Amor de Resgate
Classificação: 18 anos
Gênero: Universo Alternativo
Gênero²: Aventura
Gênero:³ Romance/Drama
Shipper: SB/HG (Sírius Black e Hermione Granger)
Spoiler: Nenhum
Disclaimer: É tudo da J.K, warner e C&A! Estou apenas dando asas à minha imaginação.
Sumário: "Aquele acidente mudou a vida de ambos. Ela levou o trauma. Ele o heroísmo. Dentre tudo, uma experiência inesquecível... Juntos, levaram o amor."
Autora: Paula Renata Milani.
Capítulo nove: Falando francamente. Ou quase.
Parou um pouco para tentar limpar o suor que escorria da testa. Tentou não olhar para baixo. O barulho da moto partindo parecia ter soado há épocas! Nunca viu uma escada tão interminável!
Faltam três… apenas três… É rapidinho…
Ela subiu mais um… Quase se arrependeu, mas era mais fácil subir os outros dois do que descer tudo de novo…
Mais um… Que vertigem!
Subiu o último e encontrou um empecilho que não estava em seus planos e que tampouco chegou a saber o que era, porque suas forças se esgotaram naquele instante e sua visão escureceu ao mesmo tempo em que dois braços firmes a impedia de rolar escada abaixo.
- Her…Hermione? – Sírius exclamou surpreso e assustado. O que ela estava fazendo ali em cima? Sozinha? E onde estava Harry e Remus nessas horas para olhá-la? Não como se ela precisasse de uma babá, mas… Sim, ela precisava de uma babá, ora essa! Afinal, não estaria ali em cima sozinha…! Por Deus, se ele não estivesse ali…!
- Droga! – E tudo por que ele inventara de se magoar com a reação da garota! O que ele esperava afinal? Que ela adorasse a idéia de ser romanticamente ligada a ele? Quem gostaria? As mulheres normalmente fugiam dele assim que sabia quem era! Se tivesse ficado lá embaixo o tempo todo ela não teria saído de suas vistas!
Sírius olhou ainda para trás da garota em seus braços e assistiu uma das muletas que ela trazia consigo chegar ao chão. Suspirou audivelmente. Que perigo… Jesus… Se não tivesse chegado a tempo… Se não tivesse resolvido descer um pouco para pegar algo para comer…
Segurou-a melhor no colo e levou-a até o quarto mais próximo que era de Harry. Trancado. Lamentando ter um afilhado tão propenso à privacidade, Sírius tentou endireitá-la melhor e a carregou até o seu quarto que era bem no fim do corredor. Ou ele estava mesmo com muita fome ou Hermione estava mais pesada do que da última vez.
Provavelmente era ele quem estava fora de forma mesmo. Hermione ainda não tinha recuperado todo o peso que perdera enquanto estava internada. Era hora de voltar pra academia…
- Hermione? – chamou-a assim que a colocou sobre a cama. – Hermione.
Frustrado ele fez alguma checagens rápidas para se garantir de que não fora nada mais que um cansaço repentino e só se aquietou quando ela voltou a respirar normalmente e a dar sinais de que acordaria.
- Ai.
- Onde dói? – Sírius imediatamente estava ao lado dela.
- Ah – Hermione corou apesar da palidez ao adivinhar a situação. – Tudo um pouco... Mas eu estou bem.
- Tome isso. É apenas soro. Você deve ter se esforçado muito pra subir aquela escada. Vai ter que tomar sempre que tiver sede, no mínimo.
Hermione só conseguiu obedecer quando ele a ajudou. Seus membros estavam todos doloridos. Ela parecia ter corrido uma maratona.
- É hora de se explicar.
Ai, droga. Por que ela estava sempre nessas situações? Que merda.
- Desculpe – pediu timidamente, sem encará-lo.
Ouviu o suspiro alto de Sírius e sentiu a cama se mexer. Olhou de relance vendo que ele se sentava ao seu lado e descansava a cabeça na cabeceira da cama. Estavam lado a lado.
- Hermione, você esperou Remus e Harry saírem pra subir até aqui. Isso não foi a toa. Quer conversar comigo sem que eles escutem? Estamos sozinhos aqui agora, então você pode aproveitar.
Hermione fechou os olhos. Seu corpo estava todo dolorido e sensível, mas aquelas palavras de Sírius chegaram ao seu cérebro com um significado diferente. Meu Deus, o que estava havendo com ela?
- Hermione? – A voz dele voltou a soar preocupado. – Você está bem?
- Sim… Quer dizer, não. Estou com um pouco de dor, acho que bati em algum lugar – Ela aproveitou o embalo para contar uma dor que ela realmente sentia desde que acordara, e que estava ficando cada vez pior.
Sírius engatinhou sobre a cama até chegar na direção da cintura de Hermione. Ela corou profundamente ao imaginar a nova pergunta… Devia ter ficado quieta!
- Onde dói?
Hum. Se ela falasse o que ele faria? Daria-lhe um analgésico, certo? Ele não tocaria nela, não é? Seria… Constrangedor demais.
Sírius viu a hesitação dela. Estava começando a ficar impaciente quando se lembrou da forma que ele a pegou no colo quando caía, da forma que ele a carregou e da hora que trombou com tudo na porta do quarto de Harry, achando que estava aberta.
Sorriu ao perceber o motivo da insegurança.
- Dói aqui? – perguntou. Hermione deu um pulo ao sentir suas mãos pesadas sobre sua costela, mais pela surpresa e pelo choque. Quando Sírius mudou o lugar que apertava, aí sim seu pulo foi de dor.
- Desculpe. Acho que a culpa é minha, trombei com você no colo lá na porta do outro quarto. Acho que é apenas isso. Pelo menos espero.
As mãos dele voltaram a apertar seu corpo, dessa vez com mais cuidado. Hermione mordeu os lábios depois de ter soltado um gemido de dor que ela poderia ter evitado.
- Hum... Sei não, Hermione. Dói muito? Não é melhor irmos ao hospital? Não se esqueça de que você sofreu uma recuperação muito sensível nessa parte do corpo…
- Relaxa, Sírius. Eu estou bem.
Sírius não ficou contente.
- Vou dar uma olhada nisso, pelo menos.
Ela até que não queria perguntar, mas a sua blusa sendo levantada até as costelas a fez impedi-lo com as bochechas coradas e uma exclamação surpresa.
Ele girou os olhos.
- Por Deus, Hermione. Não vou arrancar sua roupa. Sossegue.
Ela corou ainda mais, porém, não teve outra alternativa a não ser deixá-lo continuar. Seria patético e infantil demais se não o fizesse.
Mas os dedos quentes de Sírius cutucando suas costelas ao invés de serem incômodos estavam lhe causando uma reação um pouco estranha.
Ela precisava se distrair.
- Sírius. Eu subi aqui pra falar com você... Precisava... esclarecer umas coisas....
- Não se preocupe... Dói aqui? Tem uma marca roxa... Acho que é pela batida mesmo... Mas você não deveria ter subido, foi uma atitude irresponsável essa sua.
- Tinha que falar com você! Que outra forma eu teria?
- Não seja dramática. Você sabe que não precisa me esclarecer nada… É impressão minha ou sua costela está inchada?
- Não sei, não estou vendo. Deixe minha costela, Sírius,.ela nem está doendo tanto. AI!
- Você é muito teimosa. Eu estou preocupado com sua saúde.
- Não sou mais teimosa que você. – Ele não a deixaria falar? Ótimo, então. Sem rodeios. – Se fosse eu conseguiria fazer você acreditar que não ligo a mínima para o que estava escrito naquele jornal e que interpretou mal minha reação.
As mãos de Sírius congelaram sobre seu estômago. Um brilho opaco surgiu, fazendo com que ele parecesse mais velho, cansado, e sombrio com a frágil luz daquele cômodo.
- Você não tem que se explicar. Acredite, eu compreendo você. Isso não vai atrapalhar na nossa convivência.
Por um momento insano Hermione congelou no lugar, mil pensamentos passando na sua cabeça. Quando ele disse que compreendia... Que não atrapalharia na convivência dos dois... Ele estava se referindo a quê? Que loucura, Hermione! Deixa de ser tonta! É claro que ele estava referindo ao asco que ele acreditava que ela tinha!
Só isso.
- Sírius, por Deus, você entendeu tudo errado. É você o dramático aqui, não eu. Eu fiquei chocada com a notícia.... Quer dizer, é isso então o que as pessoas estão dizendo de nós? Que estamos tendo algum caso? Eles nos pintaram como… Sei lá, dois tarados amantes. Sequer citaram que Harry estava morando junto com a gente! Não tem nada a ver com você, Sírius, eu só não estou acostumada a ser... Interpretada assim.
Para sua surpresa, Sírius riu.
- Você vai ter que superar isso enquanto estiver aqui, Hermione. Entenda, nós te metemos numa grande confusão. Harry até hoje é perseguido pelos mais diversos jornais, uma celebridade muito maior do que muitas por aí. Eu, não posso dizer que seja o alvo favorito deles, mas sempre que há alguma coisa que caiu na boca do povo e que podem me relacionar a isso, já viu…
- Eu sei, fui amiga de Harry por anos, acompanhei ele aprender a lidar com isso... Foi apenas um choque inicial, Sírius... Se você tivesse esperado…
- Ok. Está tudo bem. Eu sou assim mesmo, Hermione. Impulsivo. Perdão. Estou agindo com a cabeça agora, viu?
Os olhos se encontraram de uma forma intensa. Havia um sorriso brincalhão nos lábios de Sírius que fazia algo queimar no coração dela. Por Deus, a gratidão que sentia por aquele homem era tão intensa! Tão forte! Ele era o seu herói! O seu príncipe encantado! O seu…
PAM!
Hermione deu um sobressalto, mas Sírius apenas ergueu os olhos para a porta que se abrira com violência. Um Harry Potter descabelado paralisou no lugar ao visualizar a cena que encontrava. Entrara ali para avisar o padrinho emburrado de que Hermione simplesmente sumira, e o que encontrara? Ele numa posição muito íntima com sua melhor amiga doente deitada em sua cama!
Ele corou absurdamente. Incontrolavelmente. Tanto que fiz Sírius cair na gargalhada e Hermione acompanhá-lo.
- Você está lendo muito Rita Skeeter, Harry.
Harry só se tocou do que estava acontecendo de verdade quando, rindo, Sírius acabou perdendo o controle das mãos e apertando demais o local dolorido da garota.
- Aí! Sírius! Isso doeu.
- Desculpa, o Harry fez com que eu me descontrolasse... Vou pegar uma pomada pra você.
- Você passou mal, Hermione?
Ela corou.
- Não... Eu tentei subir a escada pra falar com Sírius.
- Você o QUÊ?!
- Poupe o sermão. Sírius já cumpriu essa parte.
Harry virou-se para o padrinho, indignado. Ele fez um sinal para deixar pra lá que depois explicava.
- Vou dormir com você hoje. Já que Hermione está aqui em cima é melhor que fique no meu quarto onde terá mais conforto. Amanhã vou tentar arrumar aquele banheiro de novo. Tudo bem?
Prestando mais atenção, Sírius percebeu que ele ainda estava corado e que, se tivesse parado pra notar antes, já havia uma coloração vermelha nas bochechas dele e uma inquietação assim que adentrara o quarto.
- Foi levar Remus? – rondou. – Você demorou.
Pimba. Ele corou de novo.
- É... Apareceram uns imprevistos.
Hermione também pareceu curiosa.
- Remus não disse que morava perto? Você demorou mesmo.
- Nós… Ficamos… Conversando e eu perdi a hora. Desculpe.
Com as faces queimando, ele veio dar um beijo de boa noite pra Hermione e saiu depressa do quarto.
- Ele está estranho. – Ela concluiu, olhando interrogativa para Sírius. – Você não achou?
Sírius deu de ombros, deixando o assunto pra lá, mas ela não se deixou enganar, apenas fingiu que não estava interessada.
- Eu não quero incomodar…
- Você não vai. É melhor que fique aqui mesmo, é mais confortável, e o banheiro é pertinho. Bem… Acho que tem tudo que você precisa acessível. Travesseiros, cobertas… Quer que eu traga alguma roupa lá de baixo pra você?
Ela tentou não corar ao imaginá-lo abrindo sua mala e pegando um par de camisolas.
- Hum... Se puder trazer a minha bolsa...
- Trarei. Já volto.
Ao voltar, Sírius imitou os gestos de Harry, lhe dando um beijo rápido na testa e fazendo com que ela corasse profundamente, depois saiu, pedindo que ela gritasse se precisasse dele. Hermione suspirou, absolutamente cansada, só querendo fechar os olhos e dormir. Trocou-se o mais rápido que conseguia, com pouco de dificuldade (seria humilhante demais pedir ajuda até pra isso, certo?) embolou-se nas cobertas quentes e girou de lado, sentindo uma fragância suave vinda de um travesseiro que, apesar de limpo, ainda não escondia o shampoo de Black.
E foi com esse perfume a invadindo que ela adormeceu.
