Aquele era o último dia do ano letivo em Hogwarts. Uma brisa leve refrescava de vez em quando os alunos que faziam de tudo para tentar afastar o calor. Faltava apenas vinte minutos para as carrugagens virem buscá-los, e a maioria tinha as malas prontas, exceto, é claro, quatro garotos da Grifinória.
– Droga – disse Sirius jogando-se na cama –, eu não quero voltar pra casa...
– Levanta daí, seu bundão – disse James, severo –, e me ajuda a procurar a minha agenda... eu combinei de sair com umas sete garotas esse verão, mas eu não faço a mínima idéia de quando e com quem...
Remus riu enquanto procurava o seu dicionário de bolso entre as cobertas.
– Você realmente não tem mais jeito... – ele murmurou.
– Eu não quero voltar pra casa – repetiu Sirius, tentando atrair atenção.
– Qual o problema, achei que os seus pais iriam viajar para a Groelândia ou qualquer outro lugar frio...
– Eles vão para o Havaí – ( James, Remus e Peter riram pelo nariz imaginando os pais de Sirius na praia, tomando sol e surfando em ondas gigantes, mas Sirius ignorou-os ) – , e adivinha só onde eu e o Regulus vamos ter que passar TRÊS MESES INTEIROS?
– Não acredito – disse James com os olhos arregalados – Na casa da Belatriz?
– Onde mais? – perguntou Sirius.
– Posso te visitar no verão? – perguntou James. Belatriz era um pouco irritante, mas de um jeito sexy e provocador. Ela tinha uns vinte anos, mas todos os garotos que ela conhecia, independente da idade, tinham uma enorme queda por ela.
– A Narcisa também vai estar lá – informou Sirius. Um silêncio decepcionado seguiu as suas palavras.
– Pode passar as férias na minha casa, cara – disseram com dó James, Remus e Peter ao mesmo tempo.
Sirius abriu um enorme sorriso.
– Demorou pra vocês me convidarem! Eu passo um mês na casa de cada um, então?
– Tá bom – disseram os três e voltaram a arrumar as suas malas.
– Eu tenho a impressão de que eu vi essa sua agenda na sala comunal, Pontas – disse Peter. – Se eu não me engano, a Lily estava mexendo nela. É uma preta, não é?
James levou a mão à testa e arregalou os olhos.
– Tudo menos isso... – ele susurrou. – E eu tava sonhando com o dia em que eu iria visitar o restaurante do pai da Joanna...
– É só você pedir de volta, tenho certeza de que ela não fará objeções – disse Remus.
Os três garotos olharam com uma cara de 'duuuuh' para ele.
– Ela morre antes de fazer alguma coisa por mim – disse James.
– Ela tem os seus motivos – retrucou Remus – você é a pessoa mais pentelha que eu já conheci.
– É só você entrar no dormitório dela com a sua capa – sugeriu Sirius, levantando-se de um salto, excitado com a idéia de possível idéia de encrenca.
– E as escadas? – perguntou Peter. – E como você vai saber onde a agenda está?
– Bem, provavelmente está na cama dela ou na mesa de cabeceira – disse Sirius.
– Eu tenho alguns goles de uma Poção Confundidora, se você quiser enganar as escadas – ofereceu Remus.
– Ótimo – disse James, sorrindo.
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A poção enganara as escadas perfeitamente bem. James estava dentro do quarto, coberto pela sua capa.
A maioria dos alunos já estavam esperando no Saguão de Entrada pelas carruagens, então James não tivera o costumeiro problema de esbarrar nas pessoas. Não encontrara ninguém no caminho e não tinha ninguém no dormitório tampouco.
Olhou ao redor.
Não era tão diferente do dormitório masculino, os móveis e as cores das cortinas e lonçóis eram iguais, mas James percebeu, ao mesmo tempo que entrou no quarto, que os armários eram maiores e que as coisas pareciam brilhar mais.
Só havia um malão no quarto, aberto em cima de uma cama, com algumas poucas coisas jogadas ao redor. Diferente do malão de qualquer pessoa do dormitório de James, as roupas dentro estavam muito bem organizadas.
E, ao lado do malão, jogada de qualquer jeito, estava a preciosa agenda preta de James...
James esticou o braço para pegar, mas então, a porta abriu-se e, para o seu horror, Lily entrou, carregada de algumas roupas, e jogou-as na cama.
James congelou. Tinha perfeita consciência de que Lily iria achar estranho uma agenda sumir do nada da sua frente.
Ela começou a dobrar as roupas cuidadosamente, e colocou-as dentro do malão. Ela estava naquilo a algum tempo, e James estava se perguntando quando ela iria sair do quarto ou, pelo menos, virar para trás.
Lily pegou um caderno vermelho que estava em cima da cama, e, sem querer, deixou-o cair de novo. O caderno abriu-se em uma das primeiras páginas, e Lily deu uma espiadinha, e depois deu um sorriso. James sorriu também, ela era tão bonita...
Mas então Lily sentou-se bem em cima de, nada mais nem menos, que a sua agenda. James quase deu-lhe um tapa. Porque ela não podia ser mais conveniente?
Lily continuou a sorrir, e a cada página que virava parecia se divertir mais ainda. James silenciosamente deu a volta na cama para ver o que tinha escrito de tão interessante naquele caderno.
"13 de Novembro... A Alex parece achar que eu deveria dar uma chance pra ele. Quer dizer, não faz nem um mês que o ano letivo começou e ele já me chamou para sair duas vezes. E sabe, ele não é feio. Ele até que é charmoso, eu sempre gostei de olhos pretos, são mais... misteriosos. Mas ele ainda é esse completo IDIOTA. Falando nisso, parece que a Petúnia está saindo com o Valter, nosso vizinho. Não sei o que ele vê nela. Sabe, agora que eu paro pra pensar, talvez eu ESTEJA meio afim do..."
James estava pronto para ver escrito, naquela letra meio apertada e pequena de Lílian, 'James'. Mas bem na hora, ela fechara o caderno vermelho, que James percebeu ser um diário, e guardou-o no malão, levantando-se em seguida.
Ela não saiu do quarto gritando 'James, eu te amo!', como na verdade James esperava, mas foi andando em direção à porta que, pelo menos no dormitório masculino, era o banheiro.
Ele se viu sem nenhum obstáculo entre ele e o final da frase do dia treze de Novembro. Sentiu um enorme impulso de simplesmente pegar o diário e abri-lo, mas uma vozinha que lembrava a de Remus no fundo da sua cabeça parecia dizer 'pega logo a sua agenda e SAI DAQUI, você não tem nem metade das suas coisas guardadas no malão... vamos, sai logo... anda...'
Mas mesmo assim, James esticou o braço e abriu o diário em uma página qualquer. E foi procurando pelo dia treze.
Ouviu um barulho de gavetas abrindo e em seguida coisas saindo delas.
Só mais um pouco, é só ver o final daquela frase...
Larga isso e sai logo daqui, você sabe que você vai ter problemas depois, sai...
A porta do banheiro abriu-se, e Lily saiu carregada de cremes.
James jogou o diário dentro do malão de qualquer jeito, agarrou a sua agenda e saiu do dormitório fazendo o mínimo de barulho possível.
Ele vira.
Ele vira o final da frase.
E era ele. Ele, James. 'Potter'.
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Sirius abriu a porta do vagão e entrou trazendo vários doces. Jogou-os no colo de Peter, o lugar de sempre.
James já havia, é claro, contado sobre o que ele lera no diário de Lílian. Todos ficaram muito impressionados, mais ainda do que o próprio James. ( "Como é possível? Como? Não, sério, Aluado, Rabicho, COMO É POSSÍVEL?)
– A Lily tava lá na fila, com o Hayes – disse Sirius – ela parecia... feliz.
James pulou do banco e abriu a porta, procurando por Lily na pequena fila que se formava em frente ao carrinho de doces, e encontrou-a em segundos.
Estava conversando animadamente com um garoto com quem tinha as mãos dadas.
Só ao ver isso, os olhos de James pegaram fogo, e ele saiu do vagão, e, furando a fila, entrou atrás do casal.
– Namorado novo, Lily? – perguntou James casualmente.
Lílian olhou-o por um longo segundo, respirando fundo, como se tentasse controlar sua raiva. Olhou para Gregory e pediu que ele voltasse para o vagão. Ele falou alguma coisa sobre ainda não ter comprado o que queria, mas Lílian deu-lhe um olhar mortal (que geralmente era reservado a James) e ele obedeceu-a.
– Foi você, não foi – ela disse, virando-se para James (sem se livrar do olhar).
O sorriso de James congelou, e ele sentiu seu pescoço esquentar, mas conseguiu falar a única coisa que poderia possivelmente falar:
– Claro que não.
Lílian olhou-o desconfiada. Em seguida levantou uma sobracelha.
– Claro que não o quê?
– Claro que não fui eu, né.
– Não foi você que o quê?
– Que est... ora, eu que te pergunto.
– Cadê aquela agenda preta?
James mordeu os lábios. Estava dividido entre duas respostas. Uma que o condenaria e o salvaria e uma outra que o salvaria e o condenaria. Optou pela que o condenaria e o salvaria depois.
– Aquela agenda é minha – ele disse – eu não fiz nada de errado esquecendo-a na sala comunal. Você que não deveria ter pegado.
– Ahá – disse Lílian –, então foi você.
– Você não iria me devolver se eu pedisse – defendeu-se James.
– O que o faz pensar que não? – perguntou Lílian.
– Porque você tem ciúmes de mim – falou James cinicamente, depois de uma pequena pausa.
Lílian parecia não saber se ria ou se chorava.
– Ahan. Eu morro de ciúmes de você. Por isso que eu não iria te devolver a sua agenda, imagina se você se lembrar qual o horário em que começa o jantar com a sua tia?! – ela perguntou em um falso tom indignado.
– Não é isso, querida – disse James. – Aquela agenda é de uso exclusivo para os encontro que eu tenho com as garotas.
– Ah, se liga – disse Lílian, virando-se para o carrinho e escolhendo alguns doces – da onde você tirou a idéia de que eu gosto de você...
– Eu... li – disse James, resolvendo ser sincero.
– Leu? – ela perguntou. – Onde, em 'As Mil e Uma Maneiras de Ser Patético'? É o seu livro de cabeiceira, né, se não me engano...
Muitas das pessoas que estavam em volta riram. Antes que James percebesse, os alunos que estavam na fila para comprar doces estavam na fila para assistir a mais um episódeo de James sendo humilhado.
– Não – ele respondeu, a raiva subindo à cabeça, ao mesmo tempo em que sentia o rosto queimar –, no seu diário. 'Treze de Novembro' – começou ele, numa voz esganiçada, na intenção de imitar Lily – , ele é tão charmoso, os olhos deles são tão misteriosos... vou admitir de uma vez por todas: eu acho que estou gostando do James...'
Agora era a vez de Lílian ficar vermelha; estava, de fato, tão vermelha que mal se distinguia a pele do cabelo.
– Eu nunca escrevi isso... nunca, e você sabe muito bem...
– Minha Lily, você escreveu sim, se não porque você estaria vermelha?
– QUANTAS VEZES EU PRECISO DIZER? – gritou ela, assustando duas alunas so primeiro ano que estavam passando – QUE EU NÃO – SOU – SUA!
James deu um pequeno passo para trás. Ela estava ofegante e o encarava com rancor nos olhos. James teve a momentanêa impressão de que fumaça saia de suas orelhas.
–Calma, minha flor – disse James, um pouco assustado. Lílian aproveitara para lançar um olhar raivoso para as pessoas que assistiam a cena e elas resolveram sumir dali antes que ela tivesse tempo de reconhecer seus rostos, para depois se vingar.
– Quer saber? – ela disse, numa voz um pouco mais baixa que a normal, provavelmente percebendo que gritara um pouco demais. – Eu escrevi sim. Mas sabe quando? Em Novembro, como você mesmo disse. Já mudei de idéia – e saiu andando, esquecendo-se de levar os doces que comprara.
James esperou três segundos até correr atrás dela, mas assim que moveu o pé, uma mão agarrou-o pelo ombro e segurou-o.
– Se ela te ver de novo, ela provavelmente vai te matar – disse Remus sabiamente. –, se eu fosse você, eu esperava até o ano que vem...
James concordou com um asseno de cabeça e voltou para a cabine.
– Deu pra ouvir daqui – disse Sirius, visivelmente com pena de James.
– Cala a boca – James respondeu cabisbaixo.
– Um dia ela sai com você – disse Remus dando-lhe tapinhas no ombro.
– É, no dia que ele mudar de nome, fizer vinte plásticas e mudar completamente de personalidade – disse Sirius inconvenientemente.
James lançou-lhe um olhar bem parecido com o que Lílian lançara a ele, à alguns minutos atrás.
N.A:
Olha só quem resolveu aparecer! P
Bem, esse é o último capítulo do quinto ano, agora eu vou dar uma pequena pausa e começar novos projetos.. leiam, hein?
Ah, e apartir desse cap o pedro eh peter, pq pedro é muito complicado.
Brigada por tudo, lindas DDD
