Capítulo 11

De volta ao veículo temporário, Booth abriu a porta do passageiro. Eles andaram em silêncio, por todo o terminal até o carro, a postura rígida de Brennan um sinal de seu incômodo. Agora, ela estava de costas para ele, olhando de cara feia para a segurança do aeroporto a observava, achando a situação toda histericamente divertida.

"Se prometer ser uma boa menina, pode sentar na frente comigo," Booth ofereceu, jogando a bagagem dela na traseira.

Ela se virou e finalmente quebrou o silêncio. "Quando vai tirar isso de mim, Booth? Isso não é divertido de forma alguma."

"Você está sob custódia, Bones. Isso seria quebrar o protocolo."

"Você sabe que não vai continuar com isso, então, talvez queira me libertar agora."

Ele a apressou para entrar na SUV. "Quais eram as chances de eles me darem o mesmo veículo que tenho em DC?" ele perguntou, tentando se distanciar do assunto.

"Provavelmente, têm um acordo com a fábrica, Booth," ela suspirou, lutando para entrar, ainda algemada.

Booth segurou firme a cintura de Brennan, enquanto ela tentava se manter ereta, então, se inclinou, e puxou o cinto ao redor dela, de repente se achando numa posição potencialmente comprometedora, quando virou a cabeça, deixando-a a meros centímetros dos seios dela. Ele tateou por um segundo, até prender o cinto, e rapidamente se ergueu.

"Elas eram para mim?" ela perguntou, apontando o ramo de narcisos, à sua frente.

"Eram," Booth admitiu, ríspido, enquanto se sentava no banco do motorista.

"Está cheirando comida tailandesa aqui," ela observou.

"Está." Ele virou a chave na ignição e saiu do terminal, não olhando para ela, nem uma vez.

Após alguns minutos em silêncio, Temperance falou. "Sinta-se à vontade para encostar a qualquer hora, para tirar essas algemas de mim."

Booth ignorou o pedido dela, focando-se na rodovia, ao invés. Ela virou a cabeça e observou o tráfego.

"Então, vai me contar sobre o que era aquilo lá atrás?" ele perguntou, finalmente.

"Não sei o que quer dizer." Ela mentiu.

"Por que recebi uma ligação de Angela dizendo que você estava voltando para DC."

"Não importa agora."

"Sim, importa."Booth insistiu, firme.

Ela o olhou, curiosa. A atenção de Booth continuava na estrada à frente. Ele não olhara para ela nem uma vez, desde o aeroporto. Isso estava começando a parecer familiar. O olhar dela continuou nele, e ela observou sua mandíbula se contrair. Ele estava com raiva dela?

"Por que não olhava para mim, mais cedo?" ela perguntou, suavemente.

Sua cabeça se virou, para olhá-la. "O que?"

"Depois que falou com Perry. Você não me olhava mais. Quando voltou ao quarto, agiu como se eu nem estivesse lá."

"Expliquei que precisava ir," Booth argumentou. "Eu disse que voltaria assim que pudesse."

"Poderíamos estar falando ao telefone, Booth. Você estava tão distante." Temperance olhou para a estrada. "Booth, perdemos a saída para o motel."

"Não é para lá que vamos." Ele respondeu. "Você não tem mesmo idéia, não é?" Por que ela saberia o que faz a ele? O quanto machuca estar com ela, e mesmo assim, não estar.

"Claro que não tenho idéia. Você não me deu nem uma pista de onde estamos indo." Ela estalou.

Booth sinalizou para transitar entre as filas de carros. Pelo canto dos olhos, ele a viu se inclinar para frente, as mãos ainda unidas, para segurar os narcisos que se movimentavam para frente e para trás, acompanhando o carro. Erguendo-os, ela levou-os até o nariz, e inalou o cheiro peculiar.

"Na verdade," ele disse, quebrando o silêncio. "Estou feliz por não termos feito."

"Oh." Ela apertou os lábios, considerando o que deveria ter mudado a opinião dele.

"Você merece mais."

"Mais?" ela perguntou, em voz alta.

"Do que um quarto barato de motel."

"Fui eu quem voou até aqui, sem pensar direito nas coisas. É o que mereço." Ela disse, em defesa dele.

"Tínhamos um acordo," Booth disse. "E eu deveria estar pronto para cumprir a minha parte. Deveria ter esperado isso."

"A frequência de vôos domésticos significa não ter mais problema do que pegar um ônibus." Seu tom era leve.

"Quer dizer que poderia me visitar aos finais de semana?" ele brincou, finalmente sorrindo para ela, de novo.

O coração dela falhou uma batida, ao perdão dele. Temperance estava ciente que ainda devia uma explicação a Booth. " Depois que você saiu..." ela começou.

"Você ligou para Angela." Ele interrompeu.

"Não. Liguei para Cam. Pensei logicamente e concluí que ela entenderia você, melhor do que eu."

"O que? Isso é loucura!"

"Expliquei a ela que viajei para Dallas com intenção de seduzir você."

Booth ergueu a sobrancelha ao comentário dela. "Me seduzir?"

"Não precisei dizer a ela que planejo conceber uma criança. Como minha chefe, preferi manter esses detalhes em particular." Ela acrescentou.

"Mas está tudo bem dizer a ela que íamos fazer sexo?" Ele respirou fundo, antes de se corrigir. "Planejando fazer sexo. Você não pensou direito, não é?"

"E ela me disse que eu estava sendo tola, que suas responsabilidades para com o caso deveriam vir primeiro, e que eu já teria que ter percebido isso. E, antes que diga alguma coisa, ela tinha razão em me dizer isso, Booth."

As palavras que se formaram, ficaram presas na garganta dele, que simplesmente deu de ombros, em resposta.

"Então, ela sugeriu que eu voltasse para casa, quando Angela me ligou, falando do vôo, após eu perceber que seria melhor." Ela olhou para ele, ansiosa por algum tipo de resposta.

"Estou feliz que não esteja naquele vôo, Termperance."

Ela sorriu para ele. "Eu também..." Ele sorriu de volta. "…Seeley," ela concluiu. Como se provasse, e parecia bom.

"Com fome? Tem rolinhos de ovo na sacola," ele ofereceu.

Ela luziu para ele, e ergueu os pulsos, o metal fazendo um som estridente.

"Oh, sim. Acho que isso dificulta um pouco." Ele sorriu, sedutor. "Só me dê um minuto para achar um lugar para estacionar."

Fazendo jus ao que disse, Booth saiu da rodovia, minutos depois, e entrou numa rua silenciosa, parando a alguns metros, quando encontrou um lote vago.

Ele desligou o motor, e esticou o braço para pegar a sacola marrom. "Comprei seu favorito, mas acho que não conseguirá comer, se estiver usando isso."

Temperance suspirou, aliviada. Ele pararia com esse jogo idiota que estava jogando, e tiraria as algemas. Ela ergueu os pulsos. Booth olhou da sacola em sua mão, para os pulsos dela, então, para seus olhos. Ela viu os olhos castanhos dele, brilhando alegres para ela.

"Como saberei que não tentará correr, se eu tirar isso?"

"Booth," ela suspirou. "Para onde eu iria?"

"Não posso arriscar, Temperance." Ele respondeu, a voz rouca, enquanto uma mão subia para colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, antes de liberá-la do aperto do cinto de segurança. Ele sorriu para ela, por um minuto, antes de olhar para baixo. Booth puxou um par de palitinhos da sacola. "Abra a boca." Ele ergueu um pouco de macarrão e levou-os até a boca semi-aberta dela.

Despreparada para o ataque dele aos seus sentidos, Temperance viu o caldo da comida escorrer pelo seu queixo. Booth levou um dedo até lá e limpou o líquido pegajoso, trazendo o dedo até seus lábios. Ela assistiu-o, intensamente, enquanto ele lambia seu próprio dedo, antes de pegar um pouco de macarrão para si.

"Mais?" ele perguntou, intencionalmente.

"Por favor" ela sussurrou, sentindo como se ele a interrogasse, e visse através dela.

Ele levou mais um pouco de macarrão na direção dela, desta vez devagar, permitindo a ela tempo para abrir bem a boca, colocando a comida sobre a língua dela. Ela se encostou e começou a mastigar, assistindo os lábios dele devorando sua parte. Engolindo, os olhos dela encontraram os dele, e ela lambeu os lábios, sedutoramente. A excitação dele era óbvia para ela. Ela se perguntou se ele sabia o quão excitada ela estava agora.

"Mais." Ela exigiu.

Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso com a afirmação dela. Booth sabia que ela não estava prestes a abrir mão do controle tão facilmente quanto ele esperava. Ele levou outra porção à boca dela, e ficou impressionado quando ela se afastou no último minuto, derramando comida sobre si. Booth jogou os pauzinhos na caixa, e ergueu a mão para tirar o macarrão de cima dela. Sem pensar, ela virou o rosto até a mão dele e levou os dedos dele até sua boca, lambendo, gentilmente. Ela fechou os olhos, e ouviu a respiração dele falhar, enquanto sua língua corria os dedos dele.

Ela se inclinou na direção dele, quando ele puxou a mão. Booth rapidamente substituiu a mão pela boca, roçando-a sobre a dela, provocando os lábios dela com sua língua, invadindo-a. Desta vez, não houve hesitação da parte dela, que retribuiu o beijo, provando-o desesperadamente. As algemas ao redor do pulso dificultavam o equilíbrio e ela caiu para trás, quebrando o laço deles. Ela rapidamente passou um braço ao redor do pescoço dele, aproximando-se dele novamente. Ela fechou os olhos, enquanto suas línguas duelavam uma vez mais. Pareceu que durou para sempre, enquanto ele mordia o lábio inferior dela, sugando-o, sentindo o gosto que era só dela.

Precisando de mais, ela empurrou a cabeça dele por sua mandíbula, na direção da clavícula, onde ele continuou a acariciar a pele sensível dela. Ela gemeu de prazer, quando a mão dele achou a coxa dela, freneticamente afastando a blusa dela, para um contato que ambos desesperadamente almejavam.

Os faróis de um carro que passava, trouxe-o de volta à realidade. "Pare." Ele murmurou, contra a pele dela. "Não podemos fazer isso. Não aqui."

"Podemos," Temperance implorou. "Eu preciso de você."

O cérebro de Booth se torceu, enquanto ele tentava encontrar uma razão racional de por que eles não deveriam continuar. De algum modo, ele achou que dizer a ela que a primeira vez deles não deveria ser uma transa rápida no banco de um carro, não seria bom. "Não é bom para fertilização," ele disse, finalmente. "Gravidade," ele acrescentou, devolvendo as palavras ditas por ela própria, mais cedo.

Ela o olhou, inexpressivamente, enquanto processava as palavras. Fertilização? Ela estava tão presa em seu próprio prazer, que o motive de eles estarem ali, se perdeu no momento. "Sim." Ela concordou. "Deveríamos ir." Temperance sentou-se reta, enquanto Booth puxava o cinto de segurança de volta.

"Eu só quero..." Ele ergueu o telefone.

"Oh, claro. O caso é importante. Vá em frente."

Ele ligou, então falou, olhando para ela o tempo todo. "É o Booth.... conseguiu mais alguma coisa?... Ela já está falando?... Não?... Hora de repensar… Sim… Estou, estamos..."

Ela esperou ele desligar, então, disse. "Está tudo bem?"

Ele não respondeu. Ele podia vê-lo imerso em pensamentos. De repente, ele sussurrou no ouvido dela. "Acho que você tem sido uma menina má. E meninas más devem ser punidas."

Temperance o observou, suspeita. O que ele planejava fazer com ela? E, mais do que isso, ela iria gostar?


TBC