Pois é, depois de meses o novo capítulo saiu. Não sei se fico feliz com isso ou não, enfim... xD

Obrigada a todos que mandaram reviews, e também quem leu apenas =3 (mas ainda assim continuo decepcionada com esse FF... E.E)

O capítulo não foi corrigido (ao menos não como devia) e... Bom:

Ler no jutsu!

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Eu te...

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"Atende logo!" – a dor de cabeça aumentava com o simples fato de pensar – "Que droga, atende!" – apertou a testa com força, no local onde se erguia majestoso um galo.

Procurou com os olhos fechados pela bolsa cheia de gelo, encontrando-a em um canto qualquer do sofá.

Sasuke iria pagar caro por isso... Verdade que tinha batido o recorde de trapalhadas, mas não merecia um soco na cabeça! Pelo menos não com tanta força...

Na sua opinião, se perguntassem, não tinha feito nada demais, quer dizer, Lee nem tinha ficado bravo por ter saído de casa altas horas da noite e ido buscá-los no aeroporto. O problema é que ninguém tinha perguntado.

- Alô? –a animação pelo outro ter finalmente atendido fora tão grande que a cabeça do loiro doeu com sua própria voz – Gaara?

Do outro lado da linha pôde ouvir um barulho ínfimo muito parecido com a voz do ruivo. Isso indicava que ele estava ouvindo.

- Primeiro: desculpe por estar ligando tão tarde, mas eu precisava muito te passar um recado –outro grunhido por parte do Sabaku- A partir de terça-feira tudo vai voltar ao normal, minha viagem terminou e amanhã mesmo vou falar com o Iruka para mudar os horários, ta certo? – explicou de forma objetiva; a dor em sua cabeça não permitia mais do que isso.

Ficou com o fone grudado na orelha, esperando por uma resposta.

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Encarou de forma perdida o celular.

A tela mostrava que a ligação ainda não havia sido encerrada e que Naruto provavelmente esperava por uma réplica. No entanto o ruivo viu-se incapaz de transformar os pensamentos em palavras.

Voltado. O Uzumaki estava de volta. Com ele a vida pacata, a falta de vontade, os dias sem graça, as conversas idiotas... Suspirou.

No entanto, se tinha escutado bem, o loiro só voltaria ao consultório na terça-feira, ou seja, teria mais um dia para encontrar o moreno.

Do outro lado da linha pôde ouvir claramente a voz do outro lhe chamando, preocupado. O loiro sabia de sua parte doentia, era ciente do fato de que a qualquer hora o ruivo poderia perder o controle, ceder a doce tentação da morte, fosse a dos outros ou a sua própria.

Sorriu. Não por felicidade ou um sentimento parecido, mas sim pelo conhecimento de que seu simples silêncio causava o terror nas pessoas.

- Gaara? O que foi? Responde! – encostou o aparelho na orelha de leve.

- Nos vemos terça-feira – e desligou.

Arrastou os pés até a sala, sentando no primeiro sofá encontrado pelo caminho.

Ali, no meio da escuridão, o Sabaku contemplou o teto de sua magnífica residência.

Tudo feito dos materiais mais caros e incrustado em luxo. Móveis esculpidos por gênios da arte, roupas trazidas do exterior especialmente para ele, carros estacionados em uma garagem a se perder de vista, enfim, todo o conforto e riqueza que qualquer ser humano poderia desejar. O significado disso para o ruivo? Simples: nada. Como se já estivesse acostumado com tudo aquilo.

Não que trocaria suas coisas por algo mais "divino", como o amor. O ruivo não costumava utilizar desses discursos hipócritas de que dinheiro não traz felicidade. Traz sim, mais do que alegria, poder. A questão era: não precisava se desfazer de absolutamente nada para conseguir o que queria, e neste caso, Rock Lee era seu objeto de cobiça. A única diferença era que agora precisaria agir mais rápido.

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Esticou os braços para um lado, contando até dez.

Os jogou para o lado oposto, desta vez dizendo os números de onze a vinte.

Segurou um joelho com as mãos, tentando manter o equilíbrio.

Um.

Segunda-feira, dia de trabalhar duro! Sabia que quando chegasse ao escritório toneladas de papel estariam lhe esperando, querendo dar as boas vindas e dizer: "estávamos com saudades!".

Dois.

No entanto o moreno tinha consciência de não conservar a mesma energia de antes. Saber disto o irritava um pouco.

Três.

Queria poder sorrir de forma normal, conversar com Naruto, saber da viagem louca do amigo. Mesmo que estes pensamentos entusiasmassem, ainda não era o suficiente.

Quatro.

O motivo deste "repentino" desânimo estava claro na cabeça Lee, o problema era admiti-lo.

Cinco.

Decidiu que o melhor seria esquecer, jogar tudo para um cantinho da memória, ao menos por enquanto.

Seis.

Não iria desistir, óbvio. Rock Lee jamais dá o braço a torcer! Não antes da hora.

Sete.

Soltou um suspiro, escutando ao longe a melodia que tocava pelo rádio de algum apartamento próximo.

Oito, nove, dez.

Último dia em que veria o ruivo (apesar da expressão ser um tanto exagerada, afinal, com certeza se encontrariam pelos corredores ou em alguma outra ocasião), mas não podia mentir: estava triste. O motivo não era muito claro, e o médico realmente tinha desistido de tentar dar sentido a isso. Como já tinha estabelecido, esqueceria tudo, para o bem do ruivo e o seu próprio.

Quando atendesse o outro (pela última vez...), o faria de modo impessoal, separando bem os sentimentos do trabalho (como esteve fazendo).

Sabia que podia se sair bem, quer dizer, mais uma consulta não iria arrancar pedaço, e também tinha se comprometido por pura e livre escolha, ao que deveria honrar sua palavra e a carreira de psiquiatra.

De acordo com o relógio tinha pouco mais de meia hora para se arrumar. Tempo suficiente.

Pegou o necessário para tomar uma pequena ducha matinal e partiu em direção ao banheiro.

Não era uma boa ocasião para ficar pensando em seus problemas (se é que podiam ser chamados assim), precisava se concentrar! Além do mais fazia um belo dia lá fora, perfeito para uma caminhada ou... Um jantar.

...

Tinha esquecido este compromisso –"Melhor anotar na agenda" - pensou saindo do banheiro.

A verdade era que o moreno elencava todos os eventos que aconteceriam na agenda diariamente; uma forma eficiente de não se perder ou esquecer.

Já vestido, Lee procurou pelo pequeno caderno, o encontrando em cima da mesa.

"Certo, jantar com Neji às 21 horas... Anotado" – pousou a caneta sobre a ponta do nariz, apertando de leve. Talvez também fosse uma boa idéia colocar o telefone do castanho, caso precisasse falar com ele (não tinha o costume de registrar no celular) –"Yosh!"- pensou com um sorriso enorme nos lábios, mas ele logo foi diminuindo.

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Juntou os papéis em uma bonita pilha, os colocando na gaveta apropriada.

- Bom dia Iruka-san!

- Bom dia! – respondeu sorrindo à mulher de cabelos rosados que passara correndo pela recepção.

Não que fosse um bom dia, na realidade era um dia ruim. Queria ter ficado em casa dormindo e comendo sorvete nas horas em que não estivesse hibernando; a depressão levava as pessoas a fazerem coisas sem sentido. Mas precisava trabalhar.

Arrumou mais um maço de folhas.

- Bom dia Iruka-san!

- Bom dia Lee! –devolveu o sorriso, mas logo fechou a cara.

Realmente, não era um dia bom, na verdade era péssimo, pior não dava para ficar.

- Kakashi.

- Bom dia Iruka-kun! Como vai?

"Seu cretino! Como se atreve a me convidar para sair e me larga até MEIA NOITE sentado no restaurante com cara de imbecil?" – Vou bem –forçou um tom de felicidade.

- Que ótimo!

"ÓTIMO? Fique feliz porque eu ainda não me levantei pra te bater!" – Sim... E como foi seu fim de semana? –este era o ponto onde o castanho queria chegar. Encarou o outro, não lhe dando brechas para fugir.

- Eu... –sabia que Iruka estava bravo, e com razão. Podia simplesmente fingir ter esquecido o encontro, ou falar que um compromisso mais urgente havia aparecido, no entanto... - Minha tia morreu neste sábado... O enterro foi ontem durante a noite, por isso não pude ir...

O Umino arregalou os olhos. De repente sentiu-se um egoísta por ter pensado somente em si e na raiva acumulada. Kakashi tinha, afinal, um motivo para não ter comparecido.

- S-sinto muito... – se aproximou do mais velho, passando os braços devagar pelos ombros deste querendo lhe dar um abraço reconfortante – Não fique mal pela morte da sua tia... Ela está em um lugar me- "Espere um segundo..." - Kakashi não tinha familiares, muito menos uma tia! – Onde mesmo ela foi enterrada? – perguntou sem desfazer o abraço.

- No cemitério – que pergunta mais idiota.

- Eu quis dizer o nome do cemitério...

- Ah... – agora sim podia ver o fim do túnel, e lá não havia luz alguma - Foi naquele perto do parque...

- Perto do parque? – repetiu, ganhando como resposta uma confirmação – O "cemitério das flores"?

- Esse mesmo! – como era possível Iruka ser tão inocente assim? Ao menos tinha escapado da situação com a própria resposta do castanho.

- O que nunca existiu?

Ou não.

- Iru-AH! – uma dor localizada na barriga lhe obrigou a cortar a frase.

Algumas pessoas que passavam pela recepção pararam para ver a cena: Kakashi escorregava aos poucos em direção ao chão com as mãos no estômago, olhando para o castanho que continuava com o joelho levantado.

- Da próxima vez, Hatake Kakashi, se informe mais antes de mentir – disse andando até o balcão, deixando o outro para trás com uma expressão de pura dor.

A mistura de emoções quase lhe fazia tremer. Frustração, tristeza, raiva... Mas o mais engraçado era que a mesma pessoa que despertava essas sensações ruins conseguia fazer o contrário em questão de segundos.

- Me desculpe Iruka-kun...

No entanto, isso não significava que o perdoaria.

- Você tem um monte de serviço atrasado – sibilou disposto a ignorar o outro pelo resto do dia. E foi o que fez.

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Fechou a porta devagar, tentando fazer o mínimo possível de barulho (não queria atrapalhar quem eventualmente estivesse no corredor), mas, pela cor do céu e o vazio que lhe recebeu, Lee teve certeza de que já estava muito tarde.

O dia em si não havia apresentado nada de especial, e a conversa com o ruivo fora mais suave que o esperado, dando a impressão de que as coisas voltariam ao normal (elas tinham saído do caminho?). Enfim, agora poderia jogar tudo para um canto da memória, mas claro, procuraria se informar do estado do outro eventualmente.

Apesar do clima estabelecido naquela consulta ter sido bom, Lee notou algo de estranho com o ruivo, um brilho diferente nos olhos esverdeados, falas que não pareciam ser dele e... Chega! Não podia mais se preocupar, agora Gaara estava, literalmente, fora de seu alcance. Tinha outros assuntos para se concentrar.

De acordo com o relógio, contava com aproximadamente uma hora para voltar a casa, tomar banho, se arrumar e ir para o restaurante.

Desceu as escadas (exercício nunca era demais), despedindo-se do castanho que ainda estava na recepção.

Pela expressão dele, o dia não havia sido exatamente legal, e embora o moreno sentiu-se tentado a perguntar o motivo, algo (além do horário) lhe impediu; talvez o pensamento de que se meter na vida dos outros não se encaixava no conceito de "educação", porém...

- Iruka-san, está tudo bem?

- Claro, não se preocupe - óbvio que estava mentindo, mas os dois deram o assunto por encerrado; se o Umino não queria responder, Lee jamais o forçaria a fazer tal coisa.

Sorriu, acenando com a mão enquanto saia em direção ao carro, entrando no mesmo e adotando todas as posturas necessárias de segurança.

Suspirou. Algo lhe dizia que o jantar com o Hyuuga se resumiria à expressão do castanho: chateada e brava. Em resumo: uma sensação ruim no corpo crescia, mas resolveu não prestar atenção a isto, afinal, os pressentimentos às vezes erram.

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- Boa noite senhor, tem reserva? – perguntou de forma cortês o atendente, fazendo uma reverência ao mesmo tempo.

- Sim – a resposta foi curta e seca, mas bastou para o outro entender, e, se ele estivesse prestando atenção, perceberia a nota de nervosismo por trás daquela pequena palavra – Hyuuga Neji.

- Oh sim, venha comigo, por favor.

Durante o trajeto, Neji percebeu os tipos de olhares que atraia: cobiçosos, invejosos, desejosos... Alguns se esforçavam em esconder tais sentimentos, outros faziam o contrário exato, mas todos se chocavam com o brilho indiferente do castanho. Não estava interessado em aventuras casuais, ainda mais envolvendo gente que não conhecia.

- Sente-se, por favor... – o garçom puxou a cadeira, dando espaço ao outro – Quando seu acompanhante chegar, o trarei para cá.

- Não, eu mesmo faço isso – disse firme, encarando o atendente que concordou, voltando para seu posto o mais rápido possível.

Pegou o celular do bolso, o colocando discretamente em cima da mesa. Quando fosse a hora, ligaria para o moreno, ou ao contrário. Por enquanto se dedicaria a simplesmente contemplar o lugar.

Era um dos restaurantes mais chiques da cidade, com pratos exóticos da maioria dos países reunidos em um único cardápio. Os vinhos dali também não deixavam a desejar, com datas tão remotas que se tornava difícil acreditar que o líquido permanecesse agradável, mas, como era do saber de todos, quanto mais antigo, melhor.

O local em si contava com uma decoração no estilo romano onde a cor dourada prevalecia soberana, mas ainda assim conservava um aspecto sóbrio. Plantas espalhadas em lugares estratégicos, lustres impecáveis e funcionários sempre dispostos a atender os clientes. Acima de tudo estava a música suave que embargava tudo, dando um toque quase divino ao restaurante.

Talvez isso tudo fosse apenas o nervosismo por querer agradar Lee com a escolha do lugar, então se empenhava em encontrar pontos positivos dali, mas não se arrependia em ter optado por aquele estabelecimento em especial.

Olhou o relógio, vendo que quinze minutos faltavam para dar a hora estabelecida entre os dois. Isto não fez outra coisa senão criar uma bola de sensações no estômago do Hyuuga.

O celular vibrou, chamando a atenção de Neji.

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Fechou a agenda, pousando o celular ao lado desta.

Se não estava enganado, o restaurante que o castanho tinha dito era aquele localizado em um bairro nobre da cidade, onde uma simples garrafa de água chegava a custar mais de três reais (claro que a água era um bem inestimável, mas no resto da cidade podia comprá-la por até um real).

Olhou para as próprias roupas, sentindo-se de repente deslocado (pretendia ir de calça jeans e uma camisa social).

Levantou-se, indo até o armário, olhando as peças ali dispostas.

A cor verde saltava aos olhos negros, desde um tom mais escuro até o mais claro, quase branco.

"Acho que não preciso trocar de camisa..." – isso já significava um alivio (não era muito adepto à moda, ou seja, eram raras as vezes em que saia de casa com as roupas combinando).

O terno lhe pareceu muito adequado, e o melhor: combinava com tudo! Ou quase tudo...

O relógio avisou que não tinha muito tempo sobrando, ao que se dispôs a colocar as roupas, um par de sapatos sociais e a gravata.

Olhou-se no espelho, arrumando a franja para que cobrisse as sobrancelhas.

- Yosh! – exclamou com um enorme sorriso, correndo para a sala, pegando as chaves do carro e saindo, finalmente, em direção à rua, deixando para trás todas as preocupações.

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- Lee?

O moreno levou um susto ao ouvir seu nome, virando-se para ver o dono da voz.

- Boa noite Neji-sama – disse sorrindo, fazendo uma reverência.

O atendente entendeu em poucos segundos que aquele moreno era o convidado do Hyuuga, afastando-se para que Lee pudesse ter acesso à parte interna do restaurante.

Andaram devagar até a mesa, sentando-se nas cadeiras confortáveis. Então um silêncio constrangedor surgiu.

Não havia nenhum assunto realmente, ou algo que pudessem comentar (sem que envolvesse o trabalho).

Apesar de Lee saber de praticamente toda a vida do castanho, não se atrevia a citar temas tão inconvenientes, ainda mais em um lugar público como aquele; seria como "quebrar o sigilo profissional". Claro que tinha algumas coisas para esclarecer com o outro, no entanto permanecia na esperança de que o momento correto para isso ainda chegaria. Até lá...

- Gostariam de fazer o pedido? – quem quebrou o silêncio fora o garçom, segurando uma caderneta.

- Ah, na verdade nós ainda não olhamos o cardápio – as bochechas do moreno coraram um pouco, sem motivo aparente.

Ganhou um assentimento do homem, que se afastou, os deixando novamente submersos naquela falta de assunto agonizante.

Os olhares se chocaram, e o que o médico viu naquelas pupilas não foi nada parecido com indiferença (como já estava acostumado), mas uma mensagem que dizia: "eu te..."; não conseguiu desvendar a continuação.

- V-vamos ver o cardápio! – disse abrindo o pequeno livro, escondendo o rosto vermelho por trás das páginas decoradas.

Esta reação natural de seu corpo às vezes irritava, quer dizer, ficar vermelho como um tomate não era nada bom, sem contar que estava em frente ao Hyuuga. Tinha que se comportar como um médico!

- Isto não é um encontro de trabalho, Leepelas reações do moreno, somadas ao fato de que o conhecia há tempos, Neji podia afirmar com toda a certeza que Lee estava se esforçando para se portar como um profissional, mas o Hyuuga jamais tiraria o outro de casa para fins meramente trabalhistas; tinha planos muito maiores, principalmente para aquela noite.

- Não? Mas eu pensei-

- Esqueça. Estamos aqui como amigos – embora substituiria, em breve, tal palavra por uma com um sentido mais restrito, como amantes, ou namorados, quem sabe noivos? Só o pensamento lhe fez sorrir, de leve.

O moreno analisou a afirmação.

Podia muito bem separar obrigação de lazer, então não encontraria muita dificuldade em se acostumar com a idéia do outro.

- Ok! – falou com um sorriso, mostrando os dentes impecavelmente brancos.

- Ótimo, vamos escolher os pratos.

Para a surpresa do moreno (ou não), os preços das iguarias eram muito pior do que tinha imaginado em um começo, chegando a contar até com três números.

- Eu gostei muito deste restaurante - começou, escolhendo as palavras – Verdade! É bastante bonito e aconchegante, mas... Não sei se é mesmo uma boa idéia jantar aqui Neji-sama...

- Lee, você é meu convidado, não precisa se preocupar com nada.

- Mas esses preços-

- Esqueça isso – e ponto – Agora escolha.

O castanho estava certo: se encontrava ali como um convidado, e era exatamente este ponto que lhe preocupava, afinal, todos os gasto sairiam do bolso do Hyuuga, e isso não trazia senão vergonha ao moreno, definitivamente. O melhor seria não pedir coisas desnecessárias e caras.

Novamente o garçom se aproximou. Desta vez anotando os pedidos do castanho para então dar atenção ao moreno.

- Certo... Em alguns minutos os pratos ficarão prontos – fez mais algumas anotações na caderneta – Tem certeza que não quer um vinho para acompanhar, senhor?

- Sim, não posso beber nada alcoólico – explicou de forma neutra, dando um sorriso ao atendente.

E, mais uma vez, sozinhos na mesa, mudos.

Aquilo já estava deixando o moreno incomodado, quer dizer, quando se encontrava com o outro no ambiente de trabalho a conversa fluía sem esforço, mas agora...

Voltou a encarar os olhos perolados, encontrando a mesma mensagem de antes: "eu te..."; continuava não sabendo como completá-la.

Desviou o olhar, pensando em algum assunto; qualquer coisa servia!

- Obrigado por ter me convidado – disse esperando alguma reação por parte do castanho.

- Eu que agradeço, por ter vindo – mesmo se esforçando para denotar um pouco de romantismo, a frase saiu de forma artificial, como se Neji a tivesse decorado – Hoje é um dia muito especial... – murmurou quase sem pensar, embora demonstrasse o contrário.

Lee o encarou, tentando desvendar a razão daquela frase, mas ao abrir a boca para perguntar o garçom irrompeu, colocando os pratos em seus devidos lugares na mesa, assim como as bebidas. Desejou um pequeno "bom apetite" e se retirou, levando consigo a coragem do moreno para retomar o assunto.

Durante o jantar apenas os barulhos dos talheres batendo no prato podiam ser ouvidos (somados à música típica do restaurante e conversas alheias).

Então o moreno viu-se invadido outra vez por aquela vontade de erguer algum tema.

- Neji-sama, por que hoje é um dia especial? – a pergunta simplesmente escapou, e se Lee pudesse, fingiria ter dito outra coisa, afinal, se o outro não tinha voltado neste assunto provavelmente era porque não queria discuti-lo.

O Hyuuga parou de comer, pousando os talheres nas bordas do prato, parecendo pensativo.

Por um momento o Rock quis retirar a pergunta e se desculpar, mas as palavras morreram na garganta.

- Você sabe o que é se importar com alguém? – respondeu com outro questionamento, encarando o moreno.

Lá estava a mensagem...

- Sim, eu me importo com todas as pessoas a minha volta. Quero que elas fiquem bem – respondeu com sinceridade.

"Eu te...".

- Nunca se importou com uma pessoa a ponto de querê-la ao seu lado todos os dias?

- Eu... – o que responder? Não sabia. Por um instante a imagem do ruivo se fez presente na mente do moreno.

- Lee – se inclinou devagar, chegando próximo ao rosto do médico.

- S-sim?

- Eu te amo.

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Estralou os dedos, sentindo as costas doerem por estar na mesma posição durante longos minutos, quem sabe horas, porém não mostrou um vestígio sequer de querer se mexer.

No quarto escuro, de janelas, cortinas e porta fechadas, apenas a luz da tela do computador conseguia iluminar a face quase sem vida do Sabaku.

Passava da meia noite, mas os olhos verdes mal piscavam, concentrados em algo aparentemente muito interessante no computador.

Um barulho (irritante) soou, fazendo com que Gaara estendesse o braço, segurando sem vontade o celular, encarando o número pouco conhecido.

Atendeu a ligação, ouvindo as rápidas palavras que vinham do outro lado da linha, as digitando na única janela aberta, encerrando a ligação antes do previsto.

Se houvesse mais alguém naquele quarto, saberia que o ruivo tinha gastado todo o tempo apenas encarando a tela inicial do Google, pensando em coisas que escapavam à compreensão de pessoas comuns, como aquelas que obedeciam as leis, separavam o lixo para reciclagem, levavam os filhos à escola, trabalhavam... Enfim, gente banal, sem nenhum encanto, sem o dom de desvendar mentes tão brilhantes como a do ruivo.

Na realidade, ninguém poderia chegar a cruzar os labirintos de sua cabeça. Com certeza ficariam presos e morreriam por conta própria, isso, claro, se não os ajudasse a saírem dali.

Mas era divertido vê-los desesperados, insistindo em usar a teoria de que "todos podem ser salvos"... Parecia sermão de padre...

Essas pessoas inúteis... Tão diferentes do moreno, seu moreno.

Uma nova tela surgiu, revelando as informações que o ruivo procurava.

Então o Hyuuga morava próximo ao seu bairro? Interessante isso...

Realmente, tinha valido a pena pagar um vagabundo qualquer e lhe dar a incumbência de seguir o castanho. Agora sim poderia botar o plano em ação.

Levantou-se, andando até um armário, abrindo a porta e tirando uma pequena maleta das entranhas do móvel.

Voltou para a cadeira, abrindo a maleta, revelando um conjunto de armas lustrosas, bem como uma seringa e frascos contendo líquidos estranhos.

Uma maneira simples de se livrar dos problemas era usando diplomacia, outra ainda mais simples era matando. E como dizem: ao vencedor as batatas! Especificamente, ao ruivo o caminho livre para conquistar o médico!

- Gaara...? – conhecia aquela voz. Temari se encontrava do outro lado da porta.

- O que? – disse quando esteve frente à loira, sentindo os olhos doerem por culpa da claridade do corredor.

- Insônia de novo? Se quiser podemos conversar...

Aquilo não era uma sugestão, mas sim uma tentativa desesperada por parte da mais velha do que restara da família Sabaku.

- Não quero.

Mas Gaara não estava disposto a colaborar.

- Olha... Eu sei que tem alguma coisa acontecendo – disse à beira do desespero. Era claro que o ruivo não estava bem, talvez passando por alguma recaída, pois passava o dia trancado ou no escritório ou no quarto, fazendo sabe-se lá quais coisas, saindo apenas para ir às consultas, sem contar que antes ao menos trocava algumas palavras com as pessoas que moravam na mesma casa.

Analisando, não fazia sentido; parecia que o mais novo planejava se fundir em uma vida totalmente à parte, esquecendo-se dos demais, como antes...

- Temari, desde quando você se preocupa comigo? – a frase veio recheada com um tom perigoso, mas que ao mesmo tempo sugeria advertências, avisos para que a loira ficasse longe.

A mais velha ficou muda, pensando em alguma resposta, mas nada veio. Observou o ruivo ser engolido novamente pela escuridão do quarto, fechando-se no pequeno mundo afastado da realidade.

Um pensamento passou correndo pela mente da loira, que saiu em direção ao armário onde os remédios do outro ficavam guardados.

Pegou todos os frascos daquele mês, os abrindo e notando, não sem certa preocupação, que eles estavam praticamente intocados. Se Gaara não estava se medicando devidamente, isso significa que...

Olhou apreensiva para onde o quarto do ruivo ficava.

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Uma expressão perplexa ia aparecendo à medida que o Umino terminava o relato.

Não podia acreditar que em uma noite, não tão distante assim, o Sabaku tinha sido encontrado sangrando no solo, aparentemente passando por uma crise.

- Iruka-san, tem certeza disso? – perguntou entre o desespero e a preocupação, recebendo uma resposta afirmativa.

Mas não tinha notado ferimento algum no rosto do outro... Talvez o cabelo estivesse cobrindo.

- Desculpe não ter contado antes Lee, mas tinha muita coisa na minha cabeça, acabei esquecendo...

- Não se preocupe, obrigado por me dizer - impossível esconder o tom preocupado – Amanhã mesmo vou- - o pensamento de que o ruivo já não era seu paciente reapareceu. Na verdade, nunca fora, assim que não poderia ajudá-lo, ao menos não de forma direta – Vou conversar com o Naruto-kun – se apressou a completar a frase.

- Ok... – alguns segundos de silêncio surgiram, sendo quebrados por uma revelação do castanho: Neji estava perto de onde Gaara se encontrava, e isso não era senão suspeito. Ao contar isso, Iruka desligou, deixando um Lee muito pensativo.

No momento possuía dois assuntos de extrema urgência: o que fazer com relação ao ruivo (bem que tinha notado um comportamento estranho nele, e isso possivelmente se devia à falta de medicação, no entanto a responsabilidade de tomar os remédios era do próprio Sabaku) e... A declaração do castanho.

O resto do jantar fora silencioso, já que Lee tinha desviado a conversa, caindo em um tema totalmente à parte, e Neji, como o perfeito cavalheiro que era, deixou a situação daquele modo.

Com a cabeça borbulhando, milhares de pensamentos e opções do que fazer em ambos os assuntos, o Rock pôs-se a pensar, sendo ao mesmo tempo tomado desprevenido por temas que envolviam outros pacientes, e isso formou uma dor de cabeça no moreno, lhe obrigando a parar.

O mais indicado agora seria dormir. Teria tempo para refletir no dia seguinte.