HARRY POTTER E DRACO MALFOY
10- Marcas.
Era cedo, sabia que não devia levantar, mas mesmo assim, não conseguiria permanecer naquela cama... sentia-se mal... embora suas pernas tremessem, sentia uma fraquesa generalizada, um caldo forte fora tudo que comera que conseguia lembrar e na verdade não tinha fome mesmo... mas sentia urgência, sabia que havia um banheiro ali, entrou depois de se arrastar encostado pela parede.
As velas se acenderam assim que passou pela porta, era um banheiro parecido com os outros, mas menor, já imaginava que estava ocupando um alojamento de professor, talvez o de Snape, ou outro nas masmorras, olhou-se no espelho...
Estava tão... feio... tão magro... tão... sujo.
Era o que sentia, e afastou o cabelo pregado na testa por causa do suor... sentia-se inteiro estranho, abriu a torneira e sentiu a água gelada correr sobre suas mãos... era engraçado sentir isso, uma delas estava normal a outra insensível como se estivesse usando uma luva... e se ficasse assim pra sempre? Pensou enquanto as lavava e formava uma concha para jogar água no rosto...
Ainda sentia o cheiro de mofo e sangue pregado em sua pele... pensou esfregando as mãos no rosto... quando se olhou no espelho novamente... viu que seu olho tinha uma enorme mancha de sangue na parte branca... parecia agora de certa forma o olho de um animal... passou a mão por cima dele... deixou a água escorrer sem se importar com o que encharcava o pijama que usava...
"Você não chora seu desgraçado? Posso fazer você chorar..."
Sentia ainda o peso da mão dele no seu rosto... como se estivesse ali... será que essa sensação horrível ia passar? Passou a mão molhada com força para apagar a sensação...
Era tão ruim sentir-se assim... tão... e lembrar disso apenas acionava todas as outras memórias e lembrar daquilo... abraçou a si mesmo... sentia-se tão pequeno... tão indefeso... tão nú.
E isso apenas o fazia lembrar do outro tão perto o tocando... sentia tanto nojo... mesmo nojo que sentia quando ficava jogado naquela cela... pensou sentado no chão... tentando em vão não lembrar, da mesma forma que lá tentava não ver... não sentir... a banheira...
talvez pudesse se lavar ali... a pia era tão pequena e alta... não conseguia ficar de pé... pelo menos não agora e só queria se limpar...
Abriu um pouco a torneira da banheira, o som era bom... o som da água correndo parecia levar os pensamentos embora... e ali a viu encher, quase com o prazer de uma criança, embora nunca pudera fazê-lo na infância, lembrava de Duda sair do banheiro com brinquedos na mão... mas até aprender a se banhar sozinho, o que foi rápido pois a tia puxava seus cabelos, sempre tivera que suportar Petûnia brigando com ele até debaixo do chuveiro... engraçado como mesmo as más lembranças pareciam confortáveis... pensou com ambos os braços dentro dágua... era bom, gostoso, flutuando na água o braço ferido doía menos.
Quando entrou na água só queria alastrar a sensação para o corpo inteiro... pelo menos a coisa boa do tribruxo era que nunca mais teria medo de água, agora queria ficar ali pra sempre... imerso na água fria, limpa... fechou os olhos... o frio o envolveu...
Quando Draco despertou olhou para a cama vazia... arqueou a sobrancelha e se levantou... algo estava errado e não atinava porquê seu instinto dizia isso... abriu a porta do quarto e lá estava seu padrinho imerso em papéis e mais frente haviam dois pequenos caldeirões que como ele explicara eram para a poção mata-cão... que agora devia estar decansando e esfriando.
Draco não se deu o trabalho de perguntar porque o padrinho estava fazendo aquilo... agora no entanto se perguntava quem era o lobisomem que receberia a poção tão cuidadosamente preparada... e afinal onde fora Potter?
Onde o Potter foi? Não vi sair... cochilei.
Snape olhou o afilhado... como? Quando e onde? Essa falta de sono e exaustivo preparo de poções em série estavam o deixando tonto, por um acaso Draco insinuara que o fedelho Potter não estava desmaiado em sua cama?
Repita Draco.- disse o olhando.
Onde foi Potter?
Snape se levantou e passou pelo rapaz louro, que odiou ter adormecido ao ver o padrinho preocupado, quando Snape parou em frente a cama, Draco sentiu uma sensação estranha de derrota, não devia estar de olho no Grifinório... pelo menos isso? Era o que Snape pedira... mas não era babá de ninguém que inferno. O bruxo olhou em direção a portinha do outro lado do quarto... estava entrarberta e vinha um estranho som de lá...
Que droga Potter.- Snape ruminou avançando.
Draco seguiu o padrinho que entrou no banheiro, agora via o reflexo das velas no chão molhado viu-o se abaixar em frente a banheira.
O banheiro estava alagando porque Potter deixara a torneira da banheira ligada... e a da pia também, mas a pia não transbordara... o rapaz estava deitado na banheira ainda com o pijama, e que os deuses os ajudassem que o rapaz ainda estivesse vivo, Snape pensou olhando a figura imóvel embaixo dágua, se aproximou e tentou puxá-lo...
Lutava contra as lembranças, debaixo dágua o som abafado o fazia lembrar de coisas como no primeiro ano, enfrentado Voldmort... daquela vez que o tio deixou alguns dias seguidos debaixo da escada e passara mal porque estava gripado... e lembrava das cruciatus... não queria lembrar disso... não queria voltar a lembrar de tudo...
Sentiu então uma mão forte em seu braço... em reflexo abriu os olhos e assim que sentiu-se fora dágua, não permitiria que o tocassem de novo... nunca mais... gritou tentando empurrar quem o segurava.
NÃO!
Draco arregalou os olhos, num segundo Potter parecia morto embaixo dágua no segundo seguinte empurrara seu padrinho que escorregou no piso molhado caindo sentado no chão e principalmente, o rapaz moreno voltou a afundar na banheira agitado com um feio som de batida.
E a imobilidade retornou, Draco se aproximou, e embora não tenha oferecido ajuda, seu padrinho não gostaria, sentiu Severo segurar seu braço como apoio, e foi rápido porque no segundo seguinte ele voltou a se arcar para a banheira e puxar o outro inconsciente.
Droga Potter, sua criatura burra!- disse irritado esquecendo a varinha e o carregando nos braços ate a cama, ainda ao por o rapaz sentado na cama, passou a mão por trás da cabeça e por cima dos fios negros.
O que foi?- perguntou Draco surpreso.
Bateu a cabeça...- Severo disse olhando o sangue.- ah... que grande atrapalho.- disse ele se pondo de pé.
Porque ele fez isso?- perguntou Draco olhando o padrinho já usando a varinha, para cuidar do ferimento e secar o rapaz.-Ele não tentou se matar tentou?
Severo Snape o olhou longamente e disse apenas...
Não seria de todo estranho.
"Pessoas que passaram por esse tipo de trauma tem reação de pânico como essa..." disse Nicodemos."Duvido que tenha sido uma tentativa de suicídio... mas fiquem alertas..."
Draco ainda olhava a lareira
"Seria bom trancar aquele banheiro, ou ele voltara para lá... fará isso sempre que se sentir sujo... é normal... não, não podem apressar isso, foi um trauma muito grande e reconheçamos o rapaz tem marcas profundas demais para lidar... e não falo dessas..."
"O braço ainda não apresenta melhoras, mas a cabeça está bem... só um corte e um galo... ele pode apresentar dor de cabeça... enjôo e tontura... o olho está bem melhor... agora vamos ver como ele se recupera... tentem alimentá-lo com algo assim que acordar... e... evitem pressiona-lo"
"Tudo que ele não precisa agora é pressão, ele não suportaria... não é uma questão de vontade... mas de cura... ah, as Cruciatus tiveram seu efeito... ele está mais fraco... por isso demora a reagir ás poções... em suma..."
"Ele precisa de tempo... e cuidados, e paciência... muita calma."
