Ponto de Vista de Edward Cullen
Pela primeira vez eu tive medo de uma mulher que não fosse minha mãe. Pela primeira vez achei que iria ser socado por uma criatura que não passava de 1,65 de altura.
Bella parecia uma pessoa calma. Por fora e no dia a dia sim, mas ela mostrou um lado que eu nem sonhava em conhecer. No dia em que Sophie ficou doente eu queria era que o mundo explodisse, minha dor de cabeça estava a níveis extremos por conta da bebida que eu e Emmett havíamos ingerido naquele pub lotado.
Pra variar, tive que carregar Emm e minha irmã quase o matou. Quando deitei em minha cama e fechei os olhos, foi como piscar e parecia que minha porta estava sendo chifrada por um rinoceronte. Eu realmente achei que só fosse um resfriado, mas fiquei com medo da cara de Bella no Hospital, parecia que Sophie estava á beira da morte, mas o médico nos tranquilizou minutos depois. Claro que eu não pude deixar de perceber que o médico achou que ela era mãe de Soph, consequentemente seria a minha esposa. Olhei a forma como ela aninhava Sophie nos braços, realmente parecia como uma mãe aninhava um filho protetoramente. Ela passaria por cima até do estado de sua própria saúde por Soph, mesmo conhecendo ela apenas um pouco mais de dois meses e que não tinha nenhum laço de sangue ela tratava como se fosse sua irmã menor, ou até mesmo uma filha. Isso não devia me preocupar, mas me preocupou porque Bella não iria morar pra sempre conosco, ela ficaria apenas mais um tempo, encontraria alguém e teria seus próprios filhos. Sophie sofreria muito quando ela fosse embora, pois a minha filha já criara laços com ela.
Quando voltamos, vi que ela não largaria a menina um só segundo. Percebi por que ela a levou para dormir com ela, Sophie passou a dormir no quarto dela todas as noites desde então.
Ainda tinha o detalhe de que na próxima semana ela viria trabalhar como minha secretária e eu estava um pouco agradecido e um pouco preocupado. Ela não tinha experiência, era óbvio, mas Jennie iria ajuda-la, eu tinha certeza disso. Aliás, Jennie havia sido um anjo desde que a ultima secretária, Jade, havia pedido demissão.
Jennie era secretária do meu pai e ele a dividiu comigo por esse tempo.
Hoje eu havia chegado da empresa mais cedo e tomei um banho e sentei em minha cama. A casa estava tão silenciosa que eu podia ouvir a conversa das duas no quarto de Bella.
"Tia Bella, é assim, vira os pés um pra cada lado, agora dobra o joelho."
"Ai meu Deus" – um som de risada que foi provavelmente de Bella ecoou pela casa.
"Isso, agora repete junto comigo, Tia Bella: Demi-plié, Demi-plié" – Sophie dizia com convicção. Ela estava ensinando Bella a dançar Balé.
Ouvi o riso das duas dessa vez.
"Soph, anjinho, a Tia é muito desastrada, não vai dar certo" – mais uma vez risos.
"Então vamos brincar de boneca? Eu te empresto uma" – Até eu ri do modo como Sophie dizia. Não parecia uma criança de apenas três anos.
Depois houve mais alguns burburinhos das duas e resolvi andar um pouco pelo jardim. Peguei meu celular e meu maço de cigarros e fui. Sentei no gramado e observei a vizinhança. Hoje era um dia de calor comum para um começo de julho.
Fumei e fiquei mais um pouco quando vi que já se passava das seis da tarde, entrei e quando passei em frente ao quarto que eu deixava meu piano,abri a porta e o vi lá como sempre, portando acima dele as fotos que eu havia emoldurado logo que me mudei para essa casa.
Suspirei e sentei a frente do piano empoeirado, passei os dedos pelas teclas cheias de pó por não serem mais tocadas. Uma nota e outra foram produzidas e tentei me concentrar em lembrar alguma canção que eu havia escrito quando era aquele desordeiro de 16 anos que vivia no mundo da lua. Escolhi uma que era especial, uma canção que desenvolvi logo após que eu sonhei.
Ela se chamava Let Me Sign.
Cantei essa canção que a muito tempo havia sido esquecida.
Uma coisa estranha aconteceu pela primeira vez. Eu me arrepiei como se tivesse um choque fraco atingindo as minhas costas o tempo todo.
Eu sempre tocava com intensidade, sentindo a música sendo refletida no meu corpo, como se fluísse da minha alma.
No final da canção, fiquei um momento olhando para a minha frente. No final da canção a única coisa, ou melhor, pessoa que vinha a todo momento em minha cabeça era a única que eu queria expulsar por um momento depois daquele momento constrangedor na escada.
Isabella Swan.
Levantei a cabeça e virei meu rosto para a direção da porta que parecia estar aberta . Bella estava parada olhando pra mim. Fiquei pensando se aquilo era uma miragem, pois aquilo provavelmente não aconteceria se fosse real.
—Aconteceu algo, Bella? – sussurrei pra ela
—Não, apenas segui o som. Você escreveu essa música? – perguntou ela com os olhos intensos. Sim, ela ouvira a música inteira e agora devia achar que eu era um retardado ou um maconheiro compositor.
Mesmo assim eu assenti como forma de resposta.
—Ela é linda. – ela disse e nós estávamos nos olhando totalmente em silêncio. Ela não iria me achar um idiota afinal.
Poderiam dizer que castanho era uma cor sem graça, mas é por que nunca viram os olhos dela. Pareciam brilhar a quilômetros, refletiam luz para qualquer lado.
Era a cor mais profunda, me remetendo a um chocolate derretido, liquido e convidativo aos olhos. Percebi também que a cor de seus cabelos eram de uma tonalidade mais escura, de um castanho muito escuro, mas que contrastava com a pele fina, lisa e branca feito giz e neve.
Me aproximei e cada vez que avançava um passo eu percebia que o rubor de seu rosto aumentava a deixando naturalmente linda, perfeita.
Que porra estava acontecendo comigo? O que eu tinha na cabeça, ou melhor, nos pés por que eles não paravam de me levar mais perto dela?
A respiração dela era sôfrega. Ouvia o martelar de seu coração. Ela estaria nervosa? Seriamos dois então.
Mais uma vez deixei meus instintos me dominarem, uma ação altamente perigosa, ainda mais nesta situação.
Como um imã eu me sentia atraído. Ela estava com os olhos muito abertos, e eu chegava cada vez mais perto, até que senti seus olhos se fechando esperando o beijo. Sentia a sua respiração batendo contra a minha totalmente convidativa.
Ouvi o ruído da porta e me virei pra ver.
—Tia Bella? Cadê meu leitinho? – perguntou Sophie entrando no cômodo. Bella ainda continuava com os olhos fechados. Sophie me olhou com a cabeça pendendo para o lado logo que passei ao seu lado.
Que merda eu iria fazer?
Fui pro meu quarto e fiquei por lá esperando minha cabeça esfriar, meu maço de cigarro havia acabado. Eu ficava tentando achar respostas na minha cabeça que deveriam ser certas para o que eu acabara de fazer na sala do piano com Bella.
Não era certo fazer isso, ainda mais com ela que era uma hóspede e futura secretária. E se por um momento, só por um momento ela começasse a esperar isso outra vez?
Isso o que acabara de acontecer havia sido errado. Ainda mais por ser a segunda vez que algo assim aconteceu. Uma decisão a se tomar. Eu ficaria o mais distante possível dela.
Isabella Swan.
