CAPÍTULO 10: O Capitulo das Trevas


Paráfrase I - O Corvo

Era provavelmente a taverna mais suja e escondida da zona portuária. Os bruxos velhos e maltrapilhos olhavam Tom com olhar de inquietação e cobiça: tão limpinho, roupas tão novas e de tecido fino...

- O Corvo. - repetiu para si mesmo, lendo o papel que tinha nas mãos. Olhou para a placa na porta do lugar, e reconheceu como sendo o indicado, apesar de já estar sem um pedaço - ...É aqui.

Tom entrou; era mesmo um lugar horrível: cheiro de comida azeda, gente suada e álcool. Chegou até o balcão, onde um velho curvado lhe atendeu:

- O que quer... COF... filho?

- Eu quero falar com o Corvo d'O Corvo.

O velho o olhou longamente, mexeu nos óculos grossos e engordurados e balançou a cabeça, apontando o fim do corredor da taverna com a ponta da bengala:

- Para anunciar isso alto, só pode ser estúpido. COF. ...Vá até o fim do corredor.

Ao fundo, Tom afastou uma pesada cortina rosa: era a parte privativa da taverna. Uma grande mesa com sofás e almofadas e um cheiro de perfume pobre bem forte. Alguns piratas bruxos, mal encarados, se abraçavam com mulheres de vestidos enfeitados, e estas também se abraçavam e se esfregavam - algumas com a parte de cima do vestido abaixado, semi nuas.

Tom olhou aquilo com uma certa repulsa. Pigarreou:

- ...Quero o Corvo.

Os piratas sujos e as mulheres seminuas torceram o nariz descontentes, mas se levantaram e saíram. O bruxo mais forte, de olhos amarelos, cicatrizes no rosto e barba muito negra e brincos de ouro murmurou alguma coisa ao passar pelo jovem, e Tom virou-se para acompanhá-lo. Foi quando uma voz sedosa cheia de sotaque lhe chamou:

- ...Ei, jovem, não veio atrás do Corvo?

Tom olhou para o sofá: uma mulher "sobrara" ali, deitada, com outra em seu colo - umas das que estava com os peitos de fora.

- Lamento que tenha que ir. - disse a mulher suavemente, para a que estava em seu colo - Nos vemos em breve.
Ela lhe deu um beijo na boca, mordiscou seu seio, e a deixou sair de lá. Tom deu passagem para a mulher e ficou se sentindo extremamente incomodado de estar sozinho.

- Muito bem. - suspirou a bruxa, arrumando seu vestido nos ombros e se sentando direito. Ela era muito bonita, tinha cabelos volumosos - Em que posso lhe ajudar?

Tom olhou o longo vestido vermelho que ela usava. Por alguns instantes, ficou sem reação. Balançou a cabeça, e sentou-se numa cadeira:

- Meu nome é Tom Riddle. Vim atrás d'O Corvo para aprender sobre maldições e demônios.

- Ora! Um jovem arrumadinho e ambicioso! - sorriu a bruxa, esticando a mão para ele cumprimentar - Bem vindo, senhor Riddle. Muito prazer, eu sou Paloma.


Paráfrase II - La Paloma

- Não quero lecionar, tampouco ser diretora em Hogwarts.

- Vai rejeitar meu pedido assim? - lamentou Dumbledore, levemente chocado.

- Minha família agradece por Hogwarts ter recebido tão bem minha família, apesar de sermos de outro país. Mas não quero e nem posso aceitar.

- Uma pena. - suspirou Dumbledore - Achei que fosse aceitar, Yolanda.

- A Lufa Lufa terá representantes melhores. - encerrou, categórica.

Yolanda olhou a luz que entrava na sala pelo vitral da escola, ficando quieta por alguns instantes. Dumbledore terminou uma xícara de chá e disse:

- Você sabe para onde Paloma e Tom foram?

- Não sei. - murmurou - Mas ela me preocupa.

- Paloma não me preocupa. Tom, sim.

Os dois se olharam, e concordaram em silêncio.

- O que acha que Tom irá se tornar, Alvo?

- Algo grande, Yolanda. E eu temo o que seria esse grande.

- Não tema. Nós, Lufos, somos fortes perante a dor.

- Vocês são da família Viña Del Plata, são famosos por terem passado por muitas crises em seu país e sobrevivido. Mas será o mesmo com as crianças de agora?

- Aposto cem galeões que serão da Lufa Lufa.

- São os filhos de Tom Riddle, Yolanda.

- Duzentos.

- Não é tão simples, a ambição de Tom vai...

- Quatrocentos.

- Quinhentos e todo mundo vai para Sonserina. - sorriu Dumbledore.

Nisso uma coruja chegou, trazendo um envelope roxo. Dumbledore abriu:

- ...É de Gon, o ferreiro das trevas. Tom e Paloma foram para a região das geleiras nórdicas. Perderam o contato.

- O que ele quer lá? - perguntou Yolanda, tentando pensar em algum motivo.

- Ele está atrás do ritual de Zz'gashi.

Yolanda sentiu a espinha gelar:

- Ele acredita nisso?


Paráfrase III - O Nascimento

Tom subia uma estreita rua de pedras, em meio á uma forte nevasca: tentava correr com um pesado livro nos braços. Entrou em uma pequena cabana e foi direto para o quarto. Paloma estava na cama, ofegante, suada. Parecia cansada e com dor. Duas bruxas cuidavam dela, e trocavam seus lençóis molhados de sangue.

- ...Cheguei a tempo? - perguntou Tom, olhando ao redor - ...Onde estão?

Ele viu o berço no canto do quarto e foi até ele.

- ...Não. - sussurrou.

As bruxas se olharam, e ele ficou furioso:

- ONDE ESTÁ A SEGUNDA CRIANÇA?

- Não grite, Paloma está debilitada. - pediu uma das bruxas.

- ERAM GÊMEOS! - gritou - ERAM DUAS! EU PRECISO DE DUAS!

- Ele morreu após nascer, senhor. Era fraco.

Tom ficou em silêncio.

- Ele morreu? ...Quer dizer... ele. O menino? ...E quem nasceu primeiro?

- O menino, senhor.

Tom avançou em Paloma, na cama. Mas as bruxas conseguiram segurá-lo. Ele estava furioso:

- FOI VOCÊ, NÃO FOI? SUA PROSTITUTA MALDITA! VOCÊ MATOU O FILHO HOMEM PARA QUE EU NÃO ME TORNASSE ZZ'GASHI, NÃO FOI?

Paloma abriu os olhos, e sussurrou:

- Não foi culpa minha.

- EU NÃO QUERO UMA FILHA MULHER! INÚTIL! SEM PODERES!

- ...Nunca entregaria meus filhos a um sacrifício.

Tom se livrou das bruxas, respirou fundo e sussurrou, entre os dentes, para Paloma:

- Se eu não posso mais usar o casal de filhos... uso você e ela.

Ele se ergueu, voltou a colocar a capa e saiu da cabana, no meio da nevasca:

- Eu serei Zz'gashi!

E sequer mostrou interesse na criança que acabava de nascer.


Paráfrase IV - A Vizinha

Dumbledore estava sentado na mesa da cozinha de uma simpática casa no subúrbio de Londres. Ele olhava pela janela: uma família chegava de mudança para a casa logo á frente. Uma voz infantil falou atrás do bruxo:

- ...Tom não vai gostar de ver trouxas aqui perto... são trouxas.

O bruxo olhou para trás e riu da criança que espiava pela beirada da porta. Paloma apareceu na cozinha:

- É claro que vai gostar, Leah. Seu pai é gentil com as pessoas.

Paloma se agachou na frente da filha: uma menina de quase quatro anos, pele muito branca, cabelos negros brilhantes e olhos muito azuis. Ela tinha farelo de biscoito e açúcar grudados na bochecha, que a mãe começou a limpar.

- Ele não gosta, mãe. Disse que são a praga do mundo e que somos melhores.

- Imagina...! Eu já não te contei? Quando você nasceu ele deu uma festa e chamou todos os nossos vizinhos trouxas. Ele estava muito feliz e todos nós ajudamos a escolher seu nome. - ela terminou de limpar o rosto da filha, que parecia meio mal humorada - E no fim da festa Tom juntou algumas flores do jardim...

- E fez uma coroa de flores para você. - completou a menina, como se já tivesse decorado a história.

- Isso. E depois...

- ...Ele fez uma menor e disse que seria a minha coroa porque eu era a princesa que ele mais amava.

Paloma se levantou:

- Vou oferecer chá aos vizinhos, para depois que terminarem a mudança. E preciso conversar com seu tio. Por favor, vá brincar no seu quarto.

Leah caminhou lentamente para o quarto. Paloma saiu pela porta da cozinha. Leah disse, quando passou por Dumbledore:

- ...Nós fazemos coisas que os trouxas não fazem. Somos melhores. - disse, emburrada.

O bruxo sorriu:

- Isso não significa que somos melhores..

- Eu posso matar um trouxa com a força do pensamento.

Dumbledore riu e pôs a mão na cabeça da sobrinha:

- Desse tamanho e já com uma casca tão grossa...?

Alguns momentos depois Paloma voltou.

- Porque mente tanto para sua filha? - perguntou o bruxo.

- Ainda sem notícias de Tom? - perguntou Paloma, ignorando.

- Tom está se perdendo, Paloma. Não sabemos onde ele está. Ele desaparece como fumaça ao vento.

- Ele vai voltar para nos buscar. Precisa de nós duas para reviver Zz'gashi.

- Por que inventa tantas histórias sobre Tom, Paloma? - voltou a insistir - Por que enche a cabeça da sua filha com tantas lembranças falsas?

Paloma cruzou os braços, olhando a família que se mudava. Duas crianças corriam em círculos, enquanto os pais descarregavam as caixas.

- ...Porque nenhum filho merece odiar o pai.

- Tom caminha para as trevas, Paloma. Quer mesmo que sua filha ame um pai que irá sacrificá-la num ritual que ressuscita um demônio?

- Alvo, não faço isso por ele. Faço pela minha filha. Se nosso fim for esse, que a única lembrança ruim de Leah... seja a primeira e a última.

Dumbledore suspirou, colocando os dedos na testa:

- Eu não sei porque você foi escolher justo Tom para ter um filho seu. Você tinha os homens e as mulheres que bem quisesse. Você melhor do que ninguém sabe que Tom jamais amaria ou teria uma família.

- Eu engravidei porque eu quis. - disse, tranquila - Sei que ele não se importa. Apenas coincidiu de ser ele.

- Sabe... você não é muito melhor que Tom, Paloma. - comentou Dumbledore, afiado - Sua vida fácil e cheia de caprichos a fez achar que seria legal ter um filho a certa altura da vida. Como se crianças fossem descartáveis como seus amantes eram. Mas não são. São vidas sob sua responsabilidade.

Paloma se irritou, e olhou fixamente para Dumbledore. Alguns dos vidros da janela da cozinha trincaram. O bruxo não se incomodou com isso.

- Você acha que foi fácil eu escolher entre as crianças? Eu tive de jogar um dos meus filhos fora, Alvo! Não pense que foi fácil fazer isso.

Ele sorriu e se levantou:

- Então foi nessa hora que sentiu o peso da responsabilidade.

- ...Agora você sabe porque minto para Leah.

- Precisando, sabe onde nos encontrar, Paloma.

O bruxo se despediu, vestiu um capota, colocou um chapéu na cabeça e saiu caminhando pelo passeio, parecendo um mendigo velho. Cumprimentou os vizinhos, mexendo de leve na aba do chapéu, e eles acenaram com educação. Nisso alguma coisa fofa bateu em suas pernas.

- Ppa, cuidado aí, pequenininha. - sorriu o bruxo, olhando para baixo.

Uma menina miúda, ofegante e de cabelos vermelhos o olhou:

- ...Discupa! - disse, com os olhos verdes arregalados de susto.

Dumbledore bateu de leve a mão na cabeça dela:

- Não foi nada.

Os dois se olharam por alguns instantes. A criança ficou séria, e perguntou:

- ...O senhor é o Papai Noel?

A irmã mais velha veio correndo e a puxou:

- Não faça esse tipo de pergunta, Lílian!

- Mas ele tem barba branca, Petúnia! - disse, em voz alta, apontando o rosto de Dumbledore.

- E não aponte, é feio!

O bruxo riu:

- Não, não sou o Papai Noel. Mas... vem cá... - ele se agachou e disse baixinho para Lílian - ...Eu o conheço. Se eu encontrá-lo, aviso que vocês se mudaram e aí ele não esquece seu presente.

- ...AH!... - exclamou Lílian, arregalando os olhos, maravilhada - JURA? ... Obrigada! - e voltou a correr para longe.

Dumbledore olhou a menina ruiva se afastar correndo, com a irmã atrás, e sorriu, dizendo baixinho, antes de voltar a caminhar:

- ...A gente se vê em Hogwarts, pequena Lílian.


Paráfrase V - Os amigos

A miniatura de Leah estava de pé no gramado, com a habitual expressão de peixe morto. De repente uma violenta bolada lhe acerta o nariz em cheio, fazendo-a cair de costas, dura como um pedaço de pau. Não se abalou. Continuou imóvel, com o olhar distante, fitando o céu azul, enquanto seu nariz começou a escorrer sangue.

- AI MEU DEUS ELA MORREU ELA MORREU ELA MORREU ELA MORREU ELA MORREU... - gritava Lílian, correndo em círculos ao redor de Leah.

- É claro que ela não morreu, só se machucou. - disse Petúnia, meio brava com o exagero da irmã.

Leah continuou olhando o céu, quando percebeu que alguém lhe fez sombra. Olhou para o lado, e viu Snape.

- ...Eu disse para você não brincar aqui. - sussurrou, como se não quisesse ser notado. Apesar de estar no gramado aberto e muito visível.

- Eu não estava brincando. - justificou Leah - Minha mãe mandou eu sair e eu saí. Isso foi há duas horas atrás. Ela me mandou sair. Não brincar.

Snape ajudou a amiga a se sentar. O sangue tingia o rosto claro dela de vermelho vivo.

- Tem que passar uma poção aí. - disse, ainda baixinho.

Quando o garoto respirou fundo e ergueu o olhar, deu de cara com Lílian, que estava tão próxima que quase lhe tocava o nariz.

- Oi.

- AH! - assustou-se Snape, caindo de costas. Ele se ergueu, bravo - ...Que susto! O que você quer?

- ...Poção de "poção mágica"? - perguntou Lílian, olhando-o fixamente, sem piscar.

Antes que ele respondesse, ela correu até o jardim, pegou um botão de flor e voltou correndo.

- Olha. - ela se agachou e segurou a planta com a mão direita. O botão de flor desabrochou em segundos, na frente dos olhos de Snape e Leah - ...Viu o que eu sei fazer? Não é poção. Mas é mágica também.

Snape pareceu admirado de ver que ela era bruxa. Mas Leah disse, desdenhosa, se levantando, brava:

- É, é mágica. E a gente também faz isso. - ela piscou algumas vezes e sentiu a vista se encher de brilhos e escurecer - Puxa... olha quantas estrelas na... - e desmaiou.

Lílian e Snape olharam Leah, caída entre eles. Snape olhou a ruiva:

- Você faz mágica porque é bruxa.

Lílian se ofendeu:

- ...BRUXAS SÃO FEIAS! EU NÃO SOU BRUXA!

O garoto pensou alguns segundos, e apontou Leah, no gramado:

- ...Ela morreu.

E Lílian, ao escutar isso, voltou a correr em círculos gritando "NÃO ELA MORREU NÃO ELA MORREU NÃO ELA MORREU...!"


Paráfrase VI - A Cerimônia

Tom apontou a varinha para o alto e disparou um feitiço. Ele atingiu o teto da câmara escura onde estava, e o telhado de galhos apodrecidos se desfez. A luz da lua azul iluminou o lugar: um antigo templo, em algum lugar cercado de neve. Tom usava uma túnica violeta e seguia o ritual em um velho pergaminho escrito em couro. Ao terminar de ler, o templo se iluminou: os desenhos das paredes e do chão se iluminaram com um contorno de luz azul claro. Paloma estava num canto, agachada, abraçada com Leah, um pouco maior. E chorava.

- ...Então é assim que acaba. - murmurou para si mesma.

- VAMOS, PALOMA! - gritou Tom, impaciente.

- Não se preocupe. - sussurrou para a filha - Não importa o que aconteça hoje, Leah... tudo vai ficar bem.

A criança, até então indiferente, fez uma expressão de choro. Paloma acariciou seu rosto e a beijou:

- Eu te amo. Eu te dei a vida. E você me deu uma nova vida. Sua vida é minha, e a minha, é sua.

- ...Você vai embora? - perguntou Leah, meio chorosa de ver a mãe daquele jeito - Vai me deixar sozinha?

- Você não vai mais me ver, mas eu não vou te deixar sozinha. Escute: vai doer, vai ser ruim. Você vai ficar triste, com raiva, vai achar que está sozinha. Mas vai passar.

- Não quero.

- PALOMA! - gritou Tom, descendo do altar.

A bruxa beijou a filha:

- Guarde tudo de bom que eu te ensinei e esconda no seu coração. Não deixe ninguém tomar isso de você. Você vai estar sozinha, mas, um dia, encontrará pessoas que vão ser boas e vão gostar de você tanto quanto eu. Eles serão sua família. Mas eles não serão parentes seus. Eles vão te escolher, e você vai escolher eles.

- ...Vai demorar? - chorou Leah, fazendo beiço.

- ...Vai. - sussurrou, enquanto Tom se aproximava - Você já vai estar grande. Até lá, seja forte, filha. Quando eles te encontrarem, tire tudo de bom que estava guardado e use para protegê-los a todo custo. Eles vão te amar como eu amei, e você os amará também. Eu te amo. Me desculpe.

Tom, sem se importar, a puxou pelo braço. Olhou Leah:

- Você fique aí por enquanto.

Ele colocou Paloma deitada na mesa do altar, prendeu-a com algemas mágicas, e voltou para buscar Leah. Com violência - e um certo trabalho, depois de alguns tapas - ele conseguiu colocar Leah presa aos pés da mãe.

Leah viveria e assistiria cenas horrorosas durante toda sua vida, mas nenhuma delas seria como aquela.

Paloma tinha o grito abafado por um pano negro bordado de vermelho, enquanto a filha chorava e soluçava. Tom, indiferente, continuava a recitar as palavras do ritual, enquanto esquartejava Paloma ali, naquela mesa de pedra.

As luzes do templo brilharam vermelhas, após entrar em contato com o sangue da bruxa.

Tom perfurou Paloma em várias partes do corpo, e deixou uma adaga cerimonial enterrada em sua garganta, cortando as cordas vocais. Quanto tempo levou até ela morrer, não se sabe, mas quanto Tom abriu seu tórax e começou a picar alguns dos seus órgãos, o coração ainda pulsava, acelerado, e o corpo ainda se repuxava, tenso. Tom continuava calmo, recitando palavras que Leah não entendia.

Ele colocou um pequeno pedaço de cada órgão numa taça de ouro cravejada de pedras brilhantes, e completou com sangue. Ergueu a taça ao céu, agradeceu pelo corpo e pelo sangue, e bebeu. Fechou os olhos, respirando fundo - provavelmente segurando a ânsia.

Depois repetiu o procedimento, mas, dessa vez, atrás de Leah. A garota, aterrorizada, tentava sair dali, mas não conseguia. Tom segurou Leah entre as pernas, e com uma das mãos apertou seu rosto.

- Beba. - ordenou, com a taça na outra mão.

- ...Não! - negou-se, tentando virar o rosto.

Com violência, ele conseguiu obrigar a filha a beber. Depois de virar a taça, jogou-a no chão e tampou a boca da filha com as duas mãos.

- Você não vai estragar meu ritual! ...Não vomite!

Leah não conseguia vomitar. Ela chorava, engasgava-se, tentando vomitar aquele sangue horrível, aqueles pedaços de carne crua e quente.

Tom, por fim, recitou as últimas palavras do ritual, puxou a adaga da garganta de Paloma, e a enterrou em Leah. As luzes do templo se apagaram, e a garota parou de se mexer.

O escuro e o silêncio tomaram conta do lugar. Tom soltou Leah no chão. Ele olhou ao redor, sem entender. Não via nem sentia nenhum sinal.

- ...Então, é isso? Só isso?

Ele retirou a adaga do corpo de Leah, passou pelo corpo de Paloma. Tudo em silêncio.

- Não vai acontecer nada?

Foi quando ele escutou um zumbido agudo e distante. Olhou para cima e viu que uma minúscula esfera brilhando descia pelo teto, do céu, como se fosse uma folha seca, um floco de neve iluminado.

Quando aquele grão de luz desceu á frente dos seus olhos, ele tentou focalizá-la. Parecia ter algo menor ainda dentro dela... ele esticou a mão e tocou a luz com os dedos. E todo o templo explodiu.

O tremor de terra da explosão do templo foi sentido num vilarejo mais próximo: que ficava a mais de uma centena de quilômetros de distância. Uma coluna de luz lilás saiu do templo na direção dos céus, e também foi vista pelos moradores do vilarejo.

Cerca de vinte e quatro horas depois, um grupo de bruxos conseguiu chegar ao local.

- Não acredito que alguém conseguiu executar esse ritual. - sussurrou um dos bruxos, chocado com o que restou do templo.

- Temos um corpo de mulher esquartejado. - disse outro bruxo, achando Paloma entre os escombros - ...Que horror.

Do fundo do que restou do tempo, dois bruxos exclamaram, ao pé do que restou de uma parede:

- Encontramos uma criança! ...Ela está viva!

- ...Viva? - espantou-se o bruxo líder do grupo - ...Vamos voltar imediatamente.

O corpo de Paloma foi deixado no templo, que foi incinerado assim que o grupo deixou o local. Leah foi levada para o vilarejo. Não havia sinal de Tom.


N.A1: HOJE É DIA DE EDD, BEBÊ!

N.A2: E comeeeeeeça o Capítulo das Trevas! Gostaram? Sim? Não? Ele são cenas curtas e aleatórias, separadas por "paráfrases". Assim eu conto só o que é importante e a leitura fica mais dinâmica. Cês sabem, EdD Brasil ficou grande daquele jeito pq eu tinha que "ligar um fato importante ao outro", o que rendiam capítulos e mais capítulos. Assim fica mais fácil e rápido.

N.A 3: Próximas paráfrases de Réquiem já tratam de Leah, Lílian e companhia em Hogwarts. Hum... eu sempre tento deixar Leah de lado, mas é complicado, pq eu TINHA que contar a história ela. De qualquer forma... hum... No CdT Lílian e Leah dividem os holofotes. Apesar de que Dumbledore e Tom apareceram bastante.

N.A 4: é difícil pra caralho reescrever a história de Tom Riddle e dos Marotos, já que a JK já escreveu a versão 'oficial". Mas a EdD é uma fanfic feita na época do livro 4-5 e não tinha tanta informação

N.A 5: Céus, esse capítulo tá pronto há uns 2 meses. eu me ODEIO por não ter o ânimo de antes de publicar. Sério, eu sinto muito e não me canso de pedir desculpas a todos vocês que bravamente ainda lêem a EdD!

N.A 6: Até o próximo capítulo! Tenham todos um bom carnaval, bebam com moderação, não dirijam bêbados e se forem fazer sexo, usem camisinha. Maluco, eu terminei de betar essa fanfic tomando suco de maracujá com vodka. Agora meu NARIZ ESTÁ ADORMECIDO. Sério. Que maluco... espero que ele não CAIA

N.A 7: Procurem por mim no facebook, tumblr, twitter, orkut. Mariana Massafera. Ou só Massafera. No youtube é A Prosa Ruim. De vez em quando eu gravo vídeos no formato vlog! E eu quotei Firefly nesse capítulo. Foda-se. Até!