de doer. Comecei a questionar minha própria masculinidade, mas no final das contas, colocaria a culpa no álcool.
Sem aviso prévio, ela sentou em mim de uma vez, e eu abri os olhos com a surpresa, mas me mantive imóvel embaixo dela.
Ela então começou a cavalgar de uma maneira suave, ritmada e sensual, com tanta maestria que me senti mais excitado que antes, o que era ótimo. Até onde meu cérebro podia processar, ela gemia alto. Talvez os sons estivessem excessivamente altos, mas eu não poderia dizer, porque meus ouvidos estavam com um zumbido irritante.
Agarrei seus quadris com força, reforçando o rebolar dela em cima de mim. A cada vai e vem que o corpo dela fazia, eu entrava mais nela, só para então sair outra vez e recomeçar o movimento. Sua pele já estava um pouco suada com o esforço, o que fazia sua superfície brilhar graciosamente contra a luz fraca emitida do teto da cabeceira da cama, embutida no armário.
Ficamos assim por um bom tempo, mudamos de posição umas três ou quatro vezes, e depois voltamos para a posição de origem. E então eu tive que aceitar: Aquilo simplesmente não estava funcionando. Eu não iria gozar tão cedo, e sinceramente, já estava ficando com sono.
- Ahh, vamos lá... - Falei baixo. A garota, pensando que eram gemidos de estímulo, começou a pular com mais força em meu colo, achando que estava me excitando como ninguém.
Ok, Edward, pense em todas as mulheres gostosas que você já teve. Todas juntas.
A partir daí, uma chuva de mulheres começou a surgir em minha cabeça. Algumas só tinham uma parte do corpo as representando, e de outras eu não lembrava nem o nome. Minha mente foi inundada por barrigas, seios, coxas e tudo o mais de mulheres que eu mal conseguia lembrar, e com a ajuda do álcool, foi mais fácil misturar tudo.
Então, no meio de tantas bocas e pernas, surgiu um par de olhos castanhos profundos que eu havia conhecido há pouco tempo. A partir deles, foi fácil desenhar o resto daquela silhueta. Primeiro o nariz empinado e a boca naturalmente vermelha na forma de um "o" quase perfeito. Depois, os ombos com sardas claras. O seios pequenos e rosados, a pele fina e clara, a barriga lisa. As pernas mais compridas do que o normal, finas e suaves. Os cabelos escuros um pouco molhados, e juro por Deus, um perfume.
A porra de um maldito perfume.
E todas as mulheres que eu vinha tentando imaginar juntas, todas elas, sumiram, sendo substituídas por ela, em cima de mim, com olhos semi-cerrados, com gemidos leves e abafados e com mãos pequenas acariciando meu peito.
- Ah, merda...
Precisei de mais um minuto, e então, gozei com força dentro do corpo que, nos meus pensamentos, pertencia à Isabella.
Eu teria ficado remoendo isso. Teria me perguntado por que diabos ela, justamente ela teria vindo à minha cabeça e conseguido substituir, em menos de um segundo, todas as transas que eu tive em todo esse tempo.
Teria me xingado mentalmente por pensar em uma puta enquanto tentava gozar, mas o álcool me apagou. Em poucos minutos eu já mergulhava em um sonho onde milhares de luzes coloridas, chuva e a dona daquele perfume me levavam a um nível de inconsciência psicodélica.
Mas antes de dormir, eu sabia: Amanhã, ao acordar, teria que dar explicações a mim mesmo.
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Pessoal, desculpem pela demora. Estou tentando escrever um capítulo por semana, mas estou passando por uns probleminhas pessoais (como deu pra ver no tamanho pequeno desse capítulo. Até sumi um pouco do twitter). Obrigada a todas pelas reviews. Bjos, Mel
Mas mantenho minha promessa, vou postando novos capítulos o mais rápido que conseguir.
