Autora: SouthSideStory
Tradutora: c4ndyx
Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem ao Kishimoto.
In times of Peace [ Em tempos de paz ]
[ Capítulo Dez ]
Como era típico no torneio, a segunda fase dos exames chunin era um teste de sobrevivência, times com três pessoas eram separados e soltos um por um em um campo de treinamento densamente arborizado, Sakura não pode deixar de notar que era muito parecido com a Floresta da morte. Izumi e Hachiru fizeram seu caminho para o forte central dentro do tempo permitido, mas Saito falhou ao chegar lá dentro de doze horas. Assim dois dos genins de Sakura estavam habilitados para competir no torneio final.
Este ano, os examinadores de Kiri deram aos shinobis participantes três semanas para se prepararem para as avaliações. Sakura passou a maior parte dos seus dias treinando Izumi, Hachiro, e Saito. Ela os ensinava novos jutsu e técnicas antigas, até que eles conseguissem executar tudo com perfeição.
"Porque eu tenho que fazer isso?" Saito perguntou, "Eu nem mesmo passei para o segundo teste."
Neste dia os alunos de Sakura estavam aprendendo ninjutsus do tipo natureza. Vento para Hachiro, fogo para Izumi e água para Saito.
"Você é um bom shinobi e sabe disso," Sakura o respondeu, "Mas eu sei muito bem que você achou que iria ganhar só por ter talento e não se preparou nada para os exames. Agora que você tem que praticar mais do que nunca, para então passar na próxima vez."
"Se eu fizer um bom trabalho aqui, você irá me ensinar a lutar como você?" Ele perguntou.
Sakura sorriu. "Se você dominar esse jutsu prometo que irei começar a treinar força de chakra com você assim que voltarmos para Konoha." Ela colocou uma mão sobre o ombro dele e Saito concordou com a cabeça.
Izumi realizou seu novo ninjutsu de fogo com facilidade e Saito foi quase tão bem quanto ela com o jutsu chicote de água que Sakura tinha acabado de ensinar. Hachiro tem problemas com sua técnica elementar, mas ele ficou praticando por horas depois de seus companheiros de equipe já terem saído do campo de treinamento e, por volta do final da tarde, conseguiu dominar o redemoinho.
Sakura escoltou seus alunos de volta para o ryokan e enquanto eles andavam, Hachiru a perguntou, "Você acha que a Okaasan ficará orgulhosa de mim por eu ter chego até as finais do torneio? Mesmo que eu não consiga ser promovido a Chunin?"
Sakura gostaria de falar para Hachiru que sua mãe ficaria orgulhosa de suas realizações não importava o que. Ela realmente queria dizer isso, mas a verdade era que Hyuuga Suzuki era uma mulher difícil de agradar, e se seu filho falhasse no exame chunin ela com certeza ficaria decepcionada.
"Não se preocupe com o que sua mãe pensa," Sakura respondeu, "O que importa é que você tenha orgulho de você mesmo."
Essa era uma lição que ela teve de aprender. Levou um tempo, mas Sakura percebeu que ela não precisava da aprovação ou reconhecimento de seu sensei, sua shishou ou seus pais. Nem mesmo do garoto que ela amava. Para ser uma shinobi forte ela teve que acreditar nas próprias habilidades.
Hachiro abaixou a cabeça tão miseravelmente que Sakura soube que suas palavras estavam entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Quando eles chegaram à estalagem, Sakura limitou-se a elogia-lo pelo seu árduo trabalho do dia e se dirigiu para o quarto andar.
No caminho até a escada estreita ela quase trombou de frente com Sasuke.
"Desculpe," Sakura disse, e ela pode sentir o sangue subir para as bochechas. Faziam quase duas semanas que eles tinham feito amor no navio. Qualquer que tenha sido o desejo dele de possuí-la aquela noite na cabine ela não tinha entendido até agora, mas aquele desejo dele não havia ressurgido desde então. Sasuke a tratava de forma reservada, colocando certa distância entre eles. Ele quase não interagia com ela, mesmo quando o time 7 se reunia para compartilhar uma refeição ou um dar passeio por Kiri. Sakura não tinha certeza se isso era simplesmente a maneira dele de evitar suspeitas, ou se algo estava errado.
Ela deu um passo para o lado para que Sasuke pudesse passar. Ele continuou seu caminho sem dizer uma única palavra para ela, mas no ultimo momento antes deles se separarem por completo, Sakura alcançou o braço dele e o segurou pela mão, entrelaçando seus dedos nos dele, como haviam feito incontáveis vezes dentro do quarto.
Sasuke se virou a e olhou nos olhos. O olho direito era negro e familiar, já o esquerdo tinha outra coloração e sustentava o rinnegan, algo com o qual ela nunca iria conseguir se acostumar. "O que foi?", ele perguntou.
Sakura tinha passado algumas de suas tardes andando por Kiri. Procurando bares, restaurantes e locais para frequentar durante sua estadia na Névoa. Ela também deu uma olhada em pousadas, albergues e hotéis.
"Tem um minshuku no lado oeste da vila," ela disse, "Fica na rua Yagami, entre uma loja de armas e uma livraria, o telhado é pintado de azul."
Sasuke franziu o cenho, "Porque você está me dizendo isso?"
Ele estava muito perto, perto o suficiente para que ela o beijasse sem problemas.
"Porque eu quero que você se encontre comigo essa noite." Sakura respondeu.
Ele apertou a mão dela com força, mas não para machucar. "Nós concordamos que não nos veríamos enquanto estivermos aqui."
"É verdade, mas eu estou com saudades de você." Ela deu outro passo para frente, até que os corpos deles já estivessem se tocando, Sakura então começou a beijar o pescoço dele. Aquilo era irresponsável, publico e qualquer um poderia ver, mas Sakura não estava se importando com isso. Ela sussurrou no ouvido de Sasuke todas as coisas que ela iria fazer com ele, caso ele concordasse em se encontrar com ela à meia noite.
"Sakura," ele disse com um tom forte e necessitado. Como se sua fala fosse uma advertência e um apelo ao mesmo tempo.
"Você não me quer? Sasuke-Kun?" Ela se recostou contra a parede atrás deles e ele tratou de guardar na memória aquela cena: o cabelo rosa desarrumado pelo treino, olhos com as pálpebras pesadas e as pernas e os lábios entreabertos, tudo extremamente convidativo. "Porque você pode me ter se você for."
Ele queria beija-la, queria fode-la e ela podia ver isso na expressão dele, que parecia a de um animal faminto.
Sasuke soltou a mão dela e respondeu, "Tudo bem, meia-noite então."
/
Sasuke deixou o ryokan cinco minutos antes da meia noite. Mais tarde do que pretendia, pois ele tinha passado a ultima hora debatendo com ele mesmo se ele deveria, ou não, encontrar-se com Sakura. Eles tinham decidido permanecer separados enquanto estivessem ali, e as coisas já estavam complicadas o suficiente sem a adição de encontros à meia-noite.
Ao longo das duas últimas semanas ele construiu um muro de silêncio entre ele e Sakura, e quando ela tentava romper essa barreira ele dava apenas respostas curtas. Não respostas zangadas ou ressentidas, apenas frases concisas. Ele usava palavras que alguém iria usar com um estranho, em vez de usar com sua amante. Ele sabia—já sabia a um bom tempo, que se fosse para ser honesto— que ele queria mais do que só sexo. Ele tentou dizer a si mesmo que se ele continuasse transando com ela, somente aquilo o satisfaria, que sexo seria o suficiente. Mas agora ele entendia o quão tolo tinha sido, o quão ignorante, pois naquela época ele ainda não tinha se dado conta da curva sutil do quadril dela, da maciez dos seios, da beleza situada no vale entre suas clavículas. Sakura o educou na arte de fazer amor, e longe de satisfazê-lo, ela tinha o feito a querer cada vez mais. Querer mais do tempo dela, mais do afeto dela, mais das coisas que ela estaria disposta a dar, se ele assim pedisse.
Ele podia imaginar o que poderia acontecer se ele contasse a verdade. Eles começariam a se ver abertamente, para que toda Konoha testemunhasse. Jantares se tornariam encontros e Sakura entraria cada vez mais na vida dele. Visitaria o apartamento dele todos os dias, dormiria em sua cama, usaria suas camisetas, até que as coisas dela começassem a aparecer no apartamento dele. Não tão diferente do que já acontecia agora, realmente, exceto que teriam regras e expectativas, e Sasuke ainda não estava preparado para a responsabilidade de ser oficialmente companheiro de alguém.
Como um garoto ele tinha vivido a vida com um único objetivo: tudo era voltado para a vingança. Então depois da guerra, ele se dedicou ao sonho de Itachi, proteger Konoha. Sasuke sempre foi uma pessoa focada nele mesmo, sempre fazendo as escolhas que melhor satisfaziam suas ambições. Ele não sabia como ser de outro jeito e a parte dele que poderia amar sem hesitações havia morrido junto com seu clã.
Ele deveria ficar longe de Sakura: a presença dela atrapalhava seus julgamentos. Porém quando ele pensava nela sentada em um quarto sozinha, Sasuke sabia que ele não poderia simplesmente deixa-la ali esperando. Não mais uma vez.
E tinha outra coisa, já faziam quatorze dias desde a ultima vez que ele a tinha beijado.
A vila estava escura e quieta. Civis e shinobis, ambos estavam na cama a essa hora. Névoa espalhava-se pelas ruas e prédios. Rua Yagami ficava em um dos mais velhos bairros de Kiri. Aqui os restaurantes ganhavam seus clientes com o som do Shamisen e as estalagens permaneciam tradicionais. Ele encontrou o minshuku com telhado azul entre uma loja de armas e uma livraria, exatamente como Sakura o tinha dito.
Uma mulher permanecia sentada atrás da mesa da recepção, enrugada e de cabelos brancos, vestia um yukata verde.
"Vou me encontrar com alguém aqui," ele disse para a mulher.
"Nome?"
"Haruno" Sasuke respondeu.
"Ah, sim. Ela está no quarto 201."
Ele se dirigiu até a escada e subiu para o segundo andar, abriu a primeira porta deslizante à esquerda e viu Sakura sentada no futon, lendo um livro. Ele estava atrasado, talvez uns trinta minutos, mas ela somente sorriu para ele e disse, "Sasuke-Kun, você veio."
Ela parecia surpresa por vê-lo ali, e ele supõe que aquilo era justo, sendo que ele quase não tinha vindo.
Sasuke tirou os sapatos e os ajeitou perto da porta. Ele andou até a cama e, quando Sakura fechou seu livro, ele pode ver a capa e notou que era uma cópia do conhecido Icha Paradise.
"Isso é do Kakashi?" Sasuke perguntou.
Sakura deu risada e colocou o livro ao lado do futon. "Aham. Eu peguei do bolso dele hoje de manhã, só para ver se eu conseguia pegar sem ele notar."
"Imagino que ele não tenha te pego." Sasuke chegou mais perto e sentou-se ao lado dela na cama.
"Nosso sensei está ficando velho e lento" ela disse. "Vou devolver o livro dele amanhã."
Ele colocou as mãos sobre as bochechas dela, se inclinou e a beijou. Um suave toque de bocas até que Sakura abriu os lábios para ele. Ele deslizou uma das mãos pela coxa dela, por baixo da saia, e em vez de encontrar algodão ou rendas, como ele esperava, Sasuke tocou apenas a suavidade da pele sensível de Sakura. Ele quebrou o beijo e a olhou. Ela corou com o olhar incrédulo que ele lhe dava e respondeu com um sorriso gentil. Em seguida, ela se inclinou e sentou-se no colo dele, virada para frente, abriu o zíper da camisa e puxou a saia para cima até que ela ficasse somente em torno de sua cintura. Agora, ele foi capaz de ver o que sentiu um momento atrás: ela não está usando calcinha ( E Sasuke pensou que mesmo se ele casasse com outra mulher, tivesse filhos e vivesse por mais de cem anos, ele nunca iria esquecer aquela visão magnífica que estava em frente aos seus olhos)
Ele a desejava com o mesmo tipo de obstinação com que uma vez desejou vingança. Intensamente, como se excluísse todo o resto, Mas não apenas seu corpo; essa era apenas a parte mais vil de Sakura que ele desejava. Sasuke precisava de tudo, e ele não sabia dizer por que ou quando isso aconteceu, mas de uma coisa ele sabia, tinha que colocar um fim nisso.
Então quando ela tentou beija-lo, ele habilmente evitou o contato e quando ela tentou tirar a camisa dele, ele segurou as mãos dela e disse: "Não precisa se dar ao trabalho. "
Depois ele se ajeitou para tirar a calça, mas Sakura segurou as mãos dele e perguntou, "Tem algo errado?"
"Não." Ele ouviu o tom ríspido de sua própria voz e notou a falta de sinceridade e a indiferença, e pelo jeito Sakura também notou, pois ela franziu a testa no mesmo instante que ouviu a resposta dele, as sobrancelhas se juntaram por cima dos olhos verde-claros.
"Seja honesto," ela disse, "Por favor."
Sasuke terminou de abrir ainda mais a camisa dela e se inclinou para pegar o mamilo de um dos pequenos seios com os lábios. Ela entrelaçou os dedos pelos cabelos dele, gemendo baixo o nome dele. Ele achou que o assunto estava resolvido, que não haveria mais conversa, mas quando ele se distanciou do mamilo enrijecido dela, Sakura se inclinou para trás, para longe dele, e passou um braço sobre os seios nus. Ela estava com as bochechas rosadas e a respiração acelerada, "Alguma coisa está diferente, você está diferente." Ela o diz.
"Você quer fazer isso ou não?" Ele perguntou.
Sakura se afasta ainda mais como se tivesse acabado de tomar um tapa. "Isso é tudo o que importa para você? É só por isso que veio até aqui? Para fazer sexo?"
"Isso é tudo o que há entre nós", Sasuke respondeu, e talvez aquilo não fosse verdade ainda, mas precisava ser.
"Ah..." Ela parecia tão perdida e ferida que ele quase teve vontade de apagar tudo que tinha acabado de dizer. Sakura fechou sua camisa com as mãos trêmulas. Arrumou a saia sobre seus quadris e a endireitou no corpo. Se levantou, passou as mãos pelos cabelos e disse: "Eu não estou mais com humor para isso. Eu—Eu te vejo por aí, Sasuke -kun."
Ela pegou o livro de Kakashi do chão, abriu a porta e saiu do quarto.
Ele ficou sentado sozinho no quarto alugado por bastante tempo após ela ter saído, claramente com a certeza de ter feito a coisa certa, mas ao mesmo tempo se arrependendo disso.
/
Sakura acordou tarde, com a cabeça latejando. Ela chorou durante toda a noite na solidão de seu quarto, enrolada em seu edredom com os braços envolvidos em torno de um gordo travesseiro de penas de ganso. Agora, ela sentia o rosto inchado e cada batida do coração dela envia um pulsar agudo de dor nas têmporas, logo atrás dos olhos. Ela puxou o cobertor para cima, passando-o por cima da cabeça, tentando afastar para longe a luz da manhã. (Que era bastante cinzenta, pois ela estava em Kiri, mas mesmo assim ainda era um dia muito claro para ela conseguir suportar nesse momento.).
Ela ouviu as palavras de Sasuke soando em sua cabeça de novo, tão claramente como se ele estivesse aqui com ela, dizendo que a única coisa entre eles era sexo.
Mas não é era isso que ela tinha pedido quando fez aquela proposta para ele na festa de aniversário? Como ela tinha sido estúpida o suficiente para criar esperanças, para permitir-se esperar algo mais dele? Eles nunca discutiram os detalhes do que estavam fazendo, mas ela sabia muito bem que Sasuke não queria um relacionamento. Então por que tinha sido tão doloroso ouvir da boca dele o que ela já suspeitava?
Sakura se arrastou para fora da cama, lavou o rosto e olhou-se no espelho. Ela parecia tão horrível quanto se sentia, e pior, era óbvio para qualquer um que a olhasse que ela havia chorado até dormir na noite passada. Ela só podia torcer para não se encontrar com Sasuke por aí.
Sakura conseguiu evitá-lo, mas ela não foi capaz de dar três passos para fora da pousada quando Naruto colocou a mão no ombro dela e perguntou: " O que aconteceu, Sakura-chan? "
"Nada. Está tudo bem."
Ele franziu a testa com confusão e preocupação claramente escritas em seu rosto, tudo tão claro em suas expressões, diferente de Sasuke. "Você não tem que mentir para mim", disse Naruto. "Seja o que for, eu posso ajudar. É isso que servem os amigos, certo?"
Sakura deu um fraco sorriso para ele e respondeu, "Não há nada que você pode fazer. Não desta vez."
Ela o deixou ali e foi na direção dos campos de treinamento, onde Izumi, Hachiro e Saito estavam esperando por ela.
Os próximos dias se passaram rapidamente. Sakura treinou seus genins, auxiliou Naruto em suas funções com a Mizukage e evitou, a todo custo, encontrar-se com Sasuke. Ainda assim, ela o viu duas vezes. Certa vez, enquanto trabalhava na escolta pessoal do Hokage e novamente quando o Time 7 saiu para jantar. Pela primeira vez desde que chegaram em Kiri, ela era grata pelo quarto dele no ryokan ser tão longe do dela.
A terceira etapa do exame chunin começou em uma manhã gelada e nebulosa, como todas as outras que vieram antes dessa. Sakura sentou-se próxima de Naruto na arquibancada reservada para o Hokage e os jounins de Konoha. Ela esperava que Sasuke tomasse o outro lugar vago ao lado de Naruto, mas em vez disso ele se sentou ao lado dela.
Ela se irritou um pouco pela forma que seu coração começou a bater mais rápido com a proximidade ele. Por mais horrível que seu último encontro tivesse sido, ela sentia falta dele. Sakura sempre sentia a falta dele quando eles passavam uns tempos separados.
As primeiras partidas no exame chunin selecionavam genins de Kiri e outras Vilas Ocultas uns contra os outros. Cinco dos shinobi de Konoha chegaram até as rodadas finais.
Os jounins de Konoha precisavam ficar sempre atentos—os exames Chunin são uma oportunidade de conhecer o sangue novo das vilas concorrentes, a chance para avaliar o potencial da próxima geração—, mas tudo o que Sakura conseguia pensar era em Sasuke, que eles estavam sentados tão perto um do outro que seus ombros se tocavam ocasionalmente, ela sentia o calor irradiando dele e o cheiro de fumaça característico que emanava das roupas dele. Chegava quase a doer, ficar tão próxima do homem que ela tanto amava.
Isso é tudo o que há entre nós. Somente sexo.
Ele só queria ter o conforto do corpo dela. Alguém para transar, dormir ao lado e ajudar a manter os pesadelos longe. Algumas semanas atrás, Sakura pensou que ficar somente assim seria suficiente para ela, que ela poderia apreciar o que eles tinham durante o tempo que durasse sem o fardo de limites ou expectativas. Mas desde aquela noite na rua Yagami, ela percebeu que estava errada; existiam sim limites e expectativas , mas todos eles pertenciam a Sasuke. Todos os aspectos de seu relacionamento tinham sido determinados por ele. Quando, onde e a quem contar e todo o resto, foi ele que colocou as regras. E por mais que Sakura gostaria de continuar com ele, ela não sabia dizer por mais quanto tempo iria aguentar ir correndo somente quando ele queria. Era contra a natureza dela, e o que tinha começado como algo prazeroso e amoroso terminou virando doloroso.
Sakura se esforçou para assistir às partidas até que a vez de Izumi chegasse, e então ela não precisava mais fingir interesse.
O locutor chamou os nomes dos competidores, "Kagome Nishi versus Tsukino Izumi!"
A genin caminhou sobre a areia da arena, era uma superfície estável e reta. O oponente era um ninja Kiri. Ele não ostentava os dentes afiados ou as brânquias que os shinobis de sua aldeia, às vezes, tinham, mas Nishi deveria ter quatorze ou quinze anos e era bem mais alto que Izumi.
"Esse é sua garota, certo, Sakura-Chan?" Naruto perguntou.
"Sim, essa é minha garota." Dizer isso em voz alta dava mais confiança à Sakura. Izumi podia ser pequena—menor até mesmo que Sakura tinha sido—mas ela era uma genin talentosa que merecia ser promovida.
Nishi se lança na direção de Izumi e a pressiona com uma série de chutes e socos fortes, com a esperança de dominar o oponente no combate corpo-a-corpo, mas o Taijutsu de Izumi era quase tão forte quanto seu Ninjutsu, ela facilmente bloqueou os golpes dele e ainda atacou com um pouco de seus próprios golpes.
"Ela é boa." Sasuke disse.
Essas foram as primeiras palavras que ele falou com ela em dias e mesmo que o elogio fosse direcionado para sua aluna, Sakura ainda se sentiu orgulhosa, pois ela foi a única que ajudou Izumi a melhorar suas técnicas.
Lâminas apareceram e Izumi mal conseguiu desviar das kunais. Ela olhou para seu braço, a manga rasgada deixou uma linha de sangue através da pele à vista. Ela ignorou, saltou para trás para dar espaço entre ela e Nishi, e jogou um punhado de shurikens na direção dele. Enquanto ele se esquivou das estrelas arremessadas, Izumi fez com as mãos os selos para o jutsu do clã Uchiha. Sakura os reconhece imediatamente, mas Nishi, obviamente, não, pois quando uma bola de fogo de um metro foi na direção dele, ele gritou e tentou cobrir o rosto, tentando saltar para fora do caminho do jutsu.
Ele não saltou longe ou rápido o suficiente.
Alguns minutos depois, o garoto da Vila Oculta da Névoa foi carregado para fora da arena em uma maca, inconsciente, com a pele pálida queimada.
Izumi avançou para a próxima rodada.
"Então ela aprendeu.." Sasuke disse quando Izumi saiu da arena.
"Sim, aprendeu." Sakura não se permitiu olhar para ele. Em vez disso ela continuou olhando para a areia do solo da arena. Pequenos redemoinhos de areia se formavam quando o vento batia.
"Sakura,' Ele continuou, e agora o tom tinha mudado. Era mais baixo, algo mais privado. O tom raro que ele usava quando precisava falar algo pessoal em um espaço publico. "Sobre aquela noite—"
"Não." Ela não sabia se ele ia pedir desculpas ou simplesmente reafirmar a dura verdade de uma maneira mais suave, mas se ele a fizesse chorar na frente de Naruto e metade de seus amigos, ela nunca vai perdoá-lo ou perdoar a si mesma.
"Tudo bem. Se é assim que você quer", ele disse bruscamente.
Nesse momento Sakura o encarou, ela não podia acreditar que Sasuke teve a ousadia de ficar irritado com ela. "Não finja que o que eu tenho tem a menor importância para você.", ela sussurrou.
Ela se levantou com a intenção de sair (a luta de Hachiru ainda estava duas partidas na frente, tempo suficiente para que ela respirasse e se acalmasse), mas Sakura não conseguiu dar um passo antes que Sasuke a segurasse pelo braço. "Espera", ele disse, alto o bastante para que todos os shinobis de Konoha presentes ali conseguissem escutar.
Todos se viraram para olhar, Naruto fez uma carranca, Ino colocou as mãos sobre a boca e Kakashi levantou suas duas sobrancelhas prateadas.
Sakura somente sorriu e perguntou, "Tem algo que você precisa, Sasuke-kun?"
Olá! Primeiro me desculpem pela demora, acabei tendo uns problemas pessoais e meu tempo no trabalho aumentou, então estou tendo que traduzir somente nos finais de semana. Por favor tenham paciência e não me abandonem.
Sobre o capítulo, todos sabiam que o Sasuke iria pisar mais ainda na bola mais cedo ou mais tarde, quero destacar o quão digna a Sakura está se saindo não deixando que ele a faça de trouxa. Simplesmente maravilhosa! Veremos o que vai acontecer daqui para frente.
Eu gostaria de dedicar esse capítulo a Larissa e as meninas do grupo do Whats que me deram a maior força quando eu estava tendo ataques de pelanca essa semana, obrigada meninas!
Até a próxima e obrigada pelos reviews! Estou respondendo eles lentamente, mas respondo. Beijos.
No Próximo Capítulo...
Sasuke podia sentir o olhar deles. Cada ninja da Vila Oculta da Folha presente para o exame chunin estava com os olhos curiosos apontados para ele e Sakura. Ele ainda permanecia segurando o braço dela e ela continuava parada em frente a ele, sorrindo como se ele não tivesse acabado de agarrar o braço dela em público. Por baixo daquela expressão plácida ele sabia que ela estava enfurecida. Talvez por sua súbita ação, mas provavelmente porque ela ainda permanecia chateada com o que ele tinha dito da ultima vez que eles se encontraram privadamente.
