Oi, oi povo! Prontinho, prontinho... Hora de acabar com suas curiosidades! E as ameaças de morte \o/
Julianaaliz: Rsrsrs, então... Não resisti, queria muito ver a reação de vocês... XD
Karinepira: O que você pensou que seria? Fiquei curiosa agora ^^
Mirian Black: Porque assim tem mais graça! o/
Aliás, seja bem vinda! ^^
Gaia-sama: Rsrsrsrs, calma... Tudo no seu tempo.
Renata K: Ahhh, não sou tão cruela assim... Estou dando de presente 13 pgs do Word pra se deliciar. ^^
O Zabine é um caso a parte...rs
Lembre-se, comentar nunca é demais!
Bjs, uma boa leitura!
― Não deixe nenhuma vela acesa em seu quarto e mantenha as cortinas da cama bem fechadas. Irei procurá-la esta noite, minha esposa.
Hermione quase perdeu o equilíbrio, atordoada por sensações estranhas em que se misturavam surpresa e um pouco de medo. Ela fitou a escuridão intensamente, tentando enxergá-lo através das sombras. Porém seu esforço foi em vão. Nervosa, passou a língua pelos lábios secos antes de dar a única resposta possível.
― Sim, meu lorde.
Com o coração aos pulos, chegou até a porta que Filch mantinha aberta esperando-a, mas dispensou a companhia do criado com um gesto de mão e preferiu atravessar os corredores sozinha. Precisava de tempo para pensar, para dominar as emoções desencontradas que sufocavam lhe o peito.
O medo era até fácil de entender e controlar porque não acreditava que o marido fosse um tipo bestial, inumano. Tinha quase certeza absoluta que Draco sofrera alguma espécie de desfiguração que o forçava a viver nas trevas para se ocultar de olhares apavorados ou piedosos. Embora a ideia de dormir com alguém assim lhe causasse apreensão, o pavor era de longe superado pela excitação estranha que palpitava em seu ventre. Então ele não a estava rejeitando e essa crença era suficiente para fazê-la sentir-se nas alturas. O. que servia para confundi-la ainda mais.
Filch estava em seu quarto, preparando os aposentos para a noite, e a castanha mandou-o retirar-se. Depois sentou-se na cama, satisfeita que Molly não iria passar a noite ali. As duas haviam desenvolvido uma rotina que lhe permitia saborear a privacidade total depois do jantar. Até agora fora um tempo dedicado à leitura ou ao planejamento das atividades do dia seguinte. Não lhe passara pela cabeça, não desde a primeira noite sob o teto de Dunmurrow, que essas horas poderiam ser usadas para o propósito óbvio. Contudo, hoje à noite, cumpriria o destino reservado às mulheres casadas...
De súbito foi tomada por um acesso de pânico, como se o Cavaleiro Vermelho pudesse chegar a qualquer momento.
"Não deixe nenhuma vela acesa", ele dissera. Hermione olhou ao redor, procurando algum ponto de iluminação.
Imediatamente reparou que todos os castiçais haviam sido removidos. Por um louco instante perguntou-se se Draco tinha conseguido fazê-los desaparecer num passe de mágica. Então lembrou-se de Filch, que em geral não costumava ir ao seu quarto àquela hora da noite. Claro que o criado levara todos os castiçais consigo.
Suspirou aliviada. Porém seu alívio não durou mais do que alguns poucos segundos ao pensar que ao sair dos aposentos do marido deixara Filch parado junto a porta. Entretanto fora encontrá-lo dentro de seu quarto! Ela estremeceu violentamente, um arrepio de pavor percorrendo-a de alto a baixo. Filch não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo. Nenhum ser humano seria capaz de realizar tal feito... a menos que fosse uma questão de bruxaria.
A menos que se tratasse de um demônio. Todas as histórias de Molly voltaram à sua mente com uma precisão de detalhes apavorantes. Angustiada, a castanha cerrou as mãos nas beiradas da cama com tanta força que os nódulos dos dedos ficaram brancos e doloridos. Oh, Deus, por que hoje, dentre todas as noites, precisara enfrentar essa revelação monstruosa? Hoje, dentre todas as noites, quando aguardava a chegada iminente do Cavaleiro Vermelho em pessoa? Seu marido, o homem que decidira fazer valer seus direitos de esposo...
Gemendo baixinho, ela encostou a cabeça no travesseiro sem saber o que fazer ou onde encontrar conforto para o tumulto interior que ameaçava partir sua alma em pedaços. Não havia ninguém a quem recorrer, ninguém com quem se aconselhar. Podia contar apenas consigo mesma.
Um ruído do lado de fora do quarto obrigou-a a sair daquele estado de estupor e pela primeira vez, desde o dia de seu casamento, Hermione teve medo do que poderia descobrir caso enxergasse o marido à luz do dia. Talvez a ignorância fosse melhor e as trevas a protegessem de uma verdade a qual não estava preparada para enfrentar. Rapidamente, desvencilhou-se das roupas e meteu-se sob os lençóis, trêmula e assustada.
E naquela escuridão absoluta, em que não se enxergava sequer um palmo adiante do nariz, aguardou que seu destino se cumprisse.
*.*.*.*.*
Hermione aguardou, agarrando-se às cobertas como se pudesse manter afastado o Cavaleiro Vermelho e sua magia. Sempre se considerara uma mulher sensata, atenta à lógica dos fatos. Jamais procurara cartomantes ou implorara poções mágicas às aldeãs tidas como sábias na arte de lidar com as ervas e com o desconhecido. Também nunca acreditara que os rumores envolvendo o Cavaleiro Vermelho pudessem ser verdadeiros. Contudo não havia como negar que Filch estivera em dois lugares ao mesmo tempo. Por mais que se esforçasse, não conseguia pensar numa explicação razoável e as outras eram apavorantes demais para serem levadas em consideração. Não suportaria imaginar que as histórias horríveis de Molly fossem baseadas em fatos reais.
O som da própria respiração, rápida e ofegante, era tão alto que não o ouviu chegar nem afastar as cortinas ao redor da cama. Ao sentir um corpo deitar-se ao seu lado, uma pele nua roçando a sua, foi tomada de intenso pavor.
― Você está com medo, esposa? ― a voz seca e controlada do marido lhe trouxe um certo alívio. Afinal era apenas Draco, não um demônio soltando fogo pelas ventas, com cascos em lugar dos pés e garras nas mãos. Sempre gostara do som daquela voz e da maneira como os lábios masculinos se fechavam sobre os seus num beijo demorado... Nunca experimentara um medo real, nunca levara realmente em consideração os boatos que o cercavam. Se ao menos... Queria contar sobre Filch, perguntar sobre os aparecimentos misteriosos do criado, mas sua língua parecia grudada no céu da boca. No fundo, temia as respostas que o barão pudesse lhe dar...
― Hermione, Hermione, minha esposa... ― ele murmurou com tanta ternura que tocou-lhe a alma. ― Me diga agora, você tem medo de mim?
― Não ― ela respondeu, certa de que aquela era a pura verdade.
― Foi o que pensei ou de outra forma eu não teria vindo ao seu encontro.
Nervosa, ela passou a língua pelos lábios, querendo enxergá-lo apesar da escuridão profunda. Porém nada conseguia ver.
― Por que... por que você veio ao meu encontro?
― Descobri que sou muito ciumento, esposa, ao saber que você parecia ansiosa pela companhia de meu vassalo. ― havia um pouco de raiva, desespero e desejo contidos na explicação.
Sem que conseguisse entender bem por que, a castanha sentiu-se relaxar. Horas antes ficara furiosa com a mera sugestão de que passara tempo demais ao lado de Blaise, pois eram inaceitáveis quaisquer insinuações de que seria capaz de enganar o marido e se portar como uma criatura vulgar, sem um pingo de dignidade. Porém agora, em vez de raiva, experimentava uma emoção muito diferente, uma sensação estranha e ardente. O Cavaleiro Vermelho com ciúmes? Mal podia acreditar. Contudo, mesmo duvidando, achou melhor tranquiliza-lo para evitar futuros aborrecimentos.
― Meu lorde, sou uma mulher honrada. Eu jamais...
― Ótimo. ― Draco roçou o rosto delicado com as pontas dos dedos e aproximou-se, deixando-a trêmula de expectativas. ― Fico feliz ao ouvi-la dizer isso, mas acho que está na hora de torná-la minha mulher de verdade. Está na hora de deixarmos claro que você pertence a mim, e a ninguém mais. Não foi culpa minha que você me escolheu ― a voz masculina soava baixa e séria ― Entretanto é um fato que não pode ser mudado. Guarde bem o que vou lhe dizer: costumo sempre manter o que é meu.
Não foi difícil entender a ameaça implícita. Draco mataria qualquer homem que tentasse tomar o seu lugar, e talvez a ela também. Ele tinha poder para tal. Mesmo agora, se quisesse matá-la, não havia nada que pudesse fazer para impedi-lo.
Ainda assim estava longe de sentir-se apavorada porque nunca desejara outro, a não ser o marido. Seu desejo era tão grande que sentia-se amolecida por dentro. O que havia naquele homem que a afetava tanto? Seria a voz profunda, a força física, o mistério que o cercava? As lendas que corriam o reino de norte a sul? As próprias sombras o que a atraíam tanto?
De repente o mundo pareceu cessar de existir. Restavam apenas ela e Draco, juntos, no meio da total escuridão. Exceto o calor do corpo masculino ao lado do seu, pulsando de promessas, tudo o mais perdera o significado.
Os planos de anular o casamento se dissolveram no ar como fumaça. Não tinha importância. Era uma grande tolice mesmo. Descobria-se agora ansiando por coisas que jamais pensara desejar. Coisas que lhe pareciam extremamente sedutoras... e estavam dentro de seu alcance.
Bastava estender as mãos.
E foi o que ela fez.
Inspirando fundo, Hermione roçou o rosto no braço do marido, numa carícia leve e suave. Queria dizer alguma coisa, embora não soubesse bem o quê. Mas a vontade de falar desapareceu ao sentir os dedos dele tocarem-na nos olhos, no nariz, nos lábios, numa exploração gentil e delicada. Uma sensação inebriante começou a se espalhar em suas veias, arrastando-a num turbilhão delicioso.
Num movimento súbito, o cavaleiro atirou os lençóis que os cobriam para o chão, levando-a a imaginar se a dor sobre a qual Molly lhe falara era iminente. No mesmo instante ficou tensa, aguardando o pior. Porém em vez de assustá-la, Malfoy simplesmente tomou alguns cachos entre os dedos e alisou-os devagar.
― Cabelos lindos, perfumados... ― ele sussurrou antes de deixar os cachos caírem sobre os seios nus da mulher, fazendo-a estremecer.
Então Draco a beijou com uma ternura tão grande que ela só conseguia desejar mais e mais. Hesitante, tocou-o no rosto com as pontas dos dedos. A pele macia mostrava ligeira aspereza na região dos maxilares. O marido devia ter feito a barba recentemente, pensou entreabrindo os lábios. Logo depois perdia a capacidade de raciocinar com clareza. Ao sentir a língua ávida explorar o interior da sua boca, a castanha gemeu alto, maravilhada com as sensações que a percorriam de alto a baixo. Percebendo a intensidade da resposta feminina, Draco aumentou a pressão do beijo, suas línguas se contorcendo uma de encontro a outra num frenesi desesperado. Hermione tinha a impressão de estar à beira de um desmaio.
Sem que conseguisse evitar o impulso, deslizou as mãos sobre os ombros largos, apreciando a firmeza dos músculos bem torneados. Ele era quente e agradável ao toque. Excitada, continuou a acariciá-lo nas costas e nos ombros, apreciando cada centímetro daquele corpo atlético e viril.
De repente, como se fosse a coisa mais natural do mundo, Draco pousou a mão sobre um de seus seios. Surpresa com o gesto, a jovem deixou escapar um ruído de intenso prazer.
― Você é linda ― ele murmurou carinhoso. ― Pequena, mas de formas perfeitas. ― enquanto falava, Malfoy esfregava os mamilos rosados com habilidade, quase fazendo-a perder a cabeça.
Ele a beijou na boca outra vez. Foi um beijo ardente, profundo e breve. Ao senti-lo se afastar, Hermione experimentou um vazio terrível, um vazio que durou apenas alguns segundos, até os lábios masculinos se fecharem ao redor de seu mamilo intumescido.
Imediatamente ela arqueou as costas, entregando-se à carícia num abandono total. Reagindo de maneira instintiva, puxou-o pelos cabelos, ansiosa para estreitar o contato. Draco correspondeu, sugando ainda com mais força e segurando-a pelas nádegas com firmeza.
Depois, bem devagar, deslizou os lábios sobre o estômago aveludado e ao redor do umbigo da esposa, aspirando o perfume daquele corpo sedutor.
― Abra suas pernas para mim ― pediu num tom rouco e sensual.
Sem vacilar um segundo, fez o que lhe foi pedido, embora um início de pânico começasse a dominá-la. Será que o marido era mesmo feiticeiro? Será que estava presa de um encantamento e por isso o obedecia sem oferecer qualquer resistência? Mal se reconhecia naquela mulher impetuosa e desenvolta.
― Draco... ― ela sussurrou, a voz carregada de paixão. ― Por acaso você... me enfeitiçou?
Por um instante ele ficou tenso e pareceu fitá-la fixamente dentro da escuridão, como se pudesse desvendar-lhe a alma.
― Não lancei nenhum feitiço sobre você, esposa, a não ser aquele que é tão antigo e eterno como o tempo... a atração entre um homem e uma mulher. Não tenho necessidade de encantamentos ou bruxarias para mim ou para você... Porque nós faremos nossa própria mágica esta noite.
A castanha sentiu os lábios firmes tocarem-na na parte interna das coxas antes de procurarem... o ponto escondido da sua feminilidade. Maravilhada, ela suspirou fundo, até que os suspiros foram se transformando em gemidos de prazer. Gemidos descontrolados e ofegantes.
Simplesmente não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Pela primeira vez sentia-se grata pela completa escuridão. Assim poupava-se o embaraço de ver a si mesma com os joelhos flexionados e as pernas abertas... enquanto o Cavaleiro Vermelho a beijava daquela, maneira íntima e ousada com sofreguidão. O impressionante é que não sentia a menor vergonha, apenas desejava mais. Mais...
Só foi perceber que falara alto quando o marido respondeu.
― Mais? Sim, Hermione, você terá muito mais ― ele sussurrou, movendo-se sobre ela cuidadosamente. ― Desde o momento em que nos casamos, mal tenho conseguido pensar em outra coisa a não ser em possuí-la, esposa.
Malfoy falava com dificuldade, a respiração acelerada, o corpo sob rigoroso controle.
― Por acaso você tem ideia de como as nossas refeições juntos eram um verdadeiro tormento para mim? Sim, eu precisava comer, mas minha fome não podia ser saciada com alimentos. Meu apetite era outro... ― Draco alojou a cabeça do pênis na entrada úmida e escorregadia, aguardando o momento de penetrá-la. ― Sabia que toda noite, quando nos sentávamos à mesa, eu só queria jogar tudo para o lado e carregá-la direto para a cama, ou possuí-la no chão mesmo, diante do fogo?
Ao ouvir aquelas palavras, vibrantes de paixão, sentiu-se excitada além do suportável. Tudo no mundo deixara de importar, a não ser a ponta rígida do membro masculino roçando a parte mais sensível de seu ser, como se implorando para ser recebida.
― Quero me enterrar dentro do seu corpo...
Porém ela já quase não podia ouvi-lo. Louca de desejo, cravou as unhas nas costas largas e ergueu os quadris, procurando alívio para o ardor que queimava suas entranhas como ferro em brasa.
Perdida num emaranhado de sensações poderosas e desconhecidas, mal percebeu quando o marido começou a penetrá-la.
― Posso sentir o seu prazer ― Draco murmurou num tom tenso e sensual, arrepiando-a da cabeça aos pés. ― Posso sentir sua barreira também, e saber que, de fato, ninguém nunca a tocou, minha esposa. Saiba agora que você é minha, apenas minha ― ele completou com uma pontada de triunfo.
Então Malfoy se enterrou dentro da esposa numa investida única e profunda, deixando a quentura macia absorver o impacto da masculinidade intumescida. Hermione cerrou os dentes, tentando conter um grito de dor enquanto, numa reação instintiva, procurava se afastar do marido para aliviar a ardência e o desconforto entre as pernas. Porém Draco a segurou pelos quadris com firmeza, impedindo-a de mover-se. Lentamente, repetiu as investidas num ritmo crescente, rápido e impetuoso, até que, gemendo alto de prazer, derramou a semente da vida até a última gota.
*.*.*.*.*
Por um momento a castanha conseguiu apenas prestar atenção à dor, mas depois outros detalhes ganharam importância. O peso de Draco, surpreendentemente reconfortante sobre o seu próprio corpo; a camada fina de suor que cobria os braços e as costas musculosas; mechas dos cabelos dele roçando a sua têmpora, a respiração baixa, ofegante, e estranhamente vulnerável do Cavaleiro Vermelho. Estar deitada e abraçada ao marido lhe despertavam sentimentos que iam além da dor e do prazer... Sentimentos que não conseguia definir e que a emocionavam de uma maneira misteriosa e intensa.
Tomando o rosto de seu esposo entre as mãos, ela o acariciou na testa, nos olhos, no pescoço. Então começou a beijá-lo com delicadeza no queixo e ao redor da boca até que os lábios de ambos se encontraram, suavemente a princípio, depois cheios de sofreguidão. Surpresa, Hermione sentiu uma pressão insistente dentro de si e percebeu que o pênis estava de novo ereto.
Desta vez não houve necessidade de palavras. Protegidas pela escuridão, mãos e bocas se procuravam com avidez, explorando músculos firmes e curvas macias, aspirando suor e aromas secretos. A castanha ergueu as pernas e cruzou-as ao redor da cintura de Malfoy, para que nada ficasse entre os dois a não ser essa coisa intangível e indescritível, capaz de ir além do prazer obtido por seus corpos. Essa coisa que os envolvia como um manto vivo e protetor, capaz de fazê-los experimentar o gosto da eternidade.
Se Hermione soubesse distinguir a verdade, teria chamado isso de amor.
*.*.*.*.*
Ao acordar, sua primeira reação foi de que tivera um sonho confuso e perturbador. Ela estremeceu, sentindo um frio repentino apesar dos lençóis que a cobriam. Então inspirou o perfume do quarto, impregnado de odores sensuais, e se deu conta do ardor entre as pernas. Hesitante, tocou os lábios inchados com a mão trêmula.
― Draco? ― chamou dentro da escuridão.
Mas não havia nada nem ninguém no meio das sombras. Apenas uma quietude extrema.
Cautelosa, levantou-se, vestiu um robe e aproximou-se da lareira onde o fogo estava quase extinto. Depois de reavivar as cinzas, sentou-se no sofá, o pensamento voando longe, o coração batendo descompassado no peito, o sangue latejando dentro das veias.
Com os olhos fixos no crepitar das chamas, se deu conta de que já não havia como voltar atrás. A sorte estava lançada. Jamais teria coragem de requerer a anulação do casamento porque não tinha a menor vontade de separar-se do marido. No começo Draco a atraíra de uma maneira misteriosa, porém agora, as coisas haviam tomado um rumo inesperado e ele ganhara uma dimensão muito maior.
O modo como haviam feito amor superara seus mais loucos sonhos. Surpreendia-se consigo mesma por ter sido capaz de expor-se com tanta sensualidade e ousadia. Apesar de um certo embaraço por sua própria falta de pudor, sabia que não vacilaria um segundo antes de repetir o ritual erótico outra vez... e outra vez... até que enfim se sentisse saciada. Também não podia jogar a culpa sobre os ombros do marido, acusando-o de tê-la enfeitiçado. A verdade é que o desejava com uma paixão que beirava ao desatino. Queria que ele ainda estivesse ali, na sua cama, ao alcance das suas mãos. Então o beijaria nos lábios e tocaria cada centímetro do corpo forte e viril de guerreiro até...
O corpo de Draco! Hermione inspirou fundo ao pensar que seu marido era fisicamente perfeito. Não percebera qualquer desfiguração que pudesse justificar aquela preferência pelas sombras. Ao acariciá-lo no rosto com as pontas dos dedos também não descobrira sinais de ferimentos, queimaduras ou mesmo de pequenas imperfeições, a não ser uma cicatriz na altura de um dos olhos. Entretanto era uma marca tão minúscula que não levaria nem o mais vaidoso dos homens a se esconder do mundo.
Ela estremeceu, sem saber se a conclusão lhe trazia alívio ou desaponto. Se seu marido era perfeito, qual a razão de viver trancado numa escuridão eterna? Não gostava sequer de cogitar as teorias apavorantes de Molly. Devia haver alguma coisa que lhe passara despercebida, alguma coisa que não conseguira notar no auge da paixão.
E o que pensar de Filch, o servo, que parecia atravessar paredes como fumaça, movendo-se como um espectro a mando do senhor? Perdida no prazer sensual acabara se esquecendo de que o criado estivera em dois lugares ao mesmo tempo. Por mais que se esforçasse, não conseguia encontrar uma explicação lógica para as suas dúvidas. Oh, Deus, e se o marido fosse um feiticeiro de fato? Talvez os sentimentos estranhos que a abalavam não passassem do resultado de algum tipo de bruxaria. Talvez não fosse dona de si mesma nem responsável por suas ações.
A lembrança da visita de Draco ao seu quarto continuou assombrando-a durante todo o dia, certos detalhes picantes fazendo-a enrubescer nos momentos mais inesperados. Ainda bem que não vira Blaise ou acharia difícil encará-lo porque a mudança que lhe ocorrera devia estar estampada na sua face. Também não ficara surpresa quando Filch a informara de que o cavaleiro partira de manhã cedo; Draco encontrara uma maneira de deixar claro seu ciúme e tomara uma atitude concreta para cortar o mal pela raiz. Entretanto não achava certo que o marido punisse o vassalo sem motivo e pretendia dizer-lhe isso assim que se encontrassem.
O aparecimento do servo acabou por lhe desviar a atenção para problemas mais imediatos.
― Por acaso você retirou as velas do meu quarto ontem à noite?
O homem não hesitou um segundo antes de responder.
― Sim, minha lady. Estava cumprindo ordens de meu lorde.
― Mas... ― a castanha passou a língua rapidamente pelos lábios ressecados, uma sensação angustiante no peito ― Pode ir agora ― murmurou, esforçando-se para manter as emoções sob controle. Filch fez um breve aceno com a cabeça e afastou-se depressa.
Atormentada, não conseguia evitar as suspeitas que cercavam seu marido. Porém, bastava se lembrar do que acontecera na noite anterior para todas as preocupações perderem a importância e se dissolverem ao sabor do vento. A verdade é que seu corpo latejava de desejo, ansiava pelas carícias de Draco, apesar do medo... apesar de tudo.
Impaciente, colocou uma capa pesada e saiu do castelo.
Precisava respirar um pouco de ar puro. Quem sabe assim não conseguiria colocar os pensamentos em ordem? Mas apesar de seu empenho, continuou confusa. Seus olhos, como se tivessem vontade própria, procuravam sempre a torre onde o Cavaleiro Vermelho permanecia envolto pela escuridão absoluta. Fosse por feitiçaria ou por outro motivo qualquer, desejava o marido desesperadamente.
Contudo, Malfoy não requisitou sua presença na hora do almoço e ela comeu no salão principal, na companhia de Molly. Só esperava que a velha criada não percebesse seu estado de confusão interior e nem como seu corpo de mulher ganhara novos contornos. Porém o que a incomodava de fato era que seu marido ainda não a procurara depois do que haviam partilhado juntos.
Então lembrou-se do que ele dissera, sobre como as refeições a dois acabavam transformando-se num terrível suplício. É, talvez fosse melhor não se verem durante algum tempo. O problema é que não podia evitar o desejo insistente que dava a impressão de vira-la pelo avesso. Ainda bem que Molly estava ocupada demais para notar o rubor de seu rosto e a sua crescente inquietude.
― E quem lhe deu permissão para jantar na minha companhia? ― a criada perguntou a um homem alto, magro, ruivo, que começava a ficar careca, sentado do outro lado da mesa.
Apesar do tom pouco amigável, o soldado sorriu, as feições simpáticas demonstrando um enorme bom humor. Seria ótimo se Molly pudesse assimilar aquele estado de espírito, Hermione pensou suspirando. Quem sabe assim não poria um fim nas histórias irritantes envolvendo feitiços e bruxos.
― Blaise Zabini me deu permissão, senhora. Também me mandou ficar ao seu lado dia e noite. É o que estou fazendo. Obedecendo ordens de meu superior.
Então tratava-se do famoso Arthur, o guarda-costas que o vassalo designara para acompanhar Molly as vinte quatro horas do dia. O problema é que os dois pareciam tão diferentes quanto a água do vinho. Como poderiam se entender?
― Oh, é mesmo? ― a serva indagou irônica. ― É melhor ter cuidado com as palavras e com a maneira como se dirige a mim, meu senhor, ou será posto desta porta para fora, esteja certo. Não sou de brincadeira.
― Não me venha com essa história, quando você sabe perfeitamente o quanto sentiria minha falta, em especial durante as longas noites frias de inverno...
Hermione ficou atenta, certa de que a senhora passaria um sermão furioso no atrevido. Porém a resposta da criada não passou de um resmungo pouco entusiasmado.
― Como se você pudesse me proteger. Quase sequer tem carne sobre esses velhos ossos.
Arthur recostou-se na cadeira, sorrindo de uma orelha à outra e parecendo muito à vontade com o desenrolar do diálogo.
― É, mas tenho carne suficiente onde interessa, não é, Moliuóli?
― Não vou ficar aqui parada, ouvindo essa conversa indecente. Especialmente na presença da minha lady.
A castanha retribuiu o sorriso do soldado. Os poucos cabelos ruivos que já começavam a branquear do homem deixavam claro que ele já havia passado da idade de se preocupar com o efeito que suas palavras pudessem ter sobre terceiros.
― Minha lady tem o jeito de uma mulher bem amada ― respondeu Arthur ― O que não é de se estranhar, considerando o tamanho do marido. Não creio que ela ficará ofendida com a troca de algumas palavras entre você e eu. ― enquanto Hermione tentava não corar ao ouvir o comentário, a criada levantou-se decidida. ― Espere, ainda não terminei minha refeição ― o ruivo protestou.
― Você tanto pode ir como ficar, porque não me importo a mínima.
Terminando de engolir um bocado generoso de comida e agarrando um pedaço de pão com as mãos, o soldado saiu quase correndo atrás de Molly, como um cachorrinho seguindo o dono.
Fascinada, a castanha observou o casal se afastar. A senhora parecia caminhar de maneira diferente, um ondular suave nos quadris. Desde a morte do marido, ela jamais se envolvera com homem nenhum. Será que aquela implicância com o soldado não passava de encenação, uma fachada para disfarçar sentimentos mais profundos? Seria ótimo, um verdadeiro alívio. Talvez com alguma coisa, ou alguém, para mantê-la ocupada, finalmente acabaria aceitando a nova vida em Dunmurrow.
A ideia a fez pensar na sua própria mudança de atitude. Depois da noite anterior já não podia considerar o castelo como uma residência temporária. Estava ali para ficar. Os planos para anular o casamento esquecidos no calor dos braços do marido.
A verdade é que desejava assumir a posição de esposa de Draco em todos os sentidos, de todas as maneiras possíveis, mesmo sabendo que a relação dos dois provavelmente nunca seria tranquila e relaxada. Suspeitava que Malfoy jamais se sentaria ao seu lado na mesa do salão principal ou a acompanharia em passeios pelos arredores.
O Cavaleiro Vermelho continuava envolto numa teia de mistérios, talvez agora mais do que antes, e apesar da paixão que os unia, Hermione sentia-se inquieta no que dizia respeito ao marido. De vários modos ele continuava sendo um completo estranho.
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Embora ela tivesse passado a tarde inteira entretida com inúmeras tarefas, seus pensamentos continuavam voltando para Draco e o jantar que deveriam partilhar à noite. Por mais que se esforçasse, não conseguia banir a visão do marido amando-a na escuridão do quarto.
Como algo proibido se torna sempre mais desejado, gostava de imaginar aquele corpo musculoso sobre o seu, aquela boca quente e ávida de encontro a sua pele nua, aquelas mãos experientes provocando-a de uma maneira ousada e sensual...
― Boa noite ― ela falou entrando nos aposentos principais, a voz trêmula de emoção apesar do esforço para manter a calma.
― Esposa ― ele respondeu simplesmente, com um breve aceno de cabeça.
O tom seco de Draco deixou-a atônita. Não esperava tanta indiferença depois da intimidade que haviam desfrutado juntos. Será que seria sempre assim? Encontrarem-se apenas durante as refeições sem que nada demonstrasse a mudança ocorrida no relacionamento de ambos? Ou talvez não houvesse ocorrido mudança alguma. A noite anterior poderia não ter representado nada para ele, exceto o desempenho de um dever para torná-la sua esposa de fato.
Perturbada com a possibilidade, Hermione comeu em silêncio. Entretanto a cada vez que seus dentes se fechavam sobre uma fatia de carne não conseguia pensar em mais nada a não ser nas mordidas delicadas que o marido espalhara sobre seu corpo nu. Ainda bem que a escuridão do quarto impedia Malfoy de notar o seu rubor...
― Você está quieta hoje ― Draco falou de repente. ― Alguma coisa errada?
Ela permaneceu imóvel durante alguns segundos, considerando qual resposta deveria dar. Mesmo que a questão envolvendo o aparecimento de Filch em dois lugares ao mesmo tempo a tivesse atormentado o dia todo, não ousava expor as dúvidas em voz alta. Temia despertar a ira do Cavaleiro Vermelho e as explicações que ele poderia lhe dar. Às vezes a ignorância dos fatos acaba nos protegendo de um mal maior. Também não tinha coragem de falar sobre as sombras eternas que pairavam sobre os aposentos principais muito menos sobre o desejo incessante que sentia pelo marido.
― Não há nada de errado comigo, meu lorde.
Draco resmungou qualquer coisa e os dois continuaram comendo em silêncio. A castanha procurava desesperadamente um sinal de que aquela figura distante e impessoal do outro lado da mesa fosse o amante ardente e carinhoso que a procurara na noite anterior.
― Espero que você não esteja esperando por Blaise.
― Não ― ela retrucou cautelosa. ― Filch me disse que o vassalo partiu esta manhã bem cedo... ― silêncio. ― Você acha justo mandá-lo embora tão depressa... .especialmente quando o Natal se aproxima?
― Então você já sente falta dele? ― a voz de Malfoy soava baixa e ameaçadora, fazendo-a pensar nos boatos que o cercavam. O Cavaleiro Vermelho era famoso por sua selvageria nas batalhas e pela força física extraordinária. As mesmas mãos que a tinham acariciado poderiam fazê-la parar de respirar com facilidade...
― Sinto falta da companhia, não do homem.
A reação de Draco, um resmungo entre os dentes, deixou claro que ele continuava com ciúmes do vassalo. Hermione sorriu satisfeita. Talvez, no final das contas, ontem à noite não fora apenas uma questão de cumprir o dever marital. Talvez o marido a desejasse agora, tanto quanto ela o desejava... Me possua, pensou apaixonada. Me possua neste instante, sobre o tapete, sobre a mesa, em qualquer lugar... Bem que tentou dizer as palavras em voz. alta, porém faltou-lhe coragem.
― Você já não tem companhia... suficiente? Não bastam Molly, Filch e os novos servos trazidos da aldeia? Sem contar os aldeões que pretende conquistar com a simpatia de castelã no natal. Meu salão principal já não tem um movimento adequado? Para que mais gente espalhando-se pelos corredores?
― Sim ― ela respondeu baixinho, sabendo que a presença de nenhuma daquelas pessoas poderia satisfazê-la. Era a companhia do marido que desejava, era a atenção dele que procurava. A ideia lhe parecia até absurda porque sempre fora um tipo independente, capaz de apreciar a solidão e jamais precisara de alguém ― Mas não é a mesma coisa ― retrucou afinal. – Nem podem discutir assuntos variados, nem sabem ler ou jogar xadrez. Tampouco sabem caçar...
Somente depois de terminar de falar foi que se deu conta do que dissera. Muitas daquelas atividades exigiam luz, portanto Draco não podia realizá-las enquanto permanecesse trancado na escuridão. Sem que tivesse intenção de magoá-lo, acabara colocando o Cavaleiro Vermelho na mesma categoria dos ignorantes ou aldeões sem instrução. Ansiosa para corrigir o erro antes que o marido explodisse num acesso de fúria, apressou-se completar conciliatória:
― Talvez você pudesse sair comigo um dia desses.
― Não!
― Por que não? ― ela implorou suspirando. ― Porque devemos sempre nos encontrar cercados pelas sombras? Eu sei que você não é o demônio que se esforça para fazer os outros acreditarem que é.
― Tem certeza disso? ― a voz dura de Draco trazia uma ameaça embutida. Trêmula, Hermione levantou-se, disposta a sair dali. ― Onde você vai? ― ele indagou secamente.
― Quando você tenta me irritar ou amedrontar perco toda a vontade de permanecer na sua companhia ― ela respondeu altiva, erguendo a cabeça num gesto de desafio.
― Talvez você deseje a companhia de outro?
― Talvez se eu o visse mais, não me sentiria tão sozinha, meu marido! ― falou entre os dentes.
― Você sente a minha falta tanto assim?
Apesar de perceber a ironia e o deboche da pergunta, deixou os sentimentos virem à tona.
― Sim. E se você prestasse mesmo atenção em mim, saberia o quanto isto é verdade. Foi um prazer ontem, poder passear por suas terras, poder apreciar os arredores de Dunmurrow. Por que não podemos cavalgar juntos? Eu gostaria de lhe mostrar os planos que andei fazendo para a leiteria. A floresta é linda e tem uma cascata bem no meio das...
― Chega ― Draco cortou-a decidido. ― Não me fale sobre o que não pode ser, não me fale sobre o impossível.
― Mas por quê? Por quê? ― Hermione insistiu exasperada. ― Sou sua esposa! Será que você não pode me explicar que motivo é esse que o mantém na escuridão?
― Minha esposa! Uma donzela arrogante, sobre quem eu nunca havia posto os olhos antes, invade meu castelo e exige que a despose do dia para a noite! E você quer que eu confie nela? ― ele riu, o som breve destituído de humor. Havia apenas uma enorme amargura.
A castanha permaneceu imóvel alguns segundos, atordoada pelo sarcasmo capaz de feri-la com a frieza do aço. Como é que pudera pensar que o amava? Tinha ódio de si mesma por imaginar tamanho absurdo.
Agarrando-se a um resto de orgulho, cruzou os aposentos com passadas largas e saiu, batendo a porta com força.
