Joy: Ai que dor de cabeça!!! Primeira aula em cursinho é fogo... Mas agora vou ler o mangá 354 de Naruto :D
Taty:
(chega por trás e chuta Joy) Ler mangá coisa nenhuma tu
vai é postar a fic! Ò.ó
Joy: O-O Mas Taty...
O time 8...
Taty: Pode ser 8 ou 80, tu só ler depois de
postar!!! u.u
Joy: T-T indo postar
Taty: Espera que não
acabou ¬¬
Joy: O que é??? Eu preciso postar logo
isso e ler o capitulo do mangá!!!!
Taty: Não esqueça
de avisar a todos que a partir de agora vc vai postar toda sexta
feira religiosamente u.u
Joy: Vou? o.o
Taty: Vai ¬¬
Joy:
Ta... Toda sexta... Posso ir postar agora? x-X
Taty: Ta..
pode..
Joy: (indo postar rápido)
Capítulo X – Borboleta abatida
Naruto olhava pela janela da biblioteca para o campinho abaixo. Já era tardinha, por isso não havia mais aula na academia. Dezenas de crianças aproveitavam o fim das aulas para brincar pelas ruas tranqüilas de Konoha. Vendo aqueles meninos e meninas se divertindo tão despreocupadamente quanto ao futuro ou com guerras e missões, uma pontada de inveja surgiu em seu coração. Lembrava de sua infância sofrida. Quantas vezes não se sentara, sozinho, debaixo daquela árvore que habitava os terrenos da academia e chorara de solidão, triste por não poder brincar com os outros, sendo esquecido pelos cantos como um vaso feio que não deveria ser exposto, tratado como uma doença contagiosa e incurável?
"Quando eu for Hokage" pensou consigo mesmo "Não permitirei que discriminem nenhuma criança dessa vila, por mais sem talento ou habilidade ela seja".
Por isso tanto empenho naquela promoção. Por isso seu desespero para agarrar aquela oportunidade. Não ligava para status. O único interesse que ele tinha em virar jounin era a certeza que estaria mais perto de consolidar seu sonho.
Afastando-se da janela e desses pensamentos, Naruto voltou sua atenção para a mesa onde, concentrada, Hinata corrigia sua prova. Como faltavam apenas quatro dias para a realização do teste escrito, ela tivera a idéia de fazer uma espécie de "simulado" com ele.
- É muito simples – explicara – eu apenas vou fazer uma prova no mesmo nível do exame jounin, e você vai responder como se estivesse fazendo o próprio teste, sem direito a consultar nenhum livro. Assim veremos o que precisamos revisar esses dias.
Ele concordara. Demorou em torno de quatro horas para responder a prova e tinha a agradável sensação de ter acertado mais da metade das questões. Não que estivesse fácil, pelo contrario, mas tinha que admitir que se esforçara bastante e isso lhe dava uma sensação de triunfo enorme.
Muita coisa mudara nele durante essas três semanas e meia. Havia sido colocado numa situação onde fora necessário um esforço tremendo de vontade e onde fora submetido também a uma pressão psicológica diferente de qualquer outra que tivesse enfrentando. Não havia nenhum inimigo a ser vencido a não ser as barreiras de sua própria mente. Isso fez com que procurasse superar os limites que ele próprio havia se imposto durante toda sua vida.
Ainda existia a possibilidade de ser reprovado, Naruto tinha consciência disso. Sabia que a falha era um fantasma que o rodeava bem perto, e que apavorava seus sonhos. Todavia somente os frutos que lhe rendera aquele período, já valiam à pena ter tido todo esse esforço.
Um desses frutos e o mais importante foi sua proximidade recém-adquirida com Hinata.
Apesar de tantos anos como amigos, nunca tiveram a oportunidade de conviver um com o outro como agora. Até então ela era apenas mais uma companheira esforçada, mas muito tímida e que sempre procurava ficar de fora de qualquer foco de atenção. Porém, uma nova Hinata se mostrara para ele. Uma Hinata atenciosa, preocupada, inteligente e prestativa, que não media esforços para auxiliá-lo. E mais uma coisa também começava a perturbar Naruto, ainda que inconscientemente. A suavidade de seus gestos, o jeito doce de falar, o belo sorriso em seu rosto, eram impossíveis de não serem notados. Ele ainda não estava ciente, mas a presença dela despertava uma sensação diferente nele. Uma sensação misteriosa e prazerosa. Agora, suas noites eram povoadas por sonhos envolvendo a doce menina, em que ele podia sentir o calor de seus braços para depois acordar em sua cama fria e com um sentimento de frustração pulsando dentro de si, que o deixava confuso e constrangido. Algumas vezes se pegava devaneando durante as aulas olhando para aqueles pequenos lábios se movendo pausadamente, e relembrando que em seus desejos ocultos pela sombra da noite, eles estavam sempre presentes, colados aos seus.
Diante dessas novas sensações, sentia-se idiota e sujo por estar desejando tanto alguém que, em sua opinião, estava totalmente fora de seu alcance e que tudo que fizera foi ser gentil com ele. Em sua cabeça ainda amava Sakura, apesar de não sentir mais nenhuma palpitação dentro dele quando a via e nenhum ciúme quando Sasuke a tocava. Em contrapartida, adquirira uma insegurança em relação à sua "professora", onde qualquer pessoa que pudesse desviar a atenção dela em outra direção que não fosse ele, o fazia fervilhar de ciúmes, mesmo que não reconhecesse ainda aquele sentimento.
Esses devaneios povoavam sua mente enquanto observava Hinata ainda concentrada em corrigir a prova. E sentiu uma pessoa se aproximar dele naquele momento.
- Uma bela visão, não é mesmo? – murmurou Keigo ao seu lado apontando para Hinata – Uma pena que seja de família nobre sabe, senão eu arriscava um investimento...
Um aperto no estômago foi a reação de Naruto àquelas palavras.
- Hinata não é nenhuma bolsa de valores pra você arriscar um investimento. – falou rispidamente ele, parecendo irritado.
- Wow, calma rapaz! Desculpe minhas palavras. – falou Keigo levantando as mãos em sinal de defesa - Foi só um comentário. Mas que ela é bem bonita não se pode negar.
- Sim, ela é... Mas não precisa falar dela assim... É vulgar.
- Sabe, eu acho que vocês formam um belo par. – comentou o bibliotecário malicioso - Vocês se completam perfeitamente. Ela é bonita e inteligente e você é feio e burro. Um casal feito sob medidas.
- Haha... Você é tão engraçadinho... – disse irônico.
- Mas, falando sério Naruto. Nunca rolou nada entre vocês? Eu andei ouvindo os boatos...
Os malditos boatos. Ele queria realmente saber quem andava falando aquelas coisas. Já estava com a boca cansada de negar seu envolvimento com Hinata. Todavia ele não se sentia mal com aquilo. E ficou se perguntando por que seria.
E então Naruto pensou um pouco lembrando das noites mal-dormidas em que rolava na cama tentando dormir depois de acordar pensando nela. Seu corpo reagia à presença de Hinata de uma forma que ele não entendia e aquilo o incomodava.
- Só em meus sonhos... – murmurou em resposta.
Felizmente Keigo não foi capaz de ouvir essa confissão sussurrada, pois um grupo barulhento de genins entrou na biblioteca, perturbando todos que estavam estudando.
- VOCÊS ACHAM QUE ESTÃO ONDE, HEIN?! NA CASA DA MÃE JOANA?! – berrou a plenos pulmões o bibliotecário.
A risada foi inevitável. Keigo era um cara e tanto.
Os genins correram assustados e Keigo desapareceu de sua vista. Quando olhou novamente para Hinata, ela o encarava.
- Pronto Naruto-kun. – anunciou - Terminei a correção.
O coração de Naruto deu um pulo. Não dava pra dizer pela expressão de Hinata qual fora o resultado. Ela parecia impassível olhando para ele e segurando a prova virada para si mesma.
- E então? Como eu fui? – perguntou ansioso.
Ela virou a prova para que ele pudesse ver a nota que atingira. No canto superior da prova, escrito de azul um 8,1 fora circulado de vermelho para se destacar na folha branca.
Naruto quase não podia acreditar no que via, e se não confiasse tanto em Hinata, diria que era apenas uma brincadeira sem graça. Mas ela agora sorria para ele. Um sorriso satisfeito. O sorriso mais bonito que ele já vira em sua vida.
Ainda sem acreditar no que via, ele correu em direção a ela e, com as mãos trêmulas, pegou a prova das suas mãos.
- Parabéns! – ela disse animada.
Uma alegria inesperada começou a correr nas veias dele, e quase já não podia suportar.
- YES!YES!YES!YES!YES!YES! – Naruto começou a gritar correndo pela biblioteca.
Mesmo estando muito feliz com a reação dele, Hinata o olhou preocupada. Havia outras coisas para se preocupar naquele momento.
- Naruto-kun… Menos… Senão o Keigo vai aparecer e…
Tarde demais. O bibliotecário veio rapidamente na direção deles, aparentemente furioso.
- EI SEU PROTÓTIPO DE BARBIE HERMAFRODITA, VOCÊ PENSA QUE AQUI É FILME PORNÔ PARA VOCÊ TÁ GRITANDO "YES, YES"?! CAI FORA!!!
Eles foram expulsos violentamente da biblioteca, mas isso não importava. Naruto estava feliz, tinha conseguido responder 80 da prova corretamente. Era bom demais para ser verdade. Ainda andando com a prova na mão, ele não parecia acreditar ainda que sua cabeça permitira que tirasse aquela nota.
- Hinata, você tem certeza que você não pegou leve comigo? – perguntou preocupado enquanto se encaminhavam para saída do prédio.
- Eu jamais te ofenderia fazendo isso, Naruto-kun. – falou ela convicta.
Ele colocou as mãos atrás da cabeça e sorriu.
- Hehe, quem diria... Um 8,1... – murmurou satisfeito.
Hinata também sorriu, e olhando para as mãos começou a enumerar o que tinha planejado fazer para o estudo dos próximos dias.
- Bem, agora eu fazer uma revisão abrangendo somente os pontos que você errou. – disse ela - Assim, vamos nos focar só onde você ainda apresenta dificuldades.
- Beleza! – concordou ele animado.
Chegaram à rua em frente ao prédio, onde o movimento do fim de tarde trocara as crianças por adultos apressados. Estava na hora de cada um seguir seu caminho, pois ainda havia obrigações a serem realizados naquele dia. Mas Naruto não queria se separar dela.
Não ainda.
- E-Er... Hinata... – chamou ele baixinho - Você não quer comer um ramen comigo?
Hinata corou sensivelmente ao ouvir o convite.
- E-Eu adoraria Naruto-kun, mas...
- Tem muitas obrigações no clã – completou ele – Sei, sei...
Não era a primeira vez que ele a convidava, mesmo sabendo que ela não poderia acompanhá-lo. Quem sabe depois de terminar a correria para a prova ela não pudesse ao menos almoçar com ele. E já pensava o que faria para compensá-la por tudo que fizera por ele.
- Você vai ficar chateado comigo? – perguntou ansiosa vendo sua expressão pensativa.
- De forma alguma. – negou ele sorrindo - A gente se ver amanhã então, certo?
- S-Sim.
- Então... Até amanhã. – e acenou para ela.
Naruto saiu correndo em direção a barraca de ramen, enquanto Hinata pegou o caminho de seu clã. Uma coisa de repente passou em sua cabeça. Dali a quatro dias ele faria a prova e todas as idas à biblioteca iriam acabar. Um aperto no seu coração fez com que ela afastasse esses pensamentos. Não era bom ficar imaginado o que poderia acontecer ou não. O importante era garantir que Naruto virasse um jounin. Aquela era sua meta desde o princípio. O resto... Era melhor deixar pra depois.
- Acabou! Finalmente acabou! – comemorava Makoto.
- Dessa vez concordo... – falou Suzumi com um lenço no rosto.
- Como tá o nariz Suzumi? – perguntou Yumi preocupada.
- Na mesma... Parece um chafariz... Acho que sou alérgica o mofo...
O Time Três caminhava feliz depois do termino da missão apelidada por Makoto carinhosamente por "Rank L". Quando indagado o motivo do L, se seria "livros" ele respondera:
- Não... L de "lixo"...
E era verdade que aquela missão havia sido bem incômoda, além de nenhum pouco empolgante. A única que sabia mexer um pouco no computador era Yumi, e ela quem ficara com todo trabalho de colocar os livros em dados. Para os outros dois, o trabalho tinha sido bem pior. Abri caixas, separar livros, ter que lidar com bichinhos nem um pouco agradáveis como aranhas, percevejos e baratas. E é claro, havia o mofo e a poeira. E Suzumi tinha tido a dolorosa surpresa de ser alérgica a mofo.
Agora, com tudo terminado, eles se dirigiam ao gabinete da Hokage, com o relatório feito por Yumi e assinado por Hinata e Keigo.
- Tomara que ela nos pague bem por isso... – reclamou Makoto pela milésima vez – Foi a missão mais chata que eu já vi na minha vida...
- E a mais incômoda... – murmurou Suzumi com o lenço no nariz.
- Pelo menos nós ganhamos os livros excedentes! – comemorou Yumi com uma sacola na mão.
Keigo havia deixado que eles escolhessem alguns livros que tinham muitos exemplares. Quem mais gostou dessa atitude foi Yumi, que pegara o máximo de livros que pode. Suzumi escolhera três e Makoto apenas um.
Quando estavam se aproximando do escritório da Hokage, o único menino do grupo levou a mão ao ouvido dolorosamente, deixando cair o livro que segurara.
- O que foi Makoto? – perguntou Yumi preocupada.
Todavia, as palavras ditas tão amigavelmente ressoaram em seus ouvidos como trovoadas ensurdecedoras. Acontecia de novo. Perdia o controle de sua linhagem e agora não distinguia nada do que ouvia. Percebendo isso, elas imediatamente calaram e Suzumi tirou sua jaqueta e colocou sobre a cabeça do menino, na tentativa de abafar os sons.
Makoto tinha uma linhagem sanguínea auditiva muito poderosa, todavia não tinha nenhum controle sobre ela. Isso o inutilizava em muitas ocasiões. Aqueles surtos estavam cada vez mais comuns nos últimos tempos. Talvez fosse sinal que ela aumentava seu potencial.
Todavia no momento ele só podia se contorcer de dor e esperar que aqueles barulhos ensurdecedores passassem.
Enquanto Suzumi apertava a jaqueta na cabeça do colega com uma expressão muito preocupada, o corpo dele foi relaxando. E tão rápido quanto veio, a dor de Makoto se foi, trazendo o efeito colateral daquelas crises.
Agora ele não ouvia nada.
- Algum problema? – perguntou Shizune ao ver Yumi e Suzumi agachadas perto de Makoto, e a jaqueta que ele ainda trazia na cabeça.
- Nada. – se apressou em dizer Yumi – Só queremos ver a Hokage e entregar o relatório.
Shizune olhou um pouco desconfiada para eles, mas apenas acenou para que eles a acompanhassem. Makoto se levantou e devolveu a jaqueta a Suzumi. Parecia constrangido. As garotas se entreolharam. Havia prometido a Hinata que jamais falariam nada sobre aquilo a ninguém e tentavam não perturbar Makoto quanto à situação.
Depois de reportarem a missão para a Hokage, que parecia muito satisfeita, tiveram a boa noticia que teriam três dias de folga.
- Vocês merecem! – disse ela rindo – E precisam se recuperar... Passe no hospital Suzumi e veja a Sakura para ela te examinar quanto a essa alergia.
- Hospital? Nunca! – disse a menina horrorizada.
Tsunade suspirou.
- Então venha até aqui...
Depois de resolvido o problema do nariz de Suzumi, Tsunade ficou observando a porta por onde os meninos haviam acabado de sair. Eles eram um time problemático, mas muito promissor. Ressentia-se por ter dado aquela missão tão insignificante para eles e de agora os dispensar por três dias. Mas Naruto precisava de Hinata no momento. E apenas poucos dias não ia atrapalhar tanto assim. Pelo menos ela assim esperava.
E dando de ombros com a certeza que fizera a coisa certa, voltou a trabalhar.
Quando se aproximou da entrada de seu clã naquela tarde, Hinata teve uma imensa surpresa. Parado à porta, seu pai a esperava.
Desde pequena, ela aprendera a decifrar cada expressão facial dele, e assim tinha como se preparar para qualquer coisa. Mas naquela hora, por algum motivo, Hinata não soube exatamente o que pensar. Não havia nada que pudesse ser lido na face de Hyuuga Hiashi.
- Que bom que você chegou mais cedo hoje. – disse ele - Precisamos conversar. Entre.
Hinata obedeceu sem contestar. Pairava um ar de tensão quando ela entrou em casa, pois tão logo eles adentraram a sala de chá, Neji e Hanabi que estavam ali se levantaram e saíram do ambiente.
- O que o senhor quer falar comigo pai? - perguntou depois de depositar sua mochila no canto da sala e se acomodar em frente ao líder do clã Hyuuga.
- É sobre você e Uzumaki Naruto. – falou Hiashi sem rodeios.
O estômago de Hinata se contraiu dolorosamente diante daquelas palavras.
- C-Como a-assim p-pai? E-Eu n-n-não estou entendendo...
- Então irei dizer em poucas palavras de modo bem simples para que possa entender: eu não quero que você volte a ensinar a Uzumaki Naruto. De preferência, que não o veja mais.
Não havia como ela dizer que não entendera. Seu pai fora muito claro. Estava simplesmente proibindo-a de ver Naruto.
Todavia, diante disso não poderia ficar calada.
- Mas por quê? – indagou surpresa - Só faltam três dias para a prova dele, eu não posso deixá-lo agora! Ele está contando comigo.
- Exatamente por faltarem três dias. Ele pode se virar sem você.
- Q-Qual a razão disso agora pai?
- Você já deveria saber. Eu não sou idiota. Eu sei o que você sente por ele.
Hinata enrubesceu drasticamente. Hiashi a encarou firmemente para não deixar dúvidas de que sabia exatamente do que estava falando.
- S-Se o senhor e-está se referindo aos boatos pai, eles...
- São falsos, eu sei. Vocês não tiveram nenhuma espécie de relacionamento além de amizade. Você me subestima ao achar que não sei seus passos, Hinata.
- Então por quê...?
- Muitos membros do clã me questionaram a veracidade dessa informação. Mostraram-se indignados e com razão. Como futura líder, tem que mostrar uma postura que vem faltando em você nas últimas semanas. – e elevando um pouco a voz, Hiashi continuou - Francamente, pegando os livros do clã e tirando eles dos nossos domínios! Se rebaixando a uma reles professora e deixando suas obrigações com sua família em segundo plano! – e sem se compadecer com a expressão de sofrimento dela, concluiu com desprezo - Hinata, eu nunca esperei muito de você, mas assim já é passar dos limites em incompetência!
As lágrimas nublavam os olhos da garota. Não sabia o que dizer ou o que revidar. Apenas ouvia as reclamações de seu pai de cabeça baixa, submissa. Do outro lado da porta Neji ouvia tudo com dor no coração. Era muita maldade colocar alguém como Hinata no canto da parede. Era uma luta de forças desiguais. Mas ele não podia fazer nada. Apenas observar. Mesmo que sua obrigação fosse proteger Hinata, no momento, diante de Hiashi, ele estava com as mãos atadas.
Sem se abalar com as lágrimas derramadas por sua filha, Hiashi falou em tom decidido alguns momentos depois.
- Você irá hoje mesmo dizer a ele que não poderá mais continuar com essas aulas. – comunicou resoluto - Como você mesma falou, faltam apenas três dias para a prova, ele não irá se importar.
- Mas pai... – falou em tom de súplica - Ele conta comigo...
Hiashi a observou com uma mistura de indignação e pena.
- Hinata, você realmente mantêm a ilusão que poderá ficar com ele? Em algum momento ele ao menos demonstrou retribuir seus sentimentos?
Hesitante, ela negou com a cabeça. Não tinha forças para falar.
- Viu? Estou apenas pensando em seu bem. – constatou ele - Se continuar com isso, vai apenas fazer com que crie ilusões a respeito desse rapaz. Quando você se afastar dele, vai perceber que era tudo uma paixão insignificante. E se quiser, casará com alguém da Souke, como deve ser. Agora, procure Uzumaki Naruto e diga a ele o que eu te mandei.
- E-E-Eu n-n-não vou c-conseguir... – balbuciou Hinata já em prantos.
- Então eu irei com você. Garantirei que diga tudo que deve. Agora, enxugue esse pranto vergonhoso. Assuma a postura como herdeira que você é!
Depois da terceira tigela, Naruto olhou para Ichiraku com um grande sorriso.
- Puxa tio, o senhor caprichou hoje. O ramen ta melhor que os outros dias!
- Haha, eu acreditaria se não ouvisse você dizer isso todos os dias desde que aprendeu a falar! – gracejou ele.
Todos os presentes começaram a rir. No caminho para o Ichiraku ramen depois que deixara Hinata, ele encontrara coincidentemente Lee, Shikamaru e Chouji. Agora, para comemorar a saída do primeiro do hospital, eles estavam comendo ramen e colocando as conversas em dias.
- Se sente melhor Lee? – perguntara Naruto.
- Claro! Ninguém trata melhor minhas feridas que a Sakura-san! – confirmou ele sorrindo.
- E seu time? – quis saber Chouji.
- Ah, eles ficaram com a parte mais fácil. Hanabi e Kasuma nem tiveram problemas... Mas o Tasuki vai tirar o gesso do braço amanhã!
- Cuidar de um time deve ser um saco... – falou Shikamaru fechando os olhos.
Naruto sorriu lembrando do time de Hinata. Achava que trabalhar com eles era, no mínimo, estimulante. Eles estavam sempre muito ativos. Invariavelmente a conversa enveredou pelo teste de Naruto, e ele acabou admitindo que se sentia confiante em relação à prova escrita.
- Então o Naruto-san acha que vai passar na prova? – indagou Lee diante disso – Fico muito contente! Em breve você terá seus próprios alunos e eles te admirarão e lhe pagarão ramen todos os dias – exclamou fazendo a pose de nice guy.
- Bem – começou Shikamaru – Fazer prova é um saco. Mas se é isso que você quer... Fique a vontade. Mas vou avisando, ser jounin é muito cansativo...
- Obrigado pelo aviso, Shikamaru, mas eu não tenho medo de me cansar! Eu vou com certeza passar na prova! – e abaixando um pouco a voz acrescentou – Nem que seja para recompensar o esforço que Hinata fez por mim...
Lee pegou a segunda tigela de ramen e perguntou animado para Naruto:
- Ah, é mesmo! A Hinata-chan estava te ensinado, certo? A Sakura-san me falou enquanto eu estava internado.
- É. – confirmou sorrindo - Ela é uma ótima professora.
- É verdade que vocês estão namorando? – perguntou Chouji sem cerimônias.
Naruto suspirou.
- Todo mundo me pergunta isso... E eu sempre respondo a mesma coisa. Não. Eu e Hinata não estamos namorando, ficando nem nada que envolva contato corporal. Nós apenas estudamos juntos. Só isso.
- Que sem graça... – disse Chouji enchendo a boca – Eu preferia que você ficasse com ela que o Kiba.
Os ohashi de Naruto pararam a meio caminho de sua boca.
- Como assim, o Kiba? – perguntou Naruto surpreso.
- Ué? Você não sabe? - se surpreendeu Chouji colocando mais ramen na boca - O Kiba é apaixonado pela Hinata há anos...
Agora fazia sentido todas às perseguições de Kiba a Hinata nos últimos dias. Uma raiva diferente se apossou de Naruto.
- Só que há um "porém". – disse Shikamaru - Hinata não o corresponde... Acho que ele é o único que não percebeu ainda.
- Claro que não corresponde. Hinata gosta de outra pessoa. – falou Lee olhando significativamente para Naruto.
Naruto quase engasgou com o ramen que estava em sua boca. Tossindo ele tentou desesperadamente falar sem ter muito sucesso.
- O que cof cof cof cof!!!
- Naruto, engula primeiro e fale depois. – disse Shikamaru dando umas tapinhas nas costas dele
Depois de se recuperar do engasgo, Naruto conseguiu falar.
- O que você disse? A Hinata gosta de alguém? Quem? – isso por algum motivo lhe interessava.
Lee olhou para ele surpreso.
- Você nunca percebeu nada, Naruto-san? – perguntou enquanto Chouji e Shikamaru riam da cara do amigo
- Percebeu o que sobrancelhudo? – quis saber angustiado. De quem Hinata gostava?
- Bem é que...
- Hã... Com licença...
Para a surpresa de todos, principalmente de Naruto, a voz que interrompera a conversa pertencia a Hinata que apareceu no local acompanhada de ninguém menos que seu pai. Um constrangimento se apossou de todos ali, que naquele momento falavam sobre a menina.
- Hã... Naruto-kun... – falou ela insegura e encostando os dedos indicadores um no outro - Eu gostaria de falar com você... É rápido... Se possível...
Havia algo estranho, Naruto concluiu. Era verdade que Hinata nunca dissera nada olhando nos seus olhos, mas também nunca manteve a cabeça tão baixa quanto aquele momento. A presença de seu pai também era excepcional. A única vez que Naruto o vira fora no dia do Exame chunin há pelo menos seis anos atrás.
- Ok, vou só pagar aqui... – disse ele.
Sob o olhar curioso dos amigos, Naruto acompanhou Hinata e seu pai até um lugar mais sossegado e esperou o pronunciamento da menina.
- O que você quer falar comigo, Hinata? - perguntou preocupado com a palidez que se apossava do rosto dela.
O momento era aquele. Sua ultima oportunidade de se declarar a Naruto havia se perdido há muito tempo. Como Kurenai tinha alertado há tantos dias atrás, ela não podia esperar demais. E, covarde, não seguira o conselho. Agora estava prestes a romper o único fio que um dia a ligara a seu grande amor e que tinha sido tecido com todo carinho. Iria rompê-lo para fortalecer as amarras que haviam sido atadas a ela no momento em que nascera na Souke, no momento que viera ao mundo como primogênita. Iria destruir seu sonho infantil de ser amada por aquele garotinho que, como ela, era rejeitado por todos.
Tentou falar, mas sua voz simplesmente não saia. De cabeça baixa, as contrações do seu estômago vieram para aumenta ainda mais seu pânico. Começou a respirar com dificuldade enquanto tentava pronunciar qualquer palavra. Todavia, sabia que se abrisse a boca, começaria a vomitar novamente.
Hiashi e Naruto esperavam o pronunciamento de Hinata. Naruto, sem entender o que se passava, preocupava-se com a tonalidade que adquiria o rosto da garota e a expressão de sofrimento em seu rosto. Ele já começava a se desesperar também. Hiashi, por outro lado, via tudo com indiferença e até aborrecido por não está sendo prontamente atendido. E quando via que Hinata nada falaria, decidiu ele mesmo por um fim naquele teatro.
- Bem, já que ela não parece estar disposta a dizer, eu mesmo o farei. – sentenciou Hiashi dirigindo o olhar para o confuso Naruto.
"Não!" gritou dolorosamente o interior de Hinata.
Mas quando abriu a boca para protestar, sentiu um gosto vivo de sangue. Levou a mão à boca, e com a outra apoiando no estômago em um ato desesperado de conter as contrações, viu que não podia continuar ali. E fez a coisa mais louca que veio em sua cabeça.
Fugiu.
Começou a correr com todas as suas forças para o mais longe possível de seu carrasco.
- O quem deu nela?! – surpreendeu-se Naruto. E sem esperar por uma resposta, começou a correr atrás da garota gritando seu nome – HINATA!HINATA!
Hiashi nada fez para impedi-lo. Tinha agora que recorrer a outro método para separá-los.
Hinata correu com todas as suas forças, até não agüentar mais. Parou se curvando de dor em um local afastado da vila. Não podia mais segurar. Caindo de joelhos, apoiou as mãos no chão e deixou o sangue aflorar por sua boca, misturado com o conteúdo do seu estomago e as lágrimas. Sentia-se patética. Impotente. Fracassada. Inútil. Triste. E principalmente sozinha. Muito sozinha.
Naruto não demorou a achá-la. Hinata estava vomitando sofregamente e uma grande mancha de sangue coloria a terra em um tom macabro. Ele se aproximou devagar se sentindo mal pelo estado em que ela se encontrava naquele momento.
- Hinata...- chamou timidamente.
- VÁ EMBORA! – gritou desesperada.
Mais um espasmo atingiu seu corpo e ela dessa vez regurgitou apenas sangue vivo pelo chão. Já era humilhante demais aquela situação sem testemunhas. A presença dele ali só parecia piorar tudo.
- Hinata, eu vou te levar para o hospital... – disse ele com a preocupação aumentando cada vez mais - A Vovó Tsunade vai cuidar de você.
- EU JÁ MANDEI VOCÊ IR EMBORA! – gritou ela com as lágrimas lavando seu rosto - NÃO VOU A LUGAR NENHUM!
Essas palavras doeram profundamente em Naruto. Mas ele não foi embora. Nunca vira Hinata tão desesperada e abatida como naquela hora. Nem no Exame chunin, quando quase fora morta por Neji ela perdera totalmente o controle sobre suas emoções.
Hinata agora tremia compulsivamente. Estava sofrendo muito e seu corpo parecia que não ia agüentar mais aquilo. Com as pernas tremendo, ela tentou se levantar, em vão e caindo novamente.
Que se danasse as razões de tamanho desespero! Foi o que Naruto pensou se encaminhando até onde ela estava. Ele a levantou sem dificuldade e a segurou forte nos braços. Olhando para a poça de sangue que se formara sob o corpo dela, ele murmurou:
- Agora entendo sua anemia... Seu problema não era falta de alimentação, mas colocar ela pra fora. Tanto que deve ter ferido sua garganta... Ou o estômago... – e olhando firmemente para ela falou decidido - Vou levá-la para a Vovó Tsunade agora! Ela dará um jeito nisso.
- Não! – protestou Hinata tentando se livrar dos braços que a seguravam – Jyuuken! – ela exclamou tentando ataca-lo sem sucesso.
- Ai ai... – murmurou segurando a mão dela - Você sabe o quanto dói ter os tenketsu pressionados? Acho que vou ter que levá-la a força mesmo. E não faça essa cara - acrescentou quando ela o olhou, abismada - Eu vou te levar sim! E amarrada!
Naruto segurou as mãos de Hinata para trás e, tirando sua bandana usou-a para amarrar as mãos da garota. Ela tentou resistir, impulsionando o corpo para frente. Mas não tinha forças para competir com ele naquele momento.
- Pronto, agora você vai quietinha... – disse quase que carinhosamente.
- Naruto-kun... Por favor... Não... – pediu ela evitando olhá-lo.
Naruto também perdera a paciência.
- Não faço a mínima idéia do que esta acontecendo, mas se você pensa que eu vou deixar você aqui nesse estado só por que parece que está em uma crise aguda de TPM, tá muito enganada! – e acrescentou decidido - Depois você vai me contar que coisa louca foi essa, mas por hora me contento em te levar pro hospital!
E colocando ela em seu ombro, começou a se dirigir para onde estava Tsunade.
