N/A: Eu peço desculpas pelo atraso gigantesco para postar! Posso prometer que isso não vai ocorrer novamente! Obrigada a minha amada beta, Sra. Letyr, que já deve estar com vontade de me matar. Obrigada também por todos os comentários, espero que esse capítulo recompense-os pelo atraso! Deixem reviews!
ABRINDO BURACOS NA FELICIDADE
Elijah sorriu para sua esposa, apoiou-se no portal da cozinha e enfiou as mãos nos bolsos. Katherine tinha os cabelos cacheados soltos e bagunçados. Estava envolta em um roupão curto de seda e seu corpo curvilíneo, do qual ela tanto se orgulhava, insistia em chamar o marido como o canto de uma sereia.
- O que faz acordada a essa hora?
A mulher sorriu, indicando a xícara de chá que tinha nas mãos. - Meus nervos estão à flor da pele... - suspirou. - Então achei que podia muito bem beber alguma coisa. - deu de ombros e franziu os olhos castanhos e gatunos. - E você acha que isso é hora para chegar em casa, 'Lijah? - provocou, indicando o relógio na parede.
Mikaelson sorriu, olhando de soslaio as horas. Duas e quarenta da madrugada, mais cedo do que ele acreditava.
- Eu estava trabalhando, sinto muito por deixá-la esperando, Katerina. - o apelido dançou em sua boca.
Katherine revirou os olhos e sentou-se no balcão da cozinha, erguendo o indicador e convidando-o a se aproximar. Ele riu, andando até ela e sorrindo quando sua esposa passou as pernas ao redor de seu quadril, mantendo-os próximos.
Elijah franziu o nariz quando percebeu que o chá dela era mais da metade álcool. Sorriu. Não entendia porque achara que seria diferente.
- Você deveria pagar por chegar a essa hora, Elijah. - ronronou Katherine, passando os braços ao redor de seu pescoço e beijando-o. Mikaelson sorriu sob seus lábios, mordendo-a e enfiando os dedos em seus cachos de chocolate, puxando-a para mais perto.
- O que está te deixando nervosa? - questionou, sem fôlego. Ela mexeu o chá com o indicador e bebeu o resto.
- Não sei... É só uma sensação, sabe? De que estamos sendo assistidos, de que algo vai dar muito errado... - deu de ombros. – Só estou sendo paranóica, sempre fui.
- E louca, Katerina. Paranóica e louca. - ele completou. Ela bufou, beijando-o novamente e sendo empurrada deitada no balcão.
- Bom, eu tinha que sobreviver de algum jeito, não? - ronronou em resposta, abrindo o roupão e jogando-o longe. Elijah ergueu as sobrancelhas para o pijama, se é que aquilo podia ser chamado de um pijama.
- Você ainda vai ser minha morte, Katerina. - murmurou, capturando os lábios dela.
O telefone tocou. Um toque estridente que afastou o casal às pressas, procurando a fonte de tal barulho àquela hora da madrugada. - Que espécie de pessoa liga a essa hora? - gemeu Katherine, estendendo uma mão para o aparelho sobre a bancada, pronta para empurrá-lo no chão.
Elijah sorriu e beijou-lhe. - Deve ser algo importante, Kat.
- Deve ser trote, 'Lijah... - ela arfou, abrindo os botões da camisa dele e forçando um beijo. Elijah sorriu sob seus lábios.
- Não. Pode ser algo importante. - ele afastou-a com uma mão, antes de atender ao telefone.
Jeremy Gilbert apertou os dedos ao redor da mão de Kol. Tinham acabado de chegar ao hospital e ele sabia que Kol estava histérico. - Eu estou aqui, ok? - murmurou, baixinho, antes de soltá-lo e deixar que ele corresse para encontrar Klaus e Caroline.
- O que o médico disse? - questionou o mais jovem Mikaelson, nervoso. Caroline estava de mãos dadas com Niklaus, ele parecia cansado e doente.
- Eles não sabem o que está acontecendo. - murmurou Klaus, exausto. - Ela só...
-... Caiu em coma. Não acorda, porém seu cérebro está em atividade, em alta atividade. Fizeram um exame de sangue e seus níveis hormonais estão muito altos... É quase como se seu corpo estivesse dobrado a quantidade produzida. Ela também está torrando de febre, já tiveram que resfriá-la duas vezes...
- Eles disseram que nunca viram algo como isso. Damon está nos mantendo informados.
- Damon? - Kol rangeu os dentes, cansado e preocupado demais para se importar em tentar esconder o ciúme e a raiva. Detestava os Salvatore, cada um deles. Mas Damon era o pior. Como aquele babaca conseguira acesso ilimitado a sua irmã enferma?
- Ele é médico. Por algum milagre estava de plantão quando a trouxemos... E, bom, ele está nos mantendo atualizados. - explicou Caroline. Kol percebeu que os olhos dela estavam circundados por olheiras escuras.
Kol queria responder de que não precisavam da ajuda de Damon, e nem de ninguém, mas se forçou a parar ao sentir a mão de Jeremy envolver a sua. Os Salvatore não importavam. Rebekah importava, só ela.
- Então, o que aconteceu? - questionou, dando mais um apertão na mão de Jer antes de soltá-la e cruzar os braços.
- Bekah veio nos visitar. Ela estava muito abalada... - Kol franziu as sobrancelhas para a voz de seu irmão. Mecânica. Estranhamente calma. Mentirosa. -... Por causa de um pesadelo. Tentamos acalmá-la e então ela desmaiou. - Nik deu de ombros, fazendo com que Caroline se encolhesse. Ela também percebera... Inferno, até Jeremy percebera que Klaus estava mentindo!
- Quem mais sabe?
- Posso vê-la?
Jeremy e Kol se entreolharam quando falaram ao mesmo tempo.
- Elijah já sabe. Liguei para ele. - explicou Caroline. - Ele está vindo... Você poderá vê-la logo, Kol. Estão fazendo outra ressonância, Stefan está com ela.
O jovem Mikaelson rangeu os dentes e concordou, caindo sentado, exausto, numa das cadeiras desconfortáveis da sala de espera. Jeremy sentou-se ao seu lado, segurando sua mão com mais força, como se, dessa vez, quisesse ter certeza que ele não fugiria do conforto.
Kol ergueu as sobrancelhas para Niklaus e Caroline. Eles estavam abraçadinhos, o rosto de Nik escondido no arco do pescoço dela, inspirando o cheiro de seu cabelo louro.
Perguntou-se quando aqueles dois tinham se tornado tão próximos.
A próxima hora se arrastou. Kol já se levantara mais de uma vez, já consumira todas as bebidas oferecidas pela máquina no final do corredor. Estava encarando o relógio na parede, assistindo-o roubar seus segundos de vida... Os segundos preciosos de Bekah.
Não conseguia se conformar que algo acontecera com Bekah. Ela, assim como todos seus irmãos, era invencível. Uma vampira imortal, temida... A Imperatriz dos vampiros. Ele se acostumara a vê-la daquela forma. Fazia um milênio que não via sua irmã caçula como uma pessoa frágil... Quase tão frágil quanto aquele bebê louro que fora, o qual ele costumava invejar.
Invejar a devoção que Elijah e Nik dispensavam a ela. A relação de quase camaradagem que Bekah mantinha com Finn, aquele ser insuportável. Invejar como sua mãe a colocara num pedestal, assim como Mikael fizera, afinal, era sua menininha de ouro.
- Kol. - Jeremy deu-lhe um chacoalhão e ele percebeu que dispersara. Seus pensamentos tinham vagado, esquecera-se que estava no hospital. - Você pode entrar. - instruiu.
Kol piscou e olhou ao redor. Caroline e Nik estavam longe de serem vistos. Jeremy tinha um olhar preocupado e cansado e... Ah, Damon Salvatore, aquele maldito babaca, estava de pé, com um jaleco branco e um sorriso compreensivo que Mikaelson odiava.
- Quer que eu vá junto? - sugeriu Gilbert, franzindo as sobrancelhas. Kol balançou a cabeça negando e passou por Damon, decidido a ignorá-lo.
- Você tem uma hora, Kol, foi tudo que eu consegui. Depois disso vamos ter que fechar a UTI. Porém, às seis vão levá-la para o quarto e os horários de visitas vão ficar mais flexíveis. - explicou Salvatore. Aquele sorrisinho torto em seu rosto pálido fazia o sangue de Kol arder. Fora estacado com um bastão de baseball por aquele imbecil e agora ele agia como se Rebekah não fosse melhorar.
Ela não iria para quarto algum às seis! Iria para casa, para sua vidi...
Stefan Salvatore seria o primeiro a dizer que era uma pessoa emocional. Ele vivia no penhasco, na corda bamba da insanidade e do tédio. Era sempre muito. Muito apático, muito amável, muito leal e muito detestável. O melhor amigo e o pior inimigo que se poderia ter.
Porém ele não estava preparado para receber uma ligação apática de Niklaus às duas e meia da madrugada. Não estava preparado para ouvir a voz estranhamente calma de seu melhor amigo dizer-lhe que Bekah - ela não, por favor... - estava no hospital e que seu quadro não era bom.
Não era bom?! Esse quadro é "O grito"!
Ele estava ainda menos preparado para ver Rebekah convulsionar quando sua febre subira. Para ouvir seus gritos de pavor e suas súplicas...
E agora Kol.
Simplesmente olhar nos olhos de Mikaelson já era o suficiente para dizer-lhe que aquela não era a melhor hora para questionar a sanidade de Kol. O rapaz andou até Rebekah, ignorando a presença do Salvatore no quarto, e sentou-se na cama mesmo que fosse proibido. Agarrou a mão de Bekah e soltou um risinho nervoso, levando-a a boca e plantando um beijo na palma macia.
- Você sempre gostou de bancar a boneca, Bekah. - resmungou, um soluço balançando seu corpo. Stefan se encolheu. Nunca vira aquele olhar maníaco no rosto de ninguém. Todos os Mikaelson eram loucos... Mas Kol era lunático! E agora perdera o juízo de vez.
Mas o Salvatore nem mesmo podia julgá-lo. Não podia ter certeza se estava em seu perfeito juízo.
- Já está tarde para brincar de boneca, irmãzinha. Você precisa acordar, Bekah. - Kol deixou a cabeça cair, as lágrimas caindo e os soluços balançando seus ombros. - Por favor, Bekah, por favor... - suplicou, afundando o rosto nas cobertas, mantendo-se o mais perto possível dela. - Não faça isso comigo, irmã. Eu sei que não fui o melhor irmão, mas... Eu posso ser melhor, Bekah. Só não... Não se atreva... A morrer. Não agora que estou aqui. Não agora que é feliz.
Stefan decidiu sair do quarto antes que perdesse a cabeça.
Niklaus tinha adormecido com a cabeça em seu ombro. Um ronco baixo e exausto saia de seus lábios abertos e, mesmo em seus sonhos, sua testa estava franzida de frustração. Caroline deixou um gemido escapar e buscou uma posição mais confortável na cadeira sem acordá-lo. Nik era um peso morto, estava tão cansado emocionalmente que nada o acordaria.
Correu os dedos delicadamente pelo cabelo louro sujo dele. Sorriu quando percebeu que sua mordida no ombro dele ainda aparecia, se olhasse com cuidado para dentro da camiseta amarrotada. Suas bochechas não tinham um pingo de cor e as olheiras já surgiam.
- Caroline? - a voz de Elijah fez com que desviasse os olhos de Niklaus e olhasse ao redor. Jeremy tinha adormecido, o queixo encostado ao peito, a promessa de uma dor de cabeça. Ela afastou Nik gentilmente e se levantou, abraçando Elijah pela cintura.
Nunca haviam sido próximos. Ela sequer se lembrava de ter falado com ele no outro mundo. Contudo, ele estava tão desesperado quanto Kol e Nik... Quanto ela.
Os olhos dele, daquele maravilhoso tom de avelã, estavam cheios de um medo muito bem escondido. Ele nunca perdia a compostura. Enquanto Niklaus se enchia de raiva e Kol surtava, Elijah simplesmente resolvia. Ele resolvia problemas, concertava coisas. Era o ser mais maduro que Caroline já conhecera, assim como era o homem mais inumano.
Aqueles que odiavam ainda eram humanos, sentiam algo. Elijah simplesmente parecia etéreo demais para a Terra.
No entanto, ali estava ele. Cheio de medo, desespero emanando de seu corpo como uma colônia barata. - Você ligou... O que aconteceu? Onde ela está?
- Kol está com ela. - murmurou, antes de recomeçar a contar tudo novamente. Ele não a interrompeu uma única vez, apenas escutou cuidadosamente, analisando o que estava sendo dito e o que realmente estava acontecendo.
- Quão grave é? Quão doente ela está? - questionou, fitando o chão com um interesse repentino.
- Muito. - respondeu, sabendo que quanto mais demorasse, pior seria.
Caroline estava com medo, não somente por Rebekah, mas por si mesma. Por Klaus... Pelo bebê.
Agora que Rebekah se lembrara, o mundo desmoronara. O que aconteceria então? O que aconteceria se tivessem que repentinamente voltar? O que seria de seu filho, de sua vida? Porque vinha construindo uma vida. Construíra um lar e, agora, o universo conspirava para tomá-lo.
A loira abriu a boca para falar, mas foi interrompida.
- Elijah! - Stefan correu até o mais velho Mikaelson e o abraçou com força. Enquanto o Salvatore era emoção latente, Elijah era puro raciocínio. - Deus, Elijah, ela... Ela... Estava gritando! - resmungou Stefan, nervoso. Era claro que ele acabara de sair do quarto de Rebekah e ainda estava muito abalado... Os gritos... Caroline ouvira-os e se reconhecera neles. Se vira gritando enquanto era torturada. - Estava chorando...
- Stefan, controle-se! Onde ela está? - Elijah deu-lhe um chacoalhão e agarrou-o pelo queixo, forçando-lhe a ficar quieto.
- Na UTI, com o Kol...
- Onde é a UTI, Stefan? – perguntou lentamente, como se o Salvatore não conseguisse pensar direito.
- Eu...
- Eu te mostro. - murmurou Caroline, agarrando Elijah pela mão e puxando-o para longe de Stefan, que ainda parecia atônito demais para entender qualquer coisa. Guiou-o para as portas da UTI, mas não entrou. Não podia lidar com mais aquilo, seu emocional já estava destruído.
- Tudo bem, não precisa vir junto. Eu vou. - garantiu. Elijah enfiou as mãos nos bolsos e caminhou até o leito que, mesmo sem procurar o suficiente, sabia ser dela. Afastou a divisória e cruzou os braços.
Kol tinha se ajoelhado junto a cama dela, a cabeça descansando entre as mãos, o rosto muito pálido. - Kol?
- 'Lijah... - ele sorriu, erguendo os olhos. - Não faça barulho, ela está dormindo. - resmungou, antes de tornar a fechar os olhos. Elijah suspirou.
- Ela não está dormindo, Kol... - murmurou, franzindo o cenho.
- Elijah, se você continuar a fazer barulho, eu vou ter que pedir que saia. - Kol ergueu as sobrancelhas, irritadiço. O mais velho suspirou e se aproximou mais um pouco.
- Irmão, Rebekah não está dormindo...
- EU SEI QUE ELA NÃO ESTÁ DORMINDO, ELIJAH! - gritou Kol, levantando-se de supetão e erguendo as mãos. Seu rosto assumiu um tom púrpura. Elijah suspirou e esperou pela explosão. - ELA ESTÁ QUASE MORTA! - Seu rosto perdeu as cores restantes e ele caiu sentado novamente. Lançou um olhar para Bekah e mordeu o lábio inferior, apertando os olhos fechados. - Ela está quase morta, Elijah...
- Kol... Ei, Kol... - andou até seu irmão caçula e o abraçou com força. - Não diga isso, irmão. Não ouse. - pediu, beijando o topo de sua cabeça e apertando-o.
O caçula afundou o rosto no terno dele. Respirou fundo, os dedos apertando o paletó. Elijah lançou um olhar para o rosto pálido de Rebekah e apertou ainda mais a figura trêmula de seu irmão. Ele já perdera um irmão. Henrik, o mais novo deles, que falecera ainda nos braços de Niklaus. Não podia perder Rebekah também. Ela não.
- Vamos sair daqui. - orientou o mais velho, puxando Kol. Poderia vir visitar Rebekah outra hora, mas, naquele momento, a sanidade de seu irmão caçula parecia estar em maior perigo. - Venha.
Kol seguiu-o para fora do quarto e se apoiou pesadamente na parede. Seu rosto estava pálido. - Por mil anos eu vivi, 'Lijah... E por mil anos eu nunca temi tanto. - passou pela face suada e soltou um suspiro.
O mais velho enfiou as mãos nos bolsos, franzindo as sobrancelhas. Havia algo de errado com Kol, algo de muito errado. Não somente ele estava dizendo que vivera um milênio, mas ele também parecia doente.
- Você está bem, Kol?... Fisicamente? - completou Elijah, franzindo as sobrancelhas. Kol soltou uma risadinha.
- Não muito são, irmão... E ando com uma horrível dor de cabeça, mas não tão ruim quanto a de ontem. - deu de ombros. - Maldita doença.
- Doença? Que doença?
Kol abriu os olhos. Aqueles olhos azuis e escuros estavam gelados, opacos. Guardavam uma loucura histérica, Elijah pensou, como se aqueles mil anos imaginados estivessem realmente pesando.
- Não te contei, irmão? Estou morrendo. Rebekah, eu... Conte as horas para Nik cair mortinho, Elijah. Você também já deve estar sentindo as dores. - zombou.
Mikaelson franziu o cenho ainda mais. - Do que está falando, Kol?
- Fui ao médico. Meu adorável namorado me forçou a ir, após ter testemunhado minhas horríveis enxaquecas. E adivinhe o que o médico me disse? Você tem duas chances!
- Kol, pare de brincar! - rosnou Elijah. O mais jovem apenas riu.
- Não foi isso que ele disse, 'Lijah! Uma última chance!
- Kol, explique o que está acontecendo. - ordenou seu irmão mais velho, o rosto austero. - Agora.
- Certo, certo! - ele ergueu as mãos em rendição, ostentando uma expressão indignada. - O Dr. Kurt me disse que não sabe o que está acontecendo comigo. Não faz a menor ideia. Assim como os médicos não sabem o que está acontecendo com Bekah! Partes do meu cérebro, como o córtex frontal, seja lá que merda for isso, estão degenerando. E outras partes como o hipotálamo estão em plena atividade! Ou seja, parte de mim está morrendo, enquanto outra parte está em curto!
Ele soltou uma gargalhada, passando uma mão nervosamente pela boca e pelo suor que se acumulara sobre seu lábios superior. Percebeu que seu nariz recomeçara a sangrar. Retirou um pedaço de papel higiênico amassado do bolso.
- Você... Isso é fatal, Kol?
- Não sei, quem sabe? Com alguma sorte vai ser rápido. - ele murmurou, inclinando a cabeça e fechando os olhos.
Mikaelson rangeu os dentes. Estava farto das criancices de seu irmão caçula. Rebekah estava em coma e agora Kol estava doente. Não era hora para brincadeirinhas e alegações cínicas.
- Vou te levar em um médico melhor. Uma bateria de exames para começar. - decidiu-se Elijah. - Vamos descobrir o que há de errado e vamos curá-lo. Rebekah vai acordar e... Aonde diabos está Niklaus quando eu preciso dele? - olhou ao redor irritado, já planejando os próximos passos. Ele agarrou o irmão pelo braço. - Você precisa de algumas horas de sono, alimentar-se direito...
- Quando foi que você se tornou meu pai? - rosnou Kol, se livrando do aperto com um safanão. - Eu não sou uma criança e eu não preciso de babá. Se alguém precisa de uma nesse momento, é Rebekah. Porque você não vai sentar-se junto a seu leito e me deixa em paz? - resmungou, andando para longe Elijah.
Elena passou uma mão pelo rosto, respirando fundo e abrindo os olhos para o teto. O corpo quente de Miranda estava pressionado contra o seu, o barulho suave de sua filha dormindo era um calmante natural.
Damon ligara, Rebekah estava em coma. Ela imaginou como Stefan deveria estar se sentindo.
Afinal, conhecia a dor de perder um ente querido, mas nunca passara por isso. Todas as mortes que haviam ocorrido em sua vida tinham sido lampejos. Lampejos de dor e então o nada. Haviam sido repentinas.
Não tivera que sentar e esperar que o destino resolvesse o que faria de um amado. Imaginou a dor.
A morena suspirou e virou pela cama. Lançou um olhar para sua filha. Adormecida, tranquila. Alheia aos problemas do mundo real.
Miranda era a imagem da redenção naquela cidade. Ela era o prêmio dourado. Elena não achava que sequer merecia sentir tanta felicidade apenas de olhá-la.
Enquanto seu amigo e cunhado sofria, ela sentia-se segura apenas de olhar para Miranda. Contudo, Elena nunca disse que não era egoísta.
- Eu te amo. - murmurou, pressionando os lábios contra o templo da menininha e abraçando-a forte. Não podia e não iria soltá-la. Seria desistir da sanidade.
Às vezes, Klaus se pegava imaginando Aaron. A criança que falecera ainda no Velho Continente, antes de Mikael e Esther fugirem da peste, correrem para outras terras.
Esther nunca falara muito sobre o filho perdido. Mikael nunca falara muito sobre nada, ignorante como era.
Porém, Niklaus ouvira um comentário ou outro. Aaron era honesto, infante e cheio de luz.
Nik se perguntava se Aaron teria gostado dele. Se teria o defendido contra a perseguição de Mikael. Se teria estapeado Esther para tirá-la daquela vida submissa.
Nik costumava usar Aaron como seu amigo imaginário. Sempre que Elijah saia para relacionar-se com o vilarejo - Tatia - e Finn deixava-o, como usual, para ajudar Esther, Niklaus voltava-se para seu mais fiel amigo.
Aaron, em sua imaginação, criava esquemas contra Mikael. Ouvia seus protestos. Entendia sua mágoa para com Esther...
Até que Kol nasceu. E, depois de Kol, Rebekah e Henrik.
Os mais novos destruíram a imagem de Aaron. Kol costumava fazer piadinhas, perseguir Elijah em todos os lugares. Erguer os olhos e conseguir qualquer coisa de Niklaus; Rebekah conseguia qualquer coisa de qualquer um. O mundo girava ao seu redor, a única mulher, a favorita de Esther; Henrik era uma chama, o mais próximo do sonho que Aaron fora. Henrik queimava violentamente, com sorrisos e gritos dramáticos. Não por acaso, ele foi consumido rápido demais, morrendo frio e cinzento nos braços de Klaus.
Portanto, quando Kol tropeçou para a sala de espera, branco e trêmulo, Niklaus fez a única coisa razoável:
Ele se levantou da cadeira na qual estivera sentado pelas últimas horas, a cadeira que se tornara perigosamente íntima de seu corpo, e abraçou o caçula.
- Você está bem?
- Você também vai me perguntar isso? - Kol resmungou, passando uma mão pelo rosto. Suor perolizava sua testa, haviam olheiras sob seus olhos. Vestígios de sangue ao redor de suas narinas. - Não sou eu que estou morrendo, Nik. É Rebekah. Elijah está com ela, porque não se junta ao clube? Ela vai te admirar ainda mais quando acordar e vê-lo. - havia um humor pegajoso em sua voz.
- Rebekah está sendo bem cuidada, já você parece doente demais para estar em um hospital e não ser o paciente. - Niklaus franziu as sobrancelhas, sentindo seu coração bater rápido. - Kol?
- Sim? - O rapaz apoiou-se em uma parede, permitindo que as pernas desistissem e deslizando até cair sentado.
- Seus olhos... - Klaus se ajoelhou diante dele, erguendo uma mão e tocando sua face. - As veias estão saltadas... Eles estão vermelhos... - O esgar do vampiro marcava o rosto jovem de Kol. Niklaus se esquecera de quão monstruoso era aquilo. Seu irmão soltou um lamento e escondeu o rosto entre as mãos.
- O que está acontecendo, Kol?
- Não sei, Nik. Não faço a menor ideia! Com alguma sorte vou morrer logo... - ele soltou uma risadinha histérica. - Aonde está sua Golden Retrieve? E Gilbert?
- Caroline e Jeremy saíram para comprar algo na máquina da outra sala. Venha, me ajude aqui. - passou um braço pelo quadril de Kol e puxou-o de pé. O jovem lançou-lhe longe com um empurrão bem dado.
- Eu não sou uma criança! - as veias enegreceram. - Parem de me tratar como uma maldita criança! - Niklaus sentiu o ar faltar quando viu as presas na boca de seu irmão. Aquilo simplesmente não fazia o menor sentido.
- Kol...
- Não! Não! Rebekah está morrendo e vocês estão perguntando se eu estou bem! Ela está morrendo, Nik, e vocês nem ligam! Eu estou bem! Estou ótimo! - os gritos dele reverberavam pelas paredes. Seu nariz começou a escorrer sangue.
- Kol..!
- Nós já perdemos um irmão, Niklaus! Henrik morreu nos seus braços, você deveria se lembrar da sensação! Porque não está preocupado com ela?! Estão agindo como se... Como se já estivesse morta! Pois bem, não está! - limpou o sangue com as costas da mão que tremia convulsamente. - Ela não está morta! Então parem de agir como se eu fosse o maior problema!
E com isso ele parou de gritar, arfando. Tentou, em vão, limpar o sangue que escorria por seu nariz, para sua boca e queixo. Estava começando a empapar sua camiseta.
- Kol...?
- Estou bem. Vá fazer algo de útil, Niklaus, ao invés de me paparicar. - rosnou o jovem, se apoiando contra uma parede. A máscara do vampiro, as feições distorcidas, ainda estavam em seu rosto. Contudo, as veias estavam relaxando, se tornando menos saltadas sobre a pele. Os caninos tinham recuado, diminuído. Respirou fundo e piscou, apertando os olhos. Quando abriu-os novamente, suas córneas eram brancas, não vermelhas.
Ele engoliu em seco e resmungou algo sobre a camiseta destruída, antes de sair a passos largos para o banheiro masculino mais próximo. E abandonou seu irmão mais velho chocado e horrorizado.
Elijah e Stefan já haviam sido chutados da UTI quando Caroline voltou com Jeremy. Eram cinco e quarenta da manhã, o sol ainda não pensava em surgir. Kol não fora visto e Elijah ostentava um olhar preocupado e exausto. A exaustão, Nik tinha certeza, era culpa de Kol.
Stefan estava morto de cansaço. Ele desabou em uma das cadeiras da sala de espera e fechou os olhos, adormecendo quase instantaneamente.
- Você viu o Kol? - questionou Jeremy, franzindo as sobrancelhas. Klaus balançou a cabeça, negando. Ele ouviu Elijah balbuciar algo sobre levar Katherine para um Hotel, sendo que ela estava adormecida no carro, e então partir. Gilbert fora atrás do namorado.
E então estavam só. Klaus abraçou Caroline com força.
- Klaus...
- Kol se transformou em vampiro. - ele cuspiu a sentença. O rosto dela empalideceu ainda mais, se possível.
- O que?... Como?!
- Ele não se "transformou" de verdade. Ainda é humano... Acho. Mas o rosto do vampiro, sabe? Surgiu enquanto gritava comigo. Seu nariz estava sangrando e tudo, ele parecia doente... - Niklaus balançou a cabeça. - O que está acontecendo, Caroline? Primeiro Rebekah se lembrou de tudo, agora Kol é quase um vampiro... O qu... - ele parou o que iria dizer quando ela deu-lhe um apertão. - O que foi?
- Rebekah... Ela não foi a primeira... Ah meu Deus, meu Deus, meu Deus... - seus olhos se encheram de lágrimas. - Ele não, por favor, ele não... - cobriu a boca com uma mão, devolvendo um olhar aterrorizado para o noivo.
- O que quer dizer?
- Tyler... Ele se lembrava. Disse que se lembrava dos dois mundos, assim como Rebekah. Simplesmente acordou e se lembrava... E... Ah meu Deus, Klaus... - ela balançou a cabeça, sentando-se em uma cadeira e abrindo a bolsa com um puxão bem dado. Procurou, com as mãos trêmulas, pelo celular.
Klaus franziu as sobrancelhas. Tyler Lockwood se lembrava. E Caroline estava morrendo de preocupação por ele... Engoliu o ciúme e arrancou a bolsa das mãos dela, procurando pelo aparelho. Entregou o objeto.
Caroline estava pálida, gelada, enquanto discava o número de Tyler. Esperou ansiosamente na linha. - Não atende... Ah meu Deus, Klaus... E se ele estiver morto? Significa que Rebekah...?
- Sushshuhh... Ligue de novo. - talvez Tyler estivesse bem. Talvez ele estivesse bem, sendo medíocre em algum lugar bem longe deles.
O rosto de Caroline se iluminou quando alguém atendeu e Klaus quis morrer.
- Ty... Alô? Umm... Aqui é Caroline Forbes, eu gostaria de falar com o Ty... Como assim ele não pode atender? - ela fechou os olhos, apoiando o rosto numa mão e respirando fundo. - Aci... E... É grave? Ele vai ficar bem?
Klaus gesticulou nervosamente para que ela dividisse o que estava ouvindo. Care ignorou-lhe. - Não, tudo bem, eu... Claro, eu sinto... Certo, certo... Obrigada. - com uma seca despedida, desligou o aparelho.
- Então?
- Ele sofreu um acidente de carro, quando estava voltando de Mistic Falls. Caiu em coma, no coma estranho de Rebekah. Não está melhorando, mas não está piorando também...
- Então, boas notícias? - sua piada ficou no ar. Caroline cruzou as mãos sobre a barriga, afundou o rosto no peito dele e chorou.
Damon se apoiou na escrivaninha, tomando mais uma xícara de café. Um bule por noite, Damon?! gritou a voz de Elena em sua cabeça. Ele fez um gesto de descaso. Estava sob pressão, podia muito bem beber quantos bules de café quisesse.
Passando uma mão pelo rosto e bocejando, ele agarrou o celular e discou o número de sua esposa. Sabia que Elena estava acordada. Sabia bem que ela não voltaria a dormir enquanto seus amigos estivessem no hospital. - Damon? Damon, ela melhorou?
- Não... Ela está piorando, Elena. - contou, desabando sentado em sua cadeira de rodinhas. Apoiou a testa na mesa de madeira. - Não contei para Stefan... Para ninguém na verdade. Mas eu vi os exames, 'Lena... Rebekah não vai durar, estão lutando contra o relógio.
- Damon, eu posso ir...
- Não. - cortou. - Fique em casa. Miranda precisa de você agora, pela manhã pode vir consolar Stefan se quiser. Mas agora... Esse hospital está um inferno. Nenhum deles sabe o que está de fato acontecendo, mas eles têm olhos. Podem vê-la morrendo. Kol teve um surto... Eu não o culpo. Estou surpreso que Stefan esteja aguentando... Estou surpreso que Mikaelson esteja lidando com isso.
- Klaus? Como ele está? Sabemos muito bem que ele não é lá muito estável...
- É o mais calmo. Eu não entendo, 'Lena. Quando trouxeram-na Klaus estava em pânico. Mas agora...? Ele está tão calmo que está me dando nos nervos. Elijah então? Eu não sei qual o problema com aquele engomadinho, mas deve haver um. Rebekah está morrendo, Elena. E eles estão calmos demais. Há tanta tensão no ar que eu posso cortar com uma faca.
- E Caroline? Alguém está prestando atenção nela? Ela está grávida, Damon... - havia um aviso na voz de Elena. Um aviso que era "cuide de minha amiga. Faça algo, Salvatore", mas que Damon interpretou como "Você já a machucou demais. Não fique de braços cruzados e seja homem, Salvatore".
- Ela está bem.
- Mesmo?
- Sim. - cortou o assunto. Caroline era um tema delicado, sempre seria. Ela estava naquela pasta intitulada "Não mexa, ultrassecreto." Uma amiga, um relacionamento que ele simplesmente não pretendia analisar. Porque então viria a culpa, aquela culpa esmagadora que o devorara durante a época de reabilitação. Não podia lidar com isso de novo.
- Damon...
- Elena...
- Tome conta dela, por favor. Você sabe que eu não engulo o Klaus... E Stefan está alucinado demais para prestar atenção na Care.
- Elena. Ela não é minha prioridade. Rebekah é.
- Rebekah está morta, Caroline está viva. - rosnou Elena. Damon sabia que fizera uma besteira. Cutucara o lado maternal dela, aquele lado que se importava demais com os amigos.
- Rebekah está viva. E você também. Vá dormir, te ligo de manhã. - ordenou. Ouviu um suspiro resignado.
- Você ligou para Bonnie? Alguém avisou Bonnie e Matt?
- Eu não sei, Lena. - bocejou. - Eu não liguei... Não vi ninguém ligando.
- Eu ligo então.
- Por quê? Você mesma disse que não gosta de Rebekah.
- Eu não disse isso. Rebekah... Ela é família, mesmo sendo insuportável. Eu só disse que Care é mais importante. - ele sabia que ela ostentava aquela expressão indignada. O nariz franzido; Os olhos de corça, estreitos.
- Mesmo assim... Eu duvido muito que Bonnie dê a mínima para Rebekah.
- Bonnie se importa sim. - ela rosnou. - E tem o Matt também. Ele e Rebekah tiveram um namorico, são amigos ainda... Claro que ele vai querer saber.
- Elena, não se meta...
- Eles são minha família, Damon! Eu me meto onde eu quiser me meter! - O Salvatore se encolheu. Quem ele pensava que era? Sabia que não deveria mexer com Elena, ainda mais nervosa.
- Que seja. Você deveria ir dormir, 'Lena.
- E você também.
- Eu tenho trabalho a fazer. Tenho que ajudar no caso da Barbie-Klaus, tenho que impedir que o Mikaelson-filhote invada o quarto dela... Tenho que tomar conta de Stefan... Eu tenho que desligar, Elena.
- Damon...
- Sim?
- Eu te amo.
Um sorrisinho se abriu no rosto dele. Salvatore sabia que ela odiava isso, aquela sensação de estar perdendo alguém. Ele não podia deixar de se sentir um pouco egoísta por ter sua família intacta: Elena, Miranda, Stefan.
- Eu também te amo.
Rebekah fechou os olhos, sentindo sua boca se encher de saliva e sangue. A fome tomando seu corpo por inteiro. A sensação doce do líquido escorrendo por sua garganta.
- Modos, princesa. - sussurrou ele. Ela soltou o corpo que segurava, deixando que o cadáver caísse com um baque e se virou para enfrentar aqueles olhos claros, gelados.
- O que faz aqui? É meu sonho, não pesadelo. - rosnou. Sentiu as mãos calejadas em seus ombros.
- Certeza, princesa? Certeza que é um sonho... - os beijos úmidos contra seu pescoço. Rebekah soltou um gritinho de nojo e tentou empurrá-lo para longe, mas era muito fraca.
- Me deixe em paz, por favor... Eu prometo que eu vou ser boa, vou ser uma boa menina... Pai, não, por favor... - Mikael mordeu o lóbulo de sua orelha.
- Admita, você vem provocando... Arrastando-se pela casa com aqueles vestidos, banhando-se diante de mim...
- Não, não, não...
- Você quer... - ele jogou-a na grama. Os dedos grossos puxaram os cordões de seus calções de couro e linho cru. Rebekah fechou os olhos.
Sentiu os beijos contra seu pescoço. - Ah, Bekah... - ela sorriu para a voz dele. Stefan. Stefan!
- Admita, vadia. - ronronou Mikael, fazendo com que seu sorriso desaparecesse. - Você me deseja. - e era a voz bonita de Stefan Salvatore. - Eu fui seu primeiro e único amor...
- Stefan. - empurrou-o pelo peito e abriu os olhos. Soltou um grito quando percebeu que era um morto. Os dentes podres caindo de dentro da boca, os cabelos brancos, ralos e longos... Os dedos já haviam sido devorados pela terra, pedaços de ossos despontavam sob a pele fina e cinzenta.
- Saia de cima de mim! - ela gritou, horrorizada, quando o morto pressionou-a no chão.
- Não é isso que você quer se tornar? - ronronou o cadáver. E o monstro usava sua voz. - Humana. Humana. Eu quero ir para a escola, encontrar um namoradinho de colegial, casar, engravidar, envelhecer e então morrer... - um sorriso oco, sem alguns dentes.
Rebekah começou a chorar, lutando para se libertar do aperto. Seu cadáver beijou-lhe entre os seios. - É isso que você vai se tornar, o que nós vamos nos tornar... E quando morrer... - o monstro correu os dedos pelos cabelos louros dela. - Porque nós vamos morrer, somos humanas e envelhecemos... Quando morrer, os vermes vão te devorar. E se ainda tiver alguma alma, algo que você talvez não tenha vendido para ser melhor que outras jovens, você irá para o Inferno.
E as chamas subiram pelo campo. O calor nauseante envolvendo-a. Fazendo com que o cheiro de decomposição a atingisse com força. Aqueles olhos azuis, desbotados nas órbitas, fitando-lhe até enlouquecer. Ouviu Kol rindo.
E ouviu Henrik rindo, Niklaus gritando que estava morto.
- Estamos todos mortos por aqui, Rebekah.
Jeremy Gilbert não se assustava fácil. Porém, naquele momento, seu coração batia forte e a palma de suas mãos suava.
- Kol? - ele chamou, hesitante, andando em direção a seu namorado. Aquilo é sangue? Ele balançou a cabeça e continuou a andar, estendendo as mãos como um gesto de paz.
- O que você faz aqui? - rosnou Kol, sentado no capô do carro deles. Seu rosto estava sujo de sangue, ainda úmido perto de seu nariz, seco em seu queixo e empapando sua camiseta.
- Diabos, Kol, o que aconteceu com você? Esse sangue é seu? - que pergunta estúpida era aquela? Óbvio que o sangue era dele! Teria que ter enfiado o rosto em uma bolsa de sangue para ter se sujado desse jeito com o sangue alheio.
Lentamente Mikaelson concordou com um aceno. - Vá embora, Jer. Me deixe em paz.
- Você está doente. Vamos para casa. - sugeriu Jeremy, pegando as chaves do carro no bolso do casaco. - Está ama...
- E deixar Rebekah sozinha? Nas mãos deles?! Nik e Elijah são dois otários, não conseguem manter uma folha viva, que dirá nossa irmã! E os Salvatore? Eu não confio em nenhum deles, não vou deixá-los sozinhos com Bekah!
Jer revirou os olhos. - Está quase amanhecendo, Kol. Vamos para casa, você come algo, dorme um pouco e se limpa desse sangue todo... Como diabos você perdeu todo esse sangue e ainda está consciente?
- Eu estou bem. Você deveria ir embora. - Kol fechou os olhos. Ele conseguia ouvir o sangue de Jeremy martelando, o delicioso barulho do líquido vermelho dentro de vasinhos minúsculos... - Jer, volte para o hospital.
- Cale a boca, Kol! Você está doente, porra! Não é meu pai e eu sou mais forte, então estamos voltando para casa, quer você queira ou não! - explodiu Jeremy, dando um passo em sua direção. Kol sentiu sua boca se encher de saliva. Não, não, não... Não era vampiro, como aquilo podia estar acontecendo?! Estava louco. Só podia ser essa a explicação.
- Jer, por favor... Volte para o hospital.
- Ou o quê? - provocou Gilbert, dando mais um passo em sua direção. Estavam próximos agora. Kol tinha certeza que conseguia ouvir o coração dele batendo, aquela gotinha de suor deslizando por suas têmporas. A língua correndo pelos lábios secos... O corar selvagem em seu pescoço, o pulsar despudorado em sua jugular...
- Jeremy... - fechou os olhos. Péssima ideia.
- Você está bem? - a preocupação toldou a voz de Gilbert e o rapaz avançou nervosamente, agarrando-o pela camiseta suja. Kol respirou fundo.
Ah, o cheiro. O cheiro de medo, de adrenalina... O cheiro de shampoo, de couro, suor e doces artificiais... O cheiro de seu cabelo, daquele resquício de sangue entre seus lábios rachados...
Ele podia sentir o gosto. O gosto de Jeremy Gilbert...
- KOL! - Jeremy jogou-lhe com força contra o para-brisa, as mãos em seu pescoço. Os olhos castanhos dele estavam arregalados, nervosos. Ele apertava a traqueia de Kol, bestificado com aquele instinto misterioso. Não sabia como se defendera e muito menos sabia porque se defendera. Kol jamais o atacaria.
- Jeremy...
- Eu vou matar você. - rosnou Gilbert. Kol franziu o cenho, sentindo o ar empacar em sua garganta e seu rosto avermelhar. Os olhos de chocolate de seu amante agora eram gelados, calculistas.
- Jer... - engasgou.
- Eu já te matei antes, posso te matar de novo. - Jeremy apertou ainda mais, suas unhas começando a cortar a pele de Mikaelson. Kol fechou os olhos, sentindo o cheiro de Jeremy no ar.
- Kol, eu... - então Jeremy tinha sido jogado contra um pilar maciço, perdendo o ar.
Mikaelson se levantou, percebendo que o empurrão de Jer nele tinha estilhaçado o para-brisa. Jeremy escorregou pelo pilar, caindo sentado. Abaixando-se para olhá-lo nos olhos, Kol agarrou-o pelo colarinho.
- Qual o seu problema? - rosnou. A fome estava enfurecendo seus sentidos novamente, mas Jer parecia atordoado demais para que ele realmente se sentisse empolgado.
- Kol, o que... O que...
- Você falou que ia me matar, Gilbert. Que já tinha me matado. Que porra foi aquela?
- Eu... Eu não sei do que... - Jeremy soltou um grito, seu rosto empalidecendo. Seus olhos se encheram de lágrimas e Kol soltou-o, assustado, ao perceber que as lágrimas eram de sangue escuro. Sentiu o gosto do líquido no ar, mas seu estômago revirou. Era de Jeremy que estava falando. Nunca o atacaria. A preocupação estava cortando-o. Queria ajudar, mas estava com medo de se aproximar.
- Jer...
- Eu vou acabar com você. - cuspiu Jeremy, levantando-se. Nem mesmo ligeiramente bambo. Muito bem equilibrado para um jovem adulto que estava chorando sangue.
- Jer, que porra você está falando?! - Kol gritou, jogando-o com força no pilar, mais uma vez. Seu namorado lutou para recuperar o fôlego.
- Kol... Kol, o que está acontecendo?! - gritou, desesperado, agarrando a camiseta de Mikaelson.
Kol arregalou os olhos. - Minha cabeça está pegando fogo! - gritou Jeremy, antes de seus olhos revirarem e ele cair desmaiado.
