Sophie Clarkson – Muito obrigada pelos elogios! Finalmente Shura reconciliou com a família e tudo caminha para o final feliz...
Kitana – sama. – Shura foi duro mas reconheceu que pegou pesado, e pode ir se preparando que com Kamus as coisas também serão difíceis.
Suellen – san – Tudo acabou bem (em tese) só nos resta ver como vai ser o reencontro do Kamus e com os irmãos e não podemos esquecer que ainda tem o passado do Dohko, mais surpresas vem pela frente.
Rodrigo – Com relação a briga do Shura e do Diego tem uma explicação, ele conseguiu atingir Shura não por acaso. Quanto ao Shaka quando ele descobrir as "investidas" de Shion vai ter sangue rsrsrs e mais uma vez obrigada pelos comentários.
Tenshi – Só tenho uma coisa a comentar: acertou na mosca a respeito do Diego.
Pure-petit cat – Todo mundo perdoou todo mundo e a paz voltou ao santuário... pelo menos em parte...
Mabel – Quantas perguntas! Shura vai perdoar a Rita? Sim.
Kamus vai seguir o conselho do amigo? Sim
Dona Sophia e Seu José vão se encontrar pra tocarem figurinhas de seus rebentos especiais? Não
Já pensou todas as famílias juntas comentando sobre eles felizes e orgulhosos dos filhos, irmãos e netos tão divinamente especiais? Boa sugestão! Ta anotada!
Capitulo 9: Ninguém escapa do destino
Não demorou muito para Shura acordar, Rita encorajou Diego para que ele, Shura e José tivessem uma conversa em família. A grega praticamente empurrou o cunhado para dentro do quarto, encostando a porta em seguida. Estava muito feliz, mas achava que mesmo que a situação tivesse terminado bem, ela e Shura não teriam volta. Antes de fechá-la completamente, vislumbrou a figura do ex-noivo. Deu um sorriso ao ver que ele estava bem.
A família Martinez tinha muito o que conversar e a conversa seguia amistosa, como se eles sempre se dessem bem. Atena rapidamente foi ao hospital conferir de perto.
- Estou tão feliz que estejam juntos. – disse a deusa. – como torci para que isso acontecesse.
- Devo lhe desculpas At... Saori. – corrigiu, Diego ainda não sabia. – espero que me perdoe pelo meu comportamento.
- Tudo bem Shura. E agora senhor José trate de melhorar. – disse animada. – precisa cuidar desses dois filhos.
- Eles já estão encaminhados. Estou velho para isso, daqui a pouco a minha hora chega.
- Não fale assim. – Shura pegou na mão do pai. – não desista de viver, ainda mais agora que seremos uma família, não é Diego?
- Claro. Tem ficar bom logo pai.
- E a Rita? – indagou a deusa.
- Ela veio comigo, ela não está lá fora? – Diego estranhou.
- Não. Dei uma volta pelo andar e não a vi.
- Pode ter ido à cantina.
Shura abaixou o rosto, tinha sido um estúpido com ela. Não ficaria surpreso se ela rompesse com ele definitivamente.
- " ... principalmente porque fui eu que rompi... idiota."
- Converse com ela filho. – disse José imaginando o que se passava na cabeça dele. – ela vai entender.
- Eu fui um estúpido com ela pai. Disse coisas horríveis. Ela não vai me perdoar.
- Vai sim Shura. – disse Atena. – converse com ela.
- A Rita é muito legal maninho. Ela vai entender.
- Vou falar com ela. – não estava muito certo disso. – vou tentar.
- Tome. – a deusa tirou algo do bolso, dando-o. – isso é seu.
Ao ver o que era, o cavaleiro se sentiu mais mal, havia tirado a aliança.
- "Ela nunca vai me perdoar."
X.x.X.x.X.x.X
Na faculdade Rita contava as ultimas para Clarice que tinha saído do santuário ainda sem saber.
- Que bom que acabou bem. Estou muito feliz pelo Shura. – Clarice sentou na carteira atrás dela.
- Eu também. Shura estava sofrendo demais com essa historia.
- E vocês...
- Eu não sei... no fundo eu o enganei, mas ele disse tantas coisas... e ainda tirou a aliança...
- Mas você ainda gosta dele.
- Muito. Não consigo imaginar a minha vida sem ele.
- Olha... deixe o tempo agir, com certeza ele vai te procurar e te pedir desculpas. Deixe-o aproximar de você. Aí conversam e resolvem tudo.
- Será?
- Claro. Ele te. Vai ver, ele vai te procurar, ainda hoje.
- Você diz com ama.
- Tenho minhas duvidas.
- Duvidas sem sentido tanta convicção, como se soubesse o que vai acontecer.
- Fui dotada desse dom. – disse com a voz séria. – minha mestre o me deu.
Rita estranhou o jeito dela falar, mas não disse nada. Apenas torcia para que ela estivesse certa.
X.x.X.x.X.x.X
No santuário, os treinos seguiam. A conversa entre eles era em torno da reconciliação de Shura, apenas Kamus permanecia em silencio. Estava pensando em sua situação, teria a mesma sorte que Shura? Ou estaria condenado a carregar aquela culpa? Estava tão distraído, que nem notou o punho de Miro indo de encontro ao seu rosto. Acabou sendo acertado indo parar alguns metros atrás.
- Por que fez isso? – o fitou indignado.
- Não é você quem diz que concentração é tudo?
- Idiota.
- Não foi tão forte assim. – estendeu a mão para ajudá-lo a levantar.
- Vai ter troco. – aceitou a ajuda.
- Quando vai a Paris? – indagou ignorando a frase.
- Como?
- Quando vai a Paris? Não é a sua cidade?
- E o que vou fazer lá?
- Não se faça de bobo.
- Eu não sei. Nem sei se quero voltar. – disse irritado. – não quero pensar naquele assunto.
- Mas devia.
- Você é irritante.
- Eu sei que me ama. – deu um sorriso lavado.
Kamus não questionou, tivera muito trabalho para fazer o velho Miro voltar que temia fazer qualquer coisa para atrapalhar.
- Eu vou pensar está bem? Agora vamos treinar.
- Tudo bem. – sorriu ainda mais, adorava provocar o aquariano. – o que o senhor Ice quiser.
X.x.X.x.X.x.X
Enquanto José realizava alguns exames, Shura havia aproveitado para ir em casa tomar um bom banho. Hospedando em pensões não tivera a merecida água quente.
Saori e Diego estavam na cantina do hospital.
- Agora as coisas vão melhorar. – disse o espanhol. – mesmo com Shura continuando a morar aqui.
- Vocês podem se visitar.
- Sim. – e mudando de assunto. – me falaram que foi criada no Japão?
- Ate os treze anos.
- E não sente falta de lá?
- Vou sempre. Ate porque têm os negócios do meu avô, eu preciso cuidar de tudo.
- Ao contrario de outras garotas você é muito responsável, parece não ligar para roupas, compras essas coisas.
- Não ligo muito. Desde a morte do meu avô tive que aprender a ser responsável, principalmente nesses últimos dois anos.
- E tinha só o seu avô?
- Sim. – fitou as pessoas andando de um lado para o outro.
Diego a observava discretamente.
- Você gosta de cinema? – indagou um pouco rubro.
- Gosto, mas faz tanto tempo que não vou.
- Antes de voltar para a Espanha que ir ao cinema comigo?
Atena o olhou surpresa.
- Você esta me chamando para sair?
- É... que-ro dizer não... é sim, - estava vermelho. – como amigos... temos quase a mesma idade... mas se estiver ocupada não tem problema. – estava vermelho.
- Eu aceito. É só você marcar.
- Sério? – arregalou os olhos.
- Sim.
- Então ta...
Apesar da vergonha que sentia Diego comemorava, desde a primeira vez que a viu a achou legal e bonita.
Atena segurava o riso pelo sem jeito dele, mas estava feliz, era a primeira vez que a tratavam como uma garota de quinze anos e não como Atena ou a herdeira Kido. Com certeza iria ao cinema com ele, queria se sentir uma garota normal.
O dia passou sem muitos problemas, a saúde de José continuava estável, Diego era só sorrisos depois do aceite do convite, Shura não saía do lado do pai e no santuário as coisas seguiam normalmente. Na faculdade Clarice e Rita tiveram o dia bastante movimentando.
- A cada dia fica mais difícil. – Clarice deu um longo suspiro cansado enquanto descia as escadas que davam acesso ao térreo do prédio.
- É e nem podemos nos dá o desfrute de faltar. Se não fosse a Vanda e a Lara estaríamos perdidas. – Rita estava igualmente cansada.
- Ainda está de férias do emprego?
- Isso que me anima.
- Poderíamos aproveitar e colocar os trabalhos em dia. Ou vai ao hospital?
- Pensei em ir mais a noite... – disse sem graça. – Shura ainda pode está lá.
- Posso me convidar para ir a sua casa?
- Lógico. – sorriu. – minha casa, sua casa. Vamos aproveitar e estudar muito.
As duas saíram do prédio pegando a via de acesso que saia na entrada principal da faculdade. Conversavam animadas, algo que há muito não faziam, os mais diferentes assuntos tanto que nem notaram que um homem as olhava. Em vista do dia anterior estava arrumado.
- Podemos fazer isso no trabalho final e... – Clarice parou de falar ao ver o homem, dando um leve sorriso. – a ida a sua casa vai ter ficar para depois.
- Por quê? – Rita a fitou sem entender.
- Por aquilo.
A grega virou o olhar para onde Clarice apontava. O coração disparou ao ver Shura encostado no portão de entrada. Assim que ele percebeu que ela havia lhe visto deu um meio sorriso.
Silenciosas as duas aproximaram.
- Oi Shura. – cumprimentou Clarice.
- Oi. Oi Rita...
- Oi.
- Eu já vou indo Rita, sabe como é o Ran em questão de horário.
- O que? – a grega gaguejou, ate pouco tempo ela estava indo para sua casa agora...
- Tchau para vocês.
A brasileira sumiu num instante. Shura sem jeito não fitou a noiva.
- Nós podemos conversar? – a voz saiu baixa. – claro se tiver tempo... eu não quero atrapalhar.
Rita desviou o olhar dele parando nas mãos, ele continuava sem aliança, ao contrario dela que usava a sua.
- Podemos.
- Tem uma praça aqui perto, lá é tranqüilo, ou se quiser em outro lugar.
- Pode ser, não tem problema.
As respostas curtas o preocupou. Silenciosos seguiram para a praça que ficava alguns quarteirões da faculdade. Escolheram um banco mais afastado. Rita sentou numa ponta e Shura em outra.
- Como está a faculdade? – indagou querendo puxar assunto, mas sem fita-la.
- Bem. Um pouco apertada, mas bem.
- Já voltou de férias?
- Ainda não.
Novamente o silencio, Shura queria entrar no assunto, mas temia uma reação dela enquanto Rita permanecia na dela.
- Diego perguntou por você.
- Vou vê-lo mais tarde. E como o senhor José esta?
- Melhor.
Novamente o silencio.
- Eu preciso ir. – Rita levantou vendo que Shura não falaria nada, talvez ainda não fosse o momento.
- Já? – assustou com o movimento dela. – quero dizer... tudo bem...
- Tchau.
- Tchau... – abaixou a cabeça.
A grega ainda o fitou antes de começar a andar.
- Rita.
Ela parou, mas sem se virar.
- Me perdoe. Eu fui um grosso, um estúpido, um idiota com você. Fiz e falei coisas que me envergonho e arrependo. Não vou ser falso para dizer que fiz aquilo porque estava naquele tipo de situação. Não justificava as grosserias que eu fiz... inclusive de tirar a aliança...
A grega ouvia sem se virar, o que deixou Shura apreensivo. Tinha certeza que Rita não o perdoaria e que seu casamento tinha acabado. Havia perdido a mulher da sua vida por causa da insensatez.
- Rita... – a chamou, mas sem encará-la. – quando me tornei cavaleiro, disseram que ter uma família era algo incompatível com o nosso dever. Que teríamos que optar entre um e outro. Eu não me importei muito, já que a minha visão de família era diferente. Ate que conheci você...
A grega continuava silenciosa.
- Pela primeira vez quis ter uma família.. sei que no mundo em que eu vivo isso significa um risco, mas... eu queria ter você ao meu lado. Você me acalma, me compreende, mesmo quando eu não percebo isso e suporta esse meu gênio... – deu um meio sorriso. – eu sinto muito.
Ele não percebeu, mas Rita aproximou-se dele agachando a sua frente. Carinhosamente tocou nos cabelos negros.
- Tenho que agüentar mesmo. – riu. – você às vezes é muito teimoso.
- Eu sei... – ficou surpreso com o gesto dela.
- Fiquei chateada com você. Eu não esperava as coisas que você me disse.
- Eu fui muito estúpido.
- Foi mesmo, mas... – Rita ergueu o rosto dele para que a encarasse. – vamos apagar isso.
- Então você me perdoa? – deu um grande sorriso.
- É meu destino agüentar você. – disse em tom de brincadeira.
- Pior que eu sei que é mesmo. – riu. – desculpe por isso. – pegou do bolso a aliança. – mais uma estupidez minha.
- Já passou. – a grega pegou o objeto. – eu te aceito na alegria e na raiva, no humor e no péssimo humor, nas palavras meigas e ásperas todos os dias da minha vida. – colocou o anel no dedo dele.
- É uma promessa viu? Não vai desistir.
- Não vou. Tanto que fiz Bougátsa ontem a noite, já deve está no ponto. – era a sobremesa favorita de Shura.
- Fez mesmo? – os olhos ate brilharam.
- Fiz, mas não sei se merece. – fingiu ainda está ressentida.
- Tudo bem...sei que não mereço. – não ficou chateado.
- Merecer, merece não, mas vou abrir uma exceção.
- Posso comer tudo? – a boca encheu d'água.
- Pode.
- Vamos logo.
Rita achou graça, o cavaleiro ate chamou um táxi para chegarem mais rápido.
Shura mal esperou Rita desenformar a guloseima.
- Parece que estava há três dias sem comer. – começou a rir.
- Estou a dois. Anda, minha boca está cheia d'agua.
- Aqui. – colocou um prato sobre a mesa.
Mal Rita deu as costas e o primeiro pedaço já tinha ido embora. O cavaleiro pediu mais dois e em menos de quinze minutos, a tigela onde estava o doce estava praticamente limpa, pois Shura lambeu ate não sobrar nada.
- Eu amo Bougátsa. Quando casarmos você vai fazer todo dia.
- Vai engordar.
- Não me importo. – levantou indo para a sala. – eu vou engordar feliz.
- Bobo.
Os dois acomodaram-se no sofá.
- Podemos marcar a data? – indagou fitando a noiva.
- Que tal... em novembro? Qualquer sábado de novembro.
- Então... – Shura pegou o calendário apontando para um dia. – esse?
- Perfeito.
- Prometo que tentarei ser o melhor marido. – acariciava o rosto dela. – que não vou deixar nada te acontecer.
- Prometo que tentarei ser a melhor esposa.
- Você já é.
Shura a beijou com volúpia e sem se importar com o tamanho do sofá começaram a trocar caricias mais intimas.
X.x.X.x.X.x.X
No hospital as coisas seguiam tranqüilas. Diego estava na cantina lanchando e José em seu quarto descansava. Dentro da possibilidade estava com o corpo de lado, fitando o céu ateniense naquele fim de tarde. Apesar de não ter mais forças para nada estava feliz. Tivera o perdão do filho mais velho e agora tinha sua família de volta.
Fechou os olhos respirando com dificuldade, quando os abriu...
- Acho que ainda não morri. – disse. – eu não vou para o céu.
- Brinca demais.
- Você está linda... Constanza.
Jose não sabia se era efeito dos remédios, ou se já estava no final da vida, mas via a ex mulher nitidamente na sua frente. Ela usava um conjunto de calça e blusa num pano mole. Não sabia se a tonalidade era verde ou azul. Os cabelos presos no alto por um rabo e o rosto corado.
- Está com a mesma aparência da ultima vez que te vi.
- Eu morri pouco tempo depois.
- O que faz aqui?
- Você não queria me ver? Alem do mais queria ver meu filho.
- Apesar de tudo que aconteceu ele se tornou um homem tão bom e tão parecido com você.
- Shura superou as adversidades e se tornou um excelente cavaleiro.
- Tenho muito orgulho dele.
- Eu também.
- Eu desejei muito te ver, queria pedir desculpas por todo o mal que te causei. Eu fui um canalha.
- São águas passadas José. – sorriu. – não guardo rancor ou ressentimento. E ver a maneira como criou Diego me deixou muito feliz, foi sinal que você havia mudado. Eu te perdôo de todo o coração.
- Eu sinto muito. – os olhos marejaram. – me arrependo todos os dias por tudo que fiz, por tudo que disse a você e ao nosso filho.
- Nós te perdoamos isso é o que importa. Deus foi muito bom por realizar os seus encontros.
- Se eu morresse sem o perdão dele, carregaria esse fardo para sempre.
Constanza que estava na frente da cama, deu a volta parando ao lado dele.
- Não mudou nada desde a sua adolescência, continua linda.
- Obrigada. José... – hesitou.
- Eu sei. – firmou o olhar num ponto qualquer. – sinto que a minha vida se esvai a cada minuto.
- Queria prolongar mais a sua vida principalmente agora que reencontrou Shura. Vocês seriam muito felizes, mas infelizmente...
- Só de ter conseguido o perdão dele já é suficiente e alem do mais sei que ele cuidará bem de Diego.
- Eles serão felizes.
- Só queria vê-los, mas não tem importância. – sorriu.
- Sempre terá a recordação deles aqui. – tocou o peito dele. – para sempre.
Quando José voltou o olhar Constanza não estava mais lá.
- Se foi alucinação, bendita alucinação.
Foi fechando os olhos... e a medida que fazia esse movimento os aparelhos apitavam freneticamente.
X.x.X.x.X.x.X
Shura e Rita, deitados, faziam planos para o futuro, quando o telefone de ambos tocou ao mesmo tempo.
- Deixa tocar. – disse Shura envolvendo a noiva.
- Pode ser importante, para nós dois.
Fechou a cara. Contrariado levantou pegando o aparelho, Rita fez o mesmo. Para ele era Atena, para ela era Diego.
Ouviam tudo em um profundo silencio e ao final da ligação nem precisaram dizer nada, estava estampado que o motivo da ligação era o mesmo para os dois, sem perder tempo tomaram rumo para o hospital.
X.x.X.x.X.x.X
No hospital Diego andava de um lado para o outro, já tinha muito tempo que o pai havia sido levado para o CTI e ate aquele momento não tinha noticias.
- Trouxe um chá, beba. – disse Atena.
- Eu não quero.
- Beba Diego. – a voz saiu mais imperativa.
Ele não a contrariou ate porque agradecia muito tudo que ela estava fazendo por seu pai inclusive permanecer ao lado dele num momento como aquele.
- Obrigado. – pegou a bebida. – estou te trazendo transtornos, deve ter muitos assuntos importantes a tratar e está aqui.
- Vocês são mais importantes. – pegou na mão dele. – tenha fé tudo vai terminar bem.
- Espero que sim. – disse com os olhos fixos nas mãos dela sobre a sua.
- Conseguiu falar com a Rita?
- Sim, - acordou do pensamento. – ela está vindo para cá.
- Também consegui falar com o Shura.
- Senhorita Kido.
Ao escutar seu nome virou para trás, era o Doutor Thino.
- Será podemos conversar? Você também Diego.
- Claro. – respondeu os dois com uma ponta de insegurança, algo dizia que a situação era grave.
X.x.X.x.X.x.X
Dentro do táxi o silencio imperava. Rita vez ou outra olhava para o futuro marido vendo sua expressão tensa. Apesar de não falar era nítida a preocupação dele.
- Tudo vai acabar bem. – disse na tentativa de demonstrar otimismo.
Ele não disse nada. Algo dentro dele dizia que nunca mais veria o pai em vida.
Cerca de quinze minutos mais tarde, desciam a porta do hospital.
Shura nem esperou o elevador indo pelas escadas, Rita tentava acompanhá-lo. Ao chegarem ao corredor que dava acesso apenas encontrou com Aiolos.
- Aiolos?
- Que bom que chegou.
- O que houve? Cadê meu pai, cadê meu irmão?
O sagitariano abaixou o rosto, como daria tão delicada noticia.
- O que foi Aiolos? – ficou em pânico pela expressão dele.
Rita mais atrás tivera a certeza que algo acontecera ao sogro.
- Fala logo Aiolos! – gritou impaciente e com medo de escutar.
- Diego é que deveria falar, mas está sem condições.
- O que houve com o meu pai?
- O estado piorou muito a ponto de se tornar irreversível. Eu sinto muito Shura.
Shura recuou um passo atordoado.
- Ele...
- É melhor você entrar.
Ele nem esperou, abriu a porta bruscamente. No quarto Diego estava sendo amparado por Atena. Havia uma enfermeira e o doutor Thino. Fitou a cama, o pai jazia nela, ligado com muito mais tubos e com a aparência bastante debilitada. A certeza se confirmou: Não veria a expressão de seu pai.
- Que bom que chegou a tempo. – disse o medico aproximando. – apesar dele possuir apenas as funções básicas.
Shura sequer escutou o que o medico tinha dito, apenas olhava de forma estática para o pai. Não era possível que depois de tantos anos ele o abandonaria de novo e desta vez...
- Seu pai agüentou o quanto pode Shura, ele foi muito valente.
- Ele ainda não morreu. – disse voraz. – ele ainda pode se recuperar.
- Espero que esse milagre aconteça.
Diego e Shura trocaram olhares, bastou apenas o olhar do mais novo para Shura entender toda a situação. Voltou à atenção para o pai.
-FB-
- Pai.
- Sim.
- Vou procurar a Rita, talvez ela me perdoe.
- Vai sim. – o fitou alegre. – Rita é uma boa menina, você vai ser muito feliz com ela. Faça o que for possível por ela.
- Eu farei. Vou chamar o Diego para que o senhor não fique sozinho. A sua benção. – pegou na mão dele.
- Eu o abençôo você e sua união. Sejam felizes.
- Obrigado. Vou indo.
Estava saindo, mas antes de passar pela porta, voltou à atenção para o pai, ele o fitava sorrindo.
- Pai, recupere-se logo, precisa me ajudar a cuidar dos seus netinhos.
- Eu não tenho esse animo. – riu. – principalmente se eles te puxarem.
- Tem sim. Ate mais.
- Ate.
-FFB-
Shura conteve as lagrimas, se soubesse que era a ultima vez que via o pai teria dito o quanto o amava. Lentamente aproximou-se segurando as mãos dele entre as suas.
- Pai. – chamou.
- Ele não pode te ouvir Shura. – disse o doutor Nikos.
O cavaleiro não se importou aproximando-se do ouvido de José, a cena era vista por todos. Seu coração dizia que não havia mais jeito que o tempo de seu pai terminara.
- Pai... – sussurrou. – vou sentir muito a sua falta se você tiver que ir embora, mas se decidir que quer ir... eu aceito, não se preocupe eu vou cuidar do Diego.. e... – segurava as lagrimas. – não se esqueça que te amo muito e o que aconteceu, ficou no passado.
Apesar do medico garantir que José não podia ouvir, Shura sentiu- o segurar fortemente a sua mão.
Aos poucos, a aparelho que media os batimentos cardíacos foi diminuindo ate o sinal tornar-se constante.
- Pai! – Diego correu ate a cama. – pai acorda, não me deixe. Pai.
Shura continuava segurando fortemente as mãos de Jose, chorando baixinho. Diego foi amparado por Saori. Rita chorava num canto. O doutor e a enfermeira saíram.
O quarto outrora cheio de planos para o futuro agora se tornara um cenário de dor...
... Santiago de Compostela, Espanha...
A pedido de Shura, José seria enterrado no mesmo local onde estava sua mãe. No enterro, Shura, Diego, Rita, Atena, Clarice e os demais cavaleiros de ouro. Parado ao lado da sepultura, o capricorniano acompanhava os preparativos para o descimento do caixão. Novamente sentia aquela dor, novamente se via sozinho. A perda da mãe fora muito difícil para ele, mas a do pai parecia ter um peso maior. Com o rosto sereno fitava o caixão. Rita sempre ao seu lado experimentava a mesma dor. Afeiçoara a José e queria que todos vivessem juntos, infelizmente a vida tinha outros planos. Diego ao lado controlava as lagrimas.
A descida foi silenciosa e quando a cova foi fechada, Shura não quis ver escondendo seu rosto no ombro da esposa. Diego olhou ate o fim.
- Acabou... – disse baixo, mas o suficiente para todos escutarem. – não me sobrou mais nada. Estou sozinho. – Diego segurava as lagrimas.
- Não está sozinho. – disse Saori que estava ao seu lado.
- Ela tem razão Diego. – Shura o fitou. – não estamos sozinhos, temos um ao outro, irmão.
O espanhol mais novo esboçou um sorriso.
- Você tem um irmão, uma cunhada, - Atena iniciou. – e a mim. Não esta sozinho.
O "e a mim" só ganhou realmente um significado nos pensamentos de Atena e Afrodite, que tinha um sentido apurado para essas coisas e tinha percebido algo no ar, os demais apenas acharam que era em solidariedade.
Kamus olhava a lapide, depois da morte dos pais nunca mais voltara ao cemitério, nem saberia onde os pais foram enterrados, e os irmãos? Será que estariam vivos?
Eram indagações que não saberia a resposta, e nem queria.
Outro que também olhava intensamente para a lapide era Dohko. Depois que foi para Rozan, nunca mais pisou em sua terra e nem tinha noção onde seus parentes estariam.
- "Preciso me desculpar." - pensou.
Depois de tudo consumado, voltaram para a Grécia. Ficara acertado que Diego moraria com Shura. O garoto ao parar diante da primeira casa teve a mesma sensação da primeira vez que fora lá. Aquele lugar parecia mágico.
- Eu vou morar aqui?
- Vai. - Shura tocou no ombro dele. - vai se acostumar.
- Antes, - iniciou Atena. - você precisa saber de uma coisa.
- O que?
- Vamos conversar em Capricórnio, quero todos presentes.
Com ajuda de Rita acomodaram-se na sala de Capricórnio. Atena sentou-se num local em que poderia ser vista por todos.
- Apesar do momento não ser um dos melhores, gostaria que todos prestassem atenção. - fez uma pausa, vendo que todos os olhares dirigiam-se para ela. - devem se lembrar daquele dia que Diego veio ate o templo.
Os espanhóis trocaram olhares.
- Lembram do soco que Diego deu em Shura, pois bem... vocês sabem por que ele conseguiu?
Os cavaleiros olharam entre si sem entender.
- Há um motivo? - indagou Shura. - aquilo foi uma fatalidade. Não foi nada.
- Por que não se defendeu? - Atena rebateu.
- Por que... foi tão rápido que nem... - fitou a deusa imediatamente, assim como os outros. - não me diga que...
- Está certo disso senhorita Saori? - indagou Shaka já percebendo o que se passava.
- Estou. Conseguem sentir um décimo quinto cosmo?
Trocaram olhares, aos poucos começaram a sentir um fraco cosmo. A atenção voltou-se para Diego.
- O que foi...? - ficou constrangido diante dos olhares.
- Diego.
- Sim. - fitou a deusa.
- Consegue sentir lago vindo de mim, de seu irmão e dos outros?
O espanhol desviou o olhar para seu irmão que estava bem a sua frente, não estava entendendo nada, mas a questão parecia séria. No inicio percebera nada, contudo aos poucos começou a sentir algo vindo não apenas de seu irmão, mas de todos.
- Eu sinto... uma energia... é quente... e cada um tem... eu não entendo.
- Consegue sentir a sua própria?
- A minha? - o jovem começou a prestar atenção em si, percebendo o mesmo tipo de calor. - o que é isso?
- Esse calor que sente Diego, chama-se cosmo. Vou te contar uma história.
Atena começou a narrar sobre a historia da deusa Atena. Ele ouvia atentamente e ao final...
- Eu conheço essa história Saori, uma lenda na verdade. Atena não existe.
- Não é verdade. - a própria levantou indo ate o espanhol. - sua mão, por favor.
Um pouco rubro, pela atitude dela, cedeu. Atena começou a liberar seu cosmo, o garoto percebendo-o arregalou os olhos.
- Não me diga que você é...
- Sou. E eles são os meus cavaleiros, seu irmão é o cavaleiro de ouro de capricórnio.
- O que? - fitou o irmão.
- É verdade Diego.
- Mas... mas... é inacreditável! - estava surpreso. - mas e eu?
- Por alguma razão seu cosmo é desperto, foi por isso que conseguiu acertar Shura. O que o deixa em condições de se tornar um cavaleiro.
- E-u? - gaguejou.
- Se assim o desejar. Normalmente o treinamento se inicia ainda na infância, mas no seu caso não haveria empecilho algum. Com determinação, consegue chegar ao nível de um bronze rapidamente.
- Nem sei o que dizer... a poucos dias nem sabia da existência de deuses gregos e agora faço parte desse mundo. - sorriu. - queria que meu pai soubesse.
- Ele sabe. - disse a deusa. - contei a ele toda a verdade inclusive o fato de você se tornar um cavaleiro. Se aceitar irá treinar a tarde e Shura será seu mestre.
- Sério?
- Séria ótimo. - disse o dourado. - mas não pense que vai treinar só a tarde, as manhas também.
- Ele não vai poder. - sorriu a deusa. - de manha estará na escola.
- Co-mo?
- Precisa recuperar o tempo perdido.
- Obrigado. - deu um grande sorriso. - obrigado mesmo. Sempre quis voltar a estudar.
- Terá sua chance. E então, aceita se tornar um cavaleiro? Eu ficaria muito feliz.
Diego estava indeciso, saber que fazia parte do mundo de Atena era fantástico, mas saber que Saori era Atena, era complicado. Nutria muito mais que amizade por ela e... Mas, aceitaria. Se tinha a oportunidade de protegê-la o faria, não importasse se isso talvez os fizesse se afastar. Protegeria acima de tudo.
- Aceito!
Depois de encerrada a reunião foram saindo um por um. Na porta da décima casa, Shion dava as instruções para o próximo treino. Kamus um pouco mais afastado mal escutava. Seus olhos azuis observavam a discussão entre Saga e Kanon, os planos de Shaka de ir a Índia ver a irmã, Aioria e Aiolos conversando sobre o treino, Shura explicando sobre o treino para Diego e ate Miro falando sobre Raiza. Sentiu uma pontinha de inveja, também queria está falando com os irmãos ou fazendo planos para visitá-los. Sem ser notado retirou-se do local, não queria pensar naquilo, não queria ter falsas esperanças a respeito de sua família.
Uma semana havia se passado. Atena viajara para Tókio a trabalho, Diego começara a treinar com o irmão e a vida seguia seu rumo. A morte de Mu ainda era uma lembrança dolorosa, mas aos poucos a tranqüilidade voltava para o santuário. Rita e Shura traçavam planos e com a aproximação de um casamento mexia positivamente com todos. O único que parecia inquieto e um pouco arredio era Kamus e já começava a preocupar os demais.
Estava trancado em sua biblioteca, que se tornara um ato constante, lendo um de seus milhares de exemplares. O local estava num profundo silencio, estava...
- Já chega de ler!
A porta abriu bruscamente.
- Miro! – Kamus levou um susto. – a porta estava trancada, você quebrou a fechadura?
- Não. – disse entrando sem cerimônia e indo para a mesinha que ele conservava no local. – eu tenho uma copia da chave.
- Você o que?
- Fiz uma copia para emergências. Como essa. – colocou um objeto sobre a mesa. – seu dia está resumindo em treino e ficar trancado nessa biblioteca. Tem dó.
- Gosto de ficar aqui.
- Isolar não vai resolver seu problema. Venha aqui.
- Não.
- Sujeito teimoso.
O escorpião caminhou ate ele, contudo seus passos não foram precisos, pois ele mancava.
- Ainda dói? – indagou o aquariano. – tem tanto tempo, já deveria ter cicatrizado.
- É. Mas não me importo, essa dor, de certa forma me faz pensar na Rosa, em todos os bons momentos que tivemos juntos e da minha tentativa em salva-la. Tentei ao maximo.
- Que bom que reconhece que fez o que pode e não se culpa mais.
- Não ligo de sentir essa dor para sempre. Mas não desvie o assunto. Venha.
Arrastou o aquariano ate a mesa.
- Sente aí e só fale quando eu mandar.
Kamus não contestou ainda mais por ver um notebook.
- De quem roubou?
- É meu! Meu pai me deu. Disse para começar a interagir com as novas tecnologias, me deu ate alguns livros, - torceu a cara. – sobre economia e administração. Ele quer que eu assuma a empresa! Olha que absurdo.
- Absurdo mesmo. A empresa nas suas mãos vai quebrar em um mês.
- Obrigado pelo elogio. – fechou a cara.
- Estamos em tempo de paz, deveria começar a pensar nisso.
- Sou um cavaleiro e não um administrador e não mude de assunto! Quero te mostrar uma coisa.
- Se for filme pornô...
- Não é. Tem uns aqui, mas não é isso.
- Então...
- Andei fazendo umas pesquisas e descobrir o endereço do orfanato que você ficou.
- Você fez o que? – o fitou indignado. – não tinha esse direito!
- Tinha. – não se importou com o tom agressivo. – consegui o telefone e o e-mail de contato. Por minha conta já tinha mandado um e-mail, mas resolvi te consultar.
Kamus fechou ainda mais o rosto.
- Por que não cuida da sua vida e me deixe em paz! Eu não quero se meta!
- Mesmo não querendo me meto sim. Está jogando pela janela a chance de ter seus irmãos. Veja o meu caso, Shura, Shaka.
- Não tinha esse direito. – levantou indo para a porta. – vá embora.
- Kamus...
- Vá embora. – disse enérgico.
Miro ficou calado fitando-o. Ignorou o pedido voltando à atenção para a tela.
- "Boa tarde, - começou a ler algo. – meu nome é Miro Saunierre, moro na Grécia a muitos anos mas sou francês, somente a poucos meses soube da morte de minha neta e tive noticias que ela tinha filhos."
Kamus fingia não escutar.
- "Gostaria de saber qual o paradeiro deles, seus nomes são Kamyu, Henry e Antonietta Saunierre. Sua mãe chamava Françoise Saunierre." – interrompeu a leitura. – preciso saber a data de nascimento dos seus irmãos e o dia que chegou ao orfanato.
- Já disse para sair daqui.
- Não saio enquanto não resolver isso. – colocou os pés sobre a mesa.
- Pois que fique. – fechou a porta, pegou o livro e voltou a ler, sem antes abaixar a temperatura do local.
- Por mim. – sentiu os graus diminuírem, mas não sairia dali.
Meia hora havia se passado num profundo silencio. Kamus lia seu livro enquanto Miro navegava. Tremia de frio, com os dedos já roxos, mas não sairia dali, enquanto o aquariano não cedesse não arredaria o pé, poderia usar o cosmo contudo não daria esse gosto ao aquariano.
Vez ou outra o francês o fitava, estava admirado pela resistência dele, entretanto não cederia.
Mais meia hora se passou, Miro tremia, os dedos mal conseguiam digitar, vez ou outra soprava para esquentar as mãos. Kamus não esmorecera e a temperatura estava a cinco graus.
- "Cara teimoso." – o escorpião já não sentia os dedos. – "mas eu também sou." – começou a ficar sonolento.
- "Idiota." – Kamus o fitava discretamente. – "por que não levanta ou usa o cosmo."
- Só que-ro... aju-dar... – a voz saiu baixíssima.
- Disse alguma coisa?
Ergueu o rosto para vê-lo mais nitidamente, ficando assustado. O cavaleiro da oitava casa estava pálido, os lábios roxos, com a respiração comprometida.
- Seu idiota. – Kamus rapidamente aumentou a temperatura e levantando foi ate o amigo, elevando seu cosmo. - você é um idiota sabia?
- Eu ga-nhei... – tentou sorrir, mas simplesmente a boca não mexia. – pode di-zer as da-tas.
Kamus o fitou surpreso para em seguida sorrir.
- Tudo bem, você ganhou.- disse.
Minutos depois, envolto numa coberta e bebendo um chá quente, o escorpião terminava de digitar o e-mail.
- Está bom assim? – indagou.
- Sim... – respondeu não muito convicto. – eles não vão responder Miro, não é o tipo de informação que se dá por e-mail.
- Se eles não responderem você vai para a França.
- Como?
- Desde pequenos nos consideramos irmãos e espero que isso não mude, mas quando encontrei a Raiza... eu quero que tenha a mesma sensação. Pode soar como coisa de viado, mas quero que você seja feliz.
- Obrigado. – apesar de as vezes achá-lo um chato, gostava dele.
X.x.X.x.X.x.X
Estava parado em frente ao grande portão de ferro, no meio dele o brasão dos antigos moradores daquele palacete transformado num passado recente em orfanato "Saint Clair." A mente era bombardeada por lembranças durante aqueles seis meses que permanecera lá. Tocou o portão e enchendo-se de coragem dirigiu-se para a entrada principal. Estava impressionado, pois nada mudara desde o dia que saíra de lá. Identificando-se como o funcionário do "senhor Saunierre" aguardou ser atendido pela madre superiora do local. Enquanto observava a decoração lembrava da conversa que teve com Miro sobre a luta dos pais dele em encontrá-lo.
- "A historia é mesma só muda o país".
-FB-
Kamus lia trancado em sua biblioteca quando...
- Responderam!
O aquariano revirou os olhos.
- Preciso trocar a fechadura...
- Veja. – praticamente jogou o notebook no colo dele. – desejam que o senhor "Miro" vá ate lá. E eu respondi que mandarei um funcionário Kamyu Deville. – deu um sorriso mais lavado.
- Você o que?
- Como Atena esta em Tókio, tomei todas as medidas, você embarca amanha para Paris, vai ficar no hotel que meu pai fica. – mostrou as passagens.
- Você o que? – engasgou. – como?
- Comprei as passagens, não me faça essa desfeita. – fez bico. - É por isso que é bom ter dinheiro. Agora entendo porque Atena era mimada.
- Mas...
- Te desejo sorte, a mesma que meus pais tiveram ao ir ao orfanato que morei. Se não tivessem ido lá, não tinha achado a minha família e você vai encontrar a sua.
-FFB-
Tirando-o de seus pensamentos uma porta se abriu.
- Senhor Deville desculpe fazê-lo esperar. – disse uma senhora de meia idade em trajes religiosos. – Sou irmã Amélia.
- Kamyu Deville. – estendeu a mão. – um prazer conhecê-la.
- Igualmente. Poderia me acompanhar, por favor. – mostrou-lhe uma das portas. – poderemos conversar melhor no escritório.
- Claro.
Ao entrar reparou em cada detalhe, tudo bem decorado, no melhor estilo francês.
A Madre reparou.
- Aprecia a arte francesa?
- Muito. A melhor de todas. – a fitou.
- Concordo. – mostrou uma cadeira. – sente-se, por favor.
- Obrigado.
- Recebi seu e-mail senhor Deville e ao contrario que se pensa, é muito comum famílias saírem em busca de suas crianças. Temos tantos casos de separação de filhos dos pais de forma trágica, assim como temos pais que deixaram seus filhos de livre vontade... o ser humano tem muitas facetas.
- É por isso que estou aqui. Fui contratado por uma família que foi separada por motivos egoístas. – no e-mail Miro contou sobre sua família, apenas trocou os nomes. – o senhor Miro Saunierre deseja muito reencontrar seus bisnetos.
- Eu entendo. Fiz um levantamento sobre os documentos daquela época, eu ainda não tinha sido transferida para cá e por isso fiz o que estava ao meu alcance.
- Encontrou algo? – Kamus tentava permanecer frio.
- Apenas um registro. – a Madre abriu uma gaveta retirando um papel amarelado. – os registros que temos são de mais de 15 anos e não são muito precisos.
Kamus prendeu a respiração.
- Deram entrada em 20/05/1993. Kamyu, então com oito anos, Henry com seis e Antonietta com quatro.*
O cavaleiro lembrou-se daquele dia, lembrou-se da promessa feita aos irmãos e que nunca a cumpriu.
- Parece que alguns meses depois o mais velho fugiu. – fitou o cavaleiro. – não temos nenhuma informação sobre ele por motivos óbvios.
- Compreendo. E os outros dois?
- Eles foram adotados pouco tempo depois que o mais velho fugiu. Tiveram sorte por serem adotados juntos, é tão cruel quando irmãos são separados.
- Adotados por quem?
- Só consta o sobrenome: Muhad. Pelo que diz aqui ele tem origem árabe. Infelizmente não temos mais informações, preservamos tanto as crianças como as pessoas que adotavam a ponto de não termos documentos. Eu sinto muito.
Kamus permaneceu quieto. Era por isso que não queria ir ate a França, não queria alimentar esperanças de algo que já dava por encerrado. Foi assim ao tentar achar a tia, foi assim com os irmãos.
- Agradeço senhorita Amélia. Reportarei tudo que me disse ao senhor Miro.
- Rezo para que ele tenha sorte. – apertaram as mãos.
- Assim espero. Tenha um bom dia.
- Lhe acompanho.
O portão fechou atrás de si e com ele toda a sua esperança. Kamus, de cabeça baixa, olhava fixamente para o chão. Estava com os punhos cerrados e segurava ao maximo o choro. Nunca chorara, não seria por aquilo que derramaria lagrimas. Não o cavaleiro de Aquário, contudo... sentiu um filete escorrer pela face, depois outro e mais outro. Ainda continuava parado, firme, mas as gotas pingavam no chão.
- Eu os perdi... – a voz saiu embargada. – eu os perdi...para sempre.
As lagrimas ficaram mais grossas, não importava se estava em via publica, nada mais importava, havia perdido seus irmãos e não havia a menor chance de encontrá-los.
Kamus começou a andar em direção a uma praça próxima, num banco mais afastado observava o vai e vem das pessoas. Como sempre, tinha que recuperar sua postura fria, limpou o rosto e ajeitou sua camisa. Só lhe restava aceitar seu destino. Já que não tivera a mesma sorte dos outros tinha que se conformar. Era um cavaleiro e tinha que se portar como tal.
- Pega para mim!
Assustou-se com o grito e por pouco não recebia uma bolada na cara. Com a expressão irritada procurou pelo dono do objeto.
- Desculpa moço. – um garotinho aproximou. As faces estavam vermelhas pelo esforço físico. – desculpa.
- Tenha mais cuidado. – disse seco.
- Charles!
Os dois voltaram à atenção, um garoto pouco maior aproximou dos dois.
- Não falei para jogar forte.
- Desculpa ...
- Moço o meu irmão não fez por querer. – disse a Kamus.
- Tudo bem. Tome. – entregou ao mais novo a bola.
- Obrigado.
- De nada. – o olhar do cavaleiro desviou um pouco fitando uma menina que vinha correndo. – ela também é dona da bola?
Os garotos olharam para trás.
- Mila. – o mais velho a pegou no colo. – não pode correr assim.
- Me deixaram sozinha... – fez bico.
- Fui só pegar a bola. – disse Charles.
Kamus observava os três, ate que começou a repará-los. Dois meninos e uma menina, os dois mais novos eram loiros e o mais velho tinha os cabelos azulados...
- "Nós éramos assim."
A mente voltou para aqueles tempos em que brincavam nas praças.
- Moço.
Piscou algumas vezes antes de voltar à atenção para eles.
- Qual o seu nome? – indagou a menina que o fitava com curiosidade.
- Mila não começa. – advertiu o mais velho.
- Tudo bem. – Kamus sorriu. – meu nome é Kamyu.
- O meu é Camila.
- Tem um bonito nome. – sem perceber brincou com os cabelos da menina. – você se parece tanto com ela... – falou sem perceber. – tanto... – a voz embargou.
- Com ela quem? – indagou Charles.
- Com a minha irmã.
- Você tem uma irmãzinha? Igual a mim?
- Ela já é grande, mas quando era pequena parecia com você.
- Felipe! Felipe!
O garoto mais velho voltou o olhar.
- A mamãe está chamando. – virou para o dois. - Pede desculpa de novo.
- Desculpa.
- Vamos.
Os três afastavam, num dado momento, a pequena virou-se acenando para Kamus. Ele os via afastar, deixando uma lagrima escapar ao vê-los na companhia dos pais.
- Era para ser como eles... era...
Novamente as lagrimas vieram.
X.x.X.x.X.x.X
O dia parecia mais noite, devido as fortes chuvas que caiam. Sentada na cama contemplava o céu através da janela. Faltava pouco para a tão sonhada viagem, a viagem que talvez mudasse sua vida para sempre. Desviou o olhar esverdeado para a foto que retratava o Pathernon.
- Você realmente existiu? – indagou lembrando-se das historias da avó. – você existiu?
Voltou a atenção para um relâmpago que cortou o céu.
X.x.X.x.X.x.X
Depois do ocorrido as coisas pareciam ter normalizado. Devido a outros assuntos Apollo havia se retirado dos domínios de Hades juntamente com suas guerreiras. As buscas pela alma de Mu foram infrutíferas e só Radamanthys e Minos continuavam na empreitada a mando de Perséfone. Asteria ainda continuava no submundo velando pelo sono da filha.
- "Onde você está cavaleiro?" – indagava-se enquanto olhava para a filha.
X.x.X.x.X.x.X
Andou sem rumo por horas, não tinha animo para voltar para o hotel, ao mesmo tempo que as pessoas na rua o incomodavam. A verdade é que sentia que não havia espaço para ele. Paris estava em plena primavera e a cidade estava, como sempre, repleta de pessoas. A expressão estava fria e por pouco não brigou com alguns jovens que esbarra nele.
Estava na Avenida Champs-Élysées (Campos Elisios) esperando o sinal abrir para atravessar, o hotel não ficava longe e contava os minutos para juntar suas coisas e voltar imediatamente para Grécia, de onde nunca mais sairia. Paris ficaria enterrado em suas lembranças.
- "Eu não tenho sorte." – pensou. Em todos os encontros que seus amigos tiveram com suas famílias, foram sempre pautadas de sorte ou milagre. A avó de Afrodite tinha relações comerciais com Saori, os pais de Miro o encontraram por causa de uma indicação a fundação, Shaka "perdera" seu vôo, Shura voltou a sua antiga residência e lá... – "isso não acontece comigo." – era cético quanto a esses "sinais", isso era coisa de supersticiosos ou no mínimo pessoas que contavam com a boa vontade das Moiras, não era para ele, não para o senhor racional. – "não tenho isso." – suspirou, queria que as coisas fossem diferentes, queria que ocorresse esse milagre, não tinha desejos, mas naquela hora queria muito ter seus irmãos de volta...
- Me desculpe. – uma senhora esbarrou nele.
- Tudo bem. – respondeu revirando os olhos.
- O senhor mora aqui?
- Não. – respondeu seco. Olhava para o sinal e ele continuava fechado.
- Sou estrangeira e não entendo nada de francês, estou perdida.
- Quer ir onde? – indagou sem paciência.
- Nesse endereço. – a senhora lhe mostrou o papel.
- Está perto. – disse. – siga direto, o segundo quarteirão.
- Obrigada meu jovem.
Para a alegria de Kamus o sinal abriu dando passagem aos pedestres, caminhou devagar para não ter que acompanhar a senhora, já que seguiam no mesmo sentido, suspirou aliviado ao vê-la apertar o passo.
- "Menos mal."
Continuou seu trajeto, quando passou pelo local em que a senhora tinha entrado parou. Era uma grande loja, com uma placa em dizeres árabes. Deu uma olhada reparando que ela vendia peças de decoração, ao erguer o olhar notou que no segundo andar havia um restaurante, na certa de comida também árabe.
- "Vem à França para comer comida árabe?" Ridículo. – deu um passo, mas parou.
Voltou o olhar para a loja, Shura casaria em pouco tempo, talvez uma peça de decoração fosse um bom presente. Entrou, dando uma olhada antes no nome da loja e claro que não entendeu, mas na tradução aquilo queria dizer "Muhad."
Olhava calmamente as peças, eram muito bonitas e qualquer que fosse a escolha agradaria a Rita.
- Bom dia, posso ajudá-lo?
- Só estou olhando. – disse sem se virar para a vendedora.
- Fique a vontade.
- Obrigado.
Kamus continuou a sua busca, a moça o seguia em silencio.
- O que sugere para um presente de casamento? – indagou, já que ela o seguiria poderia ajudar de alguma forma.
- Temos peças lindíssimas.
- "Eu sei, por isso estou perguntando." – pensou em dizer, mas a julgar pelo sotaque da moça imaginou que ela não fosse francesa. – percebi.
- Temos vasos...
- Shura vai quebrá-los. – disse cortando-a. – desajeitado ao extremo.
A moça começou a enumerar vários objetos e nada agradava ao aquariano e ele se quer a olhou alguma vez.
- Tapetes?"Se isso não agradá-lo nada mais vai." – pensou.
O cavaleiro silenciou-se, sua mente voltou ao passado, à mãe adorava tapetes.
- "Ficava tão feliz quando via um." – pensou dando um sorriso.
A moça, mesmo ele estando de perfil notou o sorriso.
- Quer vê-los?
- Sim.
Kamus finalmente a olhou, ficando surpreso. Julgava que a moça tivesse traços árabes, mas não. Era loira, de cabelos curtos na altura do pescoço e tinha olhos azuis.
A moça também o fitava impressionado, achou- o muito bonito, principalmente os olhos.
- Venha comigo.
Concordou seguindo-a. A moça mostrou lhe inúmeras peças, Kamus fingia prestar atenção, mas olhava mesmo era para a moça.
- Fez uma boa compra senhor.
- Obrigado.
- Tome o cartão da loja, se precisar de mais alguma coisa.
- Obrigado.
- Foi um prazer. – estendeu a mão.
- Igualmente. – retribuiu.
Ao tocá-la sentiu o seu cosmo vibrar, mas achou que era apenas impressão. Agradeceu mais uma vez indo embora.
Mal ele atravessou a porta duas vendedoras apareceram.
- Farah, que homem é aquele? – disse uma delas. – para cliente é um chato, mas a sua beleza.
- Realmente foi difícil agradá-lo.
- Ele é lindo. – disse a outra.
- Também achei.
- Achou o que?
As três viram.
- Um rapaz que veio aqui, Ibrahim.
- Hum... pois podem voltar a trabalhar, as três. – fingiu está irritado. – temos muito serviço.
As três concordaram indo cada qual para sua tarefa.
X.x.X.x.X.x.X
De volta ao hotel, preparou as malas, partiria no fim do dia para Athenas com o desejo de não voltar a Paris. Olhou o tapete, bem enrolado, na certa Rita ia adorar e ele ficaria bem no décimo templo. Seu celular tocou.
- Pronto.
- "Sou eu."
- Só poderia ser você mesmo. Não encontrei nada se é isso que quer saber.
- "Eu nem perguntei."
- Nem era preciso. – sentou na cama. – foram adotados por árabes, há essa hora devem morar na Ásia, longe daqui.
- "Não tem nome de quem os adotou?"
- Não. A busca acabou Miro. Não há nada a ser encontrado.
- "Podemos achá-los, a fundação..."
- Acabou Miro. – disse frio. – volto hoje à tarde.
- "Eu acho que não... acho que Atena vai te pedir para resolver algo sobre a fundação."
- Como sabe disso?
- "Escutei uma conversa dela... mas não fala que te falei. Só quis te prevenir."
- Esta bem... mais alguma coisa?
- "Trás um presente para mim. Um perfume."
- Miro!
- "Qualquer coisa."
- Está bem. – passou a mão de forma nervosa.
- "Se precisar de algo me liga."
- Ta. Tchau.
- "Tchau."
Desligou o aparelho.
- É uma criança. – teve uma idéia. – se eu não levar nada para a Raiza vai brigar comigo. – deu um sorriso.
Gostava da garota, ela pelo menos era mais sensata que o irmão. Levaria algo para ela e ate sabia o que: um jogo de tabuleiro árabe que vira de relance na loja.
- Fui bem atendido, merece que eu volte lá.
Passou as mãos pelos óculos escuros e saiu.
Continua...
Desculpe a demora, mas com a aproximação do final de semestre, o tempo fica escasso. Temporits deve demorar um pouco mais, mas vou tentar postar ate o fim do mês. E o próximo capitulo de Reencontro, o reencontro de Kamus com os irmãos. (não vai faltar brigas) Ate.
Nota: Bougátsa - Doce de creme de queijo com canela e açúcar.
*A fic Reencontro com o Passado começa em meados de 2007 (a Saga de Hades acontece em 2005) e termina aproximadamente outubro do mesmo ano, portanto na continuação já estamos em 2008, as idades dos dourados estão baseadas nesse ano.
