CAPÍTULO NOVE

— E depois, o que aconteceu? — Sango estava quase caindo da cadeira, enquanto ouvia a história de Kagome. Estavam na biblioteca, supostamente preparando as respectivas aulas.

Kagome ficou com o rosto vermelho, enquanto se certificava de que não havia ninguém ouvindo a conversa.

— E aí ele desmaiou.

A risada estridente de, Sango causou um silêncio imediato por todo o recinto. Todos os alunos se viravam para olhar a professora que havia quebrado as leis do sagrado silêncio da biblioteca. Ela demorou alguns segundos para recobrar o controle.

— Eu não te disse que não era uma boa idéia se envolver com esse homem? — opinou ela, em voz baixa.

— Mas você tinha que ver como ele estava constrangido depois que acordou. — Kagome não pôde conte um sorriso ao se lembrar de Inuyasha tentando convence-la de que não havia desmaiado.

— Espero que, pelo menos, tenha dito umas poucas e boas antes de expulsa-lo da sua casa.

— Não, fiz o jantar para ele.

— Como é? — perguntou indignada.

Kagome ergueu os ombros, sem argumentos. Gostaria de conseguir explicar os sentimentos raros que Inuyasha lhe inspirava — desejo, doçura, satisfação pela óbvia atração que ele sentia por ela e frustração por ele não conseguir materializar aquela atração e passar a primeira etapa. No entanto, Inuyasha tinha muito potencial e essa era a esperança de Kagome...

— Não vai me dizer que continua com aquelas aulas estúpidas às sextas-feiras?

— Tenho sido uma ótima professora, se quer saber. Tenho a importante missão de transformar esse homem em um amante inesquecível.

— Você é louca.

Talvez fosse, mas sabia que tinha a paciência e a habilidade necessárias para ajudar Inuyasha. E havia um lado egoísta dela que queria ensinar a ele exatamente tudo para satisfazê-la.

— Ele vem aqui conversar com os alunos sobre jornalismo. Você vai poder conhecê-lo.

— Vai ser algo imperdível. Conhecer o cara que desmaiou ao ver uma mulher pelada. — Sango balançou a cabeça, contrariada.

— Mudando de assunto, ouvi dizer que o senhor Masters está saindo da escola. — Masters era o professor de educação física.

— Eu soube. A esposa foi transferida para a Flórida e os dois estão se mudando.

— Quem será que vai tomar o lugar dele?

—Faça como eu. Imagine um senhor de sessenta anos, casado e com mau hálito. Assim, você nunca vai se decepcionar.

Acho que ele é tímido.

Sango olhou para ela, confusa.

— A gente nem sabe quem vai entrar ainda.

— Estou falando do Inuyasha. Acho que ele é muito tímido. Agora, estou aqui pensando se ele vai conseguir encarar um bando de adolescentes abusados e barulhentos.

— Agora é tarde. — O sinal tocou, anunciando o início da próxima aula. Sango pegou os livros e se levantou.

— Diga para ele comer antes de vir E avise para as! meninas para irem bem cobertas. Qualquer umbigo de! fora ou decote mais ousado pode acabar causando um ataque cardíaco no homem.

Kagome não ligou para os exageros da amiga, mas achou melhor se precaver e formular algumas perguntas com: antecedência e preparar um exercício para os alunos e, um exercício de casa, para o caso de que Inuyasha acabasse? se enrolando.

Ele parecia o candidato perfeito, durante o jantar da noite passada. Estava bastante entusiasmado com o livro. Mas talvez tivesse se precipitado ao convidá-lo. Agora já não sabia se havia feito a coisa certa.

Aliás, não sabia um montão de coisas. Como, por exemplo, onde ele havia aprendido a beijar tão bem. E se tinha um beijo naturalmente gostoso como poderia não sei um bom amante? Talvez fosse, apenas lhe faltasse autoconfiança. Quem sabe, no passado uma mulher terrível tivesse causado algum trauma no pobre rapaz. Independentemente do motivo, ela estava determinada a dar a ele a confiança e as habilidades necessárias.

Ao voltar para casa, ainda estava matutando uma forma mais sutil de seduzi-lo. Verificou a caixa do correio e, para sua surpresa, havia uma carta de Inuyasha. Pensou que talvez fosse um bilhete pedindo desculpas. Ela desejou que não falasse nada constrangedor. No entanto, a carta não mencionava uma palavra sobre a noite passada. O papel em suas mãos era um esquema da conversa que ele planejava ter com os alunos de Kagome.

Havia algumas perguntas sobre o tema e uma sugestão de exercício em sala. No final, havia um recado para ela. Não prometo nada, mas, se houver interesse de alguns dos alunos, posso tentar conseguir uma visita à redação de um jornal. Talvez um ou dois pudessem escrever um artigo e eu tentaria conseguir com que fossem publicados. O que acha?

O que ela achava? Que queria beijá-lo naquele exato momento. Os alunos iriam adorar a idéia de fazer um tour em um jornal de verdade. E a possibilidade de ter seus textos publicados seria um incentivo para os alunos aplicados e talentosos.

Sim, não tinha dúvidas de que queria dar um beijo em Inuyasha. Estava evitando lembrar-se do beijo fogoso da noite anterior e de como tinha sido gostoso estar nos braços dele. Mas a cena de Inuyasha caindo em cima do tapete da sala, enquanto ela estava ali parada, nua, na frente dele, conseguia ser tão forte quanto o beijo.

Se Inuyasha quisesse vê-la nua novamente, teria que decorar aquele manual de cor e salteado. Pois ia necessitar de toda a técnica que um homem pudesse conhecer para convencê-la a se despir outra vez.

Depois de dormir como uma pedra durante toda a noite, Inuyasha acordou ao meio-dia e se arrependeu de não ter continuado dormindo. A primeira lembrança que lhe veio à cabeça foi o vexame na casa de Kagome.

Tentando amenizar a tragédia, acabou tendo que implorar para seu editor que o deixasse levar algumas crianças para a redação. O preço por aquele favor foi a tarefa de escrever um artigo sobre a importância do leite materno.

Primeiro, achou que o editor estava de brincadeira, mas as fotos já estavam prontas e a matéria anunciada para a edição seguinte. Porém, a redatora responsável pelo texto estava grávida e tinha entrado em trabalho de parto naquela semana e se encontrava com o recém-nascido, no hospital.

Acabou sobrando para Inuyasha, que aceitou para que os alunos de Kagome pudessem conhecer a redação e, também, para que uns dois textos fossem publicados no suplemento de bairro.

O preço a pagar era alto. Um artigo sobre seios seria mamão com açúcar, mas leite materno? Inuyasha ia ter que participar de uma reunião com mamães e seus recém-nascidos, na quarta-feira e escrever o artigo na quinta.

No entanto, ao ouvir uma batida na porta, sabia que seu esforço não havia sido em vão. Abriu-a. Como suspeitava, Kagome estava do outro lado. Não tinha nem passado em casa ainda, pois carregava a bolsa da escola e a correspondência.

— Oi — ela disse.

— Olá — ele respondeu, pedindo para que ela entrasse, mas ela hesitou.

— Tudo bem — ele a tranqüilizou. — Hoje eu tomei café-da-manhã e almocei.

A brincadeira funcionou, pois ela caiu na risada e relaxou.

— Deixa de ser bobo, vim apenas agradecer pela carta.

— Acha que a abordagem é a correta?

Ela sorriu. Por que nenhuma de suas professoras da escola era tão bonita? — pensou Inuyasha.

— Está perfeito. Mesmo. Todo ano tento marcar uma visita, sem sucesso. Como conseguiu?

Ele deu de ombros, tentando não se lembrar da sessão de amamentação da quarta-feira.

— O editor me devia um favor. Olhou-o desconfiada.

— Pelo visto, agora quem te deve um favor sou eu.

— Não. — Ele deu um passo à frente, querendo tocá-la, mas sabendo que não podia. — Não. Eu... você foi incrível ontem à noite. Me alimentou, me agüentou falando sem parar sobre o meu livro. — Sem conseguir se controlar, tocou em um dos cachos de cabelo de Kagome que caíam sobre o ombro. — Foi muito gostoso.

Ela parecia esconder um sorriso.

— Também gostei.

Sentia a tensão entre os dois e podia jurar que ela ansiava por aquele beijo tanto quanto ele.

Depois de alguns segundos de intensa troca de olhares, Kagome piscou rapidamente.

— Bem, já vou indo.

— Você malhou hoje? —: Inuyasha queria prolongar aquele encontro.

— Fiz 78 abdominais, de manhã, e 20 flexões.

— Muito bem. Como seu personal trainer, diria que precisa de uma corrida para completar. O prêmio pode ser uma pizza.

— Odeio correr.

Ele deu de ombros.

— Mas é o seu casamento — brincou.

Mordendo os lábios, parecia indecisa se deveria dar mais uma chance a ele ou não.

— A gente se encontra em frente ao prédio em quinze minutos.

— Qual sabor de pizza prefere?

— Como?

— Vou pedir agora e na volta da corrida a gente pega.

— Ah, tanto faz.

— Vou pedir uma bem caprichada já que a corrida vai ser daquelas.

Kagome riu e saiu corredor afora.

Quinze minutos depois estavam os dois na porta do edifício. Ela estava linda de shortinho de corrida, uma camiseta branca e tênis. Alongaram um pouco e partiram. Cruzaram a rua principal e foram correr no parque Volunteer. Havia chovido mais cedo e o ar estava fresco e úmido. Na volta da corrida, Inuyasha se sentia relaxado e satisfeito e Kagome tinha as bochechas saudavelmente rosadas.

No caminho de casa, passaram pela pizzaria. Inuyasha saiu do local carregando uma enorme embalagem que a fez dar uma risada.

— Estou faminta — ela disse, ao chegarem no apartamento de Inuyasha.

— Eu também. — Porém, seu corpo não tinha fome apenas de pizza.

Enquanto ela estava no banheiro, ele ligou a televisão para assistir ao jornal. Quando ia apagar a televisão, ao vê-la chegar, Kagome pediu que deixasse ligada.

— Não, está bem. Não tive tempo de ler o jornal hoje de manhã.

Então, sentaram-se lado a lado no sofá, com a embalagem aberta na mesa de centro, em frente, e devoraram a pizza enquanto assistiam às notícias. Foi surpreendentemente descontraído e, apesar de ele preferir um outro tipo bem mais íntimo de exercício, aquelas horas com Kagome haviam sido muito agradáveis. Percebeu, com certo espanto, que estavam ficando amigos.

Quando o jornal acabou, uma novela começou em seguida e ambos balançaram a cabeça com ar de reprovação. Inuyasha desligou a televisão e ligou o som. A música que tocava era lenta e suave. Não poderia ter sido mais conveniente para a ocasião.

Com a televisão desligada, o clima ficou um pouco tenso. Kagome apanhou mais um pedaço de pizza. Inuyasha suspeitou que o ato foi mais para se ocupar do que por Tonie. Na primeira mordida, um pedaço de champignon caiu da pizza e parou em cima da coxa de Kagome.

Ela foi apanhar o pedaço, mas Inuyasha a deteve.

Deixa que eu pego — ele disse, sedutoramente.

Foi o que fez, porém sem utilizar as mãos, mas sim a boca e os dentes. A pele dela era macia e sensível e ela sentiu cócegas quando ele abocanhou o pedaço de cogumelo. Um vestígio de molho de tomate foi suficiente para que ele voltasse para a coxa, porém, dessa vez com a língua. A risada de Kagome foi se transformando em um suspiro, enquanto a língua passeava pela parte interna da coxa. Ela estava quente e levemente salgada por causa da corrida que haviam feito. Enquanto a língua se ocupava da expedição, as mãos aproveitaram para se descobrir novos terrenos, pela beirada do shortinho de corrida.

— O que você está fazendo? — O tom ofegante dela o deixou ainda mais excitado. Ele entendeu muito bem as palavras por detrás da pergunta: sim, continua. Capítulo cinco, aí vamos nós!

— O champignon saiu andando. — Ele resolveu explorar as bordas do short com o nariz, mas ela o deteve, empurrando-o levemente pela cabeça.

— Preciso tomar um banho.

Para quê?, perguntou-se Inuyasha. Um pouquinho de suor é até melhor. Adorava aquele cheiro de mulher tão único e excitante. No entanto, havia crescido com três irmãs e sabia como as .mulheres eram unânimes nesse quesito. Achou melhor não argumentar. Resolveu mudar de tática, desistiu da parte interna da coxa e foi para o umbigo. Para sua sorte, ela não protestou.

A barriga de Kagome era deliciosa, sequinha, mas com as curvas certas. Lá ficou, cheirando-a e beijando-a, enquanto, com as mãos, ia onde sua língua havia sido proibida de entrar.

Deslizou por dentro do short, chegando na extremidade da calcinha e pôde sentir o nível de excitação de Kagome. A constatação levou o desejo de Inuyasha para as alturas. Não agüentou e rompeu a barreira, deixando que seus dedos deslizassem por debaixo da calcinha. Encontrou o paraíso: uma zona quente, encharcada de desejo.

— Oh — ela gemeu baixinho, enquanto Inuyasha a acariciava em seu ponto mais íntimo, excitando-a no centro do prazer.

— Gosta que te toque assim? — Ele sussurrou.

— Oh, hum. Adoro. — Deixou que o dedo escorregasse mais fundo, bem lentamente e sentiu a carne quente se contraindo, enquanto ela gemia. Ele queria beijar os seios e a boca de Kagome, mas achou melhor ir por partes, fazer uma coisa de cada vez, para fazer bem feito. A língua permaneceu no umbigo, provocante.

Ela, agora, agarrava-o pelos cabelos, aparentemente, alheia aos próprios atos, absorta num mundo de êxtase e volúpia. A respiração acelerava cada vez mais conforme ele a levava mais e mais ao limite. Inuyasha não agüentou, precisava olhar o prazer no rosto dela, beijar seus lábios. Fez com que ela se deitasse e ficou ao lado, na beirada do sofá.

Ela estava de olhos fechados, as bochechas rosadas e os lábios entreabertos. Ele a beijou com paixão, reproduzindo com a língua o que havia feito com os dedos no interior do corpo de Kagome. Os cabelos de Inuyasha permaneciam entre os dedos dela. Os músculos do corpo de Kagome estavam cada vez mais contorcidos e tencionados até que, de repente, ela chegou ao clímax, liberando toda a energia. Ele continuou a beijá-la, enquanto a admirava em estado de inércia e deleite.

— Não devia... ter deixado isso acontecer. Era para que eu tivesse dado uma aula. — Ela o olhou, meio tímida, meio grata. —Além disso, você não deve estar muito confortável na ponta desse sofá — observou.

Era verdade, Inuyasha estava quase caindo.

— Lá no quarto tem uma cama enorme. Dá e sobra para nós dois.

Ela torceu o nariz.

— Estamos suados da corrida. Ele sorriu maliciosamente.

— Vamos ficar ainda mais suados.

Kagome riu e então balançou a cabeça, passando a mão pelo rosto de Inuyasha.

— Tenho que pensar melhor sobre isso.

No dia anterior, ela havia se despido para ele e agora estava indecisa. Não era justo. Se algum dia fosse atualizar seu manual, acrescentaria um capítulo sobre a importância de se comer regularmente para não desmaiar e perder a oportunidade dos sonhos de um homem.