Engraçado como tem mais de dois anos que eu não venho aqui, engraçado como as coisas mudaram desde então. Não creio que eu tenha mudado, que minha vontade de escrever tenha mudado, mas meu mundo mudou, não tenho tempo como antigamente, não vejo as coisas da mesma forma. Nunca quis abandonar isto daqui, mas não tenho certeza se poderei me manter presente. Aqui vai um capítulo novo que estava em meu computador, escrito pela metade, tentei concluí-lo e espero que esteja ao nível dos outros que costumava publicar.

Costumo responder as reviews no início, creio que poucos devam lembrar se deixou ou não uma mensagem pra mim, de qualquer forma, mantenho meu respeito pelos fãs e agradeço àqueles que liam e aos que permanecem lendo as minhas fics.

Um agradecimento especial à Bulma Butowsky que me enviou um review esses dias e me recordou como era agradável escrever essa fic.


Capítulo 10 – A Primeira Grande Briga

–Não precisa vir atrás de mim, Riza, afinal você não tem nenhuma relação com isso.

Ela permaneceu sentada enquanto Jean caminhava para sair dali. A loira tentou fingir que nada havia acontecido, mas era um tanto quanto difícil ignorar os olhares curiosos que lhe foram lançados. Realmente, não estavam acostumados a vê-la agindo de maneira irracional.

De fato, nenhum deles compreendia o que havia acabado com a paciência dela naquele exato momento. Claro que nos últimos dias, Riza havia sido provocada insistentemente pelo moreno Roy, mas naquele momento, ele nada fazia. Na realidade, o moreno estava tão confuso quanto os seus companheiros.

-Desculpem-me por isso. –Riza pronunciou sem conseguir manter contato visual com nenhum deles. Sabia que aquela discussão entre ela e Jean havia destruído boa parte do ânimo dos companheiros.

-Eu queria saber o que vocês dois estão escondendo tanto... –Roy comentou ao vê-la daquela forma. Não estava acostumado a ver aquela mulher de maneira tão retraída. Certo que ela era discreta, mas sabia se impor. Havia algo bem sério acontecendo que eles tentavam de todas as formas esconder.

Breda sorriu como se imaginasse o que faria Roy se a loira resolvesse realmente contar ao homem o que acontecia. Na realidade, imaginava apenas a face chocada e derrotada do superior e não conseguia deixar de rir. Ao mesmo tempo, os outros pareciam bastante perdidos e achavam estranho a reação do ruivo.

Riza, porém, pareceu compreender instantaneamente quando ouviu a risada abafada do companheiro. Lançou um olhar bastante calmo a ele de modo a confirmar aquilo e passou a mão pelo cabelo loiro, tirando-o da face em uma atitude desgastada.

-Não posso dizer ainda, espero que compreendam. –ela comentou erguendo seu corpo na cadeira e passando a uma postura mais confiante. Não queria demonstrar o quão incomodada havia ficado com aquela pequena discussão.

Apesar de ter percebido que havia jogado todas as cartas ao companheiro que desconfiava, era melhor que ele soubesse por sua boca do que ficar tentando descobrir por conta própria.

Aliás, conhecia aqueles homens o suficiente para saber que instigado por uma desconfiança eles fariam de tudo para descobrir, porque um deles diria aos outros. Era melhor acabar com aquilo logo antes que eles começassem a tramar um plano.

-Hei, estamos fazendo o que aqui? –perguntou o ruivo em tom animado. –viemos comemorar!

A loira agradeceu mentalmente, fazendo uma nota de agradecê-lo mais tarde. Não havia alternativa, deveria fingir que aquilo não aconteceu e tentar curtir o máximo possível daquela noite que seria longa.

Levantou então a face disposta a vestir aquele personagem pouco incomodado.

-Certo. –Riza pronunciou em tom efusivo e levantou-se da mesa. –Vou pegar algo para beber, querem? –Riza não ouviu nada dos outros e se dirigiu ao balcão, pegou uma garrafa de cerveja e uma caneca para voltar, sentando-se novamente no local de antes.


Riza observou o relógio de pulso, percebendo que ele marcava pouco menos de duas da manhã. Chegara ao local junto do moreno por volta das dez da noite e acreditava que estivera tempo o suficiente com eles para poder dizer que iria embora.

Além disso, a loira já se sentia suficientemente alterada pela bebida quando observou a hora ali. Só não estava pior do que os companheiros e que Roy, que parecia completamente sóbrio àquela altura. Certo, ele havia começado a beber depois dela, que o fizera bem depois dos outros companheiros.

-Já vou. –Ela pronunciou para logo depois ver que o pequeno Fuery se levantava de sua cadeira.

-Espere um pouco, Riza. Vamos ver o grande fora que o Fuery vai tomar. –Pronunciou Roy inclinando seu corpo sobre a mesa de modo a ver com mais detalhes o caminho que tomava o outro moreno. –Posso deixá-la em casa se quiser, mas espere isso.

-Ficarei para ver, mas dispenso a carona. –Ela comentou também se atentando aos passos do pequeno.

-Vai lá, Fuery! –gritou Breda já bastante alterado. Falman, no entanto, já se encontrava em tão mal estado que tinha a cabeça apoiada na superfície da mesa e dormia profundamente.

-Não tem problema mesmo, vou ter de levar o Vato para casa e fica no caminho.

-Sem problemas, vocês podem curtir... Não quero acabar com a noite de vocês.

-Parece que ele está tendo problemas... –comentou Breda. –Acho que em um minuto ele leva um tapa.

-Não. Ele vai conseguir. –pronunciou Riza se interessando por aquela brincadeira de ver se o amigo iria ou não conseguir ganhar a noite. –Ela está dando todos os sinais de que quer algo, só não quer parecer fácil, então nega.

Roy passou os olhos da loira ao ruivo, sabendo o que passava pela cabeça de Breda e o teria impedido de falar se ele não fosse mais rápido.

-Aposto com você que ele vai se dar mal, Riza. –ela ergueu uma sobrancelha sem acreditar no que ouvia. Eles faziam apostas para ver se o amigo conseguiria a garota.

-Parece um pouco antiético, não? –ela perguntou ainda que se sentisse bastante tentada a ganhar dinheiro fácil. Tinha certeza de que ganharia.

-De modo algum. Ele não está fazendo isso para ganhar a aposta... –comentou Breda e a loira sorriu estreitando os olhos. Ergueu a mão e estendeu ao ruivo.

-Apostado. –ela comentou. Breda apertou a mão dela selando a aposta e deixando o moreno absurdamente chocado. –O que será então?

-Vinte cenz. –Breda pronunciou achando que ela desistiria, mas a loira não o fez. –Não vai participar dessa, Roy?

-Não tenho opinião formada ainda. –ele pronunciou em tom um pouco irritado, Breda acabaria por entregar toda a aposta que estavam fazendo pelas costas da loira. Se ela chegasse a pensar que eles apostavam sempre, logo chegaria à conclusão de que ela também fazia parte de uma aposta. Não queria imaginar o que ela faria se descobrisse.

-Eu fecho. –Riza comentou enquanto desviava sua atenção ao companheiro. Pouco tempo se passou, cerca de cinco minutos depois o pequeno Fuery conseguia a garota. Riza retirou de dentro de sua bola uma nota e jogou na mesa. –Vinte cenz mais isso pagam a minha conta. Boa noite, rapazes.

A loira se levantou com cautela, sabia que havia bebido um pouco e levantar bruscamente faria com que passasse mal. Se o fizesse com cuidado, nada de mais lhe aconteceria.

Saiu do recinto e pegou um táxi para casa.

Ainda lá dentro Breda parecia não compreender que perdera. Nunca jogava para perder.

-Então ficamos apenas nós dois... –O ruivo falou se levantando da mesa pronto para também garantir sua noite. Tinha de aproveitar o fato de que o superior iria levar o companheiro para casa e ele poderia sair com alguém.


Riza entrou em casa e acendeu a luz do abajur próximo a entrada. Foi recepcionada logo por Black Hayate que se jogou no chão de barriga para cima para que ela o acariciasse. Riza retirou as sandálias que lhe machucavam os pés e sentou-se no chão, pouco disposta a brincar com o animal.

Estava deveras cansada para aquele tipo de coisa. Logo se levantou e entrou na sala, acendendo a luz do cômodo. Voltou para apagar o abajur e tomar as sandálias.

Não reprimiu um grunhido de raiva ao ver quem permanecia deitado no seu sofá e dormia, mas compreendeu que Jean queria conversar e a esperava para aquilo.

Apesar de sentir raiva por ele ter usado a chave dela indevidamente, abaixou-se a observar a face completamente tranqüila dele e lhe passou a mão pelos fios de cabelo da franja dele que caiam pela face.

-Jean? –ela o chamou e o loiro se remexeu brevemente abrindo os olhos com dificuldade, parecia ter realmente caído em sono. –Vai ficar desconfortável ai, vem.

O loiro levantou-se molemente seguindo o caminho para o quarto. Riza fechou a porta de modo que o cão não entrasse no quarto como costumeiro. Jean retirou os sapatos e se sentou na cama.

-Conversamos amanhã. –Riza pronunciou guardando a bolsa no armário. –Volte a dormir.

O loiro pareceu acatar ao pedido na hora, pois largou o corpo de qualquer jeito na cama enfiou a cabeça no travesseiro. Riza sorriu observando o modo como ele fazia aquilo e pegou uma camisa qualquer e um short.

Vestiu o short sem retirar o vestido e chamou pelo homem querendo saber se ele ainda estava acordado, sem ouvir resposta ela caminhou até o outro lado do quarto e retirou o vestido, colocando a camisa por cima.

Não sabia que o loiro tinha os olhos abertos. Apesar da escuridão do local, não era completa a falta de luminosidade e Jean conseguiu ver de relance um desenho bastante incomum nas costas dela.

Para a sorte dela aquilo era bastante complicado para que em poucos segundos ele pudesse compreender que aquela tatuagem tinha alguma relação com alquimia e principalmente que aquilo possuía relação com Roy. Ele tampouco viu as queimaduras que o alquimista das chamas lhe fizera.

Quando Riza se deitou ele já havia fechado os olhos sabendo que iniciariam uma briga àquela hora. A loira se aconchegou sentindo os braços do loiro lhe enlaçarem e fechou os olhos.

-Boa noite, Riz. –ele pronunciou em tom quase inaudível e bastante sonolento enquanto lhe beijava o ombro coberto pela camisa. Nunca havia imagino que a loira carregaria uma marca daquelas nas costas, afinal, Riza sempre pareceu aos seus olhos como a pessoa que nunca fizera nada precipitadamente.

Uma tatuagem contradizia aquela sua visão, pois era algo que nunca sairia de seu corpo. Da mesma forma, sempre a vira em trajes que cobriam aqueles desenhos incomuns e que ele pouco conseguira ver. Tudo confirmava que ela havia marcado seu corpo em uma atitude impensada, porque parecia sentir vergonha de ter tais desenhos impregnados em sua pele alva.

Mesmo assim, não perderia a oportunidade de rir um pouco da loira no dia seguinte ao confessar que vira aquilo. Fechou os olhos para dormir também


Jean parecia esperar pela oportunidade perfeita, pois permaneceu calado quase todo o expediente. Na realidade, foi bastante estranho aos olhos dos companheiros que naquele dia, o loiro já tivesse recuperado o seu bom humor costumeiro, tendo na noite anterior saído tão alterado do bar.

Não tentara retomar aquele assunto com a loira quando acordara. A verdade é que enquanto a esperava não pôde deixar de pensar que aquilo parecia apenas uma crise de ciúmes infundada.

Preferiu deixar aquilo de lado e fingir eu não havia ocorrido, ao menos por um tempo, afinal ambos pareciam não se incomodar mais quando acordaram.

Todavia ele observou ao redor, percebendo que todos estavam absortos em seus respectivos trabalhos. Sorriu, parecia ser o único que havia se distraído observando o relógio prestes a anunciar o horário de almoço. Provavelmente o problema da noite anterior havia ressuscitado nele a vontade de fumar, abriu a gaveta buscando pelos seus adoráveis cigarros, encontrando um maço lacrado no fundo.

Sorriu alegremente colocando-os no bolso da farda e levantou-se ignorando o horário e os olhares dos companheiros. Seu gesto pareceu ter despertado a vontade dos outros homens em sair daquele lugar, pois logo que Jean saiu pela porta, os outros o fizeram.

Riza ainda permaneceu na sala completando o relatório. Ao menos o fez até ser interrompida pela voz estridente de sua amiga Rebeca.

-RIZA! –a morena gritou entrando na sala sem nenhum tipo de escrúpulo. Puxou uma cadeira qualquer para ficar de frente para onde se encontrava a loira e sorriu de uma forma maliciosa para a amiga. -Você não pode sumir por dias sem me avisar... Sabe que eu fiz milhões de suposições que acabavam com você morrendo de algum modo violento.

-Não seja tão exagerada, Rê. –a loira comentou enquanto cruzava os braços por sobre a mesa e deixava a cabeça neles apoiada.

-A noite parece ter sido bem longa... –comentou a morena de modo malicioso ao observar o cansaço da amiga. –Tentei telefonar para você ontem a noite, mas ninguém atendeu. Então... –e ela fez uma pausa na tentativa de dramatizar a situação. –Pensei que o Jean soubesse onde você estava, mas por algum acaso do destino, ele também não atendeu!

-Não somos crianças que precisam ir para um motel... –a loira completou sem a mínima vontade de continuar aquela conversa. –Saí com o pessoal, apenas isso.

-Sei... –Rebeca comentou demonstrando desconfiança. –Olha, você não está com fome? Vim ver se você não queria me acompanhar no almoço.

-Não posso. –Riza pronunciou com desgosto. – Estou de licença, então não deveria estar aqui, mas existe a possibilidade do Coronel ser promovido e precisa de mim aqui para mantê-los na linha.

-Você tirando uma folga? Esse relacionamento está realmente fazendo bem a você! –pausou. –Chega da Riza chata e certinha.

-Licença médica... –Riza pronunciou com uma das sobrancelhas erguidas em sinal claro de que reprovava as palavras que acabara de ouvir.

-Que seja... EU vou comer nesses últimos quinze minutos de almoço enquanto você vai ficar ai morrendo de fome.

-Sinta-se a vontade. –Riza falou enquanto se levantava e andava até o canto da sala para pegar uma caneca de café. Às vezes achava que a amiga parecia uma criança falando, mas preferiu ignorar aquele comentário desnecessário.

Rebeca abriu a porta para sair, mas logo parou ao ver quem era. Sorriu amigavelmente a Jean que entrava na sala com um sorriso bobo estampado em sua face.

-Sorriso estúpido o seu... –ela comentou achando graça da expressão dele. Jean fechou a porta enquanto mirava a loira.

-Rebeca, vou lhe falar algo que nunca acreditaria. –a loira levantou os olhos ao loiro, mas logo os abaixou para dar atenção ao conteúdo líquido de sua caneca. Bebeu um pouco. –A Riza tem uma tatuagem.

De fato, Jean não compreendeu o motivo pelo qual a morena rapidamente correu para sair do recinto, bem como também não compreendeu quando viu a loira engasgar com o café quente deixando a caneca cair no chão.

Quando a face da mulher atingiu um tom intenso de vermelho ele não compreendeu que era por raiva, mas pensou que fosse por ter se engasgado. Riza abriu a boca diversas vezes antes de conseguir falar alguma coisa, passando alguns segundos, talvez minutos, naquele estado mudo.

-Que brincadeira ridícula é essa, Jean? –Riza perguntou em um tom que pouco se parecia com o real sentimento dela. Sua voz soou suave como se estivesse bastante calma, o que, de fato, não era a verdade.


Rebeca fechou a porta atrás de si com incrível velocidade e permaneceu do lado de fora da sala. Encostando o ouvido na madeira ela poderia ouvir toda a discussão que se desenrolaria naquele ambiente sem, no entanto, fazer parte dela.

Era do conhecimento da morena que aquela tatuagem existia, aliás, era a única dos companheiros ou amigos de Riza que tinham conhecimento sobre aquela arte. Não suficiente, Rebeca também sabia a história daqueles desenhos pregados na pele da loira e o motivo pelo qual deveriam ser escondidos.

Sorriu com incrível felicidade daquele lado da parede, só havia uma forma de Jean ter visto aquela imagem incomum. Acabou se vendo extremamente contente com aquele ocorrido, afinal, Riza estava progredindo e seguindo em frente com sua vida.


Jean ainda não compreendia toda a alteração de Riza, apesar de bastante contida, ainda possuía a face avermelhada pela raiva. O loiro não sabia o que dizer quanto ao que a mulher à sua frente perguntava, havia a visto se trocando, mas não acreditava ser um segredo de estado aquela tatuagem. Ele nada pronunciou, havia sido Riza a continuar falando.

-O que você estava pensando, Jean? Entrou na minha casa inapropriadamente, como um marido psicótico esperando pela infiel esposa. Olhou enquanto trocava de roupa e sai por ai contando sobre essa coisa nas minhas costas. –pausou o sermão olhando-o, mas o homem sequer esboçava uma tentativa de resposta. –Você não vai falar nada?

O loiro a observou, fechou os olhos com força como que buscasse uma resposta dentro de sua mente. Precisava ser rápido antes que ela disparasse mais palavras em sua direção.

-Você se trocou na minha frente. –Jean esfregou a testa com uma das mãos, sabia que havia dado uma das piores respostas a ela. Acreditou na possibilidade de Riza se irritar ainda mais, o que parecia acontecer quando ela suspirou fortemente como quem tenta se acalmar, a face dela já tomava um tom mais natural, ainda que avermelhado.

-Você fingiu que estava dormindo e isso não repara o fato de você ter contado o que viu.

-Mas a Rebeca sabia, percebi isso na hora que contei.

-Feliz acaso. Ela podia não saber. –Riza respirou fundo pensando em uma resposta que eliminasse a relação de Roy com a tatuagem. –Isto não pode ser de conhecimento de ninguém, ou acha que eu esconderia a toa?

-E eu vou saber o que você pensava quando adolescente pra fazer umas coisa dessas e depois querer esconder? –Se Jean temia por irritar Riza a um ponto irreparável, agora ele tinha certeza que conseguira alcançar tal limite. Riza cessou qualquer atitude, estava parada sabendo que o loiro não fazia ideia do que era aquela tatuagem, mas insistia não ter feito nada de errado.

-Dê-me minhas chaves. –pronunciou em tom baixo, sua voz quase não saiu de dentro da sua boca, soou rouca e quase inaudível. Jean enfiou a mão no bolso tirando o molho de chaves, desatarraxou a de Riza e lançou-a na mesa.

-Tome essa merda de chave. –Ele pronunciou em tom alto, estava se irritando com aquela discussão estúpida, se Riza queria segredo deveria ter dito ou se trocado em outro lugar.

A mulher respirou fundo, seu arquejo foi desregular, não conseguiu puxar o ar de uma vez e o som que produziu aquela respiração demonstrava todo o descontrole que estava se apoderando dela.


Rebeca ouvia vez ou outra os tons mais altos de Riza e Jean, estava indo embora quando ouvira a voz de Jean mais alta que o normal. Teve medo de que alguém aparecesse, até mesmo porque não tardaria muito e o horário de almoço acabaria, os outros membros da equipe voltariam a sua habitual sala e poderiam ouvir a discussão. Rebeca preferiu permanecer ali cuidando para que pudesse avisá-los quando alguém se aproximasse.

Não ficou surpresa quando ouviu algumas vozes bem de longe, bateu na porta como se pedisse para entrar, acreditando que aquilo chamaria a atenção dos dois.


-Isto não lhe diz respeito! –Pela primeira vez Riza elevava a voz naquela discussão. Ela deu meia volta e pegou a chave arremessada na mesa, virou-se para a porta, mas Jean lhe segurou pelo punho.

-Isto é do meu respeito sim! Eu sou seu namorado e esse negócio nas suas costas deveria ser de meu conhecimento!

-Isto não é de seu interesse. –Riza pronunciou novamente com o tom mais baixo que o normal, havia ouvido o toque à porta e tentou se manter em tom razoável.

-Ah, eu acho que é. –Jean retrucou em tom alto.

-É? Você quer saber o que é isso? –Riza girou o punho livrando-se da mão de Jean.

-Quero. –pronunciou o loiro em tom mais baixo, acreditava que havia conseguido convencer a loira a falar.

-Pois não vou lhe falar, mas eu vou lhe dizer quem pode. –Riza pausou, sabia que iria falar mais do que o necessário, mas um dia Jean acabaria sabendo de tudo aquilo. –Pergunte a Roy Mustang.

Jean abriu a boca para retrucar, mas a pronuncia do nome de Roy havia confundido toda a cabeça dele. Riza saiu pela porta deixando o loiro completamente confuso, não entendia qual a relação de Roy com aquilo, mas havia um pensamento bastante incômodo afligindo-lhe, se Roy sabia daquilo, ele havia visto Riza nua, mas ela admitira que nunca havia ocorrido nada entre os dois.

Jean deu um passo para sair atrás de Riza, mas encontrou Rebeca parada à porta.

-Calma, Jean. –Rebeca pronunciou quando observou que as vozes do corredor agora eram pessoas bem próximas deles. Jean a observou sem muito compreender. A morena a segurou pelos ombros.

-Ele a viu nua, Rê –pausou o loiro. – Não sei em que estou me metendo mais.


Notas: Qualquer erro de português aqui existente veio da minha pressa em atualizar, afinal faz dois anos...

Não vou dar ainda nenhuma dimensão do próximo capítulo, mas acho que não devo demorar muito agora. Deixem reviews.