A fêmea perfeita

Capítulo 1.

Putz! Capítulo superdifícil. Obs: tem drama, muito drama. Obrigada a Giiz, k_re_kagome e joh chan. Estou sem tempo para responder, mas me digam o que acharam desse novo rumo que a história tomou e a próxima eu respondo.

Obrigada ttambém a reviewer que denunciou a cópia dessa fic. Já tomei as providências necessárias. Beijos e aproveitem.

- Por favor, Sango, atenda! - Kagome quase pensou em roer as unhas de tanto nervoso (mas suas unhas estavam tão bonitas, tinha feito em casa mesmo, não estava com tempo nem dinheiro para ir no salão, e..ah! Isso não importava agora!).

Sua ligação está sendo encaminhada para a caixa de mensagem.

Era só o que faltava. Seu irmão Souta tinha feito o favor de atender o seu celular e dizer à Sango que eles estavam na casa de Inuyasha, pior, que ele ia se casar com Inuyasha! Pelo que conhecia da amiga, ela era mimada, extravagante, cabeça-dura, mas nunca, nunca apoiaria uma injustiça. Ela deveria conhecer bem o casal Inuyasha e Kikyo Taisho, para convidá-los para serem padrinhos de seu casamento! Kikyo já devia estar sabendo de tudo uma hora dessas. E logo Inuyasha saberia que Kikyo sabia. E Kagome sabia que tudo ia dar errado.

A garota passou a mão pelo rosto. Isso não estava nos planos. Ela já tinha conseguido o que queria: sua mãe seria cuidada por profissionais qualificados, ela não precisava de Inuyasha mais. Era só quebrar a ligação e não vê-lo nunca mais. Não ter que olhar naqueles olhos dourados nunca mais. Seu coração se apertou.

- De novo com essa cara? - Souta disse, as mãos nos quadris. - O que há com você, vão cuidar de mamãe e olha essa casa! Você até arrumou alguém para casar com você.

- Cala a boca, Souta - Kagome falou baixo, novamente ignorando a parte "você até arrumou alguém para casar com você".

- E eu não vou mais para escola, serei um aliado youkai! - Souta pareceu bastante animado. Que menino não gostaria de nunca mais ter que ir para a escola? Colocou a mão no queixo, analisando: - Quem sabe não consigo a vida eterna também e aprender a voar!

"Youkais não têm vida eterna e não podem voar", Kagome pensou, irritada. Explodiu:

- Você vai para a escola, SIM! ENTENDEU? Você vai ser um garoto normal! EU vou ser uma garota normal! NÃO VAI Haver casamento algum! - Kagome finalmente se levantou do sofá, esbravejando o que estava entalado em sua garganta. Souta deu um passo para trás, atemorizado. - E escuta aqui, MOCINHO! É...- ela pretendia continuar, mas o celular tocou. - Espere um minuto. Sim?

Souta aguardou enquanto ela falava no celular. Eram muitos "aham", "entendo", "desculpa", "mil perdões", "desculpa de novo", "não foi por causa do Inuyasha". Kagome apertou o botão de encerrar chamada, o coração doído. Por um segundo achou que pudesse ser Sango.

- Quem era?

- O meu supervisor. Vou ter que ir devolver o uniforme. É, acho que sou uma desempregada.

- Você não precisa de emprego, tem tudo isso aqui. Senhora Izayoi disse.

- Souta - Kagome estreitou os olhos para ele.- Vai me dizer que vai jogar tudo fora? E o Inuyasha te ama! Ele te chamou de amor - Souta colocou o dedo para cima, em um gesto indicativo

Kagome deu um riso triste. Se Souta soubesse. Ela estava bem longe de ser o amor de Inuyasha, estava mais para encubadora de filhotes. O meio-youkai já tinha uma amor e, se não fosse essa tradição estúpida, ela jamais teria o conhecido. Talvez visto de longe no casamento de Sango, uma troca de olhares ocasional. Mas não como agora: morar na casa dele, dormir na mesma cama que ele (só dormir, heim?). Vendo agora, seria melhor se não tivessem se conhecido.

- As coisas não são tão simples assim, Souta.

- Você não vai arranjar ninguém que ame você - ele cruzou os braços, aborrecido, como um neném chorão. Onde que eles teriam outra chance dessas, de viverem em uma casa como aquela e ainda com uma família youkai! Ela não podia ser tão burra de não querer aquilo!

A irmã era acostumada a fazer as vontades dele, sempre mimando e protegendo ele, fazendo o possível com os poucos recursos da família Higurashi. Mas dessa vez, não poderia atender seu pedido. Até que pensar em ficar com Inuyasha não soava tão mal. Como Souta havia dito: era muito difícil ela arranjar outra pessoa para se casar com ela, não era boa em relacionamentos e homens e paquera. Mas isso significava custar a felicidade de Inuyasha. Ele tinha a Kikyo, Kagome não queria ser um estorvo. Se fosse assim, preferia ficar sozinha para sempre.

- Mas eu ainda tenho você, não é mesmo? - ela olhou para o irmão, os olhos melancólicos. Souta apertou os braços, as bochechas vermelhas - podia ver a dor e carência no olhar da irmã. Ela conseguia ser tão irritante às vezes. Depois disso, não conseguiria ser grosseiro.

Ouviram Izayoi chamar. Era hora de ir para o hospital e arrumar a cirurgia o quanto antes. Pelo menos algo para deixar Kagome animada, os deuses não podiam deixar as coisas darem errado em tudo.

- Depois vamos conversar direito sobre isso.

- Eu só espero que não esteja fazendo nenhuma burrada, mana - Souta seguiu a irmã, ainda visivelmente aborrecido.

"Eu também espero que não..", Kagome pensou, lembrando-se dos poucos, mas vivídos momentos com Inuyasha. O celular vibrou em sua bolsa:

- Souta, vai na frente! Fala que eu já estou indo.

- T-tá - o menino gaguejou, sem entender.

- Kagome - a voz era fria do outro lado.

- Sango - ela segurou o celular, abafando a sua fala com a mão. Foi direito ao assunto: - Souta me disse o que contou para você. Essas crianças de hoje em dia! E olha que nem é dia da mentira - tentou parecer divertida.

- Então não é verdade?

- Eu me casar? Até parece, né, Sango! Não sei da onde Souta tirou isso. Sabe que ele adora me importunar.

A linha ficou muda uns instantes.

- Nossa, que alívio! Pensei que eu teria uma bagunça entre os meus padrinhos. Ia ter que organizar tudo de novo - "Era por isso?", Kagome pensou, uma gota na testa. - Eu e Miroku estávamos pensanso em visitar o Inuyasha...

- Não! Vocês vão vir aqui?

A linha ficou muda de novo, Sango tinha jogado verde. Kagome percebeu na hora o que tinha feito:

- Sango, Sango! Temos que nos encontar, vamos conversar!

- Kagome, como você me faz uma coisa dessas? Inuyasha é noivo! Noivo da minha amiga. Vai me dizer que não sabia? Eu sempre achei ele estranho, mas não sabia que ele era um cafajeste! E você metida em uma dessas, Kagome! - Sango não parava de falar. Pensou em Miroku, achava que o prêmio de homem mulherengo ia para ele, mas pelo visto estava errada.

- Por favor, Sango, é complicado. É uma tradição youkai, é muito complicado! - andou de um lado para o outro, agoniada, passando a mão nos cabelos. Como tinha dado um grave daqueles?! Se Kikyo soubesse! Se Inuyasha soubesse! Parou. - Só prometa que não vai contar para ninguém!

- Não posso prometer isso - Sango pensou em Kikyo, em como os olhos dela brilhavam ao falar de Inuyasha. E em como seu coração ia se quebrar quando soubesse daquilo.

- Prometa, Sango!

- Ok - a amiga disse, depois de uma certa relutância. - Quando?

- Eu tenho que ir no hospital ver a cirurgia da minha mãe - Kagome disse e seu coração se aqueceu. Era tão bom poder falar que a cirurgia ia dar certo. Pelo menos isso de bom. - Depois disso estou livre. Nos vemos ainda hoje, Sango.

X

- Alguém em casa?

Inuyasha estava relaxado. Depois de uma tarde romântica com a noiva - eles mais namoravam que estudavam naquela faculdade -, sua alma estava leve. Parecia que tudo estava dando certo. Colocou as chaves em cima da mesa de entrada e andou pela sala. Ninguém à vista, no salão também ninguém. Até os funcionários da mansão pareciam ter desaparecido. Myoga estaria fazendo o que lhe pediu e pesquisando sobre a quebra da ligação? Ele próprio não sabia por onde começar.

Entrou na cozinha e deparou-se com alguém sentado à mesa. Kagome estava encolhida, uma expressão de horror estampada em sua face. Ela nunca tinha visto nada parecido em toda a sua vida não havia nada tão assustador quanto aquilo. Eram carrinhos de bebês, fraldas, roupas, bonecas, tudo girando em sua cabeça. Depois de resolverem a papelada no hospital, Izayoi levou-os para dar uma passeada no shopping. Era uma armadilha. O pior era que Souta apoiava Izayoi, entusiasmado com cada brinquedo novo que a mulher comprava para o "futuro neto". Era um crápula .

- Oi, Kagome! - Inuyasha passou a mão na frente do rosto dela, querendo chamar sua atenção. - O que aconteceu?

Ela apenas balançou a cabeça, incapaz de tirar as cenas traumáticas de sua mente.

- Acho que essa família não está fazendo bem para você - ele foi até a geladeira. - Quer um pouco de suco?

Kagome seguiu ele com o olhar. Será que ele nunca tinha passado por isso? Por aquele pesadelo que não parecia ter fim e te arrastava cada vez mais para o fundo. Ela abriu a boca para tentar dizer algo, era indescrítivel o temor que sentia. Seu celular vibrou.

- Inuyasha! - o nome saiu de uma vez.

- Oi, vai com calma - ele se aproximou com um copo de suco para ela, já bebendo o seu. - Você precisa relaxar um pouco.

- Inuyasha, eu tenho que sair! - o nome Sango vibrou no display. Com toda a enrolação de Izayoi, ela tinha se esquecido completamente.

- O que houve? Para onde você vai? - ele franziu o cenho, deixando o copo na mesa.

- Eu...- ela parou para pensar. Gaguejou: - Tenho que devolver meu uniforme, eu não vou mais trabalhar na torteria, lembra?

- E precisa ser hoje? Já são sete horas.

Inuyasha olhou para o grande relógio na parede branca. Haviam vários círculos dentro dele, dispostos quase um em cima do outro: cada um com dois ponteiros, um com três ponteiros. Kagome se perguntava como eles coseguiam ver as horas ali.

- Precisa! Hoje, agora! - ela falou com brusquidão e ele a olhou confuso. - Houjo precisa do uniforme para nova funcionária.

Fêmea...cuidar.

- Eu levo você.

- Não! - de novo ela o assustou. - Você deve estar cansado e..

- Por que vocês adoram fazer bagunça na minha casa? - o youkai adentrou o local, com cara de poucos amigos.

- Cai fora, Sesshomaru - Inuyasha respondeu. - E essa não é sua casa.

- Meu pai, minha mãe, minha casa.- Izayoi não é sua mãe!

- Eu não vou ter que explicar de novo, não é? - Sesshomaru massageou as têmporas.

Kagome balançou a cabeça. Que Izayoi era reencarnação da mãe de Sesshomaru e que agora era casada de novo com o Papai Taisho e tiveram Inuyasha e que na outra vida ela era youkai, mas nessa nasceu como humana, por isso Inuyasha era meio-youkai. Ah, não precisava explicar de novo, não.

- De qualquer forma, eu só vim comer um pouco.

- Você cozinha? - Kagome viu Sesshomaru pegar os utensílios de prata. Ele lançou-lhe um olhar de aviso e a garota arrepiou.

- Ah! Esse panaca consegue fazer um miojo e olhe lá! - Inuyasha caçoou, cruzando os braços.

- Amor - Inuyasha virou-se assustado quando Kagome o chamou, ela entrelaçou o braço no seu. - Deixa isso para lá, onde estávamos? Você disse que íamos sair?

- Kagome, você está bem? - ele não lembrava-se de ter sido ele quem precisava ir pra algum lugar.

Sesshomaru fingiu estar alheio a conversa, concentrado em seu miojo.

- Já disse que te amo hoje? - Kagome falou e uma gota caiu pela fronte de Inuyasha.

O que tinha de errado com ela? Ele franziu as sobrancelhas, tentando arranjar algo para responder - quando a conversa tinha se tornado tão incoerente?

- Eu adoraria que você me levasse - ela falou o "adoraria" pausadamente.

O meio-youkai estava pronto para chamá-la de louca ou algo assim. Mas ela foi rápida e tocou os lábios nos dele. Demoradamente, ela moveu os lábios sobre os dele, puxando a gola de sua camisa. "Nota dez pela atuação, Kagome!", ela pensou em como as brincadeiras infantis de teatrinho serviam de alguma coisa. Era uma nora exemplar! A garota separou-se dele, fazendo barulho e Inuyasha estava absorto. Viu os olhos dela bem perto, brilhando para ele, e seu corpo vibrou.

- Vou te esperar no carro.

Inuyasha tocou os próprios lábios. Havia beijado Kikyo naquela tarde mesmo, mas era diferente. Não conseguia explicar, o beijo de Kagome era apenas diferente dos que ele já tinha dado. Seguiu a menina, ainda com os dedos sobre os lábios. Sesshomaru continuou enrolado com seu miojo.

A pequena viagem foi dada a maior parte em silêncio. O carro preto saiu pelos portões e Kagome sentiu uma pontada no peito. Aquela mansão, que também era sua agora, virando um pequeno ponto distante. Talvez ela estivesse fazendo uma bobagem mesmo em deixar tudo para trás. Poderia deixar Kikyo ficar sabendo de vez e ela ficaria tão brava, com o coração tão partido, que terminaria o noivado. Era o que Kagome faria em seu lugar qualquer mulher faria. E então Inuyasha estaria livre para ela. Olhou de soslaio para o rosto do meio-youkai, ele parecia calmo. Mas seus olhos dourados não brilhariam assim se Kikyo terminasse com ele, ela sabia disso. Inuyasha seria infeliz e Kagome não poderia conviver com a dor dele. Estava em un beco sem saída. Kagome suspirou e ele a olhou.

- Eu gostei do que você fez. - ele piscou, desviando um pouco os olhos da direção. - Gostei do beijo.

- Cala a boca, Inuyasha - ela estava irritada com toda aquela situação.

- Ora - Inuyasha avermelhou-se. Ainda mais pelo que ia dizer: - O que tem de errado com você? Você me beija e depois me manda calar a boca - tentou buscar o olhar dela, mas ela olhava para longe na janela agora..

- Só quero que isso termine logo...- Kagome falou baixo.

Inuyasha arregalou os olhos. Ela queria que acabasse. Ela também queria que acabasse. Mas claro, no que estava pensando. Não havia dúvidas, ele tinha escolhido a Kikyo. Ele escolhera o amor que se formara nessa vida, não a ligação de alma que tinha desde as outras (de acordo com a tradição). Kagome e ele nunca teriam um relacionamento, eles haviam escolhido isso. O meio-youkai fechou a cara e fizeram o resto do trajeto em silêncio, cada qual perdido em seus pensamentos.

O meio-youkai sentiu uma leve tensão quando estavam se aproximando do ponto de chegada, Kagome moveu-se rápido para tirar o cinto:

- Não desce do carro! - Kagome mal deixou que o carro estacionasse direito.

- Mas, Kagome! - ele chamou, mas ela já tinha sumido dentro da lojinha. - Fêmea louca! - ajustou o som e recostou-se no banco.

Kagome estava com o coração na mão. Viu Ayumi sorrir para ela enquanto atendia uma cliente e Houjo a cumprimentou. Que saudade de tudo aquilo! Nunca pensou que teria tantas saudades de trabalhar naquele lugar. Seu sonho era mesmo estar entre papéis e processos, mas o chero das tortas nunca sairiam de seu coração. Houjo falou algumas coisas rápidas sobre a demissão com ela (nada que ela não soubesse), depois apontou a cabça para a porta atrás do balcão. Sango a esperava no lugar em que as funcionárias se trocavam. A garota foi com cuidado até a amiga, mas ela já estava a ponto de explodir.

- É verdade, não é? - Sango tinha lágrimas nos olhos. Rezou muito para que aquilo não fosse verdade.

- Sango, por favor. É uma tradição youkai..

- Vocês não tinham o direito! Quem pensam que são para brincarem com os outros assim? - a amiga elevou a voz, como quando algo não acontecia do jeito que ela queria.

Sango estava com muita vontade de bater em Kagome, descontar toda a sua frustação nela (uma briga em um trocador não seria nenhuma novidade).Claro que Kagome sabia disso, pelo jeito que a outra a olhava. Mas não estava errada, não sairia como vilã da história:

- Cala a boca e deixa eu explicar!

E Kagome explicou desde o começo. A perseguição de Inuyasha, a necessidade que ele tinha de estar com ela, o cheiro que o atraia. Tentou lembrar a todo o momento que Inuyasha era um meio-youkai e era comandado por tradições. Não era culpa deles, eles não queriam. Suspirou, cansada:

- Estamos tentando desfazer isso..

Sango olhava-a, desconfiada. Sabia que youkais eram diferentes de humanos, mas aquilo já era demais. Tentava procurar algum traço de mentira no rosto de Kagome, mas lá só havia dor. Foi como quando Sango emprestara um vestido para Kagome quando eram crianças. Durante uma brincadeira, uma colega derrubou suco no vestido branco e Kagome chorou. Chorou e chorou de culpa. Sango perdoou a amiguinha, afinal, não fora culpa dela. Não sabia se poderia perdoá-la agora.

- Dormiu com ele? - perguntou, os braços cruzados.

Kagome assustou-se:

- Pelos deuses, claro que não!

- Beijou ele?

- Eu fui obrigada! - lembrou-se do olhar sombrio de Sesshomaru. Se bem que teve o beijo de agradecimento por Inuyasha ter ajudado sua mãe. Sango não precisava saber disso.

- O que sente por ele?

- Nada, Sango! Sinto gratidão! Ele ajudou minha família, é isso que sinto.

- Não importa, Kagome - Sango passou a mão na cabeça, nervosa. - Está morando com um homem comprometido! Sabe o que isso faz de você? Uma vadia!

Kagome estreitou os olhos. Já tinham chamado ela assim, mas dessa vez sabia que Sango tinha usado no sentido pejorativo. Se ela soubesse que eles dormiam na mesma cama...

- O importante é que vamos resolver isso. Só preciso que guarde segredo. Por enquanto, prometa, Sango!

A amiga até balançou a cabeça de um lado para o outro, de costas para ela. Era informação demais para uma pessoa só. Tudo confuso e errado demais.

- Me desculpa.

- Vamos, Sango! Não sabe guardar um segredo? - Sango não era muito boa nisso. Era difícil brincar de pique-esconde com ela quando ela era encontrada e contava onde os outros estavam.

- Me desculpa, Kagome. Eu já contei..

X

O carro de Inuyasha pareveu voar. Ele não dava setas nem respeitava os sinais. Estava à noite e isso só deixava a situáção ainda mais perigosa. Kagome estava agora rezando pela sua vida. Um outro carro buzinou quando ele fez uma ultrapassagem perigosa. Era pequeno. O próximo era um caminhão e Kagome pensou se Inuyasha o enfrentaria. O meio-youkai não pensava em nada, apenas na mulher de cabelos longos e pele pálida. Kikyo não atendia o celular.

- Por que não me contou que a Sango sabia? - a voz dele era cheia de raiva.

Kagome não respondeu. Já era difícil estar naquilo, não abriria espaço para mais uma briga. No final das contas, não era culpa dela mesmo! Ela nunca quis! Tentou afastar Inuyasha quando soube da Kikyo, mas ele ficou no seu pé! Era culpa dele estarem naquela situação! Era culpa dele ela estar se apaixonando!

- O que eu faço? - ele bagunçou os cabelos prateados. Dizia aquilo mais para si mesmo. - Deixo você em casa e depois vou na casa dela?

- Me deixa em casa - Kagome disse baixo. O caminhão buzinou e não deixou a ultrapassagem. Ela aumentou a voz: - Me deixa em casa!

O meio-youkai pensava em cada minuto no que havia feito. Claro que tinha sentimentos por Kagome, senão não teria ido atrás dele. Sentimentos forçados pea tradição, mas eram sentimentos. O que fez ele escolher Kikyo acima disso foi essa urgência: pensar em perder Kikyo era intolerável. Kagome não conseguia preencher essa parte.

Inuyasha dirigiu com fúria até o condomínio. Mal deixou que o porteiro liberasse sua passagem. Era uma rua inteira só de mansões youkais e sua casa era uma das últimas. Viu os filhotes dos youkais vizinhos brincando em cima de uma árvore e uma pessoa parada em frente ao seu portão. Não podia ser ela, rezou para que não fosse ela.

- Kikyo! - desceu do carro, estacionando quase em cima da calçada. Kagome permaneceu imóvel.

- Inuyasha - a mulher virou-se e olhou para o meio-youkai. Seu rosto estava vermelho de tantas lágrimas e sua voz rouca, de tanto gritar com Jaken deixá-la entrar. A bolsa estava jogada no chão, com os objetos espalhados no asfalto. Era mentira o que Sango tinha dito, seu amor nunca faria isso com ela! Nunca!

Sorriu para ele, era tudo apenas um sonho ruim, e seus olhos desviaram rapidamente para dentro do carro. Tinha alguém com ele, ela podia sentir. Mataria quem tinha ousado tocar no seu meio-youkai! Inuyasha era sua vida, seu amor! Não era verdade que ele tinha a traído! Andou rápido até o carro, bufando, pronta para degolar qualquer pessoa que estivesse lá dentro, as pisadas pesadas. Inuyasha a segurou antes que o fizesse.

- Me solta, Inuyasha! Me solta!

- Kikyo! - o coração dele doeu ao ver o rosto destruído dela de perto. - Fique calma!

- Era por isso que você estava estranho - mais lágrimas sairam dos olhos dela. - Você tinha outra pessoa. .- sua voz era cheia de dor. - Asfaltas, os atrasos, era para poder estar com ela...

- Não, Kikyo - ele olhou dentro dos olhos dela, tentando acalmá-la. - É por causa da tradição. Você lembra da tradição? - ela acenou com a cabeça, presa nos braços dele. Ele passou a mão pelos seus cabelos. - Kikyo, deixa eu te explicar direito.

- Não me toque! - ela reagiu. Se das outras vezes fora difícil livrar-se dele, agora tinha sido uma tarefa simples. - Não me venha com essa, Inuyasha! Você disse que eu era sua fêmea perfeita, que estávamos ligados pelo destino! Nós íamos nos casar, nos seríamos felizes! - ela gritou.

Que eles iam se casar? Iam? O coração dele bateu pesado. Em nenhum momento pensou em desfazer o seu noivado com Kikyo. Inuyasha balançou a cabeça.

- Ela é só uma obrigação..- disse baixo.

- Eu pensei que eu fosse - Kikyo colocou a mão no peito, apertando o tecido com força. Olhava para o chão. - Que eu fosse seu amor e seu destino - ela não conseguia segurar a dor. Sentia-se traída, tudo o que passara com o noivo; os beijos, as risadas, o pedido de casamento, as noites de amor, tudo não passava de uma ilusão. Olhou para Inuyasha, seu coração tinha se partido de um jeito, desconfiava que ele podia ouvir o barulho dos cacos. - Você mentiu para mim!

- Eu amo você - ele era cheio de tristeza. - Isso é só uma tradição idiota.

Kikyo balançou a cabeça.

- Ela é seu destino - mais lágrimas cairam. - Eu não sou nada aqui..

Inuyasha não acreditava no que estava ouvindo. Depois de tudo o que eles passaram ela tinha coragem de dizer que não era nada? Ele estava enfrentando uma tradição de milênios só por causa dela! Kikyo deixou mais algumas lágrimas cairem, e o vento tocou em seu rosto. Chamando-a para ir embora. Ela deu um passo para trás, hesitante.

- Kikyo! - ele fez menção de se aproximar, mas ela estendeu a mão para que ele parasse. Inuyasha apertou o punho. - Eu vou quebrar essa ligação, é só você me esperar.

- E o que quer que eu faça? - Kikyo se exaltou.- Quer que eu espere enquanto você fica com ela, FODE com ela?- ela aproximou-se dele, jogando as palavras em sua cara.

- Cala a boca, Kikyo! Eu não fiz nada disso com ela - ele olhou fundo em seus olhos, segurando firme em seu pulso. - Eu não fiz por você. Estou controlando por você!

- Que gritaria é essa? Estão adorando gritar na minha casa! - Senhor Taisho apareceu no portão. Izayoi estava muito ocupada decorando o quarto do neto e ele estava ajudando, até o barulho irritar demais. Jaken deixou-o passar. - Kikyo - ele olhou a figura descabelada e as lágrimas. Ele entendeu agora. - Kikyo, o que você quer aqui? Se quer dinheiro...

- Ela não quer seu dinheiro, pai - Inuyasha vociferou.

- O que ela quer aqui então? - Papai Taisho pareceu surpreso. - Aceite que está acabado, Kikyo - cruzou os braços. - Não quero que atrapalhe o casamento do meu filho.

Kikyo olhou para o senhor Taisho sem entender, depois para Inuyasha e a mão dele que segurava seu pulso- sua pele era tão clara que a leve pressão deixava as marcas dos dedos em vermelho. Sua visão estava turva e ela não conseguia pensar direito. Estava quase para desmaiar. Podia ouvir a voz de Inuyasha ao longe

- Kikyo, esqueça ele, nós vamos conversar, não vamos? Eu preciso te explicar!.

A mulher fez um sinal para o seu carro e seu motorista saiu de lá, um homem alto, de óculos escuros e cara de mau. Não viu muito o que aconteceu depois, apenas Inuyasha se afastando e o homem guiando-a gentilmente até seu carro. Senhor Taisho tinha jogado Inuyasha para o lado de dentro do portão, lançando-o pela gola da blusa, e o tio Totousai proferiu algumas palavras de maldição: digítos antigos apareceram nos muros e brilharam em não sentia nada, apenas o movimento do carro que começava a andar. Viu Inuyasha gritando com o pai, depois tentando dizer algo a ela de longe. Inuyasha ficou assim em sua mente, uma imagem distante.

Inuyasha esforçou-se para ir atrás dela, só queria pegar seu carro e ir atrás dela. Mas não conseguia passar na barreira que Totousai tinha feito:

- Nenhum youkai entra, nenhum youkai sai.

X

Kagome tinha assistido tudo de camarote e até agora a garota não tinha conseguido emitir nenhum som. A ligação de Inuyasha e Kikyo era profunda, mas não sabia que ver a separação deles seria tão doloroso. Ela podia sentir a dor dos dois. E sentiu náuseas.

- Mas assim tão de repente? - Izayoi arrumava seu longo cabelo em um coque.

- É só uma benção, temos que unir esses dois logo.

Senhor Taisho tinha ficado bastante incomodado com a presença de Kikyo. E incomodado. Sua nora dentro do carro vendo aquele show! Durante os anos que criou Inuyasha, entre uma viagem e outra, pensou que tinha ensinado a ele coisas como respeito. Mas se ele não tinha aprendido por bem, aprenderia por mal.

Souta estava com um quimono azul-marinho e um chapeuzinho preto, colocaram um quimono branco em Kagome e Inuyasha não se trocou. Não se moveu, não disse nada. Estava perdido em algum lugar dentro de si mesmo. Repleto de dor.

Colocaram ele e Kagome para se sentarem em almofadas douradas no chão no meio do salão. Ela só conseguia pensar que Totousai era um traidor! Tinha prometido ajudar Inuyasha, disse que a felicidade dele era importante. E olha para a cara dele agora! Ele parecia um zumbi (abraçaria Sesshomaru se pedissem!).Não havia gente a mais, apenas os dois, Souta, os pais, Kaede e Totousai. O youkai mais velho se aproximou com uma bata antiga preta e uma taça cheia de um líquido desconhecido.

Kagome tentou fazer com que Inuyasha a olhasse, mas ele estava duro. Não negara nenhum momento a cerimônia; não era um casamento, mas o senhor Taisho disse que uniria suas almas ainda mais. Mas o objetivo deles não era se separarem? Por que Inuyasha não reagia? Ficava ali parado como morto, vendo tudo desabar! Mas ele já tinha visto o pior, Kagome pensou. As esperanças dele viraram pó quando viu Kikyo partir.

Totousai repetiu algumas palavras estranhas e jogou um pouco de água na cabeça dos dois. Kagome sentiu medo. Do que sabia dessas ligações youkais, elas eram cheias de drama, dor e morte. Podia ouvir o uivo triste de Sesshomaru em seu ouvido. Falando nisso, onde ele estava? A garota fechou os olhos, esperando sentir alguma coisa, um nó apertando ela e Inuyasha, sua alma saindo do corpo. Nada.

- Pronto. Está feito - Totousai uniu as mãos em reza.

- Foi a coisa mais linda que já vi - Izayoi aparou uma lágrima que escorria com um dedo.

- Depois faremos uma cerimônia maior -senhor Taisho apoiou a esposa pelos ombros. - Mas aos olhos dos outros youkais, esses dois estão casados.

Souta fez uma comemoração muda e Kagome o censurou com o olhar. Inuyasha não reagia. Nem no jantar, quando os pais faziam planos de uma viagem em família nem quando o nome de Kikyo foi mencionado uma vez por senhor Taisho. Ele disse que ela não importunaria quem teve vontade de brigar dessa vez. Ele não podia perceber o quanto Inuyasha estava sofrendo? Ela que conhecia ele há tão pouco tempo, conseguia quase sentir a dor viva em sua pele. Kikyo nunca seria um importuno. Kagome era.

Izayoi perguntou porquê Inuyasha não tocava na comida. Era carne de dragão-de-comôdo, sua preferida. Ele respondeu que não estava com fome. Algo dentro de Kagome se alertou! Ele reagiu! Inuyasha estava ali! Ela esperou que ele dissesse mais coisas, mas o jantar seguiu mudo. Ele não voltaria? Kagome faria tudo para ele voltar, prometeria ajudar ele e Kikyo a se unirem de novo. Ele não tocou no nome dela. Nem olhava nos de Kagome.

Logo todos terminaram a refeição e Myoga retirou a mesa. Inuyasha também não olhou para ele. Era tão estranho, ele parecia estar em outra dimensão, outro tempo. Não viu quando seus pais se retiraram ou quando Souta se despediu dele. Só voltou um pouco à realidade quando Kagome tocou em seu braço. Finalmente olhou para ela e encontrou os dois olhos amorosos e cheios de compreensão. Kagome queria abraçá-lo e dizer que estava tudo bem. Mas ela não o fez. Apenas o puxou e o guiou até o quarto.

Inuyasha sentou-se na cama, Kagome acarinhando ele por todo o caminho. Ele sabia que ela fez de tudo para que isso não acontecesse, não é? Que a última coisa que ela queria era que ele fosse infeliz.A garota diminuiu as luzes e viu ele esconder o rosto entre as mãos.

Perdão. Era o que ela queria pedir. Por ter entrado em sua vida e atrapalhado tudo. Ela pensou que não, mas ele fora sim um anjo para sua bolsa toda a papelada e autorização assinada para o início da cirurgia. Inuyasha era bom e merecia o melhor.

- Inuyasha...

Ele não respondeu. Kagome sentia que a dor estava forte ali, quase gritando. Queria poder tirar isso dele, queria poder fazê-lo feliz. Ela não tinha esse poder? Ainda podia ouvir ele chamando por Kikyo e seu pai o afastando. Doía e ela sentiu vontade de chorar por ele, já que ele mesmo não conseguia. Estava preso naquela cena, como em um pesadelo sem fim. Foi até ele e, em pé na sua frente, trouxe a cabeça dele para repousar em sua barriga, amparando-o igual a uma criança. Como antes, ele não reagiu.

- Não vamos..terminar o que começamos? - ela queria dizer sobre os dois, mesmo sabendo que não era uma bom momento.

Inuyasha permaneceu em silêncio uns instantes. Finalmente deu a graça de sua voz.

- Você não precisa fazer isso - ele afastou-se dela e ela sentiu um vazio nas suas mãos.

- Eu quero fazer isso. Eu quero você - ela abaixou-se para ele e, tomando o rosto dele em suas mãos, ela o beijou. Mesmo sabendo que era errado. Sabia que ele a xingaria e diria que ela não podia fazer isso. Que ele amava Kikyo e lutaria por ela, não importava a cerimônia ou seus pais. Enquanto não ouvia isso dele, queria aproveitar, queria ter os lábios dele nos seus só uma vez antes da rejeição. Fechou os olhos, para poder sentir ainda mais a boca dele contra a sua e foi quase natural quando ele retribuiu.

Inuyasha tocou a cintura dela e seu corpo vibrou. Tudo o que segurou por causa de Kikyo, todos os instintos. E ela ainda teve a coragem de olhá-lo daquele jeito, cheia de acusação. Ela não quis escutá-lo. Estava magoado, ferido, destroçado por dentro. Passou a mão com força pelas costas de Kagome, suas garras desfiando o tecido do quimono. Puxou-a ainda mais para baixo, com violência, separando-se dela e alcançando seu pescoço. Ela sentiu a vibração do corpo dele, ele vibrou sucessivas vezes. Ela segurou o rosto dele enquanto ele se afundava em sua pele e seu próprio corpo parecia tensionar, principalmente na região entre suas pernas. Kagome soltou um gemido tímido.

"Só por essa noite. Esqueça tudo, esqueça ela. Somos só eu e você, Inuyasha."