Nota da Autora: a pedidos de leitoras e ameaças abertas de Sabrina, estou postando o novo capítulo. Espero que gostem. A fanfic alcançou 100 reviews nesse último capítulo postado, só tenho que agradecer a vocês, por me darem esse retorno e apoio. Obrigada mil vezes, e aproveitem!
E... Após
Ginny acordou de forma relutante. Antes de abrir os olhos, achou que ainda era noite, julgando o cansaço que sentia e o sono que ainda predominava em seu corpo. Mas quando ficou consciente, percebeu a claridade tentar invadir suas pálpebras. Preguiçosamente, ela abriu os olhos. E percebeu de imediato que o lugar em que estava não era parecido com o lugar que ela costumava acordar.
Aquele quarto era mais escuro e frio, apesar de a lareira ainda estar acesa. Sua pele arrepiou-se ao constatar onde estava. Ela estava no quarto dele, na cama dele. Estremeceu, temendo algo. Tentou captar algum som de respiração ou até mesmo passos, mas o lugar estava silencioso demais. Com um pouco mais de coragem, ela virou-se na cama, percebendo que estava sozinha no colchão. A porta do quarto estava fechada, e a porta que ficava ao lado do armário também, mas Ginny não escutou nem um som vindo de lá.
Estava só. Completamente só.
Respirou fundo, relaxando todos os músculos que ficaram tensos naquele momento.
Depois que se acalmou, percebeu que uma bandeja estava pousada no colchão. O seu café da manhã estava ali, assim como um frasquinho de vidro. Ela vincou a testa, tentando entender o motivo daquilo.
Não começou a comer de imediato, seus olhos viajaram por toda a extensão da cama, a mão correu timidamente pelos lençóis negros, sentindo a textura do tecido. Lembrou-se da noite anterior, lembrou-se de como eles haviam caído naquele colchão e como os lençóis tinham ficado bagunçados como estavam. Seu rosto pegou fogo, e sua mente trabalhou intensamente para responder a única pergunta que estava ali. Por que ela havia se entregado a um homem como ele de uma forma tão completa?
Lembrar-se da noite anterior fez um arrepio percorrer o corpo dela. Ela fechou os olhos em um momento de raiva, sentindo-se tonta. Colocou o rosto nas mãos e abaixou a cabeça, sentindo as lágrimas agora descerem de forma livre. Não conseguia se controlar, precisava chorar. Precisava aliviar a tristeza, a insegurança e a incerteza que estavam dentro de si.
- Eu preciso sair daqui...
Sussurrou, como se estivesse pensando em voz alta. Continuou a chorar. Não escutou quando o elfo apareceu na sua frente em um estalo. Ele a observou por alguns segundos até coçar levemente a cabeça careca.
- Você não pode sair daqui.
Ginny assustou-se com a voz dele, mas não tanto quanto se ouvisse a voz do lobisomem. Ela olhou para a criatura, que dava de ombros como se estivesse pedindo desculpas pela aparição abrupta.
- Claro que não posso. Sou uma escrava. E uma serva.
- Não é esse o motivo principal. Não para nós, elfos. – ele sorriu timidamente. – A senhora faz bem para o mestre.
Ela não entendeu imediatamente o que ele havia falado, e o motivo de ter falado aquilo. Ginny revirou os olhos, sentindo-se tola. É claro que ela fazia bem ao mestre. Ela varria o chão dele, cuidava daquele castelo imenso e agora estava se tornando sua escrava sexual. O elfo percebeu o rumo dos pensamentos dela. Não era segredo para mais ninguém o que ela estava fazendo ali no quarto dele, nua em sua cama. Ele gesticulou.
- Oh, não, pequena senhora. Não falo em relação a isso... – ele não continuou a frase. – Há muito tempo o mestre não tem um contato diário com humanos. Há muito ele não aprecia a companhia de ninguém.
Ginny demorou a processar a última frase. Olhou para o elfo, buscando um vislumbre de mentira nas orbes imensas e claras. Mas não achou.
- O que Greyback disse para você?
Ela perguntou diretamente. O elfo não falaria aquilo gratuitamente. Ele olhou para o lado, como se estivesse procurando algum objeto no quarto. Puxou a golinha suja da veste e ela percebeu que ele tinha ficado nervoso com a pergunta. Na certa falara demais.
- A senhora precisa tomar o seu café da manhã e sua poção, para depois sair do quarto do mestre.
- Por que ele me deixou dormir aqui?
Ela perguntou, acuando o elfo ainda mais. Ele ficou ainda mais nervoso.
- Não posso falar.
Não esperou Ginny responder, desaparatou, deixando a garota sozinha no quarto. E cheia de perguntas na mente.
Andava pelo castelo quase com enfado. Ficar o dia inteiro trancada ali não estava lhe fazendo bem. Sentia falta de andar no Beco Diagonal, ou até mesmo em Hogsmeade. Sentia falta de ver pessoas, conversar com elas. Não fora privada disso desde que entrara ali, fora privada disso desde que a guerra começara e ela fora obrigada a se esconder.
Ela entrou na biblioteca e foi diretamente para o armário de vidro, pegando novamente os livros que ela achou mais interessantes e abrindo-os para voltar a fazer suas pesquisas. Apesar de claramente serem livros raros de licantropia, nenhum tirava as suas dúvidas.
Por que Fenrir Greyback era daquela maneira?
Já estava quase desistindo quando passou a página e percebeu ali informações dos aspectos físicos de um lobisomem. Nada daquilo era novo. Um lobisomem só se parecia com um lobisomem quando se transformava. Eram homens comuns, apesar de serem alvos de preconceito e normalmente terem mais cicatrizes do que um jogador de Quadribol. Mas Greyback não. Uma pessoa obtusa que olhasse para ele perceberia no primeiro momento que havia algo errado com ele. Ele não era um homem comum, e se uma pessoa tivesse um mínimo de acesso às informações básicas da licantropia, ao fitá-lo, perceberia que ele era um lobisomem.
Ela bufou, passando a página que não continha nenhuma informação nova. Na página seguinte havia uma série de fatores que explicavam as características psicológicas dos lobisomens. Ela se interessou por aquilo no mesmo momento, e se surpreendeu quando os olhos correram por uma informação valiosa.
"Apesar dos estudiosos considerarem um rumor, há relatos de lobisomens que aceitavam o seu lado lobo melhor do que o seu lado humano, transformando-se assim completamente, e aos poucos, na besta."
Ela estremeceu ao ler isso. Aquilo poderia ser uma explicação para o que Fenrir representava. Ele estaria se transformando completamente em lobo? Besta. Ela não gostava daquela palavra. Sabia que lobisomens eram seres perigosos, mas não gostava de estereotipá-los assim. Lupin era um lobisomem e fora um dos melhores homens que ela conhecera.
Pensar no seu professor e amigo fez com que uma sensação estranha percorresse seu corpo. Saudade, talvez?
Aquele assunto lhe fazia mal. Ela fechou o livro e guardou todos que retirara no armário de vidro. Levantou-se do chão e saiu da biblioteca, sentindo uma falta de ar repentina. Caminhou até as escadas, descendo os degraus rapidamente. Ela saiu do castelo, andando calmamente até os jardins, respirando profundamente para sentir o cheiro das flores daquele lugar.
Um elfo apareceu ali, olhando-a com calma. As vestes sujas balançavam levemente por causa do vento forte do lugar.
- O mestre pediu a sua presença na parte da noite.
Ela assentiu e o elfo virou-se de costas. Antes que ele pudesse aparatar, ela o chamou.
- Faltam quantos dias para a lua cheia?
- Dois, minha senhora.
Ele respondeu, desaparatando. Ela permaneceu ali, apenas sentindo o vento bater em seu corpo, fazendo com que o vestido voasse levemente, assim como os cabelos.
Do terceiro andar, Fenrir observava a garota com atenção. Ela gostava daquelas flores. Disso ele não tinha dúvidas. Perguntou-se o motivo daquilo. Não achava graça nenhuma em plantas, e se pudesse arrancaria todas do castelo.
Ele respirou fundo, olhando para o frasquinho que estava na sua mão. O objeto parecia minúsculo na palma enorme.
Era o último dia da poção. No dia seguinte ela poderia voltar a cuidar do castelo.
Ele pensou seriamente em mandar tudo aquilo à merda. Não a queria varrendo o chão do castelo. Queria a garota no seu quarto.
Todas as noites.
- Queremos ver nossa filha, Snape.
Arthur disse com convicção, olhando o antigo professor de Hogwarts de forma séria. A seriedade que havia nas orbes do patriarca da família Weasley antigamente poderia ser até mesmo rara, mas aquilo estava ficando cada vez mais frequente.
Snape virou-se, olhando para Molly e Arthur quase com hostilidade.
- Não posso fazer nada por vocês nesse momento. Mas garanto que sua filha está bem.
- Como? Ela está trancada com Fenrir Greyback.
Snape rezou a Merlin, pedindo paciência mentalmente. Naquelas horas, queria reviver Dumbledore e matar novamente aquele velho. Onde ele se enfiara por causa da sua promessa tola em proteger Harry?
- Eu acho que vocês não precisam ver Ginny Weasley, e sim cuidar mais de suas vidas. – ele virou-se novamente para a janela, fitando a rua erma lá fora através do vidro. – O Lorde das Trevas ainda está no poder. E mesmo que todos estejam se recuperando da guerra, vocês precisam manter isso em mente.
Os ruivos fitaram o chão, não questionando Snape. Sabiam que o moreno tinha razão. Molly tentou um último apelo de uma mãe desesperada.
- Snape, pelo menos tente tirar minha filha de lá...
- Não posso. - cortou-a sem pestanejar. Aquilo não era nem mesmo uma hipótese. Ele não tiraria Ginny Weasley de perto de Greyback naquele momento nem se pudesse fazer aquilo. – Se o que eu estou pensando der certo, teremos um grande aliado se houver uma luta aberta.
Ninguém entendeu o que ele quis dizer. Arthur vincou a testa ligeiramente e olhou para Snape com atenção, fazendo a pergunta que todos ali queriam fazer.
- O que você quer dizer com isso?
Snape não respondeu, e todos sabiam que ele não responderia. Nem ao menos se deu o trabalho de desconversar.
Eles nunca entenderiam.
Ginny entrou no quarto de Greyback de forma relutante horas depois. De todas as noites que entrara por aquela porta, aquela noite era a que ela estava mais nervosa. Ela não sabia responder o porquê, mas julgava ser medo. Dela mesma.
Quanto mais convivia com aquele lobisomem, quanto mais o experimentava, mais o temia, mesmo sabendo que até aquele momento ele não fizera nada de mal a ela. Fisicamente falando.
Ela fechou a porta atrás de si e andou calmamente até a poltrona, onde ele normalmente estava sentado. Ele usava as mesmas roupas que costumava usar na parte da noite. Apenas um short rasgado negro e uma blusa aberta ao corpo. A luz da lareira batia no corpo dele, deixando os músculos do seu abdômen ainda mais evidentes. Ele girava o frasquinho da poção dela com a mão enorme, o vidro passando pelos dedos quase graciosamente.
Ele a olhava com atenção, os olhos cinzentos praticamente a possuindo. Ginny percebeu algo diferente ali. Os olhos dele pareciam um pouco mais amarelados. Mas ela julgou ser apenas a luz da lareira.
- Essa é a última dose da sua poção. Amanhã você poderá voltar aos seus afazeres...
Ele deixou no ar, olhando-a com atenção. Fenrir percebeu a fisionomia de alívio percorrer o rosto dela. Ela se sentiu animada no mesmo momento. Por mais que varrer o chão de todo o primeiro andar e ajudar na cozinha pudessem ser trabalho para elfos domésticos, ela preferia aquilo a ter que visitá-lo todas as noites.
Fenrir entregou a poção para a garota, que se surpreendeu com o gesto dele e se aproximou timidamente, pegando o frasco da mão dele. Ele nunca dava a poção para ela daquela forma, gratuita. Antes que ele pudesse tomá-la de si, Ginny a bebeu, sentindo seu corpo revigorado rapidamente, a tonteira já não estava mais presente e as dores musculares foram anuladas. E ficaria assim para sempre.
- Posso ir?
Ela perguntou, tentando soar calma. Tentou também enfiar na cabeça que aquela pergunta era uma pergunta comum. Fenrir sorriu maliciosamente para ela.
- É claro que não.
Ginny estremeceu, sentindo-se tola no mesmo momento. Ele sempre parecia estar um passo a frente, e ela sempre precisava ter cuidado com todas as atitudes que tomava ali, dentro daquele castelo. Aquilo era ridículo. Fechou as mãos em punhos e o olhou quase com hostilidade.
- Então por que me deu a maldita poção?
Provavelmente para deixá-la com esperanças de que ela poderia, pelo menos naquela noite, sair daquele quarto.
- Não preciso da poção para conseguir o que eu quero. – ele sorriu novamente. – Você sabe disso.
Ela tentou se controlar.
- Claro, você sempre pode usar a violência. Ou a ameaça.
Ele não respondeu, apenas fez uma careta estranha como se estivesse dizendo a ela que aquilo era tolice. Inclinou-se rapidamente na poltrona e sua mão enorme envolveu o pulso fino e frágil dela, puxando-a quase com violência para ele. Ela caiu em cima do colo dele, sentindo a pele quente dos braços dele envolvê-la.
A mão dele foi em direção ao colo dela, os dedos correndo levemente pelo contorno dos seios, sentindo a textura macia que a pele dela possuía. Ele cravou os olhos cinzentos ali, no mesmo momento em que murmurava.
- Não preciso usar a violência. Não com você... percebi isso na noite anterior.
Ginny sentiu uma vontade imensa de sair dali, de empurrá-lo ou estapear o rosto dele. Mas por algum motivo mais forte, um motivo que ela não conseguiu compreender, ela permaneceu onde estava, apenas sentindo os dedos dele acariciarem levemente o decote dela.
- Diga-me, garota, o que sentiu quando lhe toquei na noite anterior?
Ele perguntou, visivelmente divertido quando percebeu o rosto dela corar. Ginny mordeu a língua para não xingá-lo ali mesmo. Tinha certeza de que ele fazia aquele tipo de pergunta para humilhá-la ainda mais, pois, por mais que tentasse apagar aquilo de sua mente, ela havia gostado e muito da noite anterior. Apreciara cada toque dele. Mas nunca iria dizer isso em voz alta, então permaneceu em silêncio.
- Me responda.
Ele ordenou, e dessa vez ela sentiu um pouco da impaciência mesclada à ordem. Não quis tentar a sorte de não respondê-lo.
- Não senti nada.
No mesmo momento ela sentiu as alças do seu vestido deslizarem livremente pelo ombro. O tecido caiu de forma graciosa pelo corpo dela, permanecendo em sua cintura. Fenrir olhou com atenção o que havia descoberto, seus olhos ficando um pouco mais escurecidos quando percebeu a respiração descompassada da garota. Ele levou uma mão ao seio dela, apertando-o levemente apenas para provocá-la.
- Não sentiu nada?
- Não.
- O seu corpo me diz o contrário.
Ele apertou um pouco mais o seio dela, no mesmo momento que sua outra mão corria levemente pela cintura delicada que ela possuía. Ginny tentou se controlar.
- O meu corpo não condiz com a minha mente.
Ele riu levemente, fazendo o hálito quente bater no colo dela. Aproximou-se dela alguns centímetros, olhando-a com atenção.
- Sorte sua que estou interessado apenas em seu corpo.
Ela não teve tempo de responder, os lábios dele esmagaram os dela no mesmo momento, a língua a invadindo rapidamente. Ginny não conseguia pensar em nada quando ele estava a tocando, as mãos enormes deixavam um rastro quente e dolorido por cada lugar que ele as passava, a língua dele era um pouco áspera, mas ela sentia um sabor diferenciado quando o beijava. Um sabor que beirava o proibido.
As mãos dele rasgaram o vestido dela com facilidade. Ele jogou os restos do pano para o lado, um dedo a encontrando no mesmo momento em que ele descia a boca dele pelo pescoço dela, mordiscando levemente a pele ali. Ela fechou os olhos, tombando a cabeça e pousando suas mãos trêmulas nos ombros largos dele. Ficaram assim por algum tempo, ele a estimulando de todas as maneiras, ela sucumbindo pela terceira vez sem conseguir se refrear.
Pois ela não ouvia sua mente, não ouvia sua consciência e nem mesmo a sua distinção de certo e errado. Ginny ouvia apenas o seu corpo, e naquele momento estava mais do que claro que o seu corpo estava pedindo pelo corpo dele de forma quase desesperada.
Ele se livrou da lingerie dela também com facilidade, no mesmo momento em que ela sentia o membro dele a prensar em sua parte mais sensível. Ela arqueou as costas, indo assim em direção ao corpo dele, e Fenrir aproveitou-se daquela entrega para tomar um dos pequenos seios com a boca, sugando com voracidade um dos mamilos.
Ginny abriu a boca, um gemido nada contido saindo de sua garganta. Aquilo quase o deixou louco, mas ele preferiu canalizar aquilo em seus movimentos. Os braços fortes a pegaram com facilidade, levantando-a. Ela o enlaçou na cintura, parte dela temendo cair daquela altura, a outra apenas querendo senti-lo mais. Nunca iria cair, ele a segurava com tanta tranquilidade e segurança que ela se surpreendeu quando ele abriu os braços e seu corpo bateu no colchão macio da cama.
Ela espalmou as mãos ali, no mesmo momento em que ele se livrava da pouca roupa que vestia. Ela pegou-se ansiando por aquele momento, o momento em que ele a cobriria com aquele corpo enorme e vulgar, fazendo-a sentir o peso que seus músculos possuíam, deixando-a a beira da loucura. E ele não a decepcionou.
Ele se aproximou da mesma forma selvagem com que se aproximara nas noites em que a tomara, e ela espaçou as pernas para recebê-lo. Fenrir pegou o seu membro, passando-o pela entrada dela e sentindo ali a umidade em que ela se encontrava. Fechou os olhos, um rosnado animalesco saindo de sua garganta.
- Hum...
Ele parecia apreciar aquela sensação, mas não demorou muito a penetrá-la. E ela o agradeceu por isso. Queria senti-lo novamente, queria que ele a tomasse daquela maneira que ele sempre a tomava, uma maneira única que ela sabia que não encontraria em nenhum outro homem. Uma maneira que ela descobriu ser peculiar demais, algo dele.
Ele começou os movimentos, no mesmo momento em que beijava toda a extensão do pescoço dela. Ele não estava entendendo muito, a provocara até o último momento e a garota se demonstrara furiosa, mas aquela fúria havia acabado no momento em que ele a tocou. Ela agora estava entregue, como se dissesse a ele por meio dos gestos e atitudes que ela era dele naquele momento. Naquele momento.
Ginny fez o que mais queria fazer desde o primeiro momento em que ele a penetrara pela primeira vez, desligar sua consciência completamente e aproveitar tudo aquilo. Suas mãos correram pelas costas largas dele, sentindo ali os músculos comprimidos, correndo os dedos pelas cicatrizes enormes que ele possuía ali. Eram muitas, e ela sentiu cada uma.
Ele abriu os olhos quando sentiu os dedos dela correrem pelas suas cicatrizes, os olhos dele a observaram com extrema atenção, e aquilo quebrou um padrão das noites anteriores. Pareciam conversar através dos olhares. Ginny percebeu que os olhos dele estavam sim, mais amarelados, e que não fora a luz da lareira que os fizera ficar assim, como ela achou anteriormente.
Mas fitá-lo assim, daquela forma, enquanto ele a invadia, a tomava para si, era extremamente incomum e desconcertante, mas uma onda grande e incontrolável de excitação arrebatou o corpo dela de uma forma intensa. Ela sentiu todos os seus músculos retesarem, no mesmo momento em que chegava ao seu prazer completo.
Vê-la assim, amolecendo nos braços dele, as pernas trêmulas em sua cintura, deixou-o quase sem ação. Não sabia por que gostava tanto quando ela estava entregue, vulnerável. Mais vulnerável do que quando ela entrara ali.
Ele aumentou a velocidade do seu quadril e com apenas um movimento chegou ao seu próprio prazer, derramando-se nela. Permaneceram imóveis. Ela ainda o sentia dentro dela, e foi naquele momento que ele a fitou novamente, os olhos escuros começando a clarear, como se o corpo dele estivesse sob algum feitiço. Ela não entendeu aquela mudança física. Assim como ele não entendeu o motivo de achar os olhos dela tão diferentes naquela noite. Talvez por que nunca tivesse a fitado enquanto a possuía?
Ficaram em silêncio por algum momento. Segundos depois, ele se afastou dela, desabando o corpo enorme ao lado do dela. A respiração ruidosa dele e a madeira crepitando na lareira eram os únicos sons que cortavam o silêncio do quarto. Ela não sabia se o fitava, se pedia permissão para sair dali, ou se continuava deitada naquela cama como se fosse algo normal.
Ela sentia todo o seu corpo tremer e uma vontade incontrolável de chorar. Mas não sabia o real motivo. Não era tristeza, desespero e nem mesmo medo. Era algo diferente. Algo que ela nunca sentira, e que não conseguiria lidar naquele momento. Talvez nunca.
Antes que pudesse sentir as lágrimas abandonando o seus olhos para correr pelo seu rosto, já estava dormindo.
