Making Songs

Capítulo 10

Inuyasha pegou o diário, ficou receoso ao abri-lo, mas precisava saber mais! Sentou-se no chão, em um tapete de veludo vermelho.

Respirou fundo e abriu, sabia em que página exata havia parado, e voltou a ler com atenção aos mínimos detalhes.

"Há algo em mim, mais precisamente em meu coração... Sinto-o comprimir e se tornar ínfimo a cada hora, minuto, segundo que se passa... Sem poder fazer absolutamente nada para conseguir parar esse sofrimento que se torna constante. Por razão do destino, ou melhor, da conseqüência que ele tem sobre nós, minha face e meu coração estão tomados pela dor. Mas culpo o destino? Por quê? Sendo que em destino nenhum acredito. Creio que o uso como uma futilidade barata para afastar o semblante triste que vaga solitário, igualmente a mim, em minha mente, alma e coração..."

Inuyasha parou um pouco a leitura, sentiu-se mal por não ter percebido nada disso antes. Não entendia como ela podia sorrir mesmo sentindo-se desse jeito.

"Sei que uma hora tudo isso irá passar, mesmo que demore, anos talvez. Mas algo dentro de mim diz, suponho que seja meu próprio subconsciente alertando, que tudo não passará tão rápido como desejo.

Talvez se não tivesse me apaixonado, amado, e não ser correspondida, eu seria uma pessoa alegre e ingênua, igual antigamente. Mas a única coisa imutável é a lua, que retém um brilho especial somente dela. Igualmente o brilho que jazia em meus olhos antes de conhecer meu amado. Mas retroceder no tempo, não há maneira e mesmo que tivesse, acho que a melhor coisa é continuar com as decisões e escolhas que fiz e me fazem ser eu mesma hoje. Mesmo que esteja triste, acho que mesmo voltando no tempo, faria as mesmas escolhas erradas, pois não se muda a vida voltando e tentando apagar o que já fui e o que sou... Pois agora, sei que minha vida está traçada dessa maneira, estúpida e hostil... Horrenda. Já a ele, a vida foi muito boa, pois não sabe o que é sofrer com uma paixão não correspondida; não, não paixão, amor. Digo amor, pois paixão é algo momentâneo que se passará. Passará levando consigo momentos ótimos. Mas o amor é diferente, você vai nutrindo esse sentimento especial, mesmo não querendo, até que alguém, ou você mesmo perceba, mas quando se dá conta... É tarde demais... Pois é algo inesperado assim, gerando conseqüenciais, e na maioria das vezes sofrimento, mesmo que seja ínfimo, ele se alarga ao extremo, transformando-se em algo insuportável, e até mesmo se transformando em algo diário. Que se torna uma rotina horrível, cheia de sofrimento e solidão, eu digo isso por experiência."

Inuyasha buscou algo para olhar além daquele diário que o fazia ficar mais atordoado com o passar das palavras. Se antes estivesse com dúvida entre quem escolher, agora estava sem saber o que fazer completamente.

"Pois para mim, a única pessoa que precisa e que almeja você só a vê como 'amiga'; claro, por que seria mais que isso? Minha face dolorosa sempre esteve encoberta por um sorriso, falso e fatal. Você foi e é tudo que eu desejo com ardor. Você foi tudo que eu pensei que fosse e fui descobrindo isso pouco a pouco. Mas como sempre, você, imprevisível como sempre, escolheu alguém, mais similar com minhas feições impossível. E eu pensando em ter um final feliz ao seu lado... Mas isso é algo improvável e até mesmo inútil de pensar, pois finais felizes só existem em livros infantis e contos de fada.

Você foi tudo o que eu queria e sabia, e pensava em como podíamos ser com meu 'final feliz'. Mas isso foi só até aquele dia... É claro que continuei com sonhos, fantasias e esperanças, mas os mesmos se isolaram tão intensamente em minha mente, que já nem sei o significado deles. Tento não agir como se estivesse morta, mas, muitas vezes penso que estou; pelo fato que já dei minha alma a você.

'Não me deixe'. Foram as palavras que sussurrei quando disse adeus no último ano colegial, mas não creio que ele as ouviu. Aquelas palavras que escaparam da minha boca por uma reação involuntária. Agora penso que foi uma reação do meu próprio coração."

Ele parou, e lembrou-se de ter ouvido tais palavras de Kagome na formatura do colegial, mas na hora, não tinha certeza se fora ela quem dissera, e se foi exatamente para ele, mas agora a certeza bateu, e não sabia o que fazer. Voltou os olhos no diário com mais receio que antes.

"Eu cometi erros. O que posso fazer? Sou humana, e erro; creio que esse também foi meu erro... Apaixonar-me por você. Primeiramente achei que era uma paixão pura, que acabaria logo, mas o que acabou logo foi esse pensamento. Só se tornou um amor incandescente, mas gostaria que fosse um amor platônico, quem me dera fosse só isso...

Você fez sua escolha há alguns anos atrás, sei que não poderei mudá-la, e sei que não agüentarei por muito mais tempo esse sorriso falso. Hoje em doa estou só, se quisesse não estaria, mas o que vale fingir para alguém que você ama? Praticamente nada, só criaria ilusões e esperanças. Igual fez comigo"

Inuyasha parou de ler, pensava o que teria falado para que pudesse tê-la enganado. Mas não se lembrou de nada. Na realidade pensava frustrado, pois para ele, não havia feito nada. Algo lhe ocorreu. – 'Será que aquela vez que eu disse eu te amo, fez com que ela ficasse desse jeito? Mas pensei que era só como amigo, pelo menos foi essa minha intenção. Mas acho que ela não entendeu.' – Pensou ele cabisbaixo, sentindo-se culpado mais ainda. Rolou os olhos pelo diário mais uma vez.

"Às vezes me pego chorando escondida. Tento desviar minha atenção com meras coisas, mas não consigo. Pois ele não me sai da cabeça, muito menos o jeito que age, sorri, o que é raro, pois seu sorriso verdadeiro, ele só mostra a ele. Mas será que ela realmente merece algo de tamanho valor e não dar à mínima? Ou se dá, não é na frente das pessoas.

Sei que não poderei romper o laço dos dois, nem gostaria, não por força, mas isso está me matando de uma maneira imperceptível, lenta e dolorosa, mais do que eu esperava.

Eu disse adeus, pois queria fugir com medo de escutar quem ele escolheria, mesmo não escutando, eu posso ver com clareza, ele já escolheu.

E sei muito bem que não há lugar pra mim entre os dois, sempre serei a intrometida, mesmo que digam o contrário, sei que estarei sendo.

Quando disse claramente adeus, tinha uma vontade incontrolável de te ver, mas essa vontade se transformou em medo, pois tinha medo da sua reação a me ver novamente.

Não queria ouvir você dizer – Me desculpe, mas escolho a Kikyou. – Por que tive que te conhecer? Se soubesse que sofreria tanto, não gostaria tê-lo conhecido. Mas sempre quero e sempre quis vê-lo feliz.

Eu... Eu estou chorando? Sem duvida essas coisas amarguradas custarão para passar, e sem perceber comecei a amar muito você.

Nunca parei de pensar sobre ele, sobre mim ou sobre ela... Eu descobri que você sente com um desgosto incomparável. Por isso fugi, pois pensei que não haveria lugar para mim."

Inuyasha parou, pois viu Kagome sair da piscina. Deixou o diário aonde havia encontrado, na gaveta da mesinha ao lado da cama.

Fechou a porta e ninguém o viu entrar, muito menos sair, conseguia ser astuto quando queria.

Começou a andar rápido para o elevador, mas trombou em alguém quando o mesmo abriu, a pessoa se desculpou, mas se desequilibrou levando Inuyasha consigo para o chão. Perto da porta de seu quarto.

-Me desculpe – Disse a garota, Inuyasha ainda não havia reconhecido.

-Não, foi mal aí! – Respondeu ele incerto, ela levantou a cabeça para olhar aqueles orbes dourados, que pareciam um sol de verão, e ele fez o mesmo.

Kagome e Inuyasha jaziam no meio do corredor vazio, fitando um ao outro, ele estava em cima dela, se ela quisesse sair, ele teria que fazê-lo primeiro.

A vontade de sentir os lábios de Kagome estava ficando maior a cada minuto. O sentimento era mútuo. Como estava molhada, havia uma toalha circulando aquele corpo seminu, mas a toalha havia se soltado, e Inuyasha a prensava contra o chão de uma maneira enlouquecedora. Ele a prensava de maneira voraz, fazendo pressão aos seios molhados, cobertos somente pelo fino pano do biquíni. A razão mais uma vez voltou trazendo lembranças recentes de como seria para ela se ele a beijasse, justamente agora que sabia de seus segredos.

Levantou-se devagar, fazendo menção para que ela se sentasse. Estendeu a mão, trazendo-a consigo quando a mesma levantou, ficaram a milímetros de distancia, e a razão dele já havia ido para o inferno. Beijou-a fortemente. Suas línguas ansiavam a vontade de satisfazer o desejo que tinham um do outro. Inuyasha explorou cada centímetro daquela boca que tanto queria; Kagome não se segurou também, deu passagem.

Separaram-se em busca de ar, ofegantes, Kagome mostrou um pequeno sorriso, fazendo-o ficar confuso e sua face não mostrou diferente.

Ela fitou-o e delicadamente mordeu o lábio inferior, dando uma excitação maior ainda ao hanyou que lá jazia compenetrado na visão monumental que estava tendo.

Pegou a toalha do chão, e passou por ele, já ele parou de segui-la com os olhos e fechou-os, apreciando o perfume de sakuras exalando dela. Viu-a entrar no quarto, ela arqueou uma sobrancelha e sorriu maliciosamente, ele mordeu seu lábio. Ela riu e fechou a porta.

Ela do outro lado, balançou a cabeça rindo ainda, não sabia se ele tinha noção do efeito que tinha sobre ela, mas estava contente pelo beijo, uma hora ou outra se entregariam, ela sabia disso, a tensão que havia sobre os dois era grande demais para poder segurar.

Seu telefone tremeu em seu bolso, fazendo-o despertar, dirigiu-se ao seu quarto, o qual ficava ao lado do de Kagome. Já ela, foi até a varanda apreciar a vista, ainda molhada. Olhando o céu, ouviu a voz de Inuyasha na varanda ao lado. Teimou em prestar atenção.

-Nossa; o que foi amor? Por que ligou a essa hora? – Perguntou ele olhando as horas no relógio e se deu conta que era quase uma e meia.

-Quer dizer que não posso mais telefonar pro meu namorado? – Perguntou perspicaz alguém do outro lado da linha.

-Claro que pode, mas é que você nunca me ligou a essa hora, quer dizer, quase nunca me ligava, imaginei agora que a gente tivesse dado um tempo, ligaria menos ainda, né? – Disse ele tentando encerrar a conversa.

-Ai Inuyasha... Para com isso, sei que só quer fazer ciúmes. Você não tem coragem e nem quer terminar ou dar um tempo comigo – Disse Kikyou sarcasticamente.

-Para com isso você! Você sabe que fui EU quem deu um tempo, principalmente porque a gente precisava, e ouvi várias coisas de você – Continuou Inuyasha.

-Hum... Que 'coisas' ouviu a meu respeito? – Perguntou ela maliciosamente.

-Isso não vem ao caso, pelo menos não agora, é coisa que tem que se conversar cara a cara, porque sei que você mente muito bem e... – Não conseguiu terminar.

-De qualquer jeito... – Continuou ela não prestando atenção no que ele havia dito – Eu liguei porque quero falar algo com você, mas tem que ser cara a cara – Esperando uma resposta mais entusiasmada do que a qual saiu.

-O que? – Perguntou ele rolando os olhos – De falar com você cara a cara? O que é?

-Bom, eu quero falar cara a cara porque quero acertar as coisas com você... – Disse ela maliciosamente, e ele tremeu ao se dar conta do que eram as coisas que ela se referia. Disse um tchau e um beijo.

Ouviu alguém do seu lado esquerdo da sacada pronunciar algo, e ao ouvir direito, era Kagome.

-Kagome... 'Tá aí? – Perguntou ele colocando a cabeça para o lado para melhor enxergá-la. Mas o que viu foi uma figura torneada abaixando para poder pegar a toalha. Sua posição não era das mais favoráveis, pelo menos Inuyasha achava o contrário. Abriu a boca e engoliu seco quando percebeu que ele havia visto. Enrolou-se na toalha. Corou violentamente, Inuyasha saltou de sua sacada a dela. Queria observá-la mais de perto. Aquela toalha que beirava a nada o que cobria, fazia ele tremer de excitação.

-Inuyasha, o que quer aqui? – Indagou ela afastando-se dele.

-Nada, é que eu ouvi você dizer algumas coisas e... – Disse ele sem tirar os olhos dela.

-Ah... Me desculpa por ter escutado sua conversa intima com a namorada – Disse ela sarcástica. – Agora se me der licença, eu queria tomar um banho, sem que ninguém entre aqui, principalmente pela varanda. – Cortou ela, e ele pensou que se ela continuasse a ver Sesshoumaru seria um erro terrível, pois estava ficando fria que nem ele.

Desviou os olhos deles, que até aquele momento parecia inevitável não olha-lo. Culpou-o mentalmente por não sentir seu cheiro antes. Ela olhou para baixo apertando a toalha em si, ele virou-se, pediu desculpas e foi para seu quarto, deixando Kagome lá, a qual esperava qualquer outra reação da parte dele do que essa.

Caiu no chão de joelhos e fitou a varanda. Suspirou desanimada e levantou, tirou seu biquíni e rumou para o banheiro. – 'Ele nunca vai esquecê-la. É exatamente o que ela disse, ele não tem coragem de terminar. Tenho que me conformar, só isso, talvez eu possa ser a outra' – Riu ela com o pensamento. Ligou o chuveiro e o mesmo soltou vapor pelo banheiro.

Entrou molhando os cabelos, que já estavam um pouco secos. Sentiu a água purificar-lhe o corpo, e lavar todo o mal, e os sentimentos um pouco corrompidos embora. Começou a cantar, não sabia que letra era, só vinha na cabeça e ela colocava numa linda melodia.

Inuyasha ainda estava na varanda, e começou a ouvir uma música muito bonita, soava bonita. Reconheceu que era de Kagome e pulou em sua varanda novamente.

I wake up in the morning

Put on my face

The one that's gonna get me

Through another day

Doesn't really matter

How I feel inside

This life is like a game sometimes

Then you came around me

The walls just disappeared

Nothing to surround me

Keep me from my fears

I'm unprotected

See how I've opened up

You've made me trust

I've never felt like this before

I'm naked around you

Does it show?

You see right through me

And I can't hide

I'm naked around you

And it feels so right

Kagome respirou fundo, Inuyasha estava na fresta da porta escutando com perfeição aquela música melódica.

Trying to remember

Why I was afraid

To be myself and let the covers fall away

Guess I never had

Someone like you

To help me fit

In my skin

Kagome já havia lavado seus cabelos, e estava ensaboada, se lavando por inteiro. Pegou outra toalha que pendia sobre o box. Enrolou-se e tirou o excesso de água dos cabelos sedosos. Saiu do mesmo, e bem a sua frente havia um espelho. Sua toalha tapava apenas a parte da frente, virou-se de costas e olhou sua tatuagem. Era delicada, mas também imponente. Uma estrela contornada com um preto forte e em volta estava escrito "There's no way you can dream without a Nightmare" (Não há maneira alguma que você consegue sonhar sem um pesadelo – Nightmare – nome da banda).

Inuyasha não havia visto a mesma ainda, pois estava bem abaixo linha onde o biquíni ou a calcinha fica.

Kagome começou a andar para a porta, o vapor nublava sua visão por inteiro, escorregou no chão molhado pelas gotas. Pensou que estava indo para o chão, e teve o reflexo rápido o suficiente para cobrir a cabeça com as mãos, deixando a toalha cair, e beirar metade de seus seios. Mas estranhou quando percebeu que não bateu no mesmo. Sentiu uma mão em suas costas e a outra em sua cintura. Sua respiração falhou quando abriu os olhos e viu Inuyasha, não imaginou vê-lo tão rápido depois de ter saído. Arregalou os olhos.

Inuyasha fitou-a como um todo, viu-a corar imediatamente, também pudera, estava quase nua em sua frente, apesar de já ter visto sem querer algumas vezes, nunca havia chego tão perto assim numa hora dessas.

-Inu... Yasha...- Balbuciou ela, fazendo-o estremecer por ouvi-la dizer seu nome quase em um sussurro. Estava extremamente excitado, não podia negar que a queria, ali, agora!

Ele levantou-se a trazendo consigo, ficaram novamente perto um do outro, não se conteram e selaram com um beijo, para os dois, o beijo no corredor havia sido há muito tempo. Kagome fez carinho na nuca do hanyou, e o mesmo puxou-a ainda mais. O beijo que antes era doce e gentil se tornou voraz e delicioso para os dois. Kagome sentiu suas pernas fraquejarem e segurou no precoço dele. Sua toalha estava prestes a cair, e Inuyasha estava aprofundando os toques, quando ouviu uma músiquinha irritante vindo do quarto e praguejou mentalmente esperando que Kagome não percebesse. Cessaram o beijo provocante, e Kagome ajeitou a toalhas. Foi até sua bolsa e pegou o celular.

-Alô? Ah, oi Kouga... – Disse ela sentando-se na cama e recompondo-se, Inuyasha encostou-se à beira da porta do banheiro. – Ah, sim, você está no Brasil também? – Indagou ela entusiasmada, fazendo Inuyasha virar o rosto e fingir que não se importava. – Claro, me liga depois pra combinar aonde se encontrar, tenho que ir para o Rio amanhã, ai a gente se fala pode ser? – Dizendo isso Kagome desligou o celular e fitou o hanyou ainda fingindo que não tinha se abalado. – O que foi? – Perguntou ela com cara de inocente.

-Nada... – Disse ele um pouco alterado – Nós nem acabamos de dar uns amassos e você já marca um encontro com aquele lobo fedido? – Disse ele apontando o dedo.

-Primeiro ele não é lobo fedido, já namorei ele, segundo, hei, o que é isso se ficar apontando o dedo pra mim? Já se esqueceu que se você fizer isso tem três apontando de volta pra você? Eu não marquei um encontro – Disse ela – Pelo menos não ainda... – Murmurou ela, pensando que não seria ouvida.

-Ah sim, mas vai! E a gente nem acaba nada e você já vai conversar com seu namoradinho? – Disse ele indo em direção a ela.

-Bom... Não fui eu quem acabou de beijar e começou a conversar com a namorada de verdade, sobre coisas intimas a fazer – Disse ela franzindo os olhos. – Me poupe Inuyasha! Você não tem nem moral para falar sobre namoro ou conversas intimas pra mim. – Disse ela brava, e ficou sem resposta, pois sabia que era verdade e só murmurou um "Feh".

Virou-se e foi para a varanda, querendo ir ao seu quarto, mas antes jogou um bloquinho de anotações em cima de uma estante.

-Acho que não queria esquecer a música... Não é? – Indagou ele pulando de volta para sua varanda. Kagome olhou-o confusa. Pegou o bloquinho e viu que ele havia escrito a música que acabara de cantar, não sabia se ficava aliviada, pois havia esquecido mesmo, ou se ficava apreensiva por ele estar espiando ela.

Girou os olhos e pegou uma camisola de seda. Colocou-a e enxugou os cabelos e penteou-os.

Deitou-se na cama sem sono algum, igualmente fez Inuyasha que estava a um quarto de distancia, mas seu cheiro impregnava aonde quer que fosse, e como ele havia ficado muito com ela, suas roupas cheiravam forte o perfume que ela exalava.

Inuyasha mudava os canais na Tv sem vontade alguma de assistir, só tinha o desejo profundo de fazê-la dele, amando ou não, às vezes o desejo carnal é maior. Mas não queria dar falsas esperanças, apesar de saber que era bem capaz de ter feito completamente ao contrário, mas não entendia como ela conseguia fazer com que ele perdesse a razão, nem Kikyou conseguiu tal feito.

Kagome folhou revistas que havia trazido consigo; muitas das quais, havia fotos da banda por fazerem entrevistas, dessa maneira não conseguiria tirá-lo da cabeça, forçou a si a dormir. Já quase quatro da manhã e precisava descansar.

Na manhã seguinte teriam que embarcar para o Rio e ir numa coletiva de imprensa.

Acordaram e quase todas as malas já estavam no carro, foram para o aeroporto e para seu avião. Queria ignorar Inuyasha, mas sabia que seria mais do que em vão a tentativa, ele a atraia.

-Full House – Disse ela convencida por ter ganhado pela quinta vez consecutiva no pôquer. E ele muito bravo.

-Não vale Kagome! – Esbravejou ele.

-Não vale o que? – Perguntou ela rindo.

-Você já me rapelou mais do que suficiente! – Disse ele cruzando os braços

-Tá, tudo bem... – Disse ela entre risadas – O que quer jogar então?

-Truco. É um jogo brasileiro e a gente aprendeu na vinda lembra? – Disse ele

-Lembro sim, mas pelo que me lembro também, eu fui melhor que você pra pegar a manha do jogo! – Disse ela rindo.

-Bah, a gente vai ver isso agora! – Disse ele franzindo o cenho.

-Como quiser, meu amo!

-Ainda bem que sabe tratar certas pessoas com o devido respeito. – Disse ele rindo da cara que ela fez.

-Nossa, mas tá se achando muito mesmo!

-Não devia falar assim de seu amo – Disse ele sério e erguendo uma sobrancelha, Kagome mostrou a língua só, e ele achou que foi bem convidativo esse gesto e quis brincar mais – Quer que eu mostre uma boa utilidade pra sua língua na minha boca? – Perguntou ele maliciosamente, fazendo-a corar.

-Não, ela está muito bem aqui... – Disse ela apontando pra própria boca – Na minha boca... – Disse ela rindo junto com ele, mas queria que ele tivesse tomado uma atitude e não só na brincadeira.

-Então pare de me tentar! – Sussurrou ele em seu ouvido, e isso a fez estremecer, sorrindo ele voltou a sentar-se em seu lugar na frente dela. – Então? Vamos jogar truco? – Disse ele como se nada tivesse acontecido.

Ela levantou uma sobrancelha e com uma cara de incrédula.

-Vamos... – Disse ela – Nossa você sabe mudar mesmo de assunto – Riu.

Após um tempo, só ouvia-se gritos.

-Truco! – Gritou Inuyasha, ameaçando-a com os olhos.

-Seis! – Continuou ela fuzilando-o com o olhar.

-Cacete! – Resmungou Inuyasha – Não vale... Você sempre ganha, nunca tenho nada de bom na mão!

-A culpa não é minha que você não sabe fazer camaço! – Riu ela.

-Nossa que safada! Roubando na cara dura! – Disse ele em meio de um sorriso, ela corou.

Passando algum tempo, chegaram no Rio de Janeiro, Kagome vislumbrou a beleza de tudo à noite.

Continua...