Draco entrou no quarto e não demonstrou sua surpresa ao encontrar a castanha sentada na cama com um roupão longo, que ele só reparou uns minutos depois, debruçada sobre os joelhos e quieta. Realmente não esperava tanta passividade, ainda mais conhecendo superficialmente o temperamento agressivo dela. Afinal ela já lhe dera um soco e um tapa no rosto.
Retirou seu casaco sem dizer nada e após pegar algumas roupas se dirigiu ao banheiro.
Hermione permanecia inquieta internamente e muito quieta ao mesmo tempo. Revirava seu estomago com as coisas que leu antes e após o banho. Tinha tantos problemas a resolver e ainda pensava em Sarah. Em como ela era vulnerável, tentando não a comparar consigo mesma.
Muitos sobrenomes lhe eram familiares e sentia uma sensação de que alguém estava lhe pregando uma peça de mau gosto. Sarah conheceu a esposa de um concorrente de Valentin, Evangeline Parkinson.
"- Por certo, todas as damas de Londres quererão saber como cativou o fugidio lorde Malfoy. - Seu olhar descansou no estômago de Sarah e logo voltou para seu rosto - É todo um prêmio. Sarah sorriu e resistiu a um impulso de pôr a mão sobre seu ventre. O comentário pontual de lady Parkinson não lhe resultava completamente inesperado. Não tinha muitas ilusões no que se referia a sua beleza e posição social. Lady Parkinson não seria a primeira pessoa em perguntar-se como a simples filha de um comerciante tinha apanhado o filho de um marquês. Valentín tocou em sua mão. - Minha esposa é o prêmio. Senti-me honrado quando ela me aceitou. Sarah levantou o olhar para ele, mas em seu rosto não havia sinais de humor. Lady Parkinson suspirou. - Vejo que é um casamento por amor. – ela tocou a bochecha de seu marido com o leque fechado – Meu querido, só tem que esperar que Valentín se dedique por completo à sua esposa e se esqueça de levar adiante seus negócios de maneira adequada. " ...
E conheceu o tão austero pai de Valentin.
... - Pai. - Valentín inclinou a cabeça uns centímetros para o homem mais velho e altivo, e Sarah notou que ele e seu pai eram de altura e aparência similar. Tão loiro quanto. - Apresento-lhe minha esposa Sarah, lady Malfoy. O marquês fez uma reverência para Sarah. - É um prazer conhecê-la. Só teria gostado que tivessem me informado sobre o casamento. - Um músculo lhe deu um puxão na bochecha. - Nunca esperei me inteirar das núpcias de meu filho pelo jornal. Sarah olhou para Valentín, que parecia divertido. - Não chegou o convite? Jurava que enviei um. Possivelmente seu secretário não entregou. O homem mais velho deu um passo para frente com a boca apertada e controlando-se virou para Sarah. - Minha esposa não pode me acompanhar, mas enviou-lhe estimas e espera que possam se encontrar em breve. Valentin revirou os olhos e o Marquês continuou. - Espero que possa colocar alguma sensatez na cabeça de meu filho, ele realmente não deseja que o incluamos em nossa família. Inclusive se recusa a utilizar seu próprio título. Valentín riu. Cansado da falsa polidez do pai. - Que benefício teria para mim me chamar visconde? – ele fingiu pensar - Embora ficasse bem nos papéis de meus negócios e impulsionaria a alguns cidadãos mais a me adular. - Não tente fazer brincadeira com seu direito de nascimento. - O Marquês mantinha a voz baixa, mas o aborrecimento ressonava nela. - É meu filho e o título é teu, deseje-o ou não. - Que pena que não possa trocar pai! O homem olhou fixo para seu filho e logo, de maneira abrupta, afastou-se. Sarah suspirou. - Tinha que ser tão grosseiro? Valentín encolheu os ombros. - É a única maneira em que nos comunicamos meu pai e eu. Na verdade, acredito que por sua causa, comportou-se da melhor maneira possível esta noite. - ele a observava. - Não se preocupe; não terá que vê-lo com muita freqüência. Sarah decidiu morder a língua. "Estava claro que o trato de Valentín com seu pai era muito mais complicado do que acreditava."
E ainda tinha que dar um jeito de Malfoy não descobrir sobre essas coisas por enquanto. Começava a arrepender-se de ter lido essas paginas e ainda estava apreensiva uma vez que Malfoy já estava com o diário antes dela. Talvez ele já soubesse de tudo.
O loiro saiu do banheiro de pijama e com os cabelos molhados. Hermione levantou a vista, procurando por algum sinal de irritação.
- Malfoy...
- Por mais que aprecie meu sobrenome Granger, infelizmente devemos começar a nos chamarmos pelo primeiro nome. - Disse indiferente em sua voz enojada, porém calma. – E o que quer?
Desistira de perguntar. Na verdade não queria lhe dirigir a palavra nunca. Odiava o jeito dele, mas achou melhor continuar.
- Como trouxe o diário pra cá.
- Ele pertence aos nossos ancestrais e uma vez que estamos casados, nos pertence. – Hermione o olhou desconfiava e como se desaprovasse aquilo.
Draco revirou os olhos e por um momento a castanha imaginou sendo Valentín. Quase sorriu quando ouviu a voz do loiro.
- McGonnagal me deu. Eu não peguei escondido e também não importa. – Ele virou de costas e se dirigiu a lareira, dizendo um nome. Um momento depois, um elfo apareceu no quarto e ele pediu o jantar. Parecia mais entediado do que irritado. Ela tentou novamente.
- E você já o leu? – Analisava as reações dele.
- Perece legal conversar sobre coisas sem sentido Grang... H.e.r.m.i.o.n.e, mas eu não acho graça. – Olhou pra ela agora irritado. – Não é por que nos casamos que aquela velha tiraria o feitiço.
Queria xingá-lo por ter ofendido a diretora do colégio, mas sentia-se aliviada por ele não saber do anulamento do feitiço. Seria mais fácil pra ela, ocultar certas partes. Pensou ter ouvido seu nome. Malfoy realmente dissera? Era muito estranho, muito macabro ouvir da boca dele seu primeiro nome.
Jantaram em silencio após o elfo deixar as bandejas na mesa em frente a lareira e por frações de segundos ela lhe dirigia curtos olhares. Malfoy era tão educado e fino a mesa que ela desenterrou as aulas de etiqueta que sua mãe lhe insistira em fazer. Era tão diferente de Ron e Harry. Não que fossem trogloditas, se bem que Ron era, mas não tinham cerimônias para comer. As mãos pálidas de dedos longos cortavam a carne como se desenhasse uma trajetória. Era quase afeminado ao comer. Devagar e preciso. Dedos longos e finos. Devagar e isso lhe dera sono. E olhou para ele novamente e quando os olhares brevemente se cruzaram, Hermione deixou transparecer uma fina ruga entre seus olhos. O que não passou despercebido pelo loiro. Ele pensou se ela tentava evitar ou tentava não pensar no que viria após o jantar e ela pensava no que lera no diário, olhando Draco naquelas maneiras tão delicadas.
"Enquanto Valentín distribuía as taças de chá aos convidados da reunião, Sarah se voltou e encontrou Peter Potter sentado a seu lado. Sua taça tilintou no pires. Ele a tirou e a apoiou sobre uma pequena mesa que havia a seu lado. Suas sobrancelhas se elevavam enquanto a observava. - Bem, o que exatamente lhe há dito seu pai sobre mim, para que desconfie tanto de minha companhia? Sara mordeu o lábio. Não havia nada mais que um ligeiro bom humor no olhar de Peter e seus instintos lhe diziam que era um homem no que se podia confiar. Por Deus seu pai tivesse sido mais específico sobre o que se supunha que tinha feito Peter para ganhar sua desaprovação. Com cautela, ela lhe devolveu o sorriso. Diferente de Valentín, ela não era boa para dissimular. Possivelmente a honestidade revelaria mais que um engano meloso. - Meu pai acredita que você exerce uma espécie de influência ruim sobre Valentín. Ele a recompensou com um belo sorriso. - Se com isso seu pai quer dizer que Val e eu temos um laço profundo e inquebrável, então tem razão. A gente não pode compartilhar sete anos horrorosos da vida com um homem sem se importar. Sarah o observava. - Entretanto, ainda são próximos mais de dez anos depois. Possivelmente isso é o que lhe parece estranho. - Bom isso é minha culpa. Vários anos depois de nossa volta, eu me apeguei a Val como um menino lastimoso. - Seu olhar se moveu dela até Valentín, que falava com algumas pessoas, enquanto continuava ignorando o seu pai. - Deus sabe por que, entretanto, Val me suportou. Agora tento lhe pagar sendo o melhor diretor comercial que ele possa ter. Valentín se voltou e os viu olhando para ele. Levantou a sobrancelha de maneira inquisitiva e Peter lhe piscou o olho, voltando-se para reatar a conversa. Por um batimento do coração, Sarah se incomodou pela confiança dele. - Opõe-se a que Val e eu sejamos amigos? - A pergunta em voz baixa de Peter fez com que Sarah se sentisse infantil. Pelo muito que ambos os homens tinham sofrido, era na verdade surpreendente que permanecessem juntos? - É obvio que não. - Sarah olhou de propósito nos olhos de Peter. - Opõe-se a que Valentín tenha se casado comigo? - Não, alegra-me que ele tenha encontrado alguém tão especial. - Fez uma pausa como se não tivesse certeza de continuar. - Acredito que ele tenha chegado a uma etapa de sua vida em que o papel de libertino começava a enfraquecer. ...
Hermione novamente olhou o loiro de canto de olhos, vendo-o depositar seus talheres de forma impecável e seu perguntou se ele teria amigos. Amigos de verdade.
... - Falas de mim? - Sarah levantou o olhar e viu Valentín aparecer por cima deles. Sorriu-lhe e lhe estendeu a mão. - Concordamos em não brigar por ti. Estás contente? - Ele a ajudou a ficar de pé. Peter também ficou de pé. - Teria ficado surpreso se não o tivessem feito. – ele passeou o olhar de Sarah até Peter. - Parecem-se muito em algumas coisas. Sei que ambos são grandes partidários de me dizer no que me equivoquei. Peter fez uma reverência. - Alguém deve fazê-lo, Val, de outro modo se sentiria presunçoso até arrebentar. - De acordo, meu amigo. Bom, talvez queira empregar seus consideráveis encantos com sir Richard e lady Parkinson. Sempre me interessam os planos de meus concorrentes. Peter se afastou e Valentín continuava apertando a mão de Sarah. - Obrigado por isso. - Por que, milorde? - Por aceitar Peter mesmo que seu pai deva te ter advertido sobre ele. - Sarah se sentiu ruborizada. - Sou o suficientemente adulta para formar opinião por mim mesma sobre as pessoas. - Peter levou alguns anos para acostumar-se após nossa volta. - Valentín suspirou – mesmo assim, seu pai nunca confiou por completo nele, mas posso te assegurar que Peter mudou. De outra maneira, nunca esperaria que o tolerasse. O olhar de Sarah seguiu Peter, que se tinha detido para falar com os Parkinson. - Ele sofreu muito, não é verdade? - Valentín ficou imóvel. - Você pode dar conta disso? Sarah abriu o leque e desviou o olhar. O cabelo escuro de Peter cintilava na luz das velas enquanto assentia com a cabeça por algo que sir Richard havia dito. - É obvio. - Como poderia dizer a Valentín que ela via o débil eco desse sofrimento em seu rosto todos os dias? Valentín beijou seus dedos. - Peter será um amigo leal para ti, prometo-lhe isso. – E ela não queria ter visto os olhos tormentosos do marido quando preferiu mudar de assunto e disfarçar a dor.
Draco espreguiçou e sentou-se numa poltrona do outro lado da lareira e verteu um liquido de um vermelho profundo num copo pequeno enquanto o elfo de antes retirava as bandejas. Continuava calado e pensativo e Hermione daria seus galeões pra saber no que ele pensava. Será que estava tão arrependido quanto ela? Talvez ela nem quisesse permanecer no mundo bruxo quanto imaginou. Talvez tivesse aceito essa situação mais por estar humilhada e magoada. Talvez nada. Não queria pensar em nada disso agora, já estava por demais arrependida.
O loiro viu quando ela balançou negativamente a cabeça, ruminando as próprias amarguras e suspirou irritado.
- Então é melhor que discutamos esse acordo logo. – Falou antes de sorver mais do copo.
Hermione o olhou confusa um momento e se deu conta de que estava falando com ela. – Sim. – Ele se endireitou no lugar enquanto ela se sentava na beirada da cama.
- Nós ficaremos essa semana aqui, por que na sexta voltaremos a Hogwarts. Quando acabar o semestre iremos para uma propriedades em... – Draco deu uma pausa pra ver se ela questionaria algo, mas ela permanecia quieta e atenta; como se absorvendo as informações. – Quando terminar o prazo para gerar um herdeiro, nós alegaremos que você é estéril e eu poderei anular o contrato.
- Ei, por que você não é o infértil? – Estava visivelmente indignada com isso. Ele disse que tinha um plano e que após um ano poderiam se separar, mas isso não incluía em rebaixá-la dessa maneira.
- Por que ninguém acreditaria oras. – Ela o encarou debochada. – Não existem casos de infertilidade com os sangues puros Granger, já nos sangues ruins eu não sei. – ela ia cortá-lo, quando ele se irritou. – E alem do mais, se você não puder ter filhos, ninguém te obrigara a se casar novamente e não poderão exigir que deixe o mundo mágico. Agora se tem uma idéia melhor, desembucha.
- Não, eu não tenho D.r.a.c.o. – Fez questão de frisar o nome dele, uma vez que ele mesmo havia sugerido, mas qualquer irritaçãozinha a chamava pelo sobrenome.
- Então é isso o que faremos. Estamos de acordo. E quanto ao sexo...
- Que sexo? Não tem sexo. – Os olhos dela pareciam que a qualquer momento se descolaria e rolaria pelo tapete. Duas orbes castanhas rolando. Draco achou a cena patética, mas não conseguiu não imaginá-la.
- Infelizmente tem sexo sim e você aceitou quando assinou aquela merda de contrato. Pare de me torrar H.e.r.m.i.o.n.e. – O maxilar dele quase estalou.
- Que contrato Malfoy, eu não assinei nada relativo a sexo e principalmente com você. – Ela exaltou-se e levantou, andando de um lado a outro muito irritada. Se ele fez tudo isso pra transar com ela, estava muito, mas muito enganado. Louco. Psicótico. Doente. Nojento e todos os pejorativos que encontrasse era ele.
- Você não está fantasiando nessa sua cabeça pervertida que eu de alguma forma possa querer isso não é Granger. – Ela abriu a boca pra revidar, mas ele cortou mais rápido. Alias essa mania dele era muito irritante. Parece que fazia de propósito, esperar a pessoa abrir a boca pra ele cortar. – Todo contrato de casamento tem clausulas específicas e o ministério fez as suas. Você foi muito burra se não leu. – Ela realmente se sentiu burra. Burra não, descuidada em não ter lido. Também até umas horas antes do casamento ela ainda nem tinha se decidido se aceitaria ou não.
- Mas não importa, não vamos fazer e pronto. Você saia com quem quiser que não me oporei.
Draco sentiu uma raiva imensa dela. Quem ela pensava que era pra lhe dizer que saísse com quem quisesse. Era obvio que ele sairia e se pudesse evitar, não transaria com ela nunca. Sangue ruim filha da puta. Era muito prepotente. E metade dessas ofensas ela pode ler abertamente no olhar de ódio que ele lhe lançava.
- Foda-se Granger. Leia essa droga e amanha você terá mudado de idéia. – Hermione viu um pergaminho flutuar de dentro da mala do loiro e pousar na mesa. Ele deitou na cama grande e virou de costas pra onde ela estava. O silencio se vira uma benção e ela olhou para onde tinha escondido o diário. Colocou-o na mesa, mas antes de ler; abriu o contrato nupcial e na parte em que leu "Obrigações matrimoniais" seus olhos voltaram a se arregalarem. Era verdade a parte do sexo então, mas a pior parte era as punições que se seguiam.
...
Draco acordara cedo demais pra sua rotina de férias, parecia até que estava em Hogwarts e queria desesperadamente dormir mais. Tinha uma semana inteira pra acordar a hora que bem entendesse e estava completamente desperto ao que não deveria passar das seis da manha. O dia ainda estava preguiçosamente clareando e lamentou-se por não ter fechado as cortinas do quarto.
Não se surpreendeu ao avistar as castanha burra exatamente como a deixou na noite anterior. Surpreendeu-se por ter dormido na presença dela e fez uma anotação mental para que tomasse mais precaução da próxima vez. Estava cansado demais e dormir com o inimigo era algo que evidenciava o quanto estava ficando relapso. Talvez seu subconsciente estava lhe alertando que Draco Malfoy entregara os pontos e não se importava realmente se estivesse ou não vivo. Passara mais de dois anos preferindo não acordar. Passara mais de dois anos desejando que uma vez acordado, algo acontecesse para que não chegasse vivo pra dormir mais uma noite de derrota. E talvez casar-se fosse à gota d'água.
E a gota d'água havia transbordado e não fora pra ele. Granger estava horrível. Com olheiras tão pronunciadas que parecia um zumbi, olhando para o nada que o pergaminho a sua frente a felicidade parecia ter se esvaído dela e ele entendeu a dor dela. Entendia, mas não se importava nem um pouco, afinal era bom um ser humano doer. Era até mesquinhamente gratificante ver ela na pele dele pra variar. E ele quase sorriu nessa nova bela manha. Alguém sofria mais que ele. Pra variar.
- Malfoy...
Draco se assustou a menção do seu nome. Não achava que ela soubesse que ele havia acordado ou ela realmente não sabia e estava testando.
- Malfoy acorda, eu quero falar. – Ela sabia e ele suspirou irritado, sentando-se na cama e olhando para onde ela continuava sentada.
- Fala logo. – Esfregou o rosto e passou os dedos pelos cabelos lisos, apenas para tira-los do rosto.
Hermione voltou a face para ele completamente derrotada. – Deve haver alguma maneira de mudar isso. – Ele quase sentiu pena.
- Se houvesse eu teria burlado Granger. Não há. – Ela tentou falar e engoliu qualquer desesperado argumento e ele continuou. – Não ache que estou satisfeito com isso. Eu quero tanto quanto você.
Ela continuou com seu olhar castanho morto e negou com cabeça repetidas vezes até falar novamente. – Eu não vou conseguir.
Draco se irritou mais do que queria admitir. – Pare de se lamentar, eu que tenho que me preocupar em conseguir ficar duro. Você não tem nenhum atrativo Granger.
Ou Hermione não ouviu a ofensa ou pouco se importou, uma vez que não parava de negar e parecia meio desorientada.
O Loiro levantou-se e foi para o banheiro. Aquela cena o estava enojando e esperava sinceramente que ela não desse piti. Não estava com saco pra aturá-la. Não queria ter mais isso nas suas costas. Granger tinha que ser forte pra agüentar-se sozinha.
Quando saiu depois de um banho forçado, apenas para não ter que encara-la tão cedo, ele a encontrou deitada. Não dormindo por que o corpo dela se sacudia lentamente. Chorando. E arrumou-se e saiu. Ela havia lido o contrato e sabia dos prazos, então ela que arrumasse forças pra fazer o que tinha que fazer.
...
Hermione acordou horas mais tarde e com o rosto completamente inchado. Não se dera conta de quando ou como havia adormecido, mas estava com um novo sentimento fixo em si. Seria forte. Faria o que tivesse que ser feito e não por escolha, mas pela burrice que assumira. Parara de pensar em quanto queria continuar sendo bruxa ou continuar no mundo bruxo, por que nenhuma dessas coisas teria importância se pudesse voltar atrás. Pelo menos no momento.
Levantara e chamara o elfo pela lareira. Comera e pedira uma coruja pra enviar a carta que havia escrito a seus pais. Tinha que ser pratica e assumir seus erros. Sempre fora corajosa e não esmoreceria agora. Vencera uma guerra porra, não iria sucumbir diante de Malfoy. Que merda havia de tão péssimo em transar com ele uma vez por semana. Era adulta, casada, sem expectativas amorosas e com um contrato a cumprir.
Quatro. Quatro vezes por mês, somando a doze meses, num total de quarenta e oito ou quarenta e nove se contasse direito, noites de sexo com alguém que detestava. Essa conta estava complexa para alguem que no fundo não queria pensar. Não deveria ser tão difícil. Tinha mulheres que faziam isso facilmente e na mesma hora espantou a imagem. Já se sentia uma prostituta sem ter que visualizar.
...
Quando Draco voltou, estava quase anoitecendo e assim que entrou no quarto alugado, quis dar meia volta e sair. Respirou fundo e encarou uma Hermione de pé como que esperando ele aparecer. Não queria discutir ou dar explicações sobre como não havia jeito de anular o contrato. Já gastara tempo demais naquilo e realmente não queria se irritar mais naquele dia.
- Malf.. Draco. – O loiro mudou a expressão de irritado, para desconfiado. A voz dela estava mansa demais. Hermione limpou a garganta antes de continuar, enquanto ele andava pelo quarto e parara escorado na parede. – Vamos ser práticos e terminarmos logo com isso. Uma vez por semana não deve ser tão sacrificante assim. – Ela tentava soar firme e se saíra melhor do que imaginava.
Ele perdeu a fala por um momento. Wow! Parecia muito bom se ela realmente conseguia ser tão pratica.
- Muito bom. Acho ótimo. Assim nos livramos logo.
- Perfeito. - E os dois ficaram se encarando sem saber o que fazer ou o que dizer em seguida. Hermione não sabia o que estava fazendo e Draco realmente havia sido pego de total surpresa. Ele quebrou o silencio sem jeito.
– Vou tomar banho. – Ela assentiu com a cabeça, ainda numa convicção que não sentia.
– Ok! - Assim que o loiro saiu pela porta de acesso ela sentou-se e levou ambas as mãos no rosto. Que merda estava fazendo. Chamou o elfo e pediu uma garrafa de firewisky. – Duas, me traga duas, por favor. Estava literalmente fodida, ou melhor, seria e uma sensação de pavor começava a dominá-la...
n/a – Ok, dessa vez eu não demorei (como prometido rs) e não me faltam elogios e amor a todos que acompanham essa historia e aos que me presenteiam com coments... Obrigadaaaa amoures... vcs são luz e me incentivam a postar mais rápido. E pra continuar essa cruel semana de núpcias hahahahhaha queria que me dissessem se ela tem que ser trágica ou sexy. Zuada ou motivadora hahahahhahaha juro que pendo a fazê-la muito decepcionante/brochante para Hermi... mas acatarei a maioria...juro. (piscadinha sinistra aqui)
Beijosssssssssssssssss.
