Olá, amigos! Desculpe pela ausência, mas meu país está inflamado e o povo foi às ruas reclamar por melhores condições de vida para a população. Estamos cansados de tanto "pão e circo" e a Copa das Confederações foi o pretexto que precisávamos para cobrar dos nossos governantes maior atenção ao povo. Hoje consegui um tempinho e dei uma atualizada na história. Espero que gostem.
Vou novamente agradecer a quem está acompanhando "O Labirinto".
Duduccia, obrigada mais uma vez por sua review. Não tinha pensado em Hannibal e Clarice Starling, porque "Hannibal" é justamente o filme que me falta assistir. Mas, irei vê-lo para ver se realmente há semelhanças. Obrigada por tudo e continue acompanhando. Estou adorando "Ossessione" e recomendo aos amigos aqui do site que a leiam também.
Angelika, aí está o capítulo, espero que te agrade, é um POV de Amon, porque agora se fez novamente necessário. Me diga depois o que achou e obrigada por continuar acompanhando minha fic.
Lindsey D, ainda não pude descrever a mansão de Amon, mas neste capítulo já dá para ter uma vaga ideia. Espero que te agrade, e por favor, não deixe de comentar, os comentários me ajudam a prosseguir com a história. Obrigada por estar acompanhando!
Maria, que bom que voltamos a trocar longas mensagens, adoro saber como as coisas estão indo para você e espero que este novo capítulo te agrade tanto quanto os outros. Mas, se não agradar, por favor, comente também, afinal, as críticas construtivas são sempre bem-vindas e me ajudam a prosseguir. Ainda me sinto órfã de "Helen" e mal posso esperar para que você a retome. Beijo grande para você, amiga querida, e depois passe aqui para dizer o que achou...
Kajsa, Amon está cada vez mais determinado, só não sei dizer se está tão assustador quanto Drácula ou o Fantasma da Ópera, mas saiba que adorei as comparações, porque adoro essas histórias. Por favor, continue acompanhando e deixando suas excelentes reviews.
LadyHermioneMalfoy18 Amon ficou impaciente e agora você verá mais um POV dele. Ainda não é mais uma cena dos dois, pois não posso acelerar demais a história, mas o próximo capítulo certamente terá os dois como protagonistas. Espero que este novo capítulo te agrade também. Continue a deixar comentários por aqui, certo? Um abraço.
Sophie, bem-vinda, fico feliz que tenha gostado do capítulo na igreja. Eles ainda não se encontrarão neste capítulo, mas prometo que no próximo isso irá acontecer. Por enquanto, deixo o POV de Amon, espero que goste. Não deixe de comentar o que achou, por favor.
XXRulenumber12XX, eis o novo capítulo, novamente um POV de Amon. Ainda não é o encontro dos dois, mas em breve isso acontecerá. Ainda assim, é uma forma de entender um pouco mais a cabeça de Amon. Qual dos dois está louco? Helen ou ele? Ou nenhum dos dois? Enfim, vamos ver se Samuel vai suspeitar de Amon/Anton ou não. Seus comentários são sempre excelentes e espero que não deixe de comentar sobre este capítulo também. Obrigada por acompanhar a história. Um abraço.
S.P, bem-vinda! Espero que este capítulo com o POV de Amon te agrade, é uma forma de ver o que ele tem em mente. Acho que o beijo é tão aguardado por você quanto por Amon, mas não será neste capítulo que isso tornará (se é que tornará) a acontecer. Por favor, leia e volte aqui para deixar seu comentário.
É isso, segue mais um POV de Amon. Obrigada por serem tão gentis. Espero que gostem e até o próximo capítulo!
Termino de arrumar minha mala e me olho no espelho, satisfeito. Enfim, as coisas estão no rumo previsto, Hans, meu fiel empregado, ligou avisando que tudo já estava arranjado e que podia voltar para casa o quanto antes. Enquanto ajeito cuidadosamente o nó de minha gravata penso nela. Penso em seus cabelos macios como seda, penso em seus olhos escuros como um céu que anuncia uma tempestade violenta, penso em sua pele branca, macia e delicada, tão convidativa ao toque, penso em seus lábios, ah, lábios tão doces que se abriram como um botão de rosa para mim... Depois que a beijei finalmente entendi o quanto estou condenado e aceitei alegre o meu destino.
O problema é que esperar por ela estava ficando insuportável e eu precisei agir. Após tanto tempo vivendo moderadamente, me sinto como um cão que, cansado de migalhas corre apressado para saborear um banquete. E eu realmente cansei de migalhas. Eu tenho fome, eu tenho pressa!
O que eu não contava é que ela fosse ficar tão fragilizada. Quando não a vi no teatro àquela noite fiquei desesperado, pois entendi que ela não queria me ver. Nem cogitei que ela estivesse me desafiando, pois, por mais que tenha me ameaçado na igreja, eu sei que não seria capaz de fazer nada, porque é frágil demais para conseguir me conter. Ela sabe que é o lado mais fraco. Fiquei desesperado, mas não a ponto de pôr tudo a perder.
Fui me acalmando durante o espetáculo, e depois conversei com o idiota do marido dela. Soube que ela ficou indisposta após a suposta visita à sinagoga. Com toda a indiferença que me foi possível, ouvi o relato do desespero de Helen naquela tarde e fiquei muito preocupado, pois entendi que ela quer mesmo fugir de mim.
Mas eu já fui magnânimo o suficiente, já a deixei ir uma vez, quando a perdi nas cartas para Schindler. A deixei ir porque queria que ela ficasse viva, mas viva para mim e não para esse soldadinho judeu que mal contém as lágrimas ao me contar do medo que sente de que sua mulher esteja ficando louca. É um fraco e um cagão, como todo judeu. Fingi ser atencioso e sugeri que ela fosse hospitalizada, pois assim ganharia mais tempo com ela ainda em Viena. Não podia deixar que ela fosse para Berlim, pois o risco de perdê-la era muito maior.
Foi aí que eu tive um estalo: como o comportamento de Helen sugeria a todos um ataque de nervos, por que não incentivá-lo para que ela realmente tivesse um? No estado em que estava, não seria nada difícil. Tenho certeza que os buquês de edelweiss tiveram forte influência no colapso dela. Fiz questão de escrever pequenas mensagens perturbadores, ora de minha autoria, ora de grandes autores alemães, para que ela entendesse que eu não iria desistir, que o beijo na igreja seria apenas o começo, afinal eu quero e preciso mais.
Eu renunciei às minhas convicções mais profundas por amor a ela. E por ela eu me tornei novamente humano, capaz de sentir profundamente, o que ainda me espanta e me surpreende. E se é para ser assim eu vou beber dessa fonte, nem que para isso tenha que me afogar. E se eu tiver que me afundar nesse amor, não tenho dúvidas que ela afundará comigo.
A enfermeira da ala psiquiátrica foi devidamente subornada por Hans para dopá-la e levá-la até os fundos do hospital. Do resto, Hans se encarregou. Estou muito ansioso, quero chegar logo a Viena, quero vê-la, preciso vê-la...
Só que não posso levantar suspeitas, tanto é que acompanhei o judeuzinho e o pai dele em Berlim e Paris para que meu nome não fosse relacionado a qualquer coisa com o atual estado de espírito dela. Aguentei o velho e o maestro chorão por mais tempo do que gostaria. Fossem outros tempos teria perdido minha paciência e usado minha velha Luger, um tiro certeiro para cada um, assim não precisaria ouvir tanta besteira. Não consigo entender o que Helen viu nesse homem tão pequeno, tão fraco. Pode ser muito talentoso com a música, mas é um sentimental e tão facilmente manipulável que seria digno de pena, se não fosse tão insignificante.
Saio do meu quarto de hotel tão tranquilo, finalmente em paz comigo mesmo... Penso que antes de ir até a Gare du Nord eu deveria passar na Champs Elyseés para comprar alguma coisa para ela. Poderia ser um perfume, mas não quero que nada mascare o seu cheiro suave; poderia ser um vestido, mas não consigo pensar em nenhum modelo que supere a visão que teria dela sem as roupas, então ainda não me decidi e...
- Oh, graças a Deus encontrei você antes que partisse, Anton. – saio do meu devaneio com a desagradável visão do maestro idiota me encarando. Ao que parece, não conseguirei me livrar dele tão cedo. Tento engolir meu desprezo fingindo surpresa e preocupação.
- O que foi Samuel? Parece preocupado!
- Preocupado não, eu estou desesperado, Helen fugiu do hospital essa tarde!
- Fugiu, como assim?
- A enfermeira da ala psiquiátrica a levou para tomar sol no pátio do hospital, precisou acudir outra pessoa e quando voltou, viu que o portão dos fundos estava aberto e Helen tinha desaparecido. Acharam, inclusive, outros pacientes já do lado de fora do hospital, uma vez que o portão estava destrancado, mas dela nem sinal...
Senti o desespero do pobre homem e novamente interpretei meu papel de amigo atencioso.
- Bem, isso é responsabilidade do hospital. Já acionaram a polícia?
- Sim, sim, acionaram. Já cancelei as apresentações que faríamos aqui e preciso ir para Viena, mas não consigo encontrar passagens de avião ou trem disponíveis com a urgência que tenho. Anton, estou desesperado!
- Não se preocupem, eu comprei uma cabine inteira na primeira classe, pois gosto de viajar sozinho. Cabem até seis pessoas por cabine, vocês irão comigo, mas aviso que estou de saída. Já estão com as malas prontas?
- Graças a Deus, Anton! Sim, estamos de malas prontas, vou apenas chamar o meu pai e ir buscá-las. Te encontro no lobby do hotel. – E então o imbecil pega minha mão direita e a beija, para meu horror!
- Não tenho palavras para agradecer tudo que tem feito! Espero que te baste o meu obrigado!
Retiro minha mão das suas em um gesto rápido, porém evito demonstrar meu desprezo e minha repulsa com um meio sorriso. Estou ficando bom nisso.
- Não precisa me agradecer. Espero vocês lá embaixo.
Enquanto observo o pobre coitado desaparecer pelas escadas, entro no elevador profundamente irritado. Retiro um lenço do bolso e limpo as costas da minha mão.
- Judeuzinho de merda! – penso com raiva.
Mas o que mais me irrita é que agora não poderei passar na Champs Elyseés e ainda por cima terei que suportar mais uma vez a odiosa companhia daquele velho asqueroso que se julga muito divertido e desse maestro sentimental insuportável. Tenho certeza que irá de Paris a Viena se lamuriando e terei que ter uma dose extra de paciência para suportar essa viagem longa e imensamente tediosa.
Mas fiquei feliz em saber que estão lidando com o sumiço de Helen como uma fuga dela, como se ela estivesse mesmo fora de si e não como um sequestro. É melhor que pensem que ela está transtornada e não que alguém a levou dali contra a sua vontade. Vou ajudar na viagem desses dois, mas depois tentarei não me fazer mais tão presente. Ainda bem que ontem mesmo dei a desculpa que precisava ir, pois tinha muitas coisas a resolver em minha propriedade e que estou com nova viagem marcada, assim espero que esse maestro não fique embaixo da aba do meu chapéu por mais tempo. Tenho receio de acabar me comprometendo demais. E não posso levantar a menor suspeita contra mim, ainda mais agora com tudo finalmente saindo a contento.
Provavelmente vou ter que sair de Viena com Helen, talvez a leve para a Suíça, vamos ver. Mas enquanto estiverem procurando por ela tenho que ser muito mais cauteloso e ainda assim me fazer presente para que eles não comecem a suspeitar de mim. Eu já percebi que aquela judia velha, a sogra de Helen é muito esperta e por isso ainda preciso estar por perto. Odeio-os com toda a intensidade que me é possível, mas vou mantê-los junto a mim, porque não sou burro.
Não demora muito e encontro os dois no lobby do hotel. Entramos no táxi e permanecemos o trajeto do hotel à Gare du Nord em silêncio. E assim ficamos até o embarque em nossa cabine no trem. De repente, para meu desagrado, o infeliz desaba em um pranto convulsivo. Observo com indiferença fingindo solidariedade, enquanto seu velho pai passa um lenço por entre os dedos do maestro.
Mas a verdade é que não sinto pena dele. Diz sentir tanto amor por ela e não duvido dos sentimentos dele, me parecem genuínos. Mas sinceramente, tenho minhas dúvidas sobre o que Helen sente em relação a ele. A meu ver, me parece mais uma relação de conveniência, no qual ela está por comodismo e por segurança financeira e emocional.
Também não sou estúpido a ponto de achar que ela me ama, não, isso não. Mas ela tem medo de mim e diz sentir ódio, o que eu já acho que é um começo promissor... Antes o ódio do que não sentir absolutamente nada ou muito pouco, como acho que é o que ela sente em relação ao maestro. Amor e ódio caminham juntos, sempre foi assim e sempre será...
- Anton, eu sei que vamos encontrá-la. O que me deixa assim é saber que ela está doente, e que provavelmente fui eu quem a levou a esse estado. Se não tivesse insistido para ela vir comigo para a Europa, se ela tivesse ficado em Nova York, nada disso teria acontecido...
- Nein, nein... Isso aconteceu porque precisava acontecer, Samuel. Talvez tudo isso seja necessário para que ela enfrente seus fantasmas, sejam eles quais forem. – digo isso na esperança que se cale e me deixe em paz com meus pensamentos.
- Ela nunca me deu grandes detalhes sobre o que se passou naquele campo de concentração. – ele insiste nessa conversa.
- Filho, quem passou pelo que ela passou certamente quer esquecer. – ainda bem que Leopold fez um comentário sensato.
- Ora, e eu por acaso não passei por situações difíceis também, pai? Eu matei pessoas na guerra. Eu estive em Bastogne, vi coisas por lá que jamais vou esquecer... Eu também tenho insônia, eu também tenho os meus traumas e tenha certeza que não são poucos. Mas não deixo que eles sejam a minha prisão. Ela, ao contrário, parece que nunca superou, seja lá o que foi que ela tenha vivido, conheço outros tantos que também passaram por campos de concentração e não ficaram como ela.
- Sim, mas você sabe também de outros tantos que se mataram, ou vai dizer que não se lembra do seu tio Jacob...
Quando ouço sobre os traumas de guerra do soldadinho e de seu velho pai, pego minha maleta de mão, abaixo minha cabeça e finjo procurar algo dentro dela para que possa ocultar um pouco com meu chapéu a enorme vontade de rir que sinto em relação a esses dois. Imagino que Samuel deva fazer xixi na cama pensando nos tiros que deu e que por ventura tenham acertado alguém. Vê-se mesmo que é um fraco! Poucas coisas são mais prazerosas do que acertar um tiro no meio da cara de um inútil qualquer. E se esse inútil for judeu, então... Enfim, contenho o riso, ergo minha cabeça e continuo o meu teatro com os dois, para ver até onde isso vai dar.
- Você tem sua música, Samuel. E Helen, tem algo com que se ocupar? – pergunto, na esperança que consiga alguma informação que me possa ser útil, agora que a tenho como minha hóspede.
- Ela começa muitas coisas, mas sempre acaba se desinteressando, tão rápido como se interessa. Tentei ensinar piano a ela, e também o cello, mas ela não foi além do básico. Ela já tentou a pintura, a fotografia, o artesanato... Tentou diversas coisas... Ah, sim, claro, quase esqueci! Fazem quatro anos que ela está fazendo dança moderna, ela tentou o balé clássico mas disse que era formal demais, com regras demais. Pelo menos da dança moderna ela ainda não desistiu.
- Ela não gosta de regras? – pergunto.
- Acho que depois de passar por um campo de concentração repleto de regras, ela tem certa dificuldade com isso. – ele me responde, agora mais calmo.
Enquanto ele e o velho continuam a conversar minha imaginação vai longe, com Helen usando um traje que poderia ser a desconstrução de uma roupa de bailarina, dançando de um jeito sensual, totalmente livre de regras, quase selvagem. Não gosto da falta de regras, sou um soldado, sempre cumpri ordens... E também sou austríaco, acostumado a viver sob o jugo imperioso das ordens e das regras que fazem com que nos diferenciemos dos animais. Mas a ideia de tê-la em minha sala dançando livremente, com os cabelos soltos e passos leves e sem lógica supreendentemente me agrada muito. Vê-la fora do verniz da ordem, vê-la sem tantas regras e formalidades pode ser algo muito, muito excitante...
- Você já foi casado, Anton? Já amou uma mulher tão desesperadamente que a simples ideia de não tê-la ao seu lado te transforma em um miserável?
Sinto que fui duramente atingido com essa pergunta e faço um esforço muito grande ao responder. Por incrível que pareça, não minto ao responder isso.
- Ja, já fui casado, duas vezes. E sim, já amei como você diz amar sua mulher!
- E superou? Pois sabemos que é sozinho... – dessa vez quem pergunta é o velho.
- Claro. Quem não é capaz de superar o fim de uma relação é digno de pena, não acha? – falo olhando diretamente nos olhos do maestro. Falo por falar, talvez para diminuí-lo em seu amor patético, mas infelizmente sinto o efeito da minha bofetada em mim mesmo, pois sei que posso ser considerado tão patético quanto ele. E fico pasmo por constatar que ambos, homens tão diferentes em essência e hábitos, amamos a mesma mulher... tão intensamente que sei que somos os dois incapazes de abrir mão dela, cada um a seu modo. Maldita feiticeira judia!
- Eu acho que só podemos superar quando perdemos a esperança. – Samuel continua.
- Você abriria mão dela se sentisse que ela não o ama, Samuel? – perguntei, ainda tentando disfarçar a irritação por ele a amar tanto.
- Só se ela não me quisesse mais. Mas, enquanto estiver ao meu lado, o que eu preciso temer? Ela me ama e isso me basta. – diz, com aquela convicção simplista de quem se crê amado. Tenho vontade de aplaudi-lo e indicá-lo ao prêmio Nobel, por tamanha bondade e abnegação.
- E por que ainda não tiveram filhos? - pergunto, sabendo que estou sendo impertinente. - Afinal, já estão há algum tempo casados...
- Ela ainda não se sente preparada. Foi por isso, porque por mim já teríamos uns quatro! - Samuel diz, tentando sorrir.
- Está certo! – digo, já encerrando a conversa, horrorizado ante à visão da minha Helen rodeada de filhos dele. - Vamos encontrá-la, não se preocupe. Sou um tanto recluso, mas conheço algumas pessoas importantes. Vamos encontrá-la. – repito isso para que ele reitere sua confiança em mim e também para que cale a boca, pois estou cansado dele.
Mas, ao ouvir essa certeza dele em ser amado, achei-o, além de medíocre, terrivelmente inocente, pois eu tenho a certeza que Helen não o ama, não sente nada, apenas vegeta ao seu lado, como uma orquídea presa a uma árvore que lhe fornece todos os substratos, mas que se caso se prendesse a outra árvore qualquer, continuaria vivendo normalmente. Por isso não tenho pena dele, nem dele, nem de ninguém. Cada um vive com as ilusões que melhor lhes servir.
Quanto a mim, não tenho essa ilusão de ser amado. Mas, sei que desperto nela algo muito maior do que ele. Isso eu comprovei em Peterskirche. Eu entendi quando ela baixou os olhos e fez um sinal com a cabeça, indicando saber o que eu sentia por ela. Seja lá o que existe entre nós, tenho certeza que é um elo muito mais forte e poderoso do que o frágil elo que a mantém acorrentada a esse maestro há tantos anos. Eu sei disso e ela certamente sabe também.
Todo esse blá blá blá com o soldadinho e o velho até que me foi bastante útil. Fiquei sabendo que Anna, sua irmã está em alto-mar, ansiosa para ver Helen. De alguma forma, se for necessário, posso me beneficiar disso mais tarde, vamos ver como as coisas irão ficar. Foi bom também porque fiquei sabendo de detalhes que sempre foram obscuros para mim, porque por mais que fôssemos intensamente próximos, pouco soube de seus gostos, pouco soube dela, sempre calada, sempre por perto na villa, mas no fundo sempre distante. E foi com agradável surpresa que soube que sua cor preferida é o rosa pálido, como o vestido que usou no concerto em que finalmente me revelei a ela e que tão boa impressão dela em sua fase adulta me causou. Fiquei feliz imaginando o quanto ela gosta de animais e de plantas. E que o jardim de minha mansão e meus cachorros, gatos e cavalos irão agradá-la imensamente.
Penso nos pratos que mandarei preparar e que ela mais gosta, penso nas músicas que iremos ouvir juntos e tudo isso vai me dando uma sensação de felicidade iminente, que mal suporto a ideia de que ainda tenho um longo caminho até a mansão. Quando o trem para na estação central de Viena, agradeço ao que quer que seja que finalmente estou em casa e vou poder me livrar desses dois.
- Anton, eu vou agora ao hospital e assim que tiver mais informações, entrarei em contato. Por favor, se puder acionar seus amigos importantes, todos os que possam nos ajudar a encontrá-la. Eu novamente ficarei muito grato!
- Eu farei o possível para te ajudar, Samuel. Tenha certeza disso. Bem, eu preciso ir, tenho muitas coisas a resolver por hora. Mas me mantenha informado. Até breve!
Apertei firmemente as mãos do maestro e do velho e, tentando aparentar tranquilidade, mantive a calma até entrar em meu carro. Hans me aguardava com uma expressão alegre.
- Tudo certo, Hans?
- Tudo às mil maravilhas, senhor. Podemos ir?
- Sim, corra!
- Certamente, senhor!
Enquanto Hans acelera a caminho de casa, um pensamento sombrio e fora de hora me invade. E se ela não quiser colaborar? E se ela me rejeitar de todas as formas possíveis? Serei eu capaz de matá-la? Precisarei recorrer novamente à violência para tê-la comigo? Não desejo a força, não mais, pois acredito que sem a guerra não tenho mais a necessidade de fingir qualquer desagrado em relação a ela e tocá-la está absolutamente permitido. Não tenho mais a necessidade ou a desculpa de usar a força, a menos que precise corrigi-la. E não quero isso. Quero-a inteira, livre e sem regras, como a tal dança moderna... Quero-a de cabelos soltos e sem amarras, quero-a como ela é!
O carro sobe a colina que leva até a minha casa, esta sim uma villa de verdade, encravada em uma colina e distante o suficiente de vizinhos impertinentes. Quando o carro finalmente faz a volta na entrada da casa, mal posso me conter ao abrir a porta do carro. Cansado de tanta guerra, hoje eu finalmente me jogarei nos braços da paz!
