PoV Edward

Quando eu ouvia meu nome dito por ela, parecia que todo o tempo mal aproveitado, a noite mal dormida, e a ansiedade desapareciam. Eu sorri. Ela sorriu, graciosa.

- Chegou cedo. - Ela disse.
- É, perdi o sono. - Disse sentando ao seu lado. - Você também.
- Também nao dormi direito, resolvi vir direto para ca.
- Esta escrevendo o que? - Ela tinha folhas e folhas escritas a mao, em frente a ela.
- Nada, relatório pro curso.
- E você nao frequenta mais o curso?
- Frequento, terças só. O único dia que vocês nao vao me aturar. - Disse dando um sorriso sem graça. - Menos um dia, isso nao é bom.
- Ou o único dia em que você nao vai nos aturar, nao é? - Ri junto com ela, que balançava a cabeça.

Eu precisava ouvi-la falando mais.

- Como foi o domingo? Como foi com a familia?
- Normal, muitos constrangimentos de familia. Nada de novo.
- Eu imagino. Desculpe a grosseria da Alice, eu tentei impedi-la de ligar, mas ela sabe ser teimosa. - Sorri me desculpando.
- Tudo bem, eu pedi para ela ligar.

De repente ela ficou séria, como se estivesse com raiva. O que aqueles olhos escondiam?

- Alguma coisa errada?
- Nao.. nada.
- Pode falar, acho que temos tempo de sobra até o resto do pessoal chegar.
- Só... - ela hesitou - Mike. Ele nao me ligou, nem quando chegou, nem ontem o dia inteiro, nem me atendeu. Nao é por nada, eu nao sou grudenta. Mas ele vai embora amanha e nem se da trabalho de se dar notícias. - Ela disparou, ficando vermelha e com os olhos cheios de lagrimas. Eu nao me contive e passei o braço por seus ombros e limpando suas lagrimas escorridas com os dedos.

- Calma, Bella, ele vai dar notícias. Nao se preocupe. - Ela me abraçou pela cintura, apoiando a cabeça no meio peito. Beijei o topo da sua cabeça. Eu podia ficar ali o resto do dia, e sentia que ela também, pela maneira que me abraçava forte.
- Tudo bem. Ja passou. Obrigada, Edward.
- Você gosta bastante dele, nao é? - Escapou de mim. Ela me olhou pensativa.
- Ele é um bom amigo. Um ótimo amigo.

Amigo. Melhor assim.

PoV Bella

Só comigo aconteciam coisas inusitadas. La estava eu, depois de um dia inteiro de trabalho e "CORTA's!" dentro do meu carro, sem uma gota de gasolina para chegar até minha casa, em um temporal que só podia ter sido castigo mandado diretamente de Forks para me atormentar. Eu batia a cabeça no volante e afundei minha cabeça na buzina.

- Heeeeeeeeeey!! Bella!! Abre essa porta!

Era Edward ja ensopado, batendo no meu vidro. Eu destravei as portas, ele entrou e sentou no banco do passageiro.

- OMG, Edward! Você vai ficar doente. - disse me virando e procurando uma toalha, casaco ou camisa para ele se secar. - O que você ta fazendo aqui?
- Calma, Bella. - Disse ele rindo. - Para onde você estava indo? - Entreguei uma camisa minha que tinha ficado no carro.
- Bem se você quer carona pode desistir, nao tenho uma gota de gasolina nem para eu voltar para casa. - Disse sentando direito novamente no banco.

Ele soltou uma gargalhada sinfônica, olhando incrédulo para a minha cara. Eu estava ficando irritada e vermelha, nao tinha graça, nem ele ficar resfriado, nem eu estar sem gasolina.

- Por isso você bateu a cabeça na buzina? - Ele falou tirando a camisa. TIRANDO A CAMISA. Exibindo seu físico totalmente proporcional e escultural. - Era, Bella? - Foco, Bella, ele te fez uma pergunta, responda. Olhe para o rosto. Foco no rosto. Meu coraçao acelerou descompassadamente, e se antes eu estava vermelha de raiva, agora eu estava roxa, de nao conseguir olhar para outro lugar. Repire, Bella.
Só concordei com a cabeça. Ele colocou a minha blusa, ficando apertada, mas nao curta, porque era uma blusa comprida, que eu usava para dormir geralmente.

- Bem, só se você tiver outro estoque de camisas, a gente sai daqui, se nao, esperamos a chuva baixar e eu te levo em casa.
- Tudo bem.

Depois de ter recuperado a respiraçao, eu joguei minha cabeça para tras e bati com a minha mao na testa.

Calma, Bella, nao vai ser tao ruim me ter aqui por alguns minutos. - Falou dando o sorriso torto que me fazia ficar com a cara de abobalhada. Pisquei algumas vezes, levantei a cabeça e olhei para a janela para ele nao perceber meu deslumbre. - Esta vendo? A chuva parece que vai ceder daqui a pouco. Eu nao sou tao chato.
Tive que rir dessa.
- Nao, nao é. - Olhei para ele.
- Você devia fazer mais isso.
- O que? Nao ter gasolina? - Ele gargalhou.
- Nao, Bella. Devia rir mais. - Senti minhas bochechas ficando quentes quando encarei seus olhos verdes. - Seu sorriso é lindo.
Eu estava tremendo? Estava sentindo o impulso de abraça-lo e beija-lo ali. Mas me controlei. Respirei e abaixei a cabeça. Ele passou o braço pelo meu banco e ficou passando a mao no meu cabelo.
- Eu nao queria te envergonhar mais, mas você ficando vermelha também é adoravel. - Sim, eu ja estava roxa. O que eu iria responder?
- Você também.
- Eu? Vermelho? Nao acho que você ja tenha me visto vermelho de vergonha.
- Seu sorriso. Seu sorriso torto principalmente.
- Ah... - Ele parou de acariciar meu cabelo e pousou a mao na minha cabeça. Eu finalmente ousei olha-lo. Ele olhava para frente, pensativo.
- Eu nao fico vermelha só quando estou nervosa. - Falei tentando dar um tom de discontraçao - Também se eu rio muito, se fico com raiva, ou choro, se faço muito esforço.. - Agora estavamos os dois rindo.
- Acho que posso conviver com isso. Olha, a chuva diminuiu. Nao parou, mas diminuiu.
- Mas e meu carro? Dorme aqui?
- Amanha eu te trago e trago um recipiente com gasolina, pode deixar.
- Obrigada, Edward.

Saímos e entramos correndo no Volvo prata dele. Ele ligou o aquecedor, estavamos congelando.

- E se a gente for em um restaurante antes de irmos para casa? - Eu tinha dois relatórios para terminar ainda. Mas pensei bem, e resolvi que os faria depois, quando chegasse.
- Tudo bem, aonde você costuma ir?
- Eu nao costumo ir a lugar algum, por medo de ser atacado, esperava que você tivesse uma sugestao.

- Sugestao minha? - Pensei por um minuto e olhei para ele, e comecei a rir.
- Posso achar graça também?
- Bem, eu nao acho que eu va dar alguma sugestao de um lugar público com você com a minha blusa. - Ele deu uma risadinha.
- Vai me dar sugestao de um lugar privado? - Fiquei vermelha e desviei os olhos.
- Eu me pergunto se um dia eu vou conseguir te deixar sem graça do mesmo jeito que você me deixa.
- E isso te incomoda? - Disse ele de repente sério e preocupado.
- Nao.. - mordi o labio inferior, ele riu.
- Bem, eu passo na minha casa, troco de roupa e vamos jantar. - Hesitei por um instante enquanto ele ligava o carro.
- Nao vao ter milhões de fotógrafos atras de você nao, né?
- Muito provavelmente.
- Entao é muito provavelmente que eu nao va.
- Bella, nao se preocupe, eu nao vou a lugares tao populares, além de tudo, eu consigo mesas mais.. reservadas. - Meu estômago roncou, ha quantas horas eu nao comia mesmo?
- Ta, tudo bem.

Chegando no prédio dele, ele encostou o carro na calçada e pediu que eu esperasse la dentro. Eu liguei o radio e encostei a cabeça. Olhei pelo retrovisor e ajeitei meu cabelo que ainda estava bagunçado. Resolvi prender num rabo de cavalo e recostei minha cabeça de novo. Ele entrou no carro devagar e só percebi depois dele fechar a porta.

- Dormindo ja?
- Nao, só descansando a cabeça, esta latejando. Meu dia foi cheio.
- Quer que eu busque um remédio para você? - Disse preocupado, me olhando nos olhos.
- Nao, nao precisa. Acho que quando eu comer, passa.
- Tudo bem. - Ele ligou o carro.
- Entao, aonde vamos?
- Podemos ir no restaurante italiano que tem ha duas quadras daqui, e tem o meu preferido. Drive-thru, que podemos ficar comendo no carro no estacionamento.
- Sem paparazzis?
- A nao ser que eles enxerguem atraves do vidro fumê...
- Drive-thru.

Ele riu e aumentou o volume do som. Estava tocando Fidelity, da Regina Spektor, isso me relaxou no caminho, e eu fique olhando ocasionalmente para ele, que fazia o mesmo. Sorríamos e desviavamos.