Menina
Por: Bulma-chan
Capítulo 10: Batalha por um amor perdido
Parte I
Brilhantes e esperançosos olhos púrpuras encaravam docemente a figura materna, que tentava a todo custo resistir à esse olhar.
- Mãããeee! - prolongou a palavra da forma mais manhosa que conseguiu - deixa eu chamar o papaaiii! - pediu dando pequenos pulinhos cheia de expectativa.
- Akane, já conversamos sobre isso. - respondeu séria, dando as costas à menina.
- Mas mãe, se você não vai poder ir, porque não posso chamá-lo? - Cansada, Akane desistiu de tentar dobrar a mãe com um rostinho meigo e olhos brilhantes. Sentou-se emburrada no sofá e encarou Pan, que nem sequer retirou seu olhar do grosso livro que estudava.
- Porquê ele é um homem muito ocupado, não tem tempo para ficar indo à uma simples reunião escolar - respondeu enquanto sublinhava um trecho do livro, mas pode perceber claramente como a menina soltava o ar de forma irritada, praticamente bufando.
Derrotada Akane deixou seu pequeno corpo cair displicentemente nas confortáveis almofadas do móvel. Sabia perfeitamente que Trunks era ocupado, mas isso não diminuía sua vontade de tê-lo em uma reunião de pais. Havia vivido muito tempo sem saber nada de seu pai e agora que o conhecia gostaria de desfrutar o máximo da sua companhia.
Em meio a sua leitura Pan escutava o som dos pés da garota batendo continuamente contra o estofado do sofá. Podia entender muito bem o que ela sentia, mas também não podia ficar deixando que ela ligasse para Trunks a cada novo contra-tempo que tinham.
- Mãe... - Ignorou por instantes o que estava lendo ao ouvir sua filha chamando-a, mas continuou olhando para o livro. - Porquê você não quis casar com o papai quando ele pediu? - suspirando lentamente a ex-lutadora virou-se para encarar a menina, seus olhos negros encarando diretamente dentro dos púrpuras, que mostravam-se abatidos.
- Akane, muita aconteceu no passado entre ele e eu.. - aproximou-se da filha e sentou ao seu lado, começando um suave carinho nos cabelos negros da pequena continuou - nós sofremos muito, choramos muito, nos magoamos demais para que uma simples conversa ou pedido de casamento pudesse resolver as coisas. - Ninguém além dela poderia entender tudo o que carregava em seu peito.
- Seria tão fácil se pudéssemos morar os três juntos - Akane murmurou baixo, enquanto se encolhia sob o carinho materno.
Silenciosos minutos se passaram enquanto mãe e filha recordavam momentos vividos junto ao rapaz de cabelos roxos. Pan, atenta as feições da filha, podia perceber como os olhos, antes tão cheios de brilho com a expectativa de ver o pai, agora mantinham-se apagados, tristes. No final, não podia supor vê-la desse modo.
- Vamos fazer assim.. - começou a dizer, sua voz carregada de uma pequena doçura que apenas à filha era dirigida - Hoje ainda é segunda-feira, sua reunião é somente na sexta-feira... - fez uma pequena pausa apenas para conseguir a total atenção infantil.
- E..? - perguntou sentando-se no sofá. Estava começando a se inquietar.
- Você liga para o Trunks e diz que haverá uma reunião, e pergunta se ele quer ir. - Viu os olhos pequenos adquirirem um forte brilho, e apenas isso já fez valer a pena todo o sofrimento de anos atrás. - Se ele puder vir, então tudo bem, mas ele disser que tem um compromisso, não é para insistir. Certo?
- Certo!! - gritou alegre. E pulando do sofá correu para o telefone, o número já sabia de cor.
Encarou atentamente todas as 20 pessoas presentes naquela sala com calma e intensidade. Após quase duas horas de reunião podia ver dúvidas e incertezas nos olhos dos membros mais novos, podia ver também respeito e curiosidade nos olhos dos mais idosos, porém era o olhar carregado de respeito e orgulho de sua mãe que o agradava mais.
- Nos últimos meses temos tido constantes quedas nas vendas referentes à zona leste. Em contra partida houve uma grande busca pelo módulo AEF-37, referente à costa noroeste. - Fez então uma breve pausa e dirigiu o olhar para sua secretária - Pode mostrar os gráficos.
Quando as luzes foram apagadas todos os presentes voltaram sua atenção para a mulher, que à passos lentos caminhava até o imenso gráfico projetado no telão.
- As cores vermelha e azul foram usadas para indicar o grau de aceitação e saída do módulo AEF-37 em todo o território, e o índice de rejeição e estoque do mesmo módulo. Reparem que na zona leste a coluna vermelha representa o grau de rejeição do produto. Se formos colocar em números, é quase como se 98 dos produtos direcionados aquela área ficassem estocados nas lojas.
Pequenos múrmuros romperam o silêncio enquanto os rostos preocupados dos acionistas e coordenadores encaravam uns aos outros. Batendo levemente a caneta na mesa o rapaz chamou atenção para si e com um olhar mais sério pediu que fizessem silêncio. Em seguida a voz da secretária pode ser ouvida novamente.
- A cor azul nesse ponto do gráfico indica o grau de aceitação e saída do módulo. Em termos práticos, a demanda é maior do que a oferta. Gráficos regionais, rurais e outros estão na página 27 do relatório. - Concluiu voltando ao seu lugar e reacendendo as luzes.
- Obrigado Débora. Na página 22 do relatório vocês poderão observar alguns dados de um pequeno levantamento feito pelo representante local, nele constam algumas informações do porque do produto estar com tamanha rejeição em uma área e tamanha aceitação em outra. - Levantando o olhar do próprio relatório ele encarou um por um todos os presentes - Nosso módulo parecer ser totalmente dispensável na zona leste devido ao seu aspecto funcional - Então ele fechou seu relatório e levantou-se, apoiando as mãos na mesa sorriu tranquilamente para todos - Parece que erramos completamente ao lançar um produto em escala mundial, sem observarmos as necessidades locais.
- É o que parece - concordou um dos homens idosos, que estava sentado dois lugares à direita de sua mãe - Ainda há como recuperar o investimento perdido?
- Recuperar? Senhores, não houve capital perdido. Estamos com rejeição apenas em uma área, sendo que em outras o módulo está sendo muito bem aceito. Tudo o que precisamos fazer é uma analise de mercado, e direcionar os módulos estocados nas lojas da zona leste e o problema de capital parado será resolvido. - Fazendo uma pequena pausa ele olhou à sua esquerda, direto para um rapaz de cabelos curtos e diminutos olhos negros - Takashi, quero a pesquisa de mercado em até duas semanas. - O rapaz acenou afirmativamente e logo em seguida anotou alguns dados em seu pequeno caderno. Depois os olhos azuis do presidente voltaram-se para um homem de meia idade, seus cabelos já pintados na tentativa de disfarçar os fios brancos, era o diretor do centro de pesquisa e desenvolvimento. - Sr. Murata, reúna sua equipe e envie alguns pesquisadores para a zona leste, precisamos de dados específicos da região para o desenvolvimento de um novo produto.
Estava orgulhosa. Não é porque era sua mãe, mas sim pela facilidade e responsabilidade com que cuidava da empresa. Sendo presidente da corporação por tantos anos, Bulma sabia bem como esse grupo de sócios podia ser extremamente desagradável, algumas vezes até tentavam desmoralizar o presidente, apontando erros e fazendo críticas nada construtivas. No entanto, Trunks os tinha totalmente dominados. Não sabia dizer se era a postura séria e centrada do filho, ou mesmo sua forma suave e agradável de dirigir-se aos demais membros, mas sabia que a opinião e presença do homem era respeitada, assim como suas palavras totalmente levadas em consideração.
"Como amadureceu, está muito mais dinâmico e racional que antes." Ponderou silenciosamente. "E feliz" sorriu. Realmente, era uma mãe orgulhosa de seu filho.
- Era isso que desejava passar à vocês - Bulma abandonou suas reflexões ao ouvir as palavras do filho. - Peço à todos dedicação nesse novo projeto. - pediu com um sorriso honesto - A reunião está encerrada, mas lembro aos membros do setor de checagem de qualidade que ainda haverá uma pequena reunião para escolha do novo coordenador, já que o Sr. Fins aposentou-se. Aos demais, estão dispensados. - Curvando-se ligeiramente ele agradeceu a presença de todos, e não foi com orgulho que a única mulher presente viu todos os presentes na sala devolverem a reverência. - Mãe.. - o rapaz disse olhando suavemente para ela - Continue, por favor. - E com um sorriso, abandonou o local.
- Muito bem, como já foi anunciado, o Sr. Fins aposentou-se após mais de 42 anos trabalhando em nossa empresa, portanto, iremos realizar hoje uma reunião extraordinária para eleição do novo coordenador. - E com essa palavras a mulher deu inicio à reunião, a qual presidiria com o máximo
empenho.
Ignorando os olhares gulosos sobre si, Trunks cruzou o longo hall que o levaria até sua sala, a suas costas, cerca de dois ou três passos atrás, vinha Débora, sua fiel e dedicada secretária. Tinha pouco mais de 8 anos na presidência da empresa, sabia de tudo o que ocorria ali dentro, mas não seria ninguém se não fosse a capacidade de organização e distribuição de horários dessa mulher.
- Senhor Presidente, hoje, tão logo cheguei, foram entregues os balancetes dos últimos três anos, assim como um pedido de desenvolvimento de uma máquina rural para uma empresa. - Informou com voz tranqüila, porém firme, ao mesmo tempo em que passava para eles algumas pastas.
- Certo. - foi sua simples resposta enquanto passava os olhos rapidamente sobre os balanços. - Estarei na minha sala até o horário do almoço, quando minha mãe passar por aqui, diga que preciso entregar alguns registros para ela. - disse rapidamente, assim que haviam chegado frente a porta de seu escritório.
- Sim, senhor! - respondeu vendo a porta ser fechada rapidamente. Sentou-se em seu lugar e começou a digitar a Ata da reunião atenciosamente. Havia muita coisa a ser feita no dia, não podia enrolar.
Assim que fechou a porta atrás de si Trunks soltou um longo bocejo, reuniões sempre o deixavam sonolento. Tentando afastar a preguiça que começava a se manifestar ele retirou o paletó e esticou os braços para em seguida coçar a cabeça de forma calma. Ligeiramente mais disposto caminhou até sua mesa, onde jogou as pastas descuidadamente, depositou o paletó no encosto da cadeira e então deixou-se cair despreocupadamente no assento macio da cadeira.
- Débora.? - Chamou a secretária apertando um botão do aparelho telefônico sobre a mesa. A resposta não demorou em chegar.
"Sim, senhor?"
- Pode trazer um café forte pra mim? - Sua voz soou serena, como se não existisse entre eles uma relação de chefe e funcionário.
"Agora mesmo. Só irei preparar um novo"
- Obrigado - e com um pequeno agradecimento encerrou a comunicação.
Débora era uma boa secretária, sempre atenta aos compromissos e datas importantes para o rapaz. Ela era o braço direito dele dentro da empresa, chegava a achar que se ela derrepente pedisse demissão, iria demorar uns dois anos até ter outra secretária em nível próximo ao dela. O único problema da moça, talvez, fosse o fato dela ter escolhido o pior tipo de pessoa como marido, já que esse tudo o que fazia era beber e jogar. Nem tudo na vida é perfeito.
- Perfeito... - murmurou pousando os olhos sobre o porta-retrato feito à mão, cheio de sol, lua e estrelas desenhados, onde uma foto da sua princesa lhe sorria abertamente.Sentindo um sorriso despontar em seus lábios ele pegou o objeto em suas mãos e dedicou especial atenção aos olhos da filha.
Akane, para ele, era um poço de doçura e carinho, de alegria e excitação, ingenuidade e travessura. Adorava o modo vivaz da garotinha que, sempre atenta a tudo e a todos, lançava comentários que o deixavam de cabelos arrepiados. Amava o jeito elétrico dela, que, correndo de um lado para o outro da casa, cantarolava e espalhava alegria onde, antes, apenas reinava amargura e solidão.
Porém, ele sabia muito bem, eram dos olhos brilhantes que ele mais gostava. Derretia-se todo quando, exultante de alegria, aqueles olhos ora violetas,ora azuis, sorriam para ele. Porque, ele tinha certeza, ela lhe sorria com os olhos... e ele devolvia esse sorriso com o coração. E sabia que para vê-los sempre assim, brilhantes e sorridentes, faria tudo, qualquer coisa, até mesmo morrer.
- Minha menininha... - murmurou tocando de leve o rosto da garota sobre o vidro frio. - Tão cheia de vida... com olhos tão doces...- um pequeno sorriso nasceu no canto dos lábios grossos do homem, um sorriso fruto de uma recordação. - .. doce, mas espertinha demais pra tão pouca idade! - disse pra si mesmo, rindo tranqüilo.
Analisou a foto intensamente por mais alguns minutos e então perdeu-se num passado não muito distante.
Longas horas haviam se passado desde que Pan o havia deixado ali, sozinho e acabado, no meio do nada. Era difícil aceitar o fato de que a pessoa que amava simplesmente não acreditava mais em uma futuro junto com ele, e era doloroso ser rejeitado tão friamente. Olhando para o tempo, mas sem reparar em nada realmente, ele tentava recuperar suas forças, sua motivação.
- "Nossa história é passado.." - murmurou as palavras ditas anteriormente por Pan sentindo seu coração oprimido por uma dor profunda. - .então me diz o que eu faço, Pan.. se esse amor ainda é presente pra mim?.. - e com um suspiro desolado abaixou a cabeça.
Vários outros minutos passaram assim até que o bater de asas de um pássaro qualquer alertou o rapaz que, desatento como estava, só nesse instante, olhando para o céu escuro, percebia como o tempo havia passado.
- Tão tarde - murmurou em meio a um suspiro e em seguida, ainda com o peito carregado de pesar, voou de volta para a corporação cápsula.
Cansado e abatido Trunks não estava com disposição para encarar as várias pessoas que se encontravam naquela imensa casa, porém, assim que pousou no jardim, escutou o grito infantil o chamando.
- Papai - voltando os olhos em direção a voz pode ver a figura pequena de Akane saltando dos braços de Videl e correr em sua direção. Não estava feliz, mas a visão alegre da menina fez um diminuto sorriso, apenas um leve arcar de lábios, presente em seu rosto.
- Opa - exclamou quando segurou Akane nos braços, após ela ter pulado docemente sobre si, com carinho ele afagou os cabelos infantis e em troca recebeu um sorriso largo acompanhado de um beijo no rosto.
- Filho, que bom que voltou - desviou então os olhos da criança em seus braços e encontrou os olhos azuis de sua mãe. Naquele breve instante, novamente, os olhos maternos varreram todos os sentimentos que eram expressos nos olhos do filho e uma feição séria confirmou ao rapaz que ela havia entendido que as coisas não haviam saído como ele gostaria.
- É, voltei. - murmurou em resposta antes de por a filha no chão.
- Papai, Papai! - Akane o chamou novamente enquanto agarrava suas mãos. - Vem aqui, vovó disse que não acredita que você aceitou ser meu pai - Sentindo um nó na garganta ele deixou-se ser puxado até onde as duas mulheres estavam.
- Que história é essa Trunks? - Trunks encarou a esposa de Gohan e quando começava a articular uma resposta, foi cortado pela voz firme de Pan, que acabava de sair pelas portas do fundo da residência.
- Pode deixar, Trunks, eu me encarrego de explicar isso - Sentiu então uma dor profunda, causada pela frieza da garota ao dirigir-se a ele. - Mãe,Senhora Briefs, poderiam entrar um momento? Papai e o Senhor Vegeta estão esperando. - E finalmente, ao ouvir isso, Trunks percebeu que depois dessa noite não haveria mais segredos de seu passado com Pan para esconder.
- Vamos, papai? - Akane chamou, querendo seguir as avós, porém Trunks manteve-se quieto e após encará-la por alguns instantes disse:
- Não, não. Nós dois precisamos conversar também, ok? - disse com um doce
sorriso
- ok - confusa Akane apenas concordou, mas realmente não entendia o que
tinham para conversar.
Sem pressa alguma, e talvez até tentando evitar ao máximo essa conversa, o rapaz demorou todo o tempo do mundo para caminhar até um banco mais afastado da casa, próximo a um pequeno espelho d'água, no qual sentou-se e fez com que a garotinha sentasse de frente para si, sobre a mesa.
Por alguns momentos olhos azuis e púrpuras se encontraram, os primeiros analisavam buscando um meio de começar a falar, já os segundos brilhavam carregados da mais pura curiosidade infantil. E foi perdido nessa pureza que ele mergulhou em pensamentos.
- Papai? - Akane chamou, estava curiosa com o silêncio e contemplação do
rapaz
Perdido dentro dos pequenos olhos brilhantes Trunks recordava-se da surpresa que havia sentido quando ela pedirá que fosse seu pai. Naquela ocasião, ainda desinformado sobre sua paternidade, ele apenas havia aceitado feliz por ela ter se afeiçoado tão rapidamente a ele, e tambémporque ela era filha de Pan e isso iria permitir algum breve contato entre eles.
Porém, olhando agora para ela, sabendo ser sua filha, podia perceber as pequenas semelhanças em suas feições e gestos. Traços de uma descendência saiyajin que, embora não fosse forte como nos filhos diretos, ainda lembrava um pouco seu pai. Traços de Bulma, Gohan e Videl misturavam-se aos dele próprio e de Pan, sendo assim difícil definir um ou outro. No entanto, com absoluta certeza, ele sabia que aquele sorriso era dele e ver-se refletido em um ser que amava e havia ajudado a conceber fazia seu ser encher-se de uma alegria nunca antes sentida.
- han.. Papai? - Foi apenas nessa hora, quando Akane já o chamava pela quarta vez, que ele voltou de seu mundo particular - Porque está sorrindo? - A menina perguntou curiosa, levando um dedo à boca.
- Porque te amo - respondeu simplesmente, seu sorriso alargando-se ainda mais. Ante suas palavras um enorme sorriso nasceu nos lábios da pequena.
- Também te amo, papai - disse passando os braços sobre os ombros dele e o abraçando docemente - Mesmo você não sendo meu pai de verdade, quero ficar sempre com você.
Quando iniciou essa conversa Trunks pensou que seria mais difícil abordar o assunto que queria, porém Akane havia criado a oportunidade perfeita para ele.
Após afastar-se da filha ele percebeu que em alguns minutos ela saberia a verdade e sentiu um frio na barriga, algo como um misto de ansiedade e preocupação. Será que depois de saber da verdade Akane iria ficar feliz e saltar em seus braços, ou iria sentir raiva dele? Engolindo seus temores ele pousou as mãos nos ombros dela e deu prosseguimento à conversa. Afinal, só saberia a reação da filha após tudo explicado.
- Akane, você é uma menina muito inteligente, por isso espero que possa compreender o que vou te contar. Tudo bem? - começou com voz suave, ao que ela simplesmente assentiu. - Lembra quando você disse que eu gostava da sua mãe?
- Lembro - respondeu fracamente, não entendia onde ele queria chegar.
- Lembra o que foi que eu respondi? - ela afirmou que sim com a cabeça - Eu disse que sempre gostei da sua mãe, certo?
- Foi - confirmou novamente a menina.
- Sua mãe é sobrinha do meu melhor amigo, além de ser filha de alguém muito importante e querido para toda minha família, e por isso eu conheço sua mãe desde que ela nasceu.
- Desde quando era um bebê? - Akane perguntou abismada.
- Sim - sorriu pela cara de espanto dela - Quando sua mãe nasceu eu já era um garotinho, alguns anos mais velho que você. Eu tenho uma irmã mais nova que é pouco tempo mais velha que Pan, por isso elas eram amigas quando crianças e viviam uma na casa da outra. - Trunks fez uma pausa e ajeitou com os dedos alguns fios que caiam pelo rosto da menina. - Vi sua mãe crescer e,junto ao Goten, nos tornamos amigos inseparáveis, fazíamos tudo juntos.
- Os três? Tio Goten não parece ser do tipo que faria isso - comentou emburrada ao lembrar-se de como ele a havia trocado por umas garotas quando foram à praia.
- E não era mesmo, por isso eu e sua mãe ficávamos muitas vezes sozinhos, treinando, conversando ou simplesmente dormindo.
- Devia ser divertido - disse imaginando a cena.
- E era. - confirmou sorrindo, mas ao prosseguir seu sorriso diminuiu - mas em determinado momento eu arrumei uma namorada e com isso comecei a passar menos tempo com eles, e como Goten tinha seus próprios interesses, acabou que Pan ficou sem amigos.
- Tadinha da mamãe - no rosto infantil Trunks reconheceu a pura expressão de pena - Você e o tio abandonaram ela!- Trunks sorriu.
- Não. sua mãe era amiga dela também, então passamos a sair todos juntos, inclusive Goten, Bra e Yuri, por isso...
- Papai, se você gostava da mamãe, porque namorava outra garota?
- Bem, eu demorei bastante para perceber que gostava de Pan além da amizade.
- E quando percebeu? - Trunks suspirou longamente, crianças realmente sabiam ser indiscretas.
- Só quando já era tarde demais -Vendo que sua resposta não havia sido compreendida ele emendou - Quando finalmente entendi que ama sua mãe.. ela já havia ido embora daqui.
- Mamãe nunca soube que você gostava dela então?
- Não por palavras minhas - vendo o rosto do rapaz tomar uma feição triste a menina pousou a mão sobre a cabeça dele e afagou seus cabelos, assim como ele já tinha feito com ela outras vezes.
- Não fica assim, você ainda pode contar - ele a encarou nos olhos e os viu aquecerem-se de um sentimento que ele definiu como empolgação - Quem sabe ela não gosta de você também e ai vocês casam?! Ai você vai ser meu pai pra sempre e vamos morar todos juntos - Trunks sorriu ante a felicidade e inocência dela, suas palavras estavam bem longe de sua conversa horas antes com Pan, porém isso não o entristeceu, havia uma coisa que nunca poderiam tirar dele, que era sua filha.
- Mas tem uma coisa que você não sabe... - fez uma pausa proposital e viu como as pequenas pedras púrpuras brilhavam repletas de curiosidade.
- O que? - Ele sorriu.
- Antes de Pan ir embora nós tivemos um romance, um tipo de namoro - os olhos, antes pequenos, esbugalharam-se de tal forma que o rapaz teve que conter-se para não rir - durante alguns meses nós praticamente namoramos- adicionou cuidadoso, escolhendo atentamente as palavras, não podia simplesmente falar para ele que eram amantes.
- E porque se separaram? - o rosto feliz mudou rapidamente para um emburrado. Ela não conseguia entender direito.
- Porque eu iria casar com minha namorada em alguns dias - Trunks respondeu lentamente, seus olhos fixos na filha e em uma possível reação, que demorou apenas alguns momentos para vir.
- Ué, você não estava namorando com a mamãe? - Trunks analisou o semblante confuso da filha e suspirou.
- Não, eu namorava uma garota chamada Cristiny, mas enquanto isso eu comecei a 'namorar' sua mãe também. - Akane o olhou por alguns momentos e depois levou a mão ao queixo em uma pose que indicava que ela estava completamente concentrada em seus pensamentos, refletindo sobre o que o rapaz havia acabado de contar.
Por breves segundos, menos que meio minuto, Trunks sentiu uma vontade absurda de poder invadir a mente infantil e saber o que estaria passando por ela. Akane era um poço de ternura, mas era extremamente levada e, pelo que ele tinha percebido, inteligente também, então ele podia só imaginar as várias coisas que estaria passando pela cabecinha dela naqueles segundos.
- Você... - começou incerta, mas logo seus olhos encontraram os dele e ela completou seu raciocínio - ..namorou duas pessoas ao mesmo tempo? - Trunks não sabia se ria ou se envergonhava-se
- sim, namorei duas garotas ao mesmo tempo.
- E pode fazer isso?
- Não, não se deve fazer isso, é algo muito muito feio - Trunks disse fechando os olhos e levantando o dedo indicador.
- Então porque você fez? - Ele apenas suspirou e abaixou a cabeça.
- Porque eu era muito egoísta... - ele a observou uns segundos e acariciou de leve sua bochecha - e esse meu egoísmo me cegou ao ponto de não perceber meus verdadeiros sentimentos e por isso continuei conduzindo as coisas de forma infantil, até que no fim eu magoei sua mãe e Cristiny, as duas pessoas que mais amava.
- Papai... - a menina murmurou triste, percebendo a dor que ele sentia ao falar sobre isso.
- Então sua mãe foi embora para longe e eu não tive coragem para ir atrás, respeitei a vontade dela de se afastar, Cristiny entendeu meus sentimentos por Pan, mas nunca me perdoou a traiçãono fim, perdi as duas e fiquei sozinho.
- sozinho...é tão triste - Akane sussurrou lentamente. Tanto tempo elahavia se sentido assim, sabia muito bem como era doloroso. Egoísmo era uma palavra que ela não conhecia, mas que começava a perceber ser muito perigosa.
- Meu egoísmo trouxe muita dor e sofrimento para nós, mas no fim... - então, pela primeira vez desde que começara essa conversa, ele sorriucompletamente, um sorriso repleto de satisfação - ele também trouxe uma coisa muito boa, algo que faz eu nunca me arrepender de minhas ações no passado.
- O que? O que? -Akane praticamente gritou a pergunta, suas mãos batendo ansiosamente nas pernas.
- Quando sua mãe foi embora era porque ela tinha ficado grávida - ele afagou os cabelos dela - de uma menininha linda, que eu iria demorar 5 anos para conhecer e descobrir que era minha filha.. - seus lábios, de forma natural e inconsciente, curvaram-se em um sorriso - .uma filha com o nome que eu sempre quis dar para ela.. - então ele pousou as duas mãos no rosto pequeno e acariciou com os polegares - e ela tem os olhos mais lindos que já vi, o sorriso mais adorável do mundo e ... - e então ele ficou mudo, perdido nas lágrimas quentes que escorriam pelo rosto bonito.
- Você Você é - Enrugando as sobrancelhas numa expressão de choro Akane tentou falar, mas os soluços que surgiram tornaram isso impossível.
- Não! Não! - Trunks exclamou exaltado, seus dedos tentando enxugar o rosto da filha - Não é pra você chorar, de modo algum, é para você sorrir!!! - percebendo que quanto mais falava, mais ela chorava, Trunks a puxou para seu colo e a abraçou forte, deixando que chorasse em silêncio.
'É agradável'. Foi o que Trunks pensou ao tê-la assim em seus braços, sentindo seu corpo pequeno e frágil agarrar-se ao seu em um abraço emocionado. Era agradável saber que a consolava como o pai quer era, mas, apesar disso, não gostava de ouvir seu pranto, portanto, afagou suas costas lentamente e quando ela havia se acalmado um pouco a afastou de i e enxugando seus olhos disse:
- Vamos, não chore - sorriu docemente para ela e isso a ajudou a conter o pranto - Isso, agora...sorria para mim - levantando a cabeça Akane o olhou nos olhos e vendo o brilho caloroso deles um sorriso largo apareceu, porém, os olhos continuaram úmidos, no entanto não havia tristeza neles. Trunks, vendo essa manifestação toda, inclinou-se e beijou suavemente a testa da menina, que o abraçou novamente.
Desse modo vários outros minutos se passaram, minutos nos quais eles dois conversavam, apenas estabelecendo um primeiro contato sabendo que era realmente pai e filha. Somente quando a noite já mostrava-se muito fria foi que se levantaram e de mãos dadas caminharam para dentro da casa.
- Pai - Akane chamou, seus passinhos pequenos tentando acompanhar os grandes dele.
- Hm?
- Você namorou duas ao mesmo tempo... - ela então soltou-se de sua mão e correu alguns passos - Que esperto você!! - e começando a rir ela continuou correndo enquanto ao Trunks, bem.. ele não sabia se concordava ou não com ela.
Faziam já 6 meses desde que mãe e filha haviam retornado para sua casa naquele lugar tão afastado dele. Nos primeiros dias a dor e vazio eram imensos, mas após duas semanas, e sua primeira visita às duas, o que passou a habitar seu ser foi a determinação de tê-las consigo, como a família que eram. Durante sua despedida no aeroporto havia sim decidido lutar pelas duas, mas não há nada como a distância e a saudade para motivar profundamente um homem.
Percebendo que já havia demorado tempo demais em sua reflexão ele retornou o porta-retratos ao seu lugar privilegiado sobre a mesa, pegou as pastas de projetos e centrou sua atenção no trabalho. No entanto, menos de 5 minutos depois, foi interrompido pelo toque escandaloso do telefone.
- Corporação Cápsula, Trunks, bom dia - atendeu mecanicamente, sua mente tentando entender porque Débora teria transferido uma ligação sem informá-lo antes, mas assim que a fina voz chegou aos seus ouvidos ele entendeu.
- Bom dia, Papai!! - seus lábios converteram-se involuntariamente em um sorriso ante a saudação da menina.
- Bom dia, Princesinha! - escutou o suave riso dela do outro lado e isso o alegrou ainda mais - Estava com saudade de você, sabia?
- Eu também tava com saudade, papai.. - Ele sorriu. Era bom escutar isso.
- Tudo bem com você e sua mãe? - Ele perguntou enquanto jogava a caneta sobre a mesa e dedicava toda sua atenção à filha.
- Ótimas!! - Ela gritou contente - Mamãe tá cansada, muito trabalhosa aquela tal de mologamia, mas ela tá feliz também - Trunks ouviu a risada cristalina de Pan ao fundo, quando Akane pronunciou "monografia" errado.
- E você está ajudando sua mãe sendo uma boa menina?
- Aham!! Eu nem bagunço o quarto mais - Trunks riu, isso era muito vindo de uma criança, ele mesmo havia demorado alguns (muitos) anos para manter o próprio quarto organizado.
- Muito bem - Elogiou.
- E tamb... - Trunks percebeu como ela calava-se ao ouvir Pan falar alguma coisa - Tá, tá bom! - Levantou uma sobrancelha. Era impressão sua ou as duas estavam em uma espécie de discussão?
- ah..Tudo bem, Akane? - questionou curioso.
- Ah, nada não! - ela respondeu rápido - Papai, você está muito ocupado esses dias? - Trunks percebeu que ela praticamente emendou a pergunta à resposta anterior, evitando assim que ele continuasse perguntando.
- Um pouco, por quê? - Estava começando a ficar preocupado, mas, então, o risinho sapeca dela o alcançou e isso jogou qualquer preocupação para bem longe.
- É que mamãe está muito ocupada esses dias com muitas provas e estudo, e na sexta-feira tem uma reunião de pais na escola e... - Trunks piscou surpreso. Será que ele estava entendendo corretamente? - .. e eu queria que você fosse. Pode?
- Mas é claro! - exclamou feliz. Ir a uma reunião de pais significava estar começando a fazer realmente parte da vida dela - Que horas? - Em resposta ele apenas escutou ela gritar alegre do outro lado.
- OBA!! - Atento ao que ela gritava Trunks percebeu que ela havia corrido pela casa com o telefone em mãos - Mãããeee, ele aceitou! - O rapaz riu. Como ele iria negar isso?
- Akane...? - chamou percebendo que ela estava animada demais, e com isso ignorando na linha, mas não obteve resposta alguma. - er...oi? - sua face era a pura imagem da confusão.
- Trunks? - Ouviu a voz de Pan após alguns segundos mais de silêncio - Bom dia.
- Bom dia, Pan - Cumprimentou tranqüilo, quase docemente.
- Realmente não estará ocupado? Ela vai entender se você não puder ...
- Não, não! Posso sim - confirmou cortando-a. Não havia compromisso algum em sua agenda que não pudesse ser adiado por alguns dias.
- Certo.. - a garota concordou - Vai ser na sexta-feira às 16:00. Ok?
- Ok - confirmou.
Um pequeno silêncio nasceu entre os dois e o presidente da corporação cápsula continha-se para não falar nada impróprio, mas a verdade era que desejava ouvir mais um pouco a voz da garota. No entanto, para sua felicidade, foi ela quem quebrou o silêncio.
- Tudo bem com o pessoal? - ele quase achou o tom de voz dela tímido.
- Todos ótimos, apenas com saudades - ele sorriu olhando para a foto dela sobre a mesa - alguns com mais saudades que outros, você sabe.
- Ah..sim, eu sei.. - ficaram mudos novamente por alguns momentos, mas então ela falou - bem, era só isso mesmo. Até sexta, Trunks.
- Certo. Até sexta, Pan. Manda um beijo para Akane por mim - pediu e pode ouvir a garota murmurar seu beijo para a filha.
"Tchau, PAPAI!" E a última coisa que escutou foi o grito alegre de Akane antes de Pan desligar.
Realmente, a saudade apertava, mas tornava o reencontro mais gostoso.
Por minutos encarou o aparelho sobre a mesa desejando que ele voltasse a tocar e pudesse ouvir mais uma vez, e por alguns minutos mais, a voz doce de Akane, mas então, passando o olhar pela mesa, encontrou os documentos que precisavam de sua atenção. No entanto, ele não tinha interesse algum neles, ao menos não no momento. Podia parecer besteira um homem adulto como ele ficar todo eufórico com uma simples reunião escolar, porém, isso significava muito para ele. Ir a essa reunião o fazia participar mais da vida da filha e também seria mais uma chance de passar alguns momentos com as duas garotinhas que tanto amava. Era uma chance mais de estar perto de Pan e tentar alguma aproximação, e ele se agarraria a essa oportunidade com ambas as mãos.
- Ocupado? - Surpreso, Trunks levantou a cabeça e encontrou a expressão sorridente de Bulma, que, parada junto a porta, o encarava carinhosamente.
- De modo algum - Respondeu sorrindo abertamente e tal ato fez Bulma erguer uma sobrancelha curiosa. Algo bom devia ter acontecido para ele demonstrar tanta alegria, principalmente sendo quase hora do almoço. - Como foi a reunião? Já passou o nome do novo coordenador para Débora? Acha que teremos algum pro..
- Nossa! Nossa! - Bulma exclamou cortando o filho - Quanta disposição.. viu um passarinho verde por acaso? - Perguntou entre risos, seus passos tranqüilos a levando até a cadeira frente à mesa do filho, onde se sentou e o observou. - Porque não é comum um comilão como você estar com tanta energia na hora do almoço. - ele apenas riu com o comentário materno.
- Não, senhora. Não vi nenhum passarinho verde..eu ouvi um! - sorriu em seguida - E já que seu comentário me lembrou que estou com fome... - sem sequer terminar de falar ele fechou as várias pastas abertas sobre a mesa, pegou seu paletó do encosto da cadeira, jogou-o sobre o ombro esquerdo e dando a volta na mesa estendeu a mão para Bulma - Te convido para almoçar.
- Ora, pensei que tivesse um almoço marcado com um empresário qualquer ai - comentou aceitando a mão do filho e se levantando.
- E tinha, mas não é todo dia que posso ter uma companhia tão agradável quanto a sua para um almoço - Enquanto abria a porta ele pode ouvir o riso de sua mãe.
- Tem certeza de que o que ouviu fio apenas um passarinho? - Bulma comentou alegre pelos galanteios do filho, sabia bem quem podia ter causado tal estado de animo em seu primogênito. Trunks apenas riu e pousou um braço sobre os ombros da mulher, trouxe-a para perto de si e estalou um beijo no rosto dela.
- Te conto tudo enquanto almoçamos. - Já parado frente à mesa de Débora ele avisou - Se alguém me ligar, diga que uma mulher deslumbrante apareceu no meu escritório e eu fui forçado a levá-la para almoçar - Um sorriso discreto enfeitou os lábios da secretária e Trunks soube que ela havia entendido - E se duas pessoinhas, cujos nomes você já sabe, me ligarem diga para ligarem no meu celular. - Acenou um adeus com a mão e voltou a andar, entre risos e brincadeiras, acompanhado de sua mãe.
De longe Débora ainda pode escutar Bulma dizer "Não íamos analisar um projeto ou relatório?" e Trunks responder: "isso pode esperar". Seu chefe tinha realmente mudado.
- O que faço com o café agora? - a secretária murmurou para o nada.
Quente. Estava quente e abafado demais naquela sala, onde cerca de quarenta pessoas respiravam agitadamente, tamanho o nervosismo que sentiam. Porém, o calor ela poderia suportar muito bem, o que incomodava - na realidade, irritava - era o constante 'pac pac' de canetas ao serem batidas contra a mesa. Como alguém poderia se concentrar com isso? Até o barulho angustiante da garota ao seu lado desembrulhando chocolates era mais suportável!!!
- . . . - Reparando em sua linha de pensamento a garota soltou a caneta sobre a mesa, fechou os olhos e suspirou longa e pausadamente. Estava nervosa, essa era a verdade. Havia estudado muito para essa prova, tinha passado horas e mais horas acordada, lendo e relendo a matéria, tinha até mesmo negligenciado atenção à sua filha, faltandoaos eventos importantes para a pequena e tudo para ver-se 'em branco' diante das várias questões.
"Coragem, Pan!!" murmurou dando-se ânimos. "Você consegue!" Olhou então para o relógio na parede e percebeu, com algum pesar, que restavam pouco mais de 40 minutos para o término da aula, e, conseqüentemente, da prova. Acomodou-se melhor na cadeira e com determinação concentrou-se nas perguntas.
- Ai, menina, nem me fala!-Uma voz feminina exclamou. - Aquela sétima pergunta me deixou em sérios apuros.
- Eu já não consegui responder a décima segunda, e também ...- a garota fez uma pausa para conter os pequenos risinhos - .. eu estava muito entretida olhando para o...bem, vocês sabem quem!! -logo as vozes agudas de três garotas cortaram a noite em altas gargalhadas, que apenas serviram para Incrementar a dor de cabeça de Pan.
"Como podem agir assim após o desastre que foi essa prova?" - pensou frustrada.
Quando o sinal havia soado, indicando o fim das provas, ela havia conseguido sentir-se razoavelmente satisfeita, já que tinha respondido praticamente tudo em pouquíssimo tempo. Porém, sua mente estava um caos, sua cabeça latejava de dor e tudo o que ela queria agora era tomar um banho, deitar e dormir por horas. No entanto, antes disso, havia o tempo de espera pelo ônibus em companhia das figuras femininas extremamente escandalosas.
Olhou seu relógio de pulso "22:42" o ônibus só passaria às 23:00... poderia pensar em voar até sua casa, mas tanto os arredores de sua casa como os da faculdade eram movimentados demais e...
O som de um carro parando próximo a ela, seguido por uma voz conhecida, chamou sua atenção. Dirigiu seu olhar para onde havia escutado o barulho e encontrou-se com o rosto tranqüilo de Trunks, além do largo sorriso da filha.
Tão logo Pan sentou no banco do carona Trunks pôde sentir o perfume feminino, aquele mesmo perfume que o havia enfeitiçado anos atrás. Aquele aroma doce e suave embriagava seus sentidos tornando-o apenas consciente daquele cheiro, desejando poder senti-lo novamente impregnado em suas roupas, em sua pele.Um morno sorriso floresceu em seus lábios. Não podia perde-la.
Então, como foi na escola? – O rapaz voltou de seus pensamentos ao ouvir a voz dirigir-se a ele. Desviando o olhar do trânsito para a garota Trunks encontrou os olhos negros que logo viraram-se para encarar a filha, que pulava alegre no banco de trás. – Ela te exibiu muito?
- EI! – Akane protestou em alta voz – Eu não exibi ninguém!! – Trunks riu.
Ah, exibiu sim. – Parando no sinal vermelho Trunks virou-se para Pan e imitou a pequena – "Professora, sabia que meu pai é dono da corporação cápsula?" "Eu te disse que meu pai era mais bonito que o seu, Yo-chan" e por aí foi. – Concluiu rindo observando a careta da filha.- Estou mentindo?
- Não. – Akane bufou a resposta.
- Ela estava um pouco ansiosa com a idéia dos amiguinhos conhecerem o pai dela. Compreensível, não? – Pan justificou os atos da filha.
- Claro, não é como se eu tivesse me incomodado com isso, você sabe bem que já estou acostumado. – comentou lembrando de como sua mãe e avó gostavam de exibi-lo para as amigas. – E até que foi divertido.
- Imagino. – Pan sorriu com as imagens criadas por sua mente ao pensar nas cenas citadas pelo rapaz. – Então, o que falaram nessa reunião?
- Coisas como higiene, piolho, chulé, horário, férias, formatura e uma possível excursão à praia. – Trunks disse tranqüilamente enquanto dobrava numa rua por indicação de Pan. – Também falaram sobre uma peça para o festival do aniversário da escola.
- Mamãe... – Akane chamou emburrada – eu não quero participar dessa peça. – Pan já abria a boca para perguntar o motivo da menina não querer participar, mas foi interrompida pelo homem ao seu lado.
- Ah, já me esquecia – disse parando em uma faixa de pedestre. – A professora também disse que Akane não se relaciona bem com os outros alunos. – virando-se para olhar a garota Trunks viu como ela balançava a cabeça negativamente.
- Não gosto deles, papai!! – A pequena quase gritou, chamando assim a atenção dos dois adultos para si – São idiotas! – Pan sentiu sua cabeça latejar com o grito da menina.
- Não precisa gritar, Akane. – repreendeu levando a mão à cabeça e massageando uma das têmporas.- Amanhã falamos sobre isso, agora não estou com cabeça.
Era uma situação um pouco estranha, mas ainda assim agradável. Olhando pelo retrovisor Trunks podia ver a carranca emburrada da filha, inconformada com a simples idéia de ter que participar de uma encenação. Ao seu lado Pan suspirava visivelmente cansada, seu rosto possuía uma feição pesada enquanto os dedos finos massageavam em círculos tentando amenizar a dor. Qualquer pessoa que estivesse em seu lugar poderia dizer que o clima dentro do veículo era tenso, pesado, mas para ele era todo o contrário. Estar partilhando desses pequenos minutos com as duas, presenciar atos e expressões significavam muito para ele, era como se estivesse, aos poucos, derrubando uma barreira imposta por cinco anos.
Sorrindo Trunks ligou o som do carro e tão logo a música lenta e suave ecoou pelo veículo a voz alegre de Akane juntou-se a de Ayumi, fazendo um dueto que o agradou plenamente. O suspiro suave da garota ao seu lado o alertou e olhando-a com o canto dos olhos pôde perceber uma pequena expressão de calma em seu rosto.
"Algumas coisas nunca mudam" pensou recordando-se de que eles compartilhavam o mesmo gosto pela cantora.
Olhando atentamente para Pan, analisando seus gestos, atos, palavras e expressões e comparando-os com os mesmos de anos atrás, ele podia perceber que ela não era, nem em sombra, a mesma pessoa de cinco anos atrás. A maternidade, a solidão, o sofrimento, o esforço e responsabilidades que ela havia enfrentado a tinham tornado uma mulher mais forte, madura e, aparentemente, indiferente. Não era como se ela não o amasse mais, pelo contrário, ele podia sentir que essa chama ainda queimava dentro dela, mas o tempo a havia feito aprender a conviver com isso, a não se ferir, a tinha ensinado a preocupar-se apenas com sua filha, tornando desnecessária uma convivência com ele.
Pensar assim deveria magoá-lo, mas a realidade não era essa, de certa forma ele sentia até alívio. Pan não era a mesma pessoa, então por que deveria tentar convence-la a ficar com ele? Não havia razão tentar conquista-la se ela não era mais a pessoa pela qual ele tinha se apaixonado. Não, não era assim que deveria ser.
Pan havia mudado, mas ela não tinha sido a única a amadurecer com o tempo. No que ele poderia ser comparado e mantido como igual aos tempos antigos, quando eles mantinham encontros em segredo? Suas atitudes daquela época eram mesquinhas, egoístas e desprovidas de todo e qualquer tipo de sentimento sincero. Havia enganado e ferido seriamente uma pessoa que o amava e dedicava todo carinho e atenção, havia se deixado levar pelo desejo e, pior que isso, havia conduzido uma amiga, quase uma criança aos seus olhos, a uma posição na qual ela não merecia nunca ter se sujeitado: a de amante.
Dizem não haver nada melhor que o tempo e o sofrimento para mudar uma pessoa, e ele achava que cinco anos era tempo mais do que suficiente. Eles haviam crescido, amadurecido, aprendido com o sofrimento e solidão e tinham tido o tempo necessário para analisarem seus sentimentos, e também para curarem as mágoas.
Durante todo o tempo em que esperou por ela Trunks manteve dentro de si a culpa pela separação, acreditando que suas dúvidas e cegueira é que os tinham afastado. Porém, agora, após o reencontro, ele podia perceber que não havia culpado e, caso houvesse, os dois teriam a mesma parcela. O que tinham vivido, talvez, fosse necessário para que se tornassem pessoas melhores e pudessem se compreender mais.
Desviou o olhar do trânsito por alguns segundos e observou a figura silenciosa ao seu lado. Ela movia os lábios suavemente, murmurando a letra da música tão baixo que ele apenas escutava. Sua expressão estava mais relaxada e ele arriscaria o palpite de que sua dor de cabeça estivesse cedendo. Os fios negros de seu cabelo ondulavam ao lado do rosto com o vento que entrava pela janela dando um ar todo especial a sua pequena.
Ele poderia observá-la a noite inteira, mas, infelizmente, já se aproximavam da pequena residência das garotas e queria escutar sua voz mais um pouco, por isso iniciou uma conversa qualquer, não importava o assunto, apenas queria ter a atenção dela em si um pouquinho.
Olhando pela janela Akane via as luzes passarem rapidamente, quase como um borrão, ante seus olhos sonolentos. Havia sido um dia muito agitado, primeiro com a aula, depois com a reunião e então o fim da tarde e boa parte da noite brincando com seu pai no parque. Não estava acostumada a ficar acordada até tão tarde, por isso o sono era maior que a vontade de permanecer acordada.
Virando o rosto ela observou a feição alegre de Trunks enquanto conversava com sua mãe. Queria tanto continuar brincando com ele, sabia que quando acordasse ele já teria ido embora, mas ele estava tão feliz, seus olhos brilhavam quando sua mãe olhava pra ele e comentava algo.
Fechou os olhos cansada e deixou que o sono a vencesse. Quando estivessem os três morando junto, ela teria muito tempo para brincar com seu pai.
Pan riu com as histórias que Trunks contava sobre os enroscos amorosos de seu Tio Goten, porque não poderiam ser outra coisa além disso. Seu tio parecia estar aproveitando bastante sua juventude, coisa que sua avó Chichi não deveria aprovar nem um pouco. A garota sentou-se meio de lado no assento, de modo a encarar Trunks diretamente, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, seus olhos pousaram sobre a figura adormecida de Akane.
- Parece que alguém não agüentou o ritmo – comentou com voz baixa e suave enquanto indicava o banco de trás do carro. Trunks seguiu seu olhar e sorriu levemente.
- Foi um dia puxado pra ela. – Então os dois se olharam brevemente e com um entendimento mutuo calaram-se pelo resto do caminho. Todos precisavam descansar.
O restante do caminho foi realizado em um silêncio confortável. Trunks apenas desfrutou da companhia de Pan, enquanto esta relaxava aproveitando o momento de tranqüilidade. A música suave embalava o ambiente, deixando o clima entre eles calmo e gentil.
Quando estacionou o carro em frente ao pequeno condomínio o rapaz suspirou calmamente, como se essa pequena viagem tivesse sido uma batalha vencida. Desligou o motor e virou de lado, observando os olhos negros da garota que acabavam de se abrir. Sorriu.
- Chegamos – sua voz soou doce, como ele sempre era com ela.
- Quase durmo – o tom sapeca dela, como se quase tivesse feito uma travessura, fez o sorriso dele abrir-se um pouco mais.
- Poderia ter dormido – ela negou com um movimento de cabeça abrindo a porta do carro.
- Ainda tenho um compromisso esta noite – Trunks levantou uma sobrancelha curioso. Compromisso, numa hora daquelas? Apesar da curiosidade o corroer por dentro ele preferiu ficar em silêncio, apenas desceu do carro e abriu a porta de trás para pegar a bela adormecida no colo.
- Vai ser a segunda vez que te carrego pra cama pequenininha – murmurou com um sorriso segurando-a nos braços. Quando Akane sentiu o calor do corpo do pai junto ao seu suspirou longamente e relaxou descansando a cabeça no peito paterno. O sorriso de Trunks alargou-se – Posso me acostumar com isso.
Era uma pintura. A expressão serena de olhar terno no belo rosto de Trunks, o brilho de amor e carinho que seus olhos refletiam, o leve arcar de lábios em um sorriso discreto, as mãos grandes e firmes segurando protetoramente o corpo infantil, o vento suave noturno que soprava os belos fios de cabelos roxos de um lado para outro era, em sua visão apaixonada, uma pintura perfeita.
Suspirou balançando a cabeça negativamente enquanto fechava a porta do carro. Depois de tanto tempo ela achava que essa adoração que tinha por ele havia passado, mas era em momentos como esse, onde ele mostrava uma ternura que poucos podiam ver, que Pan percebia o quanto tentava enganar a si mesma. Ele não precisava fazer ou dizer nada, bastava sua presença, um olhar, e ela sentia um calor agradável no peito.
- Sentimento superado, hein? – murmurou baixo o suficiente para que somente ela pudesse ouvir.
- Posso? – ouviu então a voz suave do rapaz chamando-a de longe. Ela abandonou os pensamentos e ignorou o olhar tranqüilo dele, apenas afastou-se alguns passos do veículo e fez sinal para que ele prosseguisse. Trunks retirou do bolso a chave do carro e pressionou o botão vermelho do pequeno controle.
Nunca entenderia essa tecnologia das cápsulas, pensou com um pequeno sorriso. Parecia mágica, mas ela sabia – principalmente graças às várias explicações do jovem presidente da empresa, quando ela era ainda criança – que não passava da mais pura e eficiente tecnologia. Em questão de segundos o carro parecia explodir, uma fumaça colorida e de cheiro forte surgia e então, onde antes havia um grande e luxuoso carro, agora encontrava-se apenas uma pequena e frágil cápsula.
- Versão luxo? – perguntou com um sorriso, referindo-se ao controle. Trunks apenas sorriu.
- Não. Apenas uma versão mais segura. – ele acompanhou com o olhar enquanto ela abaixava e recolhia o objeto do chão – Havia muitas reclamações sobre o perigo de acionar o botão direto no produto, então optamos por uma versão remoto¹.
- É prático – Ela comentou chegando até ele e guardando a cápsula no bolso de sua camisa. Trunks apenas sorriu em concordância antes de começar a andar.
Enquanto caminhavam lado a lado em direção ao prédio, Pan refletia no quanto sua vida tinha mudado no pouco tempo em que Trunks voltara a fazer parte dela. Antes de sua viagem para a Capital do Leste o maior contato que haviam tido era em um cartão de aniversário que ela mandara no primeiro ano. Nesse tempo ela tinha, aos poucos, aprendido a conviver sem a presença dele. No entanto, agora sua presença era forte e diária. Ligações constantes, breves encontros e até conferências virtuais começaram a fazer parte do seu dia-a-dia. E a cada dia esse contato crescia e ela já podia ver o dia em que seus sentimentos estariam sufocando-a novamente.
Por outro lado havia a felicidade de Akane, que desde que passou a ter contato com o pai parecia estar em constante ebulição. Então, mesmo que quisesse se preservar, não podia mais se afastar, não sabendo o quanto isso iria ferir sua filha.
Fechando os olhos e suspirando lentamente ela sentiu o perfume gostoso de sua colônia masculina, a mesma de anos atrás. Balançou então a cabeça e perguntou-se como tudo isso iria terminar.
Ouvindo o leve suspirar da garota Trunks a observou com o canto dos olhos e viu o balançar negativo de sua cabeça. Não sabia o que ela poderia estar pensando para fazer isso, mas a ação o fez sorrir discretamente. Em seu íntimo queria acreditar que tal reação era causada pela sua presença.
Dentro do pequeno elevador o rapaz, através do reflexo no espelho, observava ininterruptamente o semblante feminino. No passado, quando ela ficava séria, quase sempre seu rosto exibia uma pequena careta graciosa, quase infantil. Agora sua feição era madura, mas dependendo do que passava por aquela cabecinha maluca, seu rosto convertia-se numa faceta ligeiramente emburrada. Trunks descobriu amar essas mudanças.
Refletidos no espelho, tão próximos, ele percebia como ela havia mudado pouco fisicamente, mas a personalidade, apesar de ainda continuar explosiva, tinha se adaptado a nova situação que vivia. Ela havia crescido, e seria natural que seus sentimentos também tivessem se alterado. Ela havia amado um Trunks de cinco anos atrás, assim como ele havia amado uma Pan que não existia mais há muito tempo.
- Se importa se eu ficar? – ele perguntou suavemente, olhando-a pelo reflexo no espelho – Gostaria de aproveitar que estou aqui e passar o final de semana com Akane – na verdade ele queria passar o final de semana com elas, mas sabia que falar isso deixaria a garota acuada.
- Akane vai adorar – Pan comentou devolvendo o olhar – Sabe que pode ficar, não precisa pedir. – Ele sorriu e concordou com a cabeça e depois se manteve calado novamente.
- Que... sono... - Trunks escutou a voz preguiçosa murmurar enquanto a mão pequena tentava esconder um bocejo. E quando os olhos negros se abriram e encontraram nos lábios dele um sorriso carinhoso, foi com um sorriso divertido que retribuiu o gesto.
Quando finalmente chegaram ao apartamento, Trunks dirigiu-se ao quarto, para colocar Akane na cama, enquanto Pan pedia para ele ficar a vontade enquanto ela tomava um banho.
- Chicooo... - A menina murmurou tateando em volta da cama, assim que sentiu-se desprotegida pelos braços paternos.
- ... está aqui.. - respondeu colocando o pequeno animalzinho de pelúcia ao alcance da mão infantil. Ao tê-lo perto Akane abraçou-o apertado e adormeceu tranquilamente. Ele sorriu. - Boa noite.. - disse em voz baixa enquanto beijava sua cabeça suavemente, para depois retirar-se em completo silêncio e fechar a grossa porta de madeira.
Chegando ao corredor o rapaz pôde escutar o som de água que vinha do banheiro e parando frente a porta lembrou-se de anos atrás, quando por vezes haviam dividido o banho. Recordava aquela sensação embriagante, aconchegante e tranqüilizadora que o possuía quando estavam juntos, abraçados, apenas relaxando após dias agitados e problemáticos.
Fechando os olhos ele aguçou ainda mais seus sentidos, podendo assim perceber a suave fragrância - que ele reconhecia ser o shampoo da menina - pairando no ar. Erguendo sua mão ele encostou-a na porta enquanto suspirava longamente. Abriu os olhos e encarou a madeira escura da porta durante alguns instantes, então afastou-se em direção a sala murmurando internamente "Contenha-se, você já esperou cinco anos, pode esperar um pouco mais.".
Passando pela sala, Trunks desviou de alguns brinquedos e seguiu para a cozinha, onde procurou alguns itens necessários para preparar uma refeição. Fazia muito tempo que não cozinhava para alguém além dele próprio, esperava que não houvesse perdido a mão.
Quando Pan trancou-se no banheiro sentiu como se finalmente pudesse respirar. Havia se esquecido do poder que a simples presença de Trunks tinha sobre si. A forma natural e gentil dele de agir, seu perfume, gestos tranqüilos e educados, seu olhar carinhoso e sorriso acolhedor. Todo o conjunto de sua pessoa a pressionavam tanto que ela sentia-se tonta, sem saber ao certo o que acontecia a sua volta, quem diria então raciocinar direito.
De olhos fechados deixou que a água caísse sobre sua cabeça, molhando lentamente seu corpo cansado pelo esforço diário. Despejou uma pequena quantidade da substância esverdeada nas mãos e depois esparramou uniformemente pelos longos cabelos pretos. Sua cabeça ainda doía um pouco, mas a dor parecia diminuir lentamente enquanto seus dedos massageavam o couro cabeludo.
Sentiu que parava de respirar. Suas mãos abandonaram os fios negros para apoiarem-se no frio azulejo da parede, tentando dar sustentação ao corpo ligeiramente trêmulo da garota. Ele estava lá. Não precisava olhar, nunca havia precisado, ela simplesmente sabia que ele esta lá, do outro lado da porta. Sabia por que novamente a força dele a oprimia, porque seu corpo se enrijecia tamanha a tensão e nada mais parecia parado à sua volta. Mordeu o lábio inferior esperando pela ação dele.
E então, sentiu que podia respirar novamente. Ele havia se afastado. Suas mãos caíram pesadamente e ela as encarou chateada. Suas mãos, assim como todo seu corpo, tremiam ligeiramente e ela odiava saber que ele tinha tal poder sobre ela. Abriu novamente o jato d'água e deixou que a espuma escorresse de seus cabelos, levando consigo esses sentimentos que a deixavam tão vulnerável frente ele. E quando finalmente fechou a água, encheu-se daquela indiferença usada em todos os seus encontros. Era a única forma que ela conhecia para se manter firme.
Quando saiu do banheiro usando seu mais confortável pijama, Pan dirigiu-se a sala enquanto ainda enxugava os cabelos com uma pequena toalha. Ainda antes de sair do corredor esbarrou em um brinquedo de Akane. Suspirou longamente e abaixou-se para recolher o objeto. Ultimamente a garotinha estava ficando muito relaxada, deixando tudo jogado pela casa.
- Ela está passando muito tempo sozinha – Murmurou seu pensamento. Precisava passar mais tempo com a filha.
Quando Trunks finalmente retornou a sala encontrou Pan em seu adorável pijama azul marinho, ajoelhada ao lado de um cesto de plástico, onde depositava os brinquedos que recolhia do chão. Era uma visão muito familiar, ele concluiu com um sorriso.
- Precisa de ajuda? – Ofereceu enquanto depositava uma travessa com pequenos pães recheados com patê sobre a mesa de centro.
- Tudo bem, eu já estou terminando – Ela respondeu recolhendo os últimos brinquedos – Geralmente ela não deixa tudo espalhado desse jeito – comentou colocando o pequeno cesto em um canto e indo para o sofá – Akane sempre arruma suas coisas quando volta da escola.
- Ah! Não viemos para cá depois da escola – Trunks comentou enquanto voltava a cozinha – Fomos ao shopping e aproveitamos para ver um filme.
- Por Isso ela estava tão elétrica – A mulher sorriu, mas sem seguida sua expressão tornou-se preocupada e ela dirigiu seu olhar à porta do quarto – Ela não almoçou bem, será que dormiu com fome?
- Nós lanchamos depois do cinema - Trunks esclareceu, já de volta a sala com uma jarra de suco e dois copos.
- Trunks, isso não alimenta – Então ela suspirou longamente e levou a mão à franja em um gesto de cansaço – ultimamente ela não tem se alimentado muito bem.
- Acho que ela come muito para o seu tamanho – disse sentando-se e servindo suco nos copos – ao menos eu acho que ela come muito para uma criança humana.
- Come muita porcaria, você quer dizer – Pan resmungou pegando um pão e dando uma longa mordida. Trunks riu com o comentário.
- Crescemos comendo porcaria e estamos saudáveis, não? – Ambos se olharam um momento e depois riram. Seu raciocínio tinha alguma lógica.
Entre um gole e outro de suco, e vários pãezinhos, Trunks ficou olhando curiosamente par a Pan, que a todo o momento encobria um bocejo com a mão.
- O que foi? – A garota finalmente perguntou. Ele apontou um dedo para ela, sua expressão curiosa.
- Você não tinha um compromisso? – Tão rápido quanto a pergunta chegou aos ouvidos femininos, um gemido frustrado escapou da garganta da garota, que rapidamente ligou a T.V.
- Ah! Droga! – resmungou irritada – Perdi os dois primeiros innings ² - Por alguns segundos Trunks olhou atentamente para a T.V, enquanto seu cérebro, estranhamente lento nesta noite, tentava compreender o que aqueles homens usando bonés, roupas brancas e luvas esquisitas faziam exatamente.
- Baseball? – ele finalmente murmurou após longos segundos – Desde quando você gosta de Baseball? – Ela riu da expressão dele.
- Ano passado, no último aniversário da Akane, eu a levei ao parque e ela viu algumas crianças jogando com seus pais. - a garota respondeu sem desviar a atenção da TV. - Depois daquele dia tive que comprar algumas bolas e duas luvas, que por sinal fizeram meu orçamento estourar três meses seguidos – ela riu lembrando-se de como havia passado um bom tempo lamentando sempre que a fatura do cartão de crédito chegava – Todo final de semana eu tinha que jogar com ela, então acabei pegando gosto.
Trunks a observou enquanto comia mais um pão. Os olhos negros brilhavam ao verem a pequena bola branca voar de mão em mão, até eliminar um rebatedor. As mãos pequenas bateram uma na outra, comemorando a jogada, mas em seguida agarram os joelhos de forma ansiosa ao ver outro rebatedor posicionar-se.
- Não importa se é o Tachibana, ele não vai te rebater, Hiro³ – Trunks riu ao ouvi-la murmurar, como se o arremessador pudesse ouvir seu apoio. Ele viu como lentamente o jogador levantava os braços e flexionava uma das pernas, para então girar o corpo e completar o movimento, arremessando uma bola tão rápida que a câmera mal pôde acompanhar. – Isso! Você é o melhor da Major league (4), ninguém pode te rebater! – Trunks não conseguiu evitar rir alto ante o comentário da garota.
- Algum problema? – ela perguntou emburrada, olhando-o com a cara mais feia que conseguiu fazer.
- Nenhum, só estou rindo da sua confiança nesse garotinho aí. – ele disse apontando para o rapaz, que não deveria ter mais de 22 anos.
- Confio porque sei que ele é bom. Nos últimos dois jogos conseguiu evitar que todos os rebatedores chegassem à primeira base – Pan respondeu enquanto voltava a observar o último lançamento. - E ele é o jogador favorito da Akane, já me acostumei a torcer por ele. – Ela sorriu ao ouvir o juiz anunciar o Strike out, eliminando o rebatedor. Trunks gostou da novidade.
- Seus pais jogavam baseball na escola – ele comentou, finalmente terminando seu lanche e deixando o copo sobre a mesa – Parece que foi durante um jogo que Gohan chamou a atenção da Videl (5). – Pan riu.
- Uma vez mamãe comentou sobre isso, mas eu nunca havia me interessado por outra coisa que não fosse arte marcial – levantando as mãos ela as fechou em punhos e socou levemente o ar, como se fosse um inimigo – Mas até disso eu perdi o interesse.
Os minutos passavam lentamente enquanto o jogo avançava, sem que o rapaz prestasse qualquer atenção nele. Nos últimos minutos sua mente apenas repassava as palavras ditas tão tranquilamente pela garota, como se estivesse analisando quais teriam sido os reais motivos de sua falta de interesse nas lutas, que antes tanto a encantavam.
Trunks lembrava-se perfeitamente da emoção que ela sentia ao lutar, de como ficava ansiosa com os treinos e exigia de si muito mais do que deveria. Lembrava-se da forma como ela o olhava durante os treinos, quase como em adoração. Sabia bem que ele era o ídolo da garota, ao mesmo tempo em que era seu objetivo, seu alvo. Agora, pensando profundamente nisso, ele percebia que gostava dessa adoração e perseguição por parte dela. Era uma pena ela não ter mais vontade de lutar.
Quando finalmente voltou ao mundo real, Trunks percebeu que havia muito mais coisa para aprender sobre Pan do que ele imaginava. Ela era uma nova garota, com novos compromissos e ideais, com sonhos e opiniões muito diferentes da menininha briguenta de cinco anos atrás. E ele adoraria descobrir todas essas novidades.
- Por... – ele virou-se para ela para perguntar qualquer coisa, mas as palavras fugiram de sua boca ao contemplar a face feminina adormecida. O rosto pálido, de pele macia e perfumada, transmitia um grande cansaço e ele soube que ela estava se forçando a permanecer acordar até agora. – Menina boba, deveria ter ido descansar desde o começo – ele sussurrou, abaixando o volume da televisão.
Não soube exatamente em que momento ela adormeceu, mas isso não era realmente importante para ele. Sabia que ela estava cansada e seria melhor levá-la para a cama, mas era a primeira vez em dias, em meses, em que podia observar a feição dela abertamente, sem que ela se mostrasse fria e indiferente aos seus olhares. Nesse momento, enquanto ela ressonava baixinho, ele poderia matar a saudade desse rosto doce e amado.
Aproximando-se da garota, Trunks deslizou os dedos suavemente pelos cabelos negros, sentindo a umidade e maciez contra sua pele. No passado, por várias e várias vezes, ele a havia tocado desse modo, com gentileza e carinho. Era como voltar no tempo e ter novamente sua menina ao seu alcance. Os dedos desceram pelo rosto, espalmando delicadamente a face branca em um toque carregado de receio, de medo de despertá-la.
- Tanto tempo... - sussurrou tão baixo que sequer ele mesmo pôde ouvir suas palavras. No entanto, seu coração acelerou uma batida quando o rosto feminino virou-se de encontro a sua mão, como se buscasse mais contato. Talvez, inconscientemente, ela estivesse respondendo com gestos que também sentia falta desse contato, dessa proximidade.
Minutos se passaram enquanto ele somente observava o rosto adormecido da garota. Ele ficaria assim a noite inteira, mas um suspiro relaxado escapou dos lábios femininos quando o polegar dele acariciou o queixo gentilmente. Por um momento ele pensou que a tivesse acordado, mas não, ela ainda dormia, seu rosto ainda era sereno e pacifico. Enchendo-se de coragem ele aproximou-se um pouco mais e pousando as mãos nos ombros finos, o mais levemente que conseguiu. Então a puxou para junto de si, fazendo com que repousasse sobre seu peito.
"Não acorde, por favor." Pediu freneticamente em pensamentos. Não teria outro momento como aquele, ele sabia, e por isso queria aproveitar o breve contato o máximo possível. Envolveu-a com seus braços e descansou sua cabeça sobre a dela, acariciando suas costas gentilmente. Sentia como se por longos anos estivesse perdido, abandonado no frio e no escuro e que agora, ao tê-la ali, em seus braços, uma pequena chama o envolvia, aquecendo seu corpo e clareando seus dias. Era enlouquecedor amar alguém tanto assim, e doía profundamente ser repelido todas as vezes que se aproximava.
- Por que não me deixa cuidar de vocês, Pan? – Trunks murmurou de encontro aos cabelos negros da garota, expondo seus sentimentos para quem não podia ouvi-los. Afastando-se dela voltou a observar seu rosto, dessa vez com uma adoração ainda maior. Havia olheiras fundas, mas elas não pareciam deixá-la feia, para ele as marcas aumentavam a sensação de fragilidade, aumentavam o desejo nele de protegê-la. Deslizou os nós dos dedos sobre a face pálida e sentiu como ela arrepiava-se em seus braços e separava os lábios suspirando novamente. Os olhos azuis dele prenderam-se ali, nos lábios grossos e desejáveis da menina, e seus dedos não demoraram em deslizar por eles, provocando um estremecimento em ambos. Ele desejava tocá-la, precisava tocá-la e apesar de saber que não devia, não conseguiu impedir que seu corpo se movesse, aproximando seus lábios dos dela.
Era quente, era acolhedor, era agradável, era quase a perfeição. A respiração quente tocava seu rosto enquanto seus dedos enroscavam-se nos cabelos negros como a noite. O calor do corpo amado o aquecia plenamente e ele sabia que esse calor não seria nada se comparado a perfeita união que poderia haver entre eles. Desejava, como no passado, deixar-se ser guiado pelo instinto, deixar-se seduzir pela inocência e simplicidade da garota, deixar que sua razão fosse extinta em meio a beijos e abraços. Mas não podia, não devia, não enquanto ela não o aceitasse novamente.
- Não... – murmurou colando sua testa a dela. Lábios abertos, olhos fechados, respiração quente e úmida a tocar a face feminina, mãos que tentavam evitar abraçar fortemente o corpo pequeno, que tentavam conter o desejo e saudade de seu dono. – ainda não.. – sussurrou novamente, afastando-se e encarando novamente o rosto tranqüilo. Os lábios grossos e convidativos não poderiam ser beijados esta noite, então tudo o que restou ao rapaz foi afogar seu desejo em um virginal encostar de lábios na testa feminina, antes de pegá-la nos braços e levá-la para o quarto, junto da filha.
- Boa noite – sussurrou as duas enquanto apagava a luz e fechava a porta. Observou alguns segundos a madeira escura antes de dirigir-se até o sofá, que seria seu leito naquela noite.
Ajeitando-se no sofá Trunks fechou os olhos e trouxe de volta a imagem das duas garotas adormecidas na cama. Assim não demorou muito a dormir com um sorriso no rosto.
Mãos pequenas de dedos finos e trêmulos deslizaram pela face úmida, enxugando as gotas quentes do pranto recém derramado. Os olhos negros, tristes, encaravam o rosto sorridente expresso em uma única e simples linha no desenho infantil colado na parede. Um bolo formava-se em sua garganta ao olhar aquela família sorridente, aquela que deveria ser a sua família.
Havia uma mulher de traços irregulares, mas que demonstravam em seus detalhes a dedicação de quem os havia feito. Era pequena, de pernas e braços curtos, um longo cabelo e olhos sorridentes. Sua mão esquerda fechava-se ao redor de uma mão menor que pertencia à pequena garota de olhos exóticos. Seus cabelos eram curtos e os braços estavam esticados para unir os dois adultos, que estavam um de cada lado. O vestido florido que vestia, ela sabia, havia sido presente de seu avô.
Mas ela centrou-se mesmo foi na imagem de traços fortes, coloridos e vivazes. Era um homem de aspecto forte, mas que demonstrava extremo zelo e carinho pelas duas garotas ao seu lado. Sua mão grande encobria a pequenina da menina, e a linha que desenhava seu sorriso parecia ter sido feita com amor e cuidado. O rosto era disforme, e apesar disso ela podia perceber que a feição era realmente bela, porque assim o queria seu autor. Os cabelos, pintados num tom roxo forte, caiam levemente sobre a testa masculina, mas nunca chegando a encobrir os belos olhos azuis.
Outra lágrima escorreu pela face feminina quando ela leu as letras tortas, mas que retinham todo o amor da criança que as fez: Mamãe, Akane e Papai. Cada uma das palavras escritas debaixo do desenho que o representava e o significado daquele conjunto de desenhos e palavras a feriam profundamente.
Levantando-se lentamente para não acordar a filha, Pan caminhou até o guarda-roupa de onde tirou um coberto grosso e um macio travesseiro. Com passos lentos saiu do quarto e dirigiu-se até a sala, onde o rapaz que era absoluto em seus pensamentos de adolescente roncava baixo.
Era uma imagem quase irreal. Vê-lo dormir em seu sofá, em sua sala, de uma forma que parecia tão terna era algo que não conseguia entender. Só de olhá-lo adormecido, com os olhos azuis fechados e os fios de cabelo caídos sobre o rosto, os lábios grossos e vermelhos ligeiramente separados, por onde a respiração passava tranqüila, só de olhá-lo assim sentia seu coração transbordar novamente aquele mesmo sentimento de anos atrás. Mas a umidade em seu rosto a lembrava de que aquele mesmo homem a tinha feito chorar no passado e que não seria diferente agora.
Balançando a cabeça negativamente a garota aproximou-se dele e com algum cuidado, apesar de saber que ele dormia como uma pedra, colocou o travesseiro sob a cabeça do rapaz, evitando que no dia seguinte ele viesse a reclamar pela dor. Depois esticou o cobertor sobre ele e após um breve olhar retornou ao seu quarto, onde tentou dormir o que lhe restava de noite.
Continua...
Ayumi – A cantora Ayumi Hamasaki. Para quem se lembra no segundo capítulo foi mencionado que Trunks a tinha como uma de suas cantoras preferidas, sendo que foi ate uma das músicas dela que os embalou na dança.
Pensamento da própria autora. OO' Até hoje fico pensando no que aconteceria se um carro virasse cápsula com alguém dentro!!!
1 - Innings (entrada) - A partida de Baseball é disputada em nove innings (ou nove entradas). Um inning é formado por um turno de ataque e um de defesa, para cada equipe. A mudança acontece quando a equipe que está defendendo consegue eliminar três atacantes adversários (batedores e/ou corredores). Não existem empates. Se ao final dos nove innings o jogo estiver empatado, innings extras vão sendo acrescentados até o desempate.
2 - Hiro, referente ao Kunimi Hiro, de H2. Kunimi Hiro e Tachibana Hideo são amigos, mas jogam em times diferentes. Hiro, é o melhor arremessador do Koshien, Tachibana, o melhor rebatedor. E SIM ¬¬ eu sou muito fã do Hiro e de H2, por isso eles aparecem nesse fic.
3 - Major League – Liga profissional de Baseball americana.
4 - Para quem não lembra, é quando o Gohan praticamente Voa para receber uma bola, e depois sai dizendo "sorte sorte" como se tivesse sido completamente discreto.
Comentários da autora
Bem, o que dizer sobre essa demora monstruoso de um ano e meio? Acredito que nada justifique, até porque realmente não há justificativa para isso. Tudo o que tenho a dizer é que agradeço pelas dezenas de e-mails e comentários dando animo e pedindo para não parar o fic. De fato, nunca me passou pela cabeça não concluir esta história, mas tão pouco imaginava que fosse demorar tanto para atualizar. De modo que agora peço desculpas pela demora gigantesca.
Não vou agradecer individualmente para quem comentou porque ficaria muito longo, mas sintam-se abraçados por mim!!
Algumas pessoas que conversam comigo pelo MSN perguntaram se eu iria parar de escrever quando coloquei um Nick dizendo que não queria mais saber de fanfics. Isso aconteceu exclusivamente pela enorme frustração que senti ao perder as 17 páginas já escritas do fic quando meu HD queimou. Naquela ocasião eu disse que só voltaria a escrever novamente quando retomasse um PC só para mim e isso só pode acontecer agora.
Agora, sobre esse capítulo. Desde o momento em que idealizei esse fanfic ele teria 10 capítulos. Porém, como podem ver, não conseguir concluir com apenas 10. Eu não gosto de escrever capítulos longos demais e este já tem 33 páginas, pelo que se fosse continuar até acabar, teria mais de 50, o que seria muito longo. Então, optei por partir esse capítulo em duas partes. Espero que tenham gostado dele, apesar de que não acontece quase nada ele é importante para compreender um pouco os sentimentos dos dois.
Alguém deve comentar que houve uma quebra na seqüência, já que não mencionei a primeira visita do Trunks a casa delas. Mas isso se deve ao fato de que pretendo escrever um capítulo extra exclusivamente para falar disso, e como ele não vai influenciar na história, decidi não perder tempo escrevendo-o agora.
No mais espero que perdoem os erros gramaticais \o\ e qualquer outro que deve ter ao longo do texto. Apesar dos erros, foi feito com muito carinho.
Quem quiser perguntar algo pode usar meu email bulmachanbries hotmail. com e eu terei prazer em responder.
Nos vemos no próximo capítulo.
