Mais de cinco meses depois...
Cuddy estava em sua sala, cercada por médicos e enfermeiros do hospital. Lendo simpaticamente os cartões que havia recebido. Sua barriga já estava enorme, 7 meses de gravidez. Ela colocava as mãos nas costas para se manter em pé, pois o peso era muito grande.
- Obrigada, adorei todos os presentes...Dizia ela.
Cuddy iria sair de licença maternidade, um novo médico foi designado para substituí-la, ele começaria no dia seguinte. Após algum tempo, a confraternização termina e os médicos deixam a sala de Cuddy, exceto Wilson.
- Precisa de ajuda com esses presentes? Pergunta Wilson.
- Não, mais tarde eu guardo todos. Ainda tenho que ir pra clínica...meu ultimo dia, preciso terminar minhas obrigações. Responde Cuddy.
Ela sai da sala e caminha em direção a Clínica. Em cima da ficha de seu primeiro paciente havia um pequeno embrulho, endereçado a ela, mas sem remetente.
Cuddy pega o embrulho e abre, e para sua surpresa vê dois pequenos sapatinhos de lã, amarelos. Ela sorri e os coloca no dedo, imaginando que em breve eles estariam vestindo os pes de seu bebê.
House observava a cena, do outro lado do balcão. Ele se sentiu inseguro, não queria que ela soubesse que ele havia mandado o presente, poderia assustá-la, tendo em vista que eles quase não conversaram nesses ultimos 5 meses. O fato dela sentir medo dele ainda o aterrorizava, por isso ele mandou um presente anônimo. Mas pela reação dela, House pode perceber que o presente havia agradado. E ele não conseguiu esconder um sorriso, que até Cuddy foi capaz de notar.
- Isso é uma piada ou você me mandou isso? Pergunta Cuddy, que agora já não sorria.
Ele a olha fixamente, tentando manter a expressão sarçástica de sempre.
- Você acha que é o tipo de coisa que eu faria? Essa gravidez te deixou tão estúpida assim? Diz ele ironicamente.
Ela se aproxima dele, tentando constatar se ele falava ou não a verdade.
- Ai...Geme ela, colocando as mãos na barriga.
House se assusta ao perceber a expressão de dor no rosto de Cuddy e se aproxima para ajuda-la. Ele coloca suas mãos sobre as dela, quase num impulso.
- Você sentiu? Pergunta Cuddy olhando-o nos olhos.
House simplesmente permanece em silêncio. Ele havia sentido a criança se mexer, estava sentindo o calor do corpo de Cuddy mais uma vez, depois de 5 meses. Por mais que ele tentasse não sentir nada, isso não era possível. Ele tenta pronunciar alguma coisa mas faltam-lhe palavras, e suas mãos ficaram ali, na barriga de Cuddy, por cima das dela.
- House? Chama Cuddy, tentando fazê-lo acordar do transe.
Envergonhado ele retira rapidamente as mãos da barriga dela, e vira-se para pegar uma ficha, tentando não encará-la.
- Obrigada House, pelo presente. Agradece ela, um pouco sem graça.
- Eu não sabia se era menino ou menina...Responde ele, ainda sem olhar para ela.
Cuddy arregala os olhos, tentando entender a atitude de House.
- Você quer saber se é menino ou menina? Questiona ela, curiosa e incrédula ao mesmo tempo.
- Não, por mim pode ser menino, menina ou hermafrodita, eu não me importo. É você quem deveria querer saber isso. Diz ele sarcasticamente, olhando-a nos olhos.
Cuddy engole seco, ele ainda era o House de sempre, não havia mudado, e ela cada vez sentia mais ressentimento por ele.Ela decide que não valia a pena discutir com ele, pega uma ficha e se encaminha para atender o paciente.
Após algum tempo na clínica, Cuddy começa a sentir os primeiros sinais de cansaço. Suas costas doíam, ela mal conseguia se manter em pé, caminhando com dificuldade. De repente, além das dores habituais ela começa a sentir um forte dor de cabeça, mais forte do que as habituais. Cuddy derruma a ficha da paciente no chão e coloca as mãos na cabeça. House vê a cena e parte na direção dela, colocando seu braço protetoramente no ombro da médica.
- O que foi? Pergunta ele preocupado.
- Tem alguma coisa errada...minha cabeça dói...Responde ela, sem tirar as mãos da cabeça.
Ele a coloca em uma cadeira de rodas e a leva em direção a enfermaria.
- Ela está grávida, tem um aneurisma e está sentindo dor de cabeça! Antecipa House ao obstetra.
- Acalme-se, House. Pede ela.
Eles a colocam na cama de hospital, por garantia.
- Fique aqui esta noite, em observação, acho que vai ser melhor.Amanhã faremos os exames. Afirma o obstetra de Cuddy.
- AMANHÃ? Grita House. Você é um idiota, vamos fazer agora esses exames!
- House, não é tão urgente, eu só preciso de um analgésico...Responde Cuddy.
Momentos após a saída do obstetra de Cuddy do quarto, chega um enfermeira, nova no hospital, trazendo os analgésicos. Ela os oferece a Cuddy, virando-se para House em seguida.
- Você é o pai? Pergunta a enfermeira.
E House e Cuddy respondem quase ao mesmo tempo.
- Sim. Diz House.
- Não. Responde Cuddy.
Eles se olham, ambos sem acreditar na resposta que o outro havia dado. A enfermeira percebe a tensão no ar e deixa o quarto.
- Você é o pai? Pergunta Cuddy.
- Você tem dúvidas? Gostaria de pensar que você é a Virgem Maria e eu sou o Espirito Santo, mas você é muito velha pra ser virgem, e eu sou muito pervertido pra ser o Espirito Santo...
- House...Responde Cuddy sorrindo.
Era a primeira vez desde o ocorrido há 5 meses , que ela sorria para ele.Um sorriso singelo e único, do qual os dois sentiam falta.
- Sente-se aqui. Pede ela, apontando um lugar em sua cama para que ele pudesse se sentar.
E House senta-se. Cuddy ergue o braço, tocando uma das mãos de House e dizendo:
- Eu senti sua falta...
Ele aproveita a deixa para aproximar seu rosto do dela, mas antes que ele pudesse beijá-la, Cuddy desvia o rosto para o outro lado.
House levanta-se da cama, sentindo-se contrariado e confuso.
- O que mais eu preciso fazer pra te provar que eu...Começa ele.
- Que você está arrependido? Eu já sei disso .Completa Cuddy.
Ele permanece calado por alguns instantes, pensando no que dizer.
- Então, eu não mereço uma outra chance? Pergunta ele, olhando fixamente nos olhos dela.
- Você já teve sua segunda chance..E eu não costumo insistir no mesmo erro três vezes...Responde ela, ressentida.
Após ouvir as palavras dela, House vai para casa, cabisbaixo. Ele joga-se no sofá, acompanhado por um frasco de Vicodin e banhado por uma garrafa de uísque. Seria apenas ele e seus fiéis companheiros, como em muitas outras noites.
Casa de House
No meio da noite, o telefone toca insistentemente. House não faz questão nenhuma de se levantar. A voz de Wilson surge na secretária eletrônica.
- House você está aí? Cuddy está em trabalho de parto, ela não está bem House, venha pra cá, não sei se ela vai aguentar...
Ele se levanta da cama, ainda tonto por causa da bebida, coloca as mãos na cabeça, que dóia por causa da ressaca e caminha para o banheiro. O que ele tanto tentou evitar estava acontecendo, era só nisso que Gregory House conseguia pensar no momento, e também em como ele gostaria de ter errado, pelo menos dessa vez.
Princeton Hospital
-Onde ela está! Grita House para uma enfermeira ao chegar no centro cirúrgico.
Nesse momento Wilson se aproxima do amigo, tentando acalma-lo.
- Ela está fazendo uma cesariana House, a bolsa rompeu, ele teve um outro sangramento e foi para a mesa de cirurgia. Eles estão fazendo de tudo para salvá-la.
- Eu vou entrar lá...Diz House caminhando em direção a sala onde estava Cuddy.
- Eu não acho que seja uma boa idéia, House. Afirma Wilson, tentando dissuadi-lo.
- Desde quando eu preciso da sua opinião! Grita House, pegando a vestimenta para entrar na sala de cirurgia.
Quando ele entrou esta estava sendo preparada para a anestesia, que teria que ser geral devido às condições.. House se aproximou dela, e Cuddy, mesmo quase inconsciente, conseguiu perceber que ele estava ali. Ele pegou em sua mão, apertando fortemente, numa tentativa de confortá-la e dar-lhe forças ao mesmo tempo. Ela virou lentamente o rosto para ele, piscou os olhos, como que em gratidão por ele estar ali, do lado dela nesse momento. Segundos depois ela fechou os olhos, a anestesia havia começado a funcionar.
- Vamos começar a cesariana, precisamos tirar esse bebê! Afirma o Cirurgião.
House permenaceu ali, segurando a mão de Cuddy enquanto o cirurgião começou a incisão para realizar o procedimento. Antes que o médico pudesse abrir o útero de Cuddy para a retirada do bebê, os monitores cardíacos começam a apitar insistentemente.
- Ela teve uma parada cardíaca! Pare com isso agora seu idiota! Grita House enfurecido.
- Nós ainda podemos salvar o bebê, ela provavelmente não vai ter chance, o aneurisma deve ter se rompido depois da anestesia...Afirma o cirurgião, continuando o trabalho no útero de Cuddy.
Nesse instante House retira o bisturi da mão do cirurgião e o joga no chão.
- Pegue o maldito desfibrilador! Não me importo com essa criança! Faça o que estou mandando! Grita ele, para um dos médicos que estava assistindo a cirurgia, completamente fora de si.
E o médico, assustado o obedece, coloca o desfibrilador sobre ela a primeira vez, e nada de ressurgirem seus batimentos cardíacos, ele tenta de novo, sem sucesso.
- Ela está morta House, se você me impedir de fazer a cirurgia esse bebê também vai morrer! Exclama o Cirurgião.
House hesita por um instante e toma o desfibrilador das mãos do outro médico, colocando ele mesmo o aparelho sobre o tórax de Cuddy.
- Vamos lá, volte! Diz ele dando mais um choque, e nenhum sinal de batimentos no monitor.
- Volte pra mim Cuddy...volte pra mim...Pensa ele colocando o aparelho mais uma vez sobre ela. E finalmente, alguns batimentos, ainda fracos surgem no monitor.
- Agora faça sua maldita cirugia!! Diz House, exaltado, para o cirurgião.
- Você pode ter sido responsável pela morte dos dois House! Agora saia daqui. retruca o cirurgião. Tirem esse homem daqui!
E os enfermeiros empurram House para fora da sala de cirurgia. Na sala se espera Wilson aguardava por informações, ele se aproxima de House e ao notar a palidez no rosto do amigo conclui que a situação era realmente desagradável.
- Como ela está? Pergunta Wilson.
- Ela teve uma parada cardíaca, eu a trouxe de volta, o aneurisma se rompeu, não sei o que vai acontecer...Não a nada que eu possa fazer. Diz House, quase aceitando seu fracasso.
Wilson coloca uma mão sobre o ombro do amigo e diz:
- Tem uma coisa que você ainda pode fazer...
House vira-se para ele, imaginando o que seria.
- Rezar...você pode rezar, House. Afirma Wilson, mesmo tendo certeza de que isso seria algo que ele jamais faria.
House simplesmente deixa Wilson na sala de espera, sem dizer nenhuma palavra sequer. Cerca de meia hora depois a porta do centro cirúrgico se abre. Wilson consegue ver as enfermeiras levando a criança rapidamente para a UTI neonatal, e as segue tentando conseguir alguma informação.
Capela do Hospital
House estava sentado no banco, batendo insistentemente a bengala no chão, cabisbaixo.
- Esse é o último lugar que eu pensei que você pudesse estar...Diz Wilson sentando-se ao lado do amigo no banco.
- Que foi? Eu só estou me escondendo dos "papparazzi", cansei de ser tão popular! Afirma House sarcasticamente, tentando manter as aparências.
- É uma menina...ela foi levada para a UTI neonatal, mas eles estão confiantes, disseram que ela é muito forte. Conta o oncologista.
House sequer muda a expressão em seu rosto, parecendo não se importar em saber da existência de sua filha. Ele volta a bater a bengala insistentemente no chão, tentando conter o nersovismo.
- Você começou com a boa notícia, qual é a má? Questiona House.
- Ela está em coma, talvez seja permanente. Responde Wilson, engolindo seco.
Ao ouvir a notícia, House simplesmente levanta-se do banco e caminha em direção à porta, sem dizer nenhuma palavra.
- É isso, você vai simplesmente, fugir? Pergunta Wilson.
- O que você espera que eu faça? Fique aqui sentado como um idiota rezando pra esse seu Deus estúpido realizar um milagre? Eu não acredito em milagres! Retruca House, alterado.
- Nunca é tarde pra começar a acreditar...Responde Wilson.
E House fecha a porta da capela atrás de si, caminhando em direção à UTI neonatal. O médico entra na sala, sem se anunciar.
- Me desculpe, mas não é hora de visitas.Diz uma das enfermeiras.
- Eu trabalho aqui. Responde House, se aproximando da criança que estava sendo colocada na encubadora.
- Você é da família?. Continua a enfermeira.
- Eu sou...parente. Responde House se aproximando para ver a criança.
Ela era extremamente pequena, não tinha sequer um fio de cabelo, mas mesmo assim ele sentiu alguma coisa ao olhar para ela, alguma coisa que nem sequer House sabia descrever o que era, um sentimento novo, ao qual ele precisaria se acostumar.
- Você pode tocá-la se quiser. Diz a enfermeira.
- Eu não quero. Responde House, dando as costas para o bebê e saindo da UTI em seguida.
Uma semana depois...
Casa de House
Ele estava deitado no sofá, com um frasco de Vicodin vazio jogado no chão ao seu lado. Sua perna doía como nunca, e ele resolveu apelar para a última opção. Pegou sua escada para alcançar o alto da estante e retirou uma caixa, contando morfina, Ele a abriu em seguida, retirando uma seringa e preenchendo-a em seguida. House se auto injetou o analgésico, em questão de minutos já não sabia sequer onde estava. Nesse momento o telefone começou a tocar insistentemente, até que a secretaria eletrônica acabou atendendo.
- House, eu sei que você está aí, não apareceu no hospital a semana toda, sua filha vai ter alta amanhã, precisamos que venha buscá-la! Está me ouvindo House, se você não vier buscá-la eles irão entregá-la ao juizado...
House continua em seu mundo paralelo, olhando para o teto como se visse uma obra prima.
- Você acha que é isso que a Cuddy gostaria que acontecesse com a filha dela? Continua Wilson.
Wilson havia tocado na ferida. Falar o nome de Cuddy, e o que ela gostaria ou não que acontecesse era algo que afetava House, mesmo que ele tentasse negar. Mas o efeito da morfina é mais forte e ele deita-se no sofa novamente, caindo num sono profundo. O Amanhã seria um dia difícil.
Princeton Hospital
House chega ao hospital, depois de uma semana de "folga". Ele caminha sem sequer olhar para o lado, havia uma pessoa que ele precisava ver.
Ela estava de olhos fechados, aparentava estar apenas dormindo quando ele se aproximou. House olhou para Cuddy, totalmente inerte na cama, conectada a inúmeros aparelhos. Ele simpesmente ficou ao lado do leito por um tempo, tentando assimilar os fatos.
Ele pega uma das mãos da médica e aperta fortemente, na esperança de obter uma resposta dela, sem sucesso. House faz o mesmo com os pés e o outro braço de Cuddy, tentando ao menos conseguir uma resposta reflexa vinda dela, mas isso não acontece.
- Eu nunca pensei que fosse falar isso um dia...mas gostaria que você pudesse gritar comigo agora. Afirma ele, olhando fixamente para Cuddy, levantando uma das mãos para tocar seu rosto, mas antes que ele pudesse fazê-lo, Wilson chega.
- House, sua filha já recebeu alta, você precisa levá-la pra casa.
Ele vira-se para Wilson, disfarçando a tristeza que sentiu por ver Cuddy naquele estado.
- Porque você não a leva pra sua casa? Retruca House.
- Porque ela não é minha filha! Grita Wilson.
- Cala a boca Wilson, tem uma pessoa em coma aqui! Responde House.
- E desde quando você se importa com os pacientes em coma? Questiona Wilson irônicamente.
- Eu não me importo...responde House desviando o olhar.
- Existe uma razão pra tudo...Indaga Wilson.
- Você está tentando me dizer que ela esta em coma por uma razão, não seja estúpido! Exclama House.
- Fazer você começar a se importar...e eu acho que está funcionando. Vá buscar sua filha, é o que ela gostaria que você fizesse. Responde Wilson, apontando com a cabeça em direção a Cuddy.
Berçário do Hospital
A bebê era a mais ativa do berçario, apesar de pequena e prematura. House e Wilson se aproximaram do vidro para observá-la. Quase como coincidência ela começou a colocar a pequenina lingua para fora no momento que os dois se aproximaram.
- Não tenho dúvida de que seja sua filha...Afirma Wilson.
House olha para o amigo e para a criança do berçário, tentando processar as informações.
- Eu não tenho condições de levar isso pra casa.Diz House.
- Isso...é a sua filha, você a fez, agora assuma a responsabilidade! Exclama o oncologista.
House não disfarça o descontentamento diante do comentário de Wilson, mas na verdade ele estava tentando arrumar um meio de se livrar do problema, e vira-se para sair do berçário.
- Onde você vai? Pergunta Wilson.
- Vou assumir a responsabilidade.. Mas me diga uma coisa, se eu levá-la, tenho direito a licença paternidade? Pergunta ele com um sorriso malicioso no rosto.
Wilson faz cara de incrédulo, imaginando o que House poderia fazer.
Agência de Empregos
House estava sentado em uma sala, esperando impacientemente para ser atendido.
- Então o senhor precisa de uma babá? Vou mandar essas aqui para uma entrevista, hoje a tarde .Afirma a mulher, de seus 50 anos, trazendo uns currículos nas mãos.
Princeton Hospital
Sala de House
Ele estava brincando com sua bolinha de estimação quando uma senhor de 60 anos entra pela porta.
- Eu vem pela agência, me disseram que você precisa de uma babá.
Ela a observa de cima baixo, tentando imaginar como ela cuidaria de sua filha.
- Criei 6 filhos, ajudei a cuidar de oito netos, tenho muita experiência...Continua a senhora.
- Eu acho que você realmente já cuidou de crianças demais, tem sempre uma hora de se aposentar sabia? Diz ele ironicamente , deixando a senhora constrangida.
Cerca de meia hora depois...
Uma menina de cerca de 17 anos, usando piercings em todos os orificios possíveis do rosto começa a ser entrevistada por House.
- Eu estou curioso...onde mais você tem piercing? Pergunta House, maliciosamente.
- Isso é mesmo importante? Pergunta a garota.
- Preciso ter certeza de que minha filha não vá pegar tétano...Responde House, sarcasticamente.
A última candidata surge na porta da sala de house, usando uma micro saia e uma uma blusa justissima. House arregala os olhos e a examinar de cima abaixo, sem se preocupar em ser discreto.
- Gregory House? Pergunta a jovem, de 20 e poucos anos.
- Sou eu. Responde ele, focando o olhar nas pernas da garota.
- Eu vim pelo emprego de babá. Afirma ela.
- É seu. Responde ele, quase imediatamente.
- Você não quer saber minhas referências? Questiona ela.
- Eu adorei suas...referências. Diz ele, sorrindo para ela.
- Quando eu começo? Pergunta a babá.
- Hoje a noite. Responde House, quase eufórico.
Sala de Wilson
-Você contratou uma babá para sua filha por causa das pernas dela? Pergunta Wilson, incrédulo.
- Claro, ela precisa ter pernas fortes, para empurrar o carrinho de bebê...não é um trabalho muito fácil. Afirma ele, sarcasticamente.
- Você é um pervertido e irresponsável. Retruca Wilson.
- Você vai mudar de opinião quando vir...as "referencias" dela...Responde House.
House se encaminha para o berçário, ele teria que assinar os papéis para levar sua filha para casa. Após cuidar da burocracia, ele teria que cuidar da criança. A enfermeira foi buscá-la e a entregou para House. Ele mal sabia como segura-la, desajeitadamente pegou com os dois braços e a levantou, para poder dar uma boa olhada na menina, seus olhos azuis se encontraram com os dela, quase tão azuis quanto, na verdade, era como se ele estivesse vendo seus olhos no espelho, ele teria que se acostumar a isso.
- Isso é embaraçoso...Diz ele, pensando em voz alta, enquanto pegava a menina nos braços, mantendo-a a uma certa distancia de seu corpo.
De repente a criança começa a chorar alto, insistentemente.
Você cheira mal, tem cara de joelho, e grita como sua mãe ...diz House para o bebê, quase como se estivesse trocando ofensa com alguém da mesma idade mental que ele.
House percebe a presença de Wilson e envergonhado coloca a menina novamente na cama do berçário.
- Parece que vocês estão se entendendo. Afirma Wilson.
- Não, não estamos, só estou mostrando a ela quem manda. Fala House, tentando explicar o motivo da conversa íntima que teve com o bebê.
Na hora marcada, a babá surge no hospital. E segue em direção ao berçário.
- O que eu faço? Pergunta a jovem, olhando para House segurando o bebê.
Ele coloca a menina nos braços da babá.
- Leve ela no endereço que te passei. Eu preciso fazer uma coisa antes de ir pra casa. Fala House.
Apartamento de Wilson
Ele estava vestindo um pijama azul marinho, sentado na sala assistindo o capitulo da novela quando a campainha tocou. Imaginando quem pudesse ser a uma hora dessas ele olha pelo olho mágico e abre a porta, assustado.
- Dr House me disse para trazê-la para cá. Afirma a babá.
Wilson olhava para o bebê no colo da jovem, e resolve tirar satisfação com House.
- Não adianta ligar para ele, ele não está em casa. Continua a babá.
E por essa noite, Wilson seria o pai e a mãe da pequena filha de House, nem ele sabia como conseguiria.
Princeton Hospital
Quarto 301
Já era noite, o quarto estava escuro e House preferiu não acender a luz. Ele se aproximou da cama e olhou para Cuddy que permanecia interte.
- Eu conheci sua filha hoje...ela se parece muito com você, a voz é idêntica! Conta ele.
Ele hesita por um instante, quase esperando que ela pudesse responder, mas isso não acontece.
- Cuddy, eu não sei se consigo..cuidar dela. Não sei nem cuidar de mim mesmo. Continua House.
- Ela precisa de você...eu preciso de você. Diz ele, em tom de sofrimento.
Nesse instante ele pega uma das mãos de Cuddy e a pressiona contra a sua. House sente um frio no estômago ao notar que ela apertou sua mão de volta, ele havia sentido um suave aperto, como se ela o estivesse realmente ouvindo.
- Cuddy...você pode me ouvir? Pergunta ele, otimista.
E mais uma vez ele não obeteve resposta.
Ele puxa uma cadeira para perto da cama e senta-se nela, apoiando as duas mãos sobre sua bengala e o queixo sobre as mãos. House permanece nessa posição, apenas olhando para ela, velando seu sono, na esperança de estar ali quando ela acordasse, se ela acordasse. As horas passam, ele acaba desistindo de esperar uma resposta e deixa o quarto. Apenas alguns segundos depois, Cuddy move as mãos novamente, e ainda de olhos fechados, podemos observar uma lágrima caindo no canto de seu olho esquerdo.Mas House já não estava ali para ver.
