Capítulo X
Harry instruiu o cocheiro para deixá-los na estação de trem, esperando assim despistar quem pudesse sair ao encalço de ambos. Não que imaginasse vir a serem seguidos, porém não custava ter cautela. Ainda nos estábulos, escrevera um bilhete a Emilia explicando-lhe pouco, mas sabia que ela entenderia.
A lua brilhava alto quando o casal atravessou a praça iluminada em direção à uma hospedaria.
— Olhe, um unicórnio! — o marquês falou, apontando para a placa da pousada. — Será um sinal significativo?
— Fantástico, você quer dizer?
— Sim, como o nosso encontro.
— Sinto-me, definitivamente, vivendo um sonho — murmurou Pansy.
Ele sorriu.
— Eu não tinha a menor intenção de convidá-la para cavalgar. Jamais imaginei algo assim com você. Nessas horas eu quase chego a acreditar no destino.
— Ou em coincidências felizes. — Pansy sorriu com meiguice.
Naquele momento Pansy pensou que se Draco não houvesse sido indiferente aos seus sentimentos e passado aquela noite nos braços de Hermione, talvez nunca tivesse abraçado Harry e entrado em seu quarto, onde ela o beijou. Muito menos teria ido até os estábulos. Jamais estaria vivendo esse momento mágico com ele. Sua vida seria sempre o que fora, previsível e ditada pelas regras. Harry a fizera quebrar as regras, todas elas, e ela gostara disso.
— Se conseguirmos um quarto na hospedaria, mais uma vez me considerarei o homem mais feliz do mundo. E pensar que quase a rejeitara! — Harry fez uma careta.
— Oh! Não é nada agradável saber que poderia ter sido rejeitada. Creio que teria morrido de vergonha. — Pansy olhava para o horizonte.
— Não pense nisso. Eu teria sido um tolo se o tivesse feito. Agora vamos, minha querida esposa. Vamos ver o que obtemos de acomodações.
— Estou ficando acostumada a isso — ela falou baixinho, os olhos brilhando de emoção.
Quando Harry pediu um quarto à mulher de meia-idade atrás do balcão, ela os mediu de alto a baixo, indagando num tom desconfiado.
— A essa hora?
— Sim, a essa hora — O marquês devolveu seco. — E se você não pode nos ajudar, encontrarei alguém que possa.
— Não há ninguém aqui além de mim. A propósito, não vejo nenhuma bagagem — A mulher acrescentou, desdenhosa.
— Sou o marquês Harry Potter e esta é minha esposa. Por favor, faça conforme estou lhe dizendo. — Harry disse impaciente.
Fosse a autoridade da voz, ou a imponência do título, o fato é que a dona da hospedaria imediatamente mudou de tom, abandonando a rudeza.
— Peço-lhe perdão, milorde. Mas é que temos tido muitos rapazes altas horas da noite, em especial durante a temporada de caça, acompanhados de mulheres... De mulheres de uma certa classe...
— Não estou interessado no que acontece na aldeia. Um quarto, por favor, e depressa.
A proprietária da hospedaria analisou Pansy rapidamente, decidindo que as jóias que a enfeitavam eram verdadeiras. Portanto, aquela bela mulher devia ser muito rica e dadas as circunstâncias, não seria louca de ser amante de um nobre com o título de marquês. Contudo, ela ainda tinha restrições de natureza moral.
— Exijo pagamento adiantado, milorde.
— Primeiro mostre-me o quarto. — Virando-se para Pansy, falou: — Espere-me aqui, querida. Verei se as acomodações são adequadas.
— Saiba que os inúmeros nobres hospedados aqui para a temporada de caça nunca reclamaram de nada, sir.
— Reservo-me o direito de tirar minhas próprias conclusões — Harry retrucou, marchando para a escada.
O marquês de Harry escolheu o mais amplo dos dois aposentos que lhe foram mostrados.
Mal acabara de trancar a porta, Harry viu Pansy se livrar do casaco e soltar os longos cabelos presos num coque elegante.
— Já estamos de volta ao nosso frenesi, ele brincou — encostando-se na porta.
— Sim. E você deve admitir que fui paciente até chegarmos aqui.
— Paciente? Percorri dez quilômetros tentando conter seus avanços.
— Talvez alguns dos cavalheiros hospedados nesta estalagem não achariam minha ansiedade desconcertante — ela respondeu, coquete.
— Para descobrir, você teria que passar por cima de mim, antes de conseguir abrir a porta.
— Adoro quando você fica enciumado, sir.
— Dê um passo na direção da porta e você verá quão ciumento sou.
— Hummm, quão deliciosamente poderoso. Você é assim poderoso de outras formas, milorde?
— Depende. — Harry sorriu sedutor.
— Depende do quê?
— Do que você quer.
— Então você tem certas reservas?
— Sim.
— Interessante.
Pansy fingiu analisar o que ele dissera. Apoiou delicadamente a mão nos lábios e virou-se em direção à cama.
Harry caminhou até Pansy, e envolveu-a com um abraço, apoiando o queixo no ombro dela.
— Você não tem reservas Pansy? — Harry depositou um beijo suave no pescoço dela.
— Não com você. — Pansy inclinou a cabeça para o lado e fechou os olhos.
— Eu poderia ser perigoso Pansy. — Harry apertou-lhe a cintura.
— Sei que você não é.
— Você não sabe nada sobre mim, exceto que sou capaz de levá-la ao auge quantas vezes desejar.
— Harry! — Pansy exclamou corando.
Pansy virou-se para Harry, sem que ele a soltasse do abraço possessivo. Ela o encara, os olhos bem abertos, o rosto corado.
— Verdade Pansy. Será que você gostaria se eu rasgasse esse seu vestido e a obrigasse a me satisfazer de todas as maneiras? Aliás, esse vestido vinho, decotado e provocante, poderia fazê-la passar por uma cortesã. De alta classe, é verdade. Se você estivesse à venda esta noite, eu compraria seus serviços e a teria ao meu inteiro dispor.
— E se eu estivesse à venda?
— Diga-me seu nome — ele ordenou, fitando-a com uma promessa de prazeres — e lhe direi se estou interessado em comprá-la.
Por um segundo Pansy vacilou, entre aterrorizada e excitada com a idéia de fazer o papel de cortesã. Todavia, como resistir à beleza daquele homem, ao seu corpo tão perfeitamente esculpido, ao seu charme devastador?
— Meu nome é Anne. E espero agradá-lo, porque você me atrai loucamente.
— Meu dinheiro a atrai, isto sim.
— Não, não... Bem, suponho que deveria ser assim, mas nao é.
— Uma prostituta com coração de ouro. O centro da sua feminilidade é tão benevolente?
— Eu o receberei sem reservas. Quanto à benevolência, cabe-lhe decidir.
— Você obedece ordens?
— Creio que poderia obedecer, sir.
— Eu insistiria neste detalhe.
— Pois bem. Se você deseja.
— Então resta-nos apenas decidir o preço de sua... submissão.
— Eu realmente não saberia...
— Vamos, querida, você não me parece nenhuma inocente. Não há necessidade de barganhar.
— Desculpe-me, sir, mas...
— Não fique ofendida, Anne. Não estou interessado em inocência.
— Entendo — Pansy devolveu, ríspida.
— Se você não está disposta a ser participativa, eu poderia procurar outra para me distrair.
— Maldito! — Pansy quis soltar-se do abraço de Harry.
— Apenas um conselho, querida. Você agradaria mais seus clientes se não os xingasse. Agora tire o vestido, permita-me admirar seu corpo e assim ignorar seu temperamento ranzinza.
— Quão gentil de sua parte, milorde. Porém ainda não concordamos quanto ao preço. — Pansy devolveu ácida.
De repende ela se perguntou quantas vezes Harry fizera aquilo, quantas mulheres, cortesãs, ele contratou para satisfazê-lo. Pansy começava a sentir-se incômoda.
—Quinhentas libras.
— Mil.
— É melhor você ser boa no que faz.
— Afirmam que o sou.
Apesar deles estarem jogando, os olhos de Harry revelaram um ciúme genuíno.
— Verdade?
— Sim, milorde. Verdade.
— Imagino que você vá querer receber adiantado.
Harry soltou Pansy bruscamente e metendo a mão no bolso da calça, o marquês retirou um maço de cédulas. Depois de separar o valor combinado, colocou as notas no decote de Pansy.
— Estou pronto quando você estiver.
— Ouvi dizer que você está sempre pronto. — Ela recolheu o dinheiro e pôs sobre a cômoda que estava próxima.
— E ouviu bem. Agora tire a roupa. Quero ver o que acabei de comprar.
Pansy virou-se e tentou abrir o vestido.
— Não consigo alcançar os botões.
Harry não soube dizer se foi pelo tom frustrado de Pansy ou pela visão das nádegas modeladas pelo vestido de seda, mas ele já não podia conter-se. Atirando-a sobre a cômoda, desnudou-a até a cintura, erguendo-lhe as saias e desfazendo-se de qualquer tecido que o impedisse de ter amplo acesso a Pansy. Com gestos rápidos, desabotoou a braguilha e se posicionou entre as pernas alvas com um único propósito em mente. Segurando-a pela cintura, ele investiu fundo repetidas vezes, até chegar ao limite.
— Vou possuí-la a noite inteira... Espero que você não se importe. Mas, de qualquer maneira, sua opinião não tem importância.
Diante do silêncio dela ele insistiu, num tom baixo e brusco.
— Responda-me.
Se aquele homem não a estivesse arrastando para o orgasmo, Pansy teria até tentado responder-lhe, mas logo espasmos violentos a sacudiram e ela gemeu alto.
—Sem dúvida, uma resposta.
Harry atingiu o clímax segundos depois e então, parecendo muito calmo, largou-a, como se ela fosse uma boneca e caminhou pelo quarto arrumando as roupas. Por fim, sentou-se numa cadeira.
— Quando você estiver descansada, tentaremos de novo. Talvez algo menos impetuoso da próxima vez. — Sua voz soava agradável, mas neutra, como a de um mero conhecido.
— Não haverá próxima vez. Estou satisfeita. — Levantando-se, Pansy abaixou o vestido, seu embaraço era evidente.
— Mas eu não.
— Harry, não estou mais interessada neste jogo. — Pansy exclamou inquieta.
— Porém eu continuo excitado. Tudo o que preciso é de um mínimo de participação sua.
Pansy desviou o olhar.
— Talvez mais tarde.
— Desta vez não precisarei de você muito tempo.
— Talvez você não precise mesmo de mim. — Sua voz soou trêmula.
Ele sorriu de leve.
— Gosto de senso de humor numa mulher, mas prefiro submissão agora. Portanto, traga esse seu corpo para mais perto e ambos ficaremos satisfeitos.
— E se eu não obedecer sua ordem?
— Então, talvez, eu tenha de agir de uma maneira mais convincente.
— Desculpe-me, esse jogo é irritante demais Harry.
Pansy caminhou mexendo nas mãos e parando de frente para a porta. Estava de costas para Harry. Estava a beira das lágrimas. Sentia-se usada e insignificante.
— Ah, querida, você nunca sobreviveria no mundo da prostituição.
— Com certeza não, se os homens fossem todos tão pouco civilizados quanto você. — Ela replicou irritada.
— A maioria é pior.
— Imagino.
— Você tem que agradecer por ter sido eu a comprá-lá. Garanto que não se arrependerá de nada.
Sentindo uma nova pontada de ciúme ao lembrar-se de todas as mulheres que já haviam passado pela cama de Harry e no prazer que ele lhes tinha dado, Pansy não conseguiu segurar a tristeza. As lágrimas banharam-lhe o rosto sem que ela conseguisse se conter.
Harry estranhou o silencio dela, mas somente quando um espasmo a sacudiu foi ele se ergueu de um salto e caminhou até Pansy. Girou-a e constatou que ela chorava. Harry abraçou-a.
— O que houve querida?
— Não quero continuar com esse jogo. Não sei brincar assim. Sentir sua indiferença me lembrou as vezes que fiz amor com Draco.
— Eu quero que você pare de considerar a idéia de dormir com quaisquer dos cavalheiros hospedados aqui esta noite então.
— Você sabe que falei brincando. E se alguém tivesse o direito de estar com ciúmes, esse alguém deveria ser eu — ela protestou. — Você já dormiu com praticamente todas as mulheres que eu conheço.
— Não se desvie da questão. — Harry foi brusco.
Pansy, até então, nunca fora o alvo da raiva contida e da frieza extrema do marquês. Assim, entre espantada e ofendida, ela chorou mais.
— Como você pode me julgar capaz de uma coisa dessas? — Ela perguntou em tom ofendido. — Você me conhece a pouco tempo Harry, mas eu juro pela minha filha, que é a pessoa mais importante neste mundo para mim, que jamais me deitei com outro homem que não fosse Draco, e antes de você, jamais tinha pensado nesta possibilidade. Dói saber que você duvida de mim, dói saber que você já teve tantas amantes, dói saber que tudo o que você me faz já fez a elas e dói saber que não sou mais que uma cortesã que você desfruta.
Harry abraçou-a com força e acariciou os cabelos dela.
— Você significa muito pra mim Pansy, você é diferente de todas as mulheres com que eu estive. Mas você tem certeza agora de que não quer ninguém?
— Claro que sim! Por Deus, Harry, o que deu em você, não ouviu o que eu disse? — Ela o encarou a beira do desespero.
De repente ele sorriu.
— Você é uma sedutora provocante, mas é somente minha.
— E você é um homem arrogante.
Harry sentia-se terrivelmente atraído por aquela mulher, ela era diferente de todas com quem ele já tinha estado e isso era assustador. Com Pansy havia interesse, preocupação, carinho, cuidado, desejo de estar com ela o tempo todo, conexão no sexo. Seria necessário um homem com mais força de vontade para resistir ao desejo brutal que o assolava. Sucumbindo ao impulso, ele beijou-a ardentemente e a trouxe para mais perto do corpo, para que ela pudesse sentir sua ereção.
—Faça amor comigo Harry, por favor!
— E o que você fará por mim?
— Qualquer coisa que você quiser... qualquer coisa... apenas, por favor, não me obrigue a esperar mais. Farei qualquer coisa que você quiser se você me der... isso. — Ela apertou o membro ereto delicadamente.
— Qualquer coisa? Eu posso querer tudo Pansy.
Ele beijou-lhe levevente o pescoço.
— Quero que você faça amor comigo Harry. Quero me deitar na cama ao seu lado e fazer amor com você todos os dias da minha vida. Quero fugir com você para um lugar onde ninguém, jamais, possa nos encontrar. Quero ter um filho seu...
Harry a calou com um beijo e, guiando-a até a mesa deitou-a, penetrando-a em seguida, como um homem enlouquecido. Não queria pensar, não queria analisar o que ela acabara de dizer. Queria apenas possuí-la. De corpo e alma. Ele investiu ainda mais fundo.
