História UA (universo alternativo) baseada na obra de Rumiko Takahashi "Inuyasha' (todos os direitos reservados). Esta fic não possui fins lucrativos.

Legenda:

-"?" :Pensamentos

-? :Fala

oOoOoOo :Passagem de lugar

.O.O.O.O.O. :Passagem de tempo

(N/A:?) :Nota da Autora

Canção do Paraíso

Capitulo 09

1416 d.C.

Inuyasha voou o mais rápido que pode até o monte Hakurei. Ele acabou chegando mais cedo do que esperava e ficou esperando pela anja. Mas conforme as horas passavam ele ia se preocupando, pois Kagome demorava a chegar, e caso ela demorasse mais o tempo se esgotaria e ele iria voltar para o inferno. Provavelmente ficaria por lá uns 10 ou até 15 anos, mas isso era relativo. Assim que Inuyasha pensou em desistir e ir embora uma luz de um portal azul apareceu, e está era Kagome.

- Vejo que me esperou demônio! – Kagome dizia com desdém.

- Keh! Vim pagar pra ver se anjos falam a verdade sempre!

- Eu é que estou surpresa de eu mesma ter vindo. Demônios não costuma ser confiáveis. – ela o olhou debochada, ele se irritou.

- Quer saber, não vou ficar aqui aguentando essa palhaçada, vou embora antes que meu tempo acabe.- Inuyasha se virou, Kagome continuou.

- Tem certeza demônio, tem certeza de que não quer aprender a sair? – Inuyasha parou e olhou novamente para a anja – Então venha que eu vou te ensinar!

Kagome ficou parada na frente de Inuyasha com certa distancia e abriu os braços. Ele apenas a olhava incrédulo.

- Venha demônio, me possua! - Kagome percebeu como essa frase soou errada – Quer dizer...ah você entendeu.

- Tá louca anja! Se nós dois formos vistos aqui eu e você estamos fudidos!

- Não estaremos não! Aqui é o monte Hakurei, o lugar sagrado da Terra. Foi aqui onde o príncipe do inferno caiu, e por isso esse lugar é o portal entre o céu, a terra e o inferno. Aqui não se pode ter visão do que acontece, e apenas criaturas do outro mundo e alguns humanos especiais podem vir, caso o contrário você não passará pela barreira.

- Mais uma vez, como vou saber se não vai me aprisionar e eu não vou sair?

- Paga pra ver demônio! Já te disse que vou te ensinar a sair!

- Não sei se...

- Está com medo é?

- Não é isso anja! Acontece que era tudo uma piada! Eu sei sair, apenas estava tirando com sua cara! – Kagome percebeu que Inuyasha estava mentindo.

- Então venha!

Inuyasha ainda olhava desconfiado, aquilo parecia uma armadilha, mas mesmo assim ele estava tão desesperado que decidiu topar.

Ele saiu correndo em direção de Kagome e pulou em seu corpo desaparecendo. Kagome se sentiu mal, ficou de joelhos e quase vomitou, mas foi forte. Assim que percebeu que Inuyasha estava instalado ela viu que o demônio era, de certa forma, ingênuo. Demônios costumavam drenar a vida de seus hospedeiros aos poucos, Inuyasha fazia aquilo desregulamente, Kagome as vezes se sentia fraca demais, outras forte demais. Ela então usou sua força descomunal para que expulsasse aquele demônio dali, e Inuyasha foi expelido como se seu poder não fosse nada.

- Demônio, você está fazendo tudo errado! Nem eu que sou da sua gente sei como deve se possuir uma pessoa! Ninguém nunca te ensinou.

-...keh! Sabia que isso seria uma babaquice! Pelo menos agora tenho mais tempo para drenar a vida de outra pessoa. Adeus anja!

- Me encontre aqui daqui a sete dias! Mesmo lugar e mesma hora! Até lá, vá tentando...aprender a sair!

Kagome abriu o portal e foi embora. Inuyasha estava tão confuso com aquilo.

E eles se reencontraram, não apenas depois daqueles sete dias, mas também várias vezes dentro daquele ano.

Kagome e Inuyasha não consigo parar de se beijar, era como se houvesse um sentimento que estava guardado a muito tempo. Seria alegria, saudade ou mesmo paixão. Eles não sabiam dizer, e nem mesmo o porquê de enquanto eles se beijarem estar aparecendo àquela lembrança em suas mentes.

Neste meio tempo Miroku e Sango estavam procurando-os no cemitério. Os dois andavam preocupados.

- Miroku, desculpa. Foi tudo um grande erro eu ter pedido pra Kagome vir. Não sei o que deu na minha cabeça...

- Tudo bem Sango! Nessa situação ninguém consegue pensar direito.

Os dois caminharam até encontrarem Kagome e Inuyasha, aos beijos. Eles ficaram perplexos e se entreolharam sem entender o que estava acontecendo. Sango ameaçou dizer algo, mas Miroku balançou a cabeça negativamente. Os dois se esconderam atrás de uma arvore grande que estava ali e ficaram olhando aquela cena de longe.

- Miroku...que que...- Sango sussurrava – Que será que é isso? Gente!

- Não sei, Sango! – Miroku também sussurrava – Vamos apenas esperar pra ver.

Inuyasha e Kagome pararam de se beijar, mas estavam tão sem graça que logo se separaram. Como poderiam ter feito aquilo, ainda amais em um dia como aquele? Os dois mal conseguiam se olhar nos olhos e seus rostos estavam ruborizados.

- Inuyasha...não sei o que deu em mim!- dizia Kagome olhando para o lado – Me desculpe!

- Kagome olha...- Inuyasha também não olhava em seu rosto – Hoje foi um dia muito perturbador. Hoje não foi um dia fácil para nenhum de nós dois, nós não estamos sãos o suficiente para fazer alguma coisa inteligente. Além do mais, também acho que não temos o porquê de nos vermos de novo.

Inuyasha queria fugir daquilo. Era tudo muito novo. Além dele não entender o que sentia por Kagome, também não queria que ela sofresse como Kikyo sofrera. Os riscos de ter uma vida como a dele eram altos e pessoas poderiam ser perdidas a qualquer momento. Inuyasha entendia isso agora.

- Mas Inuyasha...- Kagome não podia se aguentar mais, ela queria discutir sobre o que estava acontecendo com os dois, aquele sentimento, aquelas visões...

- Kagome, você viu o que aconteceu com Kikyo! ela perdeu uma irmã! Você está entrando cada vez mais nesse mundo e eu não quero...não quero te ver mais, pronto e acabou!

Kagome começou a chorar baixinho. Ela apenas queria entender o que estava acontecendo. Mas ela se sentia culpada pela morte de Kaede, culpada pela reação de Kikyo e mais culpada ainda por ter beijado Inuyasha. Talvez fosse melhor ela se afastar dele.

- Inuyasha...por favor...- Kagome foi cortada por Inuyasha.

- Kagome não! Vá embora! Deixe-me sozinho.

Kagome não queria sair dali, mas aquele dia tinha sido tão carregado que ela não teve escolha. Com todas aquelas emoções a flor da pele ela foi caminhando para a saída do cemitério. Neste momento Sango olhou para Miroku e sem falar nada ele entendeu que Sango iria seguir Kagome. Já Miroku saiu do esconderijo onde foi falar com Inuyasha que já estava sentado no chão na frente de uma lápide do cemitério.

- Tá tudo bem Inuyasha?

- Que que você acha? – Disse Inuyasha ríspido.

Miroku apenas sentou do lado do amigo e os dois ficaram lá por um longo tempo, sem dizer nada. Miroku até pensou em perguntar para Inuyasha sobre Kagome, mas aquela não era a hora.

Enquanto isso Sango conseguiu alcançar Kagome facilmente já que a garota andava devagar. Assim que chegou, Sango pôs mais uma vez a mão no ombro de Kagome. Ela olhou para a garota e chorou. Sango a levou para a casa de Kagome de taxi.

Assim que Kagome chegou em casa ela mal cumprimentou sua família e foi para seu quarto chorar. Sua mãe entrou e perguntou o que estava acontecendo. Ela já sabia do acidente de Kikyo, pois Kagome havia contado na noite anterior, mas Kagome desabafou tudo o que ocorrera naquele dia. Menos o beijo que teve com Inuyasha.

.O.O.O.

Passaram-se quatro dias desde a morte de Kaede. Inuyasha tinha tentado ligar para Kikyo de todas as formas, porem ela não atendia ao telefone. Ele pensava em ir até a casa dela, mas estava com medo de como seria recebido. Naquela noite de quinta-feira Inuyasha e Miroku dormiam no mesmo quarto, apesar de Inuyasha mal conseguia dormir de preocupação com ela. Estava com medo de ela fazer alguma besteira enquanto estava nesse período de luto. E quando Inuyasha dormia seus pesadelos o lembravam dos detalhes da noite em que Kaede morrera.

Mesmo assim, naquela noite não foi com Kikyo, nem Kaede que ele sonhou.

Inuyasha estava em um lugar escuro e que fedia a enxofre. Ele nunca havia estado naquele lugar. Aos poucos ele foi vendo os objetos, uma cama no meio do quarto, um guarda-roupa no canto esquerdo, e no canto direito havia uma porta e junto dela um espelho bem grande. Quando Inuyasha viu o espelho lá havia uma figura diabólica. Um homem com rosto branco, olhos amarelos e cabelos compridos e prateados, além de duas marcas roxas em cada lado da face. Inuyasha se aproximou do espelho.

- Você é patético! – Dizia o homem do espelho.

- Quem...quem é você! – Inuyasha perguntou com raiva.

- Senão me reconhece é porque não é digno de se lembrar. E isso não me espanta em nada considerando o quão detestável você é!

- Hora demônio! Se me odeia tanto é porque algo eu fiz pra você, então não sou tão imprestável assim!

O homem o pegou pelo pescoço e passou a enforca-lo. Inuyasha ficou sem ar e começava a ficar com o rosto roxo.

- Como você é idiota! Inuyasha nessa forma que está apenas me da nojo! Agora me diga aonde está minha espada que você fez questão de esconder.

- Não...não ei do que está falando! – Inuyasha mal conseguia falar.

- Até quando Inuyasha...até quando vai ficar se esquivando de mim! Já matei aquela menina, quer que eu mate mais alguém? – O homem apertava o pescoço de Inuyasha mais forte – Quem sabe se eu matar aquela garota morena que você tanto gosta?

Inuyasha acordou no sobressalto na cama com Miroku rezando ao seu lado. Sua mãe e seu pai também estavam lá preocupados. Inuyasha estava suando e ainda com o pescoço vermelho com as marcas do demônio.

- Você está bem querido? – Perguntava a mãe de Inuyasha enquanto o abraçava.

- Sim mãe, estou! – Inuyasha olhou para seu pai que ficou aliviado.

Sua mãe o soltou e seu pai e ela ficaram lá por um tempo conversando para entender o que acontecia. Inuyasha preferiu não explicar para eles. Assim que eles saíram do quarto Inuyasha foi falar com Miroku.

- Acho que o demônio pretende atacar Kikyo.

.O.O.O.O.

Kagome acabava de chegar da escola junto com Souta. Ela cumprimentou sua mãe e seu avô e depois foi se deitar. Não estava com vontade de fazer nada que não fosse ficar em sua cama. Ela chorava muito com o que tinha acontecido e assim como Inuyasha seus sonhos apenas a faziam lembrar da noite anterior. Ela estava quase caindo no sono quando sua mãe bateu em sua porta:

- Kagome, tem alguém aqui querendo falar com você.

- Mãe, se for o Houjo de novo por favor dispense!

- Não é o Houjo filha.

A mãe de Kagome abriu a porta e quem entrou foi Sango, que olhou para Kagome pesadamente. Kagome se sentou na cama e se arrumou um pouco. Sango se sentou ao lado dela e a mãe de Kagome fechou a porta deixando as duas sozinhas.

- Kagome, precisava vir aqui, me desculpar pelo que aconteceu domingo.

- Não se preocupe Sango, eu também concordei com aquilo.

- Ai Kagome, juro que passou pela minha cabeça que tudo daria certo, mas claro que não! – Sango pegou na mão da amiga – Mas sei lá, quando aconteceu comigo eu não sei se me sentiria bem se não tivesse visto meus pais pela ultima vez no caixão.

- ...como assim Sango, seus pais...eles morreram?

Sango olhou para Kagome assustada, ela mal se lembrou que Kagome não a conhecia há tanto tempo, mas a menina tinha algo dentro dela que fazia confiar nela.

- Ah, me desculpe! Você não sabe da história.

- Não, não sei. Mas pode ficar a vontade para contar ou não.

Sango ficou sem graça por uns instantes. Kagome já iria se corrigir para que a menina não precisasse falar nada, mas Sango continuou.

- Começou a uns quatro anos atrás.

Kohaku ainda era criança, tinha apenas sete anos, e meus pais e eu nos mudamos para Tóquio. Era uma casa muito bonita, mas bem velha. Quando chegamos, logo notamos que tinha um cheiro diferente, parecia enxofre, mas nem ligamos muito pra isso.

Depois de alguns dias, notamos coisas estranhas pela casa, portas batendo, moveis se mexendo sozinhos, vozes vindas de algum lugar... eu e minha mãe queríamos ir embora, mas meu pai não, ele dizia que tudo aquilo era coisa de nossa cabeça.

Certo dia eu estava sozinha em casa com a minha mãe, quando o Kohaku apareceu com uma faca na mão. Ele a atirou e pegou em meu ombro direito – Sango mostrou a Kagome essa cicatriz – e eu não conseguia mexer meu braço. Minha mãe tentou apaziguá-lo, mas de nada adiantou. Meu irmão estava descontrolado. Meu pai chegou em casa nessa hora e ele sim conseguiu prender meu irmão em um quarto para que ele tentasse se acalmar.

Passamos uns dois dias assim, foi quando eu resolvi procurar alguém que pudesse nos ajudar. Fui conversar com um amigo meu da época que entendia dessas coisas. Ele me falou do Toutousai, quando fui vê-lo ele disse que já estava aposentado, mas que conhecia dois jovens que resolveriam meu problema.

Foi assim que eu conheci o Inuyasha e o Miroku. Os dois conversaram comigo e me ajudaram. Quando eles foram em minha casa eles logo me disseram que a ela era mal assombrada, tinha um demônio lá dentro e ele não estava de brincadeira. Assim que chegaram perto do meu irmão eles fizeram de tudo para exorcizar, mas foi difícil. Inuyasha conseguiu fazer o demônio sair do corpo de Kohaku, mas depois ele foi para o corpo do meu pai, esse enlouqueceu, e enforcou minha mãe.

Inuyasha e Miroku fizeram de tudo, tudo para tentar separá-los, mas foi em vão. Meu pai em seguida começou a bater a própria cabeça na parede, até...

Não estava fácil para Sango continuar a historia, Kagome pôs a mão sobre as costas dela para que ela pudesse continuar, Sango assim o fez.

Enfim, o demônio saiu do corpo do meu pai e Inuyasha e Miroku foram finalmente exorcizá-lo. Foi muito difícil, mas eles conseguiram.

Naquela hora eu sabia que precisava ajuda-los de alguma forma, não queria que nenhuma família passasse pelo que eu passei, pois se nós tivéssemos notado o sinal antes o demônio não teria ficado tão forte e não teria matado meus pais. Por isso eu insisti tanto em ajudar os dois, mesmo eles não querendo. Então eu dei a ideia de criar o site e a página do facebook.

Sango terminou a história om lágrimas nos olhos, seu corpo estremecia e suas mãos suavam. Kagome a abraçou para que a garota se sentisse um pouco melhor.

- Sinto muito Sango, eu nunca imaginaria...

- Acho que ninguém imaginaria uma coisa dessas Kagome. Nem mesmo a policia, quando ela chegou tivemos que mentir, dizer que meu pai matou minha mãe e depois se matou, o que ...foi quase o que aconteceu.

- E você viu tudo?

- Infelizmente sim. Mas com o tempo você vai lidando com isso, e vai transformando em uma coisa boa. Claro que eu jamais conseguiria pisar naquela casa novamente. Por isso eu vendi e fui morar com o Kohaku em outra casa. Mas estava de consciência limpa, a casa não tinha mais demônios.

- Entendi. –Kagome olhava para Sango com pena – Por isso você fazia tanta questão que eu fosse.

- Sim, não queria que a ultima visão sua fosse de Kaede no caixão, mas é pior ainda do que sua ultima visão ser dela morrendo.

- Obrigada Sango! – Kagome sorriu, Sango fez o mesmo – Você é uma garota muito especial, juro que você fez mais por mim do que amigas que tenho a anos fizeram.

- Se quiser podemos ser amigas também.

- Não sei... se poderemos nos ver mais.

- Porque? – Sango perguntou incrédula.

- O Inuyasha disse que não queria que eu me envolvesse mais com ele.

Sango também se lembrou da conversa dos dois, mas resolveu não contar nada a Kagome, as duas não eram tão próximas assim.

- Kagome, não é porque o Inuyasha não quer te ver que eu não posso. Posso ser amiga dos dois. Claro, se você quiser.

- Você pode me ver quando quiser Sango.

As duas se abraçaram e começaram a conversar de outras coisas, tentando esquecer o passado amargo de seus corações.

.O.O.O.O.

Kikyo fechava o caixa mais um dia. Ela estava cansada e com o semblante triste. Ela tinha visto as ligações que Inuaysha tinha feito a ela, mas ela recusava a todas. De jeito nenhum ela iria falar com ele. Todos ali, inclusive Mari e Hika sabiam do ocorrido com Kaede, e apesar de não demonstrarem eles entendiam a situação. Menos sua chefe, Yura.

Assim que Kikyo terminou, Yura foi fazer a sangria de seu caixa, e para a surpresa de todos, e de Kikyo também, haviam sumido dessa vez quatrocentos ienes.

- Kikyo! – Dizia Yura com raiva – Como você pode ser tão burra? – Kikyo apenas abaixava a cabeça – Não notou que sumiu quatrocentos, QUATROCENTOS ienes desse caixa?

- Senhora, eu tive uma semana difícil – Kikyo tentava se explicar.

- Pouco me interessa seus problemas Kikyo! Só sei que sumiu dinheiro do caixa e eu quero de volta.

- Senhora, pode tirar do meu salario, e eu prometo que isso nunca mais acontecera.

- Claro que não vai acontecer de novo! Você está demitida!

Kikyo não podia acreditar no que estava ouvindo. Ela caiu no chão e desmaiou. Suas amigas foram acolhê-la. Algumas traziam algo para abanar Kikyo, outras traziam Yura apenas se virou e foi embora.

Assim que Kikyo acordou ele estava na enfermaria, junto de Mari e Hika.

- Kikyo, você está bem? – Perguntou Hika. Kikyo a olhou debochada – Ok, não pergunto mais.

Kikyo fez alguns exames e sua pressão estava muito baixa. Ela tomou alguns remédios e a enfermeira não queria liberá-la sem um acompanhante, mesmo com Kikyo se queixando de que ela não tinha ninguém que pudesse ajudá-la. Portanto ela teve que esperar até o fim do expediente para que suas amigas pudesse busca-la.

Neste meio tempo ela se contorcia de raiva. Tudo o que ela queria era ir embora e ficar em sua cama, sem falar com ninguém, apenas chorando. Ela sentia raiva de Inuyasha, sentia raiva de Yura e sentia mais raiva ainda da menina insolente que tinha invadido o velório de sua irmã. Como tudo aquilo podia estar acontecendo a ela? Como tantas coisas ruins podiam estar acontecendo a uma simples mortal.

Quando Mari e Hika chegaram elas foram levar Kikyo até sua casa, elas voltariam de ônibus. No caminho nenhuma das duas falava nada, apenas sentiam que precisavam ficar em silencio pelo bem estar de sua amiga. Kikyo as vezes deixava algumas lagrimas escorrerem de seus olhos, mas ela não queria de jeito nenhum que isso acontecesse. Kikyo estava prestes a explodir de tanto ódio.

Assim que elas deixaram Kikyo em sua casa, Urasue já estava na porta querendo conversar com ela. Kikyo sabia que aquela mulher era um dos piores seres humanos que estavam pisando na Terra. Ela olhava para Kikyo, e ela apenas fingia não perceber. Urasue começou então a chama-la.

- Hey, Kikyo, hey...

Kikyo nem ao menos olhava para Urasue, ela se fingia de desentendida e ia para sua casa aos fundos. Urasue não desistia.

- Kikyo, vamos, olhe pra mim!

Kikyo não respondeu

- Sei que está chateada porque perdeu o emprego...

Agora sim Kikyo olhou, assustada, para Urasue. Como aquela velha sabia que ela tinha perdido o emprego? Isso tinha acabado de acontecer. Ela deveria conhecer alguém do seu trabalho, ou estar vigiando a vida de Kikyo incansavelmente. Mas Kikyo, mesmo assustada, não iria dar o braço a torcer para a anciã.

- O que quer de mim Urasue?

- Pra você, senhora Urasue!

Ela dizia ríspida, aquilo deixou Kikyo mais nervosa. A ultima coisa que queria naquele dia era ter que conversar com Urasue.

- Se está preocupada com o dinheiro do aluguel não se preocupe, eu vou pagar pra você! Vou arrumar outro emprego logo!

- Isso eu já não sei Kikyo, não sei mesmo! Acho que você não vai conseguir um emprego tão cedo...

Kikyo não queria se humilhar para ninguém, mas ela preferia fazer isso com Urasue a correr e pedir ajuda para outra pessoa, principalmente para Inuyasha.

- Vou conseguir outro emprego logo, você querendo ou não!

Kikyo já se virava para ir embora quando Urasue decidiu falar.

- Tenho uma proposta pra você...

Continua...