Capítulo 9 - Vulnera Sanentur .

– Você não vai se lembrar disso, Potter. Nunca.

Pansy fora rápida ao invadir a mente de Harry para tentar alterar a cena, mas ele estava suficientemente preparado, afinal, tivera aulas com a própria Pansy. Ela tentou, de todas as formas possíveis, alterar cada detalhe do que o garoto acabara de ver, mas Potter resistia com tanto poder, que a mente de Pansy, ainda vulnerável, não fora capaz de ocultar tudo dessa vez.

Você é… – Malfoy estava boquiaberto; palavras não descreveriam seu sentimento ao ver Pansy.

A loura não respondera. Ao invés disso, apenas se inclinou sobre o garoto na cama e o beijou. Ambos estavam nus, enquanto Malfoy estava deitado e Pansy sentada sobre ele. Quando o beijo se partiu, era notável que Malfoy não estava tão seguro como era normalmente.

Não é melhor que eu vá para cima de você? E se você se mach- – ele sussurrou.

Eu não estou com medo, Draco. – ela sussurrou com firmeza e encaixou a intimidade de forma que ele a penetrasse de uma vez.

Ambos gemeram de satisfação; Pansy não pareceu sentir dor alguma na sua primeira vez. Draco estava deslumbrado com a garota que tinha sobre si.

Quando eles terminaram, Draco sussurrou que a amava. Tudo o que Pansy conseguira fazer, fora sorrir e sentir o seu coração explodir de amor pelo garoto.

A cena mudou.

Astoria beijava Draco; Pansy queria matar ambos de forma cruel, enquanto Potter assistia de longe e conseguia sentir toda a raiva que a loura sentia por ver aquela cena. Pansy tentava lutar contra a invasão de Potter, mas não conseguia unir força o bastante. Na verdade, ela simplesmente não se lembrara de como poderia expulsá-lo.

Porém, Potter recuou. A situação invertera; não era mais Pansy que estava com a mente ocupada. Agora, a garota estava no controle da mente de Potter outra vez.

Harry Potter!

Quando Harry se adiantou, correu um burburinho por todo o salão como um fogo de rastilho.

Potter, foi o que ela disse?

O Harry Potter?

A última coisa que Harry viu antes de o chapéu lhe cair sobre os olhos foi um salão cheio de gente se espichando para lhe dar uma boa olhada. Em seguida só viu a escuridão dentro do chapéu. Pansy se recordava vagamente da cena, mas não ouvira parte do que o Chapéu Seletor dissera, porque estava empolgada demais conversando com seus novos colegas na mesa da Sonserina.

Difícil. Muito difícil. Bastante coragem, vejo. Uma mente nada má. Há talento, há, minha nossa, uma sede razoável de se provar. Ora isso é interessante... Então onde vou colocá-lo?

Harry apertou as bordas do banquinho e pensou "Sonserina não, Sonserina, não".

Sonserina não, hein? - disse a vozinha. - Tem certeza? Você poderia ser grande, sabe, está tudo aqui na sua cabeça, e a Sonserina lhe ajudaria a alcançar essa grandeza, sem dúvida nenhuma, não? Bem, se você tem certeza, ficará melhor na Grifinória!

Potter quase fora para a Sonserina? Uma sede razoável de se provar… O mesmo que o Chapéu Seletor dissera no momento em que foi colocado na cabeça de Pansy. Porém, antes que a garota pudesse raciocinar, a memória mudara outra vez.

Harry ouvia vozes que vinham da sala diretamente à frente, ligeiramente abafadas porque a abertura no final do túnel estava bloqueada por um objeto que parecia um velho caixote. Mal se atrevendo a respirar, Harry avançou cauteloso até a saída e espiou por uma pequena fresta entre o caixote e a parede. Pansy se espremeu ao seu lado e conseguia espiar a mesma cena que Potter. A sala estava mal iluminada, mas dava para ver Nagini, girando e se enrolando como se estivesse embaixo da água, protegida em sua encantada esfera de estrelas, que flutuava sem apoio no ar. Dava para ver a ponta de uma mesa e uma mão branca de dedos longos brincando com uma varinha. Então Snape falou, e o coração de Harry deu um salto: o bruxo estava a centímetros do lugar em que ele se encolhia escondido.

... Milorde, a resistência está entrando em colapso...

... e está fazendo isso sem a sua ajuda – retorquiu Voldemort, com sua voz clara e aguda.

Mesmo sendo um bruxo competente, Severus, acho que você não fará muita diferença agora. Estamos quase chegando lá... Quase.

Deixe-me procurar o garoto. Deixe-me trazer Potter. Sei que posso encontrá-lo, Milorde. Por favor.

Snape passou em frente à fresta e Harry recuou um pouco, mantendo os olhos fixos em Nagini, imaginando se haveria algum feitiço que pudesse penetrar a proteção que a cercava, mas não conseguiu pensar em nada. Uma tentativa fracassada e trairia sua posição...

Voldemort se levantou. Harry o via agora, via seus olhos vermelhos e o rosto achatado e ofídico, sua palidez levemente luminosa na penumbra.

Tenho um problema, Snape – disse Voldemort, suavemente.

Milorde?

Voldemort ergueu a Varinha das Varinhas, segurando-a com a delicadeza e a precisão de uma batuta de maestro.

Por que ela não funciona comigo, Severus?

No silêncio, Harry imaginou que ouvia a cobra silvar levemente, enrolando-se e desenrolando-se, ou seria o suspiro sibilante de Voldemort ainda vibrando no ar?

Mi... milorde? – replicou Snape, aturdido. – Não estou entendendo. O senhor realizou extraordinária magia com essa varinha.

Não. Realizei a minha magia habitual. Sou extraordinário, mas esta varinha... Não. Ela não revelou as maravilhas prometidas. Não sinto diferença entre esta varinha e a que comprei de Olivander tantos anos atrás.

O tom de Voldemort era reflexivo, calmo, mas a cicatriz de Harry começara a latejar e vibrar: a dor em sua testa aumentava e ele percebia um sentimento de fúria controlada crescer em Voldemort.

Não há diferença – repetiu Voldemort.

Snape não respondeu. Harry não via seu rosto. Pôs-se a imaginar se ele perceberia o perigo, se estava tentando achar as palavras certas para tranquilizar o seu senhor.

Voldemort começou a andar pela sala. Harry perdeu-o de vista por alguns segundos nos quais ele rondava, ainda falando naquele mesmo tom comedido; a dor e a fúria se avolumavam em Harry.

Estive refletindo longa e intensamente, Severus... Você sabe por que o fiz voltar da cena da batalha?

E, por um momento, Harry viu o perfil de Snape: seus olhos estavam pregados na cobra que se enroscava na jaula encantada.

Não, Milorde, mas peço que me deixe retornar. Me deixe encontrar Potter.

Você parece o Lucius falando. Nenhum dos dois compreende Potter como eu. Ele não precisa ser achado. Ele virá a mim. Conheço sua fraqueza, entende, seu grande defeito. Ele não suportará ver os outros caírem fulminados ao seu redor, sabendo que é por ele que estão morrendo. Irá querer pôr um fim nisso a qualquer custo. Ele virá.

Mas, Milorde, ele pode ser morto acidentalmente por outra pessoa que não o senhor.

Minhas instruções aos meus Comensais da Morte foram absolutamente claras. Capturem Potter. Matem seus amigos... Quanto mais melhor... Mas não o matem. Mas é sobre você que eu queria falar, Severus, e não Harry Potter. Você tem sido muito valioso para mim. Muito valioso."

Milorde, sabe que só busco servi-lo. Mas... me deixe ir procurar o garoto, Milorde. Deixe-me trazer Potter ao senhor. Sei que posso...

Já lhe disse, não! – exclamou Voldemort, e Harry percebeu um brilho vermelho em seus olhos quando ele se virou, o farfalhar de sua capa lembrando o rastejar de uma cobra, e o garoto sentiu a impaciência de Voldemort na queimação de sua cicatriz. – Minha preocupação no momento, Severus, é o que irá acontecer quando eu finalmente me encontrar com o garoto!

Milorde, não pode haver dúvida, certamente...?

... mas há uma dúvida, Severus. Há.

Voldemort fez uma pausa, e Harry ouviu-o claramente escorregando a Varinha das Varinhas entre seus dedos brancos, com os olhos em Snape.

Por que as duas varinhas que usei não funcionaram quando as apontei para Harry Potter?

Eu... eu não sei responder, Milorde.

Não sabe?

A pontada de raiva pareceu um furador penetrando a cabeça de Harry: ele enfiou o punho na boca para conter os gritos de dor. Fechou os olhos e, subitamente, ele era Voldemort, encarando o rosto pálido de Snape.

Minha varinha de teixo fez tudo que lhe pedi para fazer, Severus, exceto matar Harry Potter. Falhou duas vezes. Olivander me falou, sob tortura, dos núcleos gêmeos, me aconselhou a tomar a varinha de outro. Fiz isso, mas a varinha de Lucius se partiu ao enfrentar a de Potter.

Eu... eu não tenho explicação, Milorde.

Snape não estava olhando para Voldemort no momento. Seus olhos negros continuavam fixos na cobra movimentando-se em sua esfera protetora.

Procurei uma terceira varinha, Severus. A Varinha das Varinhas, a Varinha do Destino, a Varinha da Morte, tirei-a do seu dono anterior. Tirei-a do túmulo de Albus Dumbledore.

E agora Snape olhou para Voldemort, e seu rosto lembrava uma máscara mortuária. Estava branco-mármore e tão imóvel que, quando ele falou, foi um susto perceber que havia um ser vivente por trás dos seus olhos inexpressivos.

Milorde... me deixe ir até o garoto...

Durante toda essa longa noite, de vitória iminente, estive sentado aqui – disse Voldemort, sua voz pouco mais do que um sussurro – pensando, pensando, por que a Varinha das Varinhas se recusa a ser o que deveria ser, se recusa a agir como a lenda diz que deve agir para o seu legítimo dono... e acho que sei a resposta.

Snape ficou calado.

Talvez você já saiba, não? Afinal, você é um homem inteligente, Severus. Você tem sido um servo bom e fiel, e eu lamento o que terá de acontecer.

Milorde...

A Varinha das Varinhas não pode me servir corretamente, Severus, porque não sou o seu verdadeiro dono. A Varinha das Varinhas pertence ao bruxo que matou o seu dono anterior. Você matou Albus Dumbledore. Enquanto você viver, Severus, a Varinha das Varinhas não pode ser verdadeiramente minha.

Milorde! – protestou Snape, erguendo a varinha.

Não pode ser de outro modo – replicou Voldemort. – Tenho que dominar a varinha, Severus. Domino a varinha e domino Potter, enfim.

E Voldemort cortou o ar com a Varinha das Varinhas. Ela não afetou Snape, que, por uma fração de segundo, pareceu pensar que sua execução fora temporariamente suspensa: então, a intenção de Voldemort se tornou evidente. A jaula da cobra girava no ar, e, antes que Snape pudesse dar mais do que um grito, ela o envolvera, a cabeça e os ombros, e Voldemort falava em linguagem ofídica.

Mate.

Ouviu-se um berro terrível. Harry viu o rosto de Snape perder a pouca cor que lhe restava, embranquecer, e seus olhos negros se arregalarem quando as presas da cobra se cravaram em seu pescoço, pois não conseguira repelir a jaula encantada para longe, seus joelhos cederam e ele caiu ao chão.

Lamento – disse Voldemort, friamente.

O Lorde das Trevas virou-se para sair; não havia tristeza alguma nele, remorso algum. Estava na hora de deixar a casa e assumir o comando, com a varinha que agora lhe obedeceria perfeitamente. Apontou-a para a jaula estrelada que continha a cobra, e ela se elevou, afastando-se de Snape, caído de lado no chão, o sangue esguichando dos ferimentos no pescoço. Voldemort saiu imponente da sala sem sequer olhar para trás, e a grande cobra acompanhou-o flutuando em sua enorme esfera protetora.

De volta ao túnel e à sua própria mente, Harry abriu os olhos: fizera sangrar os punhos mordendo-os na tentativa de refrear seus gritos. Agora ele olhava pela pequena fresta entre o caixote e a parede, observando uma bota tremendo no chão.

Harry! – sussurrou Hermione às suas costas, mas ele já apontara a varinha para o caixote que bloqueava sua visão. O objeto se ergueu uns três centímetros no ar e se deslocou sem ruído para o lado. O mais silenciosamente que pôde, ele se guindou para dentro da sala.

Não sabia por que estava fazendo aquilo, por que estava se aproximando do homem moribundo: não sabia o que sentia ao ver o rosto branco de Snape e os dedos tentando estancar o sangue no ferimento do pescoço. Harry tirou a Capa da Invisibilidade e olhou do alto para o homem que odiava, cujos olhos arregalados encontraram Harry ao tentar falar. Harry se curvou sobre ele; Snape agarrou a frente de suas vestes e puxou-o para perto. Um gargarejo rascante e terrível saiu da garganta do professor.

Leve... isso... Leve... isso...

Alguma coisa além do sangue vazava de Snape. Algo prateado, nem gás, nem líquido, jorrou de sua boca, ouvidos e olhos, e Harry percebeu o que era, mas não sabia o que fazer... Um frasco materializou-se no ar e foi empurrado em suas mãos por Hermione. Harry recolheu a substância prateada com a varinha. Quando o frasco se encheu e Snape pareceu exangue, ele afrouxou o aperto nas vestes de Harry.

Olhe... para... mim – sussurrou o bruxo.

Pansy não aguentara e se forçou a parar de ver aquilo.


– Saia daqui. – ela disse com a voz fria e arrastada.

– Eu… eu… – Potter tentou dizer, nervoso.

– Crucio! – ela lançou contra o garoto sem usar a varinha.

– Pansy, por fav… – Harry tentara berrar.

– Por que você não fez nada? Por que esperou Voldemort atacá-lo antes de tentar ajudá-lo? – Pansy sentia seus olhos encherem-se de lágrimas, mas a sua frieza e fúria eram tão grandes, que se ela não precisasse tanto de Harry para encontrar Avery, teria o matado ali mesmo.

– Eu não podia fazer nada se a cobra estav… – ele gemeu, mas Pansy fora mais rápida.

– CRUCIO! – ela berrou contra ele, vendo-o se encolher no chão. – Você viu o homem que salvou a sua vida por dezessete anos ser morto e não fez nada, Potter?

– Ele morreu para que Voldemort pudesse ser morto, Pansy! – Potter berrou. – Se eu tivesse aparecido antes, Voldemort teria matado a nós dois e eu nunca poderia saber do plano. Snape teria morrido em vão e Voldemort ainda estaria vivo!

– Você ao menos não teria ficado parado se… – ela berrava e a casa começava a tremer. Se ela lançasse Crucio em Potter mais uma vez, o lugar desabaria.

– ELE TERIA MORRIDO DO MESMO JEITO, PRA NADA! – Potter berrou mais uma vez. – ELE ACEITOU A MORTE, PANSY. DESDE QUE ACEITOU DEDICAR A VIDA PARA SALVAR O FILHO DA MULHER QUE ELE AMAVA! NÃO SEJA IDIOTA.

Pansy sentiu seu coração ser esmagado, porque sabia que, de alguma forma, Potter tinha razão.

– Saia daqui, Potter, ou eu vou matar você. – ela entoou com frieza e o garoto foi para o lado de fora, para desaparatar.

Pansy, que era a única que tinha permissão naquele local, desaparatou no mesmo instante.

Sua viagem a levou até a casa que Pansy vivera até o seu último ano em Hogwarts. Ela observou o local com um ódio muito maior do que o que ela já sentira na vida e apenas mentalizou em sua cabeça a vontade de deixar para trás tudo o que a feria. Esqueceria Daisy, seus pais, Severus, Blaise e até Draco. De maneira alguma, ela queria manter viva a lembrança dessa dor e aquela casa era o primeiro lugar que traria qualquer memória das suas perdas.

– Bombarda! – ela rosnou para a porta, que abriu numa fúria forte o suficiente para que quebrasse em pedacinhos.

Quando observou a casa que vivera a vida inteira, não viu quase diferença alguma, além de que o lugar agora era abandonado e envelhecido. A casa também parecia morta sem a luz de Elizabeth e o poder de Theodore. A garota tremia de um ódio insuportavelmente extremo e sabia que não conseguiria fazer nada sem se descontrolar e poderia até matar a si mesma. Por isso, ela apenas fechou os olhos e penetrou sua própria mente de forma profunda.

Severus, o que você fez? – Pansy perguntava com receio;

Snape não respondera. Pansy contornou o corpo do padrinho e se colocou de frente para ele, fitando agora os olhos do homem que via como pai.

Você… você fez… realmente? – ela perguntou mais uma vez.

Snape parecia não ter coragem de responder, porque evitava olhar nos olhos de Pansy. A garota, porém, apontou a varinha para o homem e sussurrou de forma rápida.

Accio varinha! – e o objeto voou para as mãos dela.

O que pensa que está… – Snape disse com a voz rouca.

Prior Incantato! – ela rosnou e a varinha revelou uma sombra no ar.

A sombra, porém, assumira a forma de uma luz verde e extremamente forte e, no meio da luminosidade, a sombra do rosto de Albus Dumbledore surgira.

Você o matou! – Pansy largou a varinha no chão. – Severus! Você matou Dumbledore.

O último inimigo a ser destruído é a morte… – ele sussurrou de forma fria e sombria. – Eu tenho que sair daqui. – Snape disse com pressa e, antes que Pansy pudesse dizer qualquer outra coisa, o homem pegou a varinha, disparou e fugiu, junto com os outros Comensais.

A garota voltou a abrir os olhos e se deparou com a sua casa novamente; a sua fúria estava misturada com uma pontada de dor. Queria se matar ali mesmo, mas não o faria; pelo contrário, não sofreria por mais nada. Para provar a si mesma de que era capaz, a garota segurou a própria varinha na mão trêmula e pensou duas vezes antes de pronunciar com seus lábios secos. Não sabia se arrependeria um dia, mas tinha certeza de que sua dor acabaria junto com um dos lugares em que ela passou toda a sua vida. Apontando a varinha para o cômodo, Pansy deu uma última olhada na casa que fora seu lar durante tantos anos e que possuía o eterno aroma de hortelã - o cheiro preferido de Daisy. Segura do que estava prestes a fazer, ela respirou fundo e sussurrou.

Fiendfyre!

Uma luz de cor vermelha jorrou da varinha de Pansy, um rugido semelhante a ruído advertiu a loura de que ela teria segundos para escapar e atingiu imediatamente o chão que, em questão de segundos, fora consumido por um fluxo contínuo de fogo extremamente poderoso. As chamas começaram a tomar um tamanho anormalmente grande e Pansy sacudiu um pouco a sua varinha, transformando a forma do fogo gigantesco em um dragão que consumia tudo à sua frente, se aproximando de Pansy numa velocidade anormal. O fogomaldito rugia com força e, quando ficou a centímetros de Pansy, a garota fechou os olhos e pensou n'A Toca.


Quando a loura desaparatou n'A Toca, sua cabeça parecia explodir. Ela ainda estava furiosa, mas o seu ódio extremo já passara só por ela ter descontado-o no fogomaldito que lançara em sua antiga casa, que nesse momento, já não deveria passar de um monte de cinzas. Pansy não fazia ideia do horário; na verdade, as luzes no local já estavam apagadas e ela presumia que já fosse madrugada. Ótimo; assim ninguém faria perguntas. A sonserina entrou silenciosamente, subiu as escadas e precisou passar pelo corredor do segundo andar para poder prosseguir e subir até o terceiro. Quando andava pelo corredor, passou pela única porta entreaberta e, ao se deparar com a luz do cômodo acessa, ouviu vozes. Sem saber de quem aquele quarto era e não querendo ser descoberta, apenas encostou-se à parede ao lado da porta e ficou quieta até que tivesse certeza de que pudesse passar.

– Você… você tem certeza? – Pansy reconhecia aquela voz irritante como ninguém; Granger gaguejava.

– É claro, Mione… – Ronald Weasley respondeu suavemente. – Há tempos queremos isso.

– Eu sei, mas eu tenho medo, Ronald! – ela disse com a voz trêmula e Pansy desejou que não estivesse ouvindo o que ela achou que estava.

– Vai dar tudo certo, você vai ver que não vai doer nada… – ele disse.

– Como você pode saber? Você não é mulher! – ela retrucou com raiva.

– Você está me deixando nervoso. Me deixe… tentar. – Ronald pedia com delicadeza e, a seguir, Pansy ouviu beijos.

Alguns segundos depois - em que a garota não desejava estar ali, mas sabia que se tentasse passar, eles ouviriam seus passos -, Hermione berrou.

– Você está me machucando! Vá devagar… – ela gemeu, com a voz trêmula.

– Eu,.. estou… tentando, é que… é apertado e…

Ugh. Pansy, definitivamente, não queria saber disso.

– Eu não… Ronald, eu não quero mais e… – a garota deu um gemido de quem sentira muita dor.

Ronald gemeu junto, mas estava claro que o gemido dele era de prazer.

– Eu estou dentro de você, tudo bem? Já passou, agora só… aproveite. – ele sussurrou e Pansy ouviu mais beijos, seguidos de gemidos baixinhos da sangue-ruim.

Como era possível? Até mesmo um casal de imbecis, que era uma sangue-ruim e um traidor do sangue, estavam felizes e juntos, enquanto Pansy tinha cada minuto do seu dia estragado. Já não bastava toda a merda que fora o seu dia, ela ainda tinha que presenciar os dois virgens tentando aprender a trepar juntos? E se Granger engravidasse, seriam mais sangue-ruins para aturar?

– Ron, não pare. – ela pediu baixinho e Pansy podia ouvir a cama balançar.

– Eu não vou parar, Mione. – e mais beijos.

Por incrível que pareça, os gemidos de Granger lembraram, vagamente, os gemidos de Astoria. E isso fez com que Pansy sentisse todo o seu ódio de novo, porque sabia que, talvez, nesse exato momento, Astoria poderia estar fazendo o mesmo com Draco. Provavelmente tentando imitá-la, ser melhor do que ela, na tentativa de deixar o garoto louco como Pansy sempre deixava. Isso lhe dava repulsa e, pior, fazia Pansy querer matar ambos por ousarem ficar juntos. A loura não sabia se sentia mais nojo ou ódio.

– Você é perfeita, Hermione… – Ronald sussurrou.

A sangue-ruim perfeita? Isso era só o que faltava. Pansy só podia estar sendo castigada por ter de ouvir aquele tipo de coisa depois de um dia tão merda e insuportável como aquele; suas mãos queimavam e sua cabeça iria explodir. Ela sentia o coração bater tão forte de raiva que, só da garota respirar um pouco mais forte com raiva, um dos quadros do corredor despencou da parede e bateu com força no chão.

– Você ouviu isso? – Hermione Granger disse imediatamente.

– Eu… eu ouvi. – Ronald respondeu baixinho. – Será que alguém nos viu?

– Eu não sei… – ela voltou a ficar com a voz trêmula. – É melhor… melhor… pararmos, sa-sabe…

– Parar? – ele disse com frustração. – Ficou maluca? Eu estou quase...

– M-mas...

– Eu não vou parar! – ele disse com irritação. – Deve ter sido aquela maluca da Parkinson tendo pesadelos com o Malfoy. Ela não vai acabar com a minha noite com você.

Mas o que diabos ele estava dizendo? O que Pansy tinha a ver com a noite nojenta deles? "Que se foda", a loura pensou. Weasley tinha acabado de lhe dar um motivo.

– Na verdade, Weasley… – ela disse suavemente perto da porta. – Eu pretendo acabar sim com a noite, da mesma forma que vocês acabaram com a minha.

Hermione ficou mais vermelha que a cor da Grifinória. Já Weasley ficou pálido.

– Como você se atreve? – ele rosnou, puxou a calça de moletom na ponta da cama e enfiou depressa por baixo do lençol, se levantando logo em seguida. Pansy sorria com deboche. – Você é completamente louca, Parkinson.

– Eu? – ela ironizou. – Louca é a sua namorada de ficar com você, Weasley. Na verdade, os dois são.

– Sua… sua… – ele procurava a varinha no bolso da calça.

– Você vai tentar me atacar de novo, Weasley? – ela deu uma risada fria e irônica. – Para fracassar de novo?

Estup... – ele tentou pronunciar, mas antes que conseguisse, Pansy se defendeu rápido o suficiente para que ele fosse lançado contra a parede. Granger deu um gritinho.

– Como é mesmo a sua música de fracasso? – ela disse com suavidade. – Weasley não pega nada, não bloqueia aro algum… É por isso que todos os sonserinos cantam: Weasley nasceu no lixo, sempre deixa a bola entrar; a vitória já é nossa, Weasley é o nosso rei! – seu sorriso sádico fazia o prazer de tortura psicológica relaxar o seu corpo.

– Cale a boca, sua filha de uma p... – pela primeira vez, Weasley conseguira lançar um feitiço só com o movimento das varinhas e, apesar de Pansy conseguir amenizar, ela foi lançada contra a parede também.

– Você vai se arrepender, seu verme… – ela disse com fúria. – Cruc

– NÃO! – Granger berrou e se lançou na frente de Weasley, defendendo-o do feitiço com a varinha. Ela se vestira e Pansy nem reparou. – Você não vai machucá-lo outra vez!

– Você pode apostar que eu vou, sua sangu… OUTCH. – ela berrou e, antes que pudesse pensar, fora lançada outra vez contra a parede, mas dessa vez com força.

Não houve mais palavras. As duas eram bruxas tão poderosas, que mesmo sem a varinha, elas podiam lutar, sem sequer pronunciar os feitiços que usavam. Ronald tentava, no canto do quarto, ajudar Hermione, mas qualquer coisa que ele começava a fazer, Pansy impedia só de olhar para ele. Pansy estuporou Granger mentalmente, mas ela bloqueara o feitiço e, em poucos segundos, a loura estava no ar, com as pernas presas, o que parecia ser o feitiço Locomotor. A loura conseguira se soltar após se debater no ar e, quando tombou no chão, Granger fora também lançada ao chão, mas dessa vez, pelo feitiço Incarcerous, que a deixara amarrada por cordas. Como lutar contra a própria Granger estava difícil, Pansy mentalizou "Estupefaça" e apontou a mão para Weasley, que caiu no chão, inconsciente. Elas permaneceram um bom tempo atacando uma a outra, até que Pansy simplesmente notou que não teria mais nada a perder, mentalizou o seu ódio pela sangue-ruim e, em um sussurrou de forma fria.

Avada Kedavra!

O jato de luz verde voou em direção de Granger, que em um movimento rápido das mãos, fez com que o feitiço ricocheteasse e voltasse contra a Pansy. A garota, que percebera, mentalizara "Protego Horribilis" e o jato de luz sumiu no ar. A loura preparava-se de novo para lançar a maldição da morte até que a mesma atingisse a sangue-ruim que, merecia mais do que tudo, morrer. Porém, quando Pansy mentalizou as palavras, Hermione Granger conseguiu ser infinitamente mais rápida.

SECTUMSEMPRA! – o jato de luz voou das mãos da garota e atingiu Pansy em cheio no peito, causando a mesma sensação de uma espada afiada penetrando cada camada de sua pele.

A garota caiu no chão e já não via praticamente mais nada além da imagem retorcida, assim como a dor de ter o seu peito cortado daquela forma brusca era a pior coisa que sentira na vida. O sangue jorrava ao seu redor e Pansy sentia cada segundo da sua vida sendo consumido; ela não passaria de dois minutos...

Como Pansy morreria com o feitiço inventado por seu próprio padrinho?A loura achou que talvez Granger fosse mudar de ideia, mas tudo o que vira foi a morena correr para o canto e despertar Rony, tirando-o dali imediatamente. Pansy realmente morreria sozinha.

– Vo… você… vai mesmo me deixar mor… morrer, sang… sangue-ruim? – ela sussurrou com dor e raiva, o que fez Hermione voltar.

A morena se ajoelhou do lado dela, fitou-a com uma seriedade desconhecida e, com uma frieza irreconhecível, entoou:

– Sabe que eu não sinto absolutamente nada quando você tenta me fazer de inferior ao me chamar de sangue-ruim? Sabe por quê? – ela cuspiu as palavras. – Porque você não passa de uma merda, Parkinson. Uma merda que perdeu tudo e não sabe amadurecer com as perdas.

– Sua… puta… – Pansy gemeu.

– O mundo não gira ao seu redor, Parkinson. – Granger disse com frieza. – Nem mesmo você sendo tão poderosa.

– Você sabe que eu vou ter… a... a cicatriz eterna desse… seu… seu feitiço. Eu vou… morrer com uma mar… marca sua. – Pansy gemeu.

Hermione a fitou com mais seriedade.

– Todos nós temos uma marca que nos custa a sanidade, não é mesmo? – a morena ergueu o braço, puxou a manga e deixou exposta a cicatriz enorme em seu braço que Bellatrix lhe deixara na Mansão dos Malfoy, a qual dizia "sangue-ruim".

Pansy gemeu de repulsa. Não de Granger, mas porque a cicatriz lembrou-lhe as marcas que Avery deixou em seus pais, que diziam "traidores" por todo o corpo deles. Na verdade, lembrou especialmente a sua mãe, que fora a mais afetada. A cicatriz de Granger fora como um tapa na cara de Pansy. Porém, antes que a loura pudesse demonstrar qualquer arrependimento, Hermione apenas levantou e saiu do quarto, dando-lhe as costas.

Seus sentidos foram enfraquecendo e, aos poucos, a sonserina perdia a força para respirar, pensar e até sentia os batimentos cardíacos diminuírem devagar. Seu corpo sangrava ao extremo e a ferida em seu peito ardia com uma dor indescritível, de forma que sua visão, cada vez mais, escurecia. Pansy contemplou o teto pela última vez, fechou os olhos, parou de se mover permanentemente e viu, em sua mente, a imagem de uma corça prateada vagando…


Vulnera Sanentur! – alguém sussurrava suavemente e repetidas vezes, enquanto Pansy sentia cada pontada de dor se enfraquecendo à medida que a a pessoa repetia o feitiço.

Ela não sabia se aquilo já fazia parte da sua morte ou algo do tipo, mas teve certeza de que estava viva quando seus batimentos cardíacos, aos poucos, voltaram a acelerar e sua respiração melhorava à medida que seus cortes cicatrizavam. A garota não reconhecia bem a voz de quem executava o feitiço, talvez estivesse tonta demais para fazê-lo. Contudo, quando se sentiu firme o suficiente para abrir os olhos sem sentir dor, ela não demorou.

– Potter? – ela gemeu com espanto.

– Fique quieta. Vulnera Sanentur! – a dor em seu peito estava quase curada e Potter, ajoelhado ao seu lado, repetia os gestos exatamente como Snape fizera em sua memória.

– Por… quê? – ela perguntou em outro gemido, sentindo seus olhos repletos de lágrimas.

– Porque… Eu entendo a sua dor. – ele disse com suavidade, pronunciando uma última vez o feitiço e, em seguida, guardando a varinha. – Sei que eu poderia ter enfrentado Voldemort e defendido Snape. Mas ele morreria… – Potter disse com a voz embargada. – Você… Tem ideia do que é descobrir que alguém protegeu você a vida inteira e, enquanto isso, você apenas o odiava e desejava que ele sofresse? Achava que ele queria vê-la morta, quando, na verdade, ele queria exatamente o contrário? Eu nunca tive a oportunidade de dizer um "obrigado", Pansy. Eu nunca pude olhar Severus Snape nos olhos e dizer que ele é o homem mais corajoso que eu conheci. Eu… Nunca vou poder demonstrar a minha gratidão. Eu teria feito tudo para salvá-lo. E o que me fez ter coragem de me entregar a Voldemort naquela noite, foi a coragem de Snape em se entregar à morte, pela minha mãe. Você sabe do que eu estou dizendo…

– Eu… Eu sei. – ela sussurrou. – Eu só nunca vou poder dizer nada do que eu preciso a ele de novo.

Antes que Pansy pudesse se dar conta, ela já estava em lágrimas. Ela sentou-se e Potter passou o braço em suas costas, sabendo que poderia até morrer por isso. Mas, ao contrário do que ele esperava, Pansy o abraçou pela cintura e jogou a cabeça em seus ombros, chorando de forma desesperadora. A loura não percebeu, mas Potter também chorava baixinho e acariciava os cabelos de Pansy de forma amigável. A sonserina não sabia bem porque confiava tanto em Potter, mas, em algum lugar dentro dele, ele conhecera Snape como ela conhecera, diferente de todas as outras pessoas. E, se Snape lutou uma parte da sua vida para proteger o garoto, talvez Potter valesse um pouco à pena.


No dia seguinte, Pansy acordara com uma dor insuportável no peito e notou que a cicatriz em sua pele era horrível. Sentira um ódio anormal de Granger e todo o arrependimento que sentira, na verdade, se transformara em nojo. Se a sangue-ruim tinha aquela marca no braço, era porque merecia, diferente dos seus pais, que foram acusados de forma injusta.

Só quando se levantou, é que se deu conta da dor que sentia por todo o corpo. Não só pelo feitiço de Granger, mas por todo o duelo, em que ela batera diversas vezes na parede e no chão. Ela mancava e andava bem devagar; seus lábios estavam inchados, o olho estava roxo e muitos cortes ocupavam o seu rosto. Por sorte, quando fora ao Beco Diagonal, a sonserina comprara uma Poção Embelezadora, a mesma que Snape ensinou na aula em que Draco invadiu sua mente. Ela tomou todo o frasco, que só removera o olho roxo e alguns cortes. Os lábios permaneceram inchados e ainda havia alguns cortes visíveis que a poção não era forte o bastante para curar.

Teve sorte de não ver Granger durante o dia. Considerando o seu estado, a Sra. Weasley deu tarefas mais leves à Pansy, que exigiam apenas o uso das mãos, como cozinhar o almoço e lavar a louça. Quando terminou seus deveres, ficou livre para o que quisesse. Ela queria sair para beber ou fazer alguma coisa que prestasse com Daphne - que não parava de questionar o que eram aqueles cortes; Pansy só dissera que descontrolou a magia com ela mesma -, mas Molly Weasley não permitiu que ninguém saísse d'A Toca próximo do anoitecer, porque Kingsley Shacklebolt viria jantar e faria um comunicado importante.

Pansy treinou sozinha no jardim um pouco da sua magia e notou um controle maior do que ela imaginava, considerando que, nos últimos tempos, as aulas de Oclumência com Potter a ajudaram bastante a controlar o que quisesse. Até na hora de raiva ela já tinha algum controle mínimo, mas ela precisava se esforçar muito para isso. No entanto, ela quase derrubou uma velha árvore que estava no jardim da família há anos e a Sra. Weasley a proibiu de treinar magia ali, antes que ela demolisse a casa.

Na hora do jantar, a mesa estava com um verdadeiro banquete que Pansy nunca vira antes. Pratos com bifes, frangos e carnes ocupavam quase tudo, entre pratos decorados com ovos, peixes e saladas. Havia comida para todos os gostos, mas o prato principal eram os pastéis ingleses, recheados de ingredientes que Pansy adorava. Porém, o jantar só fora permitido quando Kingsley Shacklebolt chegou e se sentou à mesa, sendo o primeiro a se servir. Todos comeram apressados e esfomeados, degustando e aproveitando cada deliciosa refeição do banquete. No intervalo entre a janta e a sobremesa (um manjar branco que Molly passara a tarde preparando), finalmente Kingsley anunciara suas intenções com a visita.

– Silêncio, por favor.

Ele pediu educadamente e todos ficaram quietos.

– Amanhã, no Profeta Diário, será publicado um comunicado oficial sobre as Repúblicas-Refúgio.

– Ahn… Senhor? – Granger perguntou, pela primeira vez na vida não sabendo o que algo significava.

– As Repúblicas-Refúgio, senhorita. Uma nova lei do Ministério da Magia que abriga todos aqueles que perderam as famílias na Guerra.

O burburinho na mesa não demorou a começar.

– As Repúblicas-Refúgio serão moradias construídas pelo Ministério em diferentes regiões do mundo mágico para todos que, de alguma forma, passaram a ter necessidades depois da Guerra. O nosso foco, primeiramente, enquanto as aulas em Hogwarts não são retomadas, é abrigar todos os alunos que perderam suas famílias. Todos serão bancados pelo Ministério até que se formem. Os menores de idade ficarão abrigados com voluntários que se ofereceram a morar nessas Repúblicas, enquanto os maiores de idade poderão morar por conta própria, dividindo a República com, no máximo, outros cinco moradores. – Kingsley explicou com paciência.

– É uma ideia sensacional, Ministro. – Arthur Weasley exclamou.

– Iremos dar aos estudantes oportunidades de recomeçar suas vidas e ofereceremos uma mesada mensal de alguns galeões para que possam se sustentar enquanto estiverem na escola, principalmente em relação ao material escolar.

Por que Pansy não esperara mais um pouco para comprar o seu material?

– Mas por que comunicar pessoalmente a nós, Ministro? – Molly questionou.

– Ora, porque temos uma concentração de órfãos aqui. – ele disse, só depois se dando conta de que o comentário fora infeliz. – Ahn… Todos terão oportunidade de se inscreverem no Programa, caso queiram. Os menores de idade serão obrigados a participarem.

– Entendo… – Molly completou.

– Vejamos… – Kingsley desenrolou um pedaço de pergaminho. – Srta. Pansy Parkinson, Srta. Daphne Greengrass, Srta. Astoria Greengrass e Sr. Harry Potter. Todos vocês são maiores de idade, exceto Astoria Greengrass. Como a Srta. Daphne Greengrass já completou dezessete anos, ela pode ser a guardiã legal de Astoria, caso concorde. Caso a Srta. não se interesse pelo Programa, Astoria será encaminhada à uma das Repúblicas para morar com outro guardião voluntário. Quem se interessar, preencham esses formulários.

Pansy fora a primeira a preencher, por motivos óbvios. Além de querer se livrar d'A Toca, não via a hora de conquistar a sua independência. Daphne também não fora nenhuma surpresa, embora ela pedisse um tempo para que Astoria desse a sua resposta. Por que Astoria não concordaria em morar com Daphne? A surpresa fora Potter se oferecer para morar na República, com a justificativa de que precisava começar a caminhar sozinho, agora que não voltaria para Hogwarts e iniciaria sua vida como auror. Kingsley Shacklebolt oferecera vagas de aurores para Hermione Granger, Ronald Weasley e Harry Potter pelo brilhante desempenho na Guerra de Hogwarts. Tamanho talento não exigia mais um ano em Hogwarts para que se formassem. Granger não aceitou, porque não tinha desejo em agir naquela área do Ministério, mas Potter e Weasley não recusariam nem sob tortura. Pansy sabia disso tudo pelo acesso às memórias de Potter.

Quando o Ministro estava se preparando para ir embora, ele informou que, provavelmente, a República-Refúgio de quem se inscreveu seria uma única para todos eles, já que já possuíam um histórico aceitável de convivência e "a Srta. Parkinson precisava de companhias que soubessem lidar com sua magia excessiva." Ninguém se opôs, porém, no momento em que Kingsley se despediu, alguém passou gritando pelos jardins.

– Kingsley! Espera! Eu quero me inscrever também! – Hermione Granger corria em sua direção. – Meus pais estão desaparecidos na Austrália, não conseguimos rastreá-los. Sou dependente financeiramente e passarei o último ano em Hogwarts.

– Muito bem, Srta. Granger, lhe inscreverei na República e você poderá se acomodar com as Greengrass, o Potter e a Srta. Parkinson.

Pansy gelou e sentiu o seu peito encher-se de raiva por saber que teria de aturar Granger até quando ficaria independente. Hermione, por sua vez, sorria com um prazer quase sádico, lançando um olhar fuzilante à loura.